quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

the phantom

o fantasma do M.S.T. voltou para assombrar os meus posts.

quando é que a derrota dos outros é mais gostosa que a nossa vitória?

ojesualdopareciaontemumhomemmaispreocupadoempreparararsenalbélicoparaesmagarobenficadoqueematentaràhumilhaçãoquefoiaquelajogatana.secalharestouenganadamaseraoqueparecia.oqueeunãopercebo(casoasminhassuspeitasseconfirmemoporquêdetantapreocupaçãocomobenfica,queandamuitoabaixodonível(daequipaprincipal)portista.secalharandareceosodaarmasecretaangolana.écasoparatal!
"
acrescente-se, em jeito de conclusão, que já Miguel Sousa Tavares preconizava, há cerca de quinze dias, o desfecho da taça da liga com uma final entre benfica e sporting. parece que, pela sua óptica, a organização desta prova -de importância equivalente ao torneio do guadiana- em tudo apontava nesse sentido. saliente-se agora que o empurrãozinho que faltava foi dado pelo jesualdo, com o seu brilhante banco alternativo. mas parece que para o porto, as longas distâncias nos torneios menores são um fardo insuportável. então muito bem. conseguiram poupar as perninhas para os jogos "a sério" e evitam a maçada de se deslocar a terras mouras (deus os livre!)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

lisboa

Que previlégio será este, o de ter uma vida familiar e profissional tão suburbana? A tranquilidade cénica. Ou a pacatez das pessoas. Talvez um ambiente não tão poluído? Não sei. Sei que sinto falta do movimento de Lisboa. É viciante Lisboa. Entranha-se em nós. A Mouraria do supermercado indiano e as ruas estreitas por onde fugi com três malucas num carro demasiado largo, a Rua Augusta com os seus sons e os passeios pelas lojas de pronto-a-vestir (quando ainda não eram Bershkas, mas talvez apenas Zaras e Por-fí-ri-os), o Teatro D. Maria, a ginjinha e o restaurante onde se comia o panado de pé. O Brás & Brás. A subida íngreme pela Praça da Alegria até ao Príncipe Real, bem cedo, com o cigarro na mão a desafiar um estoiro aos pulmões, no cimo da escadaria. Os almoços por baixo da grande árvore, no meio dos pombos. O metro de Arroios. A Portugália. A Guerra Junqueiro com a insossa Délifrance. E Benfica, da loja das carteiras, do 388 onde comprava os Risqués. Da pastelaria com a vitrine interminável. Da CGD e do prédio onde morava a patroa da mãe. Do otorrinolaringologista onde íamos com a Lara e o Filipe. Das matinés no Fonte Nova, do blind date da Guida com aquele gajo de barba. Da Escola Superior.
Tenho bilhete duplo para ir hoje ao S. Jorge ver o Valquíria. Não vou. Fico por casa.
Há dias em que parece que a principal característica do subúrbio é ter a capacidade de me afastar cada vez mais da minha cidade.
"
(acho que me estreei a escrever a palavra insossa)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

o que se quer da vida

É assim tão difícil alcançar-se qualquer coisa como isto e tudo o que se imagina a partir daqui?

E fica a referência, para picar o ponto... diariamente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

mini-mercado

A miúda da caixa, que deve rondar os vinte e poucos - sou má a avaliar idades - tem um ar de humildade entranhada. Sabem qual é? Não digo por mal, mas nota-se, salta à vista. Tem modos rudes e uma apresentação descuidada. Os cabelos são compridos e grossos, como se lavados com sabão azul e branco uma vez por semana - e isto já é a minha imaginação a ditar. A pele é clara, manchada de pequenas rosáceas - daquelas que fazem os homens parecer parolos mas que a ela apenas desnudam a má circulação que o ar frio agrava. Tem mãos grosseiras, de dedos inchados e unhas irremediavelmente estragadas. É rapariga de trabalho. Não é de estudos, nem de leituras. Não distingue estilos literários, nem escritores. Talvez já tenha lido um livro do Paulo Coelho que, por falta de alternativa, é o seu preferido.
A senhora de idade observa, com ar antipático, os produtos que vão desfilando com um bip, pela leitura óptica. Não mexe uma palha. A miúda da caixa vai arrumando nos sacos as mercearias e os detergentes, com ar contrariado. Aparece, de um corredor, o marido da senhora com um frasco de canela em pau, que a mulher observa com azedume: 'Isso é muito caro!' e pergunta à menina da caixa quanto custa. O velho fica em suspenso, a aguardar pela aprovação dos paus de canela. A miúda, diz em tom de impaciência: 'Sessenta e sete cêntimos'. 'Até nem é assim tão caro, afinal...', resigna-se a senhora, enquanto a jovem regista e enfia o frasco no fundo de um saco, sem esperar aprovação. O marido segue satisfeito para o carrinho e a miúda despacha o troco para se ver livre da mulher, que fica mais algum tempo a olhar para o comprido talão da registadora, à procura de um descuido. Finalmente, diz-me boa tarde. 'Estava a ver que queria que também lhe levasse as compras a casa', diz para mim em desabafo, enquanto me aceita o cartão. 'Quando as pessoas estão atrapalhadas até dá vontade de ajudar mas quando ficam de braços cruzados apetece-me deixar-lhes tudo espalhado'. Rio-me. Não há mais ninguém na fila. Diz-me boa tarde e segue aliviada para perto da colega que aprovisiona as prateleiras. Ali não se usam lenços azuis com saias vermelhas, nem se olha para as unhas de gel nos periodos mortos. Repõe-se o estabelecimento, faz-se a caixa e até se amanha peixe. Até à noitinha.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

bom português

A pérola que encontrei no ciberdúvidas.sapo:

Pergunta: "Existe a palavra "dozestavado" para definir um objecto de doze lados, como se diz "sextavado" para um de seis lados? Se não, como se diz?"

Resposta: "Na palavra sextavado figura o antepositivo latino sex-, «seis», mais o termo verbal –avado de –avar (terminação de verbos regulares).
Então, como o antepositivo latino que significa «doze» é duodec-, podemos arbitrar a palavra duodecavado para falar dum polígono com doze lados.
No entanto, não recomendo o uso desta palavra, pois não a encontrei na documentação que possuo.
Alguns escritores de antanho andavam em busca de termos regionais ou esotéricos para mostrar erudição. Ora, não é esse o meu critério. O pensamento literário pode ter valor na mensagem, mesmo sem recurso a um vocabulário muito amplo, desde que empregado correctamente e com perfeita propriedade.
Além disso, amplia-se o número de destinatários quando se evitam palavras que corram o risco de não serem entendidas; demais a mais quando não se encontram ainda estabilizadas no léxico.
Recomendo que escreva simplesmente: «com doze lados»".

É um conceito interessante e muito democrático, este de D' Silvas Filho. Falar de forma a que todos compreendam.
Talvez por isso devesse dizer escritores do passado, em vez de escritores de 'antanho' ou mesmo vasto conhecimento, em vez de 'erudição'.
Digo eu. Que sou um bocado 'quadrada'. Quer dizer, tenho quatro lados.

tédio



Se em Portugal houvesse ao menos este tipo de entretenimento...!
Mas não. Por cá, ignorantes e intelectuais são igualmente entediantes.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

médicos

Acho o cúmulo da incoerência um médico retesado, com ar nervoso e perturbado, que se sente invadido pela confiança do paciente. Um bom médico tem de ser sempre seguro de si. A alguns até lhes perdoo a arrogância, mas a fragilidade e o embaraço deixam-me logo de pé atrás.
São bons para fazer carreira a "colaborar" em ginásios, onde os tratam por "doutor" e onde carimbam declarações médicas.

último post

... o meu avô não era assim tão má pessoa.

elderly

Vi ontem uma parte da grande reportagem que se seguiu ao Telejornal acerca da negligência e dos abusos cada vez mais comuns sobre os idosos. Lembrei-me do meu avô. Mais do que tomar atenção ao que se dizia, a reportagem fez-me pensar no meu avô (paz à sua alma). Claro que é angustiante ouvir pessoas velhas, doentes e praticamente indefesas, de olhos lacrimejantes, a narrar histórias de maus tratos, coisas quase inenarráveis, por parte dos próprios filhos. Mas eu só me conseguia lembrar das aldrabices do meu avô.
O meu avô sempre viveu connosco e hoje lembro-me de episódios dignos dos trompetes do Kusturica; coisas que na altura não tinham piada nenhuma - como as férias no Algarve com ele e com a gaiola do periquito (não queiram saber).
A verdade é que o meu avô foi sempre a prova viva de que as pessoas mais velhas não são necessariamente umas desgraçadas, mais ainda quando o apregoam aos quatro ventos.
Lembro-me com precisão, como se fosse ainda hoje um gesto do quotidiano, dos pequenos-almoços levados à cama, do tabuleiro do almoço com um copo (só meio!) de vinho branco (que uma vez, por engano, foi de bagaço caseiro e ele só se queixou no fim. Dormiu toda a tarde!) e de muitas outras coisas que, por comodidade, se iam tornando hábito. Lembro-me sobretudo da casa de banho sempre ocupada nas alturas mais inconvenientes e de pensar que eu chegaria atrasada às aulas, enquanto ele poderia tratar da sua higiene à hora que quisesse. Fui tomando consciência de que, talvez para ele, ter todo o tempo do mundo não fosse algo assim tão bom. Mas o meu avô não era de se aborrecer, nem que para isso tivesse de inventar... coisas desagradáveis, quase sempre. Ele era pequenino e, como diz o ditado, ou velhaco ou dançarino (sempre justifiquei a sua malvadez pela exclusão de hipóteses - não creio que dançasse bem!).
Acima de tudo, lembro-me que costumava pensar, é meu avô. E era desta forma que o amava (mesmo que não fosse segredo para nenhum dos netos que a minha irmã era a sua preferida).
Era o meu avô, com o seu kispo. Com o aparelho auditivo sempre a dar problemas e a sofrer influências magnéticas da televisão. Com o queijo e o pão. Com as sopas de cação e cheiro a poejo. Com os patinhos de plasticina, perfeitinhos como origamis. Com o cigarro sempre aceso, a intoxicar-nos, numa época em que não havia sensibilidade que incomodasse umas boas fumaças na sala. Às vezes, via-lhe nos olhos um franco cansaço de viver. Acho que teve a morte perfeita, se isso existe. Era um velhaco. Mas era o meu avô.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

traumatismo craniano

"Se no final do mês de Fevereiro estivermos na liderança, ganhamos o campeonato."
Vukcevic
Com este tipo de dedução lógica, torna-se fácil adivinhar que se trata de alguém em convalescença de um traumatismo craniano...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

aguardela

Quando algum pequeno pormenor do dia-a-dia me traz à lembrança a morte do João Aguardela, sinto um desconsolo muito difícil de explicar. E têm sido frequentes os pequenos pormenores, desde que soube da notícia. Parece que as rádios andam, em macabro conluio, a prestar-lhe homenagem. Hoje ouvi pela primeira vez - palavra! - 'A Noite', que só conhecia na versão dos Resistência. Isto porque, na verdade, não lhe seguia com atenção o percurso artístico e quase olvidei, nos últimos anos, uma deslocação a um concerto dos Sitiados, na saloia Caneças, numa sala em frente ao coreto, pelos meus quinze anos. Acho que o desconsolo vem da recusa em aceitar que a morte (precoce, para mais) e uma tal carga energética, pudessem andar de mãos dadas. Não é choque provocado por um saudoso fétiche adolescente ou por alguma paixoneta idílica, porque lembro-lhe bem o colete de napa na pele clarinha e o corpo franzino com rosto invulgar (versão masculina da Sarah Jessica Parker) e parece-me que só mesmo a minha irmã para lhe descobrir deslumbramento (e se ela o achava o máximo!). Não sei a que se deve este transtorno de alma. Se calhar é ao facto de me fazer recuar tanto no tempo e trazer-me à lembrança os moshes ao som da vida de marinheiro que acabavam com dores de barriga de tanto rir. Ao tempo que eu não faço um bom mosh.

spam

Andam a chegar-me ao Outlook conteúdos tais como "moças pendentes em pénises enormes", remetidos por uma tal Mia Addison.
Ora Addison só conheço a Dr.ª da tv e não chega a ser conhecer. Sei apenas das suas neuroses e cadilhos amorosos que, ainda assim, não fazem dela a prosti-pêga desta tal de Mia.
Estou convencida de que um grande cavalo de tróia se apoderou do meu computador.
E pensar que poderei ser a única pessoa no escritório a receber estas coisas faz-me sentir um pouco perversa.
E depois... pénises?!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

you gotta be... crazy!



Há alturas em que precisava de ouvir repetidamente esta música e assimilá-la até ao tutano!
Ou entrar num qualquer call-center deste país a disparar indiscriminadamente...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

heroísmo precoce

Já devo ter dito isto: não gosto de heróis anunciados.
Têm de me provar tudo, tudinho.
Vou esperar para saber se o Obama é capaz de fazer aquilo a que se propõe, pelo menos (já que as expectativas mundiais ultrapassam todos os limites do razoável optimismo).

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

jamie oliver

Tenho que dizer que o Jamie At Home é o meu programa preferido.
É verdadeiramente fascinante.
Fico presa quando o apanho no zapping (mesmo que saiba da Anatomia de Grey ou do House a decorrer ali ao lado).

road trip

Há uma longa estrada que se dirige ao interior e atravessa aldeolas (que nem aldeias chegam a ser), ladeada por verde e por "fantasmas" feitos de lixo que, segundo teoria sugerida, assinalam entradas para casebres, no meio daquele caminho sempre igual. Há cenotes e outros paraísos escondidos, longe da vista.
As casas que se sucedem são pintadas de cores ocres e berrantes, e a terra é vermelha. Avistam-se pátios interiores, de porta escancarada aos olhares, onde pendem camas de rede para descansar as moléstias de um dia de sol e suor.
Na berma, cães que parecem todos iguais coçam-se com vagar. Galinhas passeiam pela terra batida e desaparecem por caminhos sem destino.
Cai a noite devagar. O comércio é repetitivo, vazio, lúgubre. Os sorrisos destoam do ambiente perdido e sujo. Ouvem-se televisões, transistores.
Abarco tudo num olhar àvido, com ouvidos atentos e de narinas dilatadas.
Escrevo para não me esquecer.
E não me esqueço.

apelo: chapéu semi-marroquino

como sou optimista em relação ao alcance recordista deste meu humilde blogue, faço o apelo a algum mexicano presenteado pelo meu descuido, que faça o favor de me devolver, por fed-ex ou outro que tal, o meu chapéu de arame.

ausências

Quando se viaja, está-se ausente.
Está-se ausente do sítio que deixamos e não se chega a estar presente no local que visitamos.
O corpo e a alma dissociam-se. O pensamento foge-nos muitas vezes para as raízes que ficam para trás, queiramos ou não.
Quando partimos, não somos pertença de nada.
Mas ao regressar, sabemos que deixámos fragmentos de nós que mais ninguém sabe.
As recordações não são algo que trazemos. São reflexos de pedaços por nós deixados lá, na pedra daquele caminho, nos olhos de alguém que cruzou os nossos, no quotidiano que nos marcou e que pulsa hoje, no mesmo sítio, indiferente à nossa passagem.
Indiferente para todos, menos para nós mesmos.

O corpo move-se milhas. A alma segue-o. Atrasada.
Enquanto andamos, deixamos um rasto que luta por se despegar.
Por muito que nos custe correr, dói muito mais à alma cortar os laços que se querem deixar ficar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

adelante...

Não sei se interessa muito mas... estou de volta.
De novo para cá de fronteiras mas com disponibilidade zero para contar histórias.
O tempo virá...