sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

a minha (tardia) homenagem

metáfora da vida humana (autor)

"E tu, ó cornaca, que raios vais tu fazer com o elefante a viena, Provavelmente o mesmo que em lisboa, nada de importante, respondeu subhro, irão dar-lhe muitas palmas, irá sair muita gente à rua, e depois esquecem-se dele, assim é a lei da vida, triunfo e olvido, Nem sempre, Aos elefantes e aos homens, sempre, embora dos homens eu não deva falar, não passo de um indiano em terra que não é sua, mas, que eu conheça, só um elefante escapou a esta lei, Que elefante foi esse, perguntou um dos homens das forças, Um elefante que estava moribundo e a quem cortaram a cabeça depois de morto, Então acabou-se tudo aí, Não, a cabeça foi posta no pescoço de um deus que se chama ganeixa e que estava morto, Fala-nos desse tal ganeixa, disse o comandante, Comandante, a religião hinduísta é muito complicada, só um indiano está capacitado para compreendê-la, e nem todos o conseguem, Creio recordar que me disseste que és cristão, E eu recordo-me de ter respondido, mais ou menos, meu comandante, mais ou menos, Que quer isso dizer na realidade, és ou não és cristão, Baptizaram-me na índia quando eu era pequeno, E depois, Depois, nada, respondeu o cornaca com um encolher de ombros, Nunca praticaste, Não fui chamado, senhor, devem ter-se esquecido de mim, Não perdeste nada com isso, disse a voz desconhecida que não foi possível localizar, mas que, embora isto não seja crível, pareceu ter brotado das brasas da fogueira. Fez-se um grande silêncio só interrompido pelos estalidos da lenha a arder. Segundo a tua religião, quem foi que criou o universo, perguntou o comandante, Brama, meu senhor, Então, esse é deus, Sim, mas não o único, Explica-te, É que não basta ter criado o universo, é preciso também quem o conserve, e essa é a tarefa de outro deus, um que se chama vixnu, Há mais deuses além desses, cornaca, Temos milhares, mas o terceiro em importância é siva, o destruidor, Queres dizer que aquilo que vixnu conserva, siva o destrói, Não, meu comandante, com siva, a morte é entendida como princípio gerador da vida, Se bem percebo, os três fazem parte de uma trindade, são uma trindade, como no cristianismo, No cristianismo são quatro, meu comandante, com perdão do atrevimento, Quatro, exclamou o comandante, estupefacto, quem é esse quarto, A virgem, meu senhor, A virgem está fora disto, o que temos é o pai, o filho e o espírito santo, E a virgem, Se não te explicas, corto-te a cabeça, como fizeram ao elefante, Nunca ouvi pedir nada a deus, nem a jesus, nem ao espírito santo, mas a virgem não tem mãos a medir com tantos rogos, preces e solicitações que lhe chegam a casa a todas as horas do dia e da noite, (...)"

Excerto do livro ' A Viagem do Elefante', José Saramago, 2008

"O livro narra uma viagem de um elefante que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático que foi oferecido pelo nosso rei D. João III ao arquiduque da Áustria Maximiliano II (seu primo). Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550, 1551, 1552. E, portanto, o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, e o que o livro conta é isso, é essa viagem.";

Livro que é um conto e não um romance "porque lhe falta o que caracteriza em primeiro lugar um romance: uma história de amor - o elefante não conhece uma elefanta no caminho...";

Há anos, em Salzburgo: "Creio que no próprio dia da minha chegada fomos jantar com outros professores a um restaurante que se chamava `O Elefante`. O simples nome do restaurante não era suficiente para despertar a minha curiosidade, mas a verdade é que lá dentro havia uma escultura relativamente grande representando um elefante e havia, sobretudo, um friso de pequenas esculturas que, entre a Torre de Belém, que era a primeira, e outra de um monumento ou edifício público que representaria Viena, marcava o itinerário do elefante entre Lisboa e Viena. Perguntei-lhe o que era aquilo, ela (Gilda Lopes Encarnação) contou-me e, naquele momento, eu senti que aquilo podia dar uma história...";

"(...) é uma metáfora da vida humana: este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas...";

"Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante - que, depois de tudo aquilo, acaba de uma maneira quase humilhante, aquelas patas que o sustentaram durante milhares de quilómetros são transformadas em objectos, ainda por cima de mau gosto - no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso";

José Saramago, em entrevista à Lusa, 5 de Novembro 2008

sempre acabamos por chegar aonde nos esperam, assim diz a epígrafe do livro.

José Saramago completou a sua viagem.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

um dia

Um dia, vais conhecer a pessoa da tua vida. Vai ser por acaso, por acidente, por um instinto que reconhecerás mais tarde como desígnio, mas que sempre se afigurou casual. Ouvirás dela as palavras certas, como se te lesse os pensamentos e soubesse que era precisamente o que querias ouvir, ao ponto de te questionares se não será perfeito demais e se poderá ser assim tão como tu és. Imaginá-la-ás a ouvir a mesma música, a gostar dos mesmos acordes e a cantar, de cor, os mesmos refrões. Saberás que aquele ritmo também será irresistível para ela e conhecerás, com toda a certeza, os mesmos sítios em que se sente à vontade, os lugares a que pertence. Saberás das suas fraquezas através das entrelinhas e adivinharás a sua sensibilidade nas estórias dentro da sua história, nos seus fracassos, nas suas desilusões, nas suas conquistas. A pessoa da tua vida pode nunca cruzar-se contigo na rua e podes nunca olhá-la na cara. Pode até acontecer que grande parte do que essa pessoa te dá seja virtual. Podes nunca saber porque razão a chamaste à tua vida quando não procuravas nada, e mesmo assim pensares sempre que aquela poderia muito bem ser a tua pessoa. É muito provável que dês contigo um dia algures, num sítio que imagines comum, à espera dela, mesmo sabendo que não vem. Nessa altura vais olhar o horizonte com o pensamento perdido em coisas do imaginário, com a sensação de que, por cima do ombro irá surgir alguém que, certamente, não surge. Ela vai fazer-te pensar e repensar a tua vida e vai fazer-te dizer mais do que estavas disposta a admitir que sequer sentias. E não te assustes, filha, tudo isto poderá acontecer quando já tiveres conhecido a pessoa da tua vida.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

epifania

É curioso que as coisas que mais nos assustam e as nossas pequenas fobias não correspondam, normalmente, a uma ameaça real à nossa vida. A mim, por exemplo, não me interessa nada saltar das alturas, muito embora saiba que se o fizesse seria em consciência, com segurança e munida de meios que me protegessem. Por outro lado, não hesitava em atirar-me a um tanque de tubarões se a alternativa fosse um buraco cheio de centopeias, consciente que esta opção instintiva tem muito mais a ver com paranóia do que com a lógica de querer preservar a minha vida.
São tudo questões curiosas que caem por terra quando estamos melancólica e pateticamente sentados à secretária, a fazer uma porra de um serviço administrativo qualquer, e de repente nos engasgamos com a nossa própria saliva, falhando numa função tão elementar como a que consiste em coordenar a respiração com a deglutição. Fodido não é morrer esborrachada no chão por uma queda de dois mil pés, nem ser engolida por um tubarão. Pior é parar de respirar por dislexia, a olhar par o IC30 e acreditar mesmo que é o fim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

flugelbinder



Qual Tom Cruise dos tempos de catraio, qual romance, qual sonho temporário de vir um dia a aprender a fazer jiga-joga com garrafas, qual quê.
O que me marcou para todo sempre no Cocktail, foi a descoberta do flugelbinder.

(o que, tendo tanto de desinteressante como de curioso, me leva a questionar, porquê!? porque consigo encontrar o vídeo do flugelbinder e nada de nada da Rita Catita?)

daqui por... hora e meia


hoje,
mais difícil do que o rabo para dentro, a força abdominal, os ombros afastados das orelhas e as pernas ligeiramente flectidas..
mais difícil do que a força bem direccionada, o domínio do equilíbrio e a resistência..
mais difícil do que o controlo total da respiração e a insistência nos alongamentos perfeitos...

bem mais difícil que tudo isso vai ser o Sr. Joseph Pilates convencer-me a vestir t-shirt e a descalçar as meias grossas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pink Floyd - Hey You Lyrics [Recently featured in the film 'Due Date'] bandas sonoras #2



Due date foi o filme de sexta à noite. Sem grandes enredos, como seria de esperar de um filme para proporcionar gargalhadas fáceis.
Não fica na lista dos melhores, nem dos piores.
É unlisted.
Já a banda sonora teve ali um esgar de genialidade.

ainda o domingo

Afinal, não fui votar. Fiquei em casa, com a minha cria, porque fazia um frio escandinavo e não estou para sujeitá-la a uma pneumonia porque houve um dia um 25 de Abril. Actualmente, vejo as eleições como um daqueles e-mails que nos prometem azar se não reenviarmos para a nossa lista completa de contactos e acabo sempre por ir votar com um sentimento de não vá o diabo tecê-las!. Este ano, resolvi agir em conformidade. Acredito tanto nas fervorosas convicções dos candidatos como nas promessas de felicidade e riqueza que circulam na internet, portanto, exerci o meu direito de não reencaminhar ninguém para a cadeira do poder.

p.s. Eu sei que a abstenção é uma forma de facilitar a maioria anunciada, mas parece-me que o prof. Cavaco Silva também saberá que a sua reeleição tem mais a ver com a indiferença dos portugueses do que com a confiança que depositam no Presidente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

domingo

Até há dois dias atrás, não estava consciente que as eleições presidenciais se iam realizar no próximo domingo. Sabia que eram em Janeiro mas, não fosse o caso de afinal não ser assim tão eremita como às vezes faço passar, iria acabar por chegar a meio de Fevereiro até me aperceber que, efectivamente, Janeiro já era. Não tenho assistido a telejornais, a tempos de antena, nem tenho lido nada de jeito sobre actualidade. Em tempos idos sentir-me-ia embaraçada com tamanha alienação, com tão grande ignorância, e considerar-me-ia fortemente responsável pelo rumo que este país tomou. Neste momento, não poderia estar mais nas tintas para essas tretas da consciência. Hei-de ir votar sim, mas vai ser um grande transtorno porque ainda não alterei a minha freguesia eleitoral, e só o faço porque ainda vivo no medo daquele mito que diz que os bancos podem não dar crédito aos cidadãos que não cumpram com os seus deveres cívicos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

rita catita


Era uma delícia. Falava muito e muito depressa, era políticamente incorrecta - o que é caricato num desenho animado - e respondia em directo a telefonemas para o programa. Eu já era crescida para assistir a programas infantis mas ela era mais que um boneco: era impetuosa, rebelde, irritante, stressada, impaciente e tinha um sentido de humor que, estou convencida, estava muito mais direccionado para adultos do que para crianças. Talvez por isso o programa não tenha sido um êxito e poucos se lembrem dela. Talvez por isso não consiga encontrar referências ou links que não terminem numa breve anotação de um ou outro blogger ou então num beco sem saída: a tvi eliminou as provas da sua existência.
Gostava tanto de ouvi-la mais uma vez. E de apresentá-la à Teresinha.

penso eu de que, jorge

Coitado do senhor, que não há quem o interne de vez num SPA paradisíaco, onde possa passear-se apenas com uma toalhinha branca à volta da cintura gorda, exibindo as suas peles flácidas, rodeado de meninas tesudas e recém chegadas à maioridade. 
Não há prece ou rogo que nos prive dos seus disparates.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

tudo do avesso

Sinto-me defraudada com a preocupação "psicopedagógica" a que sujeitam os miúdos agora. Ao que parece, as músicas que me cantavam na infância e que faziam 'eventual' referência a uma palmada ou um castigo, têm passado com grande preocupação pela censura diplomatizada que, como sabem, se ocupa hoje em dia, desde muito cedo, com a prevenção de futuras mazelas psicológicas nos miúdos - potenciais assíduos no acompanhamento profissional da terapia comportamental. A solução parece ser simples. Retiram-se alguns versos nefastos de canções sobejamente conhecidas, como nas Pombinhas da Cat'rina, em que a menina já não tem de se preocupar por ter partido a cantarinha, e portanto a versão que canto à minha filha é diferente da que me foi cantada, salvaguardando-a assim de um percurso infantil problemático e certamente de quedas muito pouco saudáveis a jogar à boa da cirumba e ao piolho.
O mesmo acontece em relação às histórias infantis, de uma forma ainda mais flagrante. Aqui, não alteram uma ou outra palavra, optam logo por mudar radicalmente a história, mantendo apenas as personagens. Por exemplo, a Capuchinho Vermelho desta nova Era é um absurdo: o lobo não é mau, não come crianças, não morre com o bucho cheio de calhaus. É antes uma espécie de animal doméstico, dócil (à semelhança do urso castanho - inspirado no pardo, um dos mais perigosos de sempre - mas que já ganhou há décadas um estatuto de fofinho), e já vi uma versão que culmina com um alegre piquenique entre a avó, a Capuchinho e o Lobinho, provavelmente a comer tofu. E com o Pinóquio é o mesmo, uma treta que nada tem a ver com o original.
É escandaloso ser mãe neste cenário. Fico sem palavras.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

bandas sonoras #1



É uma bela rúbrica. Música e cinema. Duas coisas que, não poucas vezes, andam de mãos dadas no meu pensamento. Inauguremos então a rúbrica, com a banda sonora mais improvável de todas: (eu, que nasci em 1979) retirada de um conto adaptado ao cinema em 1989, Life Lessons - integrado no filme Contos de Nova Iorque. Com um Nick Nolte já bem entradote para poder ser marcante na vida de uma miúda de dez anos de forma mais ou menos romântica, a não ser na minha, e uma Rosanna Arquette que era já tão pouco actriz como é hoje. E uma música de 1967, para agravar mais esta falha tectónica que existe na organização cronológica que é a minha vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ontem hoje amanhã

Sei que se enumerar as tarefas antes de as pôr em prática, mesmo que mentalmente, vou começar a executá-las já cansada. Às vezes é mais forte do que eu. Ainda estou no trabalho e quando faltam cinco para as seis já estou a pensar que, partindo do princípio que me ponho a andar às seis e meia, hei-de levar pelo menos vinte minutos a chegar ao colégio e depois é dar colo até ao carro, chegar a casa e transportar criança mais sacos (há sempre sacos), debaixo de chuva ou vento ou o que vier e aguentar os braços dormentes até ao sétimo andar, a olhar suplicante para o display do elevador, que passa lentos os números, e apostar, periclitante, em qual dos dois perco a força primeiro (pensando sempre, claro, que não pode ser no braço que leva a miúda). Depois de abrir a porta de casa sem saber bem como, deparo-me sempre com um dilema. O que fazer primeiro? Normalmente, e dependendo do estado consciente ou inconsciente da Teresa, os sacos ficam no hall, à espera de novas ordens, enquanto a deito/despacho (meaning=tirar gorro, despir casaco, puxar sapatos e acomodá-la na caminha/na sala com os brinquedos e o Baby First ligado). Fica a marinar. Às vezes, vou fazer xixi quando me lembro que é imperativo e já estou com vontade há... desde as cinco para as seis, vá. Depois pego nos sacos e arrumo as compras, enquanto vou trauteando/conversando/cantando para a sala, para não sentir que depositei ali um peso morto. Mas eis que se impõe o banho. Com isto tudo já são mais do que sete e convinha comer pouco depois das oito. Vai de encher a banheira, preparar pijama, arrastar a pequena, ligar o aquecimento, despir a pequena, enrolar na toalha, banheira, chap chap, espuminha aqui, té té té, pápápá (mamã é mentira), enrola em toalha e toca de secar, hidratar a pele, colocar fralda, limpar ouvidos, esguichar soro, chupar ranho, pentear caracóis e... voilá. Sentar na cadeirinha e aquecer a sopa e preparar a fruta trauteando/conversando/cantando. Dar colher, mais colher, mais colher, e brrrrr, e esguicha sopa porque já está a barriga satisfeita e é hora de brincar com a comida, e despacha fruta e lava boca (cara) e dentinhos (sete e meio da frente). Vai de volta, e agora já estão os Simpsons na Fox, que entretenimento, e eu volto para lavar pratinho e colher e pensar se há jantar ou se como cereais, ou se não é melhor aproveitar e ir tomar banho enquanto a barriga cheia e os Simpsons a têm sedada. Porque o pai não está, nem sei a que horas chega, que trabalho de gripista não tem horas e às vezes nem vem e acumulam em cima do micro-ondas blocos de notas dos hotéis, e tem de ser mesmo assim, este corre corre, onde nem tudo é mau, desde que não haja febre e urgências e noites mal dormidas, que é bom sinal.
Quando se pára, ah!, quando se pára.. sabe tão bem e ela sorri, como quem diz, estás aqui? A sério? No sofá, na sala, para brincar comigo?
Depois o pai vem (yuppiii, hoje conseguiu!) e despacha-se para ter sorrisos de saudade da menina. Daqui a pouco estamos todos enroscados, nos respectivos quartinhos, e vai o pai e envolve a mãe e diz carinhosamente: queria tanto outro bebé! Vamos fazer outro bebé? Agora!? (esperançado...!)
FODA-SE!

(o pior, é que a mãe também quer)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Love Should - Moby



e assim, sem querer, um amigo lembrou-me do quanto eu gosto disto.

as minhas medidas de austeridade

Estou naquela situação meio indefinida em que a minha condição física é condenável e exige muito trabalhinho de recuperação, não obstante ser demasiado elegante para pensar sequer em recorrer ao Peso Certo nacional. Acho que é aquele estádio em que os gordos nos olham com ar de 'quem me dera ter os teus problemas' e os magros pensam 'não te ponhas a pau, não!' (e agora que revi umas fotografias de épocas áureas, estou mais inclinada para este último pensamento).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tulum: o paraíso da propriedade horizontal



Ando com saudades de viajar.
É uma vontade desgraçada de ir para longe e ver outras gentes, esta que me consome ultimamente. Não suporto a alegria dos amigos que voltam da neve ou o entusiasmo dos que vão para os trópicos, pelo simples motivo que se me assoma um feio sentimento de profunda inveja.
Assim estou, entre suspiros, a remoer na última viagem, perdida por entre as fotos e a mergulhar no zoom in do google para ver de perto a praia de Tulum e o azul imenso do mar caribenho. A alternativa a isto é viver na realidade de um Janeiro que não viu um dime do ordenado anterior ou do subsídio de Natal, que é como quem diz, trabalhar por terapia ocupacional.

Para completar este quadro negro, entretenho-me com este vídeo promocional que me remete para duas coisas distintas: off shores e greenpeace.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lisboa



Não sei como é possível, a vinte quilómetros, sentir tanto a falta da minha cidade.

o mesmo tipo de amor

Há aquelas mães que, mesmo antes de o serem, já se lhes adivinha a rudeza dos gestos, o empinar da anca para apoiar crianças robustas e o comportamento despreocupado, quase negligente. São mães que tendem a sê-lo segunda e terceira vez, e de cada uma, se tornam mais rudes no amor maternal, mais fortes a domar o rebanho, mais relaxadas na sua maternidade. Não são necessariamente as mães pobres, de bairro, de campo. Há-as também urbanas e citadinas, que não lavam roupa no tanque e trabalham num escritório.
E há aquelas outras mães, que o são em toda a sua candura desde a embrionagem do rebento. As que preparam com afinco ninhos de linho e puro algodão. São as que gostam dos tons pastel e decoram o quartinho com irrepreensível bom gosto, deixando-lhe permanentemente uma aura clara, brilhante, e um agradável odor a bebé. Têm sempre gestos delicados, as fraldas são bordadas, as roupas são hipoalergénicas e os objectos são imaculadamente esterelizados.
Não me revejo numa, nem na outra.
Parece que em alguma coisa na minha vida existe finalmente algum equilíbrio.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

então obrigada

Hoje de manhã ouvi na rádio que hoje era dia do agradecimento. Homenagem ao Obrigado/a.
Segue daqui da Terrugem, onde geograficamente partilho da noção de suburbanismo, um muito obrigada para o alfaiate, pela sua inspirada visão do mundo.

...todavia, me gusta

O amor às vezes é uma chatice.
Quem disser que o amor é lindo e que são só passarinhos verdes, borboletas e papoilas está a fazer uma confusão qualquer. O amor, como quase tudo o que é digno de ser, é trabalhoso, complicado, nem sempre branco, nem sempre preto, cheio de dificuldades e artimanhas, enganador e muitíssimas vezes uma chatice do pior. Ou é porque sim ou porque não, ou porque hoje eu quero e tu não estás ou porque amanhã estou tão bem e vais estragar tudo, ou porque o espaço é muito ou porque é pouco, ou porque somos a menos ou talvez sejamos a mais. É uma canseira. Na realidade, acho que o amor só é esse amor-arco-íris de vez em quando. O resto do tempo vai de férias e faz da cumplicidade o seu substituto.

a semântica

Democracia é uma palavra bonita, fazendo jus à conotação que lhe está inerente. Todas as coisas boas deviam ter um nome bonito, uma designação que lhes fizesse justiça, o que nem sempre acontece e é pena. A palavra democracia é fácil, é suave, é sucinta, e a sua verbalização pode e deve ser frequente, como os champôs que defendem uma utilização diária para obtenção de melhores resultados. Quanto mais nos valermos do argumento da democracia, mais inclinados estamos para o que está certo e nunca é demais acrescentar aqui e relembrar acolá, que a nossa sociedade é democrática. O nosso regime político é democrático e o nosso país, a sociedade actual, não conhece as palavras regime autoritário, palavras feias, duras, rígidas, inflexíveis, de opressão. Somos uma democracia plena - mais uma expressão bonita.
Mas a democracia, qual manta suave e delicada, esconde na sua beleza e na plenitude da sua semântica, processos burocráticos e esquemas políticos tão feios que não se lhes adivinha fim. Como o traço formal e elegante de um fato ministerial contrasta com a farda camuflada e grosseira de um general do terceiro mundo, como as medidas políticas tão bem alinhavadas e floreadamente argumentativas de uma medida de austeridade contrasta com a palavra de ordem de um ditador, também a suavidade da palavra democracia se vê oposta ao seu obscuro significado.
A democracia, desgraçadamente, vê-se assim a perder beleza. Já não se olha para ela como antes. Já ninguém a crê como bela, como certa, como o argumento que se utiliza frequentemente com tanto crédito. Os homens que inventaram o conceito de democracia praticam-no de forma pouco lisonjeira, corrompem-na. A própria utilização da palavra vai caindo em descrédito. Começa a acreditar-se que apregoar a democracia ostensivamente já não garante resultados de qualquer espécie, tal como sempre acreditei que usar champô no cabelo com frequência diária não garante melhores resultados, apenas satisfaz o interesse económico de alguns.
Quando penso no mal que se faz debaixo da suave manta da democracia, a palavra deixa de parecer-me tão bonita, tão fácil, tão sucinta.

Projectos que não falham

Manuela Azevedo, Camané e Jorge Palma.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

inédito

O Funes Mori está aqui está no Porto.
O cândido sentido de oportunidade da comunicação social provoca-me um sentimento balanceado entre a vontade de rir e a de chorar.
E dejá vu.

um ano disto!

dia de excepção.
dia de fotos pessoais.
à Teresa, parabéns e obrigada por seres (minha).

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Michael C. Hall a.k.a DEXTER


2010
Curado do cancro.
Divorciado da escanzelada da 'irmã'.
2011
De regresso, com a mesma fome de sangue.
A mesma franja.
O mesmo olhar.

Não dá para resistir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Turn! Turn! Turn! (to Everything There Is A Season)



Que em 2011 saibamos viver tudo o que vier.
Time, time, time...