quarta-feira, 27 de outubro de 2010

OE 2011: não é odisseia no espaço mas podia ser.













Políticos jovens, empreendedores, cheios de genica, com novas ideias e projectos para o futuro longo que ainda têm pela frente.
É óbvio que estas caras lindas gostam deste panorama: não fodem, nem saem de cima.

sono

Peço desculpa por estar cansada e aborrecida de morte. Tanto, que quase não consigo preocupar-me o suficiente, quando devia fazê-lo. Está cá tudo: o sono acumulado por noites interrompidas, o aborrecimento e o cansaço quase fatais desta rotina miserável e também a preocupação inigualável de mãe. Mas não vos preocupais em demasia. Nada é grave, eu é que gosto de abusar dos adjectivos. Tomorrow is only a day away...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Pedes-me um tempo,



"para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair.."


* Não sejam assim! Esta música não é triste, é bela. E eu não sou depressiva, sou nostálgica.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

absurdos

Sou uma pessoa dada a pensamentos dispersos. Qualquer tarefa de rotina serve de pano de fundo para um chorrilho de coisas pensadas. Acho piada quando me dizem para esvaziar a mente e nem levo muito a sério, porque imagino que é retórica, muito embora haja quem me garanta que eu poderia (e deveria) fazer isso mais vezes, dando a entender que não o faço por teimosia. Seja.
Ontem, durante o banho da bebé, por entremeio de palavrinhas cantaroladas, exclamações e sorrisos, ia pensando. Pensando assim: a mãe é uma inventora. Ela inventa um ser, assim, do nada. E esse ser tem características muito bem definidas, muito distintas. Nesta fase, os meus pensamentos poderiam ter enveredado para as questões da genética, mas não, foram continuando por outros rumos. A sua invenção, como todas as invenções, é algo que o seu criador dá ao mundo e que, de certa forma, deixa automaticamente de pertencer-lhe, logo que é concebido, o que tem tanto de injusto como de inevitável. A sua invenção, como todas as invenções, é da sua responsabilidade e o seu motivo de orgulho. A sua invenção, como todas as invenções poderá ou não ser grandiosa, ocupar um lugar de destaque, fazer a diferença, ficar para a História. Sem pretensiosimos, gostava que a minha pequenina invenção fosse um grande instrumento do Mundo. Não precisava ser uma estrela, nem de ter fama ou dinheiro. Gostava apenas que, aquilo em que se transformasse, no futuro, pudesse traduzir-se em gestos nobres e que, como as maiores "invenções" de sempre, fosse capaz de encontrar a felicidade pura em muito pouco e ensinar o mundo a fazer o mesmo.
Depois tive de ir dar-lhe o jantar e comecei a pensar em mil e uma outras coisas tão absurdas como esta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

relembrar

Parece que há quem ainda não tenha percebido.
Enerva-me deveras que me peçam para ter calma quando argumento ponderadamente sobre qualquer coisa.
A minha tranquilidade transforma-se em rastilho para a faísca lançada pela insinuação de que estou alterada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

inconfidência

Não percebo as pessoas que não sabem apreciar a utilidade de um bidé.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Imagine.. 70º

faltou-me o repasto; o resto é igualinho, igualinho!

" (...) Devorada a travessa inteira de rojões e seguindo o jogo para um pudim Abade de Priscos, sou confrontado com a magnífica triangulação Fabinho-Saviola-Carlos Martins (lá está, nome de craque e de jazzman), que resulta no golão deste último. Considerando o estado de nervos em que me encontrava, a que não era alheia a demora na chegada de mais uma garrafa de um encorpado maduro tinto da região, explodi ali mesmo e gritei golo, seguido de expressão vernacular que rima com reviralho. No micronésimo de segundo em que o fiz, temi pela fúria brácara dos adeptos do Sporting local. Toda a gente sabe que um minhoto irritado é capaz do pior. Qual não é o meu espanto quando quatro quintos do restaurante gritam golo comigo. Recebo um abraço, dois palavrões e três sorrisos e compreendo a velha máxima que nos diz que em Braga o Benfica está tão em casa como na Estrada da Luz.

"Ao engarfar o último trecho do sobredito pudim, reparo nas comemorações do autor do golo vermelho, que me deixaram bastante enjoado, como se acabasse de comer algo que leva vinte ovos e trezentos gramas de manteiga e açúcar: reparemos que Martins marca o golão, corre para a bandeirola de canto e simula qualquer coisa intravenosa – o que pode ser interpretado como algo para os lados do ilícito ou como uma crítica subtil à nomeação de Paulo Bento como seleccionador. Logo de seguida, pede uma bola ao apanha ditas, simula a gravidez e num gesto de extrema violência, esmurra a barriga grávida provocando parto extemporâneo do nascituro. O que quis Martins dizer com isto? Não fosse uma generosa aguardente envelhecida em carvalho, servida em balão aquecido, teria sido torturado por esta celebração plena de pós modernidade durante o resto do repasto.

"Com o apito final do árbitro, depois do Benfica ter estado perto do dois a zero por duas vezes, dei por terminada a minha refeição. Quando me preparava para solicitar a conta ao Garçon, confronto-me com a entrevista relâmpago de Domingos Paciência: no seu fácies era legível a desesperada procura da perfeita desculpa para o sucedido. Não encontrou melhor que um fora de jogo assim-assim e a referência ao facto de o Benfica, depois do golo, ter jogado em queima-tempo. Após uma tirada deste calibre, fui forçado a mandar vir mais um digestivo. Fechei os olhos e, enquanto o bebia de penalty, consegui rever em fast forward os três minutos, dois beijos, seis apertos de mão, catorze palmas e cinquenta passos que o bracarense Vandinho deu para sair do campo instantes antes do fuzilamento Martineiro. “Ainda te lixas com f se dás um jogo como empatado aos setenta e três minutos”, já me dizia um tio meu, treinador adjunto (com curso de grau dois) do Marialvas de Cantanhede nos anos oitenta. Paguei a conta, saí do restaurante, e fui festejar com aqueles imensos benfiquistas que apitavam no Campo da Vinha. Afinal, estava “tipo do género” a jogar em casa."
 

podia muito bem chamar-se: a insuportável supremacia dos ignorantes

Caro Luís Filipe Vieira:
As "pessoas" que apedrejam autocarros são, normalmente, "pessoas" estúpidas, que gostam do conflito, não medem consequências e borrifam-se para as forças de segurança.
Costumam ser também "pessoas" que se sentem particularmente entusiasmadas e impulsionadas pela provocação, pelo aviso e pela ameaça. A adrenalina que se liberta aquando dos seus actos, fervilha com maior intensidade quando há jogo de bastidores com muita antecedência e existe um clima de animosidade latente, que não precisa de ser intensificado, porque está lá sempre, quer se dirija à comunicação social ou não.
Portanto, Sr. Luís Filipe Vieira, se se preocupa com a integridade física dos seus jogadores ou de quem quer que seja, engrandecer as intenções de gente estúpida, seja de que clube for, talvez não seja uma boa ideia.

Custa-me muito que as pessoas sejam imbecis. Custa-me muito mais quando essas pessoas estão à frente do meu Benfica.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

manhã

Hoje acordei com discussão acesa entre José Sócrates e Paulo Portas, sobre a compra de submarinos e o fundo de pensões da PT. Grunhiam, exasperavam-ve, riam despregadamente da grandessíssima lata do outro, a comparar as decisões governamentais de cada um dos seus executivos, e justificavam a legitimidade de uma ou outra coisa, quase sempre comparando as duas, ora porque uma dependia dos dinheiros públicos e a outra nada tinha que ver com isso, ora por incumbência de responsabilidade no partido alheio - pois que foi o seu Governo que propôs os submarinos; - pois que foi o seu que o aprovou!
Senti imediatamente uma profunda náusea. Quis ver-me engolida pelo colchão e pensei, com honestidade, que quando acordamos hoje, todos os dias do nosso presente, não podemos de forma alguma sentirmo-nos felizes com mais um nascer do sol. A nossa vida não é apenas uma dádiva fortuita que nos calha em sorte e que devemos aproveitar, menosprezando a responsabilidade que temos de perpetuar essa vida para além da nossa existência. O que se passa à nossa volta é uma vergonha de contornos escandalosos. Existem grupos de pessoas que lucram à custa da invasão da propriedade e da liberdade dos outros, da perda, da extinção, da exploração. Já não é uma questão de política, é uma questão de atitude global.
O Paulo Portas e o José Sócrates fizeram passar-me em frente aos olhos o filme daquilo em que nos transformamos. Eles, e outros, que discutem 'pacotes' e aprovam 'medidas'.
Durante a manhã, passei os olhos pelas notícias e li uns textos do Daniel Oliveira e as náuseas voltaram. Eu falo. Todos falam. Ninguém, NINGUÉM faz nada.
Assim nos vamos afundando neste País que teve outrora qualquer coisa de Paraíso.