sexta-feira, 29 de agosto de 2008

hasta

ao que sei agora, estarei afastada uns dias.
mas pode acontecer que não.
não vou gostar de perder este contacto cada vez mais vital mas espero que sim, espero afastar-me.
é bom sinal.
mas não sei.
se estiver por cá amanhã, ou depois, quer dizer apenas que pode sempre acontecer uma coisa ou outra e que, uma vez mais, aconteceu a que menos espero.

se isto não chega temos o mundo ao contrário...

de quantas mais "coisas" para usar, para exibir, para olhar, para nada servir?
de quanta ambição? de que tipo de ambição?
os objectivos que se atingem são imediatamente substituídos por novas 'necessidades'.
hoje temos o queríamos ontem, mas reparamos que ainda não é suficiente.
Vacilo entre parar e valorizar o que já se alcançou ou avançar mais para o próximo desafio, a próxima experiência.
os valores estão trocados.
*
ontem escrevia sobre coisas simples.
mais tarde, deparei-me com escolhas difíceis. cada decisão com a sua consequência, o seu 'peso'.
e tudo deixou de ser simples.
vi os meus momentos simples fugirem-me num horizonte temporal que soava a eternidade.
*
gostar de ti, gostares de mim... nem sempre chega.
temos o nosso mundo ao contrário.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

quando as saudades apertam...

... oiço as gargalhadinhas exageradas e vejo aqueles olhitos chineses e o nariz arrebitado.
lembro-me da meiguice dos gestos, da ligeireza do andar e da boca sorridente com dentes desalinhados.
quase que lhe sinto o cheiro!
adoro a minha trigueirinha.

coisas simples

São boas, as coisas simples.
Não nos pedem nada em troca e acontecem de acasos. São simples por isso mesmo.
Não se planeiam, não se elaboram e sobre elas não se criam expectativas. Sucedem-se com maior ou menor frequência e trazem-nos felicidade.
Idealizo coisas simples, anseio por elas, mas isso destrói-lhes a simplicidade.
Forço-me a não ansiar por elas, mas de vez em quando não resisto e vou espreitar o quadro que trago na minha imaginação.
Esse quadro está sempre a mudar. Às vezes é uma noite quente de passeio e sorrisos cúmplices; outras, um dia grande cheio de luz, gente e gargalhadas. Às vezes é um livro ou um écran de histórias. Outras vezes é um cobertor e chuva numa janela.
Mas forço-me a não ansiar.
Hoje, amanhã, depois... não vou espreitar o quadro.
Não quero saber as coisas que me esperam, desde que elas estejam lá, para me fazer feliz, na sua simplicidade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

imagem a quanto obrigas

Hillary Clinton sai-se muito melhor como apoiante de Obama do que o fez como sua opositora

informações úteis

a Comissão de Protecção de Vítimas de Crimes Violentos diz que são poucas as pessoas informadas de que podem recorrer a esta organização para pedir indemnizações em consequência da agressão a que foram sujeitas.
três coisas a dizer sobre isto:
primeiro, acho que a maior preocupação deve ser a de pedir justiça célere aplicada a quem comete estes crimes;
segundo, parece-me que isto fará com que muita gente comece aí a fazer-se ao murro (que isto nesta sociedade há de tudo!);
terceiro, creio que esta divulgação constitui certamente uma tentativa desesperada de acabar com os assaltos a dependências bancárias, CTT's e postos de abastecimento da linha de Sintra e do distrito de Setúbal.
eis que surge finalmente uma fonte de rendimento alternativa com vista a compensar as soluções que não se conseguem arranjar para o combate à violência (passo a ironia da expressão...)

mera coincidência...

*
http://ww1.rtp.pt/desporto/index.php?t=Benfica-homenageia-todos-os-atletas-olimpicos-do-clube.rtp&article=165094&visual=5&tm=13&Top=17Benfica
*

o facto de Vanessa Fernandes, Nelson Évora e Dí Maria (este ao serviço da selecção Argentina) serem todos atletas do Benfica - e os únicos medalhados em Pequim no que a clubes portugueses diz respeito - nada tem a ver com esta homenagem.
não.
esta é uma homenagem a todos os atletas do Benfica presentes nos Jogos. sem excepção.
aliás, a menina que está na foto é a judoca acusada de ter mau perder, porque seria de um óbvio mau gosto colocar mais uma foto do Nélson com a bandeira nos braços. seria tendencioso e descriminador.
pelo menos, dê por onde der o derby da luz, a noite vai ter glória benfiquista.

Italia mia!

não sei se quero perder esta ilusão de que a Itália é um misto delicioso de gritos suados e griffes cosmopolitas; de classicismo urbano e romantismo rural; de sol e de sombra; de cheiros gastronómicos e contrastes geográficos.
talvez tenha um imaginário fértil que quero continuar a alimentar.
é que, por mais que tente dissuadir-me de que a Itália é o meu paraíso idílico, com argumentos políticos ou sociais, simplesmente não consigo.

o título impensável

Pequim 2008
"Prestação portuguesa foi a melhor de sempre"
*
temos, portanto, que não temos...
*
a intenção de recandidatura de Vicente de Moura está também no segredo dos deuses, mas eu aposto numa 're-abertura' a esta possibilidade, agora que o desfecho da participação lusa foi brilhantemente condecorado e os atletas afinal nem são todos uma cambada de dorminhocos.
*
e se é verdade que podíamos ter pontuado mais, não deixa de ser um facto que o povo gosta é de ouvir o hino com a lágrima no olho... nem que seja só uma vez.

Obama acena à família

Citando o meu amigo Vale: "A América é linda, puto!"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

fantastic symphony

há dias em que a palavra não sai. o facto de pensarmos em português turva-nos a transposição e revolta-nos as entranhas se alguma coisa quer sair.
como vomitar: sabemos que alivia mas custa sentir o seu sabor amargo.
as palavras são amargas quando falam de alguns sentimentos.
queria sentir em português e vomitar tudo em khmer, em marati, em urdu, em gujarati, na aspereza desconhecida desses dialectos que não entendo, para não lhes sentir (às palavras) o sabor...

just like Campari

Wanting to remain sweet but always falling on my bitter side... or the other way around.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

17.67

o número mágico.
e agora?
de que falarão as gentes da nossa terra, habituadas que estão à calanzice e ao infortúnio?
o nosso problema não é não saber perder, é mesmo não saber ganhar...

evidências

um homem nos seus quarentas ao volante de um Lancia Musa reluzente e novinho em folha, tem um longo trabalho pela frente se quiser mostrar indícios de virilidade.

de partida

para o paraíso da costa alentejana, a disfrutar ao máximo (na pior das hipóteses com periodos de insatisfação ligeira por ser difícil tomar um banho de água doce ao final do dia!)
de toda a maneira, longe daqui!
e, o melhor de tudo, sem tv, jogos olímpicos, desastres aéreos, desaires políticos e pseudo-intelectuais!

cannonball (ou a minha beloved music de cortar os pulsos...)

para levar em viagem... no leitor ou na guitarra.



there’s still a little bit of your taste in my mouth
there’s still a little bit of you laced with my doubt
it’s still a little hard to say what's going on

there’s still a little bit of your ghost your witness
there’s still a little bit of your face i haven't kissed
you step a little closer each day
that I can´t say what´s going on

stones taught me to fly
love, it taught me to lie
life, it taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball

there’s still a little bit of your song in my ear
there’s still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me
so close that I can´t see what´s going on

stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so its not hard to fall
when you float like a cannon..

stones taught me to fly
love taught me to cry
so come on courage, teach me to be shy
'cos its not hard to fall,

and I don't want to scare her
its not hard to fall
and i don't want to lose
its not hard to grow
when you know that you just don't know

Damien Rice

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

a pior de todas as minhas privações


não me dar tempo para rir!!!

quando somos o que não queremos

Faço o que jurei não fazer e dou comigo no beco da consciência, aquele onde ressoam as vozes contraditórias.
As vezes que me descubro a dar importância a pormenores e a tentar descobrir coisas que não quero, em mim e nos outros, cansam-me.
Tento não ser dependente dos afectos há quase tanto tempo quanto aquele que me levou a perceber que isso é impossível.
Prefiro mais, mil vezes mais, a verdade. Tão somente porque a alternativa é a mentira.

dar o exemplo

as afirmações despreocupadas de alguns atletas olímpicos portugueses sobre as suas más prestações na prova, estão a cair que nem bombas neste lago calmo e sôfrego de agitação, que é o nosso Portugal.
há coisas que realmente não soam bem... "de manhã só é bom é na caminha"??
pois, parece um bocado mal, sobretudo para os que levam a coisa um pouco mais a sério.
faz-me lembrar qualquer coisa que li há tempos: "Se não formos capazes, peço desculpa. Vou para casa, onde tenho umas pantufas confortáveis à minha espera".
já sei! Foi o Vicente Moura que o afirmou em Maio, a propósito... dos Jogos Olímpicos!!
cá para mim partilha com o Marco Fortes o gostinho por mais duas ou três horinhas de sono pela manhã...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

excerto do livro que ainda não comecei a escrever

Entrar em casa transmitia-lhe aquela sensação agradável de tranquilidade.
O dia acabava, estava entregue a si próprio, sem ter de se impôr qualquer postura ou dar satisfações de qualquer tipo. Resmungara, para trás, com condutores anónimos que eram todos azelhas, sem excepção. Sabia que não era assim, mas era assim que o sentia.
A tranquilidade do regresso, porém, não é algo permanente.
Sabe que, de alguma forma, partilhar a sua vida significa sempre ter de se impôr uma postura e ter de dar satisfações. Sabe que esperam de si, que deve cumprir aquilo a que se votou. Baila-lhe muitas vezes no pensamento a questão. Será que vale a pena? De que é que se abdica e o que é que se ganha em troca?
Encolhe os ombros. Sabe que a vida é um jogo irónico. Há muito que sabe isto.
Sabe que há duas respostas para a primeira pergunta e que elas alternam entre si, muitas vezes, ao longo dos anos.
Não é um conformado mas tem perfeita noção de que a vida é feita de pesos opostos e aprendeu a saborear cada momento solto de felicidade com a intensidade de quem está consciente de que ela não é constante.