quarta-feira, 11 de março de 2009

de Bragança a Lisboa

Da mesma forma que relembro com ternura a versão cantada da Larocas do: "é fácil! é barato! 'caminhões' "!, também continuo a preferir a minha versão de "queria ter um avião, p'ra lá ir mais 'a miúda' "...

boas maneiras no Japão

Foto@EPA/Franck Robichon
Apesar de conhecidos internacionalmente pelas suas boas maneiras, mesmo os japoneses têm ainda de aperfeiçoar-se, como atestam os cartazes afixados no Metro de Tóquio, com o título em japonês e inglês, "Please do it at home" (Por favor, faça-o em casa). *

* fotos do dia - http://www.noticias.sapo.pt/

Sou particularmente sensível no que respeita a deitar lixo para o chão... e a velhinha sentada ao lado também não gosta nada.

terça-feira, 10 de março de 2009

por falar em blogues

A blogosfera, o mundo das amizades virtuais ou dos chats e até mesmo os diferentes domínios para criação de contas de correio electrónico têm pelo menos uma coisa que tende a aproximá-los inevitavelmente: o desenvolvimento de aplicações que se vão afastando do carácter utilitário para se tornarem apenas acessórias e, em muitos casos, reles kitsch cibernáutico. Como os penduricalhos que se inventaram para os telemóveis, ou as bolsinhas em forma de peúga. É um mundo de possibilidades, de downloads, de up-grades, tudo palavras que me fazem sentir um pouco desconfortável, mas que permitem um sem fim de coisas curiosas.

Na blogosfera, utilizo o meu espaço como bem entendo, na simplicidade e no recato de um semi-anonimato que me deixa à vontade. Gosto de pensar que sou mais exigente comigo do que qualquer outra pessoa e que, de toda a maneira, não serei alvo de toda a crítica porque o meu humilde blogue não circula pelos meandros sociais e elitistas que se desenvolvem em círculos virtuais. Também gosto de pensar que sou exigente com os outros, e quando o que leio me causa algum tipo de repulsa, saio pela mesma porta que entrei, sorrateira, para não mais voltar.

Depois há a aquela questão da gestão que cada um de nós, bloguistas, faz do seu próprio espaço. Sem censuras. Aprecio quem se deixa comentar da mesma forma que aprecio quem não dá essas abébias, no sentido talvez de se posicionar acima de qualquer crítica, por não ser essa (de todo) a finalidade de estar "aqui".

O que me transtorna profundamente, o que é quase um choque para mim, é que alguém, cujo domínio da escrita e dos temas, cuja inteligência e sensibilidade fora de série, cujo santíssimo poder supremo lhe permita posicionar-se acima do comum mortal, bata com a porta aos indesejados que, cambaleantes pedintes, se humilham a tentar penetrar no seu imponente reino de supremacia. É como entrar numa livraria e não podermos comprar aquele livro que é, de repente, bom demais para ser sujeito à nossa apreciação. É como vedar os Lusíadas ao português menos 'digno'. É, acima de tudo, um contra-senso limitar a nossa obra a um círculo restrito, muito possivelmente aquele que nos bajula e nos converte nesse ícone em que de repente nos transformamos, sem aspirar a mais, aquele mais que verdadeiramente compensa. Mas, sem censura, procurarei outros reinos mais acessíveis (e receptivos) à minha condição inferior.

segunda-feira, 9 de março de 2009

ódio fácil

Deve ter sido por sonhar com o que sonhei. Ela, que mal me falava, de tão ofendida, acabou por confessar que o motivo da sua presença ali se devia a uma ida ao médico. Uma consulta tardia (digo eu) devida ao facto de ter abortado espontaneamente há uns meses atrás (vejam bem o cabimento). E pronto, era isto. Mas depois, já havia uma outra jogada: tatuar em toda a extensão da barriga uma espécie de anjo de grandes asas; uma coisa horrível, colossal, de péssimo gosto que, quando pensava não poder piorar, se transformou num desenho inspirado na antiga fotografia dos avós. A sua barriga ostentava, então, a cópia de um daguerreótipo de dois idosos, de contornos escuros e olhos brancos, cegos. Uma coisa para lá de medonha.
Lembrei-me de Lourenço, da conversa da véspera, dos planos de uma lista. Por prioridades. Eliminatória. Acordei com uma raiva miudinha por isto tudo junto, por não poder pôr-lhe cobro. E ouvi sussurrar: "E Vitor?"
Foi a gota de água.

sexta-feira, 6 de março de 2009

superlativo

Hoje já li a palavra grandíssimo inúmeras vezes.
É contranatura e eufemista.
Nunca terá o impacto de Grandessíssimo, este sim, o verdadeiro adjectivo no seu exponencial máximo.
É das poucas excepções em que me estou nas tintas para o rigor ortográfico.

albert

Tomou-me ontem, na minha cama, com as suas vestes gastas, os seus gestos loucos e o poder da sua música.
Adormeci com a mesma sensação pós-orgásmica que Albert deixou no salão do baile após a sua performance.
Adormeci com o violino.
Infeliz aquele que nunca experimentou o prazer sublime da literatura.

no segundo mês consecutivo de sexta-feira 13...

independentemente de tudo o resto, sexta-feira é sempre um bom dia.

achados

para conferir acoli ...

quinta-feira, 5 de março de 2009

vento

Estou cansada, cansada, cansada. Estou cansadíssima, exausta, sem fôlego. Tenho um peso nas costas, nos rins, nos ombros, ao longo do dorso. Doem-me órgãos que nem consigo nomear. O pescoço está tenso, fatigado, contraído. A cabeça está tão insuportavelmente preenchida com ideias, emoções, pensamentos, planos, objectivos, expectativas, números e letras que parece vibrar em todas as suas funções.
Mas o que mais me dói parecem ser os pulmões, o peito, a caixa toráxica. Sinto que sou eu que sopro, do infinito de mim, este vento horrível, rodopiante, frio e violento que varre a estrada, o campo, os prédios, as antenas, os telhados de zinco e sobe pelo poço do elevador e sacode as folhagens e levanta o lixo.
Cansa-me e adoece-me, este vento.

um absurdo

Ao cruzar as portas do elevador, na saída para o trabalho, deparei-me com a vizinha-avó que chegava com a netinha pela mão, em passinho de corrida, para ocupar a cabine antes que a porta se fechasse. Antes de desaparecer ainda a oiço dizer "anda, bébé. Corre, corre, que vem lá o cigano".
Eu apostaria mais no papão, é menos xenófobo e dá azo a mil e uma alternativas assustadoras.
Já para não falar no precedente para o estigma que, na idade adulta, se materializa em assobiadelas ao Quaresma...

quarta-feira, 4 de março de 2009

barroca

podia ser modernista e simples como um exposição do MoMA, minimalista.
ou colorida, objectual, simbolista, como a pop.
podia ser naïf no seu estilo não académico.
mas o que escrevo é, por vezes, enleado e entediante como o barroco que estudava na escola. enjoativo e cheio de rodeios e pormenores, como uma escultura rocócó do Aleijadinho.

impaciências

Tenho-me lembrado, com alguma insistência, de prestar tributo aos sujeitos que controlam o trânsito no acesso às obras de construção do novo traçado da CREL (que nem sei se por estes lados não será já um IC qualquer-coisa) pelo seu valioso contributo (estou certa) para o bom funcionamento de algumas coisas, sendo que nenhuma delas passará certamente por controlar o trânsito. Pois que este tributo é então, efectivamente, um irónico alerta para o perigo que estes indivíduos representam e para o qual ninguém parece estar sensibilizado, incluindo quem é responsável por atribuir-lhes essas funções e as próprias autoridades, que se marimbam para a presença deles no meio da estrada.
Vejamos. Nada tenho contra os pobres que se revezam nestes postos de vigia ao longo do dia. Com os temporais que por aqui se levantam nesta zona de árido microclima, aposto que não deve ser pêra doce estar-lhes na pele, mas os pelintras já me pregaram alguns sustos. Logo para começar, costumam enterrar a cabeça na gola do casaco e cirandam pela berma baloiçando inconsequentemente a raquete do stop na mão, quando a luz já é fraca e as condições atmosféricas não ajudam nada. Por outro lado, parece-me que começa a ser frequente entre os automobilistas habituais ignorar as suas indicações, pelo que não lhes vejo grande utilidade. Um investimento na criação de novos e ousados postos de trabalho de forma a reduzir os índices de desemprego, talvez. Seja o que for, sei que tenho de estar bem atenta a mais esta invenção da engenharia civil e obras públicas. E talvez devesse forçar-me a usar sempre os óculos, conforme prescrição médica, porque isso também evitaria algum tipo de alucinação visual que, conjuntamente com os sinaleiros sem formação, tendem a impacientar-me.
É isso e o Miguel Sousa Tavares. Muito me impacientam.

terça-feira, 3 de março de 2009

eduardo verástegui

Pelo que percebi é uma espécie de menino bonito da televisão mexicana, mas estou disposta a sujeitar-me à possível mediocridade da película por duas horas de deleite com... José.
Acho que mereço, depois de ouvir de uma amiga (por quem tenho grande estima) que o Caneira tem uma beleza invulgar. E falava a sério!
related: bella

segunda-feira, 2 de março de 2009

coisas que fazem rir

1º Shuriken school é uma miscelânea franco-nipónica, parece-me; nada o tipo de coisa com que me identifique, mas confesso que me suscitou a curiosidade. Passa nas manhãs de sábado na sic e fez-me rir bem cedo e depois de uma noite pouco e mal dormida. Não é mais do que uma série de animação estreada há uns tempos pela nickelodeon. Achei digno de registo.
2º O Rui Santos e a sua triste vidinha dedicada a dissecar jogos de futebol até ao ponto em que não se percebe o quê e o porquê de se estar a falar naquilo (como quando se repete muitas vezes a mesma palavra e às tantas ela já não faz sentido nenhum e parece totalmente inadequada).
3º (pelo menos) Duas situações no primeiro par de dias em transmissão da tvi24:
i) a afirmação do José Eduardo Moniz sobre fazer "informação séria e independente" - coisa que ninguém tomará como certa até ao seu pedido de divórcio e enquanto permitir coisas como a escolha, em estreia da nova emissora, de um programa especial apresentado pelo Paulo Salvador e cujo tema é o primeiro homem grávido.
ii) a adorável emissão do primeiríssimo jornal da manhã do estreado canal, apresentada por um simpático casal de pivots, que parecem espreitar por detrás de um balcão, o que deixa no ar a dúvida sobre se estarão as cadeiras muito baixas ou se, pelo contrário, a aerodinâmica estrutura que lhes corta o plano pelo peito é intencional, a lembrar o Cheers, na versão Lux.
4º A triste mas anedótica situação que o povo Guineense parece ver-se obrigado a enfrentar, face aos recentes acontecimentos (versão soft e modernista da história do Uganda). Mais um déja vu profundamente lamentado pelos ecos diplomáticos de todo o primeiro mundo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

kaiser

Já não existe. Desde ontem, ao final do dia.
Num ápice, de forma fácil demais, retiraram-lhe o último sopro, que apenas já se percebia com dificuldade, numa luta desigual entre a sua fraqueza e o resto das coisas à sua volta. É extremamente injusto e doloroso o que se fez, quase cruel, como cruel seria não se fazer.
Quis saber qual o procedimento seguinte, para ser mais fácil. Soube, já tarde demais, que entregar para incineração foi a solução mais simples. Gostava de ter tomado as rédeas da situação e, com a força dos românticos idiotas, ter concebido aquele que seria, dentro das circunstâncias, um final mais nobre.
Um dia falarei sobre isto, hoje não.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

carnaval no meu país

O Carnaval está para mim um pouco como a religião: ao longo dos anos fui assistindo a uns desfiles, coloquei umas máscaras para me forçar à paródia, a ver se pegava, mas nunca teve grandes resultados práticos. Da mesma forma, rezar e frequentar a igreja em ocasiões de formalidade católica também nunca fizeram de mim uma devota, de maneira que se há feriados cujo significado de peso reside na possibilidade gratificante de nos dar uma folga, o Carnaval é um deles (a época natalícia é a única, até à data, que vivo com alguma introspecção e espírito de partilha e que me diz qualquer coisa, não sei bem o quê). Voltando ao entrudo, há coisas - cada vez mais frequentes - que acabam por se fazer por amor ao próximo. No caso, o próximo são as sobrinhas lindas, de fato a rigor, porque apesar da minha descrença quero que no futuro também elas tenham histórias para contar, com mais ou menos entusiasmo, sobre este feriado. Este ano, pelo tal amor ao próximo, rumei a Loures, o que não é de todo um up-grade nos meus Carnavais pela categoria do corso, e comecei logo por achar um abuso os cinco euros de ingresso (com direito a permanecer de pé, sem vista de jeito para o que quer que seja e salve-se quem puder). Entre empurrões e com paciência e boa vontade, lá se conseguiu um lugar de categoria à beira do sambódromo, onde desfilam tractores agrícolas, conduzidos por zé-povinhos a beber minis como incentivo. Mas a parte melhor estava reservada para as mulheres que saltitando mais do que sambando, se encavalitavam nos carros alegóricos forrados a papel de prata ou seguiam às resmas, estrada fora, com sapatos desiguais, adequados à resistência de cada uma, na esperança de que a tanga prateada em forma de tiara e o soutien de enfeites metálicos distraísse a atenção de outros pormenores, como a diferença entre a sapatilha de ginástica ou a sandália da praça de espanha. E oh se distraía! Dei por mim embasbacada a olhar, com um ar certamente tão lânguido como o dos homens maravilhados por aquele mar de carne... embora não pelos mesmos motivos. Perdoem-me se há neste discurso qualquer coisa que se assemelhe a um certo preconceito pela abertura que o Carnaval permite, mas há coisas que nem a tradição desculpa, nomeadamente ostentar publicamente adolescentes obesas e semi-nuas, de pele "cor de inverno" e com má circulação por causa do frio, a fazer lembrar salsichas frescas, porque se no Brasil Carnaval é calor e samba, também por cá tem de ser assim. E foi assim que, exceptuando então alguns laivos de bom gosto e pé p'rá dança, com alívio regressei a casa, a esta vida cinzenta e sem confettis, até porque me pareceu que também as meninas herdaram o gene familiar que não liga a fanfarronadas e só acham piada até se fartarem, que isto do bom gosto nasce connosco. Vou começar a fazer o que faziam os meus pais no Carnaval e a levar as crianças para o relvado da torre de Belém para acabarmos a tarde de Domingo na fila dos pastéis.

generosidade egoísta

Se alguma fiabilidade existe na recriação da personagem de Marcia Gay Harden no filme Pollock, então aprendi com Lee Krasner o conceito de generosidade egoísta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

voz-off

Nunca, até agora, tinha ouvido falar do... Quimbé.

Hoje, ao fazer uma pequena e curiosa pesquisa mais ou menos fidedigna para um post, deparei-me com esta descoberta verdadeiramente... gritante. O Quimbé é nada menos do que o gajo que, da pior forma possível, chama a atenção de todos para o MediaMarkt. Por vezes, quando o ouvia na rádio, tinha a sensação de que o tipo estaria realmente prestes a rebentar, de que lhe saltavam botões da camisa, de que lhe fugiam perdigotos da boca em ascendente histeria, de que os olhos, raiados de vermelho, inchavam como o balão de uma super gorila até quase saltarem das órbitas. É um espectáculo hediondo mas, em lugar de pensar nos fantásticos preços baixos dos lcd's, é esta a imagem que o Quimbé me apresenta nos seus sketches publicitários.

Como se isso não bastasse, fazem parte do seu currículo os programas de televisão de maior qualidade e o gajo tem uma pintarola de fazer corar de inveja. Além disso chama-se Quimbé, que é a última machadada. Pelo ar saudável, aposto que é o cidadão mais feliz de toda a Parvónia!

sonhos bons e sonhos maus

por entre os disparates que me surgem em sonhos, raramente posso dizer que tenho pesadelos. mas quando tenho não são para brincadeiras. esta noite, por exemplo, sonhei com o diabo em pessoa. o capeta, personificado de forma muito pouco original, numa espécie de al pacino. mas era na história e não nos personagens que residia o interesse do sonho. o dito sujeito apareceu-me então do nada, enquanto estava em casa. sei que foi algo que fiz que o fez aparecer, mas não me recordo do que foi, o que não é lá muito bom. imediatamente, a minha vida sofreu uma reviravolta impressionante. não sei porquê, as portas ficaram de repente sem fechaduras, como se apenas se pudessem abrir pelo outro lado, e eu tinha de tentar desenrascar-me. e estava escuro. e era basicamente isto. não me perguntem porquê, mas esta pérola da psicanálise, fez com que acordasse aterrorizada.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

brincadeira nazi com sotaque brasileiro

Foi por acidente que descobri a reviravolta.
Numa situação normal, seria necessário recorrer ao génio surreal de Alan Shore para reconstruir a perfeitamente razoável jiga-joga que nos leva do antes ao depois.
E ainda acabarmos por gostar dela.