sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

correcção pertinente

Afinal a cartolina é vermelha, assim como os coraçõezinhos soltos.
Romântico e picante!

a decorrer, numa marisqueira perto de si

colada a uma janela corrida, mesmo rente à estrada, uma cartolina côr-de-rosa, rodeada de pequenos corações cartonados fuschia, diz-nos o seguinte: Dia dos Namorados 14 de Fevereiro Campanha da Sapateira.
Mais romântico, impossível...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

die, die!

será que sim...?

será que finalmente sacio a minha esgotável fonte de paciência?

acumular inimigos? tu? com esse feitiozinho? naa!

eu própria te matava, se desse um pulinho a Miami


ainda assim, este parágrafo não é muito claro...

WHAT do you mean, 'aparentemente moribundo' ?

estou em agonizante dúvida.

outros motores

De acrescentar que o aspecto mais interessante do autódromo do estoril é, de facto, o 2001.

clichés

Sem qualquer reserva, afirmo categoricamente que não há nada mais desinteressante para mim do que revistas de automóveis, prenhes de carros berrantes e mulheres vistosas. As próprias manchetes, que encavalitam vinte imagens, de vários ângulos, num tamanho A4, onde sobrepõem mais alguns nomes, modelos, características e teasers afugentam-me logo o olhar para os títulos do futebol.
Nada é menos sexy do que um homem que veste a roupinha mais catita para ir a uma exposição de automóveis e, com um sorriso de orelha a orelha, passa o dia agarrado às meninas dos castings e a pousar para as polaroid.

provocaçãozinha

Estou desejosa de "pedir um tempo" ao Tolstoi que tem vindo a aborrecer-me com os seus contos trágicos e doentios. Mas não queria desistir dele. Tenho muito receio que isto de dar um tempo funcione como nas relações amorosas e eu acabe por ceder às pressões externas e dedicar-me, de corpo e alma, à literatura de peões-boiadeiros...

méxico


















Mergulhei precisamente aqui.
E não é tão bom como parece. É melhor.
...
Regressemos então à vista da pedreira (não é assim tão mau).

provavelmente, no mesmo baú onde depositaram o livro do M.S.T.

ainda a recuperar da perda do meu último post, desaparecido ontem, pelas 19h, quando todo o corpo já me dizia deixa-te de merdas e vai para casa pôr roupa na máquina e passear o cão e eu teimava em terminar aquele chorrilho de palavras gastas, com algumas frases que faziam todo o sentido e das quais já não me lembro, mas que se calhar até foi pelo melhor, porque mesmo chamando à gaja Esperança, era obviamente demasiado auto-biográfico e entitulava-se a fingir.

mais tarde, no duche e já mais refeita e resignada a aceitar o sumiço, lembrei-me deste trocadilho que tão bem se me aplica não sou tão triste como pareço, nem pareço tão triste como sou, e pensei que tudo depende dos olhos de quem me vê. não sejam presunçosos, nem ousem pensar que no vosso julgamento está a verdade.

agora, hoje, tenho estado aqui a pensar nesta merda dos blogues e dos sites e o diabo a sete.
quando se escreve numa folha de papel, os riscos são menores. c'um carago, pelo menos a folha pode perder-se se um dia para o outro, ou molhar-se ou voar com o vento. mas não desaparece desta maneira por causa de erro informático (expressão utilizada pelas máquinas quando querem repousar - mais valia serem honestas porque ninguém é de ferro e o écran também deve estar cansado de olhar para mim todo o dia). ainda estou convencida que o meu post foi aterrar a qualquer lado, talvez num blogue na China onde alguém terá perguntado que diabo será isto?... em mandarim, claro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

lift me up


yes, please.

chamem a polícia

Não me sai da cabeça este maldito refrão, não sei se por causa do horrível anúncio à seguradora, se como resultado do total desprezo por certos dias de trabalho, com os seus procedimentozinhos nauseabundos e os sapos inflamados que, engolidos, provocam lesões na epiglote. Logo hoje, que vesti o look once-a-year de executiva.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

de inveja se fala por aí

Sentirmos inveja de alguém, enfraquece a nossa fibra e reduz a nossa virtude enquanto seres humanos, do ponto de vista lógico, intelectual e até religioso. É uma triste constatação social. A nossa atitude em relação a nós próprios é mecanicamente defensiva quando se trata de tentar justificar aquela sensação de azia que experimentamos ao invejar coisas fúteis, ou não tanto. Muitas vezes este inevitável sentimento de que o ser humano padece é reprimido pela moral e pelo rigor que a religião ou outros princípios nos incutem. Ou até mesmo pela argumentação lógica e bem justificada de que não conhecemos tão bem assim os outros para saber se lhes devemos ter inveja. Nós próprios a reprimimos por um embaraço que vem de dentro. Mas a inveja não é uma coisa pensada, que apenas se deve sentir se soubermos que existe do outro lado algo de plenamente perfeito que possamos almejar sem pensar nas diferentes infelicidades e frustrações que se escondem por trás de alguma coisa aparente.
A mim sempre se mostrou óbvio que as pessoas que mais facilmente dizem ter inveja de qualquer coisa, de uma forma directa e apreciativa, são as que menos vivem essa inveja de forma nefasta ou mal intencionada. Nem tão pouco de forma ignorante. De todas as (poucas) vezes que alguém me disse directamente que tinha inveja de alguma coisa em mim, recebi o comentário com alguma lisonja (e pouca crença de que proviesse de um sentimento realmente feio), uma vez que me parece, quase certo, que é uma forma de elogiar mais do que uma demonstração de dor de cotovelo.
Acho preferível ver nesta inveja uma forma de expressar o elogio, a admiração, a apreciação pelo feito conseguido, pelas virtudes inatas de alguém ou pela harmonia do seu aspecto. Considero até que a inveja, por mais natural e frequente que seja entre as pessoas, raramente chega a ser obssessiva ou radical. Normalmente inveja-se qualquer coisa aqui ou ali. Querer ser-se outra pessoa não me parece que seja inveja, será outra coisa mais além e consideravelmente mais grave, certamente mais triste e, possivelmente, patológica.
Eu admito que sou invejosa, naquilo que me é permitido ser, mesmo sem orgulho nenhum nisso. Já me reprimi por invejar e já tentei esconder (até de mim mesma) que o fazia, mas mesmo isso me permitiu aprender alguma coisa. Eu invejo algumas coisas, em muitas pessoas e se juntasse tudo construiria alguém que duvido muito que pudesse existir, por isso sei que a minha inveja é, quando muito, infantil e só me prejudicará na medida em que lhe der importância para tal. Adorava saber ter a postura para me impôr a certas pessoas e situações e invejo as mulheres que sabem, gostam e andam naturalmente com qualquer tipo de saltos; quero ter a voz da Rita Blanco desde que a ouvi dobrar a Dori; tenho uma raiva saudável a todas as mulheres que podem dar-se ao luxo de ir à praia sem se preocupar muito com a depilação (e que mesmo assim se mostram muito aflitas); queria conseguir ter a força de vontade que algumas pessoas têm e não inventar tantas desculpas como faço ou, em alternativa, reconhecer a minha inércia como algo que aceito de bom grado em vez de permanecer, em várias ocasiões, numa área cinzenta; tantas vezes gostava de ser homem e invejo, sem pudores, quem tenha subido a mais alta pirâmide de Chichen Itza porque (já) não pude fazê-lo, ainda que consciente de que não quero necessariamente viver a vida de mais ninguém que não a minha.

citação em '2nd hand'

Aceito a inveja. O que não gosto é da forma como certas pessoas a vivem, diariamente. Não gosto do olhar de inveja de quem prescruta o outro como se lhe quisesse sugar algo. É isso que acho doentio. Não gosto, sobretudo, de quem desafia as leis do universo para se adequar a uma vida que não é a sua, com base na imagem dos que a rodeiam. Isso é triste.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

cores quentes

Há semanas assim, em que cinco dias parecem caber num só, comprimindo-se em tensas e extenuantes vinte e quatro horas.
Esta luz difusa que se mistura com o cheiro da madeira a arder na lareira aqui ao lado e o aroma do sabão natural que vem da lavandaria improvisada, transformam este momento em qualquer coisa surreal.
É perfeito esperar por ti assim. Se quero um gelado de nata envolvido em caramelo quente...? Olho para a orquídea ali ao lado do bambu, mesmo por baixo da fragrância de figo que de vez em quando me envolve e penso para mim: sim, é perfeito.

amor aos tentáculos (o e-mail da semana)

Há coisas com piada.

E depois há aquelas realmente bestiais.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

a derradeira prova de (in)sanidade

'Dearest,

I feel certain I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.
I don't think two people could have been happier than we have been.
V.'

Virgínia Woolf

Que as minhas neuroses nunca resultem num rasgo de lucidez extrema que me leve a procurar um generoso pedaço de mármore (abundante na região) e deixar-me levar pelo Lizandro (que até nem fica longe).

Marion Coutillard



Já a seguir vem La vie en rose, na versão da Celine Dion. Ou não.

the phantom

o fantasma do M.S.T. voltou para assombrar os meus posts.

quando é que a derrota dos outros é mais gostosa que a nossa vitória?

ojesualdopareciaontemumhomemmaispreocupadoempreparararsenalbélicoparaesmagarobenficadoqueematentaràhumilhaçãoquefoiaquelajogatana.secalharestouenganadamaseraoqueparecia.oqueeunãopercebo(casoasminhassuspeitasseconfirmemoporquêdetantapreocupaçãocomobenfica,queandamuitoabaixodonível(daequipaprincipal)portista.secalharandareceosodaarmasecretaangolana.écasoparatal!
"
acrescente-se, em jeito de conclusão, que já Miguel Sousa Tavares preconizava, há cerca de quinze dias, o desfecho da taça da liga com uma final entre benfica e sporting. parece que, pela sua óptica, a organização desta prova -de importância equivalente ao torneio do guadiana- em tudo apontava nesse sentido. saliente-se agora que o empurrãozinho que faltava foi dado pelo jesualdo, com o seu brilhante banco alternativo. mas parece que para o porto, as longas distâncias nos torneios menores são um fardo insuportável. então muito bem. conseguiram poupar as perninhas para os jogos "a sério" e evitam a maçada de se deslocar a terras mouras (deus os livre!)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

lisboa

Que previlégio será este, o de ter uma vida familiar e profissional tão suburbana? A tranquilidade cénica. Ou a pacatez das pessoas. Talvez um ambiente não tão poluído? Não sei. Sei que sinto falta do movimento de Lisboa. É viciante Lisboa. Entranha-se em nós. A Mouraria do supermercado indiano e as ruas estreitas por onde fugi com três malucas num carro demasiado largo, a Rua Augusta com os seus sons e os passeios pelas lojas de pronto-a-vestir (quando ainda não eram Bershkas, mas talvez apenas Zaras e Por-fí-ri-os), o Teatro D. Maria, a ginjinha e o restaurante onde se comia o panado de pé. O Brás & Brás. A subida íngreme pela Praça da Alegria até ao Príncipe Real, bem cedo, com o cigarro na mão a desafiar um estoiro aos pulmões, no cimo da escadaria. Os almoços por baixo da grande árvore, no meio dos pombos. O metro de Arroios. A Portugália. A Guerra Junqueiro com a insossa Délifrance. E Benfica, da loja das carteiras, do 388 onde comprava os Risqués. Da pastelaria com a vitrine interminável. Da CGD e do prédio onde morava a patroa da mãe. Do otorrinolaringologista onde íamos com a Lara e o Filipe. Das matinés no Fonte Nova, do blind date da Guida com aquele gajo de barba. Da Escola Superior.
Tenho bilhete duplo para ir hoje ao S. Jorge ver o Valquíria. Não vou. Fico por casa.
Há dias em que parece que a principal característica do subúrbio é ter a capacidade de me afastar cada vez mais da minha cidade.
"
(acho que me estreei a escrever a palavra insossa)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

o que se quer da vida

É assim tão difícil alcançar-se qualquer coisa como isto e tudo o que se imagina a partir daqui?

E fica a referência, para picar o ponto... diariamente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

mini-mercado

A miúda da caixa, que deve rondar os vinte e poucos - sou má a avaliar idades - tem um ar de humildade entranhada. Sabem qual é? Não digo por mal, mas nota-se, salta à vista. Tem modos rudes e uma apresentação descuidada. Os cabelos são compridos e grossos, como se lavados com sabão azul e branco uma vez por semana - e isto já é a minha imaginação a ditar. A pele é clara, manchada de pequenas rosáceas - daquelas que fazem os homens parecer parolos mas que a ela apenas desnudam a má circulação que o ar frio agrava. Tem mãos grosseiras, de dedos inchados e unhas irremediavelmente estragadas. É rapariga de trabalho. Não é de estudos, nem de leituras. Não distingue estilos literários, nem escritores. Talvez já tenha lido um livro do Paulo Coelho que, por falta de alternativa, é o seu preferido.
A senhora de idade observa, com ar antipático, os produtos que vão desfilando com um bip, pela leitura óptica. Não mexe uma palha. A miúda da caixa vai arrumando nos sacos as mercearias e os detergentes, com ar contrariado. Aparece, de um corredor, o marido da senhora com um frasco de canela em pau, que a mulher observa com azedume: 'Isso é muito caro!' e pergunta à menina da caixa quanto custa. O velho fica em suspenso, a aguardar pela aprovação dos paus de canela. A miúda, diz em tom de impaciência: 'Sessenta e sete cêntimos'. 'Até nem é assim tão caro, afinal...', resigna-se a senhora, enquanto a jovem regista e enfia o frasco no fundo de um saco, sem esperar aprovação. O marido segue satisfeito para o carrinho e a miúda despacha o troco para se ver livre da mulher, que fica mais algum tempo a olhar para o comprido talão da registadora, à procura de um descuido. Finalmente, diz-me boa tarde. 'Estava a ver que queria que também lhe levasse as compras a casa', diz para mim em desabafo, enquanto me aceita o cartão. 'Quando as pessoas estão atrapalhadas até dá vontade de ajudar mas quando ficam de braços cruzados apetece-me deixar-lhes tudo espalhado'. Rio-me. Não há mais ninguém na fila. Diz-me boa tarde e segue aliviada para perto da colega que aprovisiona as prateleiras. Ali não se usam lenços azuis com saias vermelhas, nem se olha para as unhas de gel nos periodos mortos. Repõe-se o estabelecimento, faz-se a caixa e até se amanha peixe. Até à noitinha.