terça-feira, 19 de agosto de 2008

excerto do livro que ainda não comecei a escrever

Entrar em casa transmitia-lhe aquela sensação agradável de tranquilidade.
O dia acabava, estava entregue a si próprio, sem ter de se impôr qualquer postura ou dar satisfações de qualquer tipo. Resmungara, para trás, com condutores anónimos que eram todos azelhas, sem excepção. Sabia que não era assim, mas era assim que o sentia.
A tranquilidade do regresso, porém, não é algo permanente.
Sabe que, de alguma forma, partilhar a sua vida significa sempre ter de se impôr uma postura e ter de dar satisfações. Sabe que esperam de si, que deve cumprir aquilo a que se votou. Baila-lhe muitas vezes no pensamento a questão. Será que vale a pena? De que é que se abdica e o que é que se ganha em troca?
Encolhe os ombros. Sabe que a vida é um jogo irónico. Há muito que sabe isto.
Sabe que há duas respostas para a primeira pergunta e que elas alternam entre si, muitas vezes, ao longo dos anos.
Não é um conformado mas tem perfeita noção de que a vida é feita de pesos opostos e aprendeu a saborear cada momento solto de felicidade com a intensidade de quem está consciente de que ela não é constante.

teorias do flip-flop

Dá-me graça é a malta que acompanha os jogos olímpicos, de fio a pavio, sentada no sofá com a cerveja na mão, num misto de dedicação patriótica e fidelidade crítica.
Dá ideia que, muitos, até gostam de ver as más classificações dos atletas portugueses para poderem chamar-lhes calões e acusá-los de ser um reflexo do país.
Sim, deste 'país miserável' de calões em tronco nu, sentados no sofá a ver os jogos olímpicos.
É uma pescadinha de rabo na boca.

quereres

Tanto ainda para aprender, que queria ser criança.
Queria saber que o meu corpo vai crescer mais, na medida dos conhecimentos que quero engolir - não sei se tudo isso caberá agora numa massa física que já não se expande.
Este tempo que é carrasco, tão cedo! Contrario o que sinto com a razão de que três décadas são, afinal de contas, pouco tempo. Mas trago na alma a marca daqueles que partiram sem viver este tão pouco tempo, bem como a convicção de que é fácil sermos nada, de súbito, levados num momento.
Quero tanto, tanto. Quero mais do que o que tenho. E quando tenho mais, ainda não estou satisfeita.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

... e parabéns à Vanessa!

por sobreviver, com distinção, à que considero a prova mais extenuante de todas!
é uma senhora!

Obikwelu

deixa-te disso, Francis...!
não sei como é na Nigéria mas já devias saber que, por cá, ninguém pede desculpas por não cumprir ou corresponder... e ninguém espera que o façam, de maneiras que deves ter deixado muita gente de boca aberta pela gentileza e pelo profundo reconhecimento ao país.
digo mais, a verdade incontornável é que se pensássemos no investimento que se faz no futebol, exigíamos a toda a hora pedidos de desculpa daqueles que não fazem, de facto, o seu trabalho.
da tua parte, o trabalho foi feito.
às vezes os deuses fogem para outras paragens!

eis senão quando...

... na interminável fila de carros da avenida principal da Ericeira, hora de almoço soalheira, a dar início a uma grande tarde na praia do sul, me vem parar ao colo, por enviado especial de serviço ao semáforo de S. Sebastião, novo exemplar do Destak - que isto até parece perseguição e já não acredito em acasos.
a editora volta a debruçar-se sobre o tema 'férias' e volta a fazê-lo numa abordagem estereotipada e "hiperbolástica".
das duas uma: ou a Isabel Stilwell tem um trauma recalcado com as férias de verão ou está simplesmente resignada a fazer deste um periodo non grato aos olhos de quem a lê.
aos meus não! a única coisa que me tem estragado as férias é ainda não as ter tirado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

easy, easy! (answer)

You have no sense of humor, whatsoever!
It's the eyeliner, of-course!!

bola de cristal

Descobri, enfim, o meu ascendente.
Capricórnio, segundo especialistas on-line, tão fiáveis quanto possível.
Não sei se é bom. Fiquei mais ou menos na mesma. Há signos sobre os quais sei muita teoria e dos quais conheço muita gente - resultado de picos de reprodução e fecundidade calendarizados, alguns com certa lógica, outros nem tanto. Capricórnios não conheço muitos, quase nenhuns.
A astrologia é provavelmente a ciência em que menos acredito mas que mais curiosidade me inspira. Não faz sentido nenhum. A música, por exemplo, é credível e desperta grandes e óbvias realidades: aprender a tocar chamou-me a atenção para os malefícios da sofreguidão crónica da qual padeço. E é preciso ter atenção a estes sinais e tentar seguir os conselhos de quem sabe.
Será a sofreguidão uma característica dos Touros com ascendente em Capricórnio?
Não acredito nestas coisas, mas se vir isto escrito para aí em qualquer lado, sei que vou pensar 'olha, olha! quem diria?'...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

vilão

Depois do estigma da bichice, em Brokeback Mountain, Heath Ledger deixou que o estigma de junkie o derrotasse de vez e da pior forma.
Mesmo para quem não gosta de películas de super-heróis (o meu caso), devo admitir que Gotham City nunca mais vai ser a mesma desde que perdeu, para sempre, este joker.

fácil, fácil!

O que têm em comum Quique Flores e Nestor Carbonell?

hey, you

talvez até possas ajudar-me com uns acordes.
tanto gostavas de os tocar, quando os blues de antigas paixões chamavam por ti.
ou só tocas quando estás triste? e será que estares comigo é sinal que não tocas mais?
não quero que assim seja.
preciso de ti para sair da sombra e da insegurança.
para ser uma estrela.

james



Whenever she's feeling empty
Whenever she's feeling insecure
Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore

Her shadow is always with her
Her shadow could always keep her small
So frightened that he won't love her
She builds up a wall

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

She's been in disguise forever
She's tried to disguise her stellar views
Much brighter than all this static
Now she's coming through

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

Don't tell her to turn down
Put on your shades if you can't see
Don't tell her to turn down
Turn up the flame
She's a star
She's a star

It's a long road
It's a great cause
It's a long road
Its a good call

You got it
You got it
She's a Star

há dias em que esta música dói, há dias em que dá gozo
não há dia em que me seja indiferente

acordes

os dedos estão doridos e dormentes. descobri que, afinal, até nem são assim tão pequenos e que é mais importante o tamanho da força de vontade do que o das falanges. não se fez magia, nem sequer ainda se fez música mas acho que se fez luz. a porta está entreaberta... e parece que tenho potencial, ou então é só um toque de encorajamento. seja como for, vou entrar. preparar-me para enfrentar as cordas irregulares (difíceis!) que me farão achar as outras um figo (sim, como tirar a carta num carro sem direcção assistida) e usufruir do som especial da guitarra que me vai servir de rampa de lançamento...

vale a pena, se a alma não for pequena... as mãos, é o menos!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

aos brilhantes!

o sentido de humor um pouco questionável, uma crítica mais acesa ou pouco fundamentada, uma entrada com menos propósito ou mais irrelevante, não apagam um sensibilidade do tamanho do mundo.
que não se descrimine a utilidade do objecto em função do despropósito de quem lhe dá uso.
há dias mais cinzentos e as férias, ainda longe, começam a constituir um tormento.
juro que na minha casa já reina a insanidade de um cansaço desmedido.
e a minha incoerência já começa a ser reveladora disso mesmo.

(à)parte

Sou muito sensível a determinados adjectivos ou caracterizações. Detesto, por exemplo, que num contexto estético, chamem à cor do meu verniz vermelho sangue-de-boi. Vermelho rubi-profundo é muito mais adequado. E o tom deve ser ela por ela.

egoïst

Na perspectiva de mera observadora, incomoda-me que hajam pessoas que reduzem o conteúdo das suas vidas à presunção do iminente falhanço sentimental. Conheço pessoas assim, que me procuram para me perguntar o porquê. É uma busca desesperada. Sinto que se agarram a mim, como que a uma bóia, na tentativa de que a minha resposta seja a salvação. Não entendem que não há salvação nos meus conselhos, nas minhas respostas. Apetece-me gritar-lhes que é óbvio. Que enquanto as suas vidas se resumirem à constante procura de resposta para a pergunta 'porque sou um falhado?', nunca vão realmente viver. Incomoda-me mais ainda assumir que são amigos, estas pessoas que nos valorizam pelas respostas apaziguadoras que lhes damos em momentos de maior desatino e aflição. Amigos que nunca sorriem connosco e apenas nos procuram para nos mostrarem que, ao contrário de nós, que somos sortudos e amados, eles continuam sós e miseráveis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

beijing


there are nine million bicycles in beijing.
that's a fact...

venha lá quem vier, os chineses, enquanto povo, são extraordinários.

como comerciantes no ocidente, são um fungo... com forte cheiro a incenso.

não é justo.

café forte

Ao longo do dia: maçã e chá branco, em estado líquido e transparente, supostamente saudável e inibidora do apetite. Cheia de conservantes e aromatizantes. Não acredito que seja mais saudável do que a canalizada, mas pelo menos é água. Não acredito que seja inibidora, mas é doce por isso bebe-se mais e fica-se mais cheio.
Bolachas. Integrais, com sabor a limão. Gosto de limão.
Muitos jantares constituídos por sopas ou saladas, apenas porque sabe bem.
Ginásio-sim, ginásio-não (com remorsos nos periodos mais extensos de ginásio-não).
Peixe, peixe, peixe. Muito mais do que carne. Inveja do peixe no prato ao lado.
Maracujás, às colheradas, este fim de semana.
Rituais que não se confundam com dietas!
Apetece-me fazer coisas. Mais coisas. Muitas coisas. Canso-me e apetece-me cansar ainda mais, com coisas diferentes.
Depois quero dormir bem e descansar de tudo, mas dou voltas e voltas e sonho com musgo e outras coisas estranhas. Por causa da sopa, da salada, do calor, da culpa do ginásio-não...
E de dia tenho sono, muito sono e subo a escada com a garrafa de Vitalis maçã e chá branco, desta vez cheia de água normal. Sinto-me eu própria dentro de um aquário e vejo as coisas distorcidas à minha volta, de tanto sono.
Detesto este meu sono e as drogas que mo provocam.

troféus de bolso

Os Torneios do Guadiana, de Braga e de Guimarães foram distribuidos pelos três grandes para ninguém partir em desvantagem. Esperemos por uma época harmoniosa e competitiva!

domingo, 10 de agosto de 2008

la musique

A iniciação às Artes Mágicas fica, por obra do destino, adiada até terça-feira.
Prometo ir deixando novidades...