quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Eat Pray Love

"We can just acknowledge that we have a screwed up relationship and stick with it anyway. 
We can accept the fact that we fight a lot, we barley have sex anymore... but we don't want to live without each other. 
We can make a life together... be miserable... but happy not to be apart..."




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

corpos

Não consigo tocar em cadáveres. Penso nisto algumas vezes mas não costumo proferir, ou escrever, porque é mórbido e inconveniente e parece despropositado. Mas evito enfrentar a morte, a Morte, a dos outros, mesmo os que não me são muito chegados. Não gosto de pensar no conceito, nem consigo aceitar a concretização.
É isso, é um problema de aceitação. Recuso-me a aceitar que a vida abandona o corpo.

Um dos cachorrinhos da Lirita estava morto hoje, na sua caminha, um pouco afastado dos seus quatro irmãos, muito mais matulões desde o dia da nascença. Sobreviveu nestas condições de inferioridade fisionómica mais de quinze dias e não pensei que não resistisse, assumi que ultrapassara o pior. Aproximei-me deles e fiquei a observar os seus movimentos cegos e ternurentos e reparei nele, imóvel, a um canto. Tive medo de lhe tocar. Sabia o que ia sentir por isso não queria fazê-lo. Encostei-lhe um dedo e senti a rigidez que temia. Afastei-me repugnada, arrepiada com a frieza da morte, com a insensibilidade com que despreza o corpo.
Afastei-me e, insensível como a própria morte, deixei-o lá, abandonado, no meio do calor dos irmãos.

Odeio sentir-me fraca.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

run


Sensivelmente ao km 2, direcção Guincho-Cascais, ouvia com clarividência "light up, light up", enquanto ao meu lado via erguer-se o farol. 
Agora que penso em como esta música é boa para correr lembro-me, com renovada ironia, do seu título.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sindicatos

Já não posso ouvir os dirigentes sindicais. Raios os partam. Estamos num país, coitadinho, onde o virtuosismo da liberdade de expressão serve para pouco mais do que ameaçar greves e manifestações por tudo e por nada. Pessoas que se consideram informadas e que representam minorias assalariadas, enchem os noticiários e ocupam tempos de antena em horário nobre para ironizar decisões governamentais que se prendem com formalizar restrições que na verdade já afectam a maioria dos funcionários privados há anos, e que são uma realidade na quase totalidade dos países europeus. Não me refiro só à mais recente decisão de acabar com o feriado de Carnaval e a respectiva tolerância de ponto. Quem, como eu, já trabalhou numa empresa privada sabe que em muitos casos o direito a um acréscimo de três dias ao tempo de férias por motivo de assiduidade é uma miragem. Como também sabe que os prazos para marcação e gozo de férias não são por vezes cumpridos, o que origina malabarismos familiares para conciliar o periodo de encerramento dos colégios dos filhos com as férias que os pais podem efectivamente gozar. Porque também creio não ser novidade que são as empresas privadas as principais responsáveis pelo desenvolvimento do país e se houver necessidade de mais produção, esses direitos tão aclamados dos trabalhadores são relegados para segundo plano, da mesma forma que é no serviço público, qualquer que seja a sua área de intervenção, que assistimos ao maior atravancamento de processos, procedimentos e burocracias.
Os dirigentes sindicais e afins não fazem mais actualmente do que mostrar-se perplexos e indignados com a exigência do Governo de que se trabalhe um pouco mais, abdicando, por exemplo, de um feriado que não diz nada a grande parte do país e serve apenas de pretexto para reduzir um pouco mais a produtividade, prejudicando o erário público e ajudando a acumular mais processos. Uma bola de neve. Estes mesmos dirigentes consideram efectivamente um bom argumento afirmar publicamente que estas decisões políticas e governamentais são 'palhaçadas' e porquê? porque obviamente o funcionário que já normalmente não se sente motivado, irá trabalhar este(s) dias (ainda) com menos vontade e, consequentemente, produzir menos.
Caros senhores, culpar o Governo pela nossa inércia e falta de motivação para trabalhar não só não é argumento válido, como denota falta de inteligência (ou de consideração pelos mais inteligentes - ainda não percebi se estes senhores são estúpidos ou se se alimentam astuciosamente dos menos espertos).
Julgo mesmo que a falta de razoabilidade destas pessoas, desvia as atenções de qualquer decisão mais repreensível do Governo. A triste realidade é que as unidades sindicais são menos credíveis que a classe política. Pela minha parte, estou disponível para trocar lugares com uns bons milhares de pessoas que, coitadas, passam pelo drama de ter emprego no dia de Carnaval.