Al pasar la barca me dijo el barquero
las niñas bonitas no pagan dinero.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Al volver la barca me volvió a decir
las niñas bonitas no pagan aquí.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Já não há barqueiros imberbes, de músculo rural e sorriso trocista.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
ontem
De manhã, dormi.
De tarde, li a morte do tio Fiodór, da senhora e da árvore.
À noite, vi um filme muito parvo chamado Sexo até à Morte.
Antes de dormir fui passear o cão. Quando, por fim, saí à rua tive a sensação que estava a pisar outro planeta.
gaveta da preguiça
Tenho na minha gaveta da preguiça um rol de coisas: fotos que não tirei, pessoas que não vi mais, sítios que não conheci, muito dinheiro que não poupei, pouco que não gastei, coisas que não escrevi que se misturam com as que escrevo, planos que não segui, objectivos que não alcancei. Estou sempre a depositar lá mais e mais coisas: quando me esqueço, quando ignoro, quando negligencio, quando não cumpro, quando não faço, quando não sou. De vez em quando faço uma limpeza. Tiro dois ou três projectos poeirentos e dou-lhes uma razão de ser. Nessas alturas penso que é fácil e agradável. Penso, sobretudo, que faz sentido e que deveria ser sempre assim porque esses projectos poeirentos, encerrados numa gaveta, num gavetão, transformam-se em ornamentos, em molduras na minha vida. E até é simples. Mas depois vem outro surto e a gaveta volta a encher-se, como se as concretizações abrissem espaços para novos armazenamentos. E a gaveta nunca está vazia ou arrumada: misturam-se o doce e o salgado, o quente e o frio, o pensado e o dito. Às vezes a gaveta é enorme, transforma-se num baú. Cabe lá a bicicleta imóvel, a bola de basquete que não vê as tabelas, os aplausos da peça de teatro e a música daqueloutro concerto. Mas quando está mesmo grande, quase inamovível de tão pesada, é quando deixo passar muito tempo e vou lá descobrir-me a mim, enroscada numa dormência conformada.
sexta-feira, 27 de março de 2009
para quem não tem onde dormir
música de fim-de-semana, para baloiçar a perninha.
(Oxalá não se lembrem de adoptá-la em massa como toque de telemóvel, aqueles que só recentemente se deram conta que ela existe!).
o sigmatismo dá-lhe (à Amy) um ar giro e está na moda (falta-lhe só o aparelho nos dentes).
quinta-feira, 26 de março de 2009
mariage médiane
o homem quer (pelo menos) um mínimo de sexo e o máximo de silêncio.
a mulher quer (pelo menos) um mínimo de carinho e o máximo de estabilidade.
o segredo da felicidade remediada.
iris
A caminho de casa ia, sonâmbula, a ouvir na rádio os goo goo dolls com a sua iris e a pensar como é possível ter-se como filme de eleição a cidade dos anjos. Tão meloso, tão comoventezinho na sua mensagem, tão estranho na sua abordagem dos sentidos, do pressentimento. O ET tem mais de vinte anos e talvez tenha tido o seu impacto exactamente por isso: volveram-se entretanto duas décadas.
O Nicolas Cage faz lembrar o Bender Bending e como é triste para um robot não ter sentimentos (excepto que no futurama a observação é para ter piada efectivamente). A Meg Ryan, por sua vez, tem a morte cinematográfica mais estranha e violenta de todos os tempos, mas sempre rodeada de uma aura angelical completamente inadequada à realidade; e não me esqueço daquela falha de raccord tremenda quando a actriz se deita com uma camisola e acorda a meio da noite com outra.
Pior é que até gosto da iris dos goo goo dolls. Ou gostava, não fora o caso de associá-la sempre ao estafermo do filme.
(im)pertinente
Acho que isto justifica um debate televisivo.
A questão que se coloca é: o que faria o Lucílio?
A questão que se coloca é: o que faria o Lucílio?
futebol e outras religiões
Ainda bem que a tentação de fugir à chafurdice mundana não me levou no passado fim-de-semana à eucaristia dominical da Igreja do Rato. É que esta coisa de me forçar a aceitar que o Bento XVI se vê limitado a uma visão humanitária condicionada pelas contingências históricas da religião, leva-me a pensar que a estagnação do catolicismo deveria aplicar-se com muito mais rigidez à postura 'brincalhona' que alguns párocos assumem na homilia.
Para mais, parece-me que quem fala em nome de outrém, ou melhor, de Outrém, não devia ser tão tendencioso. Embora comece a fazer algum sentido a "aparente" coincidência dos fumos negros do Vaticano e de Alvalade anunciarem dois Bentos para comandar os seus apóstolos. Quase me atrevia a concluir que a Maria Madalena no repasto do Soares Franco é o Miguel Veloso, disfarçado de jogador de futebol.
quarta-feira, 25 de março de 2009
na'an
Ontem fui jantar ao Indiano. Comi naan com queijo e alho. Tinha mais ervas do que o costume. Estava melhor do que nunca.Pensei que tenho de ir à Índia.
Tenho de ultrapassar os fantasmas da pobreza, da sujidade e, principalmente, os da diferença.
Se para me apaixonar pela Índia tiver de me fustigar primeiro, não hesitarei (como não hesitei em queimar as pontas dos dedos na lanterna por teimar em tocar-lhe a beleza).
O caril de camarão estava muito bom mas naan recheado com queijo... ah! naan recheado com queijo...
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
porque no enfiamento do poste é que se tiram bem os foras de jogo
Fico ursa quando percebo que, por mais água que corra debaixo da ponte, o Miguel Sousa Tavares e o futebol terão sempre em mim uma influência negativa. Pior ainda quando se trata do Miguel Sousa Tavares e de futebol, em simultâneo. Do dito senhor, já evito ler as crónicas, medida que constitui o passo mais importante na minha auto-infligida terapia; já o futebol não é coisa que se evite facilmente, muito por culpa da forte proliferação de comentadores desportivos, à espreita, cíclica e cansativamente, em todos os noticiários, na televisão, na rádio e nos jornais. Depois deste grande evento que foi a final da Taça Carlsberg, mina de ouro da sic para as audiências de sábado, estou fartinha de ouvir opiniões, bitaites, comentários, picardias, "análises" e promessas de ajustes de contas... porque há coisas graves que não devem ficar impunes. Com trinta mil putas! Eu, que tentava evitar aqui, no meu refúgio de disparates comedidos e sempre censurados pela minha consciência, qualquer tipo de impropério pouco digno da minha regrada educação, apetece-me - ora por imaginar o sorriso retrocido de ironia do sôr MST, ora por me ecoarem na lembrança os maiores disparates proferidos pelos ditos comentadores - largar, uma vez mais, o Foda-se! redondo e rubicundo que disse, duas vezes de seguida, a noite passada, mesmo antes de adormecer.
É que andam aqui estes tipos, que são pagos para nada mais do que jogar futebol (e nada mal pagos por sinal: não venham com conversas de ligas estrangeiras milionárias que há toda uma lista de argumentos perfeitamente válidos a comprovar que dinheiro não significa necessariamente talento e bons resultados - se assim fosse nem as participações consecutivas nas competições europeias salvavam a vida ao FCP que, em braço de ferro económico com o Benfica, talvez saísse a perder) e mesmo assim têm de se sacrificar os árbitros para justificar a falta de jeito que paira por estes relvados. Aguçam-se os espíritos críticos para que, horas antes dos jogos, não se anseie por uma grande jogatana mas por saber para que lado irá pender o juíz da partida (como lhe chamam os ditos comentadores, férteis na atribuição de adjectivos e nomes alternativos, para desenjoar na repetição das mesmas ladaínhas criticistas) e fazem-se solenes e avisados votos, por parte de dirigentes com a mania da supra-sapiência, para que o árbitro nomeado esteja à altura da grandiosidade do encontro, olvidando que talvez o não estejam os jogadores.
Foda-se! Foda-se! Só alivía à segunda.
É que é de uma pessoa perder a paciência. Palavra de honra.
sexta-feira, 20 de março de 2009
reflexo da divergência política internacional ou a confirmação da regra que diz...
Regra que raramente admite excepções.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Mila
A Mila que eu conheci em miúda, feia, baixinha e gorda, com olhinhos de tartaruga velha e óculos de míope conseguiu sempre destronar do meu pódio imaginário todas as Milas que se lhe seguiram: lembro-me de repente da Mila do Netinho brasileiro, um mito musical e certamente uma brasa carioca, ou da Jovovich, qualquer uma delas sempre assombrada pelo fantasma da primeiríssima Mila da minha vida. As primeiras coisas são as que deixam marcas. Não posso evitar de não gostar de Mários, Duartes e Betos pelas experiências ou impressões pouco indeléveis que os primeiros deixaram em mim, pelo que nunca teria um filho a quem chamasse Mário, Duarte ou qualquer nome que pudesse originar a suspeita alcunha Beto.
Eis-me aqui chegada a um outro tema que, apenas aparentemente, nada tem a ver com isto. Esta manhã acordei a pensar em vilipendiar. Simplesmente. Não que vilipendiava alguém, ou que fosse vilipendiada ou que assistisse a algum vilipêndio. Acordei com a palavra a latejar-me na cabeça, a pressionar-me. Foi mais ou menos um acordar cinematográfico, em que a pessoa se levanta e grita qualquer coisa, com a excepção de não me levantar como que impulsionada por molas - coisa que considero pouco coerente com o que normalmente acontece no despertar de um pesadelo, apesar de ter um efeito bonito -, apenas balbuciei a palavra, certamente com uma expressão aparvalhada.
Partindo assim das duas permissas iniciais, permito-me concluir o silogismo da forma mais lógica que agora me ocorre. Não obstante não ver a Mila nº 1 há uma mão cheia de anos (não conhecer a nº 2 e apenas estar mais em contacto com a nº 3 através da L'Oreal), a minha interpretação da obrigatoriedade de usar os óculos novos, interpretação muito própria que lhes reconhece a função de prótese acessória completamente dispensável e inconveniente, faz brotar em mim esta tendência subconsciente para vilipendiar a Mila-feia em função de uma ligeira crise patológica que tem estado a levedar brandamente de há uns dias a esta parte.
quarta-feira, 18 de março de 2009
hormonas ou outra coisa qualquer
Hoje, pela manhã, num frenético acumulado de energia negativa desde segunda-feira, pensava "fosse eu de arrancar unhas a sangue frio ou estropiar animais inocentes e esta era a altura perfeita para fazê-lo".
Agora só me apetece adormecer sem data prevista para recuperar os sentidos.
terça-feira, 17 de março de 2009
tudo o que precisamos saber


já sabemos que a distribuição gratuita de preservativos e as campanhas para a sua utilização não ajudam a combater a Sida (pelo contrário, agravam o problema).já sabemos que a solução passa pela abstinência e por um 'despertar espiritual e humano'.
já sabemos que a 'amizade pelos que sofrem' também ajuda (terapêutica de solidariedade?).
já sabemos que a utilidade da igreja passa por dar sugestões 'espirituais e morais' e contribuir para a 'ética das estruturas económicas' em défice.
ainda bem que Bento XVI sabe como solucionar o flagelo da Sida em África.
eu? eu acho lindo!
o homem português (ao contrário do irlandês) não fica na esquina, desgraçado da vida, à espera do reencontro.
"é tão bonito ouvir dizer com alegria, olá bom dia..."
como não percebe de solidó, faz só o script...
"é tão bonito ouvir dizer com alegria, olá bom dia..."
sexta-feira, 13 de março de 2009
trois choses indésirables
o Vítor Pereira (principalmente quando fala com pouco à-vontade sobre o "aparecimento" da Sida e da obrigatoriedade do uso de caneleiras como consequência disso - por causa dos acidentes e do sangue e de evitar o contacto com a pele...);
a cansativa missão-magalhães, mais as embaraçosas entrevistas dos jornalistas peregrinos que interrogam os pretinhos de Cabo Verde, como se fosse Natal em terra de pobre, para obterem respostas monossilábicas e pouco entusiastas de crianças que (sim!) já tinham um computador em casa;
spams na minha caixa electrónica com o título: erecções prolongadas.
quinta-feira, 12 de março de 2009
o reinado actual
Na última edição da Visão on-line, aprendi imenso sobre a história da monarquia portuguesa, eu, uma leiga no que respeita às nossas dinastias, tanto que nunca me atrevi a concorrer ao elo mais fraco, ou ao quem quer ser milionário (certamente desperdiçaria a ajuda dos 50/50 numa pergunta sobre reinados e ainda assim teria apenas 50% de hipóteses) ou ao jogo duplo (embora o Malato também pese nesta decisão), com receio do embaraço que seria dar a conhecer esta lacuna apátrida.
Mas aprendi mais coisas. Aprendi que a analogia é um conceito soberbo que nos permite, por exemplo, comparar Carolina Salgado com D. Leonor Telles de forma diabólica e ainda deixar no ar um cheirinho da nossa sensibilidade e domínio dos meandros quer da sociedade monárquica, quer da actual. Ora a mim, que sou uma ignorante filha da república, até me podem convencer que D. Leonor Telles era uma ousada e emancipada senhora dos seus tempos que, nos enleios do seu poder de sedução, conseguiu o que quis, pagando o que não quis pela sua ambição. Podem até convencer-me que a dita foi vítima de odiosas gatas borralheiras e velhos do restelo, numa mistura de personagens, que lhe causaram a desgraça. Será certamente mais difícil moldar-me a razão de forma a reconhecer qualquer um destes atributos a Carolina Salgado. Diz-me a minha sensibilidade que se a evolução nos serve de alguma coisa, admitamos então que D. Leonor Telles poderia ser vista, em pleno século XIV como a Carolina Salgado da época. Mas Deus nos livre de pensar, após tantas conquistas, sobretudo intelectuais (acredito eu), que a vulgar Carolina Salgado, tão ordinária enquanto justiceira como o foi enquanto namorada de um velho pateta, simbolize a D. Leonor Telles dos nossos dias.
Se há, porém, neste artigo da Visão alguma coisa realmente ofensiva, deixei-a propositadamente para o final. Quando diz "São as súbditas, as mulheres, quem não lhe perdoa o indecoro nem a ousadia. São elas que realmente a odeiam, insultam e vituperam, a ela que se serviu da arma feminina mais poderosa - a da sedução -, a única que nunca poderão perdoar-lhe (...) Não é a culpa dos actos que persegue Carolina: ela está a pagar pelo facto de ser mulher", Filipe Luís está a dizer uma de duas coisas: ou o seu verdadeiro machismo não reconhece numa mulher, qualquer que seja, a inteligência e a sensibilidade que lhe permitam detectar a fraude que é uma pessoa como Carolina Salgado, ou o recalcamento de nunca haver experimentado na vida o verdadeiro poder sedutor de uma Mulher tolda-lhe a noção da realidade dos factos.
Talvez sejam ambas.
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