quarta-feira, 16 de julho de 2008

soporífero sentimental

(ao deitar...)

Ela: Somos muito felizes não somos?
Ele: Somos, amor...
Ela: Quer dizer, apesar de termos os nossos problemas, personalidades diferentes e de nos zangarmos de vez em quando... temos muitas coisas boas, não é?
Ele: É bom sermos diferentes. Por isso é que somos tão felizes! Eu completo-te e tu completas-me...
Ela: Adoro-te!
Ele: E eu a ti, fofinha.

(a poesia apresentada em forma de fast-food... mas não deixa de ser poesia)

ver & ouvir - old fashioned way


Onde gostava de ter estado recentemente.
Fotos em: Tangra Mega Rock.

solicito que:

parem, por favor, de me enviar e-mails sobre os benefícios concedidos aos filhos de papás e mamãs das entidades públicas e governamentais, pela extensa lista de motivos que passo a enumerar:
1) Estou licenciada há mais de 5 anos e não exerço (nem de perto, nem de longe) a actividade profissional que era suposto;
2) Como agravante à 1ª alínea, isto não acontece por opção mas porque as alternativas metiam dó e chumbei à cadeira de masoquismo;
3) Não me sinto realizada com o meu trabalho;
4) Como forte agravante à 3ª alínea, este emprego também foi conseguido através de cunha (cunhazita, vá, que isto não é um tacho nem nada que se assemelhe) embora me reconforte pensar (nos melhores dias) que já justifiquei merecer o meu lugar e que sou eu que o mantenho e ele não me dá nada de garantido;
5) Tenho tendência para me enraivecer (à laia de Hulk, embora não fique verde) com o conteúdo desses e-mails, não por mim mas por aqueles que tiraram cursos universitários realmente difíceis e tiveram de estudar muito (nada o meu caso), e se vêem privados de revelar ao mundo o seu brilhantismo;
6) Porque fazer circular esses e-mails e ficar à espera de um milagre me deixa frustrada (fica aqui já o apelo para os que lerem: se quiserem uma manif radical - nada do tipo professores ou sindicalistas - para insultarmos esses chupistas e ganharmos direito a tempo de antena para revelar, sem censura, certas coisinhas... eu estou lá);
7) Porque tenho tendência para a depressão (e como já manifestei o meu emprego não ajuda);
8) Porque estão 30º lá fora e um sol maravilhoso e estou no tal emprego, sem perspectivas de férias para tão cedo e com algumas tarefas condicionadas pela ineficácia de outros e pela inércia associada à falta de estímulo.
...
Aparentando não manifestar uma real preocupação e reconhecendo a nula diferença que este post faz, a verdade é que nunca pensei, como agora, na verdadeira embrulhada em que este país está metido.

no segredo está a alma do negócio

... ou pelo menos que se dê crédito ao bocadinho de mistério que nos pode tornar menos previsíveis.
(Avisem alguém do Departamento de Comunicação do Benfica que isto de especular negócios promissores que depois caem por terra já começa a ser um bocado repetitivo - obrigam-me a dar como "bom exemplo" o Futebol Clube do Porto que só fala quando já sabe do que fala!)
Detesto que me obriquem a falar bem do FCP!

silogismos

Argumentação lógica perfeita, para Aristóteles.
Para mim, a forma mais fácil e conveniente de argumentar sem recorrer à razão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

karma

Gosto de acreditar que há coincidências. É mais racional e mais simples acreditar que há acontecimentos estranhos que sucedem por acaso, do que tentar descortinar os misteriosos desígnios que se levantam quando parece que as coisas têm uma explicação transcendente. É menos complicado admitir que são 'coincidências' do que assumir que há na sua ironia qualquer coisa de maquiavélico.
O conceito de Karma banalizou-se na nossa sociedade; apresenta-se como a noção do 'cada um tem o que merece' e utilizamo-lo para justificar as consequências das acções de alguém e a contrapartida das mesmas. As doutrinas Filosófica, Religiosa e Científica esforçam-se por sintetizar este conceito. As suas origens sânscritas apontam para uma tradução simples: karma significa acção. Se não fosse por mais nada, só por aqui se via que a religião católica não adopta de forma alguma este termo. Primeiro porque apela aos seus fiéis que dêem a outra face ao inimigo, recusando a crença de que a bofetada seja devolvida ao seu praticante com a mesma intensidade (embora fique sempre a pairar a ameaça de uma potencial recepção no Inferno, na hora do julgamento final); depois porque as orações nos incentivam a confessar os pecados por pensamentos, palavras, actos ou omissões...
Ora o Karma implica acção. O Karma deixa-nos livres para sentirmos, pensarmos e omitirmos o que quisermos. Do Karma pensado não podem resultar castigos, forças inversas, proporcionais aos nossos maus pensamentos. Nem irónicas coincidências.
Não é o Karma que me faz temer pela justiça divina e pela maldicência ou perversidade.
É a minha consciência.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

In your dreams!

Será que não há nos hipermercados os típicos bombons de Natal, da Ferrero e afins? Não tenho reparado nisso, mas espero que haja para aí uns restos, no Modelo ou qualquer coisa. Não importa se a qualidade não for excelente e não preciso de tabuleiros dourados, Ambrósios ou limusines. O que dava mesmo jeito era uma caixa de Baci (!), inteirinha, para comer até poder substituir este estado de espírito por uma culpa qualquer, tipo pecado da gula.
Dispenso é as dores de barriga que daí possam advir, era o que faltava!
E não é nada que duas aulas de Core ABS não resolvam..
Na quarta-feira à noite vou estar impecável.

pessoas II

Como é que se adquire o hábito de dar apenas um beijo na face, num país onde é tradição um par de beijos? Nasce com algumas pessoas, em determinados círculos?
Há no ritual de saudação de certos grupos esta distinção, onde todos, de uma forma natural e inata, se entendem com este código.
Não é chocante. Mas quando um outsider se infiltra, intencionalmente ou não, sente-se logo um atrito desconfortável, que começa exactamente aí, no segundo beijo que solta sem resposta.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Peppermint Patty


A Peppermint sempre foi a minha preferida.
Em miúda tive uma pequena Peppermint Patty de borracha, muito rija. Costumava entreter-me a mordiscar-lhe a franja saliente. A borracha era mesmo resistente porque nunca se estragou, mas não sei o que lhe fiz. Gostava de reaver a Peppermint.
Um dia vou criar uma personagem de BD famosa!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

liberdade de (ex)pressão

Indigna-me o fundamentalismo.
A democracia é a melhor forma de justificar o fundamentalismo, nos dias de hoje. O espírito da liberdade democrática permite a proliferação da ditadura opinativa e, tal como no tempo da censura mas por motivos opostos, não podemos fazer nada. Se antigamente existia um controlo rígido das massas e o fundamentalismo era proveniente de focos específicos e devidamente credenciados para tal, hoje - felizmente para as gargantas sequiosas - todos somos líderes de opinião e ouvem-se coisas do arco da velha.
Há teorias inacreditáveis, justificadas ou não - porque não é preciso -, pessoas que clamam para si o direito de fazer julgamentos com base no seu próprio exemplo e se insurgem contra as injustiças do mundo, normalmente em prol do seu umbigo e, de um modo geral, partem sempre de bons "princípios" (tenho muita dificuldade em compreender esta expressão).
Irrita-me particularmente que as pessoas afirmem determinada coisa em relação ao que o outro faz e lhe atribuam um motivo e um efeito, sem contemplações, como se fosse assim, líquido, dois mais dois. Irrita-me porque sou ambígua e gosto de o ser. Significa que não sou obtusa.
Não gosto do fundamentalismo que encontro na igreja católica e nas demais religiões; não gosto do fundamentalismo que rege os "princípios políticos" (a expressão assim ganha ainda mais corpo); não gosto do fundamentalismo considerado institucional. Mas este tipo de fundamentalismo é quase aceitável porque se herdou, é tradicional, tem raízes remotas.
Aquele que me aborrece mesmo, é o fundamentalismo que encontro em todo o lado, nas mentalidades: o de algumas pessoas casadas (as que vêem na união de facto uma desculpa para a irresponsabilidade e recusa de compromisso), o de algumas pessoas solteiras (as que vêem no casamento clausura e renúncia à própria liberdade), o de alguns heterossexuais (os que olham outras opções como desvios), o de alguns homossexuais (os que vêem na imposição de desfiles e paradas uma forma de se integrarem), o dos machistas e das feministas - normalmente pelos mesmos motivos.
(Cansa-me, enfim, enumerar o que me aborrece nesta sociedade de colunistas amadores.
Já quis ser colunista. Hoje em dia a ideia de impor as minhas opiniões faz-me perder essa vontade. Prefiro ser bloguista.)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

extensões


Não, este não é o Fox. Os olhos são maiores e é muito mais aprumadinho. Não coloco acessórios ao meu cão macho (ele já tem problemas que cheguem para competir com os bull lá da rua)! Mas tenho de admitir que até aqui o Lulu está mais bonito com o seu penteado natural do que o meu infeliz, vítima do Barbeiro de Sevilha em fúria!

gueixa


O espírito de sacrifício que a cultura nipónica ostenta é impressionante.
Não sou uma pessoa de pormenores e o detalhe causa-me, ao mesmo tempo, inquietação e fascínio.

oração do dia

Se eu conseguisse, se eu soubesse que todos quantos precisam de o ouvir, de o ler, de o saber, visitavam o meu blogue, faria das tripas coração para demonstrar que não se morre de amor. Que me perdoem os poetas; não os quero boicotar com a realidade - não quando eu própria, em alturas desatinadas, procuro na poesia cumplicidade para os meus lamentos - mas simplesmente não se morre de amor.
Isto não é novidade, é algo que todos sabemos mas que, em alguma altura das nossas vidas, para todos sem excepção, parece perder o seu carácter de verdade absoluta.

rotinas

Reparei há um tempo que existem nesta terra, vários estabelecimentos onde podemos registar o boletim do Euromilhões. Não sei se isto é necessariamente sintomático do que quer que seja. Há, claramente, muitos emigrantes, retornados de vidas passadas em França e na Suiça, que, obstinadamente, voltaram para construir as suas casas ricas, monstrengas e sem gosto, na sua terra natal. A periferia é composta, quase na totalidade, por pequenas indústrias: pedra, madeira, terraplanagem, serralharia... Em todos os restaurantes e tascas abunda gente da construção civil e vêem-se nos passeios mulheres de avental, que varrem diariamente as entradas das suas casas. Há escola, bombeiros, o jardim principal e até um coreto. Fosse esta uma terra que visse de passagem e até poderia considerá-la engraçada e pitoresca, com o seu pequeno mundo a pulsar sempre ao mesmo ritmo. Mas esta é uma terra que visito com regularidade e já me cansam as suas ruas, as suas gentes, a sua pequenez. Custa até a acreditar que o hábito não faz o monge quando, todos quantos lá pertencem, me parecem monotonamente iguais.

decisões

Fico vulnerável ao adormecer. À noite, quando me deito, a sentir o peso reconfortante da sua mão na minha anca, apetece-me sempre soltar algumas palavras antes que o sono me roube a possibilidade de o fazer. Coisas que se querem libertar ao longo do dia e que só têm aquela pequena margem de tempo para ser partilhadas. Inevitavelmente, quando acordo de manhã, a sensação que tenho é a de que sou submissa à lamechice.
Ontem fiz uma revelação. Contei-lhe o meu desejo. Rendi-me à perseguição de uma vontade que me esforço por contrariar em nome do bom-senso. Apetecia-me que esta vontade continuasse a ser só minha e não uma revelação pública, como se tivesse usado e abusado da única forma de desinibição que me estava vedada, por minha própria imposição. Agora já não é a minha vontade. Perdi-a, sem certezas de ter pensado nela o suficiente. Mais do que isso, fiz planos, cálculos mentais, contas de somar sobre esta sede crescente que devia permanecer platónica e que agora se transformou numa meta a atingir.
Não estou triste. Estou receosa e insegura. Agradava-me pensar sobre o assunto, era uma forma de regozijo interior que me alimentava. Agora desmistificou-se e obriga-me a dar um passo, do qual sei que é impossível arrepender-me, mas que assume proporções imensas, que me assustam.
...
(Só escrevo coisas desinteressantes e ilegíveis. São assim, os meus pensamentos constantes: enleados e confusos. Gosto de escrevê-los para, com sorte e alguma preocupação gramatical, tentar compreender-me melhor).

terça-feira, 8 de julho de 2008

pessoas

Incomodam-me as pessoas inexpressivas, que ostentam sempre o mesmo olhar indecifrável. Conheço pessoas assim, que me intimidam. Não são necessariamente carrancudas. Algumas, usam uma expressão de constante ironia, com uma espécie de ligeiro sorriso armado, independentemente do assunto que abordem. Não lhes consigo denotar stress, emoção, tristeza ou entusiasmo, a não ser quando soltam um desabafo de irritação ou uma frase divertida que, mesmo assim, contrasta sempre com a máscara constante que não deixa adivinhar o que lá vem. Intimidam-me quando olham fixamente, simplesmente porque olhar fixamente, a elas, não as perturba. Porque são imunes a emoções e nunca, jamais, se denunciam, a não ser que queiram mesmo. Dá-me ideia que nessas alturas perdem a cabeça e pensam "que se lixe! Um dia não são dias! Deixa-me lá soltar uma gargalhada!"
Mas chateiam-me mais as pessoas que, antagonicamente, se exprimem com alarido, que soltam gargalhadas estrondosas em situações que não o justificam, mostrando a quem está por perto que estão interessadas em dar nas vistas ou soltam palavrões ao mundo, para todos e para ninguém, porque lhes apetece partilhar o que sentem e o que não sentem. Ou então ralham, discutem e batem com as portas, sem pudor, porque lhes pisam os calos, sem atentar à sensibilidade de quem está presente. Entendo que, em relação aos primeiros, se podem esconder mistérios interessantes por debaixo da carcaça inflexível que lhes é inata, enquanto os segundos quase nunca têm nada cujo interesse justifique um espalhafato que fere.
Eu, como diz o poeta, não sei quantas almas tenho. Sinto-me almadiçoada com a capacidade de odiar alguém, ainda que por fracções de segundo, apenas porque dão gargalhadas despropositadas ou porque as suas expressões imutáveis não me permitem adivinhar-lhes o sorriso. Será que há quem me odeie como eu consigo odiar?
Gosto daquela franja de pessoas que consegue viver a vida com a classe de quem não se impõe aos outros na sua expressividade ávida mas cuja moldura física mostra as emoções que por dentro - onde está aquilo que realmente somos - se operam.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

life's good

Este fim-de-semana foi pecaminoso.
Começo pela delícia de jantar no vegetariano da Praça da Alegria http://www.jardimdosentidos.com/, que culminou com um fondue de chocolate daqueles de não se conseguir parar, sem esquecer o almoço de 'mar' no Clube Naval da Assenta, com muito peixe, muita salada e muito alto-astral e, por entremeio destas experiências sensoriais de excelência, muito sol e muita Praia - de S. Lourenço - com exfoliação de pés q. b. e até um imprevisto banho no "lago dos patos" (com água castanha, devidamente sinalizada com aviso de proibição recreativa mas capaz do milagre da multiplicação das bolas - de volley - e, estamos à espera, do milagre do rejuvenescimento capilar - confirmarei após resultados comprovados).
Os restantes pecados de fim-de-semana não são aqui de referir...
São estes fins-de-semana que fazem das segundas-feiras carrascos!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

falso índigo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_cores

Digam o que disserem, o invólucro do centauro do Banif é muito mais magenta ou roxo do que índigo. Na lista de cores da Wikipédia, confirma-se a minha teoria.

E isto revolta-me!

velhos hábitos, novos vícios

Tenho saudades dos tempos em que andava de transportes públicos e observava, fascinada, as pessoas à minha volta. Andar de transportes, para além de ser actualmente muito mais económico, tem a vantagem de nos alargar os horizontes muito para além do que estamos habituados quando conduzimos os nossos carros, sempre pelos mesmos percursos, a resmungar com quem anda muito devagar porque tem tempo, ou com quem anda a rasgar porque é cromo.
O comodismo de conduzir um automóvel em nada se compara à sensação deliciosa de nos deixarmos cair num lugar vago do autocarro, ao fim do dia de trabalho, e não ter de mexer um músculo, enquanto usufruimos dos cenários que se nos deparam. Ou sou eu que o digo, apenas por ter saudades de andar de transportes.
O que eu lia nas minhas viagens de metro para a estação de Arroios! Ansiava depois pelos finais de tarde em que passava a Portugália, de novo de livro na mão, até ao subterrâneo ou à paragem do 16, conforme a vontade, o trânsito ou os horários (que sabia de cor). Somos muito mais expeditos e desenrascados quando andamos de transportes públicos. Quando nos agarramos a um automóvel perdemos a criatividade e ficamos uns estúpidos, limitados a rádios medíocres, felizes por não termos de esperar 10 minutos numa paragem e realizados com a nossa perícia em conseguir estacionamento a uma distância de 10 metros da entrada do prédio, que tem 10 andares e onde cada vizinho tem, pelo menos, um carro.
O passe social é o nosso bilhete para a liberdade e só percebemos isso quando já fomos engolidos pelo comodismo enganador.

quotidiano

De tudo se devia conseguir fazer arte. Cada gesto devia ser sublime, cada palavra dita devia soar musical. Na sua simplicidade e por vezes até rudeza na forma de estar, há pessoas que me cativam. É como um cheiro que não se identifica, quase como acontece entre os animais; como um cio psicológico que nos prende reféns.
A rapariga da limpeza, no seu jeito singelo e até um pouco saloio, arrasta apressadamente a esfregona, com vigor, de um lado para o outro, deixando no ar um aroma a detergente floral, por vezes misturado com o odor bolorento dos fios gastos da Vileda. Outras vezes, em correria, circula de gabinete em gabinete com o seu pano e esfrega os vidros para lhes remover as dedadas. Recolhe o lixo dos caixotes da mesma forma pensada que o faz sempre, dando alguma lógica ao seu circuito diário. Enquanto isto, vai sempre falando, em tom de cavaqueira brincalhona e curiosa. Sempre recolhe algumas novidades e espalha outras tantas. Mete-se com as pessoas nos gabinetes, atira-lhes piadas e pisca o olho. Dá risadinhas e aparenta aquela alegria conformada das pessoas que se regem pela máxima de que tristezas não pagam dívidas mas, de vez em quando, lá vai soltando um suspiro ou outro e murmurando "é assim a vida!".
Não gosto que se meta comigo. Não me apetece dar-lhe as respostas efusivas e estridentes que ela gosta. Apetecia-me ser invisível para poder simplesmente observá-la, na sua agitação normal, com as suas piadas fáceis. É esse o seu desígnio misterioso que me faz refém e não a sua proximidade exagerada. Quando se aproxima muito e se ri para mim com os seus dentes pouco tratados, perde-se toda a magia da sua presença ali.