sexta-feira, 3 de abril de 2009

patti smith

"O futuro? Sim, absolutamente. Tenho imenso trabalho pela frente: um álbum, exposições, gostava de escrever uma ópera, um milhão de ideias. O futuro para mim é trabalho novo. E viajar. A vida é fantástica. É difícil e temos de negociar todo o tipo de coisas: assuntos de saúde, a perda de pessoas que amamos, aflições financeiras, fome física, solidão. Mas estar vivo é maravilhoso. É infinitamente interessante."
Ípsilon, 03 de Abril de 2009
Inspirador, magnífico, and yet, não me passa este torpor espiritual.

Luisão lesionado no 'escrete'

A malta d'A Bola vale-se de critérios bastante infelizes na escolha dos seus títulos.
Ou sou eu que associo diferentes conceitos sem qualquer tipo de pudor.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

pára-brisas

Acho giro que tenham feito os anúncios radiofónicos da Carglass com técnicos a sério.
Acho muito honesto e pouco habitual. O costume é ouvir-se mulheres de voz hipnótica a contar-nos experiências reais sobre diuréticos milagrosos tão naturais e tão benéficos que nos apetece, de facto, engoli-los à litrada, como se fossem vitaminas. Mas a Carglass opta pela autenticidade.
A única coisa que soa falsa é a entoação. Mas também é isso que comprova que eles são, de facto, técnicos da Carglass!

g20

Onde há sorrisos de circunstância, há silêncios incómodos.
Humm...

a idade

Há uns anos atrás, que me parecem muitos, muitos, achava que não havia nada pior que cortar os dedos com papel o dia todo e pincelar cola líquida em envelopes, bem como contactar telefonicamente ilustres desconhecidos para congratulá-los pela aquisição do seu Honda Concerto, que na maioria das vezes não possuiam, como, não possui? - Já lhe disse, nunca tive nenhum Honda Concerto na vida! - Mas não é o Sr. Tal e coiso!? - Sou sim senhor, mas não tenho nem nunca tive nenhum Honda Concerto - Ah... pois, então desculpe lá. Deve ser engano da base de dados... Mas não participou num concurso, de certeza..? - Oh, menina, já lhe disse..., mas volvido este tempo há dias que não suporto os afazeres administrativos que se me afiguram todos os dias, que não são mais do que um sem fim de burocraciazinhas que me fazem pensar que a minha utilidade é tão menor ou inferior à da miúda que almoçava no jardim do príncipe real e aí fumava uns cigarros e enxotava os pombos, antes de voltar para os envelopes, a cola, a base de dados e o telefone. Depois ponho-me a pensar que, não obstante a falta de paciência que já me caracteriza permanentemente, devo estar grata por me ver rodeada de Natureza, pessoas que gostam de andar no meio da estrada e parecem olhar para os carros como se lhes dissessem aqui mandamos nós! A aldeia já era nossa antes de vos inventarem! e por um micro clima inexplicável. É que as saudades que tenho de Lisboa são tendenciosas e não incluem uma série de contratempos que me fariam subir os níveis de stress e acentuada depressão já de si perigosamente elevados. Dá-me ideia que a única coisa que me assiste reclamar com toda a legitimade é a minha memória de adolescente. Estou convencida de que entrei numa precoce e vertiginosa ascendência ao pico do monte Alzheimer.

carnaval

Alguém que se fantasia de puta reles e espalhafatosa e encontra na sua indumentária do dia-a-dia e no seu estojo de cosmética tudo o que precisa, deve repensar toda uma série de coisas. Não vos parece?

terça-feira, 31 de março de 2009

al pasar la barca

Al pasar la barca me dijo el barquero
las niñas bonitas no pagan dinero.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,

yo pago dinero como otra mujer.

Al volver la barca me volvió a decir
las niñas bonitas no pagan aquí.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,

yo pago dinero como otra mujer.

Já não há barqueiros imberbes, de músculo rural e sorriso trocista.

segunda-feira, 30 de março de 2009

ontem

De manhã, dormi.
De tarde, li a morte do tio Fiodór, da senhora e da árvore.
À noite, vi um filme muito parvo chamado Sexo até à Morte.

Antes de dormir fui passear o cão. Quando, por fim, saí à rua tive a sensação que estava a pisar outro planeta.

gaveta da preguiça

Tenho na minha gaveta da preguiça um rol de coisas: fotos que não tirei, pessoas que não vi mais, sítios que não conheci, muito dinheiro que não poupei, pouco que não gastei, coisas que não escrevi que se misturam com as que escrevo, planos que não segui, objectivos que não alcancei. Estou sempre a depositar lá mais e mais coisas: quando me esqueço, quando ignoro, quando negligencio, quando não cumpro, quando não faço, quando não sou. De vez em quando faço uma limpeza. Tiro dois ou três projectos poeirentos e dou-lhes uma razão de ser. Nessas alturas penso que é fácil e agradável. Penso, sobretudo, que faz sentido e que deveria ser sempre assim porque esses projectos poeirentos, encerrados numa gaveta, num gavetão, transformam-se em ornamentos, em molduras na minha vida. E até é simples. Mas depois vem outro surto e a gaveta volta a encher-se, como se as concretizações abrissem espaços para novos armazenamentos. E a gaveta nunca está vazia ou arrumada: misturam-se o doce e o salgado, o quente e o frio, o pensado e o dito. Às vezes a gaveta é enorme, transforma-se num baú. Cabe lá a bicicleta imóvel, a bola de basquete que não vê as tabelas, os aplausos da peça de teatro e a música daqueloutro concerto. Mas quando está mesmo grande, quase inamovível de tão pesada, é quando deixo passar muito tempo e vou lá descobrir-me a mim, enroscada numa dormência conformada.

sexta-feira, 27 de março de 2009

para quem não tem onde dormir



música de fim-de-semana, para baloiçar a perninha.
(Oxalá não se lembrem de adoptá-la em massa como toque de telemóvel, aqueles que só recentemente se deram conta que ela existe!).
o sigmatismo dá-lhe (à Amy) um ar giro e está na moda (falta-lhe só o aparelho nos dentes).

quinta-feira, 26 de março de 2009

mariage médiane

o homem quer (pelo menos) um mínimo de sexo e o máximo de silêncio.
a mulher quer (pelo menos) um mínimo de carinho e o máximo de estabilidade.
o segredo da felicidade remediada.

iris

A caminho de casa ia, sonâmbula, a ouvir na rádio os goo goo dolls com a sua iris e a pensar como é possível ter-se como filme de eleição a cidade dos anjos. Tão meloso, tão comoventezinho na sua mensagem, tão estranho na sua abordagem dos sentidos, do pressentimento. O ET tem mais de vinte anos e talvez tenha tido o seu impacto exactamente por isso: volveram-se entretanto duas décadas.
O Nicolas Cage faz lembrar o Bender Bending e como é triste para um robot não ter sentimentos (excepto que no futurama a observação é para ter piada efectivamente). A Meg Ryan, por sua vez, tem a morte cinematográfica mais estranha e violenta de todos os tempos, mas sempre rodeada de uma aura angelical completamente inadequada à realidade; e não me esqueço daquela falha de raccord tremenda quando a actriz se deita com uma camisola e acorda a meio da noite com outra.
Pior é que até gosto da iris dos goo goo dolls. Ou gostava, não fora o caso de associá-la sempre ao estafermo do filme.

(im)pertinente

Acho que isto justifica um debate televisivo.
A questão que se coloca é: o que faria o Lucílio?

futebol e outras religiões

Ainda bem que a tentação de fugir à chafurdice mundana não me levou no passado fim-de-semana à eucaristia dominical da Igreja do Rato. É que esta coisa de me forçar a aceitar que o Bento XVI se vê limitado a uma visão humanitária condicionada pelas contingências históricas da religião, leva-me a pensar que a estagnação do catolicismo deveria aplicar-se com muito mais rigidez à postura 'brincalhona' que alguns párocos assumem na homilia.
Para mais, parece-me que quem fala em nome de outrém, ou melhor, de Outrém, não devia ser tão tendencioso. Embora comece a fazer algum sentido a "aparente" coincidência dos fumos negros do Vaticano e de Alvalade anunciarem dois Bentos para comandar os seus apóstolos. Quase me atrevia a concluir que a Maria Madalena no repasto do Soares Franco é o Miguel Veloso, disfarçado de jogador de futebol.

quarta-feira, 25 de março de 2009

na'an

Ontem fui jantar ao Indiano. Comi naan com queijo e alho. Tinha mais ervas do que o costume. Estava melhor do que nunca.
Pensei que tenho de ir à Índia.
Tenho de ultrapassar os fantasmas da pobreza, da sujidade e, principalmente, os da diferença.
Se para me apaixonar pela Índia tiver de me fustigar primeiro, não hesitarei (como não hesitei em queimar as pontas dos dedos na lanterna por teimar em tocar-lhe a beleza).
O caril de camarão estava muito bom mas naan recheado com queijo... ah! naan recheado com queijo...

terça-feira, 24 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

porque no enfiamento do poste é que se tiram bem os foras de jogo

Fico ursa quando percebo que, por mais água que corra debaixo da ponte, o Miguel Sousa Tavares e o futebol terão sempre em mim uma influência negativa. Pior ainda quando se trata do Miguel Sousa Tavares e de futebol, em simultâneo. Do dito senhor, já evito ler as crónicas, medida que constitui o passo mais importante na minha auto-infligida terapia; já o futebol não é coisa que se evite facilmente, muito por culpa da forte proliferação de comentadores desportivos, à espreita, cíclica e cansativamente, em todos os noticiários, na televisão, na rádio e nos jornais. Depois deste grande evento que foi a final da Taça Carlsberg, mina de ouro da sic para as audiências de sábado, estou fartinha de ouvir opiniões, bitaites, comentários, picardias, "análises" e promessas de ajustes de contas... porque há coisas graves que não devem ficar impunes. Com trinta mil putas! Eu, que tentava evitar aqui, no meu refúgio de disparates comedidos e sempre censurados pela minha consciência, qualquer tipo de impropério pouco digno da minha regrada educação, apetece-me - ora por imaginar o sorriso retrocido de ironia do sôr MST, ora por me ecoarem na lembrança os maiores disparates proferidos pelos ditos comentadores - largar, uma vez mais, o Foda-se! redondo e rubicundo que disse, duas vezes de seguida, a noite passada, mesmo antes de adormecer.
É que andam aqui estes tipos, que são pagos para nada mais do que jogar futebol (e nada mal pagos por sinal: não venham com conversas de ligas estrangeiras milionárias que há toda uma lista de argumentos perfeitamente válidos a comprovar que dinheiro não significa necessariamente talento e bons resultados - se assim fosse nem as participações consecutivas nas competições europeias salvavam a vida ao FCP que, em braço de ferro económico com o Benfica, talvez saísse a perder) e mesmo assim têm de se sacrificar os árbitros para justificar a falta de jeito que paira por estes relvados. Aguçam-se os espíritos críticos para que, horas antes dos jogos, não se anseie por uma grande jogatana mas por saber para que lado irá pender o juíz da partida (como lhe chamam os ditos comentadores, férteis na atribuição de adjectivos e nomes alternativos, para desenjoar na repetição das mesmas ladaínhas criticistas) e fazem-se solenes e avisados votos, por parte de dirigentes com a mania da supra-sapiência, para que o árbitro nomeado esteja à altura da grandiosidade do encontro, olvidando que talvez o não estejam os jogadores.
Foda-se! Foda-se! Só alivía à segunda.
É que é de uma pessoa perder a paciência. Palavra de honra.

sexta-feira, 20 de março de 2009

reflexo da divergência política internacional ou a confirmação da regra que diz...

... por detrás de um (grande) homem, está sempre uma GRANDE mulher.
Regra que raramente admite excepções.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mila

A Mila que eu conheci em miúda, feia, baixinha e gorda, com olhinhos de tartaruga velha e óculos de míope conseguiu sempre destronar do meu pódio imaginário todas as Milas que se lhe seguiram: lembro-me de repente da Mila do Netinho brasileiro, um mito musical e certamente uma brasa carioca, ou da Jovovich, qualquer uma delas sempre assombrada pelo fantasma da primeiríssima Mila da minha vida. As primeiras coisas são as que deixam marcas. Não posso evitar de não gostar de Mários, Duartes e Betos pelas experiências ou impressões pouco indeléveis que os primeiros deixaram em mim, pelo que nunca teria um filho a quem chamasse Mário, Duarte ou qualquer nome que pudesse originar a suspeita alcunha Beto.
Eis-me aqui chegada a um outro tema que, apenas aparentemente, nada tem a ver com isto. Esta manhã acordei a pensar em vilipendiar. Simplesmente. Não que vilipendiava alguém, ou que fosse vilipendiada ou que assistisse a algum vilipêndio. Acordei com a palavra a latejar-me na cabeça, a pressionar-me. Foi mais ou menos um acordar cinematográfico, em que a pessoa se levanta e grita qualquer coisa, com a excepção de não me levantar como que impulsionada por molas - coisa que considero pouco coerente com o que normalmente acontece no despertar de um pesadelo, apesar de ter um efeito bonito -, apenas balbuciei a palavra, certamente com uma expressão aparvalhada.
Partindo assim das duas permissas iniciais, permito-me concluir o silogismo da forma mais lógica que agora me ocorre. Não obstante não ver a Mila nº 1 há uma mão cheia de anos (não conhecer a nº 2 e apenas estar mais em contacto com a nº 3 através da L'Oreal), a minha interpretação da obrigatoriedade de usar os óculos novos, interpretação muito própria que lhes reconhece a função de prótese acessória completamente dispensável e inconveniente, faz brotar em mim esta tendência subconsciente para vilipendiar a Mila-feia em função de uma ligeira crise patológica que tem estado a levedar brandamente de há uns dias a esta parte.

quarta-feira, 18 de março de 2009

hormonas ou outra coisa qualquer

Hoje, pela manhã, num frenético acumulado de energia negativa desde segunda-feira, pensava "fosse eu de arrancar unhas a sangue frio ou estropiar animais inocentes e esta era a altura perfeita para fazê-lo".
Agora só me apetece adormecer sem data prevista para recuperar os sentidos.