terça-feira, 23 de setembro de 2008

programação

Chegou o Magalhães!
Foto@Lusa/Nuno Veiga
gostei tanto daquela reportagem sobre a distribuição dos computadores Magalhães pelas escolas!
e o ar do Sócrates:
'então, meninos, e há computadores suficientes? Pois... não chegam, não é? Não faz mal! Nós vamos trazer mais!'
deixei-me logo divagar:

CHAAARAAAN!!
(Sócrates com fato de super-herói)

'Porque nós somos o Super-Governo!!'

afinal, não.

quando voltei a olhar estavam a dizer que a seguir ia ser transmitido em directo o Paços de Ferreira-Benfica.
pensei logo 'que excelente alinhamento noticioso!'
mas até não foi mau. o jogo acabou mesmo a tempo. mais uns minutos e a coisa descambava.

caixa de música

não sei porquê, lembrei-me agora de um concerto dos Xutos a que assisti há vários anos no Casino Estoril.
foi uma noite gira.
lembrei-me não sei porquê.
de vez em quando lembro-me de coisas assim do nada. às vezes até são coisas boas e algumas são mesmo reincidentes, embora não perceba porquê.
mas a maior parte das vezes preferia não ter recordações.
ultimamente lembro-me ciclicamente de coisas que queria esquecer e que me fazem mal. acho que me fazem mesmo mal. mesmo, mesmo mal: ao estômago, à cabeça, ao coração.
a minha cabeça é uma caixa de música velha e poeirenta... sem bailarina!

cactos e margaridas

Não acredito que permanecemos iguais na essência, imunes à passagem do tempo.
Viver muda-nos. Viver é erosivo.
Sei o que me comove um cão abandonado, o que me sensibiliza o seu olhar suplicante. Sei o que isso me diz sobre o ser humano. Sei que isso não mudará. Sei da felicidade e do temor de amar, nas suas vertentes extremas. Sei que o amor é mistério e que isso não mudará. Conheço o prazer físico no seu carácter mais sublime e no mais fútil. Sei que, entre ambos, está um mundo e não está nada. Sei que será sempre assim.
Mas já houve um tempo em que não admirava a simplicidade da margarida e não valorizava a aspereza do cacto. Já houve um tempo em que não achei que dar vida à própria vida fosse um privilégio que podia aceitar.
Há coisas que mudam e ainda bem.
Noutros tempos nunca pensaria em ter uma filha a quem chamasse Carolina.

tesouro nº1

"venham ver na floresta o sol nascer..."

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

'night mother' & 'paranormal'

adoro chorar e rir convosco, miúdas!
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).

couceiro super-special one

Os nossos treinadores charmosos estão mais do que destinados a fazer história além fronteiras.
Hierarquicamente, o Couceiro está um patamar acima do Mourinho: encerra um misticismo à 'Robin dos Bosques' ao agarrar uma selecção inferior e elevar os seus jogadores a heróis no meio dos maiorzinhos e não tem como sponsor um árabe multi-milionário para o que for preciso.
Pode até nem ir mais longe: esta glória já ninguém lha tira.
(então não é charmoso, o Couceiro? Eu acho!)

fall

O Outono começa hoje, às 16h55...
Este tipo de precisão faz-nos esperar uma reviravolta climatérica digna das previsões assertivas que a sustentam.
Por enquanto, só vejo nuvens carregadas a emoldurar o azul fantástico do céu e a importunar, aqui e ali, um sol que aperta com força.
Mais uma vez, antecipei-me ao termómetro e "vesti a camisola" da estação demasiado cedo.
Este calor extrapolado aos seus limites sazonais é bom para me fazer chocar alguma.

postponed

Ando sempre a adiar as coisas boas, os pequenos prazeres.
O bombom que me delicía, a camisola fantástica religiosamente poupada para aquele dia que ainda não sei qual é, as duas horas de sono solto num Domingo qualquer.
O que acontece tantas vezes é, num golpe do destino, deixar passar a altura certa.
E quando provo o bombom ele não é tão bom como imaginava. E a camisola não fica bem, todas as outras parecem ficar melhor. E quando finalmente me deixo cair no sofá, não consigo forçar-me a descansar porque o sono espontâneo já passou.
Já não sei descontrair.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

pequim, a terra de Ninguém

'A Cidade Proibida', Pequim. China.

pequim é uma cidade pequena, de fim do mundo. Não chega a ser cidade. É um lugar, um lugarejo.
pequim não tem futuro. Há muito que está condenado a desaparecer e ninguém conhece este sítio. Talvez um ansião sem idade que ainda por lá tenha passado. E mesmo para esse, este lugar nasce da imaginação.
pequim é tão pequeno e insignificante que, na prática, não se sabe se ainda existe. Talvez os seus habitantes já tenham desaparecido, porque morrer no esquecimento e morrer efectivamente acabam por ser a mesma coisa num lugar que não existe para o Mundo.
Nos mapas, só se encontra Pequim na China. Nos livros de História também. Muito embora pequim tenha sido uma cidade há muito tempo, antes da haver China, a única Pequim que conhecemos é esta.

pequim pode muito bem ficar em Portugal.

é para e por você...



porque me quero apaixonar todos os dias e porque o melhor jogador em campo merece...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Bjork

Shhhh, ShhhhIt's, oh, so quiet shh,shhIt's, oh, so still shh,shhYou're all alone shh, shhAnd so peaceful until...You fall in loveZing boomThe sky up aboveZing boomIs caving inWow bamYou've never been so nuts about a guyYou wanna laugh you wanna cryYou cross your heart and hope to die'Til it's over and thenShhh, ShhhIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuse, zing boomThe devil cuts loose, zing boomSo what's the use, wow bamOf falling in loveIt's, oh, so quietIt's, oh, so stillYou're all aloneAnd so peaceful until...You ring the bell, bim bamYou shout and you yell, hi ho hoYou broke the spellGee, this is swell you almost have a fitThis guy is "gorge" and I got hitThere's no mistake this is it'Til it's over and thenIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuseZing boomThe devil cuts looseZing boomSo what's the useWow bamOf falling in loveThe sky caves inThe devil cuts looseYou blow blow blow blow blow your fuse ahhhWhen you've fallen in loveSsshhhhhh...

nestas alturas em que ando desvairada, vejo a Bjork no espelho retrovisor do carro...

é difícil ser-se são nos dias que correm

Ainda não consigo acreditar que, ontem, aquele gordo obtuso parou o carro no meio da estrada para me gritar "tens umas botas muita giras!" e que, hoje, uma das cadelas da minha vizinha me mijou aos pés dentro do elevador!
Bad timming a escolher calçado...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

as galinhas das vizinhas

há merdas que me chateiam a sério!
vejamos o meu caso.
sou licenciada. não trabalho na minha área (entenda-se minha como sendo aquela em que me formei).
acabei o curso há uns anitos que já vão fazendo diferença e, no entretanto, já trabalhei em três sítios diferentes, todos ou quase todos distantes da opção académica que em tempos tomei.
pelo meio, também passei por periodos de desemprego, frustração e rendimento nulo, como acontece com milhares em Portugal.
há uma coisa que nunca fiz.
nunca recorri a fundos do Estado destinados a garantir um rendimento mínimo de subsistência enquanto não encontrasse o meu emprego como doutora, engenheira ou arquitecta.
e espero nunca ter de fazê-lo.
não farei, certamente, enquanto não me faltar saúde e existir trabalho no mercado.
(subscrevo quase todas as críticas que se fazem ao sistema e às leis de mercado mas não apoio hipocrisias. esta sociedade de vítimas que, sem emprego, fazem compras na Mango sem reparar na placa que pede funcionários, enoja-me!)

testes

1,67 mt
58,4 kg
25 massa gorda (tem de andar pelos 19... isto é em kgs ou em percentagem?)
tensão normal/baixa
5 de outra coisa qualquer (numa escala de 0-10, diz que não é mau... mas pode ser melhorado!)
bastante flexibilidade (isso é bom! se já fui ginasta?! não, deve ter nascido comigo...)
coração em bom estado
cintura e ancas dignas de uma diva... (da década de 70, não nos dias de hoje)
"
uma hora depois, após uma caminhada razoável e uma corridazinha de nada e com - apenas - 10 minutinhos de abdominais e um duche... estou pronta para uma autópsia.
e aquela senhora nos sessentas, toda activa, que não se cala no balneário, a programar os steps e os combats e o total...
penteio-me em segundos e piro-me dali para fora a fingir que me sinto mesmo bem.
não aguento muito tempo aquele ambiente de obsessão saudável..

mas que ideia de merda

A não perder!
cócó de cão
serve-me de consolo que nestes dias haja sempre matéria prima ao virar de cada esquina... literalmente!
"
(Não gosto nada de cócós no chão e apanho muitas vezes os do meu cão, mas sou uma cidadã sortuda: nunca piso bostas!
No entanto, devo acrescentar que tropeço em merdas bem piores neste país!)

coisa rara

Coisa rara, acordar vazia como hoje.
O meu dicionário está oco de palavras, como um relógio velho que, sem corda, ficou parado no tempo.
Nem me lembro o que sonhei.
Coisa rara.
Não faz mal. Em dias assim percebo, sem surpresa, que o mundo não enriquece com as minhas palavras e que a minha personagem cumpre na mesma o seu papel neste teatrinho.
A funcionalidade é que importa.
"
Ainda assim, a lágrima da sensibilidade irremediável, assoma-se ao ventrículo quando alguém em cena se aproxima e questiona, com ar de quem já conhece, um 'passa-se qualquer coisa, não passa?'
"
Apercebi-me ontem com tristeza que o que mais lamento não é não saber para quem correr. Fazer desabar o meu mundo no ombro de alguém nunca foi algo que me fizesse sentir confortável.
O que me entristece é saber que eu não sou o ombro de ninguém.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

tu és isso

o duche de segunda-feira sabe tão bem como um banho de alguidar sem sabão...
mas depois da excursão à Regaleira, na Sintra húmida de lua cheia, em Domingo de Pentecostes, com boa companhia, pão, azeitonas e tinto do bom (creio eu!) e a alegria da exfusiante dança medieval, só posso pedir para esta semana que HAJA FOLIA!

"
(dedico este post à minha amiga 'Camila', que foi homem, por uma noite!)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

nuno

são sete anos.
ontem custou-me adormecer porque me lembrei, sem precisão, que fez sete anos.
lembro-me que foi há sete anos porque tenho como referência o 11 de setembro, o qual já não presenciaste. lembro-me também que foi neste mês, o mês em que completavas mais um aniversário.
soube por telefone e lembrei-me, num flash, da noite em que entrei no bar, com os inquéritos de SPSS que distribuiria pelos amigos, para ajudar no trabalho da faculdade. não estava à espera de te ver, a ti e ao meu professor de português preferido, em familiar tete-a-tete.
pelo telefone, de volta à realidade, ela repetia a mesma informação. respondi calmamente que tinha percebido bem. desliguei e estranhei-me por não chorar. em vez disso, fui acabar de almoçar. era sábado. porque havia de chorar? era uma fatalidade do destino, mas não uma fatalidade que me tocasse a mim. nunca nada nos havia unido daí que nada do que ouvira nos separava afinal.
ontem custou-me a adormecer porque, sem querer, me lembrei de mais pormenores e porque conclui que, então como agora, foste sempre uma perda. e vieram-me à ideia os sorrisos, as mãos suadas, os amargos de boca e as desilusões. as voltas da vida, as mudanças e a reincidência na tua presença constante e distante, durante uns tempos que parecem ter sido há mil anos.
lembro-me menos do que seria de esperar mas muito mais do que seria preferível.
sei hoje, pela nitidez do ontem, que esse passado longínquo em que ainda existias, nunca se desvanecerá na minha memória.

elviro

Sonhei coisas estranhas, soltas, dissociáveis, separadas entre si por uma ida à casa de banho, a meio da noite, que talvez tenha contribuido para a mudança de temática.
Primeiro, estranhamente, sonhei mais uma vez com ela. É uma constante.
Foi um sonho pacífico. Classifico-os como "aqueles que não deixam cicatrizes", os sonhos pacíficos.
É raro ter pesadelos assustadores ou sonhos muito bons. Tenho estes sonhos característicos de uma 'alma perturbada', umas vezes mais marcantes que outras.
No sonho ela estava imiscuída entre nós. Amiga da minha irmã e da minha mãe. Não achei justo. Sonhava, perplexa. Acho que uma parte de mim quer odiá-la, ou não consegue deixar de o fazer, e outra parte quer, infantilmente, pedir-lhe a sua amizade.
Noutra vida poderíamos ter sido melhores amigas.
Depois sonhei que estava nos Estados Unidos, a visitar amigos em Hartford.
Mas Hartford era um sítio muito estranho e tinha mar, praias horríveis onde a água era temida e onde ninguém nadava e pescava-se da margem, à cana, com jeito e energia máscula porque a linha era sugada com força por seres invisíveis. Foi um sonho extenuante. Era tudo feio.
E por mais que insistisse em ver os meus amigos, acordei antes de ter oportunidade de o fazer.
Nos meus sonhos fico quase sempre aquém de fazer qualquer coisa que quero muito.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

cas-si-o-pei-a

escrevo assim para não me subir um arrepio pelas costas.
da mesma forma que escondo os olhos por detrás de uma cortina de dedos quando vejo um filme de terror, "des-silabizo" palavras que me lembram coisas asquerosas com milhentas patas, como é o caso.
pena é que coisas tão agradáveis como deusas gregas ou constelações de estrelas sejam desta forma associadas a grotescas fobias por via da linguística.

hoje

vi-o quando estacionava.
vinha ele a caminhar penosamente, sem pressa, com o saco da marmita na mão.
reparei que era jovem e tinha a pele escura, talvez queimada do sol. talvez fosse mesmo mulato.
uma hora depois, à saída do parque, lá estava ele sentado na berma do passeio, perto do portão da entrada, com ar cansado e o saco da marmita aos pés.
calculei que contava lentamente os minutos da sua pausa solitária, para regressar de novo ao trabalho. ousei tomar como certas as minhas suspeitas sobre a sua amarga solidão.
um novo olhar oblíquo para o seu aspecto andrajoso e pensei que nunca antes senti tanta compaixão por alguém como naquele momento.
sou mesmo um caso perdido.

não foi, mas podia perfeitamente ter sido assim

- Hoje é mesmo um daqueles dias para esquecer!
- Então..!?
- Não sei... não tenho paciência para nada, tudo me faz confusão! E parece que nestes dias as pessoas ficam mais insuportáveis, falam mais alto, conduzem pior...
- És tu que as vês assim, por causa do teu estado de espírito. Da mesma forma que nos dias em que te sentes bem nada te chateia, em dias como hoje tudo o que te rodeia parece desagradável!
- Pois, eu sei que é assim que funciona mas saber isso não me serve de nada, ou serve? O meu estado de espírito permanece inalterável. Em toda a gente, mesmo nas pessoas de que mais gosto, sobressaem coisas negativas. É o que mais detesto!
- Como assim?
- É mais fácil sentir coisas más e pensar nos defeitos dos outros. É mais fácil sentir rancor e mágoa do que coisas positivas! Torna-se fácil desconfiar, ter medo, sentir insegurança. Tudo coisas más!
- Vais ver que amanhã é outro dia e tudo o que sentes hoje vai parecer muito mais distante.
- Eu sei que é assim! É isso mesmo que eu não gosto. Esta capacidade de transformar os outros, as coisas, o mundo, toda a vida através do nosso olhar!
- Mas não vale a pena questionar! É assim mesmo que funciona...
- Mas em mim estas oscilações são mais frequentes e mais radicais que nos outros!
- Isso é outro sintoma: achar que em nós tudo é pior. Tenta abstrair o pensamento de coisas concretas, não te questiones. Vais ver que te sentes melhor sem dares por isso!
- Tu não entendes...
- O. K. Se achas que não! Estava só a tentar ajudar mas se preferes assim...
- Eu sei que estás a tentar ajudar mas as boas intenções nem sempre chegam para resolver as coisas..
- Se calhar devias tentar aceitar que isto não é o tipo de coisa que se resolve mas sim que se deixa passar, com o tempo, com uma boa noite de sono, com alguma dose de paciência... Faz como quiseres. Fui!
...
(qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

um preço certo

o que me faz gostar de mim em tempos sãos?
a criança que vive por dentro e por fora e não deixa adivinhar o abismo de mais uma década finda. os caprichos que, não poucas vezes, me fazem desejar ser outra mas aos quais permaneço fiel. os impulsos imaturos noutros tempos responsáveis por sucessivos joelhos esfolados quase iguais aos que hoje me derrubam. e me deixam sempre erguer novamente.
tudo tem o seu preço.
vendo a alma ao diabo para garantir que me continuem a chamar menina.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

america today

diz que Sarah Palin, enquanto governadora do Alaska, cobrou diárias ao Estado durante um periodo em que esteve em casa. além disso, utiliza fundos de viagem para toda a família nas suas deslocações profissionais.
por outro lado, dispensou o jacto privado que o seu antecessor utilizava e opta sempre por vôos comerciais, poupando alguns trocos republicanos. e viaja em classe económica.
para mim, é a candidata ideal.
desengane-se quem pensa que a gravidez da filha menor é uma desvantagem.
e se isso não chegar, tem um bébé com síndrome de down, que pode exibir nas convenções republicanas.
obama que se cuide.
esta mulher já conseguiu fazer esquecer a renovada mística democrática.
isto é que é política espectáculo!

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

S.O.S.

quem me conhece sabe do meu fascínio pelas lantejoulas dos ABBA.
a alegria pop do Mamma Mia é irresistível.
estive presente no musical durante os dias que esteve em Lisboa e não podia perder a sua adaptação ao cinema, ainda que convicta de que não superaria a versão teatral.
que mais não fosse, a Meryl Streep e os idílicos cenários mediterrânicos levaram-me à tela.

contudo, não sei se vou conseguir superar o trauma de ver o Pierce Brosnan a cantar.

here i am

senti falta da fluidez das palavras que se soltam aqui com uma subtileza quase anormal.
mas isso já eu calculava.
soube bem libertar-me desta dependência saudável. quase tanto como sabe bem retomá-la.
estou de volta ao país dos eufóricos na vitória e rancorosos na derrota.
e do aumento da violência.
e do aumento dos assaltos, principalmente nas gasolineiras, nas suas duas vertentes - o dos ladrões que assaltam as caixas e o das próprias gasolineiras que nos vão ao bolso, todos os dias (muito me surpreende não ter visto ainda uma grande reportagem a relacionar os dois fenómenos).
estou de volta, saciada.
consegui fugir às praias apinhadas de famílias irritantes embora me tenha sido impossível fugir ao excêntrico histerismo do mulherio espanhol.
nem sinto o síndrome negativo do regresso agora que volto à rotina.
para concluir, e fugindo ao estereótipo efusivamente apregoado pela Isabel Stilwell nos seus editoriais, a minha singela semana de férias de verão soube-me muito bem.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

hasta

ao que sei agora, estarei afastada uns dias.
mas pode acontecer que não.
não vou gostar de perder este contacto cada vez mais vital mas espero que sim, espero afastar-me.
é bom sinal.
mas não sei.
se estiver por cá amanhã, ou depois, quer dizer apenas que pode sempre acontecer uma coisa ou outra e que, uma vez mais, aconteceu a que menos espero.

se isto não chega temos o mundo ao contrário...

de quantas mais "coisas" para usar, para exibir, para olhar, para nada servir?
de quanta ambição? de que tipo de ambição?
os objectivos que se atingem são imediatamente substituídos por novas 'necessidades'.
hoje temos o queríamos ontem, mas reparamos que ainda não é suficiente.
Vacilo entre parar e valorizar o que já se alcançou ou avançar mais para o próximo desafio, a próxima experiência.
os valores estão trocados.
*
ontem escrevia sobre coisas simples.
mais tarde, deparei-me com escolhas difíceis. cada decisão com a sua consequência, o seu 'peso'.
e tudo deixou de ser simples.
vi os meus momentos simples fugirem-me num horizonte temporal que soava a eternidade.
*
gostar de ti, gostares de mim... nem sempre chega.
temos o nosso mundo ao contrário.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

quando as saudades apertam...

... oiço as gargalhadinhas exageradas e vejo aqueles olhitos chineses e o nariz arrebitado.
lembro-me da meiguice dos gestos, da ligeireza do andar e da boca sorridente com dentes desalinhados.
quase que lhe sinto o cheiro!
adoro a minha trigueirinha.

coisas simples

São boas, as coisas simples.
Não nos pedem nada em troca e acontecem de acasos. São simples por isso mesmo.
Não se planeiam, não se elaboram e sobre elas não se criam expectativas. Sucedem-se com maior ou menor frequência e trazem-nos felicidade.
Idealizo coisas simples, anseio por elas, mas isso destrói-lhes a simplicidade.
Forço-me a não ansiar por elas, mas de vez em quando não resisto e vou espreitar o quadro que trago na minha imaginação.
Esse quadro está sempre a mudar. Às vezes é uma noite quente de passeio e sorrisos cúmplices; outras, um dia grande cheio de luz, gente e gargalhadas. Às vezes é um livro ou um écran de histórias. Outras vezes é um cobertor e chuva numa janela.
Mas forço-me a não ansiar.
Hoje, amanhã, depois... não vou espreitar o quadro.
Não quero saber as coisas que me esperam, desde que elas estejam lá, para me fazer feliz, na sua simplicidade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

imagem a quanto obrigas

Hillary Clinton sai-se muito melhor como apoiante de Obama do que o fez como sua opositora

informações úteis

a Comissão de Protecção de Vítimas de Crimes Violentos diz que são poucas as pessoas informadas de que podem recorrer a esta organização para pedir indemnizações em consequência da agressão a que foram sujeitas.
três coisas a dizer sobre isto:
primeiro, acho que a maior preocupação deve ser a de pedir justiça célere aplicada a quem comete estes crimes;
segundo, parece-me que isto fará com que muita gente comece aí a fazer-se ao murro (que isto nesta sociedade há de tudo!);
terceiro, creio que esta divulgação constitui certamente uma tentativa desesperada de acabar com os assaltos a dependências bancárias, CTT's e postos de abastecimento da linha de Sintra e do distrito de Setúbal.
eis que surge finalmente uma fonte de rendimento alternativa com vista a compensar as soluções que não se conseguem arranjar para o combate à violência (passo a ironia da expressão...)

mera coincidência...

*
http://ww1.rtp.pt/desporto/index.php?t=Benfica-homenageia-todos-os-atletas-olimpicos-do-clube.rtp&article=165094&visual=5&tm=13&Top=17Benfica
*

o facto de Vanessa Fernandes, Nelson Évora e Dí Maria (este ao serviço da selecção Argentina) serem todos atletas do Benfica - e os únicos medalhados em Pequim no que a clubes portugueses diz respeito - nada tem a ver com esta homenagem.
não.
esta é uma homenagem a todos os atletas do Benfica presentes nos Jogos. sem excepção.
aliás, a menina que está na foto é a judoca acusada de ter mau perder, porque seria de um óbvio mau gosto colocar mais uma foto do Nélson com a bandeira nos braços. seria tendencioso e descriminador.
pelo menos, dê por onde der o derby da luz, a noite vai ter glória benfiquista.

Italia mia!

não sei se quero perder esta ilusão de que a Itália é um misto delicioso de gritos suados e griffes cosmopolitas; de classicismo urbano e romantismo rural; de sol e de sombra; de cheiros gastronómicos e contrastes geográficos.
talvez tenha um imaginário fértil que quero continuar a alimentar.
é que, por mais que tente dissuadir-me de que a Itália é o meu paraíso idílico, com argumentos políticos ou sociais, simplesmente não consigo.

o título impensável

Pequim 2008
"Prestação portuguesa foi a melhor de sempre"
*
temos, portanto, que não temos...
*
a intenção de recandidatura de Vicente de Moura está também no segredo dos deuses, mas eu aposto numa 're-abertura' a esta possibilidade, agora que o desfecho da participação lusa foi brilhantemente condecorado e os atletas afinal nem são todos uma cambada de dorminhocos.
*
e se é verdade que podíamos ter pontuado mais, não deixa de ser um facto que o povo gosta é de ouvir o hino com a lágrima no olho... nem que seja só uma vez.

Obama acena à família

Citando o meu amigo Vale: "A América é linda, puto!"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

fantastic symphony

há dias em que a palavra não sai. o facto de pensarmos em português turva-nos a transposição e revolta-nos as entranhas se alguma coisa quer sair.
como vomitar: sabemos que alivia mas custa sentir o seu sabor amargo.
as palavras são amargas quando falam de alguns sentimentos.
queria sentir em português e vomitar tudo em khmer, em marati, em urdu, em gujarati, na aspereza desconhecida desses dialectos que não entendo, para não lhes sentir (às palavras) o sabor...

just like Campari

Wanting to remain sweet but always falling on my bitter side... or the other way around.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

17.67

o número mágico.
e agora?
de que falarão as gentes da nossa terra, habituadas que estão à calanzice e ao infortúnio?
o nosso problema não é não saber perder, é mesmo não saber ganhar...

evidências

um homem nos seus quarentas ao volante de um Lancia Musa reluzente e novinho em folha, tem um longo trabalho pela frente se quiser mostrar indícios de virilidade.

de partida

para o paraíso da costa alentejana, a disfrutar ao máximo (na pior das hipóteses com periodos de insatisfação ligeira por ser difícil tomar um banho de água doce ao final do dia!)
de toda a maneira, longe daqui!
e, o melhor de tudo, sem tv, jogos olímpicos, desastres aéreos, desaires políticos e pseudo-intelectuais!

cannonball (ou a minha beloved music de cortar os pulsos...)

para levar em viagem... no leitor ou na guitarra.



there’s still a little bit of your taste in my mouth
there’s still a little bit of you laced with my doubt
it’s still a little hard to say what's going on

there’s still a little bit of your ghost your witness
there’s still a little bit of your face i haven't kissed
you step a little closer each day
that I can´t say what´s going on

stones taught me to fly
love, it taught me to lie
life, it taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball

there’s still a little bit of your song in my ear
there’s still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me
so close that I can´t see what´s going on

stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so its not hard to fall
when you float like a cannon..

stones taught me to fly
love taught me to cry
so come on courage, teach me to be shy
'cos its not hard to fall,

and I don't want to scare her
its not hard to fall
and i don't want to lose
its not hard to grow
when you know that you just don't know

Damien Rice

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

a pior de todas as minhas privações


não me dar tempo para rir!!!

quando somos o que não queremos

Faço o que jurei não fazer e dou comigo no beco da consciência, aquele onde ressoam as vozes contraditórias.
As vezes que me descubro a dar importância a pormenores e a tentar descobrir coisas que não quero, em mim e nos outros, cansam-me.
Tento não ser dependente dos afectos há quase tanto tempo quanto aquele que me levou a perceber que isso é impossível.
Prefiro mais, mil vezes mais, a verdade. Tão somente porque a alternativa é a mentira.

dar o exemplo

as afirmações despreocupadas de alguns atletas olímpicos portugueses sobre as suas más prestações na prova, estão a cair que nem bombas neste lago calmo e sôfrego de agitação, que é o nosso Portugal.
há coisas que realmente não soam bem... "de manhã só é bom é na caminha"??
pois, parece um bocado mal, sobretudo para os que levam a coisa um pouco mais a sério.
faz-me lembrar qualquer coisa que li há tempos: "Se não formos capazes, peço desculpa. Vou para casa, onde tenho umas pantufas confortáveis à minha espera".
já sei! Foi o Vicente Moura que o afirmou em Maio, a propósito... dos Jogos Olímpicos!!
cá para mim partilha com o Marco Fortes o gostinho por mais duas ou três horinhas de sono pela manhã...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

excerto do livro que ainda não comecei a escrever

Entrar em casa transmitia-lhe aquela sensação agradável de tranquilidade.
O dia acabava, estava entregue a si próprio, sem ter de se impôr qualquer postura ou dar satisfações de qualquer tipo. Resmungara, para trás, com condutores anónimos que eram todos azelhas, sem excepção. Sabia que não era assim, mas era assim que o sentia.
A tranquilidade do regresso, porém, não é algo permanente.
Sabe que, de alguma forma, partilhar a sua vida significa sempre ter de se impôr uma postura e ter de dar satisfações. Sabe que esperam de si, que deve cumprir aquilo a que se votou. Baila-lhe muitas vezes no pensamento a questão. Será que vale a pena? De que é que se abdica e o que é que se ganha em troca?
Encolhe os ombros. Sabe que a vida é um jogo irónico. Há muito que sabe isto.
Sabe que há duas respostas para a primeira pergunta e que elas alternam entre si, muitas vezes, ao longo dos anos.
Não é um conformado mas tem perfeita noção de que a vida é feita de pesos opostos e aprendeu a saborear cada momento solto de felicidade com a intensidade de quem está consciente de que ela não é constante.

teorias do flip-flop

Dá-me graça é a malta que acompanha os jogos olímpicos, de fio a pavio, sentada no sofá com a cerveja na mão, num misto de dedicação patriótica e fidelidade crítica.
Dá ideia que, muitos, até gostam de ver as más classificações dos atletas portugueses para poderem chamar-lhes calões e acusá-los de ser um reflexo do país.
Sim, deste 'país miserável' de calões em tronco nu, sentados no sofá a ver os jogos olímpicos.
É uma pescadinha de rabo na boca.

quereres

Tanto ainda para aprender, que queria ser criança.
Queria saber que o meu corpo vai crescer mais, na medida dos conhecimentos que quero engolir - não sei se tudo isso caberá agora numa massa física que já não se expande.
Este tempo que é carrasco, tão cedo! Contrario o que sinto com a razão de que três décadas são, afinal de contas, pouco tempo. Mas trago na alma a marca daqueles que partiram sem viver este tão pouco tempo, bem como a convicção de que é fácil sermos nada, de súbito, levados num momento.
Quero tanto, tanto. Quero mais do que o que tenho. E quando tenho mais, ainda não estou satisfeita.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

... e parabéns à Vanessa!

por sobreviver, com distinção, à que considero a prova mais extenuante de todas!
é uma senhora!

Obikwelu

deixa-te disso, Francis...!
não sei como é na Nigéria mas já devias saber que, por cá, ninguém pede desculpas por não cumprir ou corresponder... e ninguém espera que o façam, de maneiras que deves ter deixado muita gente de boca aberta pela gentileza e pelo profundo reconhecimento ao país.
digo mais, a verdade incontornável é que se pensássemos no investimento que se faz no futebol, exigíamos a toda a hora pedidos de desculpa daqueles que não fazem, de facto, o seu trabalho.
da tua parte, o trabalho foi feito.
às vezes os deuses fogem para outras paragens!

eis senão quando...

... na interminável fila de carros da avenida principal da Ericeira, hora de almoço soalheira, a dar início a uma grande tarde na praia do sul, me vem parar ao colo, por enviado especial de serviço ao semáforo de S. Sebastião, novo exemplar do Destak - que isto até parece perseguição e já não acredito em acasos.
a editora volta a debruçar-se sobre o tema 'férias' e volta a fazê-lo numa abordagem estereotipada e "hiperbolástica".
das duas uma: ou a Isabel Stilwell tem um trauma recalcado com as férias de verão ou está simplesmente resignada a fazer deste um periodo non grato aos olhos de quem a lê.
aos meus não! a única coisa que me tem estragado as férias é ainda não as ter tirado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

easy, easy! (answer)

You have no sense of humor, whatsoever!
It's the eyeliner, of-course!!

bola de cristal

Descobri, enfim, o meu ascendente.
Capricórnio, segundo especialistas on-line, tão fiáveis quanto possível.
Não sei se é bom. Fiquei mais ou menos na mesma. Há signos sobre os quais sei muita teoria e dos quais conheço muita gente - resultado de picos de reprodução e fecundidade calendarizados, alguns com certa lógica, outros nem tanto. Capricórnios não conheço muitos, quase nenhuns.
A astrologia é provavelmente a ciência em que menos acredito mas que mais curiosidade me inspira. Não faz sentido nenhum. A música, por exemplo, é credível e desperta grandes e óbvias realidades: aprender a tocar chamou-me a atenção para os malefícios da sofreguidão crónica da qual padeço. E é preciso ter atenção a estes sinais e tentar seguir os conselhos de quem sabe.
Será a sofreguidão uma característica dos Touros com ascendente em Capricórnio?
Não acredito nestas coisas, mas se vir isto escrito para aí em qualquer lado, sei que vou pensar 'olha, olha! quem diria?'...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

vilão

Depois do estigma da bichice, em Brokeback Mountain, Heath Ledger deixou que o estigma de junkie o derrotasse de vez e da pior forma.
Mesmo para quem não gosta de películas de super-heróis (o meu caso), devo admitir que Gotham City nunca mais vai ser a mesma desde que perdeu, para sempre, este joker.

fácil, fácil!

O que têm em comum Quique Flores e Nestor Carbonell?

hey, you

talvez até possas ajudar-me com uns acordes.
tanto gostavas de os tocar, quando os blues de antigas paixões chamavam por ti.
ou só tocas quando estás triste? e será que estares comigo é sinal que não tocas mais?
não quero que assim seja.
preciso de ti para sair da sombra e da insegurança.
para ser uma estrela.

james



Whenever she's feeling empty
Whenever she's feeling insecure
Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore

Her shadow is always with her
Her shadow could always keep her small
So frightened that he won't love her
She builds up a wall

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

She's been in disguise forever
She's tried to disguise her stellar views
Much brighter than all this static
Now she's coming through

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she's nowhere to hide in the dark
She's a star
She's a star

Don't tell her to turn down
Put on your shades if you can't see
Don't tell her to turn down
Turn up the flame
She's a star
She's a star

It's a long road
It's a great cause
It's a long road
Its a good call

You got it
You got it
She's a Star

há dias em que esta música dói, há dias em que dá gozo
não há dia em que me seja indiferente

acordes

os dedos estão doridos e dormentes. descobri que, afinal, até nem são assim tão pequenos e que é mais importante o tamanho da força de vontade do que o das falanges. não se fez magia, nem sequer ainda se fez música mas acho que se fez luz. a porta está entreaberta... e parece que tenho potencial, ou então é só um toque de encorajamento. seja como for, vou entrar. preparar-me para enfrentar as cordas irregulares (difíceis!) que me farão achar as outras um figo (sim, como tirar a carta num carro sem direcção assistida) e usufruir do som especial da guitarra que me vai servir de rampa de lançamento...

vale a pena, se a alma não for pequena... as mãos, é o menos!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

aos brilhantes!

o sentido de humor um pouco questionável, uma crítica mais acesa ou pouco fundamentada, uma entrada com menos propósito ou mais irrelevante, não apagam um sensibilidade do tamanho do mundo.
que não se descrimine a utilidade do objecto em função do despropósito de quem lhe dá uso.
há dias mais cinzentos e as férias, ainda longe, começam a constituir um tormento.
juro que na minha casa já reina a insanidade de um cansaço desmedido.
e a minha incoerência já começa a ser reveladora disso mesmo.

(à)parte

Sou muito sensível a determinados adjectivos ou caracterizações. Detesto, por exemplo, que num contexto estético, chamem à cor do meu verniz vermelho sangue-de-boi. Vermelho rubi-profundo é muito mais adequado. E o tom deve ser ela por ela.

egoïst

Na perspectiva de mera observadora, incomoda-me que hajam pessoas que reduzem o conteúdo das suas vidas à presunção do iminente falhanço sentimental. Conheço pessoas assim, que me procuram para me perguntar o porquê. É uma busca desesperada. Sinto que se agarram a mim, como que a uma bóia, na tentativa de que a minha resposta seja a salvação. Não entendem que não há salvação nos meus conselhos, nas minhas respostas. Apetece-me gritar-lhes que é óbvio. Que enquanto as suas vidas se resumirem à constante procura de resposta para a pergunta 'porque sou um falhado?', nunca vão realmente viver. Incomoda-me mais ainda assumir que são amigos, estas pessoas que nos valorizam pelas respostas apaziguadoras que lhes damos em momentos de maior desatino e aflição. Amigos que nunca sorriem connosco e apenas nos procuram para nos mostrarem que, ao contrário de nós, que somos sortudos e amados, eles continuam sós e miseráveis.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

beijing


there are nine million bicycles in beijing.
that's a fact...

venha lá quem vier, os chineses, enquanto povo, são extraordinários.

como comerciantes no ocidente, são um fungo... com forte cheiro a incenso.

não é justo.

café forte

Ao longo do dia: maçã e chá branco, em estado líquido e transparente, supostamente saudável e inibidora do apetite. Cheia de conservantes e aromatizantes. Não acredito que seja mais saudável do que a canalizada, mas pelo menos é água. Não acredito que seja inibidora, mas é doce por isso bebe-se mais e fica-se mais cheio.
Bolachas. Integrais, com sabor a limão. Gosto de limão.
Muitos jantares constituídos por sopas ou saladas, apenas porque sabe bem.
Ginásio-sim, ginásio-não (com remorsos nos periodos mais extensos de ginásio-não).
Peixe, peixe, peixe. Muito mais do que carne. Inveja do peixe no prato ao lado.
Maracujás, às colheradas, este fim de semana.
Rituais que não se confundam com dietas!
Apetece-me fazer coisas. Mais coisas. Muitas coisas. Canso-me e apetece-me cansar ainda mais, com coisas diferentes.
Depois quero dormir bem e descansar de tudo, mas dou voltas e voltas e sonho com musgo e outras coisas estranhas. Por causa da sopa, da salada, do calor, da culpa do ginásio-não...
E de dia tenho sono, muito sono e subo a escada com a garrafa de Vitalis maçã e chá branco, desta vez cheia de água normal. Sinto-me eu própria dentro de um aquário e vejo as coisas distorcidas à minha volta, de tanto sono.
Detesto este meu sono e as drogas que mo provocam.

troféus de bolso

Os Torneios do Guadiana, de Braga e de Guimarães foram distribuidos pelos três grandes para ninguém partir em desvantagem. Esperemos por uma época harmoniosa e competitiva!

domingo, 10 de agosto de 2008

la musique

A iniciação às Artes Mágicas fica, por obra do destino, adiada até terça-feira.
Prometo ir deixando novidades...

Isabel (II)

Bastaram meia dúzia de linhas. O tema perdeu todo o seu impacto em função das barbáries enumeradas em forma de lista.
Entre outras coisas, realça a autora, a vantagem de não estar de férias é não ter nada para fazer neste periodo e aproveitar esse ócio (que eu prefiro chamar de tédio) para ter um mês sem produção. Que princípio tão nacionalista!
Outro grande benefício, é o de podermos ir a um SPA, descontrair (depois de um dia de trabalho sem fazer nada, digo eu!) por um preço muito mais acessível - ou como ela diz, "ao preço de uma coca-cola num resort".
A melhor parte é a sugestão que nos deixa, já que, segundo ela, não se tem nada para fazer. Então a proposta é visitar sites de agências de viagens e programas de férias apenas para imaginar como seria bom, com a grande vantagem de não gastar dinheiro, já que na realidade, estamos só a fazer de conta!! (!?)
O que é mais surpreendente é que nada disto é escrito em tom irónico. Através de um sentido de humor extremamente britânico, ela vê mesmo benefícios para a moral neste tipo de atitude...
Leiam, é o que vos digo. Porque há coisas que só vendo.

Isabel (I)

Quis o destino que passasse a tarde de sexta-feira nas urgências de um hospital, como já se vem tornando habitual, muito embora, desta feita, tenha sido como acompanhante. Nunca é uma experiência enriquecedora mas tem oferecido matéria para me debruçar.
Desta vez, sem qualquer reclamação que não a do aborrecimento da espera, agarrei-me a um exemplar do Destak, publicação de distribuição gratuita, arrependida de não trazer na mala um dos livros de cabeceira...
Não li mais que a página 2. O editorial da Isabel Stilwell tentava supostamente animar aqueles que não têm férias em vista (o meu caso) e chamar a atenção para os inconvenientes de estar de férias (que também os há). Claro que sim. E o tema até me interessava, mas depressa se desvaneceu o meu entusiasmo.

sábado, 9 de agosto de 2008

magnifique! uma pérola...

Quando me sentir mais mordaz, falo-vos do Editorial da Isabel Stilwell, no Destak de ontem...

família

Na rede me baloiço. Sinto a brisa quente do dia de hoje e vejo-me alheia ao riso das crianças, ao ladrar dos cães, às conversas soltas.
Rodeada de verde, oiço o espanta-espíritos ao longe.
A única coisa em comum com os últimos dias é a fidelidade ao meu blogue.
O meu blogue, uns dias o altifalante que solta as palavras de partilha, outros o buraco fundo para onde cuspo o que não quero anunciar...
Vou aproveitar esta brisa. Fechar os olhos e, para variar, confortar-me com a sensação de que, normalmente, quando passo por aqui, estou enclausurada e rodeada de economato.
Hoje não tenho de imaginar realidades.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

digno de registo

comentário da repórter em directo para o canal x, por volta das 21h30:
"... resta apurar quais são as motivações dos dois assaltantes que se encontram no interior da dependência, se resultam do factor necessidade ou se são de outras naturezas" (?)

... pois concerteza que é de ficar aborrecido!

... anda o Banif a dar um novo significado à cor índigo e a multiplicar centauros pelo país, para vir esta brasileirada fazer publicidade gratuita à concorrência. Não me parece nada bem...

BES

Finalmente informação interessante!
Quais maddies, quais futebóis, quais 'ferreiraleitismos'! Assaltos a bancos é que é, com reféns, suspense e teorias analíticas do Observatório da Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (nem sabia que tinhamos disto!)
E agora com o Tropas de Elite finalmente nas luzes da ribalta, tudo faz sentido...!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

alaska

He made his way back to the old town
And everything looked just the same
The shops and the schools and the factories were there
But somehow the faces had changed

So he went for a walk in the high street
Took his coat off and rolled up his sleeves
He thought of his father and his father before him
And how he was the first one to leave

Well he didn't come here for forgiveness
There isn't a lot they can say
'Cause I remember the reasons
he first ran away

He's a rebel
Just a rebel
Got his back to the wall
Gonna fight 'til he falls
He's a rebel

Don't ever look back - don't surrender
The old men say they've seen it before
Oh they drink their beer and they talk about friends
Who didn't come back from the war

Don't say he's too young to remember
Don't tell him what's wrong or what's right
Just give him a chance to go out there and fight

He's a rebel
Just a rebel
All the battles are won
But he's still on the run
He's a rebel

When it comes time for leavin'
Don't stand in my way
There's nothin' left for me here
Gonna run, run away

In the morning he walks past his old house
In the rain under gray northern skies
There's a new coat of paint on the front garden gate
But there's more here than first meets the eye

For a moment he stands undecided
Looking back on the days of his youth
As two worlds collide in a moment of truth

He's a rebel...

'Rebel', in Into the Fire - B. Adams

Sempre gostei desta música. Tenho pena de não encontrar o vídeo (provavelmente não existe).
Quando a oiço, imagino o nevoeiro de uma vila pescatória, de um país nórdico.
Se vivesse nesta vila, vestia camisas de flanela grossa e calçava botas da Cat, amarelas. E atava os cabelos, para não se indisciplinarem com a excessiva humidade do ar.
Este vídeo devia ser gravado no Alaska.

um doce!

Dedicar dois dias à casa e poder respirar de alívio. Ir à esteticista e tomar um banho de auto-estima. Fazer umas comprinhas, daquelas terapêuticas, coisa pouca. Olhar em volta e pensar que não negligenciámos uma migalha. Exorcisar os fantasmas do trabalho.
É difícil viver com esta mulher que sou.
Enfim, vou voltar ao trabalho, que se acabou a pausa...
"
(a frase da Cláudia não me sai da cabeça: "a água aqui está um caldo!")

usurpação de poderes divinos

Durante quanto tempo é legítimo fazermos o outro esperar pelo nosso perdão?
Se errar é humano, devia considerar-se desumano o tempo de luto a que forçamos os outros que esperem pela nossa misericórdia.
As pessoas não sabem perdoar.
Foi para isso que se inventou Deus...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Drª Maria de Lurdes Rodrigues

É oficial. Foi publicada em Diário da República a decisão já tomada pelo ministério de atribuir um prémio de 500 euros ao melhor aluno do ensino secundário, quer na vertente científico-humanística, quer na profissional ou tecnológica.
Sou a única pessoa a achar esta ideia repugnante?
De tão estúpida chega a ser imoral e, francamente, quando já pensava que nada me surpreendia nesta política de educação, tenho de me baixar para apanhar o queixo do chão...
Mesmo que rebusque lá bem no fundo, não me surge nada de positivo que possa dizer sobre isto. No meu tempo já achava estranho que alguns colegas fossem exageradamente recompensados pelos pais quando passavam de ano (às vezes à rasca!), e pensava que os meus eram uma espécie de progenitores em via de extinção por considerarem que as suas filhas não faziam mais do que construir algo de bom para si próprias ao passar de ano com boas notas. O meu sucesso escolar deixava-os orgulhosos, mas não implicava uma obrigação moral de atacar o orçamento familiar. E ainda bem que assim foi!
Antigamente, os miúdos pediam, receosos de um não, a satisfação de caprichos menores. Hoje, são os pais que impingem brinquedos e merdinhas para conseguirem dez minutos de sossego.
Agora, até a idiota da ministra passa cheques, com carimbo de atestado de estupidez, para os mais inteligentes (também deve vigorar na Carolina Michaelis)! E fá-lo com aquela expressão que mais parece dizer: "vamos lá a aumentar a média para acompanhar a europa! No fim do ano, podes queimar esta guita toda em toques polifónicos!"
Se tivesse jeito, fazia aqui uma caricatura, que é o que este post precisa!
Palavra de honra..

serendipity

A todo o momento descubro, acidentalmente, que te amo... over and over again!

verdes anos

Às vezes, mergulho nas fotos do teu passado. Fotos que não me pertencem, onde me sinto insecto. Sei que não contribuí para os sorrisos e os sentimentos espelhados. Sei que são noutra vida, sem a minha presença. Reconheço-te mas és um estranho; vejo-te como se te conhecesse desde sempre mas sei que não estava lá e também eu sorria e sentia noutras paragens, com outras gentes. Parece que havia um mundo tão grande pelo meio!
Mas não. Esse mundo era só um estreito, muito ténue e destinado a diluir-se.
Os sorrisos, os sentimentos, os rostos e as fotos valem o que valem, pesam o que pesam. Podem ter um peso insustentável ou ser apenas o pedaço de vida na proporção ideal que nos construiu até nos encontrarmos...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amália...

Gostava muito de ti.
Tive pena que morresses.
Oiço, emocionada, a tua voz gravada nas velhas películas.
Chateia-me só um pouco que tenhas tido uma vida tão cheia.

Por tua causa, estou sozinha à noite...
Sim, por tua causa!

letras



"O que é Nacional é Bom!"

E se for da colheita de 79, então...!

(a ver vamos!)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

impaciência

Curiosa esta nossa vontade de ter controlo sobre o tempo.
Sou particularmente sensível às diferentes perspectivas que a velocidade do tempo nos oferece. O relógio de areia angustia-me pelo estreito a que é condicionada a passagem dos seus grãos. Asfixia-me aquele atraso forçado da descida das pequenas partículas, principalmente quando estou aqui fechada. Sou muito mais que este espaço, e aqui encerrada sinto-me um grão de areia, num ínfimo estreito.
Porque se parte a ampulheta quando estou lá fora e sou feliz?
Aí, a areia desce em derrocada, como uma cascata. O tempo deixa de ser composto por partículas sólidas que se amontoam, e transforma-se em matéria líquida, que estreito algum pode conter.
A felicidade é rebelde, como a água.

o senhor que se segue

Pois bem, o feiticeiro não morreu (não me espanta), mas pelo menos 'vitória! vitória! acabou-se a história', porque os meus horizontes literários urgem por mudança.
Assim, amiga Cláudia e caro Rui de Brito, avanço, a todo o gás, para o 'vosso' Banana Split!
(Perdoem-me a demora!)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

alexandre & sofia

são os fedelhos mais insuportáveis do planeta!
ou têm a pior mãe de todos os tempos...
seja como for, eu acordo...

a pilha está a crescer na mesa de cabeceira

Estou em pulgas para saber se afinal de contas o Harry Potter morre ou não.
Parte de mim deseja ardentemente que sim, e até a que não deseja vai ficar extremamente desapontada se isso não acontecer...
A minha privação de outras literaturas devido a esta teima de 600 páginas já começa a irritar-me!

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender.. (parte 2)

quando achava que não podia piorar, dou de caras com a Odete Santos nos seus devaneios... valha-me um santo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

lar

Lembro-me da terrina de loiça, barroca, com a sua tampa escultoricamente florida e as pegas de relevos fartos, da colher que irrompia, curvilínea, pela saliência da tampa e da travessa onde assentava o conjunto, de rebordos pomposos e padrões condizentes. Tudo numa enjoativa harmonia, por cima de um naperon desenhado, de fio simples, muito branco. De um lado, o cinzeiro pesado, de mármore esverdeada, em nuances. Do outro, a cigarreira alta, ainda mais pesada, de textura ondulada, da mesma cor. A mesa de madeira escura. As cadeiras imponentes, de pilaretes orgulhosos, pesadas, esculpidas. Os móveis altos, tão escuros como a mesa e as cadeiras, com puxadores brancos, de plástico, tristemente grandes e pobres de enfeites.
Gosto de voltar hoje à mesma sala onde vejo agora uma decoração mais fresca, que procura encontrar-se, harmonizar-se mais, todos os dias, em busca da combinação perfeita que (sei) nunca vai existir! E ainda bem, porque para onde quer que os rios corram, sei que tenho sempre aquela sala. Sei que aquela sala se compara, de alguma maneira, à minha evolução constante. E sei, sobretudo, que tal como eu, aquela sala vai ter sempre encerrada em si, a velha terrina e o cinzeiro de mármore.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

rua de estrasburgo

porque adoro caleidoscópios enquanto objectos ou porque ainda reside em mim algum saudosismo da caleidoscópio, deixo aqui um rasto da minha antiga "casa"..

considerações de quem abdica das séries da FOX, para mais tarde se arrepender...

Podia dizer que perdi ontem grande parte do Frente-a-Frente, na Sic Notícias, mas o pouco que vi faz-me concluir que não perdi nada. Ando a evitar ver e ouvir coisas absurdas e inaceitáveis da parte de pessoas que deviam dizer e fazer o bem pelo País, ainda que apenas como militantes ou deputados políticos. O caso da Joana Amaral Dias e da Teresa Caeiro é flagrante. Primeiro, porque o perfil político de cada uma delas está tão bem delineado que não precisamos que abram sequer a boca para automaticamente as encaixarmos no bloco partidário a que pertencem. Torna-se tão fisicamente óbvio que chateia! Depois porque é gritantemente permissível que programas potencialmente interessantes, como é o caso deste, sejam corrompidos pela ausência de conteúdo. Pior do que uma luta de lama entre PS e PSD só mesmo um debate pseudo-cordial entre gajas ou doutoras do Bloco de Esquerda e do CDS.
Valeu de qualquer coisa o Mário Crespo (que é tão frustrante como dizer que o homem do jogo é o árbitro).
E como o futebol parece surgir sempre de mãos dadas com a política, não tenho conseguido deixar de pensar ultimamente nos balúrdios inacreditáveis que se movimentam através das irreguláveis contratações de jogadores profissionais - que, cada vez me convenço mais, não deveriam ter este estatuto - e na imaculada impunidade do Sr. Pinto da Costa que, para todos os efeitos, é intocável no que à lei diz respeito.

terça-feira, 29 de julho de 2008

PRECISA-SE:

URGENTE!
Comentadores desportivos inteligentes e objectivos.
Não se aceitam candidaturas de autarcas ou ex-futebolistas.

Vaga actualmente preenchida por Quique Flores. Carácter: Temporário

OPORTUNIDADE:
c/ ou s/ experiência (preferencialmente mediático), para exercer funções indefinidas, com capacidade de discurso optimista e vencedor. Exige-se aos candidatos capacidade de fingir liderança e aceitação de lugar de risco com iminência de rescisão e possível abundância de periodos de humilhação semanal.

S. José

Madrugada de domingo, com o sol a querer nascer lentamente, num céu rosado.
Fui ao Hospital. A S. José, que é, no meu imaginário, o hospital dos Hospitais. É um dos mais velhos hospitais de Lisboa, para onde nos reencaminham quando a especialidade que precisamos não é contemplada nos outros, da periferia.
Passei no Martim Moniz adormecido e fui de encontro ao mundo morto-vivo de um amanhecer calmo nas urgências do hospital.
Depois das burocracias e de ver negada qualquer possibilidade de resolverem o meu problema, resignei-me a ser encaminhada para uma sala de observação, só porque sim. Percorri um corredor escuro, onde me cruzei com pessoas que gemiam, deitadas em macas estreitas e muito altas, desconfortáveis nos seus lençóis de goma, como que abandonadas. Lembrei-me dos hospitais de campanha dos filmes de guerra.
Por ali fiquei mais de meia hora, sentada na obscura sala, a ver o paracetamol pingar pacientemente.
Agradeci o facto de ter saúde. De ter saúde para trabalhar, para viver.
Pensei, uma vez mais, que não quero chegar a velha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

a day like today

Hoje é um dia triste.
Amanheceu feio, sem luz, molhado de chuviscos abafados.
Lembrei-me da Susana. Uma véspera assim, em Julho, é desesperante para uma noiva.
Mas a previsão metereológica segreda-me que a Susana não tem de se preocupar.
~
O dia continuou feio, o sol subiu e rodou mas sem se notar. A mesma luz opaca e sem cores.
As nuvens esfarrapadas aqui e ali deixam ver que, lá muito no fundo, há um céu muito azul mas num dia como hoje, não se acredita em céus azuis.
~
Hoje roubei uma vida. Sem querer... a vida, o alimento, a liberdade, a esperança, a música, o movimento.
Um pardal. Um pardalito pequenino que não voou acrobaticamente no último minuto, apenas porque lhe pesava o regalo que apanhava do chão. Era demasiado pesado.
Não percebi. Devia ter visto ao longe, quando avistei o pardalito, que ele não conseguia ser acrobata com aquele peso imenso no bico. Devia ter previsto e alertá-lo.
Ele também não soube prever...
Matei-o mas a sua morte também me matou a mim, um bocadinho.
Um dia que começou tão feio não podia anunciar nada de bom.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dave Matthews Band (& Tim Reynolds)



Até nem sou grande fã do senhor, mas devo confessar que esta música me entra pela alma dentro...

terça-feira, 22 de julho de 2008

breu II

Disseste-me que era o karma, ou castigo ou que eu tinha o que merecia... lá na Rua dos Pescadores, naquela loja de coisas giras que não podia comprar porque não cabem lá em casa.
Se calhar é o que mereço.
A mim soou-me pouco dignificante que o karma - que agora se me depara com frequência - assuma a sua potencialidade em algo tão pouco profundo como o sofrimento físico de uma recuperação de extracção dentária. Mas esta recuperação tem que se diga por isso se calhar é um exponencial máximo muito bem pensado.
No escuro em que me encontro (rodeada de frágeis cristais...) é-me muito mais difícil ter discernimento e clareza se estiver, ainda por cima, mergulhada no desespero desta dor insuportável.

breu

Não sei se precisas que fale ou que cale.
Não sei se queres espaço ou sufoco.
Não sei que faça que possa surtir efeito e aniquilar esse olhar inexpressivo.
Ainda se pudesse ter a certeza de que passa com o tempo... mas não sei.
Aguardo expectante, num espaço amplo onde não quero estar sozinha mas onde devo permanecer. Onde, pelo menos, não incomódo.
Estou num espaço gigante, enorme, mas a toda a minha volta existem cristais e tenho medo de me mover.
Tenho receio do que mais possa quebrar...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

repasto

Fui a casa almoçar:
fiquei a saber que o processo Apito Dourado terminou sem condenações, a não ser uma mão cheia de árbitros, coisa pouca, para dar o exemplo - porque Loureiros já são peixe graúdo;
fiquei a conhecer a história de um fulano a quem rebocaram o automóvel, estacionado no sítio do costume e com o dístico de autorização em vigor e bem exposto no vidro, e que anda às avessas com a EMEL para recuperar os noventa euros que teve de pagar há meses, para levantar a viatura;
soube também da (brilhante!) conclusão do FMI que diz que os portugueses vivem acima das suas possibilidades económicas (nunca diria!, eu, a única portuguesa que não tem um único cartão de crédito);
no seguimento desta informação, seguiu-se um especial sobre os saldos (reportagem normalmente feita em lojas do OeirasParque ou do CascaiShopping onde mostram um par de sapatos que custava €175 agora a €125, como boa opção para a carteira - acho mal passarem isto no Jornal da Tarde quando, para além de mim, quem está a assistir é uma população com pensões de €236, à espera da Júlia Pinheiro);
diz, ao que parece, que a novela ciganos vs negros também está para durar em Loures. Se a moda pega, estamos feitos;
e também disseram qualquer coisa sobre a Maddie que não me lembra: os meus ouvidos começaram a rejeitar de forma autónoma a 'informação' que já não toleram;
ainda fui a tempo de ver o Aimar fortemente aplaudido, de águia em punho e dá-me a ideia que a minha admiração pelo Rui Costa entrou num decréscimo irreversível.
Enfim, a noite passada acordei às duas horas para vomitar.
Hoje, após esta experiência, tomei a resolução de almoçar na cozinha, com os olhos pregados nos meninos ranhosos do calendário da Unicef.
Corro menos riscos de que a comida me caia mal.

defuntos

A minha mãe foi ao cemitério de Santa Íria levantar os ossos do meu avô. Acho esta expressão horrível, mas é assim que se diz na gíria funerária. Pagou uma batelada por este processo e vai juntá-los aos da minha avó, no cemitério da Amadora. Vão reencontrar-se, os meus avós, volvidos trinta anos.
Gosto de pensar que é um acto bonito. Consola-me.
Tenho receio de morrer e não ser cremada. Espero que me sobrevivam entes-queridos com vontade de satisfazer o meu derradeiro desejo.
Depois podem fazer de 'mim' o que quiserem. Em cinza já não serei nada e nenhuma perspectiva me angustia.
(Tudo isto daqui a muitos anos e depois de uma vida preenchida)

dor

Os efeitos de uma simples anestesia podem ser imensamente assustadores.
Ontem experimentei a aflição de chorar involuntariamente quando o que me apetecia era chorar com vontade e com expressão.
Chorar de um olho sem vida, que não pestaneja, não é chorar e não alivia a alma.
É castrador vermo-nos privados do nosso direito de chorar desalmadamente.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

soporífero sentimental

(ao deitar...)

Ela: Somos muito felizes não somos?
Ele: Somos, amor...
Ela: Quer dizer, apesar de termos os nossos problemas, personalidades diferentes e de nos zangarmos de vez em quando... temos muitas coisas boas, não é?
Ele: É bom sermos diferentes. Por isso é que somos tão felizes! Eu completo-te e tu completas-me...
Ela: Adoro-te!
Ele: E eu a ti, fofinha.

(a poesia apresentada em forma de fast-food... mas não deixa de ser poesia)

ver & ouvir - old fashioned way


Onde gostava de ter estado recentemente.
Fotos em: Tangra Mega Rock.