terça-feira, 11 de novembro de 2008

nas bocas dos outros

"Entramos agora numa nova fase. O mundo tornou-se multilateral e o hegemonismo americano arrogante vai desaparecer. É preciso ter isso em conta. Como o multiculturalismo e o multirracismo. O mundo é cada vez mais um só".
Mário Soares, "Diário de Notícias", 11-11-2008
Correndo o risco de estar descontextualizada, parece-me algo demasiado ingénuo, vindo de quem vem...

manifestação efusiva ou rastreio ao cancro da próstata?

Sempre achei que um balneário de futebol soava a mistura interessante de maus odores e múltiplos afectos.
Sobre a primeira não haverá grandes dúvidas e este Meireles acaba de me confirmar a segunda.
Sou uma pessoa muito observadora.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

a propósito de uma banca de artesanato em Santarém

Magalhães para toda a família. Inclui tinteiros. Não inclui corrector ortográfico.

referências

brilhante...

a meio de uma conversa...

"... não sei o que pensam de mim, mas sei que estão errados."
E também outras balelas de professores com medo de avaliação...
(Ah, pois! Até me explicar, sem cinzentos, como a coisa funciona, vou continuar a ser uma orgulhosa ignorante.)

enquanto as criancinhas continuam a crescer estúpidas....

... vai-se-lhes 'oferecendo' Magalhães (pioneiríssimos!!) desde a primária e gastando o que sobra em estudos sobre o aumento da violência entre os mais novos, as influências negativas dos conteúdos da internet e os fenómenos de morte súbita em jovens utilizadores compulsivos de jogos electrónicos.
O segredo está nas coisas simples da vida.
É o que nos ensina a experiência.
Mas continuamos a corromper os 'nossos' filhos. Todos os dias.

... e ao Soares Franco, uma palavrinha apenas:

... PAIXÃO!

(obrigada por, mais uma vez, não me desiludir com as suas hilariantes respostas. É um poço de virtuosismo este homem! E genuínamente sportinguista, com o seu ar mui nobre. Ai ai...)

monday 'sorning'

Argh!

Acabaram-se as fatias de pão saloio, barradas com manteiga, com uma fatia de tomate encarnado, generosamente cobertas com queijo e polvilhadas com garlic powder e oregãos - no forno. O cheesecake caseiro quente e frio e o bolo brigadeiro; acabou-se o abacaxi delicioso de S. Pedro; o queijinho Cachopa e os outros todos - 'nham! - e as batatas crocantes da Seara; acabou o jogo, o prolongamento e os penalties - até que enfim - e bem vinda a noite cerrada, que traz consigo o silêncio desejado e o descanso. E os pesadelos e latidos de um cão qualquer e um amanhecer precoce. E o dia traz papéis, telefone e cheiro a café forte numa sala partilhada com pessoas e números. Burocracias, cartas, horas, seguros, cheques.

Ufa!

Welcome to the jungle.
Uma boa semana para todos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

saúde

Constato, sem grande entusiasmo, que sou imune a constipações. Estou longe de compreender o que é uma verdadeira constipação, e ainda menos uma gripe. É-me impossível imaginar o padecimendo das pessoas que, em princípios de Outubro, correm aflitas a levar a vacina 'do ano', que deve mudar em função das novas vertentes da maleita. É como um up-grade do anti-vírus do pc que se vai fazendo, como é de conveniência.
Com pena minha, não sei o que isso é.
Não querendo menosprezar o sofrimento provocado pelas febres altas, pelo nariz congestionado e pelas dores no corpo, considero que as constipações até fazem falta. Senão vejamos. Ter febre, tosse, especturação, não é mais do que experimentar uma série de sintomas que nos permitem depois refortalecer os nossos anticorpos. Eu nunca sou posta à prova. Mesmo quando apanho frio, chuva ou passeio o cão de havaianas sob a lua gelada de Sintra. Até comprei em tempos um termómetro electrónico na esperança de que me viesse a dar jeito, mas não. Nada. Já desisti. Ou melhor, pela experiência do meu rico paizinho, coitado, que não há vacina que lhe valha, até já pensei em vacinar-me também, a ver se a coisa invertia. Mas acho que isso também já é profanar este meu dom alienígena.
Estou convencida que a mim, quando me der alguma, vou de charola...

Porta 17 Sector 14 Fila J Lugar 8

A noite de ontem foi de caminhadas a passo largo, a passo de corrida. Foi de reencontro com o mundo social que se mistura entre si, no regresso a casa, fora do habitáculo impenetrável do automóvel. Adaptação às diferenças.
Foi noite de esperar, irrequieta, por um comboio enquanto outros passavam. Pressa e espera. Pressa emergente, espera impotente.Foi noite de precipitação e desejo de voltar o tempo atrás. Noite de acumular de bilhetes, uns grátis, outros nem por isso. Noite que, mais tarde, alguém chamou de 'desinspirada'.
Foi noite de resignação. Noite de apanhar o comboio e voltar para onde tudo havia começado. Noite de, ao chegar, fingir que nunca tinha partido.
Como se consegue tornar romântica uma noite de frustração....
Se as matemáticas não me falham: um bilhete a uma média de vinte euros, com entrada apenas na segunda metade, passa para dez; com saída antes do final, tiram-se mais uns cêntimos; descontando cinco e quarenta para transportes públicos sobram aí uns dois ou três euros que não compensam o dolo pessoal.
Terminei a noite com saldo negativo.
There's no such thing as free lunches!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

e agora?

Ganhar foi fácil: os republicanos utilizaram uma série de estratégias erradas que os levou a auto-boicotarem-se e a comunicação social fez o resto. Agora vem a parte difícil, a de corresponder às expectativas.
Os seus opositores - que ainda são muitos - só têm de esperar para vê-lo cair ou ser bem sucedido e, embora acredite nas suas melhores intenções, atingir todas as metas é um fim impossível, pelo menos a curto prazo, ao contrário do que muitos parecem esperar. A campanha republicana para as próximas eleições começou no momento em que foi anunciada a vitória de Obama, assim como uma contagem decrescente vertiginosa que terá de ser muito bem gerida. A euforia mundial depressa se converterá em revolta contra a mão que a alimentou, se as decisões tomadas não forem consensuais.
O mais complicado, contudo, são os adversários silenciosos que Obama tem pela frente. O que temos visto são manifestações políticas quase globais de apoio e esperança. Que isso não nos impeça de reconhecer que existe meio mundo a quem este homem não agrada. Espero que o novo Presidente dos Estados Unidos possua realmente a presença de espírito e a convicção que tem demonstrado para saber enfrentar o que o espera, ainda que para isso tenha de abdicar do consenso mundial relativamente à sua imagem, em benefício de decisões acertadas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

este ano o pai natal chegou a 4 de Novembro

para mim pode ser um cheque-prenda ilimitado da fnac e um tanque novo para a otária do aquário vasco da gama (que aquilo é realmente desumano)

os caminhos da educação

"A educação não gera o desenvolvimento. Só a boa educação o faz. A má, aqui como em tudo, é apenas um desperdício de tempo e recursos. A principal diferença entre a boa e a má educação é o bom senso."

João César das Neves, Diário de Notícias (07/03/2005)


Preocupa-me a ignorância de certas reformas da educação tomadas pelos governos e preocupa-me a leviandade com que se criticam essas medidas. Preocupa-me que, actualmente, exista um fosso tão grande a separar as diferentes noções do que é o ideal no sistema de ensino. Preocupa-me que as crianças e os jovens, sobre quem deviam pender as grandes preocupações, sejam completamente esquecidas em todo o processo de evolução desta 'nova sociedade tecnológica'. Preocupa-me que uma grande parte dos professores constitua tão mau exemplo ao facilmente desistir mediante as barreiras burocráticas interpostas por mais uma medida governativa.


O que vejo hoje nas escolas, tal como o que observo na educação parental, é uma tentativa de ocupar os jovens e não de preencher as suas lacunas. Há uma grande preocupação em facilitar às crianças um acesso precoce à informação, ao entretenimento, ao auto-desenvolvimento. Deixou de haver interesse em acompanhá-las e orientá-las até uma idade em que consigam, com base em conhecimentos adquiridos, construir o carácter que lhes permitirá servir, de uma forma positiva, a sociedade em que se integrem.


A educação nas escolas está a ser boicotada por interesses políticos e económicos que fazem com que nos esqueçamos constantemente que gerações de estudantes estão a ser irreversivelmente prejudicadas. Os professores deixam clara a ideia de que lhes são incómodas as medidas tomadas e os que não abandonam a carreira antecipadamente, permanecem contrariados nos seus postos de trabalho. Se juntarmos a classe mais conservadora em relação a novas medidas tomadas pelo governo e a classe de jovens professores que se debatem com as fracas regalias que lhes são concedidas, resta-nos uma franja muito pouco significativa de educadores cuja grande motivação seja a paixão pelo ensino.


As coisas mudaram muito desde que fui aluna. A minha revolta contra o Governo termina quando, com tristeza, observo que os professores mudaram. Um cargo na função pública permite a reivindicação de direitos, a manifestação pública de desagrado, a organização de greves gerais e, em muitos casos, reformas antecipadas que, mesmo com cortes percentuais, possibilitam aos profissionais do sector que virem as costas a quem mais depende deles.


Como as medidas tomadas são deficientes e inadequadas, os professores abandonam os alunos como os polícias abandonam as vítimas porque a lei lhes veta o direito a disparar sobre um agressor. É assim que funciona o sistema. E é desta sociedade que nascem os governantes do futuro.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

la resistencia a "El Pibe"

Parece que o Maradona anda às voltas com um problema que conhecemos bem em Portugal. Após conseguir ficar à frente da selecção argentina, apenas por se ter mostrado disponível para isso na comunicação social, tem de ultrapassar complicações que não se anteviam: a resistência de Julio Grondona à sua intenção de garantir no comando técnico alguns 'jobs for the boys' ...

fome política

Se a intenção da JSD não é a de associar o partido ao Banco Alimentar, então não percebo a iniciativa.
Claro que isto é tudo uma questão de rigor semântico.
O que a JSD quer não é associar o seu nome ao Banco Alimentar, embora fosse a organização mais sonante para o efeito pretendido. A intenção do partido é associar-se a uma causa, seja ela qual for, que contribua para uma missão política concreta.
Com a efectiva quantidade de pessoas carenciadas, não faltam certamente instituições a aceitar de bom grado a ajuda, indiferentes à verdadeira moral por detrás do gesto.

Bartoon

Público, Edição 4 Nov 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

iN & oUT

oUT:
-Engº Sócrates
-Teixeira dos Santos
-Vicente Moura
-Sarah Palin (estou a contar que entre para os iN lá para 2010)
-Bibi
-Luís Filipe Menezes/Manuela Ferreira Leite/Pedro Santana Lopes (ex-aequo)
-Pinto da Costa (só porque sim)
-barbeiro de Barack Obama
iN:
-humm... agora assim de repente... só se for o Lampião, de Évora, que tinha um stand na Feira de Santarém com umas migas bem boas!

em tempo de crise...

vale de qualquer coisa ser colunista - as pessoas não se cansam de ler a mesma coisa, todos os dias, escrita por pessoas diferentes. Também se pode aplicar às eleições americanas. Aliás, melhor para vender opiniões do que a recessão ou eleições nos Estados Unidos é as duas coisas ocorrendo em simultâneo. Se um candidato for preto e o outro republicano com histórico de combatente de guerra, tanto melhor;

vale de qualquer coisa ser mau administrador de alguma empresa com cotação na bolsa, principalmente na área da banca - o Estado e o Banco de Portugal encarregam-se de garantir a subsistência das empresas que se servem da crise como bode expiatório para o seu fracasso. Para alguns empresários, mais do que conveniente é um golpe de sorte;

vale de muito ter olho para o negócio e tomates para correr riscos - constroem-se impérios em três tempos;

mas a grande mais valia numa altura destas é ser comediante.

a utilidade do secundário completo

(ao balcão do governo civil da loja do cidadão)

a menina: agora assinas e pões ali os dois dedos. Depois olhas para ali e tiras uma fotografia. Eu já tirei a minha.

eu: ai sim? Vais viajar?

a menina: sim, para o Canadá. Com o meu pai.

eu: que giro! E estás a ajudar a senhora a fazer os passaportes para estas pessoas? Gostavas de trabalhar aqui?

a menina: sim. Mas quando for grande não vou trabalhar aqui.

eu: então, vais ser o quê quando fores grande?

a menina: vou trabalhar na Zara do Vasco da Gama...

serviço público

Por estas e por outras é que a minha carreira jornalística não medrou... (o que eu gosto do verbo 'medrar'!)

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={E06D1533-A5EF-4E4F-8805-F70BBDAB6BB7}
(vídeos SIC)