quinta-feira, 3 de julho de 2008

facto

"Os miúdos de hoje nunca vão saber o que é vir da escola, de autocarro, a rebobinar uma cassete com uma bic para não gastar as pilhas do walkman..." *
* sábia observação do meu marido

Santa Marina di Bitinia

Não sabia que existia uma Santa com o meu nome. De toda a maneira, quis saber a sua história.
Descobri uma narrativa sobre o percurso desta milagreira, nomeadamente o seu disfarce de homem - Marino - para poder ingressar no Mosteiro, e o sacrifício de assumir, sob acusação injusta, a paternidade de uma criança, que - por motivos óbvios - não poderia ser sua. Que argumento!
Para acabar, remato com a citação final:
(...)
"Muitos milagres aconteceram por intercessão de Santa Marina e em 17 de Julho de 1230, as suas relíquias foram transportadas para Veneza, na Itália, onde se conservam até hoje, na Igreja Santa Maria Formosa. E assim, Santa Marina, exemplo de humildade e fidelidade a Deus, é invocada pelos fiéis como poderosa intercessora diante de Jesus, nos casos de maiores provações, doenças ou calúnias."

Sempre gostei de Santos e das principais virtudes que a religião lhes atribui. Num sentido prático, são como diferentes departamentos e convém estar informado da especialidade de cada um.

Literatura - fragmentos

"(...) Foi por essa ocasião que adquiriu o hábito de falar sozinho, passeando pela casa sem se incomodar com ninguém, enquanto Úrsula e as crianças suavam em bica na horta cuidando da banana e da taioba, do aipim e do inhame, do cará e da berinjela. De repente, sem anúncio prévio, a sua actividade febril se interrompeu e foi substituída por uma espécie de fascinação. Esteve vários dias como que enfeitiçado, repetindo para si mesmo em voz baixa um rosário de assombrosas conjecturas, sem dar crédito ao próprio entendimento. Por fim, numa terça-feira de Dezembro, na hora do almoço, soltou de uma vez todo o peso do seu tormento. As crianças haviam de recordar pelo resto da vida a augusta solenidade com que o pai se sentou na cabeceira da mesa, tremendo de febre, devastado pela prolongada vigília e pela pertinácia da sua imaginação, e revelou a eles a sua descoberta: - A terra é redonda como uma laranja. Úrsula perdeu a paciência. "Se você pretende ficar louco, fique sozinho", gritou. "Não tente incutir nas crianças as suas ideias de cigano." José Arcadio Buendía, impassível, não se deixou amedrontar pelo desespero da mulher que, num impulso de cólera, destroçou o astrolábio contra o solo. Construiu outro, reuniu no quartinho os homens do povoado e demonstrou a eles, com teorias que acabaram sendo incompreensíveis para todos, a possibilidade de regressar ao ponto de partida navegando sempre para o Oriente. A aldeia inteira já estava convencida de que José Arcadio Buendía tinha perdido o juízo, quando Melquíades chegou para pôr a coisa em pratos limpos. Ressaltou em público a inteligência daquele homem que, por pura especulação astronômica, construíra uma teoria já comprovada na prática, se bem que desconhecida até então em Macondo, e como uma prova da sua admiração deu-lhe um presente que havia de exercer uma influência decisiva no futuro da aldeia: um laboratório de alquimia."

Excerto do livro "Cem Anos de Solidão", Gabriel García Márquez

Este livro é uma verdadeira obra-prima. Lamento ter copiado um excerto brasileiro. A sonoridade da língua é uma delícia, mas a escrita é pavorosa.

"In" Extremis



TOM COCHRANE - Life Is A Highway



GERRY RAFFERTY - Baker Street (E alguns covers posteriores...)

Músicas que me lembram noites passadas na Extremis, em Sesimbra, onde acordei para a existência da paixão, independente de amores platónicos. Corria o ano de 93 (?)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

essências

Poucas coisas me fascinam como a Gastronomia. Alguns dos melhores programas que vejo na televisão, resultam de acasos de zapping que acabam por me prender a meio da frenética preparação de uma delícia culinária. É quase impossível resistir. Acho que a cozinha pode ser simultaneamente terapêutica, divertida e artística. Também pode ser chata ou frustrante, mas para mim é sempre um daqueles desafios hipnotizantes. Tenho pena de quase nunca ter o tempo que gostaria de ter para dedicar à aprendizagem desta arte. É verdade que ainda dispendo tempo a ver a dita televisão, o que me rouba barbaramente uma ou duas horitas diárias importantes, mas continuo a justificar esse entretenimento como distracção necessária (já não deixo, no entanto, que me roube o tempo imprescindível dedicado à leitura portanto creio que estou a evoluir qualquer coisa).
Agora lembrei-me de ervilhas, bem redondinhas, de um verde forte e textura suave e cremosa no interior; com um leve sabor adocicado, a condizer com as cenouras, mas a contrastar com a sua cor quase laranja. Com chouriço, daquele escuro, de carne tenra, atado nos fumeiros alentejanos e pedaços de entrecosto daquele que se solta do osso. E com ovos. Escalfados, claro.
Entretanto vou até ao ginásio, porque se faz tarde, e lá para as nove da noite, com o Fox muito mais contente e aliviado, estarei a comer uma salada grande, feita à pressa, com milho e queijo fresco. Também não é mau e faz tantas vezes as minhas delícias. Nem sei porque me lembrei das ervilhas, eu, a mulher da fava-rica!

curiosidades

Por muito pouca riqueza literária que isto tenha, tinha de o postar aqui. Tropeço nesta verdadeira panóplia de adjectivos várias vezes, por força do meu trabalho, e acho curiosa a minúcia desta lista de profissões/categorias profissionais a atribuir a cada caso (muito embora duvide que a maioria seja sequer utilizada já que, se excluirmos os estudantes, os desempregados e os reformados, pouca população nos resta para tantas classificações).
Deixo aqui um cheirinho da gigantesca lista de actividades, de entre as quais, aleatoriamente, escolhi as de maior brio (sem ofensa para aqueles que executam cada uma delas - sejam lá o que forem!):
Comprador
Debuxador
Posticeiro
Taxidermista
Soleteiro
Vibradorista
Trefilador manual
Santeiro
Brochador manual
Tripeiro
Esfarrapador
Abatjoureiro (a minha preferida)
Meadeiro (Sarilheiro)
Pisoeiro (Bataneiro)
Apanhador de algas
Sobrescriteiro
...
Tudo verídico.
p.s. O meadeiro e o pisoeiro escusavam de ser enxovalhados com aquele parêntesis (que ainda por cima não é nada esclarecedor!)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

não sei de mim

Hoje assomou-se-me uma desinspiração atroz. Eu, que tenho andado numa azáfama constante nestas últimas semanas, por urgências profissionais que me exigem prontidão, dou por mim vencida pela inquietude que este clima me provoca. Acho eu, que é do clima.
Tenho saudades de sítios que nunca vi. Olho para paisagens que não conheço com uma vontade augada de me transportar para lá e não sei se esta urgência de alma poderia justificar umas férias terapêuticas (?)
Mas não. Claro que não justifica. Já me sinto mal q. b. por este mal de alma me roubar a produtividade da qual dependo para sentir aquele cansaço bom de fim de dia.
De qualquer maneira, estou convencida que tudo isto é resultado de um 'problema' de hormonas, o que significa que, mais do que um mal de alma, há aqui algo de físico-químico (do qual apenas a minha amiga (força) centrípeta tem conhecimento - ainda bem que ela é das ciências) que me está a distorcer o raciocínio muito mais do que seria desejável. Acho que já me afecta o sono: durante a noite manifesta-se nas voltas consecutivas que me enleiam desconfortavelmente na roupa; durante o dia, na distracção impaciente de um amontoado de pensamentos, de prós e contras. Bem aventurados os que têm apenas o diabo num ombro e um anjo no outro: eu tenho centenas de gárgulas bifurcadas que me invadem o cérebro!
Continuo a não acreditar quando as pessoas caladas, de olhar perdido, me respondem que não estão a pensar em nada! É algo que, simplesmente, não pode ser verdade.

Amores assim...

Pedi-lhe qualquer coisa que me acalmasse o espírito inquieto.
Ofereceu-me esta canção, pela qual se apaixonou.



"Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t'aime j'adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida"

"Há Amores Assim" Donna Maria Letra: Miguel Majer / Música: Miguel Majer e Ricardo Santos

Gostei tanto deste presente!

sexta-feira, 27 de junho de 2008

respira

Alterno entre comboio a vapor e TGV. O corre-corre, de quando em vez, por imposição do bio-ritmo, é substituído por um estranho abrandar. Depois fico embrenhada no meu próprio fumo negro, a sentir o pouca-terra... pouca-terra... até despertar outra vez para viagens alucinantes, de diferentes gares e para diversos destinos. Apetecia-me não ser comboio nestes dias sem tempo para fôlego!
Queria ser um barquinho à vela, a espalhar ócio, a caminho do nada...
(Que bom ter o fim-de-semana quando sentimos que estamos mesmo a precisar).

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Humanos



Nutro pelo Variações uma profunda admiração. Não creio que alguma vez tenha sido suficientemente homenageado pela extraordinária visão que tinha do mundo.
Incompreendido, acho que soube aproveitar a vida que nele latejava, por vezes, de forma desmedida.
Os Humanos ressuscitaram valiosas mensagens.
A voz ameninada da Manuela Azevedo dá um toque 'colorido' à canção. Sempre que a oiço, dá-me vontade de mandar tudo às urtigas.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Venenos de Deus, Remédios do Diabo

"O médico Sidónio Rosa encolhe-se para vencer a porta, com respeitos de quem estivesse penetrando num ventre. Está visitando a família de Bartolomeu Sozinho, o mecânico reformado de Vila Cacimba. À porta, a esposa, Dona Munda, não desperdiça palavra, nem despende sorriso. É o visitante quem arredonda o momento, inquirindo:
- Então, o nosso Bartolomeu está bom?
- Está bom para seguir deitado, de vela e missal…
A voz rouca parece distante, contrariada como se lhe custasse o assunto. O médico acredita não ter entendido. Ele é português, recém – chegado a África. Refaz a questão:
- Perguntava eu, Dona Munda, sobre o seu marido…
- Está muito mal. O sal já está todo espalhado no sangue.
- Não é sal, são diabetes.
- Ele recusa. Diz que se ele é diabético, eu sou diabólica.
- Continuam brigando?
- Felizmente, sim. Já não temos outra coisa para fazer. Sabe o que penso, Doutor? A zanga é a nossa jura de amor."
Couto, Mia in Venenos de Deus Remédios do Diabo. Edições Caminho
"Roubei" este excerto de outro bloguista interessado no assunto, como eu.
Esta escrita é deliciosa: lembra-me as eternas dinastias dos Buendía, de Gabriel García Márquez. E lembra-me o nosso amor.
Mia Couto vai estar hoje na Prova Oral, às 19h, para falar do seu novo romance. Sinto um imenso fascínio por este escritor e por Moçambique, o que, por si só, justifica comprar o livro. E gostava muito de ouvir o que o autor tem para dizer. Pela primeira vez estou num dilema pertinente entre ceder a esta vontade e o meu compromisso com o ginásio.

Samuel Favarica

Por curiosidade, googlei a expressão favarica.
Encontrei um site, http://www.favarica.com/, de webdesign, grafismo e multimédia, estridentemente artístico. Dessin vectoriel...
A língua francesa soa-me tão agressiva como a italiana me soa sensual.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Teletubbies


Tenho um trauma com os Teletubbies. Acho-os palermas, tolinhos e inúteis. E o facto de terem sido criados a pensar numa faixa etária até aos três anos de idade não diminui a repulsa que me provocam. A minha sobrinha, que tem dois anos, é muito mais expedita e "crescida" do que aqueles extra-terrestres saltitões, com fatos de pano com televisões (?) incorporadas.
Mesmo que tente ver as coisas de uma perspectiva extraordinariamente infantil (ao ponto de considerar o Noddy como o melhor da sua classe), não consigo descortinar nesta série nada de entusiasmante: o cenário é estático e horrível, com dunas verdes até perder de vista e coelhos indiferentes e monótonos. Os bonecos usam símbolos indecifráveis na cabeça e, mesmo existindo uma menina, quem usa uma pochette cor-de-rosa é um dos rapazes. Quem se terá lembrado disto? Quando a minha sobrinha mais velha assistia a este programa, eu costumava ralhar com a minha irmã por ela permitir tão medonha influência na criança. E espicaçava-a, dizendo que aqueles bonecos eram uns gays. Ela chamava-me parva e abanava a cabeça. Eu falava a sério! E era tão óbvio para mim como para toda a gente, senão vejam lá o que diz a Wikipédia:

"Teletubbies é um programa de televisão infantil produzido pela BBC, para crianças de um a três anos de idade.

Tinky Winky, Dipsy, Laa-Laa e Po são os personagens da série. Este é um programa para crianças se divertirem com os vários personagens divertidos e engraçados no fantástico mundo deles. Em seu dia há vários eventos, como a hora de ver televisão em suas telas, situadas na suas barrigas, e a hora de dar tchau.

Tinky Winky (tal como Bob Esponja) foi apontado como símbolo gay pelo fundamentalista cristão Jerry Falwell. O programa também foi investigado em 2007 pelas autoridades da Polónia mas, aparentemente, sem consequências práticas."

Ele há coisas!
Esse Tinky Winky a mim nunca me enganou! Daí a levantarem-se inquéritos vai um grande passo mas os Americanos são mesmo assim. E os Polacos também, pelos vistos..
Uma coisa é certa, se a Íris foi influenciada por estas criaturas pavorosas, o mesmo não sucederá à Ritinha. I object!

coisas

Não me esqueço daquelas tardes de Inverno, em que chegava da escola era já noite escura, antes dos meus pais e da minha irmã.
Encontrava lá o meu avô, a ver televisão, depois de passar a tarde sentado perto do parque ou do campo de futebol. Lembro-me de ver a Rua Sésamo: o Ferrão, com a sua voz rouca; o Conde de Contarrrr, com o nariz afiado; o Egas e o Becas nos seus confrontos hilariantes e o Poupas, enorme, cor-de-laranja. Lembro-me da Alexandra Lencastre, com jeans clarinhos, à meia canela, e ténis brancos. Muito mais gira do que a Alexandra Lencastre com pele gloss das actuais novelas da TVI.
Sentava-me muito perto da televisão, a comer toneladas de queijo e a ver a Rua Sésamo. Também dava o Bocas naquela altura, sempre em guerra com as toupeiras da horta.
O meu avô fumava ininterruptamente Kentucky's. Continuo a achar que o fumo do meu avô me fez muito pior do que os cigarros que fumei até hoje.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

manias

Detesto lojas, bancos e outros sítios públicos vigiados por circuitos de televisão ou com seguranças estáticos, de ar sinistro. Deixam-me pouco à vontade e forçam-me a alterar o meu comportamento como se tivesse de racionalizar cada gesto e mostrar, claramente, que não estou a fazer nada de mal.
E detesto alarmes que apitam à saída, sem motivo aparente. Fico sempre com a sensação de que tenho de me justificar.

catequese

Lembrei-me há pouco de uma catequista que tive quando era miúda. Chamava-se Corina (D. Corina, porque o hábito assim o exige para quem não a concebia com outra designação). Sempre tive a suspeita de que os meus catequistas começavam por depositar em mim grandes esperanças, para cedo se aperceberem que se enganavam, porque acho que a minha descrença sempre me denunciou. Nunca tive culpa de não ser crente e até me esforçava por ser mais responsável e dedicada a estes assuntos, como era a minha irmã, mas nunca fui muito bem sucedida. De qualquer maneira, lá em casa nunca ninguém foi muito religioso. Somos aquilo que eu posso chamar de católicos por imposição moral.
Acabava por gostar de ir à catequese, aos sábados de manhã, e sentar-me nos bancos baixinhos, formando uma rodinha com os outros meninos e a paciente D. Corina. Nunca saía de casa entusiasmada mas depois de lá estar sentia-me bem e saía com uma agradável sensação de dever cumprido. Ganhei também o hábito de passar sempre pela padaria da D. Rosa para comprar um suspiro gigante, que lambia até chegar a casa da Nani, a caminho da igreja. E ficava mais contente ainda quando a D. Corina, pouco instruída mas cheia de meiguice, nos dizia a todos no final das sessões semanais que corriam melhor, que estava muito "sast'feita" connosco.

santos populares

Como diz a canção, o Santo António já se acabou mas ainda vem lá o S. Pedro e eu já comecei a festejá-lo este fim-de-semana na mística e invariavelmente nublada Serra de Sintra. O Verão é isto mesmo. O cansaço mais saudável é o dos longos dias de praia - até às nove da noite!! - seguido de serões barulhentos, num cenário de música, vozes, luzes e cheiro a sardinhas e farturas, em pátios ou praças da freguesia.
Hoje tinha duas opções: escrever sobre a deprimente ausência de férias nestes meses de Verão que se seguem, que constitui o sacrifício necessário para a desejada partida para o México num Dezembro que parece longínquo demais, ou realçar os momentos alegres dos fins-de-semana, sempre tão curtos, mas espremidos ao máximo, para condensar em cada um deles, a essência das (ausentes) férias de Verão.
Optei pela segunda. Este fim-de-semana, o sol e o mar fizeram as minhas delícias e ainda tive tempo para fechar em grande o meu Domingo, saboreando umas sardinhas gordinhas, como se quer, ao som da pior performance possível: a especial actuação do tal Tino de Rans (verdadeiro suplício para os ouvidos dos presentes).
Fica por isso apenas esta nota negativa, que dirijo ao Senhor Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro de Penaferrim, para que atente com mais consideração ao programa das festas de Sintra. Quer dizer, a musiquinha de bolso, cantada por acordeonistas adolescentes, com rimas fáceis e de mau gosto até dá brilho às festas populares mas não queiramos ofender o nosso Santinho com estes mediáticos da televisão nacional.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

www.irrequietos.com


Estive a ver o seu perfil! Vote no Selo de Marisa Araújo


Hoje foi o último dia para votar.
Uma amiga aconselhou-me um dos presentes a concurso, bem bonito, por sinal, e que também mereceu o meu voto. Mas o meu amor pelos animais - no geral - e pelos cães - em particular - falou mais alto.

Não deixem de visitar!

lado lunar

Quando fui fechar as persianas para ir dormir fiquei presa pelo brilho que a lua cheia propagava. A sua luz imensa inundava o quarto e não resisti a abrir a janela para sentir melhor aquela luz, sim porque a luminosidade de uma lua cheia como a que estava ontem sente-se, arrebata.
Não sei como há quem consiga ficar indiferente à lua. Não tenho grande inclinação para o esoterismo ou para acreditar no poder dos astros, e até me incomoda esta minha fragilidade, que chega a roçar a fraqueza, mas a verdade é que não me apetece fechar os olhos a esta força da Natureza, como se a noite fosse muito mais rica e não pudesse ser desperdiçada com coisas menores, como o sono.
A lua é mágica do meu sétimo andar da mesma forma que é deslumbrante por cima da serra, a iluminar o palácio, ou a banhar os bairros velhos e irregulares da minha Lisboa, imbutida no céu negro. Gosto do campo, onde à lua se juntam triliões de estrelas, daquelas que não vemos por cá. Gosto de noites de praia cheias de lua - adorei as noites de praia que já vivi até hoje - em que podemos mergulhar no seu reflexo ou apenas contemplá-lo...
Caramba! Acho que nunca escrevi nada tão lamechas..
(agora ando com a mania do 'caramba' - por causa da minha vizinha de cima. Faz-me parecer mais adulta!)

a "energia positiva" das quinas

Escrevo repetidamente sobre a minha tendência para ser uma pessoa negativa nos aspectos mais práticos que se referem à minha vida pessoal, mas a verdade é que, inevitavelmente, essa conotação se reflecte em tudo o mais. Prefiro dizer que sou realista, mas já não contrario quem me diz que sou uma "deprê"...
Como milhares de pessoas pela blogosfera, vou dedicar hoje um bocadinho do meu tempo ao futebol.
Gosto muito de futebol. Percebo alguma coisa sobre as equipas, as classificações gerais, as regras do jogo em si. Interesso-me mais do que uma larga maioria das mulheres, mas não tanto quanto algumas outras. Tenho um clube de coração - claro! - que me faz "sofrer" muito mais do que a selecção, devo confessar. Há quem censure esta visão e eu estou-me borrifando. De qualquer das formas, o futebol constitui hoje em dia mais uma profunda desilusão e já deixou de ser desporto, entretenimento e paixão, para ser política, negócio, trend e corrupção... E por isso, muito tenho a apontar ao meu próprio clube. E evito contribuir financeiramente para enriquecer os seus cofres seja de que forma for. Não consigo é abdicar da imensa devoção que desde sempre senti, sem saber muito bem sob que influência - em minha casa não se falava nem se percebia muito de futebol.
Desde o Euro 2004, apesar de ter aproveitado alguns jogos para convívio com os amigos e ter também mergulhado nas multidões, que nunca percebi o favoritismo da nossa Selecção, quer para os portugueses, quer para a crítica internacional. Talvez não seja a melhor altura para escrever sobre isto, mas não é uma revelação e alguns amigos chamavam-me mau agoiro muitas vezes, só porque manifestava a minha opinião. Eu calava-me: não queria estragar a festa a ninguém e, claro, como todos, queria que ganhassem. Não tinha era tanta certeza se mereciam.
Actualmente, com uma equipa renovada e uma nova geração de jogadores, será que as pessoas que acompanharam a selecção ao longo deste Euro 2008 assistiram também aos jogos de preparação? Pergunto-me se a forma como a selecção se apresentou em determinados desafios agoirava grandes perspectivas..(?)
Temos o Cristiano Ronaldo, os brasileiros, um guarda-redes que brilhou sem luvas, num momento decisivo, miúdos com 'potencial' (para se tornarem multimilionários!) e, às tantas, não sabem jogar em equipa, pelo menos fora das suas equipas...
Fica a desilusão para todos, a compaixão dos sempre-fiéis emigrantes e, para mim, a não-surpresa. Para mim, fica o sentimento de que se fez justiça. Não fizeram o suficiente para ir mais longe e cometeram demasiados erros para se safarem. Estou há muito tempo convencida de que a selecção precisa SER grande, em vez de apenas PARECER a melhor..