quinta-feira, 20 de novembro de 2008

oração

rogo-vos:
fechai-me num calabouço e deitai ao rio a chave, no dia em que eu fizer uso (e abuso) da preciosa palavra para dizer tão pouco, como aqui se verifica...

controvérsias

Ainda estou à espera que me expliquem qual a grande obscenidade na afirmação de Manuela Ferreira Leite acerca de não poderem ser os jornalistas a escolher as notícias.
Não é uma declaração fascista, nem polémica, nem é nenhum drama social ou uma terrível ameaça ao bom funcionamento da nossa grande sociedade democrática.
Infelizmente, os "jornalistas" (que dito assim representam de um modo geral toda uma linha editorial) acabam por ser sempre controlados por dissimuladas forças de poder.
Isto significa que muitas vezes há, na política como em todos os sectores sociais de peso, desigualdade na abordagem e discussão pública de assuntos de interesse.
O que foi dito pela líder social-democrata foi devidamente contextualizado, na sequência de uma notícia considerada pela própria demasiado breve e secundária em relação ao alinhamento noticioso. Podemos sempre pôr em causa os seus critérios de protagonismo mediático mas acusá-la de querer controlar ou limitar o trabalho da comunicação social? Tenham juízo!
Para mim, quem não percebe o que ela quer dizer, é estúpido.

(que sociedade de abutres mal-paridos, sempre a ver se apanham algum bocadinho de carne fétida que possam transformar numa tragédia socio-política)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

a fava ditadora

ando muito repetitiva.
e armada em activista (quase como se a política me dissesse alguma coisa!)
pior ainda: ando com tendência para pensar que o que se chama hoje de democracia não é mais do que libertinagem, numa sociedade sem disciplina de qualquer espécie.
sim, acho a disciplina e a formação moral necessárias.
e não sou salazarista.

só restarão vencidos*

Já o tinha dito antes. Harmonia e discórdia andam de mãos dadas no meu relacionamento sensitivo com Miguel Sousa Tavares. Mas dou a mão à palmatória ao ler o seu último artigo do Expresso, que revela algumas considerações sobre o actual panorama do sistema educativo. E devo confessar que me sinto satisfeita ao ver reflectido nas suas palavras o rigor da minha opinião. Não porque procure espelhar-me na sua narrativa intelectual, mas porque já começava a sentir-me sozinha na minha tomada de posição em relação a esta crise que se tem vindo a revelar tão conveniente para tanta gente.

Além do festival circense criado por milhares de professores, com a ajuda da comunicação social, que me deixa profundamente descrente nas suas capacidades, há uma exploração política global, que se marimba para a qualidade da educação. Os estudantes andam à deriva entre a alienação sobre o problema e o aproveitar o embalo para, também eles, contestarem a ministra, as políticas, o Sócrates, e tudo o mais que sirva de pretexto para uma manifestação.

No outro dia ouvi (várias vezes, em vários noticiários) uma professora que afirmava, com ar de orgulhosa ironia, que não gostava da ministra porque ela "era feia" e porque a "ofendia sempre que falava em público" e que, por isso, não gostava dela. Pensei para mim que a ministra (que nunca defendi) também não se deve sentir muito bem quando a retratam em posters menos lisonjeiros, quando a insultam pelas ruas, em frente às televisões, como os professores têm feito, ou quando lhe atiram ovos e tomates, como pegou moda entre os alunos. Pensei que àquela professora tão determinada, deveria ter sido colocada uma questão pertinente depois do seu comentário, como por exemplo, que alternativa válida sugeria ela, enquanto docente, à proposta de avaliação avançada pela ministra da educação.

Também me parece que o Sr. Mário Nogueira tem tido demasiado protagonismo, ostentando sempre uma postura intolerante face ao ministério, postura esta que nada tem de construtivo e começa a roçar uma arrogância insuportável. A FENPROF aparenta estar determinada numa tarefa que não deveria, de todo, ser a sua: fazer o papel de opositor político. Tem, circunstancialmente, o apoio de vários partidos que não medem esforços para competir entre si, na devoção à causa anti-Maria de Lurdes Rodrigues, mais uma vez, por uma questão de estratégia política. Creio que haverá no PSD uma ligeira contenção, pelo menos por parte de Manuela Ferreira Leite, o que faz todo o sentido: rejeitar este tipo de reforma através da contestação popular é fácil, mais difícil é apresentar uma alternativa satisfatória. Obviamente que o principal partido da oposição não quererá tomar uma posição que vá contra a população, a quem deve aliar-se, não podendo contudo admitir que em relação a este assunto o melhor é deixar tudo como está (o que certamente irá acontecer).

A realidade é que, por desconcertante ignorância ou pura teimosia, esta ministra da educação tem passado por provações mais difíceis que os seus últimos antecessores. Tem declarada guerra aberta por parte de um sector que mediatiza a sua causa sem qualquer pudor e não se poupa a esforços para convencê-la a desistir, mas mais importante que isso, não tem no seu partido ninguém com o estofo necessário que lhe possa valer. E não creio que esta ministra tenha alguma ilusão relativamente ao chefe do governo: está mais do que provado que não será ele a abdicar da () escassa margem de manobra que (ainda) tem para fingir que governa.

* título do artigo de Miguel Sousa Tavares

dia de Sereia*

Hoje é um dia especial.
Do mar, cantam os seres.
Ouvem-se raias e medusas;
polvos, lulas e chocos;
Ouvem-se os tubarões, as baleias e os golfinhos;
Ouvem-se estrelas e ouriços do mar;
tartarugas centenárias, medusas e peixes-palhaço.
Ouvem-se, de outras sereias*, melodias de cristal.

Querem saber de ti.

Eu também quero saber de ti.
Queria-te próxima, hoje.
Se pudesse, ia dar um passeio contigo pela manhã. Podíamos ir à fnac, ver livros e mais livros e cds. Depois íamos à natura, ver se têm pantufas giras, e comprávamos dois pares iguais (sendo que as tuas seriam mais pequenitas...). Depois almoçávamos juntas. Numa esplanada de inverno, à beira da praia. Nas azenhas, nas maçãs, na praia grande... a aproveitar o sol que ainda se sente quente. E levávamos a bolota e o fox, para correrem até cair para o lado. Havíamos de rir muito. Por fim, íamos a um qualquer cinema, ver o John Travolta a dançar (estou certa de que se arranja sempre um filme com o John Travolta a dançar...).

À noite, juntávamos um mundo de amigos e partilharíamos o néctar dos deuses (que é como quem diz, faríamos um jantar com o pessoal todo) para que pudesses matar as saudades - que eu sei que tens!

Finalmente oferecer-te-ia o melhor presente do mundo: tempo. O Tempo.
Dava-te de novo o dia para poderes estar com aqueles de quem te sentes tão afastada. Para mimares e seres mimada. Para poderes parar, e ficar a contemplar os sorrisos que se soltam, as palavras que se perdem, os olhares que te dirigem.
Era o que faria, não andasses tu perdida pelos teus oceanos; não andasse eu absorta nesta minha vida terrena...

Sereia*

Neste teu dia, desejo que o futuro se desenhe com traços definidos e cores alegres.
Desejo que possas sempre fazer as tuas escolhas, sem medo.
Desejo que a tua felicidade se sobreponha a todas as dificuldades que surjam.
Desejo que o teu mar se preencha de corais fantásticos.

Muitos parabéns, neste TEU dia!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

coisinhas

já não gostava tanto de um toque de mensagem desde o ti ri ri - ti ri ri - ti ri ri do Motorola d520 do primeiro ano da faculdade*. nem me importo quando as mensagens são do operador ou do holmes place! gosto do som cristalino do message 4.aac, pronto! lembra-me sushi, origamis e espanta-espíritos.

* a teresa compreende-me como ninguém!
(bolas! não pensei que rever o meu primeiro telemóvel me emocionasse! Lembrei-me de coisas que nunca imaginaria...)

assim de repente...

... ocorreu-me que se este blogue fosse fruto de uma concepção biológica, eu estaria prestes a dar à luz.

bloqueio céptico

Sofro de uma incapacidade patológica de confiar.
Não consigo deixar-me cair de costas, cegamente, no colo de alguém. Sou descrente em relação a tudo o que implica depender da minha entrega total a algo.
Quando assim não parece, é apenas porque dissimulo bem a minha dificuldade em acreditar ou opto por me resignar à felicidade de não querer saber de desenganos.
Não é tristeza, nem mágoa, nem esterilidade.
É uma espécie de frigidez emocional que às vezes me atormenta, mas que aceitei fazer parte de mim.
Chamo-lhe bloqueio céptico.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

coen e kusturica

... estiveram lado a lado no meu cinema de fim-de-semana.
Foi um bom elixir cerebral para varrer o lixo cinematográfico que andava a acumular.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

simulacros

O que eu gosto de um bom simulacro!
É uma daquelas coisas em que 'boa intenção' e 'utilidade' se aplicam tão bem como 'Magalhães' e 'inovação nacional'...

press: um dos títulos da semana

Fucile: "Comi uma cotovelada nos dentes"

voz-múmia

O Aurélio Gomes e a Teresa Gonçalves fizeram ontem a experiência de apresentar o Janela Aberta, no Rádio Clube Português, de olhos vendados, em ode à estreia cinematográfica do Ensaio sobre a Cegueira. Foram quatro horas de emissão às cegas.
Louvo a experiência. Ainda mais porque deve ter sido medonho ouvir, de súbito, a voz de Saramago. Apenas ouvi a repetição desse momento único e, mesmo preparada para o que iria ouvir, imaginei o susto que apanhava quando ressoasse no estúdio, de surpresa, aquela voz-múmia.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

apontamentos..

* ninguém como nós para agendar um jogo, entre Portugal e o Brasil, a realizar em Brasília, a meio da semana e entre jogos da liga, com transmissão em Portugal por volta da meia-noite, cuja organização (entre aviões fretados, instalações de luxo e medidas de segurança) ascende a um milhão de euros.

* ninguém como Berlusconi para misturar, sem pudores, política e futebol (em jeito de surpresa).

(Como diria o Dr. Mário Soares, "o mundo é cada vez mais um só", mas partido em duas partes terrivelmente desiguais, digo eu.)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

D. Leonor

Dizia-me a parvinha assim: "Agora vai clicar onde diz 'setep' (set up...) e depois abre-se uma página. Tem as instruções e tal para o 'deulôd' (download...), não interessa, vem para baixo, até ao fim da página e depois diz Topo. Clica em Topo e abre-se outra página (???). É aí que encontra o programa de validação que tem de instalar. Depois fica com ele no meio (?) ambiente de trabalho."
Dizia-lhe eu, mentalmente: "A senhora é tão tolinha, tão idiota, tão infinitamente burra, que não se apercebe de como é irritante ouvi-la a pensar que está a usar termos em inglês, enquanto vai engolindo várias vezes a saliva acumulada por esse mastigar incomodativo de pastilha elástica; como é insuportável perceber que no meio de tanta tagarelice não está a dizer nada de nada; como é patético que não perceba que, quando clica em Topo não se abre uma nova página, volta sim para o Topo da página a que acedeu e que arrastou até abaixo; e, sobretudo, como tenho vontade de a sacudir, como se faz às melgas, de lhe gritar que se cale e dizer-lhe que devia ser grata a deus nosso senhor das telecomunicações por não falar ainda por equipamentos 3G que lhe permitissem ser reconhecida na rua. Assim sempre pode ir para casa descansada, pois há por aí um mundo que não lhe reconhece a estupidez personificada."
Rematava com um: "Passe bem".

jorge palma



No Rádio Clube Português, por volta das 13h30... (quando já perdia a esperança de ouvir qualquer coisinha de jeito numa qualquer estação de rádio. Também ando farta de música. E de gente. Preciso de férias.)

vitrúvio e a proporcionalidade

Gostava de ter em mim a rigorosa proporcionalidade do homem de vitrúvio. Do ponto de vista racional/emocional, claro.

BdP

E o que eu gosto de ouvi-los dizer coisas do género: "Em França, ninguém discutiu uma falha de supervisão"*, a propósito de um buraco financeiro qualquer...
"... porque me crucificam desta maneira, quando os nossos parceiros europeus, tão mais inteligentes e desenvolvidos do que nós, praticam fraudes inconsequentes? Não é justo!"**

* isto foi o Vítor Constâncio
** isto sou eu
Que giro seria o nosso Vivi numa cela com o (guloso) Bibi...

amêndoa amarga

Não há pachorra para noticiários, para a nossa política, para o nosso futebol, para o nosso sistema financeiro, para a nossa administração interna e para o oportunismo generalizado, tanta é a falta de pudor e de competência.
O nosso PM é uma anedota, mesmo dentro do seu partido, e finge não perceber. O PR, com o devido respeito, é um pachá, daqueles que fazem jus ao nome: mole, molinho como uma lesma, cuja principal preocupação é cumprir o seu mandato sem levantar grandes ondas. Se o primeiro só faz aparato de grandes feitos que não passam de fantochadas de auto-promoção que não surtem efeito nenhum, o segundo tem a displicência de um presidente de uma nação estável e calma, que navega em águas brandas. Têm em comum o facto de viverem as suas ilusõezinhas pessoais e aparentarem com isso uma felicidade intocável.
Neste país, a democracia é qualquer coisa que se invoca para justificar erros crassos e transformá-los em alternativas governativas.
Estou quase tão farta disto como da Brandi Carlile com a sua story.
Felizes os que bebem com sofreguidão os Morangos com Açucar e acompanham com interesse jornalístico as caretas teatrais da M. M. G. e as imposições opinativas do todo-poderoso M. S. T.
Quando conseguir acompanhar um serão televisivo da tvi serei resignadamente feliz.