terça-feira, 21 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
cultura comercial
Esta promoção da Fnac diz, da forma mais explícita possível, 'quem lê um, lê todos' (para o caso das imagens por si só não serem já demasiado óbvias).
A pergunta é: que tipo de pessoa considera esta campanha uma grande oportunidade para adquirir variada literatura de qualidade?
Estava a pensar dar lá um saltinho esta semana e até algo esperançosa de um ou outro achado, mas agora já não sei. Acabo é a gastar dinheiro em cds, por culpa deles que me defraudam as expectativas e enchem os bolsos à custa da minha fraqueza de espírito.
dá-se então que:
para compensar a patética e inconvenientemente chuvosa tarde de sábado (da qual se escapou a fantástica performance gímnica da minha piolhinha magriça devidamente documentada em VHS e a actuação fabulosa de outros meninos, mormente os de Algés - muito bons! - e do Real Clube, que despertaram em mim o dormente fascínio dos velhos tempos pela ginástica rítmica, e arcos, e fitas, e massas, e cambalhotas, e esparregatas), o domingo foi dia solarengo que, à excepção de uma pequena fuga para aquisição do Shiseido - porque afinal a Lâncome não tem assim um rouge tão absolut como o que pretendia - foi dedicado à prática de home-cinema. Pois que é.
E os escolhidos foram os fabulosos documentários que se seguem:
and...
worten dix it
É mais um aparelho, assim uma espécie-de-box, para empilhar sobre dvd, playstation, box tvcabo e amplificador. Mais uns cabos e umas fichas scart (raios partam se percebo alguma coisa de electrónica) e dá-se o milagre de chamar a mim a Lusomundo: dezenas de ficheiros, entre os quais, as legendas!! dos filmes que tenho em calha há já alguns meses (porque me fazem falta as legendas e não me habituo nem por nada que seja de outra forma, não obstante a minha boa percepção do idioma da grande maioria das películas). Assim, o único inconveniente é saber que relego, quase de certeza, para segundo plano a pilha de livros por ler - não porque uma coisa substitua a outra mas porque o tempo se mostra escasso para realizar certos anseios e cumprir ainda com os deveres matrimoniais. Pois.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
boas leituras
É por coisas destas que, ocasionalmente, dou graças por estar aqui, à beira da pedreira.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
arte
A primeira pincelada é incerta, tímida, sem saber ao certo onde quer chegar. Transmite uma espécie de vibração sensorial que se espalha pelas artérias e se sente em todo o corpo. A côr é inebriante, a substância espessa e luminosa marca a tela em relevo, num desperdício pecaminoso de tinta farta. Não importa de onde vem, para onde vai, se condiz ou faz sentido. Importa dar-lhe expressão e movimento. Tem muito mais a ver com sentimento que com lógica, muito mais com exteriorizar gestos que com chegar ao detalhe. A precisão é antípoda ao prazer e à terapêutica da arte plástica.
Sempre gostei de pintar. Desisti apenas porque receei que me sugasse toda a energia que me mantinha sã. E agora, escrevo. E quando não escrevo, penso.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
casino
Ali as pessoas são todas diferentes: altas e baixas, gordas e magras, feias e bonitas, pretas, brancas, asiáticas, ciganas, homens ou mulheres, novas e velhas, pobres e abastadas, elegantes ou nem tanto. Fumam, bebem, falam pouco, murmuram ou apenas gesticulam, olham fixamente para um sítio, para um objectivo, não se observam entre si, movimentam-se como se não houvesse mais ninguém em volta, concentradas, tensas. Usam objectos de 'rotina' como se fosse o missal na eucaristia: sejam a pochette dourada, uma carteira em pele ou uma bolsa de cintura, onde carregam fichas, notas, moedas. Fumam mais. Os empregados movimentam-se com cerimónia e as croupiers suspiram, com pompa e algum enfado, entre uma e outra aposta. O chão é suave. Sinto-me diferente, deslocada, mas continuo, obcecada e confortavelmente, a observar os fantasmas que por ali se movem. São só fantasmas, não me vêem, nem me fazem mal. O barulho e as luzes como fundo. O brilho que se reflecte na curva da roleta e se renova, noite após noite, concluo, é roubado daqueles olhares vazios, sem expressão, que se debruçam diariamente sobre o abismo.
Afinal, ali as pessoas são todas iguais.
Audrey
percebo que...
... sou uma pessoa ingénua, ainda em fase de maturação.
Dou-me conta disso quando ainda me surpreendem as anedotas inadvertidas da tvi (principalmente as da recente 24) e as 'inovações' instituidas, da noite para o dia, com que me deparo quando chego ao trabalho.
terça-feira, 14 de abril de 2009
de onde me encontro
Irritam-me pessoas sem modos, sem charme natural, sem aqueles pequeninos pudores dignificantes. Pessoas abruptas, agressivas, sem jeito, sem tacto. Pessoas sem sensibilidade, sem talento, sem encanto. Irritam-me as pessoas pouco escrupulosas, cheias de razão, de ênfase, de peito feito. Não é a rudeza campónia que me incomoda, é a grosseria cosmopolita.
Pena é que o dinheiro não compre, efectivamente, as maiores virtudes.
barraca
Sem querer chover no molhado das críticas fáceis ou nas conclusões elementares que se podem retirar sobre a intemporal adequação do conteúdo da peça à realidade social, também a mim me apraz enaltecer a excelente capacidade de adaptação teatral desta obra de Gógol, muito embora raramente me tenha abstraído da impressionante semelhança eloquente entre João D'Ávila e a D. Isabel aqui da limpeza, quer nas similaridades físicas, quer no discurso enfatizado e sufocante. Mas o interessante que advém destes eventos lúdico-culturais, e que já nada tem a ver com as qualidades do mesmo, são as suas promoções sociais e as críticas póstumas(?) de quem tem como 'missão' analisar e interpretar, recorrendo aqui e ali a nomes ou situações reais, para satirizar e se mostrar expert naquilo que diz. E escreve.
Não fossem os erros ortográficos e o facto de se valer de sinopses e googlagens sobre as virtudes do autor e até estávamos, no exemplo referido, perante um texto... 'maneirinho', vá.
gertrudes
Com um título destes, dir-se-ia que poderia postar aqui alguma coisa relacionada com a minha tia que vive em Moscavide, mas não. Descobri hoje que há uma gertrudes muito mais influente na capital. Eu e milhares de lisboetas.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sangue azul
Sangrei azul de corpo e de mente. Um certo brainstorming, exigente, de certeza, e muito bem conseguido, levantou-me da cadeira. Elevei-me ao mais alto skyscraper espiritual. And it felt good! Carreguei os lábios de vermelho escuro, parecendo adivinhar a feliz combinação com a opacidade azul da maquilhagem. Parece-me que alguma da magia teve a ver com uns certos e determinados acordes que muito me dizem, a proximidade física também denuncia responsabilidade, mas mais que tudo, houve ali uma mensagem muito pessoal. A carapuça serviu-me. De regresso, vinha com um apetite voraz, daqueles pós-orgásmicos, reveladores de cansaços bons. E apetecia-me comprar um batôn Lancôme. Lembrei-me até da Isabella Rossellini! Parece que o vermelho carregado é bom agoiro.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
febre de quinta-feira à noite

"The General-Inspector is a national institution. To place a purely literary valuation upon it and call it the greatest of Russian comedies would not convey the significance of its position either in Russian literature or in Russian life itself. There is no other single work in the modern literature of any language that carries with it the wealth of associations which the Inspector-General does to the educated Russian. The Germans have their Faust; but Faust is a tragedy with a cosmic philosophic theme. In England it takes nearly all that is implied in the comprehensive name of Shakespeare to give the same sense of bigness that a Russian gets from the mention of the Revizor"
Estai atentos. Qualquer similaridade com o real será aqui devidamente reportada.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
vindo de quem vem não admira
Não me perturba a falta de tacto diplomático de Berlusconi, muito menos me espanta. Acho até que o seu sentido prático pode ser muito útil aos italianos nesta altura difícil (a nós, Deus nos proteja, calhava-nos um ministro que, de momento, nem mãos tem para tanto magalhães). Não obstante, acho que lhe dava jeito um conselheiro que ajudasse a tornar mais oportuna a sua intervenção, se aliada aos recursos cintilantes de um discurso obamístico, por exemplo.
divina inspiração política
Disserta-lhe, verborreico Tavares, disserta-lhe, com arroubo e inebriante clamor!
Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono!
Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo...
Mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada…
E o ladrão, confuso, diz:
- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono!
Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo...
Mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada…
E o ladrão, confuso, diz:
- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?
(obrigada, Tânia Fadário, pela consideração à minha caixa do correio)
terça-feira, 7 de abril de 2009
e porque não há duas sem três
enquanto botava abaixo a açordinha, assistia fascinada ao programa Cuidado com a Língua!
Não tenho palavras para comentar tão preciosos quinze minutinhos. E também confesso algum receio de que me apareça aqui a Maria Flôr Pedroso, sentada no parapeito da janela, a dizer, com aquele ar entre o severo e o condescendente: "O que escreveste não está correcto".
Graças a Deus que hoje tenho dose dupla de Donas de Casa Desesperadas no cabo. Palavra de honra que há dias em que só preciso de um bocadinho de lixo comercial.
as notas soltas
Ontem à noite, enquanto cirandava nos meus rituais de início de serão, ia ouvindo as notícias na rtp1. Ainda me prostrei em frente à televisão, uma meia no pé e outro pé descalço, entre o despir e o tomar banho, em frente ao Fernando Mendes para ver se a mulher de ar acriançado e cabelo muito comprido acertava no preço da montra final, em euros, mas não, e não arranquei logo para a banheira porque as chamadas dos noticiários, tal como as gordas dos jornais, existem é para nos prender, e por ali fiquei mais um pouco, a baloiçar no sofá-baloiço, atenta aos desenvolvimentos sobre o sismo em Itália, por ser sismo e por ser em Itália, consciente de que o número avultado de mortos das guerras e das fomes não constitui chamada nem manchete, porque "estórias" dessas já não nos detêm de caminhar directamente para o duche. Depois o José Alberto Carvalho trouxe em directo de L'Aquila um estudante de erasmus e tentou, inutilmente, arrancar-lhe alguma coisa de novo e emocionante, e foi aí que me fiz à casa de banho. Preparei depois a minha açorda instantânea e, entretida na cozinha, por entre o cheiro dos coentros e as investidas do cão que queria festa, iam-me chegando da sala risadinhas cúmplices e infantis, e comentários sobre a primeira dama americana e as peripécias da sua vinda à Europa. Pensei para mim, "esta Judite de Sousa gosta mesmo deles carecas e roliços!"
segunda-feira, 6 de abril de 2009
chocostat
Não dou muita credibilidade às estatísticas. São uma espécie de astrologia disfarçada de matemática, manipuladoras e manipuláveis e a sua razão de ser tem muito mais a ver com influenciar do que com informar. Depois há a questão da forma como as estatísticas são apresentadas, que condiciona ainda mais a sua interpretação, de acordo com o efeito pretendido desse anúncio. Além disso, as estatísticas vêem as pessoas como números, o que demonstra uma grande falta de sensibilidade e permite a obtenção de alguns resultados idiotas que nos dizem, por exemplo, que em 100 portugueses 7,8 estão confiantes na economia mundial - muito embora isto também já implique uma mistura entre percentagens e números inteiros que não me cheira que devam andar de mãos dadas. Sou muito pouco dada a esta área.
Tudo isto porque ouvi hoje dizer que cada português consome, em média, quilo e meio de chocolate por ano. Isto andaria na ordem das quinze mil toneladas anuais? Qualquer coisa assim.
Não consegui evitar pensar que há por aí muita gente a servir de bode expiatório à gulodice alheia. Mas creio que me senti tomada pelo sentimento de culpa que m&m's e amêndoas de chocolate às sacadas me provocaram. É que, assim de repente, quilo e meio parece-me um número irrisório e a estatística nacional, assim apresentada, despenaliza o meu recorde pessoal de gula.
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um, é o vulgar Harry Osborn, vilão do Spiderman.