sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

tenho de dizer isto

... sem ansiedade, sem ansiedade, mas o balanço foi muito positivo! Sete (7!) livros! E uma gabardina preta.
E a filmografia das jornadas: Shrek, Cidade de Deus, Day After Tomorrow (again!) e um bocadinho do James B(l)ond.
Hoje acordei a sentir a cabeça latejar e pensei na toalha ensopada no Barca Velha de 1999.

"filhoses" e outras neuroses

O Natal já passou e sem ansiedade pelas prendas. Foi quentinho, quase sempre ao abrigo de quatro paredes e de um aquecimento invejável. Os pensamentos mais negativos que tive foram exactamente os que tentaram calar a minha consciência, quando esta deixou, uma ou outra vez, repassar a frustração de saber tantos ao frio e com fome.
O costume, de todos os anos. Braços cruzados, indiferentes ao gesto possível mas considerado vão. Assim sendo, não choremos pelo que deveríamos.
Hoje é o último dia "útil" do ano, para mim.
Tenciono ser literalmente uma "inútil" durante alguns dias que espero que sejam confortavelmente compridos como uma boa espreguiçadela. E, antes de recomeçar, quero uma vendetta que -não obstante a fome no mundo e a abençoada vida que me calhou em sorte- acho que mereço. Por isso, atravesso o oceano e rumo ao equador, em busca de climas quentes e de chilli picante.
Se isto não é uma despedida, daquelas que não gosto de ver nos blogues a anunciar pausa para férias, então não sei o que seja. Talvez não. Talvez os alertas amarelos e laranjas me privem de passeios de Inverno e me confinem ao teclado caseiro algures, durante a próxima quinzena.
Voltarei. Não sei é se antes ou depois do sombrero...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

segunda II

Hoje é segunda e acordei bem-disposta.
Talvez porque não há dias tão bonitos como os dias frios e de céu limpo.
E era assim que estava hoje, quando acordei...

segunda I

Gostava de não ser céptica, assim a roçar o pessimista, e gostava que as segundas-feiras não fossem sempre tão cinzentas ao acordar, como se a semana fosse um comboio negro e interminável que tenho que enfrentar.
Gostava antes de ser uma pessoa sorridente, daquelas inexplicavelmente bem-dispostas e muito espirituais, com uma boa aura, para quem cada dia é uma dádiva.
Se eu fosse antes esta pessoa, não escrevia posts como o último.
Pelo contrário, seria ignorantemente feliz e gritaria a plenos pulmões que o meu Benfica há-de ser sempre o maior.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

a crónica que o Benfica já merecia

Há, na minha vida aparentemente estúpida e sem significado, uma dúvida que se assume com uma enormidade e uma importância desmesuradas, de carácter quase existencial. Quanto mais tento encontrar uma resposta satisfatória, mais a dúvida se levanta em toda a sua gigantesca imponência e mistério. Passa-se então que não consigo descortinar o que é que, de há muitos (demasiados) anos para cá, tem vindo a acontecer com o Benfica, a tal instituição gigantesca, mundial, cujo número de adeptos, todos bem juntinhos, ocupam no planeta uma mancha visível do espaço.
Desde há muito tempo que me tornei uma adepta preocupada com algo muito para além de derrotas pontuais.
É com tristeza que reconheço que este Benfica, que tem vindo a sobreviver magistralmente à custa de glórias quase pré-históricas, não tem ponta por onde se lhe pegue. Desde a direcção, sem carisma, sem liderança, sem estratégia, sem vontade, passando por equipas técnicas que deixam sempre muito a desejar, não esquecendo os médicos e preparadores físicos que valha nosso senhor a quem tenha de passar por eles, nunca mais são jogadores na vida (e isto é misteriosamente recorrente), ninguém se escapa.
Reconheço, tristemente, que não há maneira a dar a volta à coisa e que o Futebol Clube do Porto e o seu Pinto da Costa é que a sabem toda porque ali ninguém pia mais do que deve ou do que sabe. E, incrivelmente, confirma-se que fenómenos inversos se passam nos rivais lisboetas e invictos: o que o Benfica consegue melhor (transformar vedetas do futebol internacional e propensas estrelas em jogadores medíocres) é inversamente proporcional ao que o Porto faz com arte (transformar desconhecidos em grandes jogadores e fazer de treinadores como Jesualdo bons treinadores). São as antípodas do futebol. Aqui, nem o Sporting entra: os seus dilemas caseiros e as suas dores de cabeças não andam neste palmarés que opõe o Porto ao Benfica.
No Benfica, toda a gente manda e não manda ninguém. Há bem intencionados. Há uma estátua do Eusébio, que lá vai sobrevivendo. E há, sistematicamente, no início de cada época, jogadores que chegam, com gana de se mostrar num dos "grandes" da europa. São os mesmos jogadores que, poucas semanas depois se revelam um fracasso, quer pelas suas qualidades duvidosas, quer por um fraco aproveitamento dessas qualidades (este é outro quebra-cabeças). São os mesmos que regridem, ao longo da época, para comportamentos pouco dignificantes da camisola que vestem e do investimento que neles é feito, são os mesmos que se tornam indisciplinados, que afirmam não 'entender' as decisões do mister, que reclamam um lugar ao sol e que eu vejo, inexplicavelmente, de ombros caídos.
Tem sido isto o Benfica. Um clube grande porque o reza a História, em cuja principal modalidade vinga um fracasso anunciado. Começa um novo periodo, em cada mês de Agosto, com uma mentalidade ganhadora e confiante meramente ilusória: um olhar mais atento e facilmente se detectam botas que não batem com as perdigotas. Desde cedo. Mas a massa de gente acredita e deixa-se enganar por torneios amigáveis. No início, admite-se estar em todas as frentes. Depois surgem as más opções, o excesso de confiança, a pouca sorte ou a desculpa das más arbitragens. Acumulam-se maus resultados e, pouco a pouco, vão-se adiando conquistas, até estar apenas em jogo a prova principal que não é eliminatória e se torna muitas vezes pouco competitiva e previsível. Quando menos se espera abdicou-se da Europa, da Taça e a Liga está em risco.
Costuma dizer-se que pior do que aquele que é cego é o que não quer ver.
Com alguma angústia constato que para se acreditar neste Benfica tem de se fechar os olhos a evidências que me recuso a ignorar. Há, neste Benfica, um mal residente, confortavelmente instalado. Há uma apropiação desleal de uma instituição que teve em tempos objectivos concretos e cujas prioridades não eram o aproveitamento económico de uma imagem de marca. Há um orgulho despropositado na exploração financeira da instituição, em detrimento da decadente impressão que o seu futebol mostra ao mundo. E há em cada benfiquista um pretenso orgulhoso, prostrado na vã ilusão de um clube que já não é o melhor do seu País, muito menos do mundo.
Em resposta ao senhor Pinto da Costa, não é o sucesso do seu Porto que me incomoda.
É com um Benfica em que não me revejo, que não consigo conformar-me.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

parti um salto e aterrei na pantufa

É sempre um risco. Tudo é um risco.

Quem diz que não é importante sentirmo-nos tão bem, tão bem, que não resistimos a olhar para as montras apenas para contemplar o nosso reflexo? Usar aqueles sapatos disfuncionais pode ser raro mas resultar perfeitamente.
Então imaginemos o cenário da velha e cosmopolita Avenida. Imaginemos uma Anne Hathaway ou a Charlize Theron. Imaginemos um anúncio de um perfume que nos faz chegar o cheiro através do aspecto elegante das imagens.

Arriscar partir um salto por uma boa impressão.
Valer a pena o risco.

Então por que raio é que só me consigo imaginar dentro de um pijama com pés!?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

mia ao quadrado

Num mundo um bocadinho melhor, não teria apenas dois livros de Mia Couto (ironicamente duas cópias do mesmo título).
E com alguma sorte, não corria o risco de ver (uma vez mais) Pedro Santana Lopes nos destinos da nossa Lisboa.

num mundo perfeito

Deixaste-me esta sugestiva frase.
E é uma permissa para tantas coisas!

Gosto de pensar que num mundo perfeito todos davam o suficiente, ninguém precisaria de mais. Mas acontece que todos pedem mais e poucos conseguem dar que chegue.
Num mundo perfeito, querer e precisar teriam um peso diferente e quem precisa receberia mais do que quem apenas quer por querer.
Num mundo perfeito, começariamos por não almejar a perfeição. Nesse mundo, reconheceríamos como perfeitos apenas alguns momentos, alguns gestos, algumas palavras, uma ou outra fotografia, um cheiro aqui e ali, um dia de sol ou de chuva.
Nesse mundo, com essa humildade, seríamos plenos, que é bem mais importante do que perfeitos.

Na prática, o mundo perfeito neste momento, não nos exigiria nada. Dava-nos tudo de mão beijada. E depois, o nosso destino não era uma conquista e em vez de chorarmos de cansaço e de alegria pelo fim da jornada, enterrávamos de vez o entusiasmo que é viver.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

let's call her... Rachel

A vida está sempre a impedi-la de ser uma pessoa apaixonada.
Quando quer gritar em delírios saudáveis, a racionalidade chama-a à razão como uma âncora inflexível.
Quando anseia por serenidade, surgem não se sabe de onde os gritos de desespero, de que tanto se arrepende.
É caprichosa e doentia a forma como a vida lhe mina a vontade própria.
O que pode ela fazer à vida, quando é a própria vida que a controla?
Nunca tomou uma decisão que contrariasse as imposições de um destino aceite.

Tem um marido, uma filha, um carro e um cão.
Não ama mais umas coisas que outras. Não distingue o material do afectivo.
É assídua, eficiente e profissional.

(custa-me tanto ver gente que vai sobrevivendo.
a minha insatisfação constante não admite conformismos.
ao menos isso.)

a reflexão inútil

Acho que o frio me congelou por completo.
Estou congelada até às entranhas. Até o pensamento está congelado.
Detesto o frio relativo que faz em Portugal.
O que é que são dez graus?
Dez graus é o tipo de temperatura que ainda nos permite pensar em moda. Naquela moda para a qual dez graus já não permitem calor e conforto. É a temperatura que nos inviabiliza considerar roupa de neve. Ridículo.
Estou encurralada.
E mexo no rato com muita dificuldade.
Ar condicionado? Bah!
A minha fraca circulação sanguínea não se deixa enganar por vinte e oito graus que aparecem no display.
E eu até tenho vergonha de temperar o ar na casa dos trinta.
Já olham para mim de lado.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

a língua inglesa soa sempre bem e a americana então!

As 'estórias' de gangs e grupos rivais que se confrontam em negócios obscuros, com uma pitada de assassinatos à queima-roupa a surgir em catadupa, não são muito comuns em Portugal. Pelo menos as notícias não vivem disso. O ano passado, a noite do Porto foi a excepção à regra e o terror andava espalhado pela Ribeira. Desenrolou-se uma investigação por parte da polícia judiciária que parece andar a dar frutos. O nome de código desta operação é 'Noite Branca'. Operação não. Processo. Em Portugal diz-se processo. Muito mais burocratizador, na minha opinião. O nome 'Noite Branca' até soa bem. O pior é quando chegamos aos envolvidos. Isto se fosse na América, tinha muito mais impacto. Consigo pensar numa variedade de nomes e nicks sonantes para esta malta. Jack, Frank, Tony, Louie, Nicky, Ty, Joe, 'Hammer', Bergman, Rick, todos adequados. Mas isto era se fosse uma 'operação' na América. Mas não. É um 'processo' e é em Portugal, no Porto. Ora os nomes dos envolvidos andam nesta onda: 'Berto Maluco', Aurélio Palha, 'Pidá', Natalino, Ilídio Correia, Mauro, Ângelo, e 'Beckham'.
Dito isto, I arrest my case.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

dolce di cocco i tartufo

o que eu gosto é do raffaello... da ferrero.
é uma chatice é o coco ralado que se espalha por toda a parte.
de chocolate, as trufas.
sublimes.

entretanto...

... vieram oferecer-me uma serenata. Das docinhas, não das cantadas. Não é o meu bombom preferido, devo confessar. É demasiado grande. Se isto fosse mesmo uma serenata, seria o equivalente a um stairway to heaven ou a um hotel california. De toda a maneira, gosto de todo o tipo de comida que traga papelinhos com mensagens ou brindes e outras paneleirices (o que eu gosto de pacotes de açucar com dizeres, anedotas e jogos. Até das mensagens em espanhol que vêm em alguns invólucros de pensos higiénicos. E devo dizer que por causa dos cuidados com a saúde e a higiene, a ausência da fava e do brinde do bolo-rei é um pecado capital! Foi-se o único elo de ligação entre mim e o dito). Adiante. A minha serenata reza assim:
"Acho que está rolando uma química entre nós... e olha que essa nunca foi a minha matéria predileta"
São dizeres brasileiros mas olha, terá que servir!
(e até sempre gostei mais de Química do que de Física...)

o que não é fácil de entender

Na época do menino Jesus, é fácil tentar fazer o povo acreditar em pequenos milagres. É fácil fazer-nos acreditar que todos os donativos que damos chegam ao seu destino, porque nós próprios gostamos de encher o ego com a sensação de que fizemos o bem. Fizemo-lo, para todos os efeitos, independentemente do rumo dos acontecimentos. Disso, a nossa consciência liberta-se facilmente.
O que não é assim tão fácil é compreender o raciocínio da economia global.
Eu sei que economia e finanças são coisas diferentes e havia muito para dizer sobre isso, mas nós não temos tempo (nem vontade). O que apetecia mesmo era respostas simples, breves, sem gargarejos intelectuais, sem tecnicismos que o português pequenino e iletrado, o cidadão migrante e trabalhador, não entende de todo. Porque são estas as pessoas afectadas pela crise.
Os bancos, em época de crise, recorrem - excepcionalmente - ao estado que lhes faculta uns trocados. A intenção é boa. As pessoas dependem dos bancos, entre outras coisas. Mas o que na realidade acontece com esses empréstimos traduz-se num serviço de crédito muito mais comprometedor entre o banco e o cliente, aumentos das taxas e piores condições de financiamento. E não se pense que não sou totalmente contra o empréstimo desenfreado a todo o pé descalço que gosta de trocar de carro em anos ímpares. Mas reconheço, obviamente, que precisamos dos bancos. Porque, ao contrário dos seus administradores, os nossos vencimentos não nos permitem ter uma casa assim do pé para a mão. E já não pedia mais nada. Normalmente é assim: a alternativa ao banco seria o Euromilhões e o magano anda por perto mas teima em boiocotar-nos a esperança, quando tudo o que nós dizemos é 'ao menos que desse para pagar a casinha!' Enfim. Há também a indústria automóvel que precisa de ajuda. Porque é importante fazer carros, vendê-los, levá-los para casa e enfiar o Smart dentro do Golf dentro da C-Max (porque já não há estacionamento que resista e um lugar na cave custa umas milhenas e só la cabe mesmo o Smart). Pelo desemprego até voto a favor mas a verdade é que as ajudas são aprovadas e nos despedimentos não há volta a dar. Esperem lá. Estou a descobrir que isto da crise é um periodo fértil é para o fornicanço entre a classe alta. Não hão-de faltar aí criancinhas em 2009 (ano de recessão ou de prosperidade, sr. ministro?) a nascer de rabinho virado para a lua!
Esta constipação e o telefone sempre a tocar não me dão um segundo (para quem pensa que tou a laurear a pevide e não a ser fustigada ao longo do meu desabafo) ...

o idioma que a generalidade entende

" (...)
- Já reparaste que este ano quase não se vêm os Pais-Natal nas janelas aqui nesta zona?
- Pois é...
E assim, se deu conta de que se entrava, de facto, em recessão."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

anotações da semana

- para quem dizia que nunca se engripava, aqui fica um número a registar: 39,2º, que foi o meu pico de febre este feriado (descobri que sou mariquinhas, do tipo de andar sempre a gemer e a murmurar. Audazes aqueles que todos os anos passam por isto!);
- diferença entre cento e noventa e poucos e dois mil e tal euros: estrela nº 5 do Euromilhões;
- diferença entre cento e noventa e poucos e sessenta mil euros euros: número 21 (em vez do 26) do Euromilhões;
- número de bofetadas virtuais que dou ao Tony Rabbit lá do escritório todos os dias: 8 (se não ouvir muitas vezes a muletazinha a passarinhar para lá e para cá);
- tempo médio que aguento a ver um filme deitada no sofá (ultimamente): 45 min.;
- número de golos que o glorioso dá (ou leva!) num só jogo: 6
- almoços e jantares de festas até ao fim do ano: cerca de 2 por semana. Com direito a tudo. Para saciar o palato e distrair a cabecinha de coisas menores, como a fome no mundo.

(Ainda em convalescença e já a querer ser mordaz. Depois as coisas não saem bem.)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

amizades III

Dito isto, é surpreendentemente bom descobrir, passados anos, que tenho amigos que não sabia que o eram.

(daqueles a quem os olhos brilham só de me ver)

amizades II

Depois há as outras pessoas.
Essas, abundam na minha vida.

(porque tudo o que não é importante, é desnecessário)

amizades

Estou convencida de que é realmente difícil fazer boas amizades. É complicado conhecer gente interessante e ter a capacidade para gerir relações de uma forma intensa, duradoura e que valha a pena. É difícil ter a disponibilidade, o empenho, a boa-vontade, a entrega e o estado de espírito que uma relação de amizade exige. Quem acredita que a amizade é um 'sentimento' bonito e espontâneo está redondamente enganado. A amizade é um ofício doloroso para muita gente. Exige sacrifício. E depois, claro, dá os seus frutos. Mas para lá de todo o esforço e dedicação, é preciso sorte com as pessoas e com as circunstâncias.
Eu não sou muito empenhada. E também nunca fui muito sortuda.
Tenho poucos amigos graças a uma conjunção fatal de preguiça e meia dúzia de leis de Murphy.
Vivo - amargamente - bem com isso.

pompa e circunstância

Estive na ante-estreia de "Amália - O filme".
Ia na expectativa de me saber rodeada de algumas pessoas que privaram com a artista e com a mulher por detrás dela. Estavam lá algumas pessoas que encaixam nessa franja. Muito poucas.
Não sei se esperava uma profunda presença espiritual.
De resto, foi uma passerela do cinema português.
Uma produção que rompe qualquer coisa com o tradicional, mas cuja mediatização é mais inflaccionada pela promoção comercial do que pelo valor artístico.
Salvo raras excepções, e talvez porque mais atenta a alguns pormenores técnicos, acho que o processo de produção denota mais brio que o processo de representação. O que, infelizmente, não deixa de ser comum no cinema português.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

contas

Num dia em que mal tenho tempo para respirar, faço, inadvertidamente, balanços.
Preocupa-me o conflito emergente entre a Índia e o Paquistão.
Preocupa-me este frio, por quem não tem como se proteger.
Preocupa-me o contraste hipócrita entre as minhas preocupações pessoais e as coisas que deviam realmente ocupar o meu espírito.
Preocupa-me não saber se, como e para onde irei hibernar por uns dias, religiosamente deixados de parte.
Preocupa-me esta ansiedade boa e estranha que me tem distraído.
Preocupa-me que o tempo me dê cabo do fim-de-semana.
Não me preocupa nada a ladaínha cansativa dos professores e dos sindicatos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

sax or not to sax

gosto do sax na careless whisper.
não gosto do sax cansativo dos instrumentais do dave mattews.

i know, i'm an ordinary and tasteless person.

contra factos...

Agora até concordo com o M.S.T. quando ele fala mal do meu clube.

!!

Também, não é novidade. Os conteúdos são os mesmos: ele fala mal (como sempre falou) e eu não me revejo no espírito de euforia infundada e sou, assumidamente, uma inimiga interna de há muito tempo a esta parte.

boas colheitas

apenas Março e Abril foram meses de produtividade 'par' no meu blogue.
talvez 2009 até nem seja um mau ano para avistar esse pássaro de bocarra grande!
por outro lado, há o problema da recessão...

flirt

Era um bar pequeno, escuro, com néons incaracterísticos, máquinas de jogos, grupos de miúdos novos espalhados pelas mesas e um empregado com pinta de fuzileiro. Lembra-vos alguma coisa? Claro que não. Podia ser antes um clube de jazz ou um piano-bar, sofisticado e amplo, com um bar comprido, de madeira polida e espelhos. Podia estar a beber um Manhattan em vez de um Baileys e a coisa assim tinha mais classe, mas não foi assim. Na verdade, não havia na porta da rua um porteiro que nos sorria enquanto saíamos para a noite cosmopolita e iluminada de uma fine avenue. Havia uma porta pesada, que abri a pulso, que dava para um passeio vulgar, em frente a um cabeleireiro e a uma loja de ferragens, numa tarde cinzenta, tão incaracterística como os néons do bar. Também não havia um carro de luxo. Mas lembro-me do cheiro dos estofos envelhecidos e empoeirados do Fiat.
Entretanto acordei e apercebi-me que não sou uma gaja de flirts. Otherwise, as coisas teriam sido muito diferentes...