quinta-feira, 30 de setembro de 2010

one of the puppets



Não sei que diga. A senhora, tão preocupada com a sapiência, a disciplina, a concentração, o bom aproveitamento, a prática da leitura e o treino da escrita, conseguiu deixar-me sem palavras.
Talvez seja a postura condescendente, artificialmente maternalista ou aquele olhar arregalado que de vez em quando se assoma como que a dizer, se não te portas bem, és engolido, mas num tom muito suave. Talvez seja o discurso naquele serpentear entre o dever cumprido e as suas glórias, a palavrinha de compreensão sobre a juventude que fica sempre bem, os conselhos práticos sobre descanso, boa mesa e tempos livre, sem esquecer - de olho arregalado - o tempo para estudar!, que tem de ser único, exclusivo e rigoroso.
Isto dá-me assim uma impressão de Estado Novo.
Tenho um aperto no peito. Sei agora que se não sou mais, se não sou melhor, deve-se concerteza aos livros da colecção Uma Aventura que li com tanta avidez. Sei agora, que neles devem existir mensagens subliminares, de lavagem cerebral, derramadas de discursos inflamados que condenaram gerações.
Agora a sério, Sra. Ministra, quem era mesmo o seu público alvo?
Não se aflija, estou certa de que, depois desta mensagem de incentivo, vamos formar mentes brilhantes, que farão o nosso País sorrir de orgulho (e que irão depois estagiar para Londres, onde serão muito bem sucedidos).

coisas que não percebo

- o exercício completamente desequilibrado entre receitas e despesas na gestão das contas públicas;
- pessoas que sorriem sempre;
- a titularidade inquestionável do César Peixoto.

Ya ba da ba dooo!! (50 anos)


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

da literatura sensível

ou quando a minha Anaïs Nin precisa do seu Henry Miller.

em estado de profunda necessidade

Hoje acordei assim, com estas vozes parvas. Se calhar são as mesmas que se enraizaram no meu cérebro enquanto adormecia ontem, as dos vizinhos, que parecem vir de todas as direcções e se elevam até ao expoente da loucura, como diz aquela música, e se juntam ao som de objectos que parecem ser arremessados, portas que batem, persianas que correm, trincos que dão voltas ruidosas. Juro que ouvi alguém que chorava, um choro desesperado, profundo, de lamento, de súplica por um pouco de paz. Pelo meio do cansaço, tive pena e vontade de ir ajudar, mas não sei de onde vinha e agora que penso nisso, questiono-me se seria real... Dizia que acordei assim, com esta vontade parva de mandar calar, de pedir sossêgo, de mendigar por uns minutos de silêncio, logo hoje, que trouxe as vozes comigo. Estas vozes da minha cabeça são quase sempre nefastas, pelo menos para aqueles que defendem as coisas bonitas da vida e as frases feitas. Mas eu borrifo-me para isso, para usar do eufemismo porque normalmente é assim, digo que as coisas são 'aborrecidas' quando na realidade quero dizer que são uma 'merda', porque parece que para mim a escrita é intocável e falar mal até posso mas escrever tem outro peso. Enquanto isto, vai-me apetecendo bater. Bater não, gritar. Ofender profunda e irreversivelmente aqueles que me irritam continuamente em coisas que nunca mudam e que inviabilizam qualquer possibilidade de se criar um laço de amizade profunda. Não me digam que não é possível não se fazer amigos entre aqueles com quem vivemos pelo menos oito horas por dia, cinco dias por semana. Digo-vos eu que sim, que é possível, não só possível mas normal, provável até. Estúpido mesmo é criticar aquela que deveria ser a selecção criteriosa e, contudo, natural dos nossos amigos de percurso. E se o motivo da preocupação é considerar triste ou patética esta inaptidão social, então aí desarmam-me: sempre me achei uma inadaptada portanto se é este o nosso denominador comum, então as contas foram bem feitas.
Estou a precisar de sair um bocadinho à noite e beber uma porcaria que misture groselha com qualquer coisa ácida, posicionar-me com bastante precisão num recanto da pista de dança que não seja muito escondido mas que me circunscreva à minha carapaça de participante-observadora, libertar algumas endorfinas ou outras que tais ao som de alguma música muito vintage, fingir que danço e sentir-me desajeitada ao fazê-lo mas ficar com a sensação que tive a agitação of a lifetime, ufa!.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

o suposto tédio

Gosto de ler os outros, sobre o que escrevem, aquilo que pensam, que defendem, que atacam, que os escandaliza ou preocupa, que os realiza. Ler o que outros escrevem é como observar um cenário que, de repente, pára para nós. Por isso gosto de ler toda a gente: os que me irritam, os que se revelam muito sensíveis, os inteligentes, os politicamente correctos, os espalhafatosos, os reservados, os interessantes, os obscuros, os indecifráveis e os transparentes. Critíco muito para dentro. Da mesma forma que faço quando observo as pessoas. A diferença, é que no terminal do aeroporto não podemos congelar o tal cenário, para fruí-lo convenientemente: o homem que observa por cima dos óculos todas as mulheres que vão passando, o atrapalhado que se veste e se move de forma desajeitada, a brasileira que exibe luxuriosamente as curvas bronzeadas, entre o brega e o chique, os miúdos chatos que guincham alto e que não queremos ouvir, a hospedeira bem disposta, o segurança de ar sisudo, os bons ares de quem vai partir e os ares extenuados de quem chega de longe, a correria, a impaciência, a excitação, a monotonia.
Há pessoas que me cansam mais depressa. Ou pela sua insolência ou pela sua ignorância, ou porque são aborrecidas ou pouco interessantes. Por isso deixo de lê-las, não perco tempo a observá-las. Outras fascinam-me. Ora porque me impressionam na sua grandeza, ora por serem aberrações irresistíveis.
Ando farta da informação empacotada, que veícula igual em todo o lado, que nos é imposta e vem pronta-a-consumir, sem questionar. Não me apetece ler líderes de opinião e supostas figuras da praça pública, da política, do desporto, dos sindicatos, das instituições ambientais cujos porta-voz degradam o ambiente tanto como eu. Apetece-me gente normal, que fale do quotidiano, que escreva sobre nada, sobre pequenos nadas. Apetece-me ir para o terminal do aeroporto, congelar cenários e olhar demoradamente para as pessoas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Hoje...

... sinto-me mais mãe.
Levei a pequena à creche e passei pela experiência de, solidariamente, me encafifar pelo meio de outros pais cujos carros se empurram, se esticam e se espremem para conseguir lugar um pouco mais perto da porta de desembarque dos pingentes.
Curiosamente, o embróglio que me reteve quinze minutos quase sem sair do sítio, foi à passagem por outro colégio que apanho em caminho, onde desfilavam viaturas de cilindradas upa upa. O nosso é bem mais calmo e espaçoso e tem um acesso de verdadeira quinta! Gosto mesmo do espaço.
Enfim, o entusiasmo deste dia é coisa digna de registo, até porque tudo é novidade e adrenalina maternal, com a colaboração da pequena que fez o enorme favor de não ficar a chorar por mim na despedida. Adivinha-se porém que com o frio, a chuva e a rotina instalada, eu deixe de achar tanta piada à louca correria em que se vão transformar os meus inícios de dia.

120º aniversário Agatha Christie... no Google


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

para me distrair das minhas angústias

Autor Mensagem
driakaal
Convidado

Assunto: Estou prestes a cometer uma loucura!!! Qui 01 Jul 2010, 14:13


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Queridos irmãos em Cristo, estou passando por dias muito difíceis e preciso de uma ajuda, de uma orientação, sou casada à 04 anos e meio, tenho um filho de 03 anos e uma filha de 1 ano e 03 meses, meu esposo é obreiro na igreja onde congregamos e nos damos bem, construimos uma casa própri recentemente e Deus tem nos abençoado muito na área financeira, temos sido prosperos...enfim, mas terça feira agora chegou uma correspondencia em minha casa da justiça dizendo que o meu marido tem que fazer um teste de DNA DIA 08/08/2010, para averiguação de paternidade de um menino de 06 ou 07 anos, que não sabia nem que existia...Estou em cacos, como assim outro filho? Ele me disse que quando ainda estava no mundo, antes de me conhecer teve um caso com a mãe desta criança e que não era nada sério, que ela ficou com outros rapazes e depois apareceu gravida mas não padiu que reconhecesse a criança, agora depois de todo esses tempo vem esssa notícia para destruir a minha familia, estou muito decepcionada e magoada, não sei como agir diante desta situação, fiquei sem chão...meus filhos são muito novos e não tenho condições de cria-los sozinha se não iria embora, afinal não tenho culpa dos erros do meu marido! Sei que este é um pensamento egoista mas é o que sinto no momento!
Meu coração esta muito apertado, não foi isso que sonhei para mim, o pior é que não tenho ninnguém para me ajudar (orientar), minha mãe não é nada confiavel, sei que a primeira sugestão que ela dari seria me separar ou falaria pratodo mundo essa vergonha...moro em uma cidade pequena e os buatos correm muito soutos por aqui, não posso espor este problema para ninguem, eu e meu esposo estamos sem nos falar desde então, não tenho palavras para explicar o que estou sentindo, se alguém puder me ajudar eu agradeço com lágrimas nos olhos.....

Dri
e depois vem isto,

Número de Mensagens: 1
Data de inscrição: 26/07/2010

Assunto: Deus tem um caminho no deserto Seg 26 Jul 2010, 15:29

Autor da mensagem
Pati de Jesus


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Oi Dri...

o que aconteceu é um fatalidade sim... mas creio que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (RM 8:28)... e nas adversidades da vida, devemos nos apoiar não nos que os outros pensam... mas na Palavra de Deus... e a Palavra diz que Deus já se esqueceu dos pecados do seu marido no tempo da ignorância... afinal ele hoje pelo que vc comenta é um bom homem... e temente ao Senhor.

Deus lança no mar do esquecimento os nossos pecados... aleluia!!!

E tb quero te aconselhar a orar, para que o Espírito Santo te ajude a ver esta situação com os olhos de Jesus...

tb creio que vcs são suficientemente capazes, de amarem esta criança, caso ela venha a ser filho(a), realmente do seu marido, pq o Eterno habita em vcs... creia nisto e renove a sua mente pela Palavra de Deus (Rm 12:2).

O mundo com certeza pregará, o divórcio... mas a Palavra prega o perdão e a misericórdia... especialmente pq isto faz parte de um passado sem Jesus.

Perdoe seu marido e o apoie... neste momento... não deixe o diabo destruir o futuro da sua família... olhe para Jesus... e siga... sempre penso que Deus, se clamarmos, nos guiará nos desertos da vida...

Dri... que o Espírito Santo te console e mostre o que vc deve fazer.

Leia I Co 13.

Deus te abençoe querida e te guarde de tropeçar.

Bjs... Pati

Ser bom cristão, comprova-se uma vez mais, é saber ser tolerante com os Homens (os homens).

Sempre em nome da paz.

Pérola de sabedoria do fórum dos Semeadores da Palavra.

voltámos

A família toda juntinha, descansadinha e com melhores cores.
Agora vem a parte difícil.
Estou angustiada. A criança, com apenas oito mesitos, deu entrada na creche precisamente hoje. Tão sorridente que estava de manhã, quando eu me arrastei para reiniciar a rotina laboral, e agora, pelo que sei através do papá, parece que as coisas não correram nada bem. Eu, que até estava descontraída e via positivismo em todo o lado, dou agora graças por não ter sido eu a levá-la. E não é cobardia. Continuo a achar que é um mal necessário, que terá os seus frutos, mas ver a pequena chorar desalmadamente no nosso primeiro dia de dura realidade era tudo o que eu não precisava agora. Ainda bem que pôde ser o pai a fazer isto. Aquele choro de socorro, num bebé tão pequeno, que não é birra irritante mas antes pedido de auxílio de quem estranha e não entende... não sei se não a traria de volta para casa e não pediria uma licença de um ano para ficar com ela!
Desculpa, Pequerrucha. A mamã tem o coração apertado, apertado.