sexta-feira, 29 de agosto de 2008

hasta

ao que sei agora, estarei afastada uns dias.
mas pode acontecer que não.
não vou gostar de perder este contacto cada vez mais vital mas espero que sim, espero afastar-me.
é bom sinal.
mas não sei.
se estiver por cá amanhã, ou depois, quer dizer apenas que pode sempre acontecer uma coisa ou outra e que, uma vez mais, aconteceu a que menos espero.

se isto não chega temos o mundo ao contrário...

de quantas mais "coisas" para usar, para exibir, para olhar, para nada servir?
de quanta ambição? de que tipo de ambição?
os objectivos que se atingem são imediatamente substituídos por novas 'necessidades'.
hoje temos o queríamos ontem, mas reparamos que ainda não é suficiente.
Vacilo entre parar e valorizar o que já se alcançou ou avançar mais para o próximo desafio, a próxima experiência.
os valores estão trocados.
*
ontem escrevia sobre coisas simples.
mais tarde, deparei-me com escolhas difíceis. cada decisão com a sua consequência, o seu 'peso'.
e tudo deixou de ser simples.
vi os meus momentos simples fugirem-me num horizonte temporal que soava a eternidade.
*
gostar de ti, gostares de mim... nem sempre chega.
temos o nosso mundo ao contrário.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

quando as saudades apertam...

... oiço as gargalhadinhas exageradas e vejo aqueles olhitos chineses e o nariz arrebitado.
lembro-me da meiguice dos gestos, da ligeireza do andar e da boca sorridente com dentes desalinhados.
quase que lhe sinto o cheiro!
adoro a minha trigueirinha.

coisas simples

São boas, as coisas simples.
Não nos pedem nada em troca e acontecem de acasos. São simples por isso mesmo.
Não se planeiam, não se elaboram e sobre elas não se criam expectativas. Sucedem-se com maior ou menor frequência e trazem-nos felicidade.
Idealizo coisas simples, anseio por elas, mas isso destrói-lhes a simplicidade.
Forço-me a não ansiar por elas, mas de vez em quando não resisto e vou espreitar o quadro que trago na minha imaginação.
Esse quadro está sempre a mudar. Às vezes é uma noite quente de passeio e sorrisos cúmplices; outras, um dia grande cheio de luz, gente e gargalhadas. Às vezes é um livro ou um écran de histórias. Outras vezes é um cobertor e chuva numa janela.
Mas forço-me a não ansiar.
Hoje, amanhã, depois... não vou espreitar o quadro.
Não quero saber as coisas que me esperam, desde que elas estejam lá, para me fazer feliz, na sua simplicidade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

imagem a quanto obrigas

Hillary Clinton sai-se muito melhor como apoiante de Obama do que o fez como sua opositora

informações úteis

a Comissão de Protecção de Vítimas de Crimes Violentos diz que são poucas as pessoas informadas de que podem recorrer a esta organização para pedir indemnizações em consequência da agressão a que foram sujeitas.
três coisas a dizer sobre isto:
primeiro, acho que a maior preocupação deve ser a de pedir justiça célere aplicada a quem comete estes crimes;
segundo, parece-me que isto fará com que muita gente comece aí a fazer-se ao murro (que isto nesta sociedade há de tudo!);
terceiro, creio que esta divulgação constitui certamente uma tentativa desesperada de acabar com os assaltos a dependências bancárias, CTT's e postos de abastecimento da linha de Sintra e do distrito de Setúbal.
eis que surge finalmente uma fonte de rendimento alternativa com vista a compensar as soluções que não se conseguem arranjar para o combate à violência (passo a ironia da expressão...)

mera coincidência...

*
http://ww1.rtp.pt/desporto/index.php?t=Benfica-homenageia-todos-os-atletas-olimpicos-do-clube.rtp&article=165094&visual=5&tm=13&Top=17Benfica
*

o facto de Vanessa Fernandes, Nelson Évora e Dí Maria (este ao serviço da selecção Argentina) serem todos atletas do Benfica - e os únicos medalhados em Pequim no que a clubes portugueses diz respeito - nada tem a ver com esta homenagem.
não.
esta é uma homenagem a todos os atletas do Benfica presentes nos Jogos. sem excepção.
aliás, a menina que está na foto é a judoca acusada de ter mau perder, porque seria de um óbvio mau gosto colocar mais uma foto do Nélson com a bandeira nos braços. seria tendencioso e descriminador.
pelo menos, dê por onde der o derby da luz, a noite vai ter glória benfiquista.

Italia mia!

não sei se quero perder esta ilusão de que a Itália é um misto delicioso de gritos suados e griffes cosmopolitas; de classicismo urbano e romantismo rural; de sol e de sombra; de cheiros gastronómicos e contrastes geográficos.
talvez tenha um imaginário fértil que quero continuar a alimentar.
é que, por mais que tente dissuadir-me de que a Itália é o meu paraíso idílico, com argumentos políticos ou sociais, simplesmente não consigo.

o título impensável

Pequim 2008
"Prestação portuguesa foi a melhor de sempre"
*
temos, portanto, que não temos...
*
a intenção de recandidatura de Vicente de Moura está também no segredo dos deuses, mas eu aposto numa 're-abertura' a esta possibilidade, agora que o desfecho da participação lusa foi brilhantemente condecorado e os atletas afinal nem são todos uma cambada de dorminhocos.
*
e se é verdade que podíamos ter pontuado mais, não deixa de ser um facto que o povo gosta é de ouvir o hino com a lágrima no olho... nem que seja só uma vez.

Obama acena à família

Citando o meu amigo Vale: "A América é linda, puto!"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

fantastic symphony

há dias em que a palavra não sai. o facto de pensarmos em português turva-nos a transposição e revolta-nos as entranhas se alguma coisa quer sair.
como vomitar: sabemos que alivia mas custa sentir o seu sabor amargo.
as palavras são amargas quando falam de alguns sentimentos.
queria sentir em português e vomitar tudo em khmer, em marati, em urdu, em gujarati, na aspereza desconhecida desses dialectos que não entendo, para não lhes sentir (às palavras) o sabor...

just like Campari

Wanting to remain sweet but always falling on my bitter side... or the other way around.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

17.67

o número mágico.
e agora?
de que falarão as gentes da nossa terra, habituadas que estão à calanzice e ao infortúnio?
o nosso problema não é não saber perder, é mesmo não saber ganhar...

evidências

um homem nos seus quarentas ao volante de um Lancia Musa reluzente e novinho em folha, tem um longo trabalho pela frente se quiser mostrar indícios de virilidade.

de partida

para o paraíso da costa alentejana, a disfrutar ao máximo (na pior das hipóteses com periodos de insatisfação ligeira por ser difícil tomar um banho de água doce ao final do dia!)
de toda a maneira, longe daqui!
e, o melhor de tudo, sem tv, jogos olímpicos, desastres aéreos, desaires políticos e pseudo-intelectuais!

cannonball (ou a minha beloved music de cortar os pulsos...)

para levar em viagem... no leitor ou na guitarra.



there’s still a little bit of your taste in my mouth
there’s still a little bit of you laced with my doubt
it’s still a little hard to say what's going on

there’s still a little bit of your ghost your witness
there’s still a little bit of your face i haven't kissed
you step a little closer each day
that I can´t say what´s going on

stones taught me to fly
love, it taught me to lie
life, it taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball

there’s still a little bit of your song in my ear
there’s still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me
so close that I can´t see what´s going on

stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so its not hard to fall
when you float like a cannon..

stones taught me to fly
love taught me to cry
so come on courage, teach me to be shy
'cos its not hard to fall,

and I don't want to scare her
its not hard to fall
and i don't want to lose
its not hard to grow
when you know that you just don't know

Damien Rice

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

a pior de todas as minhas privações


não me dar tempo para rir!!!

quando somos o que não queremos

Faço o que jurei não fazer e dou comigo no beco da consciência, aquele onde ressoam as vozes contraditórias.
As vezes que me descubro a dar importância a pormenores e a tentar descobrir coisas que não quero, em mim e nos outros, cansam-me.
Tento não ser dependente dos afectos há quase tanto tempo quanto aquele que me levou a perceber que isso é impossível.
Prefiro mais, mil vezes mais, a verdade. Tão somente porque a alternativa é a mentira.

dar o exemplo

as afirmações despreocupadas de alguns atletas olímpicos portugueses sobre as suas más prestações na prova, estão a cair que nem bombas neste lago calmo e sôfrego de agitação, que é o nosso Portugal.
há coisas que realmente não soam bem... "de manhã só é bom é na caminha"??
pois, parece um bocado mal, sobretudo para os que levam a coisa um pouco mais a sério.
faz-me lembrar qualquer coisa que li há tempos: "Se não formos capazes, peço desculpa. Vou para casa, onde tenho umas pantufas confortáveis à minha espera".
já sei! Foi o Vicente Moura que o afirmou em Maio, a propósito... dos Jogos Olímpicos!!
cá para mim partilha com o Marco Fortes o gostinho por mais duas ou três horinhas de sono pela manhã...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

excerto do livro que ainda não comecei a escrever

Entrar em casa transmitia-lhe aquela sensação agradável de tranquilidade.
O dia acabava, estava entregue a si próprio, sem ter de se impôr qualquer postura ou dar satisfações de qualquer tipo. Resmungara, para trás, com condutores anónimos que eram todos azelhas, sem excepção. Sabia que não era assim, mas era assim que o sentia.
A tranquilidade do regresso, porém, não é algo permanente.
Sabe que, de alguma forma, partilhar a sua vida significa sempre ter de se impôr uma postura e ter de dar satisfações. Sabe que esperam de si, que deve cumprir aquilo a que se votou. Baila-lhe muitas vezes no pensamento a questão. Será que vale a pena? De que é que se abdica e o que é que se ganha em troca?
Encolhe os ombros. Sabe que a vida é um jogo irónico. Há muito que sabe isto.
Sabe que há duas respostas para a primeira pergunta e que elas alternam entre si, muitas vezes, ao longo dos anos.
Não é um conformado mas tem perfeita noção de que a vida é feita de pesos opostos e aprendeu a saborear cada momento solto de felicidade com a intensidade de quem está consciente de que ela não é constante.

teorias do flip-flop

Dá-me graça é a malta que acompanha os jogos olímpicos, de fio a pavio, sentada no sofá com a cerveja na mão, num misto de dedicação patriótica e fidelidade crítica.
Dá ideia que, muitos, até gostam de ver as más classificações dos atletas portugueses para poderem chamar-lhes calões e acusá-los de ser um reflexo do país.
Sim, deste 'país miserável' de calões em tronco nu, sentados no sofá a ver os jogos olímpicos.
É uma pescadinha de rabo na boca.

quereres

Tanto ainda para aprender, que queria ser criança.
Queria saber que o meu corpo vai crescer mais, na medida dos conhecimentos que quero engolir - não sei se tudo isso caberá agora numa massa física que já não se expande.
Este tempo que é carrasco, tão cedo! Contrario o que sinto com a razão de que três décadas são, afinal de contas, pouco tempo. Mas trago na alma a marca daqueles que partiram sem viver este tão pouco tempo, bem como a convicção de que é fácil sermos nada, de súbito, levados num momento.
Quero tanto, tanto. Quero mais do que o que tenho. E quando tenho mais, ainda não estou satisfeita.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

... e parabéns à Vanessa!

por sobreviver, com distinção, à que considero a prova mais extenuante de todas!
é uma senhora!

Obikwelu

deixa-te disso, Francis...!
não sei como é na Nigéria mas já devias saber que, por cá, ninguém pede desculpas por não cumprir ou corresponder... e ninguém espera que o façam, de maneiras que deves ter deixado muita gente de boca aberta pela gentileza e pelo profundo reconhecimento ao país.
digo mais, a verdade incontornável é que se pensássemos no investimento que se faz no futebol, exigíamos a toda a hora pedidos de desculpa daqueles que não fazem, de facto, o seu trabalho.
da tua parte, o trabalho foi feito.
às vezes os deuses fogem para outras paragens!

eis senão quando...

... na interminável fila de carros da avenida principal da Ericeira, hora de almoço soalheira, a dar início a uma grande tarde na praia do sul, me vem parar ao colo, por enviado especial de serviço ao semáforo de S. Sebastião, novo exemplar do Destak - que isto até parece perseguição e já não acredito em acasos.
a editora volta a debruçar-se sobre o tema 'férias' e volta a fazê-lo numa abordagem estereotipada e "hiperbolástica".
das duas uma: ou a Isabel Stilwell tem um trauma recalcado com as férias de verão ou está simplesmente resignada a fazer deste um periodo non grato aos olhos de quem a lê.
aos meus não! a única coisa que me tem estragado as férias é ainda não as ter tirado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

easy, easy! (answer)

You have no sense of humor, whatsoever!
It's the eyeliner, of-course!!

bola de cristal

Descobri, enfim, o meu ascendente.
Capricórnio, segundo especialistas on-line, tão fiáveis quanto possível.
Não sei se é bom. Fiquei mais ou menos na mesma. Há signos sobre os quais sei muita teoria e dos quais conheço muita gente - resultado de picos de reprodução e fecundidade calendarizados, alguns com certa lógica, outros nem tanto. Capricórnios não conheço muitos, quase nenhuns.
A astrologia é provavelmente a ciência em que menos acredito mas que mais curiosidade me inspira. Não faz sentido nenhum. A música, por exemplo, é credível e desperta grandes e óbvias realidades: aprender a tocar chamou-me a atenção para os malefícios da sofreguidão crónica da qual padeço. E é preciso ter atenção a estes sinais e tentar seguir os conselhos de quem sabe.
Será a sofreguidão uma característica dos Touros com ascendente em Capricórnio?
Não acredito nestas coisas, mas se vir isto escrito para aí em qualquer lado, sei que vou pensar 'olha, olha! quem diria?'...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

vilão

Depois do estigma da bichice, em Brokeback Mountain, Heath Ledger deixou que o estigma de junkie o derrotasse de vez e da pior forma.
Mesmo para quem não gosta de películas de super-heróis (o meu caso), devo admitir que Gotham City nunca mais vai ser a mesma desde que perdeu, para sempre, este joker.

fácil, fácil!

O que têm em comum Quique Flores e Nestor Carbonell?

hey, you

talvez até possas ajudar-me com uns acordes.
tanto gostavas de os tocar, quando os blues de antigas paixões chamavam por ti.
ou só tocas quando estás triste? e será que estares comigo é sinal que não tocas mais?
não quero que assim seja.
preciso de ti para sair da sombra e da insegurança.
para ser uma estrela.

james



Whenever she's feeling empty
Whenever she's feeling insecure
Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore

Her shadow is always with her
Her shadow could always keep her small
So frightened that he won't love her
She builds up a wall

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

She's been in disguise forever
She's tried to disguise her stellar views
Much brighter than all this static
Now she's coming through

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

Don't tell her to turn down
Put on your shades if you can't see
Don't tell her to turn down
Turn up the flame
She's a star
She's a star

It's a long road
It's a great cause
It's a long road
Its a good call

You got it
You got it
She's a Star

há dias em que esta música dói, há dias em que dá gozo
não há dia em que me seja indiferente

acordes

os dedos estão doridos e dormentes. descobri que, afinal, até nem são assim tão pequenos e que é mais importante o tamanho da força de vontade do que o das falanges. não se fez magia, nem sequer ainda se fez música mas acho que se fez luz. a porta está entreaberta... e parece que tenho potencial, ou então é só um toque de encorajamento. seja como for, vou entrar. preparar-me para enfrentar as cordas irregulares (difíceis!) que me farão achar as outras um figo (sim, como tirar a carta num carro sem direcção assistida) e usufruir do som especial da guitarra que me vai servir de rampa de lançamento...

vale a pena, se a alma não for pequena... as mãos, é o menos!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

aos brilhantes!

o sentido de humor um pouco questionável, uma crítica mais acesa ou pouco fundamentada, uma entrada com menos propósito ou mais irrelevante, não apagam um sensibilidade do tamanho do mundo.
que não se descrimine a utilidade do objecto em função do despropósito de quem lhe dá uso.
há dias mais cinzentos e as férias, ainda longe, começam a constituir um tormento.
juro que na minha casa já reina a insanidade de um cansaço desmedido.
e a minha incoerência já começa a ser reveladora disso mesmo.

(à)parte

Sou muito sensível a determinados adjectivos ou caracterizações. Detesto, por exemplo, que num contexto estético, chamem à cor do meu verniz vermelho sangue-de-boi. Vermelho rubi-profundo é muito mais adequado. E o tom deve ser ela por ela.

egoïst

Na perspectiva de mera observadora, incomoda-me que hajam pessoas que reduzem o conteúdo das suas vidas à presunção do iminente falhanço sentimental. Conheço pessoas assim, que me procuram para me perguntar o porquê. É uma busca desesperada. Sinto que se agarram a mim, como que a uma bóia, na tentativa de que a minha resposta seja a salvação. Não entendem que não há salvação nos meus conselhos, nas minhas respostas. Apetece-me gritar-lhes que é óbvio. Que enquanto as suas vidas se resumirem à constante procura de resposta para a pergunta 'porque sou um falhado?', nunca vão realmente viver. Incomoda-me mais ainda assumir que são amigos, estas pessoas que nos valorizam pelas respostas apaziguadoras que lhes damos em momentos de maior desatino e aflição. Amigos que nunca sorriem connosco e apenas nos procuram para nos mostrarem que, ao contrário de nós, que somos sortudos e amados, eles continuam sós e miseráveis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

beijing


there are nine million bicycles in beijing.
that's a fact...

venha lá quem vier, os chineses, enquanto povo, são extraordinários.

como comerciantes no ocidente, são um fungo... com forte cheiro a incenso.

não é justo.

café forte

Ao longo do dia: maçã e chá branco, em estado líquido e transparente, supostamente saudável e inibidora do apetite. Cheia de conservantes e aromatizantes. Não acredito que seja mais saudável do que a canalizada, mas pelo menos é água. Não acredito que seja inibidora, mas é doce por isso bebe-se mais e fica-se mais cheio.
Bolachas. Integrais, com sabor a limão. Gosto de limão.
Muitos jantares constituídos por sopas ou saladas, apenas porque sabe bem.
Ginásio-sim, ginásio-não (com remorsos nos periodos mais extensos de ginásio-não).
Peixe, peixe, peixe. Muito mais do que carne. Inveja do peixe no prato ao lado.
Maracujás, às colheradas, este fim de semana.
Rituais que não se confundam com dietas!
Apetece-me fazer coisas. Mais coisas. Muitas coisas. Canso-me e apetece-me cansar ainda mais, com coisas diferentes.
Depois quero dormir bem e descansar de tudo, mas dou voltas e voltas e sonho com musgo e outras coisas estranhas. Por causa da sopa, da salada, do calor, da culpa do ginásio-não...
E de dia tenho sono, muito sono e subo a escada com a garrafa de Vitalis maçã e chá branco, desta vez cheia de água normal. Sinto-me eu própria dentro de um aquário e vejo as coisas distorcidas à minha volta, de tanto sono.
Detesto este meu sono e as drogas que mo provocam.

troféus de bolso

Os Torneios do Guadiana, de Braga e de Guimarães foram distribuidos pelos três grandes para ninguém partir em desvantagem. Esperemos por uma época harmoniosa e competitiva!

domingo, 10 de agosto de 2008

la musique

A iniciação às Artes Mágicas fica, por obra do destino, adiada até terça-feira.
Prometo ir deixando novidades...

Isabel (II)

Bastaram meia dúzia de linhas. O tema perdeu todo o seu impacto em função das barbáries enumeradas em forma de lista.
Entre outras coisas, realça a autora, a vantagem de não estar de férias é não ter nada para fazer neste periodo e aproveitar esse ócio (que eu prefiro chamar de tédio) para ter um mês sem produção. Que princípio tão nacionalista!
Outro grande benefício, é o de podermos ir a um SPA, descontrair (depois de um dia de trabalho sem fazer nada, digo eu!) por um preço muito mais acessível - ou como ela diz, "ao preço de uma coca-cola num resort".
A melhor parte é a sugestão que nos deixa, já que, segundo ela, não se tem nada para fazer. Então a proposta é visitar sites de agências de viagens e programas de férias apenas para imaginar como seria bom, com a grande vantagem de não gastar dinheiro, já que na realidade, estamos só a fazer de conta!! (!?)
O que é mais surpreendente é que nada disto é escrito em tom irónico. Através de um sentido de humor extremamente britânico, ela vê mesmo benefícios para a moral neste tipo de atitude...
Leiam, é o que vos digo. Porque há coisas que só vendo.

Isabel (I)

Quis o destino que passasse a tarde de sexta-feira nas urgências de um hospital, como já se vem tornando habitual, muito embora, desta feita, tenha sido como acompanhante. Nunca é uma experiência enriquecedora mas tem oferecido matéria para me debruçar.
Desta vez, sem qualquer reclamação que não a do aborrecimento da espera, agarrei-me a um exemplar do Destak, publicação de distribuição gratuita, arrependida de não trazer na mala um dos livros de cabeceira...
Não li mais que a página 2. O editorial da Isabel Stilwell tentava supostamente animar aqueles que não têm férias em vista (o meu caso) e chamar a atenção para os inconvenientes de estar de férias (que também os há). Claro que sim. E o tema até me interessava, mas depressa se desvaneceu o meu entusiasmo.

sábado, 9 de agosto de 2008

magnifique! uma pérola...

Quando me sentir mais mordaz, falo-vos do Editorial da Isabel Stilwell, no Destak de ontem...

família

Na rede me baloiço. Sinto a brisa quente do dia de hoje e vejo-me alheia ao riso das crianças, ao ladrar dos cães, às conversas soltas.
Rodeada de verde, oiço o espanta-espíritos ao longe.
A única coisa em comum com os últimos dias é a fidelidade ao meu blogue.
O meu blogue, uns dias o altifalante que solta as palavras de partilha, outros o buraco fundo para onde cuspo o que não quero anunciar...
Vou aproveitar esta brisa. Fechar os olhos e, para variar, confortar-me com a sensação de que, normalmente, quando passo por aqui, estou enclausurada e rodeada de economato.
Hoje não tenho de imaginar realidades.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

digno de registo

comentário da repórter em directo para o canal x, por volta das 21h30:
"... resta apurar quais são as motivações dos dois assaltantes que se encontram no interior da dependência, se resultam do factor necessidade ou se são de outras naturezas" (?)

... pois concerteza que é de ficar aborrecido!

... anda o Banif a dar um novo significado à cor índigo e a multiplicar centauros pelo país, para vir esta brasileirada fazer publicidade gratuita à concorrência. Não me parece nada bem...

BES

Finalmente informação interessante!
Quais maddies, quais futebóis, quais 'ferreiraleitismos'! Assaltos a bancos é que é, com reféns, suspense e teorias analíticas do Observatório da Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (nem sabia que tinhamos disto!)
E agora com o Tropas de Elite finalmente nas luzes da ribalta, tudo faz sentido...!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

alaska

He made his way back to the old town
And everything looked just the same
The shops and the schools and the factories were there
But somehow the faces had changed

So he went for a walk in the high street
Took his coat off and rolled up his sleeves
He thought of his father and his father before him
And how he was the first one to leave

Well he didn't come here for forgiveness
There isn't a lot they can say
'Cause I remember the reasons
he first ran away

He's a rebel
Just a rebel
Got his back to the wall
Gonna fight 'til he falls
He's a rebel

Don't ever look back - don't surrender
The old men say they've seen it before
Oh they drink their beer and they talk about friends
Who didn't come back from the war

Don't say he's too young to remember
Don't tell him what's wrong or what's right
Just give him a chance to go out there and fight

He's a rebel
Just a rebel
All the battles are won
But he's still on the run
He's a rebel

When it comes time for leavin'
Don't stand in my way
There's nothin' left for me here
Gonna run, run away

In the morning he walks past his old house
In the rain under gray northern skies
There's a new coat of paint on the front garden gate
But there's more here than first meets the eye

For a moment he stands undecided
Looking back on the days of his youth
As two worlds collide in a moment of truth

He's a rebel...

'Rebel', in Into the Fire - B. Adams

Sempre gostei desta música. Tenho pena de não encontrar o vídeo (provavelmente não existe).
Quando a oiço, imagino o nevoeiro de uma vila pescatória, de um país nórdico.
Se vivesse nesta vila, vestia camisas de flanela grossa e calçava botas da Cat, amarelas. E atava os cabelos, para não se indisciplinarem com a excessiva humidade do ar.
Este vídeo devia ser gravado no Alaska.

um doce!

Dedicar dois dias à casa e poder respirar de alívio. Ir à esteticista e tomar um banho de auto-estima. Fazer umas comprinhas, daquelas terapêuticas, coisa pouca. Olhar em volta e pensar que não negligenciámos uma migalha. Exorcisar os fantasmas do trabalho.
É difícil viver com esta mulher que sou.
Enfim, vou voltar ao trabalho, que se acabou a pausa...
"
(a frase da Cláudia não me sai da cabeça: "a água aqui está um caldo!")

usurpação de poderes divinos

Durante quanto tempo é legítimo fazermos o outro esperar pelo nosso perdão?
Se errar é humano, devia considerar-se desumano o tempo de luto a que forçamos os outros que esperem pela nossa misericórdia.
As pessoas não sabem perdoar.
Foi para isso que se inventou Deus...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Drª Maria de Lurdes Rodrigues

É oficial. Foi publicada em Diário da República a decisão já tomada pelo ministério de atribuir um prémio de 500 euros ao melhor aluno do ensino secundário, quer na vertente científico-humanística, quer na profissional ou tecnológica.
Sou a única pessoa a achar esta ideia repugnante?
De tão estúpida chega a ser imoral e, francamente, quando já pensava que nada me surpreendia nesta política de educação, tenho de me baixar para apanhar o queixo do chão...
Mesmo que rebusque lá bem no fundo, não me surge nada de positivo que possa dizer sobre isto. No meu tempo já achava estranho que alguns colegas fossem exageradamente recompensados pelos pais quando passavam de ano (às vezes à rasca!), e pensava que os meus eram uma espécie de progenitores em via de extinção por considerarem que as suas filhas não faziam mais do que construir algo de bom para si próprias ao passar de ano com boas notas. O meu sucesso escolar deixava-os orgulhosos, mas não implicava uma obrigação moral de atacar o orçamento familiar. E ainda bem que assim foi!
Antigamente, os miúdos pediam, receosos de um não, a satisfação de caprichos menores. Hoje, são os pais que impingem brinquedos e merdinhas para conseguirem dez minutos de sossego.
Agora, até a idiota da ministra passa cheques, com carimbo de atestado de estupidez, para os mais inteligentes (também deve vigorar na Carolina Michaelis)! E fá-lo com aquela expressão que mais parece dizer: "vamos lá a aumentar a média para acompanhar a europa! No fim do ano, podes queimar esta guita toda em toques polifónicos!"
Se tivesse jeito, fazia aqui uma caricatura, que é o que este post precisa!
Palavra de honra..

serendipity

A todo o momento descubro, acidentalmente, que te amo... over and over again!

verdes anos

Às vezes, mergulho nas fotos do teu passado. Fotos que não me pertencem, onde me sinto insecto. Sei que não contribuí para os sorrisos e os sentimentos espelhados. Sei que são noutra vida, sem a minha presença. Reconheço-te mas és um estranho; vejo-te como se te conhecesse desde sempre mas sei que não estava lá e também eu sorria e sentia noutras paragens, com outras gentes. Parece que havia um mundo tão grande pelo meio!
Mas não. Esse mundo era só um estreito, muito ténue e destinado a diluir-se.
Os sorrisos, os sentimentos, os rostos e as fotos valem o que valem, pesam o que pesam. Podem ter um peso insustentável ou ser apenas o pedaço de vida na proporção ideal que nos construiu até nos encontrarmos...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amália...

Gostava muito de ti.
Tive pena que morresses.
Oiço, emocionada, a tua voz gravada nas velhas películas.
Chateia-me só um pouco que tenhas tido uma vida tão cheia.

Por tua causa, estou sozinha à noite...
Sim, por tua causa!

letras



"O que é Nacional é Bom!"

E se for da colheita de 79, então...!

(a ver vamos!)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

impaciência

Curiosa esta nossa vontade de ter controlo sobre o tempo.
Sou particularmente sensível às diferentes perspectivas que a velocidade do tempo nos oferece. O relógio de areia angustia-me pelo estreito a que é condicionada a passagem dos seus grãos. Asfixia-me aquele atraso forçado da descida das pequenas partículas, principalmente quando estou aqui fechada. Sou muito mais que este espaço, e aqui encerrada sinto-me um grão de areia, num ínfimo estreito.
Porque se parte a ampulheta quando estou lá fora e sou feliz?
Aí, a areia desce em derrocada, como uma cascata. O tempo deixa de ser composto por partículas sólidas que se amontoam, e transforma-se em matéria líquida, que estreito algum pode conter.
A felicidade é rebelde, como a água.

o senhor que se segue

Pois bem, o feiticeiro não morreu (não me espanta), mas pelo menos 'vitória! vitória! acabou-se a história', porque os meus horizontes literários urgem por mudança.
Assim, amiga Cláudia e caro Rui de Brito, avanço, a todo o gás, para o 'vosso' Banana Split!
(Perdoem-me a demora!)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

alexandre & sofia

são os fedelhos mais insuportáveis do planeta!
ou têm a pior mãe de todos os tempos...
seja como for, eu acordo...

a pilha está a crescer na mesa de cabeceira

Estou em pulgas para saber se afinal de contas o Harry Potter morre ou não.
Parte de mim deseja ardentemente que sim, e até a que não deseja vai ficar extremamente desapontada se isso não acontecer...
A minha privação de outras literaturas devido a esta teima de 600 páginas já começa a irritar-me!

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender.. (parte 2)

quando achava que não podia piorar, dou de caras com a Odete Santos nos seus devaneios... valha-me um santo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

lar

Lembro-me da terrina de loiça, barroca, com a sua tampa escultoricamente florida e as pegas de relevos fartos, da colher que irrompia, curvilínea, pela saliência da tampa e da travessa onde assentava o conjunto, de rebordos pomposos e padrões condizentes. Tudo numa enjoativa harmonia, por cima de um naperon desenhado, de fio simples, muito branco. De um lado, o cinzeiro pesado, de mármore esverdeada, em nuances. Do outro, a cigarreira alta, ainda mais pesada, de textura ondulada, da mesma cor. A mesa de madeira escura. As cadeiras imponentes, de pilaretes orgulhosos, pesadas, esculpidas. Os móveis altos, tão escuros como a mesa e as cadeiras, com puxadores brancos, de plástico, tristemente grandes e pobres de enfeites.
Gosto de voltar hoje à mesma sala onde vejo agora uma decoração mais fresca, que procura encontrar-se, harmonizar-se mais, todos os dias, em busca da combinação perfeita que (sei) nunca vai existir! E ainda bem, porque para onde quer que os rios corram, sei que tenho sempre aquela sala. Sei que aquela sala se compara, de alguma maneira, à minha evolução constante. E sei, sobretudo, que tal como eu, aquela sala vai ter sempre encerrada em si, a velha terrina e o cinzeiro de mármore.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

rua de estrasburgo

porque adoro caleidoscópios enquanto objectos ou porque ainda reside em mim algum saudosismo da caleidoscópio, deixo aqui um rasto da minha antiga "casa"..

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender...

Podia dizer que perdi ontem grande parte do Frente-a-Frente, na Sic Notícias, mas o pouco que vi faz-me concluir que não perdi nada. Ando a evitar ver e ouvir coisas absurdas e inaceitáveis da parte de pessoas que deviam dizer e fazer o bem pelo País, ainda que apenas como militantes ou deputados políticos. O caso da Joana Amaral Dias e da Teresa Caeiro é flagrante. Primeiro, porque o perfil político de cada uma delas está tão bem delineado que não precisamos que abram sequer a boca para automaticamente as encaixarmos no bloco partidário a que pertencem. Torna-se tão fisicamente óbvio que chateia! Depois porque é gritantemente permissível que programas potencialmente interessantes, como é o caso deste, sejam corrompidos pela ausência de conteúdo. Pior do que uma luta de lama entre PS e PSD só mesmo um debate pseudo-cordial entre gajas ou doutoras do Bloco de Esquerda e do CDS.
Valeu de qualquer coisa o Mário Crespo (que é tão frustrante como dizer que o homem do jogo é o árbitro).
E como o futebol parece surgir sempre de mãos dadas com a política, não tenho conseguido deixar de pensar ultimamente nos balúrdios inacreditáveis que se movimentam através das irreguláveis contratações de jogadores profissionais - que, cada vez me convenço mais, não deveriam ter este estatuto - e na imaculada impunidade do Sr. Pinto da Costa que, para todos os efeitos, é intocável no que à lei diz respeito.

terça-feira, 29 de julho de 2008

PRECISA-SE:

URGENTE!
Comentadores desportivos inteligentes e objectivos.
Não se aceitam candidaturas de autarcas ou ex-futebolistas.

Vaga actualmente preenchida por Quique Flores. Carácter: Temporário

OPORTUNIDADE:
c/ ou s/ experiência (preferencialmente mediático), para exercer funções indefinidas, com capacidade de discurso optimista e vencedor. Exige-se aos candidatos capacidade de fingir liderança e aceitação de lugar de risco com iminência de rescisão e possível abundância de periodos de humilhação semanal.

S. José

Madrugada de domingo, com o sol a querer nascer lentamente, num céu rosado.
Fui ao Hospital. A S. José, que é, no meu imaginário, o hospital dos Hospitais. É um dos mais velhos hospitais de Lisboa, para onde nos reencaminham quando a especialidade que precisamos não é contemplada nos outros, da periferia.
Passei no Martim Moniz adormecido e fui de encontro ao mundo morto-vivo de um amanhecer calmo nas urgências do hospital.
Depois das burocracias e de ver negada qualquer possibilidade de resolverem o meu problema, resignei-me a ser encaminhada para uma sala de observação, só porque sim. Percorri um corredor escuro, onde me cruzei com pessoas que gemiam, deitadas em macas estreitas e muito altas, desconfortáveis nos seus lençóis de goma, como que abandonadas. Lembrei-me dos hospitais de campanha dos filmes de guerra.
Por ali fiquei mais de meia hora, sentada na obscura sala, a ver o paracetamol pingar pacientemente.
Agradeci o facto de ter saúde. De ter saúde para trabalhar, para viver.
Pensei, uma vez mais, que não quero chegar a velha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

a day like today

Hoje é um dia triste.
Amanheceu feio, sem luz, molhado de chuviscos abafados.
Lembrei-me da Susana. Uma véspera assim, em Julho, é desesperante para uma noiva.
Mas a previsão metereológica segreda-me que a Susana não tem de se preocupar.
~
O dia continuou feio, o sol subiu e rodou mas sem se notar. A mesma luz opaca e sem cores.
As nuvens esfarrapadas aqui e ali deixam ver que, lá muito no fundo, há um céu muito azul mas num dia como hoje, não se acredita em céus azuis.
~
Hoje roubei uma vida. Sem querer... a vida, o alimento, a liberdade, a esperança, a música, o movimento.
Um pardal. Um pardalito pequenino que não voou acrobaticamente no último minuto, apenas porque lhe pesava o regalo que apanhava do chão. Era demasiado pesado.
Não percebi. Devia ter visto ao longe, quando avistei o pardalito, que ele não conseguia ser acrobata com aquele peso imenso no bico. Devia ter previsto e alertá-lo.
Ele também não soube prever...
Matei-o mas a sua morte também me matou a mim, um bocadinho.
Um dia que começou tão feio não podia anunciar nada de bom.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dave Matthews Band (& Tim Reynolds)



Até nem sou grande fã do senhor, mas devo confessar que esta música me entra pela alma dentro...

terça-feira, 22 de julho de 2008

breu II

Disseste-me que era o karma, ou castigo ou que eu tinha o que merecia... lá na Rua dos Pescadores, naquela loja de coisas giras que não podia comprar porque não cabem lá em casa.
Se calhar é o que mereço.
A mim soou-me pouco dignificante que o karma - que agora se me depara com frequência - assuma a sua potencialidade em algo tão pouco profundo como o sofrimento físico de uma recuperação de extracção dentária. Mas esta recuperação tem que se diga por isso se calhar é um exponencial máximo muito bem pensado.
No escuro em que me encontro (rodeada de frágeis cristais...) é-me muito mais difícil ter discernimento e clareza se estiver, ainda por cima, mergulhada no desespero desta dor insuportável.

breu

Não sei se precisas que fale ou que cale.
Não sei se queres espaço ou sufoco.
Não sei que faça que possa surtir efeito e aniquilar esse olhar inexpressivo.
Ainda se pudesse ter a certeza de que passa com o tempo... mas não sei.
Aguardo expectante, num espaço amplo onde não quero estar sozinha mas onde devo permanecer. Onde, pelo menos, não incomódo.
Estou num espaço gigante, enorme, mas a toda a minha volta existem cristais e tenho medo de me mover.
Tenho receio do que mais possa quebrar...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

repasto

Fui a casa almoçar:
fiquei a saber que o processo Apito Dourado terminou sem condenações, a não ser uma mão cheia de árbitros, coisa pouca, para dar o exemplo - porque Loureiros já são peixe graúdo;
fiquei a conhecer a história de um fulano a quem rebocaram o automóvel, estacionado no sítio do costume e com o dístico de autorização em vigor e bem exposto no vidro, e que anda às avessas com a EMEL para recuperar os noventa euros que teve de pagar há meses, para levantar a viatura;
soube também da (brilhante!) conclusão do FMI que diz que os portugueses vivem acima das suas possibilidades económicas (nunca diria!, eu, a única portuguesa que não tem um único cartão de crédito);
no seguimento desta informação, seguiu-se um especial sobre os saldos (reportagem normalmente feita em lojas do OeirasParque ou do CascaiShopping onde mostram um par de sapatos que custava €175 agora a €125, como boa opção para a carteira - acho mal passarem isto no Jornal da Tarde quando, para além de mim, quem está a assistir é uma população com pensões de €236, à espera da Júlia Pinheiro);
diz, ao que parece, que a novela ciganos vs negros também está para durar em Loures. Se a moda pega, estamos feitos;
e também disseram qualquer coisa sobre a Maddie que não me lembra: os meus ouvidos começaram a rejeitar de forma autónoma a 'informação' que já não toleram;
ainda fui a tempo de ver o Aimar fortemente aplaudido, de águia em punho e dá-me a ideia que a minha admiração pelo Rui Costa entrou num decréscimo irreversível.
Enfim, a noite passada acordei às duas horas para vomitar.
Hoje, após esta experiência, tomei a resolução de almoçar na cozinha, com os olhos pregados nos meninos ranhosos do calendário da Unicef.
Corro menos riscos de que a comida me caia mal.

defuntos

A minha mãe foi ao cemitério de Santa Íria levantar os ossos do meu avô. Acho esta expressão horrível, mas é assim que se diz na gíria funerária. Pagou uma batelada por este processo e vai juntá-los aos da minha avó, no cemitério da Amadora. Vão reencontrar-se, os meus avós, volvidos trinta anos.
Gosto de pensar que é um acto bonito. Consola-me.
Tenho receio de morrer e não ser cremada. Espero que me sobrevivam entes-queridos com vontade de satisfazer o meu derradeiro desejo.
Depois podem fazer de 'mim' o que quiserem. Em cinza já não serei nada e nenhuma perspectiva me angustia.
(Tudo isto daqui a muitos anos e depois de uma vida preenchida)

dor

Os efeitos de uma simples anestesia podem ser imensamente assustadores.
Ontem experimentei a aflição de chorar involuntariamente quando o que me apetecia era chorar com vontade e com expressão.
Chorar de um olho sem vida, que não pestaneja, não é chorar e não alivia a alma.
É castrador vermo-nos privados do nosso direito de chorar desalmadamente.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

soporífero sentimental

(ao deitar...)

Ela: Somos muito felizes não somos?
Ele: Somos, amor...
Ela: Quer dizer, apesar de termos os nossos problemas, personalidades diferentes e de nos zangarmos de vez em quando... temos muitas coisas boas, não é?
Ele: É bom sermos diferentes. Por isso é que somos tão felizes! Eu completo-te e tu completas-me...
Ela: Adoro-te!
Ele: E eu a ti, fofinha.

(a poesia apresentada em forma de fast-food... mas não deixa de ser poesia)

ver & ouvir - old fashioned way


Onde gostava de ter estado recentemente.
Fotos em: Tangra Mega Rock.

solicito que:

parem, por favor, de me enviar e-mails sobre os benefícios concedidos aos filhos de papás e mamãs das entidades públicas e governamentais, pela extensa lista de motivos que passo a enumerar:
1) Estou licenciada há mais de 5 anos e não exerço (nem de perto, nem de longe) a actividade profissional que era suposto;
2) Como agravante à 1ª alínea, isto não acontece por opção mas porque as alternativas metiam dó e chumbei à cadeira de masoquismo;
3) Não me sinto realizada com o meu trabalho;
4) Como forte agravante à 3ª alínea, este emprego também foi conseguido através de cunha (cunhazita, vá, que isto não é um tacho nem nada que se assemelhe) embora me reconforte pensar (nos melhores dias) que já justifiquei merecer o meu lugar e que sou eu que o mantenho e ele não me dá nada de garantido;
5) Tenho tendência para me enraivecer (à laia de Hulk, embora não fique verde) com o conteúdo desses e-mails, não por mim mas por aqueles que tiraram cursos universitários realmente difíceis e tiveram de estudar muito (nada o meu caso), e se vêem privados de revelar ao mundo o seu brilhantismo;
6) Porque fazer circular esses e-mails e ficar à espera de um milagre me deixa frustrada (fica aqui já o apelo para os que lerem: se quiserem uma manif radical - nada do tipo professores ou sindicalistas - para insultarmos esses chupistas e ganharmos direito a tempo de antena para revelar, sem censura, certas coisinhas... eu estou lá);
7) Porque tenho tendência para a depressão (e como já manifestei o meu emprego não ajuda);
8) Porque estão 30º lá fora e um sol maravilhoso e estou no tal emprego, sem perspectivas de férias para tão cedo e com algumas tarefas condicionadas pela ineficácia de outros e pela inércia associada à falta de estímulo.
...
Aparentando não manifestar uma real preocupação e reconhecendo a nula diferença que este post faz, a verdade é que nunca pensei, como agora, na verdadeira embrulhada em que este país está metido.

no segredo está a alma do negócio

... ou pelo menos que se dê crédito ao bocadinho de mistério que nos pode tornar menos previsíveis.
(Avisem alguém do Departamento de Comunicação do Benfica que isto de especular negócios promissores que depois caem por terra já começa a ser um bocado repetitivo - obrigam-me a dar como "bom exemplo" o Futebol Clube do Porto que só fala quando já sabe do que fala!)
Detesto que me obriquem a falar bem do FCP!

silogismos

Argumentação lógica perfeita, para Aristóteles.
Para mim, a forma mais fácil e conveniente de argumentar sem recorrer à razão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

karma

Gosto de acreditar que há coincidências. É mais racional e mais simples acreditar que há acontecimentos estranhos que sucedem por acaso, do que tentar descortinar os misteriosos desígnios que se levantam quando parece que as coisas têm uma explicação transcendente. É menos complicado admitir que são 'coincidências' do que assumir que há na sua ironia qualquer coisa de maquiavélico.
O conceito de Karma banalizou-se na nossa sociedade; apresenta-se como a noção do 'cada um tem o que merece' e utilizamo-lo para justificar as consequências das acções de alguém e a contrapartida das mesmas. As doutrinas Filosófica, Religiosa e Científica esforçam-se por sintetizar este conceito. As suas origens sânscritas apontam para uma tradução simples: karma significa acção. Se não fosse por mais nada, só por aqui se via que a religião católica não adopta de forma alguma este termo. Primeiro porque apela aos seus fiéis que dêem a outra face ao inimigo, recusando a crença de que a bofetada seja devolvida ao seu praticante com a mesma intensidade (embora fique sempre a pairar a ameaça de uma potencial recepção no Inferno, na hora do julgamento final); depois porque as orações nos incentivam a confessar os pecados por pensamentos, palavras, actos ou omissões...
Ora o Karma implica acção. O Karma deixa-nos livres para sentirmos, pensarmos e omitirmos o que quisermos. Do Karma pensado não podem resultar castigos, forças inversas, proporcionais aos nossos maus pensamentos. Nem irónicas coincidências.
Não é o Karma que me faz temer pela justiça divina e pela maldicência ou perversidade.
É a minha consciência.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

In your dreams!

Será que não há nos hipermercados os típicos bombons de Natal, da Ferrero e afins? Não tenho reparado nisso, mas espero que haja para aí uns restos, no Modelo ou qualquer coisa. Não importa se a qualidade não for excelente e não preciso de tabuleiros dourados, Ambrósios ou limusines. O que dava mesmo jeito era uma caixa de Baci (!), inteirinha, para comer até poder substituir este estado de espírito por uma culpa qualquer, tipo pecado da gula.
Dispenso é as dores de barriga que daí possam advir, era o que faltava!
E não é nada que duas aulas de Core ABS não resolvam..
Na quarta-feira à noite vou estar impecável.

pessoas II

Como é que se adquire o hábito de dar apenas um beijo na face, num país onde é tradição um par de beijos? Nasce com algumas pessoas, em determinados círculos?
Há no ritual de saudação de certos grupos esta distinção, onde todos, de uma forma natural e inata, se entendem com este código.
Não é chocante. Mas quando um outsider se infiltra, intencionalmente ou não, sente-se logo um atrito desconfortável, que começa exactamente aí, no segundo beijo que solta sem resposta.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Peppermint Patty


A Peppermint sempre foi a minha preferida.
Em miúda tive uma pequena Peppermint Patty de borracha, muito rija. Costumava entreter-me a mordiscar-lhe a franja saliente. A borracha era mesmo resistente porque nunca se estragou, mas não sei o que lhe fiz. Gostava de reaver a Peppermint.
Um dia vou criar uma personagem de BD famosa!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

liberdade de (ex)pressão

Indigna-me o fundamentalismo.
A democracia é a melhor forma de justificar o fundamentalismo, nos dias de hoje. O espírito da liberdade democrática permite a proliferação da ditadura opinativa e, tal como no tempo da censura mas por motivos opostos, não podemos fazer nada. Se antigamente existia um controlo rígido das massas e o fundamentalismo era proveniente de focos específicos e devidamente credenciados para tal, hoje - felizmente para as gargantas sequiosas - todos somos líderes de opinião e ouvem-se coisas do arco da velha.
Há teorias inacreditáveis, justificadas ou não - porque não é preciso -, pessoas que clamam para si o direito de fazer julgamentos com base no seu próprio exemplo e se insurgem contra as injustiças do mundo, normalmente em prol do seu umbigo e, de um modo geral, partem sempre de bons "princípios" (tenho muita dificuldade em compreender esta expressão).
Irrita-me particularmente que as pessoas afirmem determinada coisa em relação ao que o outro faz e lhe atribuam um motivo e um efeito, sem contemplações, como se fosse assim, líquido, dois mais dois. Irrita-me porque sou ambígua e gosto de o ser. Significa que não sou obtusa.
Não gosto do fundamentalismo que encontro na igreja católica e nas demais religiões; não gosto do fundamentalismo que rege os "princípios políticos" (a expressão assim ganha ainda mais corpo); não gosto do fundamentalismo considerado institucional. Mas este tipo de fundamentalismo é quase aceitável porque se herdou, é tradicional, tem raízes remotas.
Aquele que me aborrece mesmo, é o fundamentalismo que encontro em todo o lado, nas mentalidades: o de algumas pessoas casadas (as que vêem na união de facto uma desculpa para a irresponsabilidade e recusa de compromisso), o de algumas pessoas solteiras (as que vêem no casamento clausura e renúncia à própria liberdade), o de alguns heterossexuais (os que olham outras opções como desvios), o de alguns homossexuais (os que vêem na imposição de desfiles e paradas uma forma de se integrarem), o dos machistas e das feministas - normalmente pelos mesmos motivos.
(Cansa-me, enfim, enumerar o que me aborrece nesta sociedade de colunistas amadores.
Já quis ser colunista. Hoje em dia a ideia de impor as minhas opiniões faz-me perder essa vontade. Prefiro ser bloguista.)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

extensões


Não, este não é o Fox. Os olhos são maiores e é muito mais aprumadinho. Não coloco acessórios ao meu cão macho (ele já tem problemas que cheguem para competir com os bull lá da rua)! Mas tenho de admitir que até aqui o Lulu está mais bonito com o seu penteado natural do que o meu infeliz, vítima do Barbeiro de Sevilha em fúria!

gueixa


O espírito de sacrifício que a cultura nipónica ostenta é impressionante.
Não sou uma pessoa de pormenores e o detalhe causa-me, ao mesmo tempo, inquietação e fascínio.

oração do dia

Se eu conseguisse, se eu soubesse que todos quantos precisam de o ouvir, de o ler, de o saber, visitavam o meu blogue, faria das tripas coração para demonstrar que não se morre de amor. Que me perdoem os poetas; não os quero boicotar com a realidade - não quando eu própria, em alturas desatinadas, procuro na poesia cumplicidade para os meus lamentos - mas simplesmente não se morre de amor.
Isto não é novidade, é algo que todos sabemos mas que, em alguma altura das nossas vidas, para todos sem excepção, parece perder o seu carácter de verdade absoluta.

rotinas

Reparei há um tempo que existem nesta terra, vários estabelecimentos onde podemos registar o boletim do Euromilhões. Não sei se isto é necessariamente sintomático do que quer que seja. Há, claramente, muitos emigrantes, retornados de vidas passadas em França e na Suiça, que, obstinadamente, voltaram para construir as suas casas ricas, monstrengas e sem gosto, na sua terra natal. A periferia é composta, quase na totalidade, por pequenas indústrias: pedra, madeira, terraplanagem, serralharia... Em todos os restaurantes e tascas abunda gente da construção civil e vêem-se nos passeios mulheres de avental, que varrem diariamente as entradas das suas casas. Há escola, bombeiros, o jardim principal e até um coreto. Fosse esta uma terra que visse de passagem e até poderia considerá-la engraçada e pitoresca, com o seu pequeno mundo a pulsar sempre ao mesmo ritmo. Mas esta é uma terra que visito com regularidade e já me cansam as suas ruas, as suas gentes, a sua pequenez. Custa até a acreditar que o hábito não faz o monge quando, todos quantos lá pertencem, me parecem monotonamente iguais.

decisões

Fico vulnerável ao adormecer. À noite, quando me deito, a sentir o peso reconfortante da sua mão na minha anca, apetece-me sempre soltar algumas palavras antes que o sono me roube a possibilidade de o fazer. Coisas que se querem libertar ao longo do dia e que só têm aquela pequena margem de tempo para ser partilhadas. Inevitavelmente, quando acordo de manhã, a sensação que tenho é a de que sou submissa à lamechice.
Ontem fiz uma revelação. Contei-lhe o meu desejo. Rendi-me à perseguição de uma vontade que me esforço por contrariar em nome do bom-senso. Apetecia-me que esta vontade continuasse a ser só minha e não uma revelação pública, como se tivesse usado e abusado da única forma de desinibição que me estava vedada, por minha própria imposição. Agora já não é a minha vontade. Perdi-a, sem certezas de ter pensado nela o suficiente. Mais do que isso, fiz planos, cálculos mentais, contas de somar sobre esta sede crescente que devia permanecer platónica e que agora se transformou numa meta a atingir.
Não estou triste. Estou receosa e insegura. Agradava-me pensar sobre o assunto, era uma forma de regozijo interior que me alimentava. Agora desmistificou-se e obriga-me a dar um passo, do qual sei que é impossível arrepender-me, mas que assume proporções imensas, que me assustam.
...
(Só escrevo coisas desinteressantes e ilegíveis. São assim, os meus pensamentos constantes: enleados e confusos. Gosto de escrevê-los para, com sorte e alguma preocupação gramatical, tentar compreender-me melhor).

terça-feira, 8 de julho de 2008

pessoas

Incomodam-me as pessoas inexpressivas, que ostentam sempre o mesmo olhar indecifrável. Conheço pessoas assim, que me intimidam. Não são necessariamente carrancudas. Algumas, usam uma expressão de constante ironia, com uma espécie de ligeiro sorriso armado, independentemente do assunto que abordem. Não lhes consigo denotar stress, emoção, tristeza ou entusiasmo, a não ser quando soltam um desabafo de irritação ou uma frase divertida que, mesmo assim, contrasta sempre com a máscara constante que não deixa adivinhar o que lá vem. Intimidam-me quando olham fixamente, simplesmente porque olhar fixamente, a elas, não as perturba. Porque são imunes a emoções e nunca, jamais, se denunciam, a não ser que queiram mesmo. Dá-me ideia que nessas alturas perdem a cabeça e pensam "que se lixe! Um dia não são dias! Deixa-me lá soltar uma gargalhada!"
Mas chateiam-me mais as pessoas que, antagonicamente, se exprimem com alarido, que soltam gargalhadas estrondosas em situações que não o justificam, mostrando a quem está por perto que estão interessadas em dar nas vistas ou soltam palavrões ao mundo, para todos e para ninguém, porque lhes apetece partilhar o que sentem e o que não sentem. Ou então ralham, discutem e batem com as portas, sem pudor, porque lhes pisam os calos, sem atentar à sensibilidade de quem está presente. Entendo que, em relação aos primeiros, se podem esconder mistérios interessantes por debaixo da carcaça inflexível que lhes é inata, enquanto os segundos quase nunca têm nada cujo interesse justifique um espalhafato que fere.
Eu, como diz o poeta, não sei quantas almas tenho. Sinto-me almadiçoada com a capacidade de odiar alguém, ainda que por fracções de segundo, apenas porque dão gargalhadas despropositadas ou porque as suas expressões imutáveis não me permitem adivinhar-lhes o sorriso. Será que há quem me odeie como eu consigo odiar?
Gosto daquela franja de pessoas que consegue viver a vida com a classe de quem não se impõe aos outros na sua expressividade ávida mas cuja moldura física mostra as emoções que por dentro - onde está aquilo que realmente somos - se operam.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

life's good

Este fim-de-semana foi pecaminoso.
Começo pela delícia de jantar no vegetariano da Praça da Alegria http://www.jardimdosentidos.com/, que culminou com um fondue de chocolate daqueles de não se conseguir parar, sem esquecer o almoço de 'mar' no Clube Naval da Assenta, com muito peixe, muita salada e muito alto-astral e, por entremeio destas experiências sensoriais de excelência, muito sol e muita Praia - de S. Lourenço - com exfoliação de pés q. b. e até um imprevisto banho no "lago dos patos" (com água castanha, devidamente sinalizada com aviso de proibição recreativa mas capaz do milagre da multiplicação das bolas - de volley - e, estamos à espera, do milagre do rejuvenescimento capilar - confirmarei após resultados comprovados).
Os restantes pecados de fim-de-semana não são aqui de referir...
São estes fins-de-semana que fazem das segundas-feiras carrascos!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

falso índigo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_cores

Digam o que disserem, o invólucro do centauro do Banif é muito mais magenta ou roxo do que índigo. Na lista de cores da Wikipédia, confirma-se a minha teoria.

E isto revolta-me!

velhos hábitos, novos vícios

Tenho saudades dos tempos em que andava de transportes públicos e observava, fascinada, as pessoas à minha volta. Andar de transportes, para além de ser actualmente muito mais económico, tem a vantagem de nos alargar os horizontes muito para além do que estamos habituados quando conduzimos os nossos carros, sempre pelos mesmos percursos, a resmungar com quem anda muito devagar porque tem tempo, ou com quem anda a rasgar porque é cromo.
O comodismo de conduzir um automóvel em nada se compara à sensação deliciosa de nos deixarmos cair num lugar vago do autocarro, ao fim do dia de trabalho, e não ter de mexer um músculo, enquanto usufruimos dos cenários que se nos deparam. Ou sou eu que o digo, apenas por ter saudades de andar de transportes.
O que eu lia nas minhas viagens de metro para a estação de Arroios! Ansiava depois pelos finais de tarde em que passava a Portugália, de novo de livro na mão, até ao subterrâneo ou à paragem do 16, conforme a vontade, o trânsito ou os horários (que sabia de cor). Somos muito mais expeditos e desenrascados quando andamos de transportes públicos. Quando nos agarramos a um automóvel perdemos a criatividade e ficamos uns estúpidos, limitados a rádios medíocres, felizes por não termos de esperar 10 minutos numa paragem e realizados com a nossa perícia em conseguir estacionamento a uma distância de 10 metros da entrada do prédio, que tem 10 andares e onde cada vizinho tem, pelo menos, um carro.
O passe social é o nosso bilhete para a liberdade e só percebemos isso quando já fomos engolidos pelo comodismo enganador.

quotidiano

De tudo se devia conseguir fazer arte. Cada gesto devia ser sublime, cada palavra dita devia soar musical. Na sua simplicidade e por vezes até rudeza na forma de estar, há pessoas que me cativam. É como um cheiro que não se identifica, quase como acontece entre os animais; como um cio psicológico que nos prende reféns.
A rapariga da limpeza, no seu jeito singelo e até um pouco saloio, arrasta apressadamente a esfregona, com vigor, de um lado para o outro, deixando no ar um aroma a detergente floral, por vezes misturado com o odor bolorento dos fios gastos da Vileda. Outras vezes, em correria, circula de gabinete em gabinete com o seu pano e esfrega os vidros para lhes remover as dedadas. Recolhe o lixo dos caixotes da mesma forma pensada que o faz sempre, dando alguma lógica ao seu circuito diário. Enquanto isto, vai sempre falando, em tom de cavaqueira brincalhona e curiosa. Sempre recolhe algumas novidades e espalha outras tantas. Mete-se com as pessoas nos gabinetes, atira-lhes piadas e pisca o olho. Dá risadinhas e aparenta aquela alegria conformada das pessoas que se regem pela máxima de que tristezas não pagam dívidas mas, de vez em quando, lá vai soltando um suspiro ou outro e murmurando "é assim a vida!".
Não gosto que se meta comigo. Não me apetece dar-lhe as respostas efusivas e estridentes que ela gosta. Apetecia-me ser invisível para poder simplesmente observá-la, na sua agitação normal, com as suas piadas fáceis. É esse o seu desígnio misterioso que me faz refém e não a sua proximidade exagerada. Quando se aproxima muito e se ri para mim com os seus dentes pouco tratados, perde-se toda a magia da sua presença ali.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

facto

"Os miúdos de hoje nunca vão saber o que é vir da escola, de autocarro, a rebobinar uma cassete com uma bic para não gastar as pilhas do walkman..." *
* sábia observação do meu marido

Santa Marina di Bitinia

Não sabia que existia uma Santa com o meu nome. De toda a maneira, quis saber a sua história.
Descobri uma narrativa sobre o percurso desta milagreira, nomeadamente o seu disfarce de homem - Marino - para poder ingressar no Mosteiro, e o sacrifício de assumir, sob acusação injusta, a paternidade de uma criança, que - por motivos óbvios - não poderia ser sua. Que argumento!
Para acabar, remato com a citação final:
(...)
"Muitos milagres aconteceram por intercessão de Santa Marina e em 17 de Julho de 1230, as suas relíquias foram transportadas para Veneza, na Itália, onde se conservam até hoje, na Igreja Santa Maria Formosa. E assim, Santa Marina, exemplo de humildade e fidelidade a Deus, é invocada pelos fiéis como poderosa intercessora diante de Jesus, nos casos de maiores provações, doenças ou calúnias."

Sempre gostei de Santos e das principais virtudes que a religião lhes atribui. Num sentido prático, são como diferentes departamentos e convém estar informado da especialidade de cada um.

Literatura - fragmentos

"(...) Foi por essa ocasião que adquiriu o hábito de falar sozinho, passeando pela casa sem se incomodar com ninguém, enquanto Úrsula e as crianças suavam em bica na horta cuidando da banana e da taioba, do aipim e do inhame, do cará e da berinjela. De repente, sem anúncio prévio, a sua actividade febril se interrompeu e foi substituída por uma espécie de fascinação. Esteve vários dias como que enfeitiçado, repetindo para si mesmo em voz baixa um rosário de assombrosas conjecturas, sem dar crédito ao próprio entendimento. Por fim, numa terça-feira de Dezembro, na hora do almoço, soltou de uma vez todo o peso do seu tormento. As crianças haviam de recordar pelo resto da vida a augusta solenidade com que o pai se sentou na cabeceira da mesa, tremendo de febre, devastado pela prolongada vigília e pela pertinácia da sua imaginação, e revelou a eles a sua descoberta: - A terra é redonda como uma laranja. Úrsula perdeu a paciência. "Se você pretende ficar louco, fique sozinho", gritou. "Não tente incutir nas crianças as suas ideias de cigano." José Arcadio Buendía, impassível, não se deixou amedrontar pelo desespero da mulher que, num impulso de cólera, destroçou o astrolábio contra o solo. Construiu outro, reuniu no quartinho os homens do povoado e demonstrou a eles, com teorias que acabaram sendo incompreensíveis para todos, a possibilidade de regressar ao ponto de partida navegando sempre para o Oriente. A aldeia inteira já estava convencida de que José Arcadio Buendía tinha perdido o juízo, quando Melquíades chegou para pôr a coisa em pratos limpos. Ressaltou em público a inteligência daquele homem que, por pura especulação astronômica, construíra uma teoria já comprovada na prática, se bem que desconhecida até então em Macondo, e como uma prova da sua admiração deu-lhe um presente que havia de exercer uma influência decisiva no futuro da aldeia: um laboratório de alquimia."

Excerto do livro "Cem Anos de Solidão", Gabriel García Márquez

Este livro é uma verdadeira obra-prima. Lamento ter copiado um excerto brasileiro. A sonoridade da língua é uma delícia, mas a escrita é pavorosa.

"In" Extremis



TOM COCHRANE - Life Is A Highway



GERRY RAFFERTY - Baker Street (E alguns covers posteriores...)

Músicas que me lembram noites passadas na Extremis, em Sesimbra, onde acordei para a existência da paixão, independente de amores platónicos. Corria o ano de 93 (?)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

essências

Poucas coisas me fascinam como a Gastronomia. Alguns dos melhores programas que vejo na televisão, resultam de acasos de zapping que acabam por me prender a meio da frenética preparação de uma delícia culinária. É quase impossível resistir. Acho que a cozinha pode ser simultaneamente terapêutica, divertida e artística. Também pode ser chata ou frustrante, mas para mim é sempre um daqueles desafios hipnotizantes. Tenho pena de quase nunca ter o tempo que gostaria de ter para dedicar à aprendizagem desta arte. É verdade que ainda dispendo tempo a ver a dita televisão, o que me rouba barbaramente uma ou duas horitas diárias importantes, mas continuo a justificar esse entretenimento como distracção necessária (já não deixo, no entanto, que me roube o tempo imprescindível dedicado à leitura portanto creio que estou a evoluir qualquer coisa).
Agora lembrei-me de ervilhas, bem redondinhas, de um verde forte e textura suave e cremosa no interior; com um leve sabor adocicado, a condizer com as cenouras, mas a contrastar com a sua cor quase laranja. Com chouriço, daquele escuro, de carne tenra, atado nos fumeiros alentejanos e pedaços de entrecosto daquele que se solta do osso. E com ovos. Escalfados, claro.
Entretanto vou até ao ginásio, porque se faz tarde, e lá para as nove da noite, com o Fox muito mais contente e aliviado, estarei a comer uma salada grande, feita à pressa, com milho e queijo fresco. Também não é mau e faz tantas vezes as minhas delícias. Nem sei porque me lembrei das ervilhas, eu, a mulher da fava-rica!

curiosidades

Por muito pouca riqueza literária que isto tenha, tinha de o postar aqui. Tropeço nesta verdadeira panóplia de adjectivos várias vezes, por força do meu trabalho, e acho curiosa a minúcia desta lista de profissões/categorias profissionais a atribuir a cada caso (muito embora duvide que a maioria seja sequer utilizada já que, se excluirmos os estudantes, os desempregados e os reformados, pouca população nos resta para tantas classificações).
Deixo aqui um cheirinho da gigantesca lista de actividades, de entre as quais, aleatoriamente, escolhi as de maior brio (sem ofensa para aqueles que executam cada uma delas - sejam lá o que forem!):
Comprador
Debuxador
Posticeiro
Taxidermista
Soleteiro
Vibradorista
Trefilador manual
Santeiro
Brochador manual
Tripeiro
Esfarrapador
Abatjoureiro (a minha preferida)
Meadeiro (Sarilheiro)
Pisoeiro (Bataneiro)
Apanhador de algas
Sobrescriteiro
...
Tudo verídico.
p.s. O meadeiro e o pisoeiro escusavam de ser enxovalhados com aquele parêntesis (que ainda por cima não é nada esclarecedor!)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

não sei de mim

Hoje assomou-se-me uma desinspiração atroz. Eu, que tenho andado numa azáfama constante nestas últimas semanas, por urgências profissionais que me exigem prontidão, dou por mim vencida pela inquietude que este clima me provoca. Acho eu, que é do clima.
Tenho saudades de sítios que nunca vi. Olho para paisagens que não conheço com uma vontade augada de me transportar para lá e não sei se esta urgência de alma poderia justificar umas férias terapêuticas (?)
Mas não. Claro que não justifica. Já me sinto mal q. b. por este mal de alma me roubar a produtividade da qual dependo para sentir aquele cansaço bom de fim de dia.
De qualquer maneira, estou convencida que tudo isto é resultado de um 'problema' de hormonas, o que significa que, mais do que um mal de alma, há aqui algo de físico-químico (do qual apenas a minha amiga (força) centrípeta tem conhecimento - ainda bem que ela é das ciências) que me está a distorcer o raciocínio muito mais do que seria desejável. Acho que já me afecta o sono: durante a noite manifesta-se nas voltas consecutivas que me enleiam desconfortavelmente na roupa; durante o dia, na distracção impaciente de um amontoado de pensamentos, de prós e contras. Bem aventurados os que têm apenas o diabo num ombro e um anjo no outro: eu tenho centenas de gárgulas bifurcadas que me invadem o cérebro!
Continuo a não acreditar quando as pessoas caladas, de olhar perdido, me respondem que não estão a pensar em nada! É algo que, simplesmente, não pode ser verdade.

Amores assim...

Pedi-lhe qualquer coisa que me acalmasse o espírito inquieto.
Ofereceu-me esta canção, pela qual se apaixonou.



"Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim

Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou o avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo

Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar

Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar

Je t'aime j'adore
Um amor nunca se escolhe
Mas sei que vais reparar em mim
Yo te quiero tanto
E converso com o meu santo
Eu rezo e até peço em latim

Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor, a minha eternidade
É que na verdade a saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
É a sede que me mata
Ao sentir o rio abraçar o mar

Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida"

"Há Amores Assim" Donna Maria Letra: Miguel Majer / Música: Miguel Majer e Ricardo Santos

Gostei tanto deste presente!