quinta-feira, 25 de novembro de 2010

somos seis milhões


a fotografia foi utilizada numa campanha do grupo de apoio a separados divertidos/divorciados (GASDD) - o que quer que isso seja.

mas achei-a tão apropriada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

seteais


termos um fim de semana juntos já é um luxo muitas vezes inatingível.
Em Seteais, com direito a jantar gourmet e miminhos do chef, foi a puta da loucura.
Um obrigada gigante desta esposa plebeia.

espero que me perdoem a gorjeta tilintante em vez da nota discretamente dobrada e o gamanço dos chinelos de quarto.
É este meu lado pobreta e brega que teimosamente acaba por se fazer notar.

medo, muito medo

Vejo-me ultimamente muito enjoada, sem apetite, quando o normal é estar capaz de me comer a mim própria, e com uma soneira tão desgraçada que tenho receio de deixar a miúda gatinhar até à tomada mais próxima durante os raros momentos em que me consigo alapar com alguma descontracção no sofá da sala. E isto por nada que me pareça fazer algum sentido.
Estou a ver que, para além das futuras incursões pelo dentista - onde vou enterrar uma pequena fortuna já orçamentada - e das consultas de dermatologia e oftalmologia prementes, vou ter de começar pelo mais básico e fazer um chichizinho ali para um copo e rezar, com toda a beatice religiosa possível, para que não tenha havido para aqui um milagre de fecundidade completamente inoportuno.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

saudades do Natal

Gosto das luzes e dos presépios em sítios estratégicos, quase que me enternecem os Pais Natal pendurados de qualquer maneira em janelas suburbanas, moda que não havia nos meus tempos de meninice, e fico deslumbrada com o brilho de algumas avenidas mais finas, com as suas montras caras e reluzentes. Não me incomoda por aí além o consumismo porque, com ou sem crise, sempre existiu quem esbanjasse nesta quadra (e durante todo o ano) enquanto outros passam dificuldades, e reconhecer isto não me permite a hipocrisia de julgar que, apenas este ano, se verificam amargas injustiças. Acho que sempre gostei do ar frio e festivo das ruas da cidade em Dezembro. Passeava sempre com a família, um pouco sem destino, em grandes caminhadas pela cidade nesta época do ano, em fins de tarde de Sábado ou Domingo. Descíamos a Avenida da Liberdade e metíamos pelas Portas de Santo Antão, até à ginjinha que o meu pai me dava a provar, para meu gáudio, e sem que isso constituísse alguma forma de mau exercício de parentalidade, e acabávamos quase sempre por ir comer uma omeleta no pão numa das tascas em frente ao Braz & Braz. Gostava de ir às lojas da Baixa, quase todas com vários pisos, e perder-me pela imensidão de coisas que vendiam. Era impossível contá-las. Íamos também até ao Martim Moniz, sem receios nem preconceitos, subíamos ao Intendente e olhávamos as montras com cartolinas verdes, amarelas e laranja, em forma de estrela, que anunciavam os preços fantásticos dos electrodomésticos. Cruzávamo-nos com mendigos que se abrigavam cedo, debaixo de papelões, e com as primeiras mulheres que se assomavam às esquinas, ao início da noite, e que me faziam trocar risinhos e olhares cúmplices com a minha irmã. Claro que, nesta altura no Natal, era obrigatório comprar castanhas na Praça da Figueira e correr a Rua Augusta até ao fim, para chegar a um Terreiro do Paço ainda sem árvore de Natal recorde.
Naquela altura, parece-me, tudo era simples e pouca coisa nos bastava para nos sentirmos felizes. Lembro-me de pensar em um ou dois presentes que sabia que iria ter quase de certeza, e de admitir até que, se não fossem garantidos, pelo menos contaria com as notas que o meu pai espalhava pela árvore no dia de Natal e que me faziam sentir o peso da responsabilidade de garantir que aquele investimento, que eu sabia ser do seu subsídio, teria um destino à altura da sua hombridade. Além disso, a minha mãe tinha sempre as saias de fazenda e as camisolas de lã entrançadas para nós vestirmos nas refeições de festas em casa dos tios. Costumava fazer um balanço dos meus presentes, e às vezes colocava as coisas todas lado a lado, como que a avaliar o que entrara de novo na minha vida. Mesmo nos melhores anos, contavam-se todos pelos dedos das mãos, e não precisavam ser mais, afinal de contas as prendas eram bónus: qualquer prenda era melhor que nada, e ainda tínhamos direito a passeios pela cidade, com castanhas quentes, ginja, omoletes e um ou outro lanche na pastelaria Suiça, mais a família reunida e normalmente a presença da avó lá em casa, para fazer as filhós, as fatias douradas, os sonhos, a aletria e o arroz doce e passar dias connosco que eram realmente bem aproveitados. Havia tanto para valorizar e dar graças.
Este Natal, a bem da tradição, espera-se mais uma vez a família reunida, um pouco mais alargada, um pouco mais abençoada. E espera-se o do costume: sobrinhos que farão birra desde muito cedo para antecipar a meia-noite logo depois do jantar, sem dar paz a ninguém, sem a alegria boa da expectativa e da valorização de tudo o resto que faz parte de um bom Natal. E espera-se uma imensidão de papéis rasgados e laços brilhantes a cobrir o chão bem antes da hora, pelo meio dos quais se perdem brinquedos e novidades cujo entusiasmo inebriou a sala por alguns minutos. Espero, finalmente, pela imensa tristeza e frustração que me assolam quando lembro o tempo em que contemplava, pela madrugada dentro, as prendas que o Natal me tinha trazido e fazia o balanço do ano. Na pior das hipóteses, faltava alguma coisa que queria mesmo ter mas dentro de alguns meses seria o meu aniversário. Tudo o resto eram ganhos, para valorizar, e sabia que ia acordar na manhã de Natal um pouquinho mais abonada e grata por isso.
Espero que o Natal da minha petinga seja sempre tão generoso como os Natais que sempre tive e dos quais tenho saudades.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

o meu eterno distúrbio

Dá-me a sensação que, de uma forma completamente desbragada e inconveniente, ele escolheu os meus sonhos para manifestar a sua incapacidade de aceitar o que lhe aconteceu faz tanto tempo. Eu tenho pena e padeci por isso. Tive a minha dose de arrependimentos pelo que não foi feito e cheguei a temer pela minha sanidade, pelo irremediável, pela primeira coisa que tive efectivamente ganas de mudar, tão somente por saber ser impossível - estou convencida que, não fora por isso, e tudo teria seguido um rumo calmo e tranquilo, apenas acossado aqui e ali pela indiscrição ocasional de uma rede social sempre demasiado próxima para lhe podermos fugir. Depois passou-me, estou certa que sim. Mas como M. Night Shyamalan tão bem saberá, esta coisa dos mortos que não aceitam a sua condição pode dar a volta à cabeça dos vivos. Alguns vivem a experiência acordados, eu tenho o dom de encarnar vidas e relações antes de ouvir o alarme do relógio e começo a ficar farta de acordar com a sensação do que poderia ter sido. E é isto precisamente que não entendo. Que sossego é este que se procura através da insistente confrontação da minha pessoa com a sua própria cobardia emocional? Pois bem. Se a missão que te fará atingir a paz eterna estiver relacionada com a minha aceitação de que me subestimei a níveis muito abaixo das temperaturas escandinavas em relação ao que podíamos ter sido um dia, you got your point.
Agora faz o favor de morrer. De vez.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

mourinho: o santo-cagão















é um daqueles casos em que antes de o ser, já o era!

olá e adeus

Não escrevo por falta de tema, mas por falta de tempo. Ficam os tópicos:
- Tenho de vos falar da Alzira, mulher jovem e mais ou menos realizada, e da outra, a que não sabe o que é um sonho erótico e "já tem idade para ter o seu sossêgo";
- Estou farta da ameaça de crise. Não a sinto, mas pressinto-a e sei, efectivamente, que ela resulta única e exclusivamente de acção especulatória: a palavra tem um poder imenso!;
- Tenho muitíssima pena do Pablo Aimar. É um desperdício e dói-me a alma quando o vejo suar em campo, completamente só;
- Também tenho pena do Maniche porque não é um homem realizado: Deus deu-lhe algum jeito e muita, muita vontade, mas falta-lhe o resto e ele pertence ao mundo do desporto como eu pertenço a um quadro do Munch;
- Gostava de saber porque é que alguém achou que eu sou "o tipo de pessoa que deve achar o Shutter Island um filme muita bom".

Tenho a fome de um lobo e vou almoçar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

casamento

Tal e qual como nós, que para além da curta e belíssima versão que nos deu o mote, temos um percurso cheio de muito mais.