domingo, 30 de novembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
jorge palma II
"a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo
enquanto houver estrada para andar
a gente vai continuar
enquanto houver estrada para andar
enquanto houver ventos e mar
a gente não vai parar
enquanto houver ventos e mar"
Depois, de vez em quando olhamos e parece que a estrada acabou mesmo e que temos de ser nós a compôr o resto da canção...
supremacia
Nós, portugueses, habituámo-nos a dizer que pior que nós só os gregos. Eles dizem o mesmo a nosso respeito.
A diferença é que eles têm razão.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
vicky cristina barcelona
Quase perco a vontade de ir ver o filme.
Tanta beijoquice.
Não se deviam expor beijos desta forma, aos quilos, aos litros, aos molhos.
Os beijos são qualquer coisa de muito especial. Nada como o sexo.
Fico pouco à vontade com muita beijoquice à minha volta.
vitor constâncio
Ao ouvir ontem o Dr. Vitor Constâncio em entrevista à RTP, lembrei-me de uma anedota que a minha irmã costumava contar. É um bocado ordinária e portanto não avanço por aí. Ainda assim, e como acontece na dita, o Vitor Constâncio ia falando e eu, sozinha em frente ao écran, ia alvitrando, incontrolavelmente, alguns palavrões ao doutor (tal como faz a sujeita da referida anedota). Ocorreu-me também que, pela primeira vez, compreendi a necessidade da existência nos nossos canais televisivos de pessoas como a Manuela Moura Guedes. Por momentos, desejei que fosse ela ali, no lugar da exemplar e sempre impecável Judite de Sousa.
azeitonas fritas
Há dias, a caminho do trabalho, vi-o em frente ao restaurante onde trabalha. Atravessou a estrada com dificuldade, arrastando um enorme recipiente do lixo. O avental justo ao corpo, amarrado em três voltas, a denunciar a sua silhueta débil, quase linear. Lembra-me um screen-bean. Vem-me à memória aquele fim de tarde de verão, entre caracóis e pica-pau, em que me deparei com a personagem. Os seus gestos delicados, a voz arrastada e demasiado afectada, a aparente descalcificação dos pulsos e a postura de mulher-a-dias. Não me esqueço. Gostava de o ver em família. Deve ser caricato.
(Às vezes apetecia-me ser daquelas pessoas que não têm pudor em ficar a olhar, embasbacadas, diante de uma aberração. Mas não consigo. Chatice!)
fio condutor (quando o novo dia é a continuação do anterior)
Apetecia-lhe insultá-lo, gratuitamente, sem dar explicações.
Mas não o faz e sabe porquê. O insulto gratuito não lhe dá o sossego de uma discussão fundamentada. Ele é que é dado aos silêncios. Ela disseca os motivos.
No entanto, também sabe que em si os humores pousam em placas de esferovite a boiar. Já nele, há normalmente uma razão para a desarmonia.
Sempre achou curioso que reconheça em si a inexplicabilidade, enquanto exige dele uma justificação para tudo. Não é apenas por saber que nele há motivos e em si apenas mistério. É por querer encontrar nele a razão que, nela, é ocupada pelos labirintos da alma.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
contra golpe à apatia
No momento em que entrou, agarrei o elefante e, com toda a minha força, arremessei-o contra o móvel da sala. Não foi como nos meus sonhos. Nos meus sonhos o habitual é insurgir-se contra mim uma espécie de campo magnético que me desarma quando tento reagir. Cada gesto de força impulsionado pela ira é, normalmente, travado por uma barreira invisível. Frustrada, acabo por ver os meus próprios movimentos em câmara lenta, esgotados, inversos ao que ao que me pede a vontade interior. Não foi nada assim. O elefante (como elefante que é) atingiu estrondosamente a madeira e o vidro do móvel, estilhaçando os objectos outrora organizadamente dispostos.
A sensação de alívio.
Tão bom sentir que, por uma vez, tive a força que me falta nos sonhos.
Durante breves segundos gozei do silêncio de espanto e medo à minha volta.
Depois, aliviada, deixei-me cair no sofá com um sorriso nos lábios.
apatia
Os meus males, concluí recentemente (há poucos minutos, para ser precisa), são maioritariamente, para não dizer na totalidade, psicológicos. Não no sentido de paranóicos ou imaginários mas no sentido de resultantes do foro mental, emocional, metafísico quase. A minha resistência imunológica de ferro (nomeadamente às constipações, como já referi aqui noutros contextos) é a grande responsável pela minha debilidade espiritual, sempre tão exposta e influenciável numa proporcionalidade assustadoramente inversa à da fraca sujeição ao vírus gripal. Mas há mais factores que favorecem esta minha non-grata permeabilidade. A instabilidade e o desequilíbrio, que ainda não estou certa de coexistirem numa relação de irmandade ou de hierarquia causa-efeito e que provocam imensos danos. De tal forma que não estou muito certa se, tudo isto que há minutos concluí, terá o carácter absoluto e definitivo que gostaria que tivesse. Sabe bem, contudo, permitir-me serenamente estas considerações. Normalmente, tudo isto se manifesta de forma sobejamente neurótica no meu dia-a-dia.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
pó de arroz
para cobrir o nariz
para esconder o coração
para rir cá dentro do milagre da vida
os homens não usam pó de arroz
há coisas de que só nós somos capazes...
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
oração
rogo-vos:
fechai-me num calabouço e deitai ao rio a chave, no dia em que eu fizer uso (e abuso) da preciosa palavra para dizer tão pouco, como aqui se verifica...
controvérsias
Ainda estou à espera que me expliquem qual a grande obscenidade na afirmação de Manuela Ferreira Leite acerca de não poderem ser os jornalistas a escolher as notícias.
Não é uma declaração fascista, nem polémica, nem é nenhum drama social ou uma terrível ameaça ao bom funcionamento da nossa grande sociedade democrática.
Infelizmente, os "jornalistas" (que dito assim representam de um modo geral toda uma linha editorial) acabam por ser sempre controlados por dissimuladas forças de poder.
Isto significa que muitas vezes há, na política como em todos os sectores sociais de peso, desigualdade na abordagem e discussão pública de assuntos de interesse.
O que foi dito pela líder social-democrata foi devidamente contextualizado, na sequência de uma notícia considerada pela própria demasiado breve e secundária em relação ao alinhamento noticioso. Podemos sempre pôr em causa os seus critérios de protagonismo mediático mas acusá-la de querer controlar ou limitar o trabalho da comunicação social? Tenham juízo!
Para mim, quem não percebe o que ela quer dizer, é estúpido.
(que sociedade de abutres mal-paridos, sempre a ver se apanham algum bocadinho de carne fétida que possam transformar numa tragédia socio-política)
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
a fava ditadora
ando muito repetitiva.
e armada em activista (quase como se a política me dissesse alguma coisa!)
pior ainda: ando com tendência para pensar que o que se chama hoje de democracia não é mais do que libertinagem, numa sociedade sem disciplina de qualquer espécie.
sim, acho a disciplina e a formação moral necessárias.
e não sou salazarista.
só restarão vencidos*
Já o tinha dito antes. Harmonia e discórdia andam de mãos dadas no meu relacionamento sensitivo com Miguel Sousa Tavares. Mas dou a mão à palmatória ao ler o seu último artigo do Expresso, que revela algumas considerações sobre o actual panorama do sistema educativo. E devo confessar que me sinto satisfeita ao ver reflectido nas suas palavras o rigor da minha opinião. Não porque procure espelhar-me na sua narrativa intelectual, mas porque já começava a sentir-me sozinha na minha tomada de posição em relação a esta crise que se tem vindo a revelar tão conveniente para tanta gente.
Além do festival circense criado por milhares de professores, com a ajuda da comunicação social, que me deixa profundamente descrente nas suas capacidades, há uma exploração política global, que se marimba para a qualidade da educação. Os estudantes andam à deriva entre a alienação sobre o problema e o aproveitar o embalo para, também eles, contestarem a ministra, as políticas, o Sócrates, e tudo o mais que sirva de pretexto para uma manifestação.
No outro dia ouvi (várias vezes, em vários noticiários) uma professora que afirmava, com ar de orgulhosa ironia, que não gostava da ministra porque ela "era feia" e porque a "ofendia sempre que falava em público" e que, por isso, não gostava dela. Pensei para mim que a ministra (que nunca defendi) também não se deve sentir muito bem quando a retratam em posters menos lisonjeiros, quando a insultam pelas ruas, em frente às televisões, como os professores têm feito, ou quando lhe atiram ovos e tomates, como pegou moda entre os alunos. Pensei que àquela professora tão determinada, deveria ter sido colocada uma questão pertinente depois do seu comentário, como por exemplo, que alternativa válida sugeria ela, enquanto docente, à proposta de avaliação avançada pela ministra da educação.
Também me parece que o Sr. Mário Nogueira tem tido demasiado protagonismo, ostentando sempre uma postura intolerante face ao ministério, postura esta que nada tem de construtivo e começa a roçar uma arrogância insuportável. A FENPROF aparenta estar determinada numa tarefa que não deveria, de todo, ser a sua: fazer o papel de opositor político. Tem, circunstancialmente, o apoio de vários partidos que não medem esforços para competir entre si, na devoção à causa anti-Maria de Lurdes Rodrigues, mais uma vez, por uma questão de estratégia política. Creio que haverá no PSD uma ligeira contenção, pelo menos por parte de Manuela Ferreira Leite, o que faz todo o sentido: rejeitar este tipo de reforma através da contestação popular é fácil, mais difícil é apresentar uma alternativa satisfatória. Obviamente que o principal partido da oposição não quererá tomar uma posição que vá contra a população, a quem deve aliar-se, não podendo contudo admitir que em relação a este assunto o melhor é deixar tudo como está (o que certamente irá acontecer).
A realidade é que, por desconcertante ignorância ou pura teimosia, esta ministra da educação tem passado por provações mais difíceis que os seus últimos antecessores. Tem declarada guerra aberta por parte de um sector que mediatiza a sua causa sem qualquer pudor e não se poupa a esforços para convencê-la a desistir, mas mais importante que isso, não tem no seu partido ninguém com o estofo necessário que lhe possa valer. E não creio que esta ministra tenha alguma ilusão relativamente ao chefe do governo: está mais do que provado que não será ele a abdicar da (já) escassa margem de manobra que (ainda) tem para fingir que governa.
* título do artigo de Miguel Sousa Tavares
dia de Sereia*
Hoje é um dia especial.
Do mar, cantam os seres.
Ouvem-se raias e medusas;
polvos, lulas e chocos;
Ouvem-se os tubarões, as baleias e os golfinhos;
Ouvem-se estrelas e ouriços do mar;
tartarugas centenárias, medusas e peixes-palhaço.
Ouvem-se, de outras sereias*, melodias de cristal.
Querem saber de ti.
Eu também quero saber de ti.
Queria-te próxima, hoje.
Se pudesse, ia dar um passeio contigo pela manhã. Podíamos ir à fnac, ver livros e mais livros e cds. Depois íamos à natura, ver se têm pantufas giras, e comprávamos dois pares iguais (sendo que as tuas seriam mais pequenitas...). Depois almoçávamos juntas. Numa esplanada de inverno, à beira da praia. Nas azenhas, nas maçãs, na praia grande... a aproveitar o sol que ainda se sente quente. E levávamos a bolota e o fox, para correrem até cair para o lado. Havíamos de rir muito. Por fim, íamos a um qualquer cinema, ver o John Travolta a dançar (estou certa de que se arranja sempre um filme com o John Travolta a dançar...).
À noite, juntávamos um mundo de amigos e partilharíamos o néctar dos deuses (que é como quem diz, faríamos um jantar com o pessoal todo) para que pudesses matar as saudades - que eu sei que tens!
Finalmente oferecer-te-ia o melhor presente do mundo: tempo. O Tempo.
Dava-te de novo o dia para poderes estar com aqueles de quem te sentes tão afastada. Para mimares e seres mimada. Para poderes parar, e ficar a contemplar os sorrisos que se soltam, as palavras que se perdem, os olhares que te dirigem.
Era o que faria, não andasses tu perdida pelos teus oceanos; não andasse eu absorta nesta minha vida terrena...
Sereia*
Neste teu dia, desejo que o futuro se desenhe com traços definidos e cores alegres.
Desejo que possas sempre fazer as tuas escolhas, sem medo.
Desejo que a tua felicidade se sobreponha a todas as dificuldades que surjam.
Desejo que o teu mar se preencha de corais fantásticos.
Muitos parabéns, neste TEU dia!
terça-feira, 18 de novembro de 2008
coisinhas
já não gostava tanto de um toque de mensagem desde o ti ri ri - ti ri ri - ti ri ri do Motorola d520 do primeiro ano da faculdade*. nem me importo quando as mensagens são do operador ou do holmes place! gosto do som cristalino do message 4.aac, pronto! lembra-me sushi, origamis e espanta-espíritos.* a teresa compreende-me como ninguém!
(bolas! não pensei que rever o meu primeiro telemóvel me emocionasse! Lembrei-me de coisas que nunca imaginaria...)
assim de repente...
... ocorreu-me que se este blogue fosse fruto de uma concepção biológica, eu estaria prestes a dar à luz.
bloqueio céptico
Sofro de uma incapacidade patológica de confiar.
Não consigo deixar-me cair de costas, cegamente, no colo de alguém. Sou descrente em relação a tudo o que implica depender da minha entrega total a algo.
Quando assim não parece, é apenas porque dissimulo bem a minha dificuldade em acreditar ou opto por me resignar à felicidade de não querer saber de desenganos.
Não é tristeza, nem mágoa, nem esterilidade.
É uma espécie de frigidez emocional que às vezes me atormenta, mas que aceitei fazer parte de mim.
Chamo-lhe bloqueio céptico.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
coen e kusturica
... estiveram lado a lado no meu cinema de fim-de-semana.
Foi um bom elixir cerebral para varrer o lixo cinematográfico que andava a acumular.
Subscrever:
Mensagens (Atom)