sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

kaiser

Já não existe. Desde ontem, ao final do dia.
Num ápice, de forma fácil demais, retiraram-lhe o último sopro, que apenas já se percebia com dificuldade, numa luta desigual entre a sua fraqueza e o resto das coisas à sua volta. É extremamente injusto e doloroso o que se fez, quase cruel, como cruel seria não se fazer.
Quis saber qual o procedimento seguinte, para ser mais fácil. Soube, já tarde demais, que entregar para incineração foi a solução mais simples. Gostava de ter tomado as rédeas da situação e, com a força dos românticos idiotas, ter concebido aquele que seria, dentro das circunstâncias, um final mais nobre.
Um dia falarei sobre isto, hoje não.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

carnaval no meu país

O Carnaval está para mim um pouco como a religião: ao longo dos anos fui assistindo a uns desfiles, coloquei umas máscaras para me forçar à paródia, a ver se pegava, mas nunca teve grandes resultados práticos. Da mesma forma, rezar e frequentar a igreja em ocasiões de formalidade católica também nunca fizeram de mim uma devota, de maneira que se há feriados cujo significado de peso reside na possibilidade gratificante de nos dar uma folga, o Carnaval é um deles (a época natalícia é a única, até à data, que vivo com alguma introspecção e espírito de partilha e que me diz qualquer coisa, não sei bem o quê). Voltando ao entrudo, há coisas - cada vez mais frequentes - que acabam por se fazer por amor ao próximo. No caso, o próximo são as sobrinhas lindas, de fato a rigor, porque apesar da minha descrença quero que no futuro também elas tenham histórias para contar, com mais ou menos entusiasmo, sobre este feriado. Este ano, pelo tal amor ao próximo, rumei a Loures, o que não é de todo um up-grade nos meus Carnavais pela categoria do corso, e comecei logo por achar um abuso os cinco euros de ingresso (com direito a permanecer de pé, sem vista de jeito para o que quer que seja e salve-se quem puder). Entre empurrões e com paciência e boa vontade, lá se conseguiu um lugar de categoria à beira do sambódromo, onde desfilam tractores agrícolas, conduzidos por zé-povinhos a beber minis como incentivo. Mas a parte melhor estava reservada para as mulheres que saltitando mais do que sambando, se encavalitavam nos carros alegóricos forrados a papel de prata ou seguiam às resmas, estrada fora, com sapatos desiguais, adequados à resistência de cada uma, na esperança de que a tanga prateada em forma de tiara e o soutien de enfeites metálicos distraísse a atenção de outros pormenores, como a diferença entre a sapatilha de ginástica ou a sandália da praça de espanha. E oh se distraía! Dei por mim embasbacada a olhar, com um ar certamente tão lânguido como o dos homens maravilhados por aquele mar de carne... embora não pelos mesmos motivos. Perdoem-me se há neste discurso qualquer coisa que se assemelhe a um certo preconceito pela abertura que o Carnaval permite, mas há coisas que nem a tradição desculpa, nomeadamente ostentar publicamente adolescentes obesas e semi-nuas, de pele "cor de inverno" e com má circulação por causa do frio, a fazer lembrar salsichas frescas, porque se no Brasil Carnaval é calor e samba, também por cá tem de ser assim. E foi assim que, exceptuando então alguns laivos de bom gosto e pé p'rá dança, com alívio regressei a casa, a esta vida cinzenta e sem confettis, até porque me pareceu que também as meninas herdaram o gene familiar que não liga a fanfarronadas e só acham piada até se fartarem, que isto do bom gosto nasce connosco. Vou começar a fazer o que faziam os meus pais no Carnaval e a levar as crianças para o relvado da torre de Belém para acabarmos a tarde de Domingo na fila dos pastéis.

generosidade egoísta

Se alguma fiabilidade existe na recriação da personagem de Marcia Gay Harden no filme Pollock, então aprendi com Lee Krasner o conceito de generosidade egoísta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

voz-off

Nunca, até agora, tinha ouvido falar do... Quimbé.

Hoje, ao fazer uma pequena e curiosa pesquisa mais ou menos fidedigna para um post, deparei-me com esta descoberta verdadeiramente... gritante. O Quimbé é nada menos do que o gajo que, da pior forma possível, chama a atenção de todos para o MediaMarkt. Por vezes, quando o ouvia na rádio, tinha a sensação de que o tipo estaria realmente prestes a rebentar, de que lhe saltavam botões da camisa, de que lhe fugiam perdigotos da boca em ascendente histeria, de que os olhos, raiados de vermelho, inchavam como o balão de uma super gorila até quase saltarem das órbitas. É um espectáculo hediondo mas, em lugar de pensar nos fantásticos preços baixos dos lcd's, é esta a imagem que o Quimbé me apresenta nos seus sketches publicitários.

Como se isso não bastasse, fazem parte do seu currículo os programas de televisão de maior qualidade e o gajo tem uma pintarola de fazer corar de inveja. Além disso chama-se Quimbé, que é a última machadada. Pelo ar saudável, aposto que é o cidadão mais feliz de toda a Parvónia!

sonhos bons e sonhos maus

por entre os disparates que me surgem em sonhos, raramente posso dizer que tenho pesadelos. mas quando tenho não são para brincadeiras. esta noite, por exemplo, sonhei com o diabo em pessoa. o capeta, personificado de forma muito pouco original, numa espécie de al pacino. mas era na história e não nos personagens que residia o interesse do sonho. o dito sujeito apareceu-me então do nada, enquanto estava em casa. sei que foi algo que fiz que o fez aparecer, mas não me recordo do que foi, o que não é lá muito bom. imediatamente, a minha vida sofreu uma reviravolta impressionante. não sei porquê, as portas ficaram de repente sem fechaduras, como se apenas se pudessem abrir pelo outro lado, e eu tinha de tentar desenrascar-me. e estava escuro. e era basicamente isto. não me perguntem porquê, mas esta pérola da psicanálise, fez com que acordasse aterrorizada.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

brincadeira nazi com sotaque brasileiro

Foi por acidente que descobri a reviravolta.
Numa situação normal, seria necessário recorrer ao génio surreal de Alan Shore para reconstruir a perfeitamente razoável jiga-joga que nos leva do antes ao depois.
E ainda acabarmos por gostar dela.

hipocrisias ii

Havia também na minha rua um sujeito homossexual. Apenas um, que se soubesse, até porque este não saberia esconder as suas tendências diferentes. Era por isso carinhosamente apelidado, mas aceite. As pessoas estavam habituadas a tê-lo com parte da sua comunidade. Mas para todos, será sempre o t. c.... maricas.
Para muitos, será sempre assim.
Dá-me ideia que não será no meu tempo que escreverei sobre a estatística de comportamentos sociais de indivíduos cuja educação tenha resultado de uma harmoniosa ou falhada relação entre pessoas do mesmo sexo.
Naqueles dias, lá pela minha rua, era coisa impensável. Era só pensar no t. c.... maricas!
Mas hoje, já se discute. Com sorte, daqui por um tempo... Com sorte!

hipocrisias i

Viviam na minha rua, num ambiente de bairro em que as pessoas se conhecem quase pelo próprio cheiro e onde se passa algum tempo à janela, reconhecendo sempre as caras e as rotinas, dois tipos distintos de famílias. Podia caracterizá-las assim, de uma forma geral, por muito mais que houvesse a dizer acerca das pequenas singularidades de cada clã. Um dos tipos de família a que me considero pertença era o mais "equilibrado", por assim dizer. Depois havia o segundo tipo, ao qual pertenciam crianças com as quais brinquei e com quem me relacionava sem descriminações, mesmo percebendo as subtis diferenças que existiam no caos harmonioso das suas casas. Não conheci muitos filhos de pais separados. Os lares eram, na generalidade, hierarquica e religiosamente compostos pelo pai, pela mãe e pelos filhos, e até pelo ocasional avô ou avó. Já a vida familiar variava muito, de caso para caso.
Alguns dos meus companheiros de infância morreram prematuramente, na sequência de acidentes, incidentes, ou outras influências mais ou menos previsíveis. Alguns viveram experiências relacionadas com estupefacientes e têm um cadastro vitalício que parece fazer-lhes sombra e minar-lhes o presente e o futuro. Outros tantos foram pais muito cedo e, negligentes, pouco sabem dessa condição. Uma boa parte conseguiu juntar todas estas experiências numa mesma pessoa e partir sem um legado de realização pessoal do qual se possam orgulhar.
Gostava de poder olhar para trás e dizer que estes filhos não foram necessariamente os que cresceram num ambiente de ausência de calor familiar. Preferia não ter a certeza de que os seus pais, que passavam grande parte do tempo pelos cafés e aí alimentavam os filhos com snacks e batatas fritas, enquanto investiam potencialmente em cigarros os subsídios de desemprego, não foram os grandes responsáveis pelo fracasso que resultou das suas vidas. Mas não posso.
Hoje, quando por lá passo, reconheço na minha rua, alguns rostos. Há uma familiaridade nos hábitos e nos gestos dos que por lá permanecem. Continuam a existir os tais dois tipos de famílias. Reconheço-os de longe e não os menosprezo. As minhas sobrinhas brincam com meninos diferentes delas, tal como eu brincava, e não me parece mal detectar diferenças. Não sou xenófoba, nem elitista, nem desinformada por fazê-lo. Pior seria não reconhecer que há famílias tradicionais que, ainda assim, não proporcionam um ambiente onde seja fácil crescer e criar objectivos positivos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

eucaliptal

Este ambiente que respiro começa a tornar-se um eucaliptal que bebe o suco do meu êxtase até à última gota. Não me posso dar ao luxo de, como de todas as outras vezes, sucumbir à sede dos eucaliptos da minha vida.
Tenho de me sujeitar a uma potente diálise psicológica. Renovar-me. É emergente. Tenho de me fixar naquele sítio onde poderei largar as cinzas* e respirar com alívio.

*

É esperar que passe a recessão.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

afinal vejo uma luz (ainda que ténue) ao fundo do túnel

É que nem de propósito! Foi preciso dedicar-lhe este cantinho de desprezo no meu espaço de desabafos para ele se dignar a ligar-me de volta. Afinal sempre têm outbounding service! Eu já pensava que as chamadas eram one way only e que aquilo de entrar em contacto mais tarde era uma maneira de dizer...

o que é preciso para se ter internet fixa num país de gabarito tecnológico com'ó nosso portugal, heim?

Curioso que Apolónia (a santa) seja a padroeira da ortodôncia e afins, já que a minha vontade é a de partir os dentes ao rapaz do call center, que herdou o nome da dita cuja, e assim ele já não poderia dizer por aí à boca cheia (de dentes, claro) que é gestor do que quer que seja.

sujeito a alterações a qualquer instante

Quiz roubado de um grafitti em baixo relevo (aparentemente com escopro) numa mesa de tasca do bairro alto... ou não. Quando a única regra é a finalidade em si mesma: recorrer a nomes de músicas para 'acertar' na resposta.
1. És homem ou mulher: It doesn't matter
2. Como te descrevem: Ray of light (dá para acreditar?)
3. Como és (agora a sério): Nevermind
4. Um relacionamento marcante: We might as well be strangers
5. Sexo e Amor: Four letter word
6. Onde querias estar agora: Where angels fear to tread
7. O maior de todos os sonhos: Sunrise
8. Como é a tua vida: Rearview mirror
9. Uma frase sábia: The show must go on
10: Medo de: Bitter tears
p.s. Estou certa de que a Sereia* se sentirá convidada a experimentar, da mesma forma que um dia destes prometo corresponder ao convite que me foi dirigido. A seu tempo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

correcção pertinente

Afinal a cartolina é vermelha, assim como os coraçõezinhos soltos.
Romântico e picante!

a decorrer, numa marisqueira perto de si

colada a uma janela corrida, mesmo rente à estrada, uma cartolina côr-de-rosa, rodeada de pequenos corações cartonados fuschia, diz-nos o seguinte: Dia dos Namorados 14 de Fevereiro Campanha da Sapateira.
Mais romântico, impossível...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

die, die!

será que sim...?

será que finalmente sacio a minha esgotável fonte de paciência?

acumular inimigos? tu? com esse feitiozinho? naa!

eu própria te matava, se desse um pulinho a Miami


ainda assim, este parágrafo não é muito claro...

WHAT do you mean, 'aparentemente moribundo' ?

estou em agonizante dúvida.

outros motores

De acrescentar que o aspecto mais interessante do autódromo do estoril é, de facto, o 2001.

clichés

Sem qualquer reserva, afirmo categoricamente que não há nada mais desinteressante para mim do que revistas de automóveis, prenhes de carros berrantes e mulheres vistosas. As próprias manchetes, que encavalitam vinte imagens, de vários ângulos, num tamanho A4, onde sobrepõem mais alguns nomes, modelos, características e teasers afugentam-me logo o olhar para os títulos do futebol.
Nada é menos sexy do que um homem que veste a roupinha mais catita para ir a uma exposição de automóveis e, com um sorriso de orelha a orelha, passa o dia agarrado às meninas dos castings e a pousar para as polaroid.

provocaçãozinha

Estou desejosa de "pedir um tempo" ao Tolstoi que tem vindo a aborrecer-me com os seus contos trágicos e doentios. Mas não queria desistir dele. Tenho muito receio que isto de dar um tempo funcione como nas relações amorosas e eu acabe por ceder às pressões externas e dedicar-me, de corpo e alma, à literatura de peões-boiadeiros...

méxico


















Mergulhei precisamente aqui.
E não é tão bom como parece. É melhor.
...
Regressemos então à vista da pedreira (não é assim tão mau).

provavelmente, no mesmo baú onde depositaram o livro do M.S.T.

ainda a recuperar da perda do meu último post, desaparecido ontem, pelas 19h, quando todo o corpo já me dizia deixa-te de merdas e vai para casa pôr roupa na máquina e passear o cão e eu teimava em terminar aquele chorrilho de palavras gastas, com algumas frases que faziam todo o sentido e das quais já não me lembro, mas que se calhar até foi pelo melhor, porque mesmo chamando à gaja Esperança, era obviamente demasiado auto-biográfico e entitulava-se a fingir.

mais tarde, no duche e já mais refeita e resignada a aceitar o sumiço, lembrei-me deste trocadilho que tão bem se me aplica não sou tão triste como pareço, nem pareço tão triste como sou, e pensei que tudo depende dos olhos de quem me vê. não sejam presunçosos, nem ousem pensar que no vosso julgamento está a verdade.

agora, hoje, tenho estado aqui a pensar nesta merda dos blogues e dos sites e o diabo a sete.
quando se escreve numa folha de papel, os riscos são menores. c'um carago, pelo menos a folha pode perder-se se um dia para o outro, ou molhar-se ou voar com o vento. mas não desaparece desta maneira por causa de erro informático (expressão utilizada pelas máquinas quando querem repousar - mais valia serem honestas porque ninguém é de ferro e o écran também deve estar cansado de olhar para mim todo o dia). ainda estou convencida que o meu post foi aterrar a qualquer lado, talvez num blogue na China onde alguém terá perguntado que diabo será isto?... em mandarim, claro.