Acho que isto justifica um debate televisivo.
A questão que se coloca é: o que faria o Lucílio?
quinta-feira, 26 de março de 2009
futebol e outras religiões
Ainda bem que a tentação de fugir à chafurdice mundana não me levou no passado fim-de-semana à eucaristia dominical da Igreja do Rato. É que esta coisa de me forçar a aceitar que o Bento XVI se vê limitado a uma visão humanitária condicionada pelas contingências históricas da religião, leva-me a pensar que a estagnação do catolicismo deveria aplicar-se com muito mais rigidez à postura 'brincalhona' que alguns párocos assumem na homilia.
Para mais, parece-me que quem fala em nome de outrém, ou melhor, de Outrém, não devia ser tão tendencioso. Embora comece a fazer algum sentido a "aparente" coincidência dos fumos negros do Vaticano e de Alvalade anunciarem dois Bentos para comandar os seus apóstolos. Quase me atrevia a concluir que a Maria Madalena no repasto do Soares Franco é o Miguel Veloso, disfarçado de jogador de futebol.
quarta-feira, 25 de março de 2009
na'an
Ontem fui jantar ao Indiano. Comi naan com queijo e alho. Tinha mais ervas do que o costume. Estava melhor do que nunca.Pensei que tenho de ir à Índia.
Tenho de ultrapassar os fantasmas da pobreza, da sujidade e, principalmente, os da diferença.
Se para me apaixonar pela Índia tiver de me fustigar primeiro, não hesitarei (como não hesitei em queimar as pontas dos dedos na lanterna por teimar em tocar-lhe a beleza).
O caril de camarão estava muito bom mas naan recheado com queijo... ah! naan recheado com queijo...
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
porque no enfiamento do poste é que se tiram bem os foras de jogo
Fico ursa quando percebo que, por mais água que corra debaixo da ponte, o Miguel Sousa Tavares e o futebol terão sempre em mim uma influência negativa. Pior ainda quando se trata do Miguel Sousa Tavares e de futebol, em simultâneo. Do dito senhor, já evito ler as crónicas, medida que constitui o passo mais importante na minha auto-infligida terapia; já o futebol não é coisa que se evite facilmente, muito por culpa da forte proliferação de comentadores desportivos, à espreita, cíclica e cansativamente, em todos os noticiários, na televisão, na rádio e nos jornais. Depois deste grande evento que foi a final da Taça Carlsberg, mina de ouro da sic para as audiências de sábado, estou fartinha de ouvir opiniões, bitaites, comentários, picardias, "análises" e promessas de ajustes de contas... porque há coisas graves que não devem ficar impunes. Com trinta mil putas! Eu, que tentava evitar aqui, no meu refúgio de disparates comedidos e sempre censurados pela minha consciência, qualquer tipo de impropério pouco digno da minha regrada educação, apetece-me - ora por imaginar o sorriso retrocido de ironia do sôr MST, ora por me ecoarem na lembrança os maiores disparates proferidos pelos ditos comentadores - largar, uma vez mais, o Foda-se! redondo e rubicundo que disse, duas vezes de seguida, a noite passada, mesmo antes de adormecer.
É que andam aqui estes tipos, que são pagos para nada mais do que jogar futebol (e nada mal pagos por sinal: não venham com conversas de ligas estrangeiras milionárias que há toda uma lista de argumentos perfeitamente válidos a comprovar que dinheiro não significa necessariamente talento e bons resultados - se assim fosse nem as participações consecutivas nas competições europeias salvavam a vida ao FCP que, em braço de ferro económico com o Benfica, talvez saísse a perder) e mesmo assim têm de se sacrificar os árbitros para justificar a falta de jeito que paira por estes relvados. Aguçam-se os espíritos críticos para que, horas antes dos jogos, não se anseie por uma grande jogatana mas por saber para que lado irá pender o juíz da partida (como lhe chamam os ditos comentadores, férteis na atribuição de adjectivos e nomes alternativos, para desenjoar na repetição das mesmas ladaínhas criticistas) e fazem-se solenes e avisados votos, por parte de dirigentes com a mania da supra-sapiência, para que o árbitro nomeado esteja à altura da grandiosidade do encontro, olvidando que talvez o não estejam os jogadores.
Foda-se! Foda-se! Só alivía à segunda.
É que é de uma pessoa perder a paciência. Palavra de honra.
sexta-feira, 20 de março de 2009
reflexo da divergência política internacional ou a confirmação da regra que diz...
Regra que raramente admite excepções.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Mila
A Mila que eu conheci em miúda, feia, baixinha e gorda, com olhinhos de tartaruga velha e óculos de míope conseguiu sempre destronar do meu pódio imaginário todas as Milas que se lhe seguiram: lembro-me de repente da Mila do Netinho brasileiro, um mito musical e certamente uma brasa carioca, ou da Jovovich, qualquer uma delas sempre assombrada pelo fantasma da primeiríssima Mila da minha vida. As primeiras coisas são as que deixam marcas. Não posso evitar de não gostar de Mários, Duartes e Betos pelas experiências ou impressões pouco indeléveis que os primeiros deixaram em mim, pelo que nunca teria um filho a quem chamasse Mário, Duarte ou qualquer nome que pudesse originar a suspeita alcunha Beto.
Eis-me aqui chegada a um outro tema que, apenas aparentemente, nada tem a ver com isto. Esta manhã acordei a pensar em vilipendiar. Simplesmente. Não que vilipendiava alguém, ou que fosse vilipendiada ou que assistisse a algum vilipêndio. Acordei com a palavra a latejar-me na cabeça, a pressionar-me. Foi mais ou menos um acordar cinematográfico, em que a pessoa se levanta e grita qualquer coisa, com a excepção de não me levantar como que impulsionada por molas - coisa que considero pouco coerente com o que normalmente acontece no despertar de um pesadelo, apesar de ter um efeito bonito -, apenas balbuciei a palavra, certamente com uma expressão aparvalhada.
Partindo assim das duas permissas iniciais, permito-me concluir o silogismo da forma mais lógica que agora me ocorre. Não obstante não ver a Mila nº 1 há uma mão cheia de anos (não conhecer a nº 2 e apenas estar mais em contacto com a nº 3 através da L'Oreal), a minha interpretação da obrigatoriedade de usar os óculos novos, interpretação muito própria que lhes reconhece a função de prótese acessória completamente dispensável e inconveniente, faz brotar em mim esta tendência subconsciente para vilipendiar a Mila-feia em função de uma ligeira crise patológica que tem estado a levedar brandamente de há uns dias a esta parte.
quarta-feira, 18 de março de 2009
hormonas ou outra coisa qualquer
Hoje, pela manhã, num frenético acumulado de energia negativa desde segunda-feira, pensava "fosse eu de arrancar unhas a sangue frio ou estropiar animais inocentes e esta era a altura perfeita para fazê-lo".
Agora só me apetece adormecer sem data prevista para recuperar os sentidos.
terça-feira, 17 de março de 2009
tudo o que precisamos saber


já sabemos que a distribuição gratuita de preservativos e as campanhas para a sua utilização não ajudam a combater a Sida (pelo contrário, agravam o problema).já sabemos que a solução passa pela abstinência e por um 'despertar espiritual e humano'.
já sabemos que a 'amizade pelos que sofrem' também ajuda (terapêutica de solidariedade?).
já sabemos que a utilidade da igreja passa por dar sugestões 'espirituais e morais' e contribuir para a 'ética das estruturas económicas' em défice.
ainda bem que Bento XVI sabe como solucionar o flagelo da Sida em África.
eu? eu acho lindo!
o homem português (ao contrário do irlandês) não fica na esquina, desgraçado da vida, à espera do reencontro.
"é tão bonito ouvir dizer com alegria, olá bom dia..."
como não percebe de solidó, faz só o script...
"é tão bonito ouvir dizer com alegria, olá bom dia..."
sexta-feira, 13 de março de 2009
trois choses indésirables
o Vítor Pereira (principalmente quando fala com pouco à-vontade sobre o "aparecimento" da Sida e da obrigatoriedade do uso de caneleiras como consequência disso - por causa dos acidentes e do sangue e de evitar o contacto com a pele...);
a cansativa missão-magalhães, mais as embaraçosas entrevistas dos jornalistas peregrinos que interrogam os pretinhos de Cabo Verde, como se fosse Natal em terra de pobre, para obterem respostas monossilábicas e pouco entusiastas de crianças que (sim!) já tinham um computador em casa;
spams na minha caixa electrónica com o título: erecções prolongadas.
quinta-feira, 12 de março de 2009
o reinado actual
Na última edição da Visão on-line, aprendi imenso sobre a história da monarquia portuguesa, eu, uma leiga no que respeita às nossas dinastias, tanto que nunca me atrevi a concorrer ao elo mais fraco, ou ao quem quer ser milionário (certamente desperdiçaria a ajuda dos 50/50 numa pergunta sobre reinados e ainda assim teria apenas 50% de hipóteses) ou ao jogo duplo (embora o Malato também pese nesta decisão), com receio do embaraço que seria dar a conhecer esta lacuna apátrida.
Mas aprendi mais coisas. Aprendi que a analogia é um conceito soberbo que nos permite, por exemplo, comparar Carolina Salgado com D. Leonor Telles de forma diabólica e ainda deixar no ar um cheirinho da nossa sensibilidade e domínio dos meandros quer da sociedade monárquica, quer da actual. Ora a mim, que sou uma ignorante filha da república, até me podem convencer que D. Leonor Telles era uma ousada e emancipada senhora dos seus tempos que, nos enleios do seu poder de sedução, conseguiu o que quis, pagando o que não quis pela sua ambição. Podem até convencer-me que a dita foi vítima de odiosas gatas borralheiras e velhos do restelo, numa mistura de personagens, que lhe causaram a desgraça. Será certamente mais difícil moldar-me a razão de forma a reconhecer qualquer um destes atributos a Carolina Salgado. Diz-me a minha sensibilidade que se a evolução nos serve de alguma coisa, admitamos então que D. Leonor Telles poderia ser vista, em pleno século XIV como a Carolina Salgado da época. Mas Deus nos livre de pensar, após tantas conquistas, sobretudo intelectuais (acredito eu), que a vulgar Carolina Salgado, tão ordinária enquanto justiceira como o foi enquanto namorada de um velho pateta, simbolize a D. Leonor Telles dos nossos dias.
Se há, porém, neste artigo da Visão alguma coisa realmente ofensiva, deixei-a propositadamente para o final. Quando diz "São as súbditas, as mulheres, quem não lhe perdoa o indecoro nem a ousadia. São elas que realmente a odeiam, insultam e vituperam, a ela que se serviu da arma feminina mais poderosa - a da sedução -, a única que nunca poderão perdoar-lhe (...) Não é a culpa dos actos que persegue Carolina: ela está a pagar pelo facto de ser mulher", Filipe Luís está a dizer uma de duas coisas: ou o seu verdadeiro machismo não reconhece numa mulher, qualquer que seja, a inteligência e a sensibilidade que lhe permitam detectar a fraude que é uma pessoa como Carolina Salgado, ou o recalcamento de nunca haver experimentado na vida o verdadeiro poder sedutor de uma Mulher tolda-lhe a noção da realidade dos factos.
Talvez sejam ambas.
quarta-feira, 11 de março de 2009
de Bragança a Lisboa
Da mesma forma que relembro com ternura a versão cantada da Larocas do: "é fácil! é barato! 'caminhões' "!, também continuo a preferir a minha versão de "queria ter um avião, p'ra lá ir mais 'a miúda' "...
boas maneiras no Japão
Apesar de conhecidos internacionalmente pelas suas boas maneiras, mesmo os japoneses têm ainda de aperfeiçoar-se, como atestam os cartazes afixados no Metro de Tóquio, com o título em japonês e inglês, "Please do it at home" (Por favor, faça-o em casa). *
* fotos do dia - http://www.noticias.sapo.pt/
Sou particularmente sensível no que respeita a deitar lixo para o chão... e a velhinha sentada ao lado também não gosta nada.
terça-feira, 10 de março de 2009
por falar em blogues
A blogosfera, o mundo das amizades virtuais ou dos chats e até mesmo os diferentes domínios para criação de contas de correio electrónico têm pelo menos uma coisa que tende a aproximá-los inevitavelmente: o desenvolvimento de aplicações que se vão afastando do carácter utilitário para se tornarem apenas acessórias e, em muitos casos, reles kitsch cibernáutico. Como os penduricalhos que se inventaram para os telemóveis, ou as bolsinhas em forma de peúga. É um mundo de possibilidades, de downloads, de up-grades, tudo palavras que me fazem sentir um pouco desconfortável, mas que permitem um sem fim de coisas curiosas.
Na blogosfera, utilizo o meu espaço como bem entendo, na simplicidade e no recato de um semi-anonimato que me deixa à vontade. Gosto de pensar que sou mais exigente comigo do que qualquer outra pessoa e que, de toda a maneira, não serei alvo de toda a crítica porque o meu humilde blogue não circula pelos meandros sociais e elitistas que se desenvolvem em círculos virtuais. Também gosto de pensar que sou exigente com os outros, e quando o que leio me causa algum tipo de repulsa, saio pela mesma porta que entrei, sorrateira, para não mais voltar.
Depois há a aquela questão da gestão que cada um de nós, bloguistas, faz do seu próprio espaço. Sem censuras. Aprecio quem se deixa comentar da mesma forma que aprecio quem não dá essas abébias, no sentido talvez de se posicionar acima de qualquer crítica, por não ser essa (de todo) a finalidade de estar "aqui".
O que me transtorna profundamente, o que é quase um choque para mim, é que alguém, cujo domínio da escrita e dos temas, cuja inteligência e sensibilidade fora de série, cujo santíssimo poder supremo lhe permita posicionar-se acima do comum mortal, bata com a porta aos indesejados que, cambaleantes pedintes, se humilham a tentar penetrar no seu imponente reino de supremacia. É como entrar numa livraria e não podermos comprar aquele livro que é, de repente, bom demais para ser sujeito à nossa apreciação. É como vedar os Lusíadas ao português menos 'digno'. É, acima de tudo, um contra-senso limitar a nossa obra a um círculo restrito, muito possivelmente aquele que nos bajula e nos converte nesse ícone em que de repente nos transformamos, sem aspirar a mais, aquele mais que verdadeiramente compensa. Mas, sem censura, procurarei outros reinos mais acessíveis (e receptivos) à minha condição inferior.
segunda-feira, 9 de março de 2009
ódio fácil
Deve ter sido por sonhar com o que sonhei. Ela, que mal me falava, de tão ofendida, acabou por confessar que o motivo da sua presença ali se devia a uma ida ao médico. Uma consulta tardia (digo eu) devida ao facto de ter abortado espontaneamente há uns meses atrás (vejam bem o cabimento). E pronto, era isto. Mas depois, já havia uma outra jogada: tatuar em toda a extensão da barriga uma espécie de anjo de grandes asas; uma coisa horrível, colossal, de péssimo gosto que, quando pensava não poder piorar, se transformou num desenho inspirado na antiga fotografia dos avós. A sua barriga ostentava, então, a cópia de um daguerreótipo de dois idosos, de contornos escuros e olhos brancos, cegos. Uma coisa para lá de medonha.
Lembrei-me de Lourenço, da conversa da véspera, dos planos de uma lista. Por prioridades. Eliminatória. Acordei com uma raiva miudinha por isto tudo junto, por não poder pôr-lhe cobro. E ouvi sussurrar: "E Vitor?"
Foi a gota de água.
sexta-feira, 6 de março de 2009
superlativo
Hoje já li a palavra grandíssimo inúmeras vezes.
É contranatura e eufemista.
Nunca terá o impacto de Grandessíssimo, este sim, o verdadeiro adjectivo no seu exponencial máximo.
É das poucas excepções em que me estou nas tintas para o rigor ortográfico.
albert
Tomou-me ontem, na minha cama, com as suas vestes gastas, os seus gestos loucos e o poder da sua música.
Adormeci com a mesma sensação pós-orgásmica que Albert deixou no salão do baile após a sua performance.
Adormeci com o violino.
Infeliz aquele que nunca experimentou o prazer sublime da literatura.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
