segunda-feira, 20 de outubro de 2008

any given sunday

Experimentei ontem alguns daqueles sentimentos que mais tememos e que, habitualmente, não atacam assim todos em simultâneo, sem aviso prévio.
A percepção de que um dia não vai correr bem afigura-se-me, infelizmente, infalível na maioria das vezes. E o acordar costuma ser determinante neste processo premonitório. Já nem falo dos sonhos bizarros que nunca são bons, na melhor das hipóteses são apenas estranhos. Aos sonhos já me habituei. Percebo que fazem parte de mim. Mas a concretização das premonições, a essa não me acostumo.
Acordar de um pesadelo com a sensação de que o melhor remédio para limpar a alma e apagar a sensação de que algo ruim se avizinha é um banho imenso, de água tépida, corrente e abundante e constatar que não há água no cano é a primeira prova de que não se devem encarar certos avisos de ânimo leve.
Mas o dia passa. Vive-se. Lida-se com a neura e com os acasos que não parecem, de todo, acasos. Até que a premonição começa a fazer sentido de uma forma assombrosa e já não apetece dizer que sabíamos que o dia ia ser assim porque, na realidade, não sabíamos. Há coisas que não se prevêem, que nos atingem como uma bola no estômago, vinda não se sabe de onde. Perguntamo-nos porquê mas não há resposta. E temos de aceitar que, ainda assim, o dia continua a passar e continua a viver-se, mesmo quando nos apetece desligar a ficha e fazer uma pausa na vida que corre, indiferente às boladas no estômago.
E o grande receio que me toma é saber-me tão pouco preparada para suportar o inevitável impacto de outros arremessos, tão violentos e imprevisíveis como este.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

aldeia global

Desde a faculdade que o conceito não se me afigurava de forma tão clara e evidente como hoje: cruzei-me com uma senhora, arianíssima, com uma enorme túnica africana, de generosos estampados verdes e azuis, calçando uns crocs que faziam o pan dan cromático perfeito.

estética capilar

Já pensei várias vezes que o Paulo Bento devia fazer carreira no estrangeiro. Por dois fortes motivos. Em primeiro lugar, acredito muito nas suas potencialidades como treinador (a sério que sim) e acho que o sporting tem-no prejudicado muito mais do que ele ao sporting. Depois porque ele precisa mesmo de mudar aquele penteado. É que já nem as sátiras humorísticas justificam tamanho ridículo. E pelo que vi do que conseguiram com o Ricardo Carvalho em Inglaterra, estes milagres acontecem mesmo.
(sei o que estão a pensar mas o Nuno Gomes é diferente. O homem não olha muito à imagem e no contexto actual isso até abona a seu favor, já que é dos poucos que estão lá para jogar à bola. Além disso, ele tem piada pelo seu ar de miúdo simpático do norte. Um estudo recente concluiu que a alcunha de amélia não é mais do que o resultado do elevado despeito de um grupo secreto de Ultras - como gostam de ser chamados - que não vêem no Liedson magricelas um grande exemplo de comparação.)

ontem

Estive ontem demasiado entretida a (tentar) perder calorias e modular o ventre, para conseguir prestar as devidas atenções à actualidade política nacional e ao jogo de Portugal, cujo desaire já havia previsto, perdoem-me se faço ilações óbvias da ostentação injustificada de vedetismo que se tem verificado em meia dúzia de estrelas que saem das aldeias mais remotas, das tocas insulares de fim de mundo ou dos acampamentos ciganos, e usam anéis DG e brincos idem-idem, aspas-aspas, com diamantes e tudo, e até penteados muito à frente, ainda com vestígios da acne nojenta que lhes enchia o rosto na época em que jogavam realmente bem, nos pelados lá da rua, e hoje têm aos pés mulheres de categoria semelhante e curvas generosas que foram (ou são), também elas, adolescentes de feira e olho guloso para os boys da band e gente desta laia, sem grandes talentos ou dedos de testa, mas com tiques de hollywood e muito dinheiro, graças a deus. Dizia que, mesmo depois de regressada ao lar, apostei mais na atenção à raposinha doméstica e até tive paciência para o meu brushing e lá fui ouvindo, de longe, a vergonha nacional (que amanhã pode ser glória), narrada já sem paciência pelos senhores da tvi. Ocorreu-me uma vez mais que se nunca tivesse conhecido o Valdemar Duarte em pessoa, não diria que ele é a besta quadrada que, efectivamente, é. Talvez porque tenha boa voz. Nunca lhe devia ter conhecido mais que isso e mesmo assim, em certo contexto, já foi suficiente para o mandar para a boa da senhora mãe dele. Antes de chegada a casa, porém, e ainda na passadeira milagrosa a 9 km/hora assistia ao mea culpa que se ia desenrolando no écran da sic notícias, a propósito do atraso na entrega do orçamento de estado para 2009. Uns que não há culpados, outros que dizem assumir a "culpa política" (presumi que há vários tipos de culpa sobre este assunto) e pensei para mim, 'andei eu todo o dia a trabalhar, esfalfadamente, enquanto estes gajos discutiam em assembleia a merda da gravidade do atraso de três horas na entrega do orçamento como se isso salvasse este país de condenados'. Até já se me crescia uma raiva miudinha e só me faziam lembrar aquele anúncio do professor e do preservativo em que os alunos se vão erguendo e repetindo 'é meu', 'é meu', 'é meu', em solidariedade comovente, e pensava eu 'vão mas é para casa ver a merda de jogo que vai dar daqui a pouco'. E não me enganei.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

ego

essa gajinha é assim, como hei-de dizer?, um nada. fraca figura, adorada apenas pelos partilharam com ela o ranho da infância e, claro está, pela família. mas esses não contam, esses amam incondicionalmente. agora, seduzir, seduzir, isso ela não consegue. não tem cabelos para isso, pele para isso, peito para isso, pernas para isso, talento para isso. e a sua inteligência é muito limitada. andou na faculdade mas é apenas mais uma das medíocres mentes formadas neste país. bem sei que ser-se formado não significa, por si só, nada de especial. quantos não conheci na faculdade que nunca souberam distinguir "soube-se" de "soubesse" (e o que isto me irrita!). portanto, não temos mulher. temos, quando muito, alguém. mais um espectro físico e ambulante, que por acaso é do sexo feminino, cuja graciosidade é... duvidosa. não. tinha de ser muito mais, muito maior, muito melhor para conseguir ser extraordinária e estar, portanto, à minha altura.

silêncio

não se incomodem, por favor, quando estou sozinha.
preocupante é a solidão, não a ausência de gente à nossa volta.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

permissividade

O limite da nossa permissividade está sempre dependente de nós: a permissividade em relação ao que se tolera, ao que se abdica, ao que se vive, ao que se é. Sempre fui muito, leia-se demasiado, permissiva. Ainda sou. Sempre atribuí a esta característica uma conotação nublada, variável de situação para situação. Em alguns casos, a minha permissividade era assumida como tolerância, noutros como boa-vontade, noutros ainda como uma visão democrática da maneira de ser dos outros, mesmo quando esse factor externo tinha implicações directas na minha vida. Na maior parte das vezes, no entanto, deixei que permissividade e amizade se fundissem (e confundissem) até ao ponto de se tornarem indissociáveis. Também aconteceu no amor. Quando acordei para os primeiros sintomas desta infeliz realidade, tentei mudar as coisas mas só consegui remediá-las e adiar desilusões. Hoje tento evitar que esta minha exagerada permissividade se assome nas minhas relações com os outros. Tento que seja contida, regrada. Predisponho-me a sofrer mais desilusões ainda, como consequência de anos de permissividade, desde que essas desilusões assumam um carácter definitivo. Quero cortar as lianas sombrias que me prendem a pessoas das quais, na realidade, não preciso. É tão bom, tão intensamente bom, ser desejada por tão poucas pessoas e sentir que esse círculo é tão mais forte do que o elo gigante que me liga a mil ninguéns.
Percebo isto quando chegam as boas novas que, afinal, já não me dizem nada.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

analogias






(o que eu gostava do vinyl da Natércia Barreto da minha mãe...)

jasus!

já estou tão fartinha, mas tão fartinha, desta Brandi Carlile...!

what the hell..??

Mesmo com os disparates que conscientemente são difundidos pela Internet em formato de cândidas mensagens para repassar, sob ameaça de maldições terríveis, ou através do aproveitamento da compaixão do próximo por doenças que nem sequer existem, o Gmail manifesta-se bastante preocupado com a preservação da integridade moral de quem, depois de uns copos, se aventure nos conteúdos electrónicos.


(Já investiguei a ferramenta do Labs no meu gmail mas ainda não sofreu este up-grade. Também não devo utilizá-lo muito. Como não bebo seria muito humilhante não acertar em contas matemáticas feitas com o propósito de testar a demência que o álcool pode provocar. Tenho um certo receio de, na minha sóbria lucidez, não passar no teste)

cornucópias

Soubera eu que é comum e talvez assim fosse mais fácil;
Soubera eu enganar-me com felicidade imaginada;
Soubera eu que nada é tão dramático como parece e que a felicidade simples está logo ali, depois daquela esquina que dobra;
Mas não.
Mas não...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

canal Panda

Hoje nada me impediria de estar em casa às 13h26.
De manhã era impossível e ao fim da tarde (Deus me dê forças!) estarei no ginásio, por isso só me restava a emissão do almoço. Corri que me fartei, que é como quem diz acelerei muito, mas uns minutos antes, sentada no sofá, lutava com o comando e com a nova configuração da power box para encontrar a lista total de canais e localizar o Panda (que tenho de acrescentar à minha lista de Favoritos porque um ano passa depressa e quero evitar estes stresses) e consegui! Ainda tive oportunidade de conhecer o ursinho Nouky, o burrinho Paco e a vaquinha Lola, antes do intervalo que trouxe ao écran, com impressionante pontualidade, a menina dos meus olhos para os seus quinze segundos de fama.

che sorpresa

pus-me a testar o tradutor do Google.
ante o meu cepticismo, até me pareceu bastante fidedigno. como tenho um feeling (ou talvez uma vã esperança) de que trocarei o reveillon caraibenho por uma viagem a Itália, experimentei: bom ano novo = buon anno; parabéns a você = buon compleanno a voi; rapaz bonito = PRETTY BOY ???
voltei a tentar e o resultado foi o mesmo.
lá se foi novamente a minha confiança na fiabilidade do motor de busca. e reforça-se a convicção de que o inglês é a língua universal (e em caixa alta!).

terça-feira, 7 de outubro de 2008

a necessidade aguça o engenho

Escola de búfalos
Foto@EPA/Barbara Walton
"O aumento dos combustíveis afecta todos. Na Tailândia, os arados mecânicos estão a ser substituídos pela força animal já que os preços dos combustíveis são muito elevados. Este rapaz trava amizade com um búfalo durante um dos cursos que o governo tailandês está a promover para treinar novos agricultores."

Escola de búfalos?
Curso promovido pelo Governo tailandês para treinar novos agricultores?
Escola de agro-búfalos?
São bem mais espertos do que nós, na Tailândia!

tecnologias de utilidade doméstica

Meninos robots
Foto@EPA/Dai Kurokawa
"A tecnologia japonesa apresenta a sua última invenção: os meninos robots, ou melhor, o «Rapaz Murata» e a sua prima a «Menina Murata». Com apenas 5kg e 50 cm de altura estes robots conseguem mover-se sozinhos com ajuda de sensores. Mas também podem ser comandados por humanos através de «blootooh»."

"blootooh"?
será Bluetooth?
...

ainda a propósito de futebol

saber ganhar é fácil. todos têm um bom discurso na vitória.
saber perder é mais complicado.
estou em pulgas para assistir às desculpas de mau perdedor de Jesualdo.
cheira-me que não vou precisar esperar muito.
este Porto que ainda lidera, tem queda anunciada.

campanha

palavra de honra que Barack Obama, no seu estilo de afro-american de etiqueta e cara lavada nunca me emocionou com os seus dicursos eloquentes e a proclamada sensibilidade para os problemas dos norte-americanos (sou invariavelmente céptica em relação a toda e qualquer figura política), mas a Sra. Palin deixa-me os nervos em franja. acho-lhe até ar de psicopata disfarçada.
saber da minha economia dependente deste país de miseráveis é frustrante.
espreitar a lixeira

liderança adiada

na ressaca de um empate com sabor a derrota, sentimentos de frustração à parte e profunda agonia dos meus vizinhos que têm vivido cada jogo como se de uma final se tratasse (com direito a aplausos e gritos de encorajamento ao apito inicial), ocorre-me dizer que o mister Quique é um treinador inteligente, humilde e imparcial. são três características que os benfiquistas (no geral) não estão habituados a ver neste clube há muito tempo. e muitos, nomeadamente os que consideram que este empate foi injusto para o clube do coração, nem sequer sabem reconhecê-las. não é caso único admitir no fim do jogo que não se mereceu mais do que o que se teve (basta olharmos para o Paulo Bento nas flash interviews dos últimos jogos) mas este Quique, no meio destes dissabores, faz mais do que isso: incute melhorias já visíveis mas (e ele sabe-o) ainda insuficientes. de estranhar seria que o Benfica que nos habituámos a ver nos últimos anos se transformasse, do dia para a noite, numa equipa invencível. além disso, é importante salientar o grande mérito do Leixões, que nunca virou as costas à bola e jogou sempre para marcar (tenham eles a mesma atitude no dragão, embora certamente lá não consigam reunir a falange de apoio de Matosinhos - quase tão insuportável como a do Nacional da Madeira, mas menos estridente).
está quase tudo dito.
José Mota tem motivos para ser um treinador feliz e confiante na sua equipa.
pequena correcção à sua declaração no final do jogo: apesar da aceitável observação sobre a maior justiça que a vitória da sua equipa traduziria, nunca poderá dizer "fomos sempre a melhor equipa em campo. fomos a que mais tivemos a bola e a que mais fizemos para ganhar...". em bom português, fomos a que mais teve e a que mais fez. assim é que se diz. foi a nódoa no pano imaculado da competência do mister a noite passada.
mas no futebol há incompatibilidades inultrapassáveis.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

os socialistas andam a padecer de falta de camaradagem política...

O deputado socialista João Soares criticou esta quarta-feira o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, por dizer que apenas responde pelo seu mandato autárquico na polémica sobre a atribuição de casas de propriedade camarária.

este sr. soares é repugnante...

é preciso golos para reclamar vitória

Obama e McCain colocaram ontem as suas marionetas na linha de fogo para defender os respectivos patronos.
Activou-se a diplomacia para discussão sobre o sexo dos anjos. E o sexo dos anjos na América é uma pescada de rabo na boca que involve a Guerra no Iraque e as questões financeiras que se prendem com o petróleo.
Dizem as sondagens que saíram vencedores os democratas. Quer isso dizer que Joe Biden teve direito ao seu cubo de açucar ao descer do pano.
Mas afinal, o que é isso de se vencer um debate destes?
Para se vencer tem de se ser realmente superior e, acima de tudo, marcar golos (que foi o que o Benfica fez ontem).
Mas os Americanos não percebem nada de futebol.