terça-feira, 4 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
iN & oUT
oUT:
-Engº Sócrates
-Teixeira dos Santos
-Vicente Moura
-Sarah Palin (estou a contar que entre para os iN lá para 2010)
-Bibi
-Luís Filipe Menezes/Manuela Ferreira Leite/Pedro Santana Lopes (ex-aequo)
-Pinto da Costa (só porque sim)
-barbeiro de Barack Obama
iN:
-humm... agora assim de repente... só se for o Lampião, de Évora, que tinha um stand na Feira de Santarém com umas migas bem boas!
em tempo de crise...
vale de qualquer coisa ser colunista - as pessoas não se cansam de ler a mesma coisa, todos os dias, escrita por pessoas diferentes. Também se pode aplicar às eleições americanas. Aliás, melhor para vender opiniões do que a recessão ou eleições nos Estados Unidos é as duas coisas ocorrendo em simultâneo. Se um candidato for preto e o outro republicano com histórico de combatente de guerra, tanto melhor;
vale de qualquer coisa ser mau administrador de alguma empresa com cotação na bolsa, principalmente na área da banca - o Estado e o Banco de Portugal encarregam-se de garantir a subsistência das empresas que se servem da crise como bode expiatório para o seu fracasso. Para alguns empresários, mais do que conveniente é um golpe de sorte;
vale de muito ter olho para o negócio e tomates para correr riscos - constroem-se impérios em três tempos;
mas a grande mais valia numa altura destas é ser comediante.
a utilidade do secundário completo
(ao balcão do governo civil da loja do cidadão)
a menina: agora assinas e pões ali os dois dedos. Depois olhas para ali e tiras uma fotografia. Eu já tirei a minha.
eu: ai sim? Vais viajar?
a menina: sim, para o Canadá. Com o meu pai.
eu: que giro! E estás a ajudar a senhora a fazer os passaportes para estas pessoas? Gostavas de trabalhar aqui?
a menina: sim. Mas quando for grande não vou trabalhar aqui.
eu: então, vais ser o quê quando fores grande?
a menina: vou trabalhar na Zara do Vasco da Gama...
serviço público
Por estas e por outras é que a minha carreira jornalística não medrou... (o que eu gosto do verbo 'medrar'!)
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={E06D1533-A5EF-4E4F-8805-F70BBDAB6BB7}
(vídeos SIC)
http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={E06D1533-A5EF-4E4F-8805-F70BBDAB6BB7}
(vídeos SIC)
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
visão nº2
Que delícia sentir no seu olhar uma pontada de receio, de medo, de verdadeiro pânico por julgá-la incerta, livre, desejada. Que bom poder prolongar aquele olhar pelo tempo preciso e suficiente que rebenta em gargalhada de entrega, confiança e alívio. Ela está lá, ao lado, para onde sempre volta ou onde sempre espera. Sabe que, se tentasse sair, levaria a caixa de sapatos, os livros e o álbum mas para trás deixaria a alma.
visão nº1
Não pode vê-lo nem pintado a lápis de cera.
Aquele ar de cordeiro manso, a voz melosa, a figura atarracada e a postura submissa e bajuladora são-lhe insuportáveis. Às vezes até tem pena dele. Deseja que nunca ninguém sinta por si a compaixão dolorosa que ele lhe desperta.
Esgota a paciência ao longo da semana de trabalho, ocupado que anda a lamber botas, na sua doente subserviência. Ao fim de semana fica por casa, o mais possível, e tem como única missão tentar ler o jornal e saber qualquer coisa sobre futebol para poder mandar umas piadas porreiras na segunda-feira, se a sua equipa tiver mais sorte que a dos colegas.
Ela acha que ele é infeliz mas o que sabe ela sobre a felicidade?
calduço ou cachaço?
Só um cheirinho:
'A determinada altura do julgamento de hoje, a tentativa de esclarecimento da intensidade da agressão sofrida por José Ramalho originou uma discussão semântica em redor das expressões "calduço e cachaço" utilizados por alguns depoentes. Uma dúvida que levou o juiz a questionar por diversas vezes: "Mas foi um calduço ou um cachaço?" '
Valentina Marcelino Expresso Edição On-line 21:10 Terça-feira, 28 de Out de 2008
Nem tenho palavras.
Tem mesmo de se ir à fonte porque sintetizar seria de uma grande injustiça para o conteúdo hilariante de todo o artigo.
Não hesitem portanto em clicar.... AQUI!!
p.s. O sr. José Ramalho é que está muito em baixo, coitado. Ainda a semana passada vi um árbitro de campeonato amador levar uma solha no final do jogo e não se passou nada. Deve ter comido um coirato com uma mini depois do duche e pronto. Sem direito a psicólogos e a indemnização.
não sei, mas vou descobrir
"João era fabulista? fabuloso? fábula? Sertão místico disparando no exílio da linguagem comum? Projetava na gravatinha a quinta face das coisas, inenarrável narrada? Um estranho chamado João para disfarçar, para farçar o que não ousamos compreender? Tinha pastos, buritis plantados no apartamento? no peito? Vegetal ele era ou passarinho sob a robusta ossatura com pinta de boi risonho? Era um teatro e todos os artistas no mesmo papel, ciranda multívoca? João era tudo? tudo escondido, florindo como flor é flor, mesmo não semeada? Mapa com acidentes deslizando para fora, falando? Guardava rios no bolso, cada qual com a cor de suas águas? sem misturar, sem conflitar? E de cada gota redigia nome, curva, fim, e no destinado geral seu fado era saber para contar sem desnudar o que não deve ser desnudado e por isso se veste de véus novos? Mágico sem apetrechos, civilmente mágico, apelador e precipites prodígios acudindo a chamado geral? Embaixador do reino que há por trás dos reinos, dos poderes, das supostas fórmulas de abracadabra, sésamo? Reino cercado não de muros, chaves, códigos, mas o reino-reino? Por que João sorria se lhe perguntavam que mistério é esse? E propondo desenhos figurava menos a resposta que outra questão ao perguntante? Tinha parte com... (não sei o nome) ou ele mesmo era a parte de gente servindo de ponte entre o sub e o sobre que se arcabuzeiam de antes do princípio, que se entrelaçam para melhor guerra, para maior festa? Ficamos sem saber o que era João e se João existiu de se pegar."
"Um chamado João", Carlos Drummond de Andrade - 22/11/1967 - Versiprosa
"Um chamado João", Carlos Drummond de Andrade - 22/11/1967 - Versiprosa
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
seda
É conhecida a cudelaria que dá fama a Alter, mas da pequena aldeia, pouco se ouve. Quando avisto ao longe a sua ribeira e a pequena ponte quase perdida, é nessa altura que sinto a saudade. É o regressar à terra que me traz a nostalgia dos tempos em que, miúda, ia ao baile do largo. Havia muito mais gente, gente mais nova, música, petiscos e barulho das festas de verão que traziam de volta os filhos da terra e acordavam os seus habitantes. Durante o dia passeava-se, se o sol deixasse. Descia-se a rua onde viveu a minha mãe, passava-se à porta da casa que a viu nascer e que tinha, como ela me contava, uma porta diferente naquela altura. Já lá em baixo, na fonte, desfiava-se mais uma mão cheia de histórias de tempos que não conheci. Uma vizinha chamava para a conversa, na morna calma do seu terraço, à sombra da árvore com laranjas cor de sangue. Descia-se a colina até à ribeira e apanhava-se com facilidade peixe miúdo que, com pena, eu devolvia às águas do rio. As águas eram mais altas, a nascente mais viva. Agora, a ponte não faz falta e o curso que corre é fraco. Não há peixes. Agora, há uma melhorada casa do povo, porque a população está envelhecida, e uma piscina, para chamar os mais novos da terra e de outras terras ao redor. Mas em mim, o amargo de visitar a terra de longe a longe para ver os mortos, só me traz à lembrança as gargalhadas que aquele chão já me deu. As pedras da calçada só permitem recordações, porque o solo, esse está agora estéril do risos dos gaiatos.
Miguel Sousa Tavares
Há já um tempo que ando para depositar aqui algumas notas soltas sobre o Miguel Sousa Tavares mas não se tem revelado nada fácil. O homem, senhor - "doutor", como dirá o Manuel Serrão - não é pessoa de simples interpretação. Não li nenhuma obra que tenha escrito, não sei nada de plágios e o que observo baseia-se, sobretudo, no que costumava acompanhar da sua presença assídua nos Telejornais da TVI e em algumas crónicas que leio por aí. Devo confessar que a sua pessoa não me inspira grande confiança ou simpatia. A sua postura, quer na oralidade quer na escrita, ostenta sempre superioridade, mesmo quando desce ao mais baixo nível argumentativo e isso não é, de todo, agradável. Isto não significa que discorde de todas as suas tomadas de posição, mas fica-me sempre a impressão que, debaixo daquela carcaça aristocrática, há um treinador de bancada de bigode farfalhudo ou uma nascida e criada varina do bulhão. Outra coisa curiosa é que, quando olho para o homem Miguel Sousa Tavares, vejo o menino Miguel, criança educada e inteligente, mais dotada de etiqueta do que de consciência, incapaz de resistir à tentação de molestar outras crianças, se o seu elucidado espírito detectar nelas um fio de matéria criticável. Existe, neste colunista, por excelência, uma capacidade inata que é simultaneamente assustadora e admirável: o ser naturalmente e sem pudores um crítico severo de certezas absolutas e deliberações convictas sobre temáticas que são, no mínimo, discutíveis. É precisamente esta característica que me faz oscilar na visão que tenho da sua pessoa e me impede de formar uma opinião tão célere e contundente como as que lhe são características: o facto de acompanhar o seu discurso ou a sua escrita numa toada inconstante que varia entre o "tu estás lá" e o "és mesmo uma besta".
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
sonho
O sítio era em Marrocos. Não que já lá tenha estado, mas lembro-me de que era esse o destino programado. Lembro-me de que houve uma véspera, preparativos, compras apressadas ao cair da noite. Por qualquer motivo, havia bolos de pastelaria fresca e doces. Escolhíamos: havia um bolo de mármore, sólido, enorme, com óptimo aspecto; outro com uma cobertura brilhante e cremosa, aspecto guloso; e também um doce, que parecia de claras e gemas de ovo, com uma apresentação divinal, como se fossem farófias em organizadas formas de madalenas. Escolhemos um dos bolos. Não era o de mármore como eu queria. Nunca é o que EU teria escolhido, lembro-me de pensar. E pensei também que desconhecia a existência de tão simpática pastelaria mesmo ao lado de casa. Depois, desapareceu a pastelaria. Num salto lá estávamos nós em Marrocos. E vou dizer o que é para mim Marrocos. Calor e cor de barro. Guias turísticos que elaboram percursos sinuosos e difíceis. Casinhas e mais casinhas, encastradas em colinas, com pátios e ruelas em escadaria, viradas para o mar, qual Santorini africana. Mas o mar, o mar é bravo, temível. O mar é medonho. Pensei que nunca conseguiria dormir numa daquelas casas de terraços simpáticos debruçados sobre o mar, fustigadas pelas impiedosas ondas que atingiam com violência as portas, janelas, todas as fachadas. Será que mais ninguém reparava na violência assustadora daquele mar? Nos meus sonhos, só eu me assusto com o mal evidente. Os outros estão sempre a conversar e a rir, em dialectos que não entendo. Só se dirigem a mim de forma perceptível para repetir, incansavelmente, num tom reprovador, que se dependesse da minha cabeça de vento, a camera fotográfica teria ficado para trás. Sinto-me terrivelmente injustiçada. Apetece-me fugir daquele mar e voltar para casa, para perto da sossegada pastelaria que, até há pouco, desconhecia.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
quereres
Chegada a casa, vou dar um jeito neste cabelo que não lembra a ninguém, desfiando-lhe um impiedoso golpe tórrido nos caracóis desarranjados. Cresce-me água na boca, de pensar no alívio que sinto ao passar as mãos por cabelo liso. Inquieta-me o cabelo ondulante e rebelde, que parece oscilar com o meu humor. Acho-lhe piada enquanto, ainda húmido, exibe canudos perfeitos, quase infantis, mas que depressa desaparecem depois de secos e expostos às intempéries. Restam-lhe depois vestígios de caracóis e um volume que desprezo. O desprezo que exaspera a minha mãe, a quem, se eu pudesse, dava metade da cabeleira, para regozijo de ambas. Também estou em pulgas para uma leitura de serão. A calma da leitura é o proveito retirado de horas tardias de frequente solidão imposta, coisas da vida que também têm de ter um lado positivo. Este vento uivante, raivoso, que oiço e me incómoda tal e qual os cabelos ondulantes, faz-me querer mais ainda este serão já próximo.
espírito de Natal
Faço-o cedo, bem sei, mas há quem a mim se tenha antecipado.
Porque o Natal é quando o homem quiser e que Bolsa nenhuma deste mundo se atreva a pôr isso em causa.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
bilingue
Não posso deixar de reparar na quantidade de pequenas expressões estrangeiras que vou depositando nos meus posts (cá está mais uma!), sendo obrigada a admitir que estas são de grande utilidade linguística, para uma fluência bonita e cosmopolita do texto. Ao mesmo tempo, isto faz-me perder credibilidade quando censuro os media (outra!) por adoptarem o termo car-jacking quando se referem a assaltos a/em carros, ou bullying para designar a intemporal relação de conflito entre o grupo dos fixes e o dos marrões (com o dos fixes a dominar. Invariavelmente).
assimetrias
Ando para concluir que os recentes desgostos do Miguel Sousa Tavares são inversamente proporcionais ao boom literário do José Rodrigues dos Santos. Se esta inversa proporcionalidade continuar, e começarmos a incluir nos desgostos do MST os insucessos do FCP, qualquer dia o pivôt de olhar expressivo apresenta-nos a sequela d'Os Lusíadas.
Max "Pain", ou a arte de fazer mau cinema
Duvido muito que seja um problema de criteriosa infexibilidade da minha parte, até porque me considero uma saudável consumidora de muita porcaria comercial, mas a verdade - e no seguimento da minha recente crítica musical aqui postada - é que só vejo lixo nas salas de cinema actualmente. Claro está que uma pitada de inércia associada à falta da companhia desejada também têm sido responsáveis pela recorrência ao Shopping mais próximo, em detrimento de outros mundos alternativos e menos percorridos, porventura bem mais apetecíveis, mas ainda assim era de se esperar mais da sorte. O Max Payne, acima propositadamente distorcido para dar uma ideia mais objectiva da dolorosa experiência que 1h38 nos podem proporcionar, tem de tudo, como na farmácia. Péssimas representações, condizentes com um script muito, muito fraquinho; história entediante, previsível, quase naif para um realizador de quem se pedia mais qualquer coisa; cenários pirosos, exagerados, carregados de efeitos de luz surreal e teatral. Para conferir (ou não!), numa sala Lusomundo perto de si...
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
fraude
Hoje, ao ler o que escrevo, tenho a real percepção de como sou moralista. É-me fácil falar, e sobretudo escrever, baseada nas conclusões de experiências passadas ou através de assumpções em que julgo ter a perspicácia que dispensa a vivência das coisas. É tão mais difícil fazer uso dessa sabedoria quando se afiguram cruciais as decisões importantes. Estou destroçada. E ainda por cima sou uma fraude.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
(sem título)
Não há na culinária nada que se assemelhe ao poder sublime de uma erva aromática. Saber cozinhar é saber entender, de todas as escolhas possíveis, qual a que torna distinta uma receita. É, sobretudo, saber dosear essa distinção. É não deixar aquém ou exagerar no condimento. É adivinhar a quantidade que faz a perfeição. Depois é, subtilmente, utilizá-la na sua forma de expressão mais pura: disfarçá-la por entre a comida ou realçar o seu contraste dos outros ingredientes. Enfim, saber extrair de si o que de mais valioso contém.
O amor é a especiaria no prato da nossa vida. Não devemos subestimar a sua importância, pois ele é, simultaneamente, o manjericão e a pimenta, a canela e o açafrão, o caril e a noz moscada. Dele provêm a côr e a magia das nossas experiências. Encerra em si, tantas vezes, paladares sem nome, aromas que não sabemos classificar, dos quais nada precisamos saber, a não ser que existem.
Há que experimentar este amor e os segredos, por vezes amargos, que nele se escondem. Há que saber dosear o amor, saber que condimento escolher para cada momento. Há que ousar roubar-lhe a vaidade da sua expressão e ostentá-la sem pudores.
E há que ter cuidado.
A melhor das especiarias, na errada proporção, pode ser veneno.
"O elixir da vida é o olhar de beleza com que presenteamos cada botão, então ele abrirá para nós, revelando assim toda a exuberância do seu ser..."
(algures p'los jardins do Solar de Mateus...)
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
estar viva
Doces e amargas, assim se querem as recordações, para que possamos valorizá-las bem.
A verdade é que experimento de novo uma série infindável de emoções e, mais importante, regressam fisicamente (ou quase) à minha vida pessoas que julguei perdidas.
It's all coming back to me, como diz a canção.
Ainda hoje pensei que reprimir sensações e recusar viver certas experiências representa um duplo perigo: um primeiro, mais imediato, que nos limita o conhecimento e a acumulação saudável de recordações; e um segundo, a longo prazo, que se manifesta quando procuramos recuperar um tempo perdido e a vida já nos pede outras coisas.
Recusei experiências que queria mesmo viver, só pela necessidade incoerente de me contrariar e já encontrei a frustração ao procurar reencontrá-las.
Preciso de encontrar um equilíbrio saudável entre o passado e o presente.
É difícil dar sentido a coisas que perdemos e que se vão tornando cada vez mais desajustadas, mas as pessoas, mais do que os momentos, marcam-nos a ferro e fogo e é bom voltar a sentir ferver certas cicatrizes.
hilarious
Depois de Sarah Palin, o desespero das sondagens negativas lança para a ribalta a sacrificada do rebanho
terça-feira, 21 de outubro de 2008
2001
Deposito aqui um bocadinho do meu coração porque, já que nunca vou esquecer, quero a prova irrefutável de que vocês não foram apenas fruto da minha imaginação. É precisamente assim que me lembro.
dar um tempo
deixar para trás.
abdicar.
despromover.
retirar carácter prioritário.
desvalorizar.
desistir.
dei um tempo a este projecto antes de lhe dar uma oportunidade de vingar.
quero que a regra permita a excepção e que dar um tempo não signifique desistir.
não sem antes dedilhar a cannonball.
biografia
"Quando trabalhei num alfarrabista – lugar facilmente idealizável, quando não se trabalha lá, como uma espécie de paraíso onde cavalheiros encantadores procuram incansavelmente volumes encadernados a pele – aquilo que mais me surpreendeu foi a escassez de pessoas verdadeiramente livrescas. A livraria tinha um catálogo excepcionalmente interessante, mas duvido de que sequer dez por cento dos nossos clientes fosse capaz de distinguir um bom de um mau livro. Os snobes das primeiras edições abundavam mais dos que os amantes da literatura. Muitas das pessoas que apareciam eram daquele género que seria um transtorno em qualquer outro sítio, mas que têm magníficas oportunidades numa livraria. Por exemplo, a amorosa velhinha que deseja «um livro para uma inválida» ou a outra amorosa velhinha que leu um livro óptimo em 1897 e pergunta se será possível arranjar-lhe um exemplar. Infelizmente, não se lembra do título do livro nem do nome do autor nem propriamente da história, mas lembra-se, isso sim, que a capa era vermelha. Para além destas, há duas outras pragas bem conhecidas que assombram todos os alfarrabistas. Uma é a pessoa decadente que cheira a côdea de pão velho e que aparece diariamente, com frequência várias vezes ao dia, tentando vender livros inúteis. A outra é a pessoa que encomenda grandes quantidades de livros e não tem qualquer intenção de algum dia vir a pagá-los. Chega e solicita um qualquer livro raro e caro, obriga-nos a prometer vezes sem conta que lho guardaremos, e depois desaparece para não mais voltar. "
burn after reading
"Depois do Billy Bob Thornton ter trabalhado connosco, entrou num filme de Barry Levinson e nós dissemos-lhe para não dizer ao Barry nenhum dos nossos segredos. O Billy Bob virou-se para mim: 'Vocês não têm segredos!'. 'Sim', respondi-lhe, 'mas não digas isso ao Barry Levinson!' "Joel e Ethan Coen (sobre o seu método de trabalho enquanto realizadores)
com os azeites
Não me surge nada engraçado que possa dizer a propósito da polémica da carta de azeites e do veto aos galheteiros. Na rádio comercial até fizeram uma música para satirizar a polémica, agora que o ministro da agricultura dá um passo atrás na sua decisão. Na verdade isto não tem mesmo piada nenhuma. É apenas mais um fait-divers de quem não sabe o que faz no governo e não tem ideia das necessidades prioritárias do país. Por mais que dê volta à cabeça, nada me ocorre. Estou desprovida de humor.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
pergunta do dia
O que fazer para impedir a minha vizinha de me invadir a cozinha com a Bimby às costas?
(sou uma besta quadrada: além de permitir que tentem profanar a minha noção sagrada do que é cozinhar, abdico também de duas preciosas horas da minha quinta-feira. Se soubesse não teria segurado o elevador)
any given sunday
Experimentei ontem alguns daqueles sentimentos que mais tememos e que, habitualmente, não atacam assim todos em simultâneo, sem aviso prévio.
A percepção de que um dia não vai correr bem afigura-se-me, infelizmente, infalível na maioria das vezes. E o acordar costuma ser determinante neste processo premonitório. Já nem falo dos sonhos bizarros que nunca são bons, na melhor das hipóteses são apenas estranhos. Aos sonhos já me habituei. Percebo que fazem parte de mim. Mas a concretização das premonições, a essa não me acostumo.
Acordar de um pesadelo com a sensação de que o melhor remédio para limpar a alma e apagar a sensação de que algo ruim se avizinha é um banho imenso, de água tépida, corrente e abundante e constatar que não há água no cano é a primeira prova de que não se devem encarar certos avisos de ânimo leve.
Mas o dia passa. Vive-se. Lida-se com a neura e com os acasos que não parecem, de todo, acasos. Até que a premonição começa a fazer sentido de uma forma assombrosa e já não apetece dizer que sabíamos que o dia ia ser assim porque, na realidade, não sabíamos. Há coisas que não se prevêem, que nos atingem como uma bola no estômago, vinda não se sabe de onde. Perguntamo-nos porquê mas não há resposta. E temos de aceitar que, ainda assim, o dia continua a passar e continua a viver-se, mesmo quando nos apetece desligar a ficha e fazer uma pausa na vida que corre, indiferente às boladas no estômago.
E o grande receio que me toma é saber-me tão pouco preparada para suportar o inevitável impacto de outros arremessos, tão violentos e imprevisíveis como este.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
aldeia global
Desde a faculdade que o conceito não se me afigurava de forma tão clara e evidente como hoje: cruzei-me com uma senhora, arianíssima, com uma enorme túnica africana, de generosos estampados verdes e azuis, calçando uns crocs que faziam o pan dan cromático perfeito.
estética capilar
Já pensei várias vezes que o Paulo Bento devia fazer carreira no estrangeiro. Por dois fortes motivos. Em primeiro lugar, acredito muito nas suas potencialidades como treinador (a sério que sim) e acho que o sporting tem-no prejudicado muito mais do que ele ao sporting. Depois porque ele precisa mesmo de mudar aquele penteado. É que já nem as sátiras humorísticas justificam tamanho ridículo. E pelo que vi do que conseguiram com o Ricardo Carvalho em Inglaterra, estes milagres acontecem mesmo.
(sei o que estão a pensar mas o Nuno Gomes é diferente. O homem não olha muito à imagem e no contexto actual isso até abona a seu favor, já que é dos poucos que estão lá para jogar à bola. Além disso, ele tem piada pelo seu ar de miúdo simpático do norte. Um estudo recente concluiu que a alcunha de amélia não é mais do que o resultado do elevado despeito de um grupo secreto de Ultras - como gostam de ser chamados - que não vêem no Liedson magricelas um grande exemplo de comparação.)
ontem
Estive ontem demasiado entretida a (tentar) perder calorias e modular o ventre, para conseguir prestar as devidas atenções à actualidade política nacional e ao jogo de Portugal, cujo desaire já havia previsto, perdoem-me se faço ilações óbvias da ostentação injustificada de vedetismo que se tem verificado em meia dúzia de estrelas que saem das aldeias mais remotas, das tocas insulares de fim de mundo ou dos acampamentos ciganos, e usam anéis DG e brincos idem-idem, aspas-aspas, com diamantes e tudo, e até penteados muito à frente, ainda com vestígios da acne nojenta que lhes enchia o rosto na época em que jogavam realmente bem, nos pelados lá da rua, e hoje têm aos pés mulheres de categoria semelhante e curvas generosas que foram (ou são), também elas, adolescentes de feira e olho guloso para os boys da band e gente desta laia, sem grandes talentos ou dedos de testa, mas com tiques de hollywood e muito dinheiro, graças a deus. Dizia que, mesmo depois de regressada ao lar, apostei mais na atenção à raposinha doméstica e até tive paciência para o meu brushing e lá fui ouvindo, de longe, a vergonha nacional (que amanhã pode ser glória), narrada já sem paciência pelos senhores da tvi. Ocorreu-me uma vez mais que se nunca tivesse conhecido o Valdemar Duarte em pessoa, não diria que ele é a besta quadrada que, efectivamente, é. Talvez porque tenha boa voz. Nunca lhe devia ter conhecido mais que isso e mesmo assim, em certo contexto, já foi suficiente para o mandar para a boa da senhora mãe dele. Antes de chegada a casa, porém, e ainda na passadeira milagrosa a 9 km/hora assistia ao mea culpa que se ia desenrolando no écran da sic notícias, a propósito do atraso na entrega do orçamento de estado para 2009. Uns que não há culpados, outros que dizem assumir a "culpa política" (presumi que há vários tipos de culpa sobre este assunto) e pensei para mim, 'andei eu todo o dia a trabalhar, esfalfadamente, enquanto estes gajos discutiam em assembleia a merda da gravidade do atraso de três horas na entrega do orçamento como se isso salvasse este país de condenados'. Até já se me crescia uma raiva miudinha e só me faziam lembrar aquele anúncio do professor e do preservativo em que os alunos se vão erguendo e repetindo 'é meu', 'é meu', 'é meu', em solidariedade comovente, e pensava eu 'vão mas é para casa ver a merda de jogo que vai dar daqui a pouco'. E não me enganei.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
ego
essa gajinha é assim, como hei-de dizer?, um nada. fraca figura, adorada apenas pelos partilharam com ela o ranho da infância e, claro está, pela família. mas esses não contam, esses amam incondicionalmente. agora, seduzir, seduzir, isso ela não consegue. não tem cabelos para isso, pele para isso, peito para isso, pernas para isso, talento para isso. e a sua inteligência é muito limitada. andou na faculdade mas é apenas mais uma das medíocres mentes formadas neste país. bem sei que ser-se formado não significa, por si só, nada de especial. quantos não conheci na faculdade que nunca souberam distinguir "soube-se" de "soubesse" (e o que isto me irrita!). portanto, não temos mulher. temos, quando muito, alguém. mais um espectro físico e ambulante, que por acaso é do sexo feminino, cuja graciosidade é... duvidosa. não. tinha de ser muito mais, muito maior, muito melhor para conseguir ser extraordinária e estar, portanto, à minha altura.
silêncio
não se incomodem, por favor, quando estou sozinha.
preocupante é a solidão, não a ausência de gente à nossa volta.
preocupante é a solidão, não a ausência de gente à nossa volta.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
permissividade
O limite da nossa permissividade está sempre dependente de nós: a permissividade em relação ao que se tolera, ao que se abdica, ao que se vive, ao que se é. Sempre fui muito, leia-se demasiado, permissiva. Ainda sou. Sempre atribuí a esta característica uma conotação nublada, variável de situação para situação. Em alguns casos, a minha permissividade era assumida como tolerância, noutros como boa-vontade, noutros ainda como uma visão democrática da maneira de ser dos outros, mesmo quando esse factor externo tinha implicações directas na minha vida. Na maior parte das vezes, no entanto, deixei que permissividade e amizade se fundissem (e confundissem) até ao ponto de se tornarem indissociáveis. Também aconteceu no amor. Quando acordei para os primeiros sintomas desta infeliz realidade, tentei mudar as coisas mas só consegui remediá-las e adiar desilusões. Hoje tento evitar que esta minha exagerada permissividade se assome nas minhas relações com os outros. Tento que seja contida, regrada. Predisponho-me a sofrer mais desilusões ainda, como consequência de anos de permissividade, desde que essas desilusões assumam um carácter definitivo. Quero cortar as lianas sombrias que me prendem a pessoas das quais, na realidade, não preciso. É tão bom, tão intensamente bom, ser desejada por tão poucas pessoas e sentir que esse círculo é tão mais forte do que o elo gigante que me liga a mil ninguéns.
Percebo isto quando chegam as boas novas que, afinal, já não me dizem nada.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
what the hell..??
Mesmo com os disparates que conscientemente são difundidos pela Internet em formato de cândidas mensagens para repassar, sob ameaça de maldições terríveis, ou através do aproveitamento da compaixão do próximo por doenças que nem sequer existem, o Gmail manifesta-se bastante preocupado com a preservação da integridade moral de quem, depois de uns copos, se aventure nos conteúdos electrónicos.
(Já investiguei a ferramenta do Labs no meu gmail mas ainda não sofreu este up-grade. Também não devo utilizá-lo muito. Como não bebo seria muito humilhante não acertar em contas matemáticas feitas com o propósito de testar a demência que o álcool pode provocar. Tenho um certo receio de, na minha sóbria lucidez, não passar no teste)
cornucópias
Soubera eu que é comum e talvez assim fosse mais fácil;
Soubera eu enganar-me com felicidade imaginada;
Soubera eu que nada é tão dramático como parece e que a felicidade simples está logo ali, depois daquela esquina que dobra;
Mas não.
Mas não...
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
canal Panda
Hoje nada me impediria de estar em casa às 13h26.
De manhã era impossível e ao fim da tarde (Deus me dê forças!) estarei no ginásio, por isso só me restava a emissão do almoço. Corri que me fartei, que é como quem diz acelerei muito, mas uns minutos antes, sentada no sofá, lutava com o comando e com a nova configuração da power box para encontrar a lista total de canais e localizar o Panda (que tenho de acrescentar à minha lista de Favoritos porque um ano passa depressa e quero evitar estes stresses) e consegui! Ainda tive oportunidade de conhecer o ursinho Nouky, o burrinho Paco e a vaquinha Lola, antes do intervalo que trouxe ao écran, com impressionante pontualidade, a menina dos meus olhos para os seus quinze segundos de fama.
che sorpresa
pus-me a testar o tradutor do Google.
ante o meu cepticismo, até me pareceu bastante fidedigno. como tenho um feeling (ou talvez uma vã esperança) de que trocarei o reveillon caraibenho por uma viagem a Itália, experimentei: bom ano novo = buon anno; parabéns a você = buon compleanno a voi; rapaz bonito = PRETTY BOY ???
voltei a tentar e o resultado foi o mesmo.
lá se foi novamente a minha confiança na fiabilidade do motor de busca. e reforça-se a convicção de que o inglês é a língua universal (e em caixa alta!).
terça-feira, 7 de outubro de 2008
a necessidade aguça o engenho
"O aumento dos combustíveis afecta todos. Na Tailândia, os arados mecânicos estão a ser substituídos pela força animal já que os preços dos combustíveis são muito elevados. Este rapaz trava amizade com um búfalo durante um dos cursos que o governo tailandês está a promover para treinar novos agricultores."
fonte: http://noticias.sapo.pt
Escola de búfalos?
Curso promovido pelo Governo tailandês para treinar novos agricultores?
Escola de agro-búfalos?
São bem mais espertos do que nós, na Tailândia!
tecnologias de utilidade doméstica
Foto@EPA/Dai Kurokawa
"A tecnologia japonesa apresenta a sua última invenção: os meninos robots, ou melhor, o «Rapaz Murata» e a sua prima a «Menina Murata». Com apenas 5kg e 50 cm de altura estes robots conseguem mover-se sozinhos com ajuda de sensores. Mas também podem ser comandados por humanos através de «blootooh»."
fonte: http://notícias.sapo.pt
"blootooh"?
será Bluetooth?
...
ainda a propósito de futebol
saber ganhar é fácil. todos têm um bom discurso na vitória.
saber perder é mais complicado.
estou em pulgas para assistir às desculpas de mau perdedor de Jesualdo.
cheira-me que não vou precisar esperar muito.
este Porto que ainda lidera, tem queda anunciada.
campanha
palavra de honra que Barack Obama, no seu estilo de afro-american de etiqueta e cara lavada nunca me emocionou com os seus dicursos eloquentes e a proclamada sensibilidade para os problemas dos norte-americanos (sou invariavelmente céptica em relação a toda e qualquer figura política), mas a Sra. Palin deixa-me os nervos em franja. acho-lhe até ar de psicopata disfarçada.
saber da minha economia dependente deste país de miseráveis é frustrante.
espreitar a lixeira
liderança adiada
na ressaca de um empate com sabor a derrota, sentimentos de frustração à parte e profunda agonia dos meus vizinhos que têm vivido cada jogo como se de uma final se tratasse (com direito a aplausos e gritos de encorajamento ao apito inicial), ocorre-me dizer que o mister Quique é um treinador inteligente, humilde e imparcial. são três características que os benfiquistas (no geral) não estão habituados a ver neste clube há muito tempo. e muitos, nomeadamente os que consideram que este empate foi injusto para o clube do coração, nem sequer sabem reconhecê-las. não é caso único admitir no fim do jogo que não se mereceu mais do que o que se teve (basta olharmos para o Paulo Bento nas flash interviews dos últimos jogos) mas este Quique, no meio destes dissabores, faz mais do que isso: incute melhorias já visíveis mas (e ele sabe-o) ainda insuficientes. de estranhar seria que o Benfica que nos habituámos a ver nos últimos anos se transformasse, do dia para a noite, numa equipa invencível. além disso, é importante salientar o grande mérito do Leixões, que nunca virou as costas à bola e jogou sempre para marcar (tenham eles a mesma atitude no dragão, embora certamente lá não consigam reunir a falange de apoio de Matosinhos - quase tão insuportável como a do Nacional da Madeira, mas menos estridente).
está quase tudo dito.
José Mota tem motivos para ser um treinador feliz e confiante na sua equipa.
pequena correcção à sua declaração no final do jogo: apesar da aceitável observação sobre a maior justiça que a vitória da sua equipa traduziria, nunca poderá dizer "fomos sempre a melhor equipa em campo. fomos a que mais tivemos a bola e a que mais fizemos para ganhar...". em bom português, fomos a que mais teve e a que mais fez. assim é que se diz. foi a nódoa no pano imaculado da competência do mister a noite passada.
mas no futebol há incompatibilidades inultrapassáveis.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
os socialistas andam a padecer de falta de camaradagem política...
é preciso golos para reclamar vitória
Obama e McCain colocaram ontem as suas marionetas na linha de fogo para defender os respectivos patronos.
Activou-se a diplomacia para discussão sobre o sexo dos anjos. E o sexo dos anjos na América é uma pescada de rabo na boca que involve a Guerra no Iraque e as questões financeiras que se prendem com o petróleo.
Dizem as sondagens que saíram vencedores os democratas. Quer isso dizer que Joe Biden teve direito ao seu cubo de açucar ao descer do pano.
Mas afinal, o que é isso de se vencer um debate destes?
Para se vencer tem de se ser realmente superior e, acima de tudo, marcar golos (que foi o que o Benfica fez ontem).
Mas os Americanos não percebem nada de futebol.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
maria
Sempre gostei de ouvir a tua voz. As palavras saem disparadas a mil à hora, decididas, traduzem fortes convicções, em relação a tudo. São palavras de sindicalista, sempre no bom sentido do termo.Não és fácil. És complicada mas pragmática. Na tua forma tão comum de teres sempre uma tarefa em mãos, consegues estar distante, afastada, mas não és pessoa de se esquecer... ou ser esquecida.
Não me esqueço do teu ar sorridente e da tua forte expressividade. Não esqueço as tuas lágrimas de emoção, tão fáceis como as minhas. Não esqueço outras lágrimas que, inevitavelmente, partilhámos e orgulho-me de termos estado juntas em momentos felizes e em horas menos boas.
Mesmo os conflitos foram sempre um desafio. Testar a nossa compatibilidade acabou sempre por fortalecer os nossos laços. Trocámos conselhos, sermões e segredos sem nunca julgarmos a outra. Tão diferentes e tão iguais, fomos sempre capazes de discordar com classe e isso aproximou-nos.
Fomos ao futebol para lugar VIP, como quem sai em Manhattan para ver montras, e demos por nós a falar de abdominais masculinos e a rir muito.
Rir, rir, rir muito. Gargalhar. É das coisas que me lembro sempre que te relembro.
Tenho saudades dos espectáculos vividos no pavilhão, de trabalhar contigo e discutir os nossos critérios para atribuição legítima do adjectivo charmoso a alguém, enquanto dissecávamos as nossas crises existenciais, de te deixar em casa já bem tarde mas sempre com assunto para fazer a conversa demorar horas.
Nunca nos faltou tema. Talvez por isso, mesmo depois de semanas, meses!, sem falarmos, nunca há embaraço, nunca fica a sensação de que somos almas separadas pelo fosso da distância. O sorriso e o olá soam sempre familiares como se ali estivessem todos os dias. Não apetece calar a conversa que despertamos.
Não, não te considero desnaturada. És assim, cada vez mais aquela mulher que não sabe estar parada e é mais importante para mim sentir que quando te oiço faz sentido ouvir-te, mesmo que o (pouco) tempo nos roube a frequência dos diálogos.
Ontem, mais uma vez e como sempre, gostei de ouvir a tua voz...
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
eu já votei. e você?
votei, ainda que por exclusão de partes.
voto sempre por exclusão de partes. daí que na maior parte das vezes seja uma Abstenção com A maiúsculo (quem ganha agradece sempre esta minha opção de voto).
sugeria que, depois do amor, a alternativa fosse... fazer mais amor.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
LisboaGate
No meio da tragédia económica que se vive mundialmente, há estas pequenas tragediazinhas: abuso de poder; aproveitamento de privilégios imorais da carreira pública e política; imunidade (e impunidade) diplomática; remunerações, subsídios e reformas estrategicamente atribuídos de acordo com as conveniências de cada um e tudo mais que vem à superfície ou fica reduzido ao secretismo de elites, agrilhoadas entre si, à beira do mesmo tacho.
E o que hoje constitui um choque social e provoca a revolta invejosa dos cibernautas cheios de moral que, indignados, insultam todos os que beneficiam com as sucessivas burlas de fato e gravata, amanhã é um espectro, do qual resta apenas um fraco eco. À laia da sabedoria popular, os cães ladram e a caravana passa.
Nisto tudo, o que mais aprecio, são os cabeçalhos da comunicação social.
cheiros, aromas, sabores....
ou tudo em um.
Sempre me confundiu a definição de aroma. Por mim, sempre me inclinei mais para o olfacto, e no entanto, os iogurtes aromáticos 'sabem' ao seu aroma.
A definição enciclopédica justifica: "Propriedade organoléptica perceptível pelo órgão olfativo via retronasal durante a degustação". Degustação e olfacto. Está explicado.
pensamento do dia ou... auto-inflicted therapy
When you feel that you're not worth it, just remember that somebody out there wants you badly...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
uma das coisas preferidas (2)
ver westerns com o meu pai ao fim de semana. se metia índios e cowboys era garantido: estávamos perante um bom filme!
hoje acho que ele não se aguentava muito tempo com a modorra companhia do lento cavalgar e os diálogos com sotaque country. com sorte, despertava no duelo.
ficou-me, dessa época, o fascínio pelos saloons.
(ainda a propósito de Paul Newman...)
um corpo destes vai direito para o Inferno...
diz-me ela assim:
"... há um colega meu que é meu vizinho, mora nesta porta. É o 'Rordigo'. Há na minha escola dois 'Rordigos': um é o que tá constipado, o outro não..."
Into the Wild
"There is pleasure in the pathless woods, there is rapture in the lonely shore, there is society where none intrudes, by the deep sea, and music in its roar; I love not Man the less, but Nature more"
(Há nas matas cerradas um prazer, há nas encostas solitárias um arrebatamento, há uma sociedade, onde ninguém pode intrometer, pelo mar profundo, e música em seu lamento: Eu não amo menos ao Homem, mas à Natureza mais)
Lord Byron
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
tesouro nº2
cerelac...
(devo dizer que conheci há tempos um dos bébés presentes e leva-me de avanço uns trinta centímetros...)
uma das coisas preferidas (1)
deitar-me em cima da mana, quatro apoios, posição 69, e imaginar-lhe o nariz no queixo: transforma a boca num órgão carregado de humor polivalente. gargalhadas garantidas.
(back in the 80's. good old times...)
notas soltas...
... nome de programa televisivo ou descrição, por tópicos, de um periodo compreendido entre dois limites temporais.
sexta-feira, 8h15, com alarme do telemóvel e buzinadelas insistentes na rua. tijela de cereais com leite e iogurte de sabor a morango. beijinhos em forma de lingua fina de fiambre e cócegas de bigodes soltos e nariz húmido e frio (como devem ser os narizes canídeos*). beijinhos no ombro nu (tão bom!), de outro bigode, ralo e forte (de nariz maior e seco*). roupa escolhida com certeza. humor de sexta-feira. pensamento na noite que se aproxima e no reencontro de almas... gémeas (sempre afastadas mas nunca distantes). humor de sexta-feira com sorrisos. rua com sol. temperatura agradável. nice! e ainda não acabou...
* porque aos bigodes deve estar sempre associado um nariz!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
não me estampei nem nada! não é preciso exagerar...
No meio da absurda situação que é bater no camião à nossa frente sem perceber muito bem como é que aquilo aconteceu, dou por mim a pensar que me incomoda muito o facto de não receber o mínimo troco do condutor. Assim. Como se eu fosse uma libelinha e ele um elefante. Continua a andar como quem deixa cair um tremoço insignificante no chão da tasca e eu fico ali, encostada na berma, ainda pasma com a estupidez da minha performance, entre o receio de sair para ver os estragos e a vontade de me esbofetear. Sempre a pensar que o gajo não me ligou nenhuma e que eu tenho mais é de estar agradecida por isso. Em vez dele, podia ser um Volvo reluzente com um condutor sexagenário picuinhas. Ou pior. Muito pior! Podia até ser uma mulher! Saio e as lesmas continuam no pára-arranca ao meu lado. Não pareço despertar muito interesse. Valha-me isso! Dou a volta pelo lado maior, para adiar a revelação. Não pode ser. Descobri que o meu carro é frágil, frágil, coitado, na sua chapa de lata de salsichas e plásticos reluzentes. Como é que pode? Ainda agora aconteceu e já se notam os hematomas? Nos carros é assim: o que acontece vê-se logo ali, na chapa, não fica escondido no motor, no carburador ou noutro sítio com nome estranho, que nem emoção recalcada.
Gostava de ser como o meu carro. É um herói e sofre com valentia as consequências dos meus erros (mais idiotas). Para não falar nas obscenidades impacientes que ouve (da minha parte) com tanta condescendência. Agora está marcado, o pobrezinho. Nada de mais. Como uma herpes que eu não lhe consigo disfarçar com pensinhos Compeed.
De resto, tudo igual.
Entrei no carro novamente. Pisca e faz-te à estrada porque o ginásio está à espera e ainda há muito para fazer até chegar à cama. E assim foi. Adormeci pouco depois da meia-noite e dormi profundamente.
Hoje quase (quase) parecia que acordava de bem com a vida.
(Não se deixem enganar. Eu sou uma pessoa feliz.)
terça-feira, 23 de setembro de 2008
programação
Foto@Lusa/Nuno Veiga
gostei tanto daquela reportagem sobre a distribuição dos computadores Magalhães pelas escolas!
e o ar do Sócrates:
'então, meninos, e há computadores suficientes? Pois... não chegam, não é? Não faz mal! Nós vamos trazer mais!'
deixei-me logo divagar:
CHAAARAAAN!!
(Sócrates com fato de super-herói)
'Porque nós somos o Super-Governo!!'
afinal, não.
quando voltei a olhar estavam a dizer que a seguir ia ser transmitido em directo o Paços de Ferreira-Benfica.
pensei logo 'que excelente alinhamento noticioso!'
mas até não foi mau. o jogo acabou mesmo a tempo. mais uns minutos e a coisa descambava.
caixa de música
não sei porquê, lembrei-me agora de um concerto dos Xutos a que assisti há vários anos no Casino Estoril.
foi uma noite gira.
lembrei-me não sei porquê.
de vez em quando lembro-me de coisas assim do nada. às vezes até são coisas boas e algumas são mesmo reincidentes, embora não perceba porquê.
mas a maior parte das vezes preferia não ter recordações.
ultimamente lembro-me ciclicamente de coisas que queria esquecer e que me fazem mal. acho que me fazem mesmo mal. mesmo, mesmo mal: ao estômago, à cabeça, ao coração.
a minha cabeça é uma caixa de música velha e poeirenta... sem bailarina!
cactos e margaridas
Não acredito que permanecemos iguais na essência, imunes à passagem do tempo.
Viver muda-nos. Viver é erosivo.
Sei o que me comove um cão abandonado, o que me sensibiliza o seu olhar suplicante. Sei o que isso me diz sobre o ser humano. Sei que isso não mudará. Sei da felicidade e do temor de amar, nas suas vertentes extremas. Sei que o amor é mistério e que isso não mudará. Conheço o prazer físico no seu carácter mais sublime e no mais fútil. Sei que, entre ambos, está um mundo e não está nada. Sei que será sempre assim.
Mas já houve um tempo em que não admirava a simplicidade da margarida e não valorizava a aspereza do cacto. Já houve um tempo em que não achei que dar vida à própria vida fosse um privilégio que podia aceitar.
Há coisas que mudam e ainda bem.
Noutros tempos nunca pensaria em ter uma filha a quem chamasse Carolina.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
'night mother' & 'paranormal'
adoro chorar e rir convosco, miúdas!
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).
M. quero ver-te em acção novamente (sabes há quanto tempo foi no D. Maria? Em 1999...)
S* quero que sejas sempre o meu par nas danças medievais (para digerir azeitonas).
couceiro super-special one
Os nossos treinadores charmosos estão mais do que destinados a fazer história além fronteiras.
Hierarquicamente, o Couceiro está um patamar acima do Mourinho: encerra um misticismo à 'Robin dos Bosques' ao agarrar uma selecção inferior e elevar os seus jogadores a heróis no meio dos maiorzinhos e não tem como sponsor um árabe multi-milionário para o que for preciso.
Pode até nem ir mais longe: esta glória já ninguém lha tira.
(então não é charmoso, o Couceiro? Eu acho!)
fall
O Outono começa hoje, às 16h55...
Este tipo de precisão faz-nos esperar uma reviravolta climatérica digna das previsões assertivas que a sustentam.
Por enquanto, só vejo nuvens carregadas a emoldurar o azul fantástico do céu e a importunar, aqui e ali, um sol que aperta com força.
Mais uma vez, antecipei-me ao termómetro e "vesti a camisola" da estação demasiado cedo.
Este calor extrapolado aos seus limites sazonais é bom para me fazer chocar alguma.
postponed
Ando sempre a adiar as coisas boas, os pequenos prazeres.
O bombom que me delicía, a camisola fantástica religiosamente poupada para aquele dia que ainda não sei qual é, as duas horas de sono solto num Domingo qualquer.
O que acontece tantas vezes é, num golpe do destino, deixar passar a altura certa.
E quando provo o bombom ele não é tão bom como imaginava. E a camisola não fica bem, todas as outras parecem ficar melhor. E quando finalmente me deixo cair no sofá, não consigo forçar-me a descansar porque o sono espontâneo já passou.
Já não sei descontrair.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
pequim, a terra de Ninguém
pequim é uma cidade pequena, de fim do mundo. Não chega a ser cidade. É um lugar, um lugarejo.
pequim não tem futuro. Há muito que está condenado a desaparecer e ninguém conhece este sítio. Talvez um ansião sem idade que ainda por lá tenha passado. E mesmo para esse, este lugar nasce da imaginação.
pequim é tão pequeno e insignificante que, na prática, não se sabe se ainda existe. Talvez os seus habitantes já tenham desaparecido, porque morrer no esquecimento e morrer efectivamente acabam por ser a mesma coisa num lugar que não existe para o Mundo.
Nos mapas, só se encontra Pequim na China. Nos livros de História também. Muito embora pequim tenha sido uma cidade há muito tempo, antes da haver China, a única Pequim que conhecemos é esta.
pequim pode muito bem ficar em Portugal.
é para e por você...
porque me quero apaixonar todos os dias e porque o melhor jogador em campo merece...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Bjork
Shhhh, ShhhhIt's, oh, so quiet shh,shhIt's, oh, so still shh,shhYou're all alone shh, shhAnd so peaceful until...You fall in loveZing boomThe sky up aboveZing boomIs caving inWow bamYou've never been so nuts about a guyYou wanna laugh you wanna cryYou cross your heart and hope to die'Til it's over and thenShhh, ShhhIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuse, zing boomThe devil cuts loose, zing boomSo what's the use, wow bamOf falling in loveIt's, oh, so quietIt's, oh, so stillYou're all aloneAnd so peaceful until...You ring the bell, bim bamYou shout and you yell, hi ho hoYou broke the spellGee, this is swell you almost have a fitThis guy is "gorge" and I got hitThere's no mistake this is it'Til it's over and thenIt's nice and quietShhh, ShhhBut soon againShhh, ShhhStarts another big riotYou blow a fuseZing boomThe devil cuts looseZing boomSo what's the useWow bamOf falling in loveThe sky caves inThe devil cuts looseYou blow blow blow blow blow your fuse ahhhWhen you've fallen in loveSsshhhhhh...
nestas alturas em que ando desvairada, vejo a Bjork no espelho retrovisor do carro...
nestas alturas em que ando desvairada, vejo a Bjork no espelho retrovisor do carro...
é difícil ser-se são nos dias que correm
Ainda não consigo acreditar que, ontem, aquele gordo obtuso parou o carro no meio da estrada para me gritar "tens umas botas muita giras!" e que, hoje, uma das cadelas da minha vizinha me mijou aos pés dentro do elevador!
Bad timming a escolher calçado...
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
as galinhas das vizinhas
há merdas que me chateiam a sério!
vejamos o meu caso.
sou licenciada. não trabalho na minha área (entenda-se minha como sendo aquela em que me formei).
acabei o curso há uns anitos que já vão fazendo diferença e, no entretanto, já trabalhei em três sítios diferentes, todos ou quase todos distantes da opção académica que em tempos tomei.
pelo meio, também passei por periodos de desemprego, frustração e rendimento nulo, como acontece com milhares em Portugal.
há uma coisa que nunca fiz.
nunca recorri a fundos do Estado destinados a garantir um rendimento mínimo de subsistência enquanto não encontrasse o meu emprego como doutora, engenheira ou arquitecta.
e espero nunca ter de fazê-lo.
não farei, certamente, enquanto não me faltar saúde e existir trabalho no mercado.
(subscrevo quase todas as críticas que se fazem ao sistema e às leis de mercado mas não apoio hipocrisias. esta sociedade de vítimas que, sem emprego, fazem compras na Mango sem reparar na placa que pede funcionários, enoja-me!)
testes
1,67 mt
58,4 kg
25 massa gorda (tem de andar pelos 19... isto é em kgs ou em percentagem?)
tensão normal/baixa
5 de outra coisa qualquer (numa escala de 0-10, diz que não é mau... mas pode ser melhorado!)
bastante flexibilidade (isso é bom! se já fui ginasta?! não, deve ter nascido comigo...)
coração em bom estado
cintura e ancas dignas de uma diva... (da década de 70, não nos dias de hoje)
"
uma hora depois, após uma caminhada razoável e uma corridazinha de nada e com - apenas - 10 minutinhos de abdominais e um duche... estou pronta para uma autópsia.
e aquela senhora nos sessentas, toda activa, que não se cala no balneário, a programar os steps e os combats e o total...
penteio-me em segundos e piro-me dali para fora a fingir que me sinto mesmo bem.
não aguento muito tempo aquele ambiente de obsessão saudável..
mas que ideia de merda
A não perder!
cócó de cão
cócó de cão
serve-me de consolo que nestes dias haja sempre matéria prima ao virar de cada esquina... literalmente!
"
(Não gosto nada de cócós no chão e apanho muitas vezes os do meu cão, mas sou uma cidadã sortuda: nunca piso bostas!
No entanto, devo acrescentar que tropeço em merdas bem piores neste país!)
coisa rara
Coisa rara, acordar vazia como hoje.
O meu dicionário está oco de palavras, como um relógio velho que, sem corda, ficou parado no tempo.
Nem me lembro o que sonhei.
Coisa rara.
Não faz mal. Em dias assim percebo, sem surpresa, que o mundo não enriquece com as minhas palavras e que a minha personagem cumpre na mesma o seu papel neste teatrinho.
A funcionalidade é que importa.
"
Ainda assim, a lágrima da sensibilidade irremediável, assoma-se ao ventrículo quando alguém em cena se aproxima e questiona, com ar de quem já conhece, um 'passa-se qualquer coisa, não passa?'
"
Apercebi-me ontem com tristeza que o que mais lamento não é não saber para quem correr. Fazer desabar o meu mundo no ombro de alguém nunca foi algo que me fizesse sentir confortável.
O que me entristece é saber que eu não sou o ombro de ninguém.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
tu és isso
o duche de segunda-feira sabe tão bem como um banho de alguidar sem sabão... mas depois da excursão à Regaleira, na Sintra húmida de lua cheia, em Domingo de Pentecostes, com boa companhia, pão, azeitonas e tinto do bom (creio eu!) e a alegria da exfusiante dança medieval, só posso pedir para esta semana que HAJA FOLIA!
"
(dedico este post à minha amiga 'Camila', que foi homem, por uma noite!)
(dedico este post à minha amiga 'Camila', que foi homem, por uma noite!)
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
nuno
são sete anos.
ontem custou-me adormecer porque me lembrei, sem precisão, que fez sete anos.
lembro-me que foi há sete anos porque tenho como referência o 11 de setembro, o qual já não presenciaste. lembro-me também que foi neste mês, o mês em que completavas mais um aniversário.
soube por telefone e lembrei-me, num flash, da noite em que entrei no bar, com os inquéritos de SPSS que distribuiria pelos amigos, para ajudar no trabalho da faculdade. não estava à espera de te ver, a ti e ao meu professor de português preferido, em familiar tete-a-tete.
pelo telefone, de volta à realidade, ela repetia a mesma informação. respondi calmamente que tinha percebido bem. desliguei e estranhei-me por não chorar. em vez disso, fui acabar de almoçar. era sábado. porque havia de chorar? era uma fatalidade do destino, mas não uma fatalidade que me tocasse a mim. nunca nada nos havia unido daí que nada do que ouvira nos separava afinal.
ontem custou-me a adormecer porque, sem querer, me lembrei de mais pormenores e porque conclui que, então como agora, foste sempre uma perda. e vieram-me à ideia os sorrisos, as mãos suadas, os amargos de boca e as desilusões. as voltas da vida, as mudanças e a reincidência na tua presença constante e distante, durante uns tempos que parecem ter sido há mil anos.
lembro-me menos do que seria de esperar mas muito mais do que seria preferível.
sei hoje, pela nitidez do ontem, que esse passado longínquo em que ainda existias, nunca se desvanecerá na minha memória.
elviro
Sonhei coisas estranhas, soltas, dissociáveis, separadas entre si por uma ida à casa de banho, a meio da noite, que talvez tenha contribuido para a mudança de temática.
Primeiro, estranhamente, sonhei mais uma vez com ela. É uma constante.
Foi um sonho pacífico. Classifico-os como "aqueles que não deixam cicatrizes", os sonhos pacíficos.
É raro ter pesadelos assustadores ou sonhos muito bons. Tenho estes sonhos característicos de uma 'alma perturbada', umas vezes mais marcantes que outras.
No sonho ela estava imiscuída entre nós. Amiga da minha irmã e da minha mãe. Não achei justo. Sonhava, perplexa. Acho que uma parte de mim quer odiá-la, ou não consegue deixar de o fazer, e outra parte quer, infantilmente, pedir-lhe a sua amizade.
Noutra vida poderíamos ter sido melhores amigas.
Depois sonhei que estava nos Estados Unidos, a visitar amigos em Hartford.
Mas Hartford era um sítio muito estranho e tinha mar, praias horríveis onde a água era temida e onde ninguém nadava e pescava-se da margem, à cana, com jeito e energia máscula porque a linha era sugada com força por seres invisíveis. Foi um sonho extenuante. Era tudo feio.
E por mais que insistisse em ver os meus amigos, acordei antes de ter oportunidade de o fazer.
Nos meus sonhos fico quase sempre aquém de fazer qualquer coisa que quero muito.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
cas-si-o-pei-a
escrevo assim para não me subir um arrepio pelas costas.
da mesma forma que escondo os olhos por detrás de uma cortina de dedos quando vejo um filme de terror, "des-silabizo" palavras que me lembram coisas asquerosas com milhentas patas, como é o caso.
pena é que coisas tão agradáveis como deusas gregas ou constelações de estrelas sejam desta forma associadas a grotescas fobias por via da linguística.
hoje
vi-o quando estacionava.
vinha ele a caminhar penosamente, sem pressa, com o saco da marmita na mão.
reparei que era jovem e tinha a pele escura, talvez queimada do sol. talvez fosse mesmo mulato.
uma hora depois, à saída do parque, lá estava ele sentado na berma do passeio, perto do portão da entrada, com ar cansado e o saco da marmita aos pés.
calculei que contava lentamente os minutos da sua pausa solitária, para regressar de novo ao trabalho. ousei tomar como certas as minhas suspeitas sobre a sua amarga solidão.
um novo olhar oblíquo para o seu aspecto andrajoso e pensei que nunca antes senti tanta compaixão por alguém como naquele momento.
sou mesmo um caso perdido.
não foi, mas podia perfeitamente ter sido assim
- Hoje é mesmo um daqueles dias para esquecer!
- Então..!?
- Não sei... não tenho paciência para nada, tudo me faz confusão! E parece que nestes dias as pessoas ficam mais insuportáveis, falam mais alto, conduzem pior...
- És tu que as vês assim, por causa do teu estado de espírito. Da mesma forma que nos dias em que te sentes bem nada te chateia, em dias como hoje tudo o que te rodeia parece desagradável!
- Pois, eu sei que é assim que funciona mas saber isso não me serve de nada, ou serve? O meu estado de espírito permanece inalterável. Em toda a gente, mesmo nas pessoas de que mais gosto, sobressaem coisas negativas. É o que mais detesto!
- Como assim?
- É mais fácil sentir coisas más e pensar nos defeitos dos outros. É mais fácil sentir rancor e mágoa do que coisas positivas! Torna-se fácil desconfiar, ter medo, sentir insegurança. Tudo coisas más!
- Vais ver que amanhã é outro dia e tudo o que sentes hoje vai parecer muito mais distante.
- Eu sei que é assim! É isso mesmo que eu não gosto. Esta capacidade de transformar os outros, as coisas, o mundo, toda a vida através do nosso olhar!
- Mas não vale a pena questionar! É assim mesmo que funciona...
- Mas em mim estas oscilações são mais frequentes e mais radicais que nos outros!
- Isso é outro sintoma: achar que em nós tudo é pior. Tenta abstrair o pensamento de coisas concretas, não te questiones. Vais ver que te sentes melhor sem dares por isso!
- Tu não entendes...
- O. K. Se achas que não! Estava só a tentar ajudar mas se preferes assim...
- Eu sei que estás a tentar ajudar mas as boas intenções nem sempre chegam para resolver as coisas..
- Se calhar devias tentar aceitar que isto não é o tipo de coisa que se resolve mas sim que se deixa passar, com o tempo, com uma boa noite de sono, com alguma dose de paciência... Faz como quiseres. Fui!
...
(qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!)
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
um preço certo
o que me faz gostar de mim em tempos sãos?
a criança que vive por dentro e por fora e não deixa adivinhar o abismo de mais uma década finda. os caprichos que, não poucas vezes, me fazem desejar ser outra mas aos quais permaneço fiel. os impulsos imaturos noutros tempos responsáveis por sucessivos joelhos esfolados quase iguais aos que hoje me derrubam. e me deixam sempre erguer novamente.
tudo tem o seu preço.
vendo a alma ao diabo para garantir que me continuem a chamar menina.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
america today
diz que Sarah Palin, enquanto governadora do Alaska, cobrou diárias ao Estado durante um periodo em que esteve em casa. além disso, utiliza fundos de viagem para toda a família nas suas deslocações profissionais.
por outro lado, dispensou o jacto privado que o seu antecessor utilizava e opta sempre por vôos comerciais, poupando alguns trocos republicanos. e viaja em classe económica.
para mim, é a candidata ideal.
desengane-se quem pensa que a gravidez da filha menor é uma desvantagem.
e se isso não chegar, tem um bébé com síndrome de down, que pode exibir nas convenções republicanas.
obama que se cuide.
esta mulher já conseguiu fazer esquecer a renovada mística democrática.
isto é que é política espectáculo!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
S.O.S.
quem me conhece sabe do meu fascínio pelas lantejoulas dos ABBA.
a alegria pop do Mamma Mia é irresistível.
estive presente no musical durante os dias que esteve em Lisboa e não podia perder a sua adaptação ao cinema, ainda que convicta de que não superaria a versão teatral.
que mais não fosse, a Meryl Streep e os idílicos cenários mediterrânicos levaram-me à tela.
contudo, não sei se vou conseguir superar o trauma de ver o Pierce Brosnan a cantar.
a alegria pop do Mamma Mia é irresistível.
estive presente no musical durante os dias que esteve em Lisboa e não podia perder a sua adaptação ao cinema, ainda que convicta de que não superaria a versão teatral.
que mais não fosse, a Meryl Streep e os idílicos cenários mediterrânicos levaram-me à tela.
contudo, não sei se vou conseguir superar o trauma de ver o Pierce Brosnan a cantar.
here i am
senti falta da fluidez das palavras que se soltam aqui com uma subtileza quase anormal.
mas isso já eu calculava.
soube bem libertar-me desta dependência saudável. quase tanto como sabe bem retomá-la.
estou de volta ao país dos eufóricos na vitória e rancorosos na derrota.
e do aumento da violência.
e do aumento dos assaltos, principalmente nas gasolineiras, nas suas duas vertentes - o dos ladrões que assaltam as caixas e o das próprias gasolineiras que nos vão ao bolso, todos os dias (muito me surpreende não ter visto ainda uma grande reportagem a relacionar os dois fenómenos).
estou de volta, saciada.
consegui fugir às praias apinhadas de famílias irritantes embora me tenha sido impossível fugir ao excêntrico histerismo do mulherio espanhol.
nem sinto o síndrome negativo do regresso agora que volto à rotina.
para concluir, e fugindo ao estereótipo efusivamente apregoado pela Isabel Stilwell nos seus editoriais, a minha singela semana de férias de verão soube-me muito bem.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
hasta
ao que sei agora, estarei afastada uns dias.
mas pode acontecer que não.
não vou gostar de perder este contacto cada vez mais vital mas espero que sim, espero afastar-me.
é bom sinal.
mas não sei.
se estiver por cá amanhã, ou depois, quer dizer apenas que pode sempre acontecer uma coisa ou outra e que, uma vez mais, aconteceu a que menos espero.
se isto não chega temos o mundo ao contrário...
de quantas mais "coisas" para usar, para exibir, para olhar, para nada servir?
de quanta ambição? de que tipo de ambição?
os objectivos que se atingem são imediatamente substituídos por novas 'necessidades'.
hoje temos o queríamos ontem, mas reparamos que ainda não é suficiente.
Vacilo entre parar e valorizar o que já se alcançou ou avançar mais para o próximo desafio, a próxima experiência.
os valores estão trocados.
*
ontem escrevia sobre coisas simples.
mais tarde, deparei-me com escolhas difíceis. cada decisão com a sua consequência, o seu 'peso'.
e tudo deixou de ser simples.
vi os meus momentos simples fugirem-me num horizonte temporal que soava a eternidade.
*
gostar de ti, gostares de mim... nem sempre chega.
de quanta ambição? de que tipo de ambição?
os objectivos que se atingem são imediatamente substituídos por novas 'necessidades'.
hoje temos o queríamos ontem, mas reparamos que ainda não é suficiente.
Vacilo entre parar e valorizar o que já se alcançou ou avançar mais para o próximo desafio, a próxima experiência.
os valores estão trocados.
*
ontem escrevia sobre coisas simples.
mais tarde, deparei-me com escolhas difíceis. cada decisão com a sua consequência, o seu 'peso'.
e tudo deixou de ser simples.
vi os meus momentos simples fugirem-me num horizonte temporal que soava a eternidade.
*
gostar de ti, gostares de mim... nem sempre chega.
temos o nosso mundo ao contrário.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quando as saudades apertam...
... oiço as gargalhadinhas exageradas e vejo aqueles olhitos chineses e o nariz arrebitado.
lembro-me da meiguice dos gestos, da ligeireza do andar e da boca sorridente com dentes desalinhados.
quase que lhe sinto o cheiro!
adoro a minha trigueirinha.
coisas simples
São boas, as coisas simples.
Não nos pedem nada em troca e acontecem de acasos. São simples por isso mesmo.
Não se planeiam, não se elaboram e sobre elas não se criam expectativas. Sucedem-se com maior ou menor frequência e trazem-nos felicidade.
Idealizo coisas simples, anseio por elas, mas isso destrói-lhes a simplicidade.
Forço-me a não ansiar por elas, mas de vez em quando não resisto e vou espreitar o quadro que trago na minha imaginação.
Esse quadro está sempre a mudar. Às vezes é uma noite quente de passeio e sorrisos cúmplices; outras, um dia grande cheio de luz, gente e gargalhadas. Às vezes é um livro ou um écran de histórias. Outras vezes é um cobertor e chuva numa janela.
Mas forço-me a não ansiar.
Hoje, amanhã, depois... não vou espreitar o quadro.
Não quero saber as coisas que me esperam, desde que elas estejam lá, para me fazer feliz, na sua simplicidade.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
imagem a quanto obrigas
Hillary Clinton sai-se muito melhor como apoiante de Obama do que o fez como sua opositora
informações úteis
a Comissão de Protecção de Vítimas de Crimes Violentos diz que são poucas as pessoas informadas de que podem recorrer a esta organização para pedir indemnizações em consequência da agressão a que foram sujeitas.
três coisas a dizer sobre isto:
primeiro, acho que a maior preocupação deve ser a de pedir justiça célere aplicada a quem comete estes crimes;
segundo, parece-me que isto fará com que muita gente comece aí a fazer-se ao murro (que isto nesta sociedade há de tudo!);
terceiro, creio que esta divulgação constitui certamente uma tentativa desesperada de acabar com os assaltos a dependências bancárias, CTT's e postos de abastecimento da linha de Sintra e do distrito de Setúbal.
eis que surge finalmente uma fonte de rendimento alternativa com vista a compensar as soluções que não se conseguem arranjar para o combate à violência (passo a ironia da expressão...)
mera coincidência...
*
http://ww1.rtp.pt/desporto/index.php?t=Benfica-homenageia-todos-os-atletas-olimpicos-do-clube.rtp&article=165094&visual=5&tm=13&Top=17Benfica
*
http://ww1.rtp.pt/desporto/index.php?t=Benfica-homenageia-todos-os-atletas-olimpicos-do-clube.rtp&article=165094&visual=5&tm=13&Top=17Benfica
*
o facto de Vanessa Fernandes, Nelson Évora e Dí Maria (este ao serviço da selecção Argentina) serem todos atletas do Benfica - e os únicos medalhados em Pequim no que a clubes portugueses diz respeito - nada tem a ver com esta homenagem.
não.
esta é uma homenagem a todos os atletas do Benfica presentes nos Jogos. sem excepção.
aliás, a menina que está na foto é a judoca acusada de ter mau perder, porque seria de um óbvio mau gosto colocar mais uma foto do Nélson com a bandeira nos braços. seria tendencioso e descriminador.
pelo menos, dê por onde der o derby da luz, a noite vai ter glória benfiquista.
Italia mia!
não sei se quero perder esta ilusão de que a Itália é um misto delicioso de gritos suados e griffes cosmopolitas; de classicismo urbano e romantismo rural; de sol e de sombra; de cheiros gastronómicos e contrastes geográficos.
talvez tenha um imaginário fértil que quero continuar a alimentar.
é que, por mais que tente dissuadir-me de que a Itália é o meu paraíso idílico, com argumentos políticos ou sociais, simplesmente não consigo.
o título impensável
Pequim 2008
"Prestação portuguesa foi a melhor de sempre"
*
temos, portanto, que não temos...
*
a intenção de recandidatura de Vicente de Moura está também no segredo dos deuses, mas eu aposto numa 're-abertura' a esta possibilidade, agora que o desfecho da participação lusa foi brilhantemente condecorado e os atletas afinal nem são todos uma cambada de dorminhocos.
*
e se é verdade que podíamos ter pontuado mais, não deixa de ser um facto que o povo gosta é de ouvir o hino com a lágrima no olho... nem que seja só uma vez.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



