quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
you gotta be... crazy!
Há alturas em que precisava de ouvir repetidamente esta música e assimilá-la até ao tutano!
Ou entrar num qualquer call-center deste país a disparar indiscriminadamente...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
heroísmo precoce
Já devo ter dito isto: não gosto de heróis anunciados.
Têm de me provar tudo, tudinho.
Vou esperar para saber se o Obama é capaz de fazer aquilo a que se propõe, pelo menos (já que as expectativas mundiais ultrapassam todos os limites do razoável optimismo).
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
jamie oliver
Tenho que dizer que o Jamie At Home é o meu programa preferido.
É verdadeiramente fascinante.
Fico presa quando o apanho no zapping (mesmo que saiba da Anatomia de Grey ou do House a decorrer ali ao lado).
road trip
Há uma longa estrada que se dirige ao interior e atravessa aldeolas (que nem aldeias chegam a ser), ladeada por verde e por "fantasmas" feitos de lixo que, segundo teoria sugerida, assinalam entradas para casebres, no meio daquele caminho sempre igual. Há cenotes e outros paraísos escondidos, longe da vista.
As casas que se sucedem são pintadas de cores ocres e berrantes, e a terra é vermelha. Avistam-se pátios interiores, de porta escancarada aos olhares, onde pendem camas de rede para descansar as moléstias de um dia de sol e suor.
Na berma, cães que parecem todos iguais coçam-se com vagar. Galinhas passeiam pela terra batida e desaparecem por caminhos sem destino.
Cai a noite devagar. O comércio é repetitivo, vazio, lúgubre. Os sorrisos destoam do ambiente perdido e sujo. Ouvem-se televisões, transistores.
Abarco tudo num olhar àvido, com ouvidos atentos e de narinas dilatadas.
Escrevo para não me esquecer.
E não me esqueço.
apelo: chapéu semi-marroquino
como sou optimista em relação ao alcance recordista deste meu humilde blogue, faço o apelo a algum mexicano presenteado pelo meu descuido, que faça o favor de me devolver, por fed-ex ou outro que tal, o meu chapéu de arame.
ausências
Quando se viaja, está-se ausente.Está-se ausente do sítio que deixamos e não se chega a estar presente no local que visitamos.
O corpo e a alma dissociam-se. O pensamento foge-nos muitas vezes para as raízes que ficam para trás, queiramos ou não.
Quando partimos, não somos pertença de nada.
Mas ao regressar, sabemos que deixámos fragmentos de nós que mais ninguém sabe.
As recordações não são algo que trazemos. São reflexos de pedaços por nós deixados lá, na pedra daquele caminho, nos olhos de alguém que cruzou os nossos, no quotidiano que nos marcou e que pulsa hoje, no mesmo sítio, indiferente à nossa passagem.
Indiferente para todos, menos para nós mesmos.
O corpo move-se milhas. A alma segue-o. Atrasada.
Enquanto andamos, deixamos um rasto que luta por se despegar.
Por muito que nos custe correr, dói muito mais à alma cortar os laços que se querem deixar ficar.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
adelante...
Não sei se interessa muito mas... estou de volta.
De novo para cá de fronteiras mas com disponibilidade zero para contar histórias.
O tempo virá...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
tenho de dizer isto
... sem ansiedade, sem ansiedade, mas o balanço foi muito positivo! Sete (7!) livros! E uma gabardina preta.
E a filmografia das jornadas: Shrek, Cidade de Deus, Day After Tomorrow (again!) e um bocadinho do James B(l)ond.
Hoje acordei a sentir a cabeça latejar e pensei na toalha ensopada no Barca Velha de 1999.
"filhoses" e outras neuroses
O Natal já passou e sem ansiedade pelas prendas. Foi quentinho, quase sempre ao abrigo de quatro paredes e de um aquecimento invejável. Os pensamentos mais negativos que tive foram exactamente os que tentaram calar a minha consciência, quando esta deixou, uma ou outra vez, repassar a frustração de saber tantos ao frio e com fome.
O costume, de todos os anos. Braços cruzados, indiferentes ao gesto possível mas considerado vão. Assim sendo, não choremos pelo que deveríamos.
Hoje é o último dia "útil" do ano, para mim.
Tenciono ser literalmente uma "inútil" durante alguns dias que espero que sejam confortavelmente compridos como uma boa espreguiçadela. E, antes de recomeçar, quero uma vendetta que -não obstante a fome no mundo e a abençoada vida que me calhou em sorte- acho que mereço. Por isso, atravesso o oceano e rumo ao equador, em busca de climas quentes e de chilli picante.
Se isto não é uma despedida, daquelas que não gosto de ver nos blogues a anunciar pausa para férias, então não sei o que seja. Talvez não. Talvez os alertas amarelos e laranjas me privem de passeios de Inverno e me confinem ao teclado caseiro algures, durante a próxima quinzena.
Voltarei. Não sei é se antes ou depois do sombrero...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
segunda II
Hoje é segunda e acordei bem-disposta.
Talvez porque não há dias tão bonitos como os dias frios e de céu limpo.
E era assim que estava hoje, quando acordei...
segunda I
Gostava de não ser céptica, assim a roçar o pessimista, e gostava que as segundas-feiras não fossem sempre tão cinzentas ao acordar, como se a semana fosse um comboio negro e interminável que tenho que enfrentar.
Gostava antes de ser uma pessoa sorridente, daquelas inexplicavelmente bem-dispostas e muito espirituais, com uma boa aura, para quem cada dia é uma dádiva.
Se eu fosse antes esta pessoa, não escrevia posts como o último.
Pelo contrário, seria ignorantemente feliz e gritaria a plenos pulmões que o meu Benfica há-de ser sempre o maior.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
a crónica que o Benfica já merecia
Há, na minha vida aparentemente estúpida e sem significado, uma dúvida que se assume com uma enormidade e uma importância desmesuradas, de carácter quase existencial. Quanto mais tento encontrar uma resposta satisfatória, mais a dúvida se levanta em toda a sua gigantesca imponência e mistério. Passa-se então que não consigo descortinar o que é que, de há muitos (demasiados) anos para cá, tem vindo a acontecer com o Benfica, a tal instituição gigantesca, mundial, cujo número de adeptos, todos bem juntinhos, ocupam no planeta uma mancha visível do espaço.
Desde há muito tempo que me tornei uma adepta preocupada com algo muito para além de derrotas pontuais.
É com tristeza que reconheço que este Benfica, que tem vindo a sobreviver magistralmente à custa de glórias quase pré-históricas, não tem ponta por onde se lhe pegue. Desde a direcção, sem carisma, sem liderança, sem estratégia, sem vontade, passando por equipas técnicas que deixam sempre muito a desejar, não esquecendo os médicos e preparadores físicos que valha nosso senhor a quem tenha de passar por eles, nunca mais são jogadores na vida (e isto é misteriosamente recorrente), ninguém se escapa.
Reconheço, tristemente, que não há maneira a dar a volta à coisa e que o Futebol Clube do Porto e o seu Pinto da Costa é que a sabem toda porque ali ninguém pia mais do que deve ou do que sabe. E, incrivelmente, confirma-se que fenómenos inversos se passam nos rivais lisboetas e invictos: o que o Benfica consegue melhor (transformar vedetas do futebol internacional e propensas estrelas em jogadores medíocres) é inversamente proporcional ao que o Porto faz com arte (transformar desconhecidos em grandes jogadores e fazer de treinadores como Jesualdo bons treinadores). São as antípodas do futebol. Aqui, nem o Sporting entra: os seus dilemas caseiros e as suas dores de cabeças não andam neste palmarés que opõe o Porto ao Benfica.
No Benfica, toda a gente manda e não manda ninguém. Há bem intencionados. Há uma estátua do Eusébio, que lá vai sobrevivendo. E há, sistematicamente, no início de cada época, jogadores que chegam, com gana de se mostrar num dos "grandes" da europa. São os mesmos jogadores que, poucas semanas depois se revelam um fracasso, quer pelas suas qualidades duvidosas, quer por um fraco aproveitamento dessas qualidades (este é outro quebra-cabeças). São os mesmos que regridem, ao longo da época, para comportamentos pouco dignificantes da camisola que vestem e do investimento que neles é feito, são os mesmos que se tornam indisciplinados, que afirmam não 'entender' as decisões do mister, que reclamam um lugar ao sol e que eu vejo, inexplicavelmente, de ombros caídos.
Tem sido isto o Benfica. Um clube grande porque o reza a História, em cuja principal modalidade vinga um fracasso anunciado. Começa um novo periodo, em cada mês de Agosto, com uma mentalidade ganhadora e confiante meramente ilusória: um olhar mais atento e facilmente se detectam botas que não batem com as perdigotas. Desde cedo. Mas a massa de gente acredita e deixa-se enganar por torneios amigáveis. No início, admite-se estar em todas as frentes. Depois surgem as más opções, o excesso de confiança, a pouca sorte ou a desculpa das más arbitragens. Acumulam-se maus resultados e, pouco a pouco, vão-se adiando conquistas, até estar apenas em jogo a prova principal que não é eliminatória e se torna muitas vezes pouco competitiva e previsível. Quando menos se espera abdicou-se da Europa, da Taça e a Liga está em risco.
Costuma dizer-se que pior do que aquele que é cego é o que não quer ver.
Com alguma angústia constato que para se acreditar neste Benfica tem de se fechar os olhos a evidências que me recuso a ignorar. Há, neste Benfica, um mal residente, confortavelmente instalado. Há uma apropiação desleal de uma instituição que teve em tempos objectivos concretos e cujas prioridades não eram o aproveitamento económico de uma imagem de marca. Há um orgulho despropositado na exploração financeira da instituição, em detrimento da decadente impressão que o seu futebol mostra ao mundo. E há em cada benfiquista um pretenso orgulhoso, prostrado na vã ilusão de um clube que já não é o melhor do seu País, muito menos do mundo.
Em resposta ao senhor Pinto da Costa, não é o sucesso do seu Porto que me incomoda.
É com um Benfica em que não me revejo, que não consigo conformar-me.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
parti um salto e aterrei na pantufa
É sempre um risco. Tudo é um risco.
Quem diz que não é importante sentirmo-nos tão bem, tão bem, que não resistimos a olhar para as montras apenas para contemplar o nosso reflexo? Usar aqueles sapatos disfuncionais pode ser raro mas resultar perfeitamente.
Então imaginemos o cenário da velha e cosmopolita Avenida. Imaginemos uma Anne Hathaway ou a Charlize Theron. Imaginemos um anúncio de um perfume que nos faz chegar o cheiro através do aspecto elegante das imagens.
Arriscar partir um salto por uma boa impressão.
Valer a pena o risco.
Então por que raio é que só me consigo imaginar dentro de um pijama com pés!?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
mia ao quadrado
Num mundo um bocadinho melhor, não teria apenas dois livros de Mia Couto (ironicamente duas cópias do mesmo título).
E com alguma sorte, não corria o risco de ver (uma vez mais) Pedro Santana Lopes nos destinos da nossa Lisboa.
num mundo perfeito
Deixaste-me esta sugestiva frase.
E é uma permissa para tantas coisas!
Gosto de pensar que num mundo perfeito todos davam o suficiente, ninguém precisaria de mais. Mas acontece que todos pedem mais e poucos conseguem dar que chegue.
Num mundo perfeito, querer e precisar teriam um peso diferente e quem precisa receberia mais do que quem apenas quer por querer.
Num mundo perfeito, começariamos por não almejar a perfeição. Nesse mundo, reconheceríamos como perfeitos apenas alguns momentos, alguns gestos, algumas palavras, uma ou outra fotografia, um cheiro aqui e ali, um dia de sol ou de chuva.
Nesse mundo, com essa humildade, seríamos plenos, que é bem mais importante do que perfeitos.
Na prática, o mundo perfeito neste momento, não nos exigiria nada. Dava-nos tudo de mão beijada. E depois, o nosso destino não era uma conquista e em vez de chorarmos de cansaço e de alegria pelo fim da jornada, enterrávamos de vez o entusiasmo que é viver.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
let's call her... Rachel
A vida está sempre a impedi-la de ser uma pessoa apaixonada.
Quando quer gritar em delírios saudáveis, a racionalidade chama-a à razão como uma âncora inflexível.
Quando anseia por serenidade, surgem não se sabe de onde os gritos de desespero, de que tanto se arrepende.
É caprichosa e doentia a forma como a vida lhe mina a vontade própria.
O que pode ela fazer à vida, quando é a própria vida que a controla?
Nunca tomou uma decisão que contrariasse as imposições de um destino aceite.
Tem um marido, uma filha, um carro e um cão.
Não ama mais umas coisas que outras. Não distingue o material do afectivo.
É assídua, eficiente e profissional.
(custa-me tanto ver gente que vai sobrevivendo.
a minha insatisfação constante não admite conformismos.
ao menos isso.)
a reflexão inútil
Acho que o frio me congelou por completo.
Estou congelada até às entranhas. Até o pensamento está congelado.
Detesto o frio relativo que faz em Portugal.
O que é que são dez graus?
Dez graus é o tipo de temperatura que ainda nos permite pensar em moda. Naquela moda para a qual dez graus já não permitem calor e conforto. É a temperatura que nos inviabiliza considerar roupa de neve. Ridículo.
Estou encurralada.
E mexo no rato com muita dificuldade.
Ar condicionado? Bah!
A minha fraca circulação sanguínea não se deixa enganar por vinte e oito graus que aparecem no display.
E eu até tenho vergonha de temperar o ar na casa dos trinta.
Já olham para mim de lado.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
a língua inglesa soa sempre bem e a americana então!
As 'estórias' de gangs e grupos rivais que se confrontam em negócios obscuros, com uma pitada de assassinatos à queima-roupa a surgir em catadupa, não são muito comuns em Portugal. Pelo menos as notícias não vivem disso. O ano passado, a noite do Porto foi a excepção à regra e o terror andava espalhado pela Ribeira. Desenrolou-se uma investigação por parte da polícia judiciária que parece andar a dar frutos. O nome de código desta operação é 'Noite Branca'. Operação não. Processo. Em Portugal diz-se processo. Muito mais burocratizador, na minha opinião. O nome 'Noite Branca' até soa bem. O pior é quando chegamos aos envolvidos. Isto se fosse na América, tinha muito mais impacto. Consigo pensar numa variedade de nomes e nicks sonantes para esta malta. Jack, Frank, Tony, Louie, Nicky, Ty, Joe, 'Hammer', Bergman, Rick, todos adequados. Mas isto era se fosse uma 'operação' na América. Mas não. É um 'processo' e é em Portugal, no Porto. Ora os nomes dos envolvidos andam nesta onda: 'Berto Maluco', Aurélio Palha, 'Pidá', Natalino, Ilídio Correia, Mauro, Ângelo, e 'Beckham'.
Dito isto, I arrest my case.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
dolce di cocco i tartufo
o que eu gosto é do raffaello... da ferrero.
é uma chatice é o coco ralado que se espalha por toda a parte.
de chocolate, as trufas.
sublimes.
entretanto...
... vieram oferecer-me uma serenata. Das docinhas, não das cantadas. Não é o meu bombom preferido, devo confessar. É demasiado grande. Se isto fosse mesmo uma serenata, seria o equivalente a um stairway to heaven ou a um hotel california. De toda a maneira, gosto de todo o tipo de comida que traga papelinhos com mensagens ou brindes e outras paneleirices (o que eu gosto de pacotes de açucar com dizeres, anedotas e jogos. Até das mensagens em espanhol que vêm em alguns invólucros de pensos higiénicos. E devo dizer que por causa dos cuidados com a saúde e a higiene, a ausência da fava e do brinde do bolo-rei é um pecado capital! Foi-se o único elo de ligação entre mim e o dito). Adiante. A minha serenata reza assim:
"Acho que está rolando uma química entre nós... e olha que essa nunca foi a minha matéria predileta"
São dizeres brasileiros mas olha, terá que servir!
(e até sempre gostei mais de Química do que de Física...)
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