sexta-feira, 1 de agosto de 2008

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender.. (parte 2)

quando achava que não podia piorar, dou de caras com a Odete Santos nos seus devaneios... valha-me um santo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

lar

Lembro-me da terrina de loiça, barroca, com a sua tampa escultoricamente florida e as pegas de relevos fartos, da colher que irrompia, curvilínea, pela saliência da tampa e da travessa onde assentava o conjunto, de rebordos pomposos e padrões condizentes. Tudo numa enjoativa harmonia, por cima de um naperon desenhado, de fio simples, muito branco. De um lado, o cinzeiro pesado, de mármore esverdeada, em nuances. Do outro, a cigarreira alta, ainda mais pesada, de textura ondulada, da mesma cor. A mesa de madeira escura. As cadeiras imponentes, de pilaretes orgulhosos, pesadas, esculpidas. Os móveis altos, tão escuros como a mesa e as cadeiras, com puxadores brancos, de plástico, tristemente grandes e pobres de enfeites.
Gosto de voltar hoje à mesma sala onde vejo agora uma decoração mais fresca, que procura encontrar-se, harmonizar-se mais, todos os dias, em busca da combinação perfeita que (sei) nunca vai existir! E ainda bem, porque para onde quer que os rios corram, sei que tenho sempre aquela sala. Sei que aquela sala se compara, de alguma maneira, à minha evolução constante. E sei, sobretudo, que tal como eu, aquela sala vai ter sempre encerrada em si, a velha terrina e o cinzeiro de mármore.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

rua de estrasburgo

porque adoro caleidoscópios enquanto objectos ou porque ainda reside em mim algum saudosismo da caleidoscópio, deixo aqui um rasto da minha antiga "casa"..

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender...

Podia dizer que perdi ontem grande parte do Frente-a-Frente, na Sic Notícias, mas o pouco que vi faz-me concluir que não perdi nada. Ando a evitar ver e ouvir coisas absurdas e inaceitáveis da parte de pessoas que deviam dizer e fazer o bem pelo País, ainda que apenas como militantes ou deputados políticos. O caso da Joana Amaral Dias e da Teresa Caeiro é flagrante. Primeiro, porque o perfil político de cada uma delas está tão bem delineado que não precisamos que abram sequer a boca para automaticamente as encaixarmos no bloco partidário a que pertencem. Torna-se tão fisicamente óbvio que chateia! Depois porque é gritantemente permissível que programas potencialmente interessantes, como é o caso deste, sejam corrompidos pela ausência de conteúdo. Pior do que uma luta de lama entre PS e PSD só mesmo um debate pseudo-cordial entre gajas ou doutoras do Bloco de Esquerda e do CDS.
Valeu de qualquer coisa o Mário Crespo (que é tão frustrante como dizer que o homem do jogo é o árbitro).
E como o futebol parece surgir sempre de mãos dadas com a política, não tenho conseguido deixar de pensar ultimamente nos balúrdios inacreditáveis que se movimentam através das irreguláveis contratações de jogadores profissionais - que, cada vez me convenço mais, não deveriam ter este estatuto - e na imaculada impunidade do Sr. Pinto da Costa que, para todos os efeitos, é intocável no que à lei diz respeito.

terça-feira, 29 de julho de 2008

PRECISA-SE:

URGENTE!
Comentadores desportivos inteligentes e objectivos.
Não se aceitam candidaturas de autarcas ou ex-futebolistas.

Vaga actualmente preenchida por Quique Flores. Carácter: Temporário

OPORTUNIDADE:
c/ ou s/ experiência (preferencialmente mediático), para exercer funções indefinidas, com capacidade de discurso optimista e vencedor. Exige-se aos candidatos capacidade de fingir liderança e aceitação de lugar de risco com iminência de rescisão e possível abundância de periodos de humilhação semanal.

S. José

Madrugada de domingo, com o sol a querer nascer lentamente, num céu rosado.
Fui ao Hospital. A S. José, que é, no meu imaginário, o hospital dos Hospitais. É um dos mais velhos hospitais de Lisboa, para onde nos reencaminham quando a especialidade que precisamos não é contemplada nos outros, da periferia.
Passei no Martim Moniz adormecido e fui de encontro ao mundo morto-vivo de um amanhecer calmo nas urgências do hospital.
Depois das burocracias e de ver negada qualquer possibilidade de resolverem o meu problema, resignei-me a ser encaminhada para uma sala de observação, só porque sim. Percorri um corredor escuro, onde me cruzei com pessoas que gemiam, deitadas em macas estreitas e muito altas, desconfortáveis nos seus lençóis de goma, como que abandonadas. Lembrei-me dos hospitais de campanha dos filmes de guerra.
Por ali fiquei mais de meia hora, sentada na obscura sala, a ver o paracetamol pingar pacientemente.
Agradeci o facto de ter saúde. De ter saúde para trabalhar, para viver.
Pensei, uma vez mais, que não quero chegar a velha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

a day like today

Hoje é um dia triste.
Amanheceu feio, sem luz, molhado de chuviscos abafados.
Lembrei-me da Susana. Uma véspera assim, em Julho, é desesperante para uma noiva.
Mas a previsão metereológica segreda-me que a Susana não tem de se preocupar.
~
O dia continuou feio, o sol subiu e rodou mas sem se notar. A mesma luz opaca e sem cores.
As nuvens esfarrapadas aqui e ali deixam ver que, lá muito no fundo, há um céu muito azul mas num dia como hoje, não se acredita em céus azuis.
~
Hoje roubei uma vida. Sem querer... a vida, o alimento, a liberdade, a esperança, a música, o movimento.
Um pardal. Um pardalito pequenino que não voou acrobaticamente no último minuto, apenas porque lhe pesava o regalo que apanhava do chão. Era demasiado pesado.
Não percebi. Devia ter visto ao longe, quando avistei o pardalito, que ele não conseguia ser acrobata com aquele peso imenso no bico. Devia ter previsto e alertá-lo.
Ele também não soube prever...
Matei-o mas a sua morte também me matou a mim, um bocadinho.
Um dia que começou tão feio não podia anunciar nada de bom.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dave Matthews Band (& Tim Reynolds)



Até nem sou grande fã do senhor, mas devo confessar que esta música me entra pela alma dentro...

terça-feira, 22 de julho de 2008

breu II

Disseste-me que era o karma, ou castigo ou que eu tinha o que merecia... lá na Rua dos Pescadores, naquela loja de coisas giras que não podia comprar porque não cabem lá em casa.
Se calhar é o que mereço.
A mim soou-me pouco dignificante que o karma - que agora se me depara com frequência - assuma a sua potencialidade em algo tão pouco profundo como o sofrimento físico de uma recuperação de extracção dentária. Mas esta recuperação tem que se diga por isso se calhar é um exponencial máximo muito bem pensado.
No escuro em que me encontro (rodeada de frágeis cristais...) é-me muito mais difícil ter discernimento e clareza se estiver, ainda por cima, mergulhada no desespero desta dor insuportável.

breu

Não sei se precisas que fale ou que cale.
Não sei se queres espaço ou sufoco.
Não sei que faça que possa surtir efeito e aniquilar esse olhar inexpressivo.
Ainda se pudesse ter a certeza de que passa com o tempo... mas não sei.
Aguardo expectante, num espaço amplo onde não quero estar sozinha mas onde devo permanecer. Onde, pelo menos, não incomódo.
Estou num espaço gigante, enorme, mas a toda a minha volta existem cristais e tenho medo de me mover.
Tenho receio do que mais possa quebrar...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

repasto

Fui a casa almoçar:
fiquei a saber que o processo Apito Dourado terminou sem condenações, a não ser uma mão cheia de árbitros, coisa pouca, para dar o exemplo - porque Loureiros já são peixe graúdo;
fiquei a conhecer a história de um fulano a quem rebocaram o automóvel, estacionado no sítio do costume e com o dístico de autorização em vigor e bem exposto no vidro, e que anda às avessas com a EMEL para recuperar os noventa euros que teve de pagar há meses, para levantar a viatura;
soube também da (brilhante!) conclusão do FMI que diz que os portugueses vivem acima das suas possibilidades económicas (nunca diria!, eu, a única portuguesa que não tem um único cartão de crédito);
no seguimento desta informação, seguiu-se um especial sobre os saldos (reportagem normalmente feita em lojas do OeirasParque ou do CascaiShopping onde mostram um par de sapatos que custava €175 agora a €125, como boa opção para a carteira - acho mal passarem isto no Jornal da Tarde quando, para além de mim, quem está a assistir é uma população com pensões de €236, à espera da Júlia Pinheiro);
diz, ao que parece, que a novela ciganos vs negros também está para durar em Loures. Se a moda pega, estamos feitos;
e também disseram qualquer coisa sobre a Maddie que não me lembra: os meus ouvidos começaram a rejeitar de forma autónoma a 'informação' que já não toleram;
ainda fui a tempo de ver o Aimar fortemente aplaudido, de águia em punho e dá-me a ideia que a minha admiração pelo Rui Costa entrou num decréscimo irreversível.
Enfim, a noite passada acordei às duas horas para vomitar.
Hoje, após esta experiência, tomei a resolução de almoçar na cozinha, com os olhos pregados nos meninos ranhosos do calendário da Unicef.
Corro menos riscos de que a comida me caia mal.

defuntos

A minha mãe foi ao cemitério de Santa Íria levantar os ossos do meu avô. Acho esta expressão horrível, mas é assim que se diz na gíria funerária. Pagou uma batelada por este processo e vai juntá-los aos da minha avó, no cemitério da Amadora. Vão reencontrar-se, os meus avós, volvidos trinta anos.
Gosto de pensar que é um acto bonito. Consola-me.
Tenho receio de morrer e não ser cremada. Espero que me sobrevivam entes-queridos com vontade de satisfazer o meu derradeiro desejo.
Depois podem fazer de 'mim' o que quiserem. Em cinza já não serei nada e nenhuma perspectiva me angustia.
(Tudo isto daqui a muitos anos e depois de uma vida preenchida)

dor

Os efeitos de uma simples anestesia podem ser imensamente assustadores.
Ontem experimentei a aflição de chorar involuntariamente quando o que me apetecia era chorar com vontade e com expressão.
Chorar de um olho sem vida, que não pestaneja, não é chorar e não alivia a alma.
É castrador vermo-nos privados do nosso direito de chorar desalmadamente.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

soporífero sentimental

(ao deitar...)

Ela: Somos muito felizes não somos?
Ele: Somos, amor...
Ela: Quer dizer, apesar de termos os nossos problemas, personalidades diferentes e de nos zangarmos de vez em quando... temos muitas coisas boas, não é?
Ele: É bom sermos diferentes. Por isso é que somos tão felizes! Eu completo-te e tu completas-me...
Ela: Adoro-te!
Ele: E eu a ti, fofinha.

(a poesia apresentada em forma de fast-food... mas não deixa de ser poesia)

ver & ouvir - old fashioned way


Onde gostava de ter estado recentemente.
Fotos em: Tangra Mega Rock.

solicito que:

parem, por favor, de me enviar e-mails sobre os benefícios concedidos aos filhos de papás e mamãs das entidades públicas e governamentais, pela extensa lista de motivos que passo a enumerar:
1) Estou licenciada há mais de 5 anos e não exerço (nem de perto, nem de longe) a actividade profissional que era suposto;
2) Como agravante à 1ª alínea, isto não acontece por opção mas porque as alternativas metiam dó e chumbei à cadeira de masoquismo;
3) Não me sinto realizada com o meu trabalho;
4) Como forte agravante à 3ª alínea, este emprego também foi conseguido através de cunha (cunhazita, vá, que isto não é um tacho nem nada que se assemelhe) embora me reconforte pensar (nos melhores dias) que já justifiquei merecer o meu lugar e que sou eu que o mantenho e ele não me dá nada de garantido;
5) Tenho tendência para me enraivecer (à laia de Hulk, embora não fique verde) com o conteúdo desses e-mails, não por mim mas por aqueles que tiraram cursos universitários realmente difíceis e tiveram de estudar muito (nada o meu caso), e se vêem privados de revelar ao mundo o seu brilhantismo;
6) Porque fazer circular esses e-mails e ficar à espera de um milagre me deixa frustrada (fica aqui já o apelo para os que lerem: se quiserem uma manif radical - nada do tipo professores ou sindicalistas - para insultarmos esses chupistas e ganharmos direito a tempo de antena para revelar, sem censura, certas coisinhas... eu estou lá);
7) Porque tenho tendência para a depressão (e como já manifestei o meu emprego não ajuda);
8) Porque estão 30º lá fora e um sol maravilhoso e estou no tal emprego, sem perspectivas de férias para tão cedo e com algumas tarefas condicionadas pela ineficácia de outros e pela inércia associada à falta de estímulo.
...
Aparentando não manifestar uma real preocupação e reconhecendo a nula diferença que este post faz, a verdade é que nunca pensei, como agora, na verdadeira embrulhada em que este país está metido.

no segredo está a alma do negócio

... ou pelo menos que se dê crédito ao bocadinho de mistério que nos pode tornar menos previsíveis.
(Avisem alguém do Departamento de Comunicação do Benfica que isto de especular negócios promissores que depois caem por terra já começa a ser um bocado repetitivo - obrigam-me a dar como "bom exemplo" o Futebol Clube do Porto que só fala quando já sabe do que fala!)
Detesto que me obriquem a falar bem do FCP!

silogismos

Argumentação lógica perfeita, para Aristóteles.
Para mim, a forma mais fácil e conveniente de argumentar sem recorrer à razão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

karma

Gosto de acreditar que há coincidências. É mais racional e mais simples acreditar que há acontecimentos estranhos que sucedem por acaso, do que tentar descortinar os misteriosos desígnios que se levantam quando parece que as coisas têm uma explicação transcendente. É menos complicado admitir que são 'coincidências' do que assumir que há na sua ironia qualquer coisa de maquiavélico.
O conceito de Karma banalizou-se na nossa sociedade; apresenta-se como a noção do 'cada um tem o que merece' e utilizamo-lo para justificar as consequências das acções de alguém e a contrapartida das mesmas. As doutrinas Filosófica, Religiosa e Científica esforçam-se por sintetizar este conceito. As suas origens sânscritas apontam para uma tradução simples: karma significa acção. Se não fosse por mais nada, só por aqui se via que a religião católica não adopta de forma alguma este termo. Primeiro porque apela aos seus fiéis que dêem a outra face ao inimigo, recusando a crença de que a bofetada seja devolvida ao seu praticante com a mesma intensidade (embora fique sempre a pairar a ameaça de uma potencial recepção no Inferno, na hora do julgamento final); depois porque as orações nos incentivam a confessar os pecados por pensamentos, palavras, actos ou omissões...
Ora o Karma implica acção. O Karma deixa-nos livres para sentirmos, pensarmos e omitirmos o que quisermos. Do Karma pensado não podem resultar castigos, forças inversas, proporcionais aos nossos maus pensamentos. Nem irónicas coincidências.
Não é o Karma que me faz temer pela justiça divina e pela maldicência ou perversidade.
É a minha consciência.