segunda-feira, 17 de março de 2008

A lua em Mim

A superfície da Lua
por Paulo Gomes Varella

"Distinguem-se, na superfície lunar, três feições significativas: os mares, as montanhas e as crateras.
Ao observarmos a Lua em uma noite límpida, facilmente distinguimos várias manchas escuras que se distribuem pelo seu disco iluminado, algumas com formas curiosas, sugerindo as figuras de um rosto, de um coelho, etc. Tais manchas escuras foram chamadas, no passado, de mares lunares, nomenclatura provavelmente introduzida por Galileu Galilei.

Os mares são extensas planícies formadas pelo derramamento de rochas ígneas (tipo extrusivas, semelhantes aos nossos basaltos) e que preenchem grandes áreas da superfície. Estas rochas são escuras e refletem pouca luz solar. Em relação às demais áreas da superfície lunar são mais jovens e, por isso, apresentam poucas crateras. Por serem menos acidentadas foram escolhidas como áreas de pouso das primeiras missões tripuladas à Lua, como foi o caso da missão Apollo 11, que conduziu os primeiros astronautas à superfície da Lua em 1969, cuja área de pouso localizou-se no chamado Mar da Tranqüilidade.

Há inúmeros mares na superfície da Lua, principalmente na face perpetuamente voltada para a Terra. Além do Mar da Tranqüilidade há o Mar das Chuvas, o Mar das Crises, o Mar de Humboldt, o Mar da Serenidade, o Mar da Fecundidade, etc.

Em contraste com a aparente planicidade dos mares lunares, há grandes montanhas caracterizadas por serem muito escarpadas, geralmente com cumes pontiagudos, revelando que o intemperismo (com exceção ao intemperismo físico, conseqüência das variações térmicas diuturnas) e a erosão não são fenômenos preponderantes na modelagem do relevo. A falta de atmosfera e a conseqüente ausência de ventos e chuvas produzem uma situação ímpar: as montanhas, salvo pequenas alterações, parecem estar preservadas, apresentando-se conservadas desde a época de suas formações. As grandes cordilheiras receberam nomes iguais às marcantes cadeias de montanhas da Terra, como é o caso dos Alpes, dos Apeninos, do Cáucaso, dos Pirineus, etc.

Por fim, há as crateras, estruturas com formas circulares ou elípticas, provenientes principalmente da colisão de corpos celestes das mais variadas dimensões com o solo lunar. Cada cratera representa uma cicatriz, uma marca de um evento catastrófico. Há milhares de crateras na superfície da Lua com diâmetros que variam de alguns milímetros até grandes estruturas com mais de uma centena de km de diâmetro. Além das crateras de impacto, acredita-se que algumas sejam remanescentes de antigos vulcões."

Não há nada que mais admire do que a Lua... Não me cansa olhá-la. Serena, Agitada, Brilhante, Mate, Grande e Nula... É difícil existir algo mais bonito e misterioso ao alcance da vista Humana. Será que vou tocá-la um dia?

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sabedoria

Nem todo o bom senso do mundo se sobrepõe às fraquezas que caracterizam a condição humana e, consequentemente, à irracional vontade de romper com as fronteiras que nos separam legitimamente dos outros.
Quantos de nós nunca sentiram vontade de conhecer os desejos secretos daquela pessoa, os seus pensamentos mais íntimos, principalmente daqueles que nos são chegados e que muitas vezes receamos não conhecer como achamos que temos direito? Mas nós não temos, de facto, esse direito. E seremos tanto mais virtuosos quanto melhor soubermos aceitar esta realidade.

Felizmente, os "direitos reservados" relativamente aos nossos pensamentos e àquilo que sentimos estão garantidos, em igualdade e sem descriminação para cada pessoa. É por isso que um dos mais valiosos e impenetráveis tesouros que possuímos é o nosso mundo de memórias, que não pode ser-nos "arrancado" por ninguém, nem com a melhor das tecnologias, e tem a magia de, ainda que seja da nossa vontade, não ser sentido por ninguém como é sentido por nós, mesmo que o partilhemos.

Aquilo que considero ser a verdadeira sabedoria é o resultado de uma estreita relação entre as nossas memórias e o que a imaginação nos permite construir com as memórias dos outros. Quantas mais recordações guardarmos, quantas mais experiências vivermos e acumularmos e quantas mais forem as memórias que aqueles que se cruzam nas nossas vidas partilhem connosco, maior e melhor será o saldo da nossa sabedoria.
Faz sentido que a idade seja um factor de peso para se chegar a sábio.
Mas mais do que isso, faz todo o sentido que, independentemente da distância entre o ponto de partida e o ponto de chegada, a nossa vida seja recheada de acontecimentos, experiências, boas e más recordações, razão e emoção e, sobretudo, de muitas relações, pessoas, 'estórias' e Imaginação, para podermos reconstruir as memórias dos outros e entrelaçarmo-las com as nossas próprias memórias...

Sinto que sou um pouco mais sábia conforme o tempo vai passando e vou aprendendo a refrear a vontade de "invadir" aquilo que, nos outros, não me pertence. Ao mesmo tempo, vou conseguindo gerir melhor as minhas próprias memórias, as que, felizmente, vão crescendo e que vou arrumando em gavetinhas separadas e me ensinaram tanta coisa que aplico no presente.

Quero um dia olhar para trás e descobrir que o meu passado é uma grande sala, cheia de gavetas com imagens, cheiros, lágrimas, desejos e sorrisos. Gavetas com rostos, nomes, sensações, músicas e sabores. Gavetas das quais ninguém tem a chave.

E dessas gavetas talvez eu retire qualquer coisa para partilhar com alguém; alguém que reconstrua, com a sua Imaginação, o objecto das minhas memórias..

sexta-feira, 7 de março de 2008

Menina...

Conheço uma menina franzina e pequena; trigueira de natureza, de nariz arrebitado e cabelinhos escuros e finos. Tem dentinhos desalinhados - ainda de leite! -, que mostra atrevidamente quando sorri. Tem uma voz meiga e doce, mais infantil que a de muitas outras meninas da mesma idade, mas que apetece congelar no tempo e ouvir sempre! Ai, se eu pudesse! Se fosse legítimo conservar numa "caixinha" esta voz melodiosa e ouvi-la sempre que apetece, sem gastar!
Atrapalha-se a falar, esta menina. É esperta e brincalhona, mas cresce sem pressa nenhuma. Não é a mais inteligente dos meninos da sala, lá no colégio; nem tão pouco a mais crescida ou desembaraçada. É emocionalmente frágil, como as crianças devem ser e apetece abraçá-la, protegê-la, pedir-lhe que não cresça.
É tão fácil sentir tantas coisas por esta menina e, contudo, tão difícil descrevê-la para além daquilo que os olhos vêm.
Sei que, seja qual for o rumo que a vida tome ou quantas mais meninas conheça, esta menina vai ser sempre a minha menina especial.
Vou querer um dia dizer a esta menina, talvez quando já for uma Mulher, o quanto ela é importante para mim. Vou querer contar-lhe das vezes que tentei adormecê-la sem sucesso, porque era muito selectiva no colo; vou dizer-lhe quantas vezes a apelidei carinhosamente de disléxica pela forma deliciosa como trocava as sílabas a proferir as palavras, por mais simples que fossem, e como lhe disse tantas vezes que era muito esquisita por se sentir apertada e desconfortável com collants que se enrolavam nos sapatos e ficavam torcidos nas suas pernitas de bailarina... Vou mostrar-lhe as inúmeras fotos de todas as suas fases e contar-lhe banalidades sobre o dia em que foram tiradas. Se mudar no futuro, saberá que no passado não gostava de sentir a areia da praia nas mãos e muito menos que esta entrasse pelas aberturas das sandálias! Que aborrecimento! Não saía do sítio enquanto não a limpassem e transportassem ao colo até uma toalha bem sacudida e com um diâmetro de segurança razoável... Como a compreendo!
Mas isso é um dia... mais tarde. Muito mais tarde, se puder escolher. Porque, por enquanto, vou abraçar esta menina e contemplar o seu sorriso matreiro, inebriada pela sua voz de bébé, esperando que o passar do tempo nos dê tréguas e me permita guardar muitos mais momentos para contar um dia, muito mais tarde, à minha menina...

quarta-feira, 5 de março de 2008

A fava... rica!

Era assim que devia ter sido iniciado este blog:

"O termo culinário fava-rica designa a «fava seca, que, depois de cozida, é refogada com azeite, alhos e pimenta» (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa). É apreciada por muitas pessoas, pois é base de sopas deliciosas. Assim, as vendedeiras são bem recebidas por quem gosta de fava-rica. Portanto, «até vir a mulher da fava-rica» significa: «poderemos ter de esperar muito tempo, mas vai valer a pena».
A. Tavares Louro :: 26/04/2007 "
in http://www.ciberduvidas.pt/

Ou com qualquer outro tipo de esclarecimento sobre o nome do blog e, eventualmente, uma explicação para a expressão popular que lhe está na origem. Não que considere que tudo tem de ter uma justificação ou que esta tenha de ser do conhecimento público, mas afinal de contas este é um espaço de partilha.
O que não consigo é explicar muito bem a minha adopção do termo. A expressão "até vir a mulher da fava rica" sempre me soou muito engraçada e logo que a ouvi pela primeira vez questionei-me sobre o 'pano de fundo' do seu aparecimento. Afinal de contas, a mulher da fava rica é uma espécie de salvação das almas? É a toda-poderosa das criaturas, por quem todos esperam e cuja chegada implica sempre uma espera que parece interminável? Quem não quer ser assim tão desejado? Pois.. Posso afirmar, sem falsas modéstias, que não gosto desse conceito aparente de centro das atenções, mas gosto de pensar que, seja em termos culinários ou noutro contexto mais profundo, saber que é opinião unânime que vale realmente a pena esperar por mim o tempo que for preciso, faz-me querer ser a mulher da fava rica para todas as pessoas que são importantes para mim.
Ah! Quase me esquecia! Não gosto de favas guisadas...


terça-feira, 4 de março de 2008

Um brinde... à vida!

Devo confessar que tenho tendência para as lamentações. Não tanto para lamentar o que fiz, mas para me lamentar daquilo que não faço. É uma tendência que quero tentar contrariar porque concordo com a velha máxima que nos diz que pior do que fazer mal é mesmo nem sequer tentar! Quis o acaso então que o dia 4 de Março fosse um dia Histórico na minha vida. Não só por esta resolução. Começar o blog é um passo em frente, absolutamente. Mas há dias em que várias pequenas coisas contam... O olá de um amigo especial através do mail só para deixar um beijo, ouvir a voz de alguém que já não dava notícias há muito e em quem pensamos tantas vezes, descobrir que a nossa amiga dos tempos de escola vai ser mãe e, muito importante, consciencializarmo-nos de que fazermos algo que gostamos pode transformar um dia banal num dia realmente... histórico!
Creio que só nos apercebemos mesmo da importância que têm alguns acontecimentos quando estes nos afectam de alguma forma.. É o que dizem da vida e da morte. E penso que é bem verdade. Prefiro escolher a Vida. Faço esta escolha por motivos óbvios: se por um lado é menos obscura e mais agradável, por outro vem também mais a propósito, para que possa homenagear alguém que pode hoje adormecer a pensar que também para ela Hoje é um dia Histórico. Daí um brinde ao começo, que para mim é apenas o meu blog e para a minha amiga é o verdadeiro início de uma Vida!
Hoje estou em fase de aquecimento em lume brando, ludibriada por esta sensação de bem-estar que nos invade quando avançamos por terreno desconhecido que já queríamos experimentar há muito.. e é agradável esta sensação. É inversa à sensação de tormento que nos auto-infligimos quando nem falhamos nem somos bem sucedidos porque nem sequer tentamos.
Vou por isso dormir enroscada neste sentimento de bem-estar..
Espero que todos os fetos durmam bem esta noite, enroscados em ventres felizes e maternais, e que todas as sereias do mundo estejam, a esta hora, a tomar banhos de uma Lua branca, enorme e brilhante...
Vocês entendem-me...
Boa noite..