quinta-feira, 2 de outubro de 2008
maria
Sempre gostei de ouvir a tua voz. As palavras saem disparadas a mil à hora, decididas, traduzem fortes convicções, em relação a tudo. São palavras de sindicalista, sempre no bom sentido do termo.Não és fácil. És complicada mas pragmática. Na tua forma tão comum de teres sempre uma tarefa em mãos, consegues estar distante, afastada, mas não és pessoa de se esquecer... ou ser esquecida.
Não me esqueço do teu ar sorridente e da tua forte expressividade. Não esqueço as tuas lágrimas de emoção, tão fáceis como as minhas. Não esqueço outras lágrimas que, inevitavelmente, partilhámos e orgulho-me de termos estado juntas em momentos felizes e em horas menos boas.
Mesmo os conflitos foram sempre um desafio. Testar a nossa compatibilidade acabou sempre por fortalecer os nossos laços. Trocámos conselhos, sermões e segredos sem nunca julgarmos a outra. Tão diferentes e tão iguais, fomos sempre capazes de discordar com classe e isso aproximou-nos.
Fomos ao futebol para lugar VIP, como quem sai em Manhattan para ver montras, e demos por nós a falar de abdominais masculinos e a rir muito.
Rir, rir, rir muito. Gargalhar. É das coisas que me lembro sempre que te relembro.
Tenho saudades dos espectáculos vividos no pavilhão, de trabalhar contigo e discutir os nossos critérios para atribuição legítima do adjectivo charmoso a alguém, enquanto dissecávamos as nossas crises existenciais, de te deixar em casa já bem tarde mas sempre com assunto para fazer a conversa demorar horas.
Nunca nos faltou tema. Talvez por isso, mesmo depois de semanas, meses!, sem falarmos, nunca há embaraço, nunca fica a sensação de que somos almas separadas pelo fosso da distância. O sorriso e o olá soam sempre familiares como se ali estivessem todos os dias. Não apetece calar a conversa que despertamos.
Não, não te considero desnaturada. És assim, cada vez mais aquela mulher que não sabe estar parada e é mais importante para mim sentir que quando te oiço faz sentido ouvir-te, mesmo que o (pouco) tempo nos roube a frequência dos diálogos.
Ontem, mais uma vez e como sempre, gostei de ouvir a tua voz...
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
eu já votei. e você?
votei, ainda que por exclusão de partes.
voto sempre por exclusão de partes. daí que na maior parte das vezes seja uma Abstenção com A maiúsculo (quem ganha agradece sempre esta minha opção de voto).
sugeria que, depois do amor, a alternativa fosse... fazer mais amor.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
LisboaGate
No meio da tragédia económica que se vive mundialmente, há estas pequenas tragediazinhas: abuso de poder; aproveitamento de privilégios imorais da carreira pública e política; imunidade (e impunidade) diplomática; remunerações, subsídios e reformas estrategicamente atribuídos de acordo com as conveniências de cada um e tudo mais que vem à superfície ou fica reduzido ao secretismo de elites, agrilhoadas entre si, à beira do mesmo tacho.
E o que hoje constitui um choque social e provoca a revolta invejosa dos cibernautas cheios de moral que, indignados, insultam todos os que beneficiam com as sucessivas burlas de fato e gravata, amanhã é um espectro, do qual resta apenas um fraco eco. À laia da sabedoria popular, os cães ladram e a caravana passa.
Nisto tudo, o que mais aprecio, são os cabeçalhos da comunicação social.
cheiros, aromas, sabores....
ou tudo em um.
Sempre me confundiu a definição de aroma. Por mim, sempre me inclinei mais para o olfacto, e no entanto, os iogurtes aromáticos 'sabem' ao seu aroma.
A definição enciclopédica justifica: "Propriedade organoléptica perceptível pelo órgão olfativo via retronasal durante a degustação". Degustação e olfacto. Está explicado.
pensamento do dia ou... auto-inflicted therapy
When you feel that you're not worth it, just remember that somebody out there wants you badly...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
uma das coisas preferidas (2)
ver westerns com o meu pai ao fim de semana. se metia índios e cowboys era garantido: estávamos perante um bom filme!
hoje acho que ele não se aguentava muito tempo com a modorra companhia do lento cavalgar e os diálogos com sotaque country. com sorte, despertava no duelo.
ficou-me, dessa época, o fascínio pelos saloons.
(ainda a propósito de Paul Newman...)
um corpo destes vai direito para o Inferno...
diz-me ela assim:
"... há um colega meu que é meu vizinho, mora nesta porta. É o 'Rordigo'. Há na minha escola dois 'Rordigos': um é o que tá constipado, o outro não..."
Into the Wild
"There is pleasure in the pathless woods, there is rapture in the lonely shore, there is society where none intrudes, by the deep sea, and music in its roar; I love not Man the less, but Nature more"
(Há nas matas cerradas um prazer, há nas encostas solitárias um arrebatamento, há uma sociedade, onde ninguém pode intrometer, pelo mar profundo, e música em seu lamento: Eu não amo menos ao Homem, mas à Natureza mais)
Lord Byron
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
tesouro nº2
cerelac...
(devo dizer que conheci há tempos um dos bébés presentes e leva-me de avanço uns trinta centímetros...)
uma das coisas preferidas (1)
deitar-me em cima da mana, quatro apoios, posição 69, e imaginar-lhe o nariz no queixo: transforma a boca num órgão carregado de humor polivalente. gargalhadas garantidas.
(back in the 80's. good old times...)
notas soltas...
... nome de programa televisivo ou descrição, por tópicos, de um periodo compreendido entre dois limites temporais.
sexta-feira, 8h15, com alarme do telemóvel e buzinadelas insistentes na rua. tijela de cereais com leite e iogurte de sabor a morango. beijinhos em forma de lingua fina de fiambre e cócegas de bigodes soltos e nariz húmido e frio (como devem ser os narizes canídeos*). beijinhos no ombro nu (tão bom!), de outro bigode, ralo e forte (de nariz maior e seco*). roupa escolhida com certeza. humor de sexta-feira. pensamento na noite que se aproxima e no reencontro de almas... gémeas (sempre afastadas mas nunca distantes). humor de sexta-feira com sorrisos. rua com sol. temperatura agradável. nice! e ainda não acabou...
* porque aos bigodes deve estar sempre associado um nariz!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
não me estampei nem nada! não é preciso exagerar...
No meio da absurda situação que é bater no camião à nossa frente sem perceber muito bem como é que aquilo aconteceu, dou por mim a pensar que me incomoda muito o facto de não receber o mínimo troco do condutor. Assim. Como se eu fosse uma libelinha e ele um elefante. Continua a andar como quem deixa cair um tremoço insignificante no chão da tasca e eu fico ali, encostada na berma, ainda pasma com a estupidez da minha performance, entre o receio de sair para ver os estragos e a vontade de me esbofetear. Sempre a pensar que o gajo não me ligou nenhuma e que eu tenho mais é de estar agradecida por isso. Em vez dele, podia ser um Volvo reluzente com um condutor sexagenário picuinhas. Ou pior. Muito pior! Podia até ser uma mulher! Saio e as lesmas continuam no pára-arranca ao meu lado. Não pareço despertar muito interesse. Valha-me isso! Dou a volta pelo lado maior, para adiar a revelação. Não pode ser. Descobri que o meu carro é frágil, frágil, coitado, na sua chapa de lata de salsichas e plásticos reluzentes. Como é que pode? Ainda agora aconteceu e já se notam os hematomas? Nos carros é assim: o que acontece vê-se logo ali, na chapa, não fica escondido no motor, no carburador ou noutro sítio com nome estranho, que nem emoção recalcada.
Gostava de ser como o meu carro. É um herói e sofre com valentia as consequências dos meus erros (mais idiotas). Para não falar nas obscenidades impacientes que ouve (da minha parte) com tanta condescendência. Agora está marcado, o pobrezinho. Nada de mais. Como uma herpes que eu não lhe consigo disfarçar com pensinhos Compeed.
De resto, tudo igual.
Entrei no carro novamente. Pisca e faz-te à estrada porque o ginásio está à espera e ainda há muito para fazer até chegar à cama. E assim foi. Adormeci pouco depois da meia-noite e dormi profundamente.
Hoje quase (quase) parecia que acordava de bem com a vida.
(Não se deixem enganar. Eu sou uma pessoa feliz.)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
programação
Foto@Lusa/Nuno Veiga
gostei tanto daquela reportagem sobre a distribuição dos computadores Magalhães pelas escolas!
e o ar do Sócrates:
'então, meninos, e há computadores suficientes? Pois... não chegam, não é? Não faz mal! Nós vamos trazer mais!'
deixei-me logo divagar:
CHAAARAAAN!!
(Sócrates com fato de super-herói)
'Porque nós somos o Super-Governo!!'
afinal, não.
quando voltei a olhar estavam a dizer que a seguir ia ser transmitido em directo o Paços de Ferreira-Benfica.
pensei logo 'que excelente alinhamento noticioso!'
mas até não foi mau. o jogo acabou mesmo a tempo. mais uns minutos e a coisa descambava.
caixa de música
não sei porquê, lembrei-me agora de um concerto dos Xutos a que assisti há vários anos no Casino Estoril.
foi uma noite gira.
lembrei-me não sei porquê.
de vez em quando lembro-me de coisas assim do nada. às vezes até são coisas boas e algumas são mesmo reincidentes, embora não perceba porquê.
mas a maior parte das vezes preferia não ter recordações.
ultimamente lembro-me ciclicamente de coisas que queria esquecer e que me fazem mal. acho que me fazem mesmo mal. mesmo, mesmo mal: ao estômago, à cabeça, ao coração.
a minha cabeça é uma caixa de música velha e poeirenta... sem bailarina!
cactos e margaridas
Não acredito que permanecemos iguais na essência, imunes à passagem do tempo.
Viver muda-nos. Viver é erosivo.
Sei o que me comove um cão abandonado, o que me sensibiliza o seu olhar suplicante. Sei o que isso me diz sobre o ser humano. Sei que isso não mudará. Sei da felicidade e do temor de amar, nas suas vertentes extremas. Sei que o amor é mistério e que isso não mudará. Conheço o prazer físico no seu carácter mais sublime e no mais fútil. Sei que, entre ambos, está um mundo e não está nada. Sei que será sempre assim.
Mas já houve um tempo em que não admirava a simplicidade da margarida e não valorizava a aspereza do cacto. Já houve um tempo em que não achei que dar vida à própria vida fosse um privilégio que podia aceitar.
Há coisas que mudam e ainda bem.
Noutros tempos nunca pensaria em ter uma filha a quem chamasse Carolina.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
'night mother' & 'paranormal'
adoro chorar e rir convosco, miúdas!
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).
couceiro super-special one
Os nossos treinadores charmosos estão mais do que destinados a fazer história além fronteiras.
Hierarquicamente, o Couceiro está um patamar acima do Mourinho: encerra um misticismo à 'Robin dos Bosques' ao agarrar uma selecção inferior e elevar os seus jogadores a heróis no meio dos maiorzinhos e não tem como sponsor um árabe multi-milionário para o que for preciso.
Pode até nem ir mais longe: esta glória já ninguém lha tira.
(então não é charmoso, o Couceiro? Eu acho!)
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