Levaram ontem o Golf. Nem de propósito. Veio o reboque e levou-o. E nunca saberei nada sobre a sua "estória".
quinta-feira, 19 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Golf prata de 2002
Ando atormentada com aquele homem que tem dormido dentro do carro, no meio do descampado em frente à minha casa. Penso no homem todos os dias e vejo-o muitas vezes, de relance, quando chego a casa a horas tardias e ele já se recolheu, ou quando passeio o cão na rua bem cedo e ele ainda dorme. Não o vejo bem, por isso não me familiarizei com o seu rosto.
É intrigante, o homem e a situação. Não é um vagabundo comum, com mau aspecto - vi quando o reboque deixou lá o Golf (bem estimado!), apenas com um pneu furado, e nessa altura lembro-me de olhar para o senhor, jovem - mas não lhe fixei os traços por não me ter chamado muito a atenção. O certo é que o carro lá está, coberto de pó, agora com plásticos a cobrir uma janela, com o seu peluche pequenino do Sporting pendurado num dos vidros.
Gostava de conhecer a história deste homem. Ainda que não me diga respeito e que possa ser uma parva ilusão, não consigo resistir à tentação do drama que construi.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Pontos de vista
No outro dia dei por mim a pensar no que passa pela cabeça de um homem que pretende seguir a especialidade de Obstetrícia-Ginecologia, como carreira profissional, e como se caracteriza o fascínio que o puxa para essa área específica. É possível que um jovem estudante de Medicina não contemple a conotação sexual que é intrínseca a esta opção, ou será que o chamamento deriva exactamente desta conotação? Os médicos são (devem ser) homens da ciência, (supostamente) impermeáveis a influências sensitivas que possam condicionar o seu desempenho, mas todo o processo de escolha desta especialidade me faz uma certa confusão.
(Não que as histórias de uma amiga Urologista e dos exames de rastreio aos seus pacientes não me provocassem um profundo choque... mas a ginecologia parece-me o melhor exemplo do meu assumido preconceito de não-pessoa-da-ciência)
Diverti-me sobretudo quando os meus pensamentos sobre este assunto começaram, infantilmente a construir cartoons. Qual é a reacção de uma mãe quando um filho lhe revela, obstinado e confiante, que pretende ser Obstetra? É sempre bom ter um filho médico - sei lá... por mil e uma razões - mas assumo que neste caso a mãe exclua a hipótese de vir a beneficiar directamente com esta escolha e que não se entusiasme com a ideia de lhe apresentar os ovários enquanto relembra, nostalgicamente, as inúmeras vezes que este lhe perguntou com voz infantil: Mamã, de onde vêm os bébés?
Isto é tudo muito engraçado, mas correndo o risco de soar a preconceito e de passar eu por pervertida, prefiro continuar a não ver barbas rijas a espreitar cá para onde não devem.
Dentista
Prefiro viver realidades duras do que doces ilusões, e detesto que me mandem areia para os olhos com teatrinhos de que "não vai doer nada". Claro que vai doer! Arrancar um dente que aqui está há anos a tentar crescer, num maxilar pequeno demais e que, obstinadamente, se decide a não entrar nem sair do sítio, tem de doer!! É normal que doa. E continua a doer (talvez por ter sido 'escavado' e 'arrancado' a ferros). A arte de ladrilhar é mais graciosa, palavra de honra!
O Ibuprofeno vai continuar em cima da minha pilha de livros de cabeceira, para me ajudar a manter a sanidade mental..
quarta-feira, 11 de junho de 2008
"Tété"
Ser tia faz-me sentir, virtualmente, um enorme sentimento de maternidade: um amor imenso e incondicional, sempre atormentado pelo desejo de não perder um sorriso e pelo medo de que algum mal aconteça.. Não se metam com as minhas pseudo-crias!
wish..
Que bom seria podermos banir das nossas vidas a presença de algumas pessoas, com ou sem motivo válido para tal, apenas porque nos "fazem mal" ao espírito, nos doem na alma e chegam a provocar ligeira azia... Refiro-me, por exemplo, aos políticos (no geral) e a outras pessoas, que infelizmente, se impõem também fisicamente e não apenas através da comunicação social.
Heróis do Mar
Metade dos Telejornais (espaços noticiosos, seja qual for o canal ou designação dos mesmos) é dedicada ao Euro 2008, a outra metade, às consequências da greve dos camionistas e, no geral, à situação vergonhosa (política, económica e social) que o nosso País atravessa.
O sucesso dos nossos futebolistas é, neste momento, inversamente proporcional à nossa condição de Estado democrático saudável e organizado. Tudo gira em função destes fenómenos antípodas que o Povo utiliza conforme o seu humor e conveniência.
Sinto-me tão profundamente infeliz e pouco patriótica!
E tenho muito medo que, também no Euro, Portugal comece a desiludir... É que assim acaba-se o engodo que neste momento distrai as mentes mais felizes. E depois é ver o folião português a virar-se agressivamente contra tudo e todos, para descarregar a sua frustração, legítima ou nem por isso!
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Loja do Cidadão (II)
Quando nos resignamos ao facto de que temos mesmo de esperar por duzentas senhas à frente da nossa, principalmente se entretanto conseguimos um lugar sentado, num sítio estratégico, de onde podemos avistar o quadro electrónico e observar as pessoas que passam, a coisa deixa de parecer assim tão má. Gosto principalmente da parte do observar... Gosto de ver maldicência em tudo. Quer dizer, faço jogos e julgamentos morais inconsequentes sobre as pessoas e as coisas que vejo e isso ajuda-me a passar o tempo.
Há aquele homem de feições agradáveis, fato cuidado, a entrar nos quarentas, que ostenta uma barriga disforme quando se levanta. Uma barriga daquelas é estranhamente desproporcional àquela cara-de-corpo-magro!
Depois há a senhora Channel, num tailleur impecável de vermelho rubi e preto, com um penteado e uma maquilhagem irrepreensíveis. Não lhe sinto o perfume mas aposto que é forte.
Mas o que mais se vê é gente terrivelmente mal vestida e barulhenta. Mulheres na casa dos trinta, com o filho ou a filha adolescente e um ou dois netos ranhosos pela mão ou ao colo. Fazem-se acompanhar também da nora (ou genro) porque tratar de alguns assuntos é motivo de peregrinação familiar. De qualquer maneira são todos desempregados e normalmente esperam vez na Segurança Social ou no Instituto de Emprego. Elas são normalmente gordas, usam roupas justas, de mau gosto. Têm cabelos compridos, amarrados em rabos-de-cavalo, com pontas espigadas. Mal-dispostas ou galhofeiras, a mim parecem-me sempre crianças, mesmo que os rostos aparentem muito mais idade do que a que têm na realidade. Acho que estas mães e avós precoces nunca chegaram a crescer de facto. Chegam a parecer-me mesmo mais imaturas que os filhos. Esses, são por defeito miúdos ou miúdas cheios de um estilo indefinido e empastado. Os rapazes costumam ser magros e as miúdas gordas. Em comum têm a tendência para os acessórios, piercings, cabelos oleosos e usam roupas que se vêm muito na Praça de Espanha.
Há também aquela personagem que se senta muito perto de nós, acompanhada de um familiar ou amigo e que pode não ter nenhuma característica especial, daquelas que nem chamam a atenção, não fosse o facto de estar demasiado perto para podermos evitar ouvir a sua conversa. Conversa que perturba muitas vezes o prazer de observar em paz e sossego. Desta vez calhou-me um senhor. Sexagenário. Falava que se fartava. A esposa, ao seu lado, respondia de quando em quando, com um calmo pois é, mas aposto que na alma residia uma paciente resignação, fruto de uma jura eterna que a gasta aliança testemunhava. Primeiro pensei que no lugar dela já tinha cortado os pulsos. Depois, apoderou-se de mim uma sensação agradável ao imaginar uma companhia interessada e vivida, numa idade em que as nossas vidas já não pedem muitas outras emoções e pensei que aquela senhora era uma mulher de sorte. Lembrei-me de um e-mail curriqueiro que já recebi tantas vezes, daqueles que circulam por todo o mundo, que dizia que não se deve partilhar a vida com alguém de quem não se seja amigo, confidente e que não saiba conversar, pois vai chegar um dia em que valorizaremos isso mais do que tudo.
Loja do Cidadão
Há quatro cadeiras e duas mulheres sentam-se uma em cada ponta, viradas uma para a outra, com as malas em cima das cadeiras do meio.. Quem vê, diz que se conhecem e que devem estar a conversar, alheias ao facto de que, com as suas bolsas roubam dois lugares, num local onde quem consegue sentar-se devia uivar de alegria. Incomodada mas decidida, avanço para um dos lugares ocupado pelas malas. Vou separá-las, criar uma fronteira entre elas, mas estou-me nas tintas. Não se sentassem assim! Com ares de enfado, ambas recolhem as malas quando me vêem avançar. Ocupo só um lugar, mas rio-me para dentro a pensar que agora era eu quem devia pousar a mala no lugar ao lado. Constato a seguir que as senhoras nem sequer se conhecem.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Indiana Jones - O Regresso
Voltou com a Caveira de Cristal e eu gostei.
No meio de tanta fantasia a que assistimos no cinema, é bom reviver heróis do passado, mesmo rodeados de ficção algo 'infantil', e reconhecermos um Indiana Jones espantosamente bem conservado.
Também gosto do ar de Nikita da Cate Blanchett. Em excelente forma, a actriz.
Mas acima de tudo, gosto do que o misticismo do Indiana Jones faz renascer em mim: a paixão de miúda pela Arqueologia.
Dá que pensar
Basta passarmos os olhos pelas "gordas" de uma qualquer edição noticiosa para termos assunto q.b. para pensar e debater. Hoje, na versão on-line de um conhecido diário nacional, deparei-me de imediato com dois temas interessantes.
O primeiro - e tentarei controlar o mais possível a vontade de inventar piadas sobre o assunto -, diz respeito a três jogadores de futebol da selecção da Eritreia, que encontraram asilo político português depois da sua deslocação a Angola, na fase de apuramento para o Campeonato Africano das Nações. Dizem os jogadores que (como não podia deixar de ser...) o seu sonho é jogar no Benfica, apesar de o desespero ditar que qualquer clube em Portugal - país sem injustiças e desigualdades - é mais do que bem vindo!
Isto pode trazer novas perspectivas para o Benfica, atenção! É bom estar alerta a estas coisas.
O segundo tema é título de Editorial e reza assim: "Desigualdades sociais revelam país de injustiças", e não estão a falar da Eritreia, mas sim do que dizem as estatísticas sobre Portugal.
Diz que sim...
Quer dizer, não ponho em causa que a situação da Eritreia seja mais complicada para quem lá vive e que muita gente tenha vontade de fugir à sua realidade. Mas para estes jovens jogadores de futebol, asilados no Centro de Refugiados da Bobadela, e que nem duvido que até sejam estudados como hipótese para o Benfica ou outro qualquer clube "de sonho", Portugal vai-lhes parecer daqui por uns tempos um pouco diferente do paraíso que agora se lhes depara. Talvez até comecem a reivindicar e tudo!
Parece-me que deveriam considerar a hipótese de um pedido de asilo a outro país qualquer. É azar que tenham "optado" pelo que, também em relação à desigualdade social, está na cauda da Europa (expressão que já é prata da casa).
Mas nada disto é coincidência: os jogadores escapuliram-se ao controlo da selecção e dirigiram-se ao gabinete do Alto-Comissariado das Nações Unidas. O Sr. Engº António Guterres apenas fez as honras da casa..
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Sometimes you can't make it on your own
Hoje o sol brilha para ti, amiga.
Para ti, que carregas o fruto de um amor que nasceu cedo, no seio do universo escolar e de uma adolescência entre o rebelde e o tradicional.
Já passaram anos e o que alcançaste hoje parecia, naquela altura, uma coisa só para "gente crescida", como pensávamos. E é. É para gente crescida. Somos crescidas, efectivamente. Adultas, casadas, independentes, trabalhadoras, autónomas. Tudo aquilo que, naquela adolescência que ficou para trás, nos deslumbrava.
O que não sabíamos é que ser crescido não significa ser mais forte; que ser adulta não significa ser feita de ferro. Não sabíamos que crescer implica ter de possuir a coragem para esconder que ainda se sente fragilidade e medo, e que temos muitas vezes de usar a armadura do faz de conta.
Consegue-se estar completamente feliz durante alguns periodos de tempo mas não é possível ser plenamente feliz o tempo todo.
Queremos sempre mais, queremos sempre melhor e nem sempre conseguimos ter a lucidez para olhar para o que temos com gratidão. E isso é bom. Não te convenças do contrário. Isso significa que vais sempre reclamar o que queres para ti e batalhar pelas coisas que ambicionas. Acho que é a isso que chamam viver.
Mas também vais sempre precisar de chorar desesperadamente e sem motivo, de te irritar com pormenores que não são importantes, de nem sempre te sentires bem acompanhada ou de muitas vezes precisares de um colo presente. Tudo o que temos é feito de momentos. Diferentes.
Fico feliz que não sejas sempre sorridente para mim. Fico feliz se precisares de chorar no meu ombro. Porque sei. Sei como é..
Sometimes you can't make it on your own.. Ninguém consegue.
Gosto muito de ti.
(Para a Nani)
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Mea culpa
A declaração mais patética que já ouvi ser proferida pelo nosso Primeiro Ministro, Engº José Sócrates, chegou-me pela rádio ontem, ao final da tarde, a caminho do ginásio.
Ouvida tem outro impacto, mas achei que se transcrevesse, todos conseguiriam facilmente construir uma imagem da "personagem", com o seu olhar condescendente e a sua voz nasalada:
"Quero fazer-vos uma declaração sobre o facto de ter fumado no avião. De facto fumei, com o ministro da Economia [Manuel Pinho] enquanto conversávamos, mas no convencimento de que se podia fumar, porque assim sempre aconteceu nas outras viagens anteriores"... "Estava convencido que não estava a violar nenhuma lei nem nenhum regulamento. Infelizmente há essa polémica em Portugal e eu quero lamentar essa polémica. Se por algum motivo violei algum regulamento, alguma lei, lamento e peço desculpa, não voltará acontecer".
Na altura, não sei o que mais me incomodou: se a hipocrisia mal disfarçada, se a atitude extrema de (falsa) modéstia que reforça uma vez mais a minha teoria de que os políticos estão convencidos de que somos todos completamente idiotas, se o suposto estoicismo da atitude de deixar de fumar em consequência desta situação...
Começa por ser ridículo que o Primeiro-Ministro não saiba onde pode ou não fumar, isto partindo do princípio que acreditamos de boa-fé nas suas declarações. A partir daqui, a situação tende a piorar conforme se desenrola o processo jornalístico que traz até nós este tipo de informação.
Constata-se, por um lado, que os empresários que viajavam com a comitiva do Primeiro-Ministro, são um bando de queixinhas, provavelmente fumadores sem os mesmos privilégios no vôo, que acham que denunciar esta situação escalabrosa (como se fosse inédita), é fazer serviço público. Por outro lado, e a julgar pela equipa de reportagem que nos faz chegar esta notícia, parece que um assunto destes é de importância terminal para o nosso país (sinceramente quando ia a ouvir a notícia na rádio ia bem mais preocupada com o 15º aumento do gasóleo este ano!!).
Finalmente, vem o mais interessante. Nos diversos espaços destinados ao comentário virtual do cidadão comum - em tudo semelhantes a este blogue - dividem-se as opiniões entre o que é mais condenável: o imperdoável facto de o Engº José Sócrates fazer algo que o seu próprio Governo proibiu recentemente e sobre o qual o próprio admite não ter conhecimento ou a lamentável atitude dos jornalistas que continuam pelo bom caminho, sempre à procura de transformar novelas em notícias, porque as novelas têm mais audiências...
Eu confesso que também estou dividida, mas de uma coisa tenho a certeza: quase todos os portugueses sabem neste momento que o Primeiro-Ministro infringiu a lei do tabaco a bordo de um avião, mas muito poucos saberão sequer o que foi ele fazer à Venezuela. E se calhar nem interessa nada...
... (Já agora, Sr. Primeiro Ministro, desde quando dizer que não sabia que não podia fazer determinada coisa porque até aí era permitido é um argumento válido ou credível?? E reforçar as desculpas aos portugueses SE infringiu algum regulamento, como se ainda nem tivesse bem a certeza do que fez? Mais vale espetar logo com um cone na testa!!)
A Insustentável Leveza do Ser
(os sonhos... Meu Deus, os sonhos!)
Baseado naquele que é, certamente, um dos melhores romances de sempre, e protagonizado por dois dos mais expressivos actores que conheço:
"The Unbearable Lightness of Being", com Juliette Binoche e Daniel Day-Lewis.
Baseado naquele que é, certamente, um dos melhores romances de sempre, e protagonizado por dois dos mais expressivos actores que conheço:
"The Unbearable Lightness of Being", com Juliette Binoche e Daniel Day-Lewis.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Post da Mãe
Com alguns dias de atraso e depois de muito fermentada, não me passou a vontade de homenagear a minha mãe.
Não é muito importante para mim que não o faça no dia habitualmente dedicado às mães. Pelo contrário, creio que mais se destaca, em toda a sua grandeza, por não ser uma dedicatória no meio de muitas outras, que se fazem em massa e se materializam em frases feitas.
A sensação que tenho, agora que começo a escrever, é a de que estou a ser injusta com o meu pai. Não lhe prestei uma homenagem destas, nem no dia do Pai, nem antes ou depois. Mas logo me passa esta sensação esquisita quando penso que isto é espontaneidade e que o que sinto por ambos não se resume nunca ao que possa aqui testemunhar sobre cada um.
Vi ontem no Daily Show, do Jon Stewart, uma breve entrevista que ele fez ao ex-Presidente dos E. U. A. Jimmy Carter, a propósito de um livro que este último escreveu em homenagem à sua mãe.
Assistir ao programa fez-me pensar novamente nesta vontade que trazia comigo.
Gostei da forma como Carter descreveu certos episódios vividos em família e de como sublinhava o facto de a mãe ser uma mulher muito forte e que, em muito, lhe devia o cargo de Presidente que alcançou. A determinada altura contou um episódio engraçado em que alguém entrevistava a sua mãe, depois de um acontecimento público protagonizado pelo filho, já Presidente, e lhe perguntavam: Está orgulhosa do seu filho? Ao que ela respondia: Qual deles?
Foi apenas um à parte, mas tem a ver com aquilo que eu admiro na maternidade, na sua força e na sua capacidade de ter sempre mais para dar aos seus filhos.
A minha mãe não foi nem é uma mulher da política, nunca foi uma activista de lutas estudantis ou de direitos humanos, não foi sequer estudante universitária e não tem uma cultura geral elevada. Percebe pouco de História, de Matemática, de Línguas. Lia muito quando era nova, lembro-me bem. Mas lia livros de bolso, quase sempre romances, pouco profundos. Sempre se interessou muito por Medicina, um sonho que uma juventude com limitações não a deixou perseguir. Ainda hoje vaticina diagnósticos para alguns sintomas, com bases o mais científicas que consegue apurar nas suas enciclopédias, que gosta de consultar.
Casou e foi mãe muito nova, como era costume na sua geração, e sempre trabalhou.
Sempre soube fazer saias e vestidos, muitos deles gravados apenas nas velhas fotos minhas e da minha irmã, as saias e vestidos que usávamos, muitas vezes com pena de serem feitos em casa e não comprados na loja. Tolas!
A minha mãe é provavelmente uma mulher muito diferente da mulher que foi a mãe do Presidente Jimmy Carter.
Mas quando olho para trás, quando vejo quem sou, mesmo sabendo que pouco provavelmente serei algum dia presidente do que quer que seja, sei que um dia, daqui a muito tempo - se o tempo permitir - terei tanto para escrever sobre a minha mãe como o Presidente.
A mãe do Presidente não foi, certamente, mais do que a minha.
As Leis de Murphy e o resto do Mundo
Sempre achei que o drama da minha vida eram as Leis de Murphy. Compreendo agora, que elas não foram feitas a pensar em mim, mas sim em probabilidades trágico-cómicas que não são, de todo, fatalidades. Se lermos meia dúzia delas, percebemos que não somos uns infelizes, ainda que existam estatísticas concretas de que a nossa vida está balanceada para as suas conclusões negativas. A mim, pessoalmente, a confirmação destas leis, deixa-me (quase sempre) um sorriso no rosto, mesmo que seja um sorriso de escárnio ou irritação localizada, daquele tipo que ilustramos com um palavrão. Mas já convivo melhor com a sua presença constante e não me sinto tão perseguida.
Hoje, por exemplo, dei uma vista de olhos pelo Internacional do DN on-line, e isso fez-me pensar onde está o drama na lei que diz "A outra fila sempre anda mais rápido" ou "A possibilidade do pão cair com o lado da manteiga para baixo é directamente proporcional ao valor do tapete". Não posso sentir-me perseguida por 'infortúnios' tão fúteis quando em Sichuan milhares de pessoas morrem e outros milhares vivem a tragédia de um sismo cujas repercussões a minha imaginação não consegue nem alcançar, ou quando se sucedem atentados irracionais em nome de religiões "santas", por grupos radicais sunitas, como a mais recente em Jaipur que nos traz imagens de civis desmembrados.
Não posso sentir que o cúmulo da ironia reside num trocadilho de Murphy quando leio que, depois do devastador ciclone de Nargis, entre os escombros de Myanmar, a Birmânia vive o horror de ver os órfãos traumatizados, serem sofregamente procurados por traficantes de órgãos...
Numa vida simples, que não conhece a guerra, o terrorismo, o medo, a solidão, a fome, a censura, as catástrofes, faço (fazemos) drama porque "Nunca há horas suficientes num dia, mas há sempre muitos dias antes do sábado".
terça-feira, 6 de maio de 2008
Dia da Rita!!
Hoje é o dia da Rita!
É dia feliz, mesmo com nuvens. Dia de celebrar a perfeição.
A Rita é o objecto subjectivo do perfeito, porque a nossa noção de perfeito é subjectiva.
É a palmada e a carícia, o sorriso e a lágrima, a palavra imitadora ou a risada que reclama a atenção.
São covinhas nas bochechas e gritinhos eufóricos. São braços abertos e beijos que se soltam, ruidosos, antes de tocar a face.
É um xi, dois xis, muitos xis apertadinhos!
Eu conheço a mulher que deu colo e vida à perfeição.
No dia da Rita, parabéns a ti, mana!
Hoje é o dia da Rita!
É dia feliz, mesmo com nuvens. Dia de celebrar a perfeição.
A Rita é o objecto subjectivo do perfeito, porque a nossa noção de perfeito é subjectiva.
É a palmada e a carícia, o sorriso e a lágrima, a palavra imitadora ou a risada que reclama a atenção.
São covinhas nas bochechas e gritinhos eufóricos. São braços abertos e beijos que se soltam, ruidosos, antes de tocar a face.
É um xi, dois xis, muitos xis apertadinhos!
Eu conheço a mulher que deu colo e vida à perfeição.
No dia da Rita, parabéns a ti, mana!
(Fica giro o mesmo post em duas línguas: a nossa e a da Rita!)
É dia feliz, mesmo com nuvens. Dia de celebrar a perfeição.
A Rita é o objecto subjectivo do perfeito, porque a nossa noção de perfeito é subjectiva.
É a palmada e a carícia, o sorriso e a lágrima, a palavra imitadora ou a risada que reclama a atenção.
São covinhas nas bochechas e gritinhos eufóricos. São braços abertos e beijos que se soltam, ruidosos, antes de tocar a face.
É um xi, dois xis, muitos xis apertadinhos!
Eu conheço a mulher que deu colo e vida à perfeição.
No dia da Rita, parabéns a ti, mana!
Hoje é o dia da Rita!
É dia feliz, mesmo com nuvens. Dia de celebrar a perfeição.
A Rita é o objecto subjectivo do perfeito, porque a nossa noção de perfeito é subjectiva.
É a palmada e a carícia, o sorriso e a lágrima, a palavra imitadora ou a risada que reclama a atenção.
São covinhas nas bochechas e gritinhos eufóricos. São braços abertos e beijos que se soltam, ruidosos, antes de tocar a face.
É um xi, dois xis, muitos xis apertadinhos!
Eu conheço a mulher que deu colo e vida à perfeição.
No dia da Rita, parabéns a ti, mana!
(Fica giro o mesmo post em duas línguas: a nossa e a da Rita!)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Alentejo
O Alentejo, para mim, eram campos rasos e salpicados de papoilas a perder de vista, sob um céu azul e aberto.
Era cheiro a lareira e a lenha queimada.
Era um mar de estrelas a iluminar noites quentes.
Era bafo quente e sol impiedoso de meio-dia.
Era almofariz com cheiro a sumo de coentro e alho.
Era silêncio ou canto de cigarras e gado preguiçoso e pingos de uma fonte.
Era uma canção de sotaques deliciosos e descobertas em cada rosto e em cada ruga.
Agora descobri que também é centopeias.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
De fugida
Dispo-me de mim, esquecendo a frustração ligeira que me faz franzir a testa, para me alegrar com boas novas que outros partilham comigo. Notícias de felicidade e êxtase que me alegram em momentos em que faço uma pausa na minha felicidade e no meu êxtase, porque sentimentos menos nobres se impõem.
E assim, resta-me esperar que estes sentimentos se afastem.
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