domingo, 10 de agosto de 2008

Isabel (I)

Quis o destino que passasse a tarde de sexta-feira nas urgências de um hospital, como já se vem tornando habitual, muito embora, desta feita, tenha sido como acompanhante. Nunca é uma experiência enriquecedora mas tem oferecido matéria para me debruçar.
Desta vez, sem qualquer reclamação que não a do aborrecimento da espera, agarrei-me a um exemplar do Destak, publicação de distribuição gratuita, arrependida de não trazer na mala um dos livros de cabeceira...
Não li mais que a página 2. O editorial da Isabel Stilwell tentava supostamente animar aqueles que não têm férias em vista (o meu caso) e chamar a atenção para os inconvenientes de estar de férias (que também os há). Claro que sim. E o tema até me interessava, mas depressa se desvaneceu o meu entusiasmo.

sábado, 9 de agosto de 2008

magnifique! uma pérola...

Quando me sentir mais mordaz, falo-vos do Editorial da Isabel Stilwell, no Destak de ontem...

família

Na rede me baloiço. Sinto a brisa quente do dia de hoje e vejo-me alheia ao riso das crianças, ao ladrar dos cães, às conversas soltas.
Rodeada de verde, oiço o espanta-espíritos ao longe.
A única coisa em comum com os últimos dias é a fidelidade ao meu blogue.
O meu blogue, uns dias o altifalante que solta as palavras de partilha, outros o buraco fundo para onde cuspo o que não quero anunciar...
Vou aproveitar esta brisa. Fechar os olhos e, para variar, confortar-me com a sensação de que, normalmente, quando passo por aqui, estou enclausurada e rodeada de economato.
Hoje não tenho de imaginar realidades.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

digno de registo

comentário da repórter em directo para o canal x, por volta das 21h30:
"... resta apurar quais são as motivações dos dois assaltantes que se encontram no interior da dependência, se resultam do factor necessidade ou se são de outras naturezas" (?)

... pois concerteza que é de ficar aborrecido!

... anda o Banif a dar um novo significado à cor índigo e a multiplicar centauros pelo país, para vir esta brasileirada fazer publicidade gratuita à concorrência. Não me parece nada bem...

BES

Finalmente informação interessante!
Quais maddies, quais futebóis, quais 'ferreiraleitismos'! Assaltos a bancos é que é, com reféns, suspense e teorias analíticas do Observatório da Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (nem sabia que tinhamos disto!)
E agora com o Tropas de Elite finalmente nas luzes da ribalta, tudo faz sentido...!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

alaska

He made his way back to the old town
And everything looked just the same
The shops and the schools and the factories were there
But somehow the faces had changed

So he went for a walk in the high street
Took his coat off and rolled up his sleeves
He thought of his father and his father before him
And how he was the first one to leave

Well he didn't come here for forgiveness
There isn't a lot they can say
'Cause I remember the reasons
he first ran away

He's a rebel
Just a rebel
Got his back to the wall
Gonna fight 'til he falls
He's a rebel

Don't ever look back - don't surrender
The old men say they've seen it before
Oh they drink their beer and they talk about friends
Who didn't come back from the war

Don't say he's too young to remember
Don't tell him what's wrong or what's right
Just give him a chance to go out there and fight

He's a rebel
Just a rebel
All the battles are won
But he's still on the run
He's a rebel

When it comes time for leavin'
Don't stand in my way
There's nothin' left for me here
Gonna run, run away

In the morning he walks past his old house
In the rain under gray northern skies
There's a new coat of paint on the front garden gate
But there's more here than first meets the eye

For a moment he stands undecided
Looking back on the days of his youth
As two worlds collide in a moment of truth

He's a rebel...

'Rebel', in Into the Fire - B. Adams

Sempre gostei desta música. Tenho pena de não encontrar o vídeo (provavelmente não existe).
Quando a oiço, imagino o nevoeiro de uma vila pescatória, de um país nórdico.
Se vivesse nesta vila, vestia camisas de flanela grossa e calçava botas da Cat, amarelas. E atava os cabelos, para não se indisciplinarem com a excessiva humidade do ar.
Este vídeo devia ser gravado no Alaska.

um doce!

Dedicar dois dias à casa e poder respirar de alívio. Ir à esteticista e tomar um banho de auto-estima. Fazer umas comprinhas, daquelas terapêuticas, coisa pouca. Olhar em volta e pensar que não negligenciámos uma migalha. Exorcisar os fantasmas do trabalho.
É difícil viver com esta mulher que sou.
Enfim, vou voltar ao trabalho, que se acabou a pausa...
"
(a frase da Cláudia não me sai da cabeça: "a água aqui está um caldo!")

usurpação de poderes divinos

Durante quanto tempo é legítimo fazermos o outro esperar pelo nosso perdão?
Se errar é humano, devia considerar-se desumano o tempo de luto a que forçamos os outros que esperem pela nossa misericórdia.
As pessoas não sabem perdoar.
Foi para isso que se inventou Deus...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Drª Maria de Lurdes Rodrigues

É oficial. Foi publicada em Diário da República a decisão já tomada pelo ministério de atribuir um prémio de 500 euros ao melhor aluno do ensino secundário, quer na vertente científico-humanística, quer na profissional ou tecnológica.
Sou a única pessoa a achar esta ideia repugnante?
De tão estúpida chega a ser imoral e, francamente, quando já pensava que nada me surpreendia nesta política de educação, tenho de me baixar para apanhar o queixo do chão...
Mesmo que rebusque lá bem no fundo, não me surge nada de positivo que possa dizer sobre isto. No meu tempo já achava estranho que alguns colegas fossem exageradamente recompensados pelos pais quando passavam de ano (às vezes à rasca!), e pensava que os meus eram uma espécie de progenitores em via de extinção por considerarem que as suas filhas não faziam mais do que construir algo de bom para si próprias ao passar de ano com boas notas. O meu sucesso escolar deixava-os orgulhosos, mas não implicava uma obrigação moral de atacar o orçamento familiar. E ainda bem que assim foi!
Antigamente, os miúdos pediam, receosos de um não, a satisfação de caprichos menores. Hoje, são os pais que impingem brinquedos e merdinhas para conseguirem dez minutos de sossego.
Agora, até a idiota da ministra passa cheques, com carimbo de atestado de estupidez, para os mais inteligentes (também deve vigorar na Carolina Michaelis)! E fá-lo com aquela expressão que mais parece dizer: "vamos lá a aumentar a média para acompanhar a europa! No fim do ano, podes queimar esta guita toda em toques polifónicos!"
Se tivesse jeito, fazia aqui uma caricatura, que é o que este post precisa!
Palavra de honra..

serendipity

A todo o momento descubro, acidentalmente, que te amo... over and over again!

verdes anos

Às vezes, mergulho nas fotos do teu passado. Fotos que não me pertencem, onde me sinto insecto. Sei que não contribuí para os sorrisos e os sentimentos espelhados. Sei que são noutra vida, sem a minha presença. Reconheço-te mas és um estranho; vejo-te como se te conhecesse desde sempre mas sei que não estava lá e também eu sorria e sentia noutras paragens, com outras gentes. Parece que havia um mundo tão grande pelo meio!
Mas não. Esse mundo era só um estreito, muito ténue e destinado a diluir-se.
Os sorrisos, os sentimentos, os rostos e as fotos valem o que valem, pesam o que pesam. Podem ter um peso insustentável ou ser apenas o pedaço de vida na proporção ideal que nos construiu até nos encontrarmos...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amália...

Gostava muito de ti.
Tive pena que morresses.
Oiço, emocionada, a tua voz gravada nas velhas películas.
Chateia-me só um pouco que tenhas tido uma vida tão cheia.

Por tua causa, estou sozinha à noite...
Sim, por tua causa!

letras



"O que é Nacional é Bom!"

E se for da colheita de 79, então...!

(a ver vamos!)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

impaciência

Curiosa esta nossa vontade de ter controlo sobre o tempo.
Sou particularmente sensível às diferentes perspectivas que a velocidade do tempo nos oferece. O relógio de areia angustia-me pelo estreito a que é condicionada a passagem dos seus grãos. Asfixia-me aquele atraso forçado da descida das pequenas partículas, principalmente quando estou aqui fechada. Sou muito mais que este espaço, e aqui encerrada sinto-me um grão de areia, num ínfimo estreito.
Porque se parte a ampulheta quando estou lá fora e sou feliz?
Aí, a areia desce em derrocada, como uma cascata. O tempo deixa de ser composto por partículas sólidas que se amontoam, e transforma-se em matéria líquida, que estreito algum pode conter.
A felicidade é rebelde, como a água.

o senhor que se segue

Pois bem, o feiticeiro não morreu (não me espanta), mas pelo menos 'vitória! vitória! acabou-se a história', porque os meus horizontes literários urgem por mudança.
Assim, amiga Cláudia e caro Rui de Brito, avanço, a todo o gás, para o 'vosso' Banana Split!
(Perdoem-me a demora!)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

alexandre & sofia

são os fedelhos mais insuportáveis do planeta!
ou têm a pior mãe de todos os tempos...
seja como for, eu acordo...

a pilha está a crescer na mesa de cabeceira

Estou em pulgas para saber se afinal de contas o Harry Potter morre ou não.
Parte de mim deseja ardentemente que sim, e até a que não deseja vai ficar extremamente desapontada se isso não acontecer...
A minha privação de outras literaturas devido a esta teima de 600 páginas já começa a irritar-me!

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender.. (parte 2)

quando achava que não podia piorar, dou de caras com a Odete Santos nos seus devaneios... valha-me um santo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

lar

Lembro-me da terrina de loiça, barroca, com a sua tampa escultoricamente florida e as pegas de relevos fartos, da colher que irrompia, curvilínea, pela saliência da tampa e da travessa onde assentava o conjunto, de rebordos pomposos e padrões condizentes. Tudo numa enjoativa harmonia, por cima de um naperon desenhado, de fio simples, muito branco. De um lado, o cinzeiro pesado, de mármore esverdeada, em nuances. Do outro, a cigarreira alta, ainda mais pesada, de textura ondulada, da mesma cor. A mesa de madeira escura. As cadeiras imponentes, de pilaretes orgulhosos, pesadas, esculpidas. Os móveis altos, tão escuros como a mesa e as cadeiras, com puxadores brancos, de plástico, tristemente grandes e pobres de enfeites.
Gosto de voltar hoje à mesma sala onde vejo agora uma decoração mais fresca, que procura encontrar-se, harmonizar-se mais, todos os dias, em busca da combinação perfeita que (sei) nunca vai existir! E ainda bem, porque para onde quer que os rios corram, sei que tenho sempre aquela sala. Sei que aquela sala se compara, de alguma maneira, à minha evolução constante. E sei, sobretudo, que tal como eu, aquela sala vai ter sempre encerrada em si, a velha terrina e o cinzeiro de mármore.