terça-feira, 30 de setembro de 2008

LisboaGate

No meio da tragédia económica que se vive mundialmente, há estas pequenas tragediazinhas: abuso de poder; aproveitamento de privilégios imorais da carreira pública e política; imunidade (e impunidade) diplomática; remunerações, subsídios e reformas estrategicamente atribuídos de acordo com as conveniências de cada um e tudo mais que vem à superfície ou fica reduzido ao secretismo de elites, agrilhoadas entre si, à beira do mesmo tacho.
E o que hoje constitui um choque social e provoca a revolta invejosa dos cibernautas cheios de moral que, indignados, insultam todos os que beneficiam com as sucessivas burlas de fato e gravata, amanhã é um espectro, do qual resta apenas um fraco eco. À laia da sabedoria popular, os cães ladram e a caravana passa.
Nisto tudo, o que mais aprecio, são os cabeçalhos da comunicação social.

cheiros, aromas, sabores....

ou tudo em um.
Sempre me confundiu a definição de aroma. Por mim, sempre me inclinei mais para o olfacto, e no entanto, os iogurtes aromáticos 'sabem' ao seu aroma.
A definição enciclopédica justifica: "Propriedade organoléptica perceptível pelo órgão olfativo via retronasal durante a degustação". Degustação e olfacto. Está explicado.

pensamento do dia ou... auto-inflicted therapy

When you feel that you're not worth it, just remember that somebody out there wants you badly...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

uma das coisas preferidas (2)

ver westerns com o meu pai ao fim de semana. se metia índios e cowboys era garantido: estávamos perante um bom filme!
hoje acho que ele não se aguentava muito tempo com a modorra companhia do lento cavalgar e os diálogos com sotaque country. com sorte, despertava no duelo.
ficou-me, dessa época, o fascínio pelos saloons.
(ainda a propósito de Paul Newman...)

um corpo destes vai direito para o Inferno...


Ocorreu-me que o Paul Newman acaba por ser, para mim, uma espécie de Matthew McConaughey das gerações vindouras...
...

(Deus lhe dê - pelo menos - os mesmos anos de vida...)

diz-me ela assim:

"... há um colega meu que é meu vizinho, mora nesta porta. É o 'Rordigo'. Há na minha escola dois 'Rordigos': um é o que tá constipado, o outro não..."

Into the Wild



"There is pleasure in the pathless woods, there is rapture in the lonely shore, there is society where none intrudes, by the deep sea, and music in its roar; I love not Man the less, but Nature more"

(Há nas matas cerradas um prazer, há nas encostas solitárias um arrebatamento, há uma sociedade, onde ninguém pode intrometer, pelo mar profundo, e música em seu lamento: Eu não amo menos ao Homem, mas à Natureza mais)

Lord Byron

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

tesouro nº2

cerelac...
(devo dizer que conheci há tempos um dos bébés presentes e leva-me de avanço uns trinta centímetros...)

uma das coisas preferidas (1)

deitar-me em cima da mana, quatro apoios, posição 69, e imaginar-lhe o nariz no queixo: transforma a boca num órgão carregado de humor polivalente. gargalhadas garantidas.
(back in the 80's. good old times...)

notas soltas...

... nome de programa televisivo ou descrição, por tópicos, de um periodo compreendido entre dois limites temporais.
sexta-feira, 8h15, com alarme do telemóvel e buzinadelas insistentes na rua. tijela de cereais com leite e iogurte de sabor a morango. beijinhos em forma de lingua fina de fiambre e cócegas de bigodes soltos e nariz húmido e frio (como devem ser os narizes canídeos*). beijinhos no ombro nu (tão bom!), de outro bigode, ralo e forte (de nariz maior e seco*). roupa escolhida com certeza. humor de sexta-feira. pensamento na noite que se aproxima e no reencontro de almas... gémeas (sempre afastadas mas nunca distantes). humor de sexta-feira com sorrisos. rua com sol. temperatura agradável. nice! e ainda não acabou...
* porque aos bigodes deve estar sempre associado um nariz!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

não me estampei nem nada! não é preciso exagerar...

No meio da absurda situação que é bater no camião à nossa frente sem perceber muito bem como é que aquilo aconteceu, dou por mim a pensar que me incomoda muito o facto de não receber o mínimo troco do condutor. Assim. Como se eu fosse uma libelinha e ele um elefante. Continua a andar como quem deixa cair um tremoço insignificante no chão da tasca e eu fico ali, encostada na berma, ainda pasma com a estupidez da minha performance, entre o receio de sair para ver os estragos e a vontade de me esbofetear. Sempre a pensar que o gajo não me ligou nenhuma e que eu tenho mais é de estar agradecida por isso. Em vez dele, podia ser um Volvo reluzente com um condutor sexagenário picuinhas. Ou pior. Muito pior! Podia até ser uma mulher! Saio e as lesmas continuam no pára-arranca ao meu lado. Não pareço despertar muito interesse. Valha-me isso! Dou a volta pelo lado maior, para adiar a revelação. Não pode ser. Descobri que o meu carro é frágil, frágil, coitado, na sua chapa de lata de salsichas e plásticos reluzentes. Como é que pode? Ainda agora aconteceu e já se notam os hematomas? Nos carros é assim: o que acontece vê-se logo ali, na chapa, não fica escondido no motor, no carburador ou noutro sítio com nome estranho, que nem emoção recalcada.
Gostava de ser como o meu carro. É um herói e sofre com valentia as consequências dos meus erros (mais idiotas). Para não falar nas obscenidades impacientes que ouve (da minha parte) com tanta condescendência. Agora está marcado, o pobrezinho. Nada de mais. Como uma herpes que eu não lhe consigo disfarçar com pensinhos Compeed.
De resto, tudo igual.
Entrei no carro novamente. Pisca e faz-te à estrada porque o ginásio está à espera e ainda há muito para fazer até chegar à cama. E assim foi. Adormeci pouco depois da meia-noite e dormi profundamente.
Hoje quase (quase) parecia que acordava de bem com a vida.
(Não se deixem enganar. Eu sou uma pessoa feliz.)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

programação

Chegou o Magalhães!
Foto@Lusa/Nuno Veiga
gostei tanto daquela reportagem sobre a distribuição dos computadores Magalhães pelas escolas!
e o ar do Sócrates:
'então, meninos, e há computadores suficientes? Pois... não chegam, não é? Não faz mal! Nós vamos trazer mais!'
deixei-me logo divagar:

CHAAARAAAN!!
(Sócrates com fato de super-herói)

'Porque nós somos o Super-Governo!!'

afinal, não.

quando voltei a olhar estavam a dizer que a seguir ia ser transmitido em directo o Paços de Ferreira-Benfica.
pensei logo 'que excelente alinhamento noticioso!'
mas até não foi mau. o jogo acabou mesmo a tempo. mais uns minutos e a coisa descambava.

caixa de música

não sei porquê, lembrei-me agora de um concerto dos Xutos a que assisti há vários anos no Casino Estoril.
foi uma noite gira.
lembrei-me não sei porquê.
de vez em quando lembro-me de coisas assim do nada. às vezes até são coisas boas e algumas são mesmo reincidentes, embora não perceba porquê.
mas a maior parte das vezes preferia não ter recordações.
ultimamente lembro-me ciclicamente de coisas que queria esquecer e que me fazem mal. acho que me fazem mesmo mal. mesmo, mesmo mal: ao estômago, à cabeça, ao coração.
a minha cabeça é uma caixa de música velha e poeirenta... sem bailarina!

cactos e margaridas

Não acredito que permanecemos iguais na essência, imunes à passagem do tempo.
Viver muda-nos. Viver é erosivo.
Sei o que me comove um cão abandonado, o que me sensibiliza o seu olhar suplicante. Sei o que isso me diz sobre o ser humano. Sei que isso não mudará. Sei da felicidade e do temor de amar, nas suas vertentes extremas. Sei que o amor é mistério e que isso não mudará. Conheço o prazer físico no seu carácter mais sublime e no mais fútil. Sei que, entre ambos, está um mundo e não está nada. Sei que será sempre assim.
Mas já houve um tempo em que não admirava a simplicidade da margarida e não valorizava a aspereza do cacto. Já houve um tempo em que não achei que dar vida à própria vida fosse um privilégio que podia aceitar.
Há coisas que mudam e ainda bem.
Noutros tempos nunca pensaria em ter uma filha a quem chamasse Carolina.

tesouro nº1

"venham ver na floresta o sol nascer..."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

'night mother' & 'paranormal'

adoro chorar e rir convosco, miúdas!
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).

couceiro super-special one

Os nossos treinadores charmosos estão mais do que destinados a fazer história além fronteiras.
Hierarquicamente, o Couceiro está um patamar acima do Mourinho: encerra um misticismo à 'Robin dos Bosques' ao agarrar uma selecção inferior e elevar os seus jogadores a heróis no meio dos maiorzinhos e não tem como sponsor um árabe multi-milionário para o que for preciso.
Pode até nem ir mais longe: esta glória já ninguém lha tira.
(então não é charmoso, o Couceiro? Eu acho!)

fall

O Outono começa hoje, às 16h55...
Este tipo de precisão faz-nos esperar uma reviravolta climatérica digna das previsões assertivas que a sustentam.
Por enquanto, só vejo nuvens carregadas a emoldurar o azul fantástico do céu e a importunar, aqui e ali, um sol que aperta com força.
Mais uma vez, antecipei-me ao termómetro e "vesti a camisola" da estação demasiado cedo.
Este calor extrapolado aos seus limites sazonais é bom para me fazer chocar alguma.

postponed

Ando sempre a adiar as coisas boas, os pequenos prazeres.
O bombom que me delicía, a camisola fantástica religiosamente poupada para aquele dia que ainda não sei qual é, as duas horas de sono solto num Domingo qualquer.
O que acontece tantas vezes é, num golpe do destino, deixar passar a altura certa.
E quando provo o bombom ele não é tão bom como imaginava. E a camisola não fica bem, todas as outras parecem ficar melhor. E quando finalmente me deixo cair no sofá, não consigo forçar-me a descansar porque o sono espontâneo já passou.
Já não sei descontrair.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

pequim, a terra de Ninguém

'A Cidade Proibida', Pequim. China.

pequim é uma cidade pequena, de fim do mundo. Não chega a ser cidade. É um lugar, um lugarejo.
pequim não tem futuro. Há muito que está condenado a desaparecer e ninguém conhece este sítio. Talvez um ansião sem idade que ainda por lá tenha passado. E mesmo para esse, este lugar nasce da imaginação.
pequim é tão pequeno e insignificante que, na prática, não se sabe se ainda existe. Talvez os seus habitantes já tenham desaparecido, porque morrer no esquecimento e morrer efectivamente acabam por ser a mesma coisa num lugar que não existe para o Mundo.
Nos mapas, só se encontra Pequim na China. Nos livros de História também. Muito embora pequim tenha sido uma cidade há muito tempo, antes da haver China, a única Pequim que conhecemos é esta.

pequim pode muito bem ficar em Portugal.

é para e por você...



porque me quero apaixonar todos os dias e porque o melhor jogador em campo merece...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Bjork

Shhhh, ShhhhIt's, oh, so quiet shh,shhIt's, oh, so still shh,shhYou're all alone shh, shhAnd so peaceful until...You fall in loveZing boomThe sky up aboveZing boomIs caving inWow bamYou've never been so nuts about a guyYou wanna laugh you wanna cryYou cross your heart and hope to die'Til it's over and thenShhh, ShhhIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuse, zing boomThe devil cuts loose, zing boomSo what's the use, wow bamOf falling in loveIt's, oh, so quietIt's, oh, so stillYou're all aloneAnd so peaceful until...You ring the bell, bim bamYou shout and you yell, hi ho hoYou broke the spellGee, this is swell you almost have a fitThis guy is "gorge" and I got hitThere's no mistake this is it'Til it's over and thenIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuseZing boomThe devil cuts looseZing boomSo what's the useWow bamOf falling in loveThe sky caves inThe devil cuts looseYou blow blow blow blow blow your fuse ahhhWhen you've fallen in loveSsshhhhhh...

nestas alturas em que ando desvairada, vejo a Bjork no espelho retrovisor do carro...

é difícil ser-se são nos dias que correm

Ainda não consigo acreditar que, ontem, aquele gordo obtuso parou o carro no meio da estrada para me gritar "tens umas botas muita giras!" e que, hoje, uma das cadelas da minha vizinha me mijou aos pés dentro do elevador!
Bad timming a escolher calçado...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

as galinhas das vizinhas

há merdas que me chateiam a sério!
vejamos o meu caso.
sou licenciada. não trabalho na minha área (entenda-se minha como sendo aquela em que me formei).
acabei o curso há uns anitos que já vão fazendo diferença e, no entretanto, já trabalhei em três sítios diferentes, todos ou quase todos distantes da opção académica que em tempos tomei.
pelo meio, também passei por periodos de desemprego, frustração e rendimento nulo, como acontece com milhares em Portugal.
há uma coisa que nunca fiz.
nunca recorri a fundos do Estado destinados a garantir um rendimento mínimo de subsistência enquanto não encontrasse o meu emprego como doutora, engenheira ou arquitecta.
e espero nunca ter de fazê-lo.
não farei, certamente, enquanto não me faltar saúde e existir trabalho no mercado.
(subscrevo quase todas as críticas que se fazem ao sistema e às leis de mercado mas não apoio hipocrisias. esta sociedade de vítimas que, sem emprego, fazem compras na Mango sem reparar na placa que pede funcionários, enoja-me!)

testes

1,67 mt
58,4 kg
25 massa gorda (tem de andar pelos 19... isto é em kgs ou em percentagem?)
tensão normal/baixa
5 de outra coisa qualquer (numa escala de 0-10, diz que não é mau... mas pode ser melhorado!)
bastante flexibilidade (isso é bom! se já fui ginasta?! não, deve ter nascido comigo...)
coração em bom estado
cintura e ancas dignas de uma diva... (da década de 70, não nos dias de hoje)
"
uma hora depois, após uma caminhada razoável e uma corridazinha de nada e com - apenas - 10 minutinhos de abdominais e um duche... estou pronta para uma autópsia.
e aquela senhora nos sessentas, toda activa, que não se cala no balneário, a programar os steps e os combats e o total...
penteio-me em segundos e piro-me dali para fora a fingir que me sinto mesmo bem.
não aguento muito tempo aquele ambiente de obsessão saudável..

mas que ideia de merda

A não perder!
cócó de cão
serve-me de consolo que nestes dias haja sempre matéria prima ao virar de cada esquina... literalmente!
"
(Não gosto nada de cócós no chão e apanho muitas vezes os do meu cão, mas sou uma cidadã sortuda: nunca piso bostas!
No entanto, devo acrescentar que tropeço em merdas bem piores neste país!)

coisa rara

Coisa rara, acordar vazia como hoje.
O meu dicionário está oco de palavras, como um relógio velho que, sem corda, ficou parado no tempo.
Nem me lembro o que sonhei.
Coisa rara.
Não faz mal. Em dias assim percebo, sem surpresa, que o mundo não enriquece com as minhas palavras e que a minha personagem cumpre na mesma o seu papel neste teatrinho.
A funcionalidade é que importa.
"
Ainda assim, a lágrima da sensibilidade irremediável, assoma-se ao ventrículo quando alguém em cena se aproxima e questiona, com ar de quem já conhece, um 'passa-se qualquer coisa, não passa?'
"
Apercebi-me ontem com tristeza que o que mais lamento não é não saber para quem correr. Fazer desabar o meu mundo no ombro de alguém nunca foi algo que me fizesse sentir confortável.
O que me entristece é saber que eu não sou o ombro de ninguém.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

tu és isso

o duche de segunda-feira sabe tão bem como um banho de alguidar sem sabão...
mas depois da excursão à Regaleira, na Sintra húmida de lua cheia, em Domingo de Pentecostes, com boa companhia, pão, azeitonas e tinto do bom (creio eu!) e a alegria da exfusiante dança medieval, só posso pedir para esta semana que HAJA FOLIA!

"
(dedico este post à minha amiga 'Camila', que foi homem, por uma noite!)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

nuno

são sete anos.
ontem custou-me adormecer porque me lembrei, sem precisão, que fez sete anos.
lembro-me que foi há sete anos porque tenho como referência o 11 de setembro, o qual já não presenciaste. lembro-me também que foi neste mês, o mês em que completavas mais um aniversário.
soube por telefone e lembrei-me, num flash, da noite em que entrei no bar, com os inquéritos de SPSS que distribuiria pelos amigos, para ajudar no trabalho da faculdade. não estava à espera de te ver, a ti e ao meu professor de português preferido, em familiar tete-a-tete.
pelo telefone, de volta à realidade, ela repetia a mesma informação. respondi calmamente que tinha percebido bem. desliguei e estranhei-me por não chorar. em vez disso, fui acabar de almoçar. era sábado. porque havia de chorar? era uma fatalidade do destino, mas não uma fatalidade que me tocasse a mim. nunca nada nos havia unido daí que nada do que ouvira nos separava afinal.
ontem custou-me a adormecer porque, sem querer, me lembrei de mais pormenores e porque conclui que, então como agora, foste sempre uma perda. e vieram-me à ideia os sorrisos, as mãos suadas, os amargos de boca e as desilusões. as voltas da vida, as mudanças e a reincidência na tua presença constante e distante, durante uns tempos que parecem ter sido há mil anos.
lembro-me menos do que seria de esperar mas muito mais do que seria preferível.
sei hoje, pela nitidez do ontem, que esse passado longínquo em que ainda existias, nunca se desvanecerá na minha memória.

elviro

Sonhei coisas estranhas, soltas, dissociáveis, separadas entre si por uma ida à casa de banho, a meio da noite, que talvez tenha contribuido para a mudança de temática.
Primeiro, estranhamente, sonhei mais uma vez com ela. É uma constante.
Foi um sonho pacífico. Classifico-os como "aqueles que não deixam cicatrizes", os sonhos pacíficos.
É raro ter pesadelos assustadores ou sonhos muito bons. Tenho estes sonhos característicos de uma 'alma perturbada', umas vezes mais marcantes que outras.
No sonho ela estava imiscuída entre nós. Amiga da minha irmã e da minha mãe. Não achei justo. Sonhava, perplexa. Acho que uma parte de mim quer odiá-la, ou não consegue deixar de o fazer, e outra parte quer, infantilmente, pedir-lhe a sua amizade.
Noutra vida poderíamos ter sido melhores amigas.
Depois sonhei que estava nos Estados Unidos, a visitar amigos em Hartford.
Mas Hartford era um sítio muito estranho e tinha mar, praias horríveis onde a água era temida e onde ninguém nadava e pescava-se da margem, à cana, com jeito e energia máscula porque a linha era sugada com força por seres invisíveis. Foi um sonho extenuante. Era tudo feio.
E por mais que insistisse em ver os meus amigos, acordei antes de ter oportunidade de o fazer.
Nos meus sonhos fico quase sempre aquém de fazer qualquer coisa que quero muito.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

cas-si-o-pei-a

escrevo assim para não me subir um arrepio pelas costas.
da mesma forma que escondo os olhos por detrás de uma cortina de dedos quando vejo um filme de terror, "des-silabizo" palavras que me lembram coisas asquerosas com milhentas patas, como é o caso.
pena é que coisas tão agradáveis como deusas gregas ou constelações de estrelas sejam desta forma associadas a grotescas fobias por via da linguística.

hoje

vi-o quando estacionava.
vinha ele a caminhar penosamente, sem pressa, com o saco da marmita na mão.
reparei que era jovem e tinha a pele escura, talvez queimada do sol. talvez fosse mesmo mulato.
uma hora depois, à saída do parque, lá estava ele sentado na berma do passeio, perto do portão da entrada, com ar cansado e o saco da marmita aos pés.
calculei que contava lentamente os minutos da sua pausa solitária, para regressar de novo ao trabalho. ousei tomar como certas as minhas suspeitas sobre a sua amarga solidão.
um novo olhar oblíquo para o seu aspecto andrajoso e pensei que nunca antes senti tanta compaixão por alguém como naquele momento.
sou mesmo um caso perdido.

não foi, mas podia perfeitamente ter sido assim

- Hoje é mesmo um daqueles dias para esquecer!
- Então..!?
- Não sei... não tenho paciência para nada, tudo me faz confusão! E parece que nestes dias as pessoas ficam mais insuportáveis, falam mais alto, conduzem pior...
- És tu que as vês assim, por causa do teu estado de espírito. Da mesma forma que nos dias em que te sentes bem nada te chateia, em dias como hoje tudo o que te rodeia parece desagradável!
- Pois, eu sei que é assim que funciona mas saber isso não me serve de nada, ou serve? O meu estado de espírito permanece inalterável. Em toda a gente, mesmo nas pessoas de que mais gosto, sobressaem coisas negativas. É o que mais detesto!
- Como assim?
- É mais fácil sentir coisas más e pensar nos defeitos dos outros. É mais fácil sentir rancor e mágoa do que coisas positivas! Torna-se fácil desconfiar, ter medo, sentir insegurança. Tudo coisas más!
- Vais ver que amanhã é outro dia e tudo o que sentes hoje vai parecer muito mais distante.
- Eu sei que é assim! É isso mesmo que eu não gosto. Esta capacidade de transformar os outros, as coisas, o mundo, toda a vida através do nosso olhar!
- Mas não vale a pena questionar! É assim mesmo que funciona...
- Mas em mim estas oscilações são mais frequentes e mais radicais que nos outros!
- Isso é outro sintoma: achar que em nós tudo é pior. Tenta abstrair o pensamento de coisas concretas, não te questiones. Vais ver que te sentes melhor sem dares por isso!
- Tu não entendes...
- O. K. Se achas que não! Estava só a tentar ajudar mas se preferes assim...
- Eu sei que estás a tentar ajudar mas as boas intenções nem sempre chegam para resolver as coisas..
- Se calhar devias tentar aceitar que isto não é o tipo de coisa que se resolve mas sim que se deixa passar, com o tempo, com uma boa noite de sono, com alguma dose de paciência... Faz como quiseres. Fui!
...
(qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

um preço certo

o que me faz gostar de mim em tempos sãos?
a criança que vive por dentro e por fora e não deixa adivinhar o abismo de mais uma década finda. os caprichos que, não poucas vezes, me fazem desejar ser outra mas aos quais permaneço fiel. os impulsos imaturos noutros tempos responsáveis por sucessivos joelhos esfolados quase iguais aos que hoje me derrubam. e me deixam sempre erguer novamente.
tudo tem o seu preço.
vendo a alma ao diabo para garantir que me continuem a chamar menina.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

america today

diz que Sarah Palin, enquanto governadora do Alaska, cobrou diárias ao Estado durante um periodo em que esteve em casa. além disso, utiliza fundos de viagem para toda a família nas suas deslocações profissionais.
por outro lado, dispensou o jacto privado que o seu antecessor utilizava e opta sempre por vôos comerciais, poupando alguns trocos republicanos. e viaja em classe económica.
para mim, é a candidata ideal.
desengane-se quem pensa que a gravidez da filha menor é uma desvantagem.
e se isso não chegar, tem um bébé com síndrome de down, que pode exibir nas convenções republicanas.
obama que se cuide.
esta mulher já conseguiu fazer esquecer a renovada mística democrática.
isto é que é política espectáculo!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

S.O.S.

quem me conhece sabe do meu fascínio pelas lantejoulas dos ABBA.
a alegria pop do Mamma Mia é irresistível.
estive presente no musical durante os dias que esteve em Lisboa e não podia perder a sua adaptação ao cinema, ainda que convicta de que não superaria a versão teatral.
que mais não fosse, a Meryl Streep e os idílicos cenários mediterrânicos levaram-me à tela.

contudo, não sei se vou conseguir superar o trauma de ver o Pierce Brosnan a cantar.

here i am

senti falta da fluidez das palavras que se soltam aqui com uma subtileza quase anormal.
mas isso já eu calculava.
soube bem libertar-me desta dependência saudável. quase tanto como sabe bem retomá-la.
estou de volta ao país dos eufóricos na vitória e rancorosos na derrota.
e do aumento da violência.
e do aumento dos assaltos, principalmente nas gasolineiras, nas suas duas vertentes - o dos ladrões que assaltam as caixas e o das próprias gasolineiras que nos vão ao bolso, todos os dias (muito me surpreende não ter visto ainda uma grande reportagem a relacionar os dois fenómenos).
estou de volta, saciada.
consegui fugir às praias apinhadas de famílias irritantes embora me tenha sido impossível fugir ao excêntrico histerismo do mulherio espanhol.
nem sinto o síndrome negativo do regresso agora que volto à rotina.
para concluir, e fugindo ao estereótipo efusivamente apregoado pela Isabel Stilwell nos seus editoriais, a minha singela semana de férias de verão soube-me muito bem.