... assinala um marco de conquista: do direito a muitas coisas e do dever de tantas outras (ao compasso do relógio biológico e do peso da consciência).
terça-feira, 12 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
boas dicas
Pode ser coincidência e acho que isto vai virar uma moda generalizada e estúpida, como todas as modas, mas só dei ainda uma espreitadela ao i-online de hoje e já me conquistou, por alguns conteúdos e por uma diferente abordagem dos temas que apresenta.
Encontrei esta curiosité que me chamou logo a atenção. Muitos sabem o porquê do meu fascínio por estas descobertas do paraíso gastronómico e, ainda que o gourmet não seja necessariamente a minha fonte de inspiração culinária, é sempre lindo descobrir as inesgotáveis potencialidades da natureza e da imaginação humana.
negócio
Porque isto é, de facto, o que nos faz falta. Quer seja pela incapacidade de reconhecer nos homossexuais pessoas com os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão (que se cultiva desta forma com muito requinte), quer pela anedótica solução que parece apresentar para destruir os dogmas negativos da descriminação sexual, quer pela elitista proposta de facilitar a vida aos homossexuais abastados, as verdadeiras vítimas da descriminação e exclusão social.
Mas eu estou a ver a situação ao contrário. Espera-se sempre por notícias deste género que consistam em projectos ambiciosos, de cariz cívico e social irrepreensível, quando o que aqui se trata é de criar um negócio rentável que satisfaça os caprichos de uma minoria extravagante que, ao contrário da maioria gay enclausurada ou corajosamente assumida, quer apenas permanecer excluída da sociedade, no seu canto luxuoso e aristocrata.
Esta iniciativa não terá tanto a ver com homossexualidade mas antes com mais um protótipo de fosso social tão comum e muito conveniente para quem deseja morrer da mesma forma que sempre viveu: não ultrapassando as fronteiras de um mundo muito pequeno, concentrado no seu próprio umbigo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
relações
Passam os anos e as relações acumulam-se. Vamo-nos dando conta de que estamos mais velhos, mais experientes, melhor preparados e quase sempre mais enriquecidos, através dos laços desenvolvidos. Os amigos da rua, alguns dos quais mudam de casa muito cedo deixando apenas recordações muito ténues que se confundem com a imaginação, os colegas que aprendem connosco a escrever as primeiras palavras, os que se formam ao nosso lado e, claro, os colegas de trabalho. Há pessoas que guardamos a sete chaves, que podem até não ser aquelas que mais conviveram connosco, mas cuja relação foi marcante, por um motivo ou outro, e às vezes até são recordações inadvertidas, resultantes de experiências más, que não conseguimos apagar.
As pessoas ensinam-se mutuamente a agir e reagir. Tornamo-nos mais autênticos, construimos a nossa identidade com base naquilo com que nos identificamos. As 'gentes' são o reflexo mais próximo que temos das nossas próprias acções e, com sorte, é através uns dos outros que acabamos por rejeitar o que nos desagrada e aproveitar o que reconhecemos como sendo bom, que é como quem diz a não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam, por exemplo.
Isto obriga a que nos respeitemos, não a que tenhamos de gostar de toda a gente. Gente que gosta de toda a gente não existe e é patético tentarmos todos ser Medardos Bons* exactamente por não sermos metades, mas inteiros.
É por isso que, sem ressentimentos nem rancores, encolho os ombros à colega que, com voz afectada e melosa, de sorriso fácil e ternurento, se dirige a mim para me pedir os contactos telefónicos para um dia mais tarde, talvez... Sim talvez, respondo com um sorriso amarelo que não consigo disfarçar. Volta-me as costas e regressa ao lugar dela onde ficará por mais uns dias para depois se despedir sem que, estou segura, voltemos a cruzar-nos. Para que raio me interessa o contacto dela se sei que nada em si me aqueceu cá dentro? Aprendi, só. Foi uma relação de aprendizagem humana e não um laço afectivo consistente.
Por isso, muita sorte e tudo de bom no teu caminho que seguirá, certamente, coordenadas diferentes das minhas.
* já acabei de ler o Visconde
notícias da bola
Diz que ontem foi dia de competições europeias, coisa que (infelizmente) a mim me passa um pouco ao lado por motivos que muitos saberão serem óbvios. Na véspera também houve jogo, e já me fartei de ver aquele golo do Ronaldo - do tipo dos que parece não conseguir fazer pela selecção -, que foi um dos três que apurou os red devils para a final (ide, ide, que nós, pobres diabos - também vermelhos - portugueses ficamos a ver daqui).
Diz também que parece que ontem ao árbitro norueguês só faltavam cair-lhe notas do bolso (não fora o € e seriam pesetas, certamente) e que o Chelsea, com o embaixador português(?) Bosingwa ultrajado por tamanha roubalheira, não chegaria lá contra doze. Não sei, não vi e ao que parece também houve algum demérito dos ingleses.
O importante, todavia, é o nobre conteúdo do que se ouve e se lê, que, numa fase eliminatória importantíssima, consegue ser um pouco mais controlado e gerido pelo bom senso do que nas quezílias caseiras da nossa Ligazinha de vencedor(es) e perdedores anunciados. Ao Paulo Bento, nos sapatos do treinador Guus Hiddink, desenterrava-se-lhe o penteado do couro cabeludo, mas o treinador do Chelsea tem uma experiência e um savoir faire que fazem a diferença nestas situações.
O que vou tentar (porque só li as notícias) é ver a reportagem para poder pronunciar-me sobre os factos, mas sobretudo para ouvir o Bosingwa falar sobre isto. Ou falar apenas! Ouvir falar o Bosingwa é sempre um desafio e uma surpresa, quase como o ovo kinder: nunca se sabe o que sairá dali mas será certamente um quebra-cabeças que precisa de instruções!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
crónicas
Mais ou menos por acaso, passei também por aqui e, não fora o som de fundo das notícias da rfm, teria ouvido orquestras imensas, ribombando emocionantes e patrióticos hinos. É que nunca li nada da Inês Pedrosa que reflectisse tanta e tão profunda admiração como esta sua crónica sobre a cultura americana.
Também nunca tinha reparado antes em quaisquer anotações (aqui tão pouco subtis) sobre as "características" dos judeus e as condicionantes de ser-se branca e mulher, e todo o estatuto pseudo pop-art à volta de Obama - incluindo a sua exploração comercial tão semelhante à da nossa senhora de fátima - transformando tudo num emaranhado e forte motivo de apreciação pelo povo americano. É surpreendente e quase contagiante esta efusiva ode a um povo que anda pelos calcanhares da nossa História, mas que tem em Nova Iorque, pelas ruas de Manhattan, tudo o que se pode pedir de uma cidade.
Ah, esta bonita cultura americana, que enriquece connosco e que, em tempos de crise, sobrevive sempre, também graças a nós. Pensando bem, Inês Pedrosa tem razão. Este povo é, de facto, digno de bajulação, muito embora não seja difícil adivinhar que muito do seu optimismo provem da sua certeza de superioridade, certeza essa todos os dias reforçada pelo resto do mundo.
Gostava de ter pessoas inteligentes (talvez a própria Inês Pedrosa) a contribuir, de facto, para vivermos num país que merecesse, como alguns que se apresentam, uma realidade melhor.
quando ganhar é perder
É por coisas destas, nas quais ocasionalmente tropeço, que penso com preocupação no tortuoso caminho que o nosso mundo percorre.
E eu que pensava não existir pior departamento de Recursos Humanos do que aquele que eu dirijo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
cinema
um destes serões quentes, rumo a uma sala lisboeta, para me deixar levar pelas recordações deste conto...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
vasco granja (1925-2009)
Numa altura em que a sua presença era já tão longíqua que deixava melancólicas saudades, fica o adeus definitivo à voz amiga do grande teórico da animação, com quem, bem pequenina, aprendi algumas coisas.o h1n1 (que não é um índice económico)
Comecei por pensar que ter ido ao México logo nos primeiros dias do ano tinha sido uma sorte, mas pelo andar da carruagem não tardo a fazer parte da lista de personae non gratae aos ajuntamentos. E que jeito que dava agora uma quarentena para pôr em ordem alguns assuntos caseiros e refugiar-me no meu esterilizado portátil, intercalando com a tv e a pilha de livros, banalidades de naturezas diversas.
fados e guitarradas
Se é verdade que a primeira vez que ouvi a Mariza cantar foi num serão informal no já extinto Rock City, isso não invalida que me soe estranha a sua actuação no concerto de Lenny Kravitz em Portugal.
O facto da tournée do cantor em França contar com a participação de Chris Cornell, torna ainda mais enigmática a opção portuguesa.
Mas se calhar sou eu que não tenho abertura para estas coisas.
doze
Já recebi o Caetano nos braços, uns dias antes da data de fim de licitação... Obrigada, amiga de mon coeur! A ti, e aos bonitos momentos proporcionados no salão nobre pela gorda Yelga, hei-de prestar em breve as minhas singelas homenagens.
(para ver ou rever AQUI, sem prejuízo de outras presenças, como a 2ª circular que, diz quem sabe, estará em grande este ano. E eu, com alguma parcialidade, nem questiono!)
quinta-feira, 30 de abril de 2009
bom como o milho
Faz-me espécie aquelas pessoas tacanhas e cheias de veneno que têm no abrigo do anonimato cobarde da blogosfera um escudo para exprimir livremente o seu rancor existencial, ou porque Deus os presenteou com uma verruga colada à narina, ou porque não sabem fazer nada de útil com o pouco talento que lhes assiste.
Não tenho desses problemas. Sou arraia miúda neste meio e ninguém tem interesse em vir desancar-me com comentários desagradáveis à parcimónia dos meus escritos. Contudo, também não valia a pena porque claro está que se isso acontecesse, eu filtrava os ditos cujos e reservava-lhes o direito a publicação que nessas coisas não vou em democracias: só cá debica quem eu deixo.
Depois há blogues que são verdadeiras seitas e muito facilmente conseguiriam movimentar um número recorde de massas a concretizar qualquer coisa de útil. Ou apenas qualquer coisa. Podem não ser mais do que números enormes, grotescos, de opiniões viscosas de clones que aplaudem um traque do líder com o mesmo entusiasmo que lhe gabam a escolha do perfume.
Conheci há tempos este espaço admirável, que combina calhandrice cor-de-rosa com exemplos práticos de como se ser bajulador até à quinta casa. Não sei o que é mais digno de interesse: se o pastor, se as ovelhas.
Que foi?clarice lispector
Este mês de Abril até agonia. Só a vegetação sazonal, que insiste em contrariar este ambiente invernoso, com tulipas e camomila, ou as andorinhas e outros passarocos da estação, que encontro a cantar onde menos espero, me convencem de que é de facto chegada a primavera.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
rua sem saída
Sou muito melhor do que esta rua sem saída. Vejo-me uma avenida larga, com espaço para respirar, onde circula gente bonita e também há, a espaços, aquele sossego quebrado por chilreios. Mas sinto-me um beco sujo de lixos que outros vão deixando. Vejo-me com árvores e calçada, passeios largos com arbustros recortados de relvados urbanos, construções antigas, robustas e recuperadas do seu passado arquitectónico, livrarias, muitas. Sou uma fraude da avenida da liberdade. Uma espécie de rua da rosa, ao acordar de uma madrugada povoada.
Estou farta de gente estúpida e do cheiro vomitado que dela se desprende.
terça-feira, 28 de abril de 2009
o elefante polémico
Estou extenuada. Só me apetece marchar daqui para casa com fé de a encontrar silenciosa e saber o cão aliviado de chichis e cócós e, já agora, perdoa-me querido, contigo já ausente para a tua 'peladinha'. Trabalhei por dez ou vinte e ajudar, ajudar nem a Primavera, nem o primaver@. Adiante. Ainda por aqui passei muito a custo para deixar uma nota importante, numa altura em que poucos bloguistas se compadecem do sr. Fernando Fernandes que, para além do infortúnio com um nome que os pais hão-de ter achado engraçadinho, vê-se a braços com uma crucificação intelectual cerradíssima. Deixai-o estar, peço-vos eu. Afinal, também para estas liberdades serviu o 25 de Abril, há tão pouco tempo comemorado por entre cravos e brados. Deixai que a auto-censura colha os seus próprios frutos, se assim tiver de ser. De toda a maneira, não creio que o episódio sirva de publicidade negativa para quem é fiel ao elefante.
Para mais, o grave na organização do Auchan está longe do seu bom julgamento literário (estamos a falar de escaparates de Susanna Tamaro e Nicholas Sparks). O que é feio, mas feio, é a forma como misturam a secção de pronto-a-vestir pelo meio dos legumes e dos detergentes. O Jumbo nunca foi um espaço agradável.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Anos depois
Fernanda Torres "A Casa dos Budas Ditosos", de Ubaldo Ribeiro
Com a polémica reinstalada, mais ainda do que a vontade de ler o livro (que não li), apetecia-me ouvir o monólogo.
(quem tiver vontade de litigar esta obra para o meu aniversário também será muito agraciado. Ou isto ou aqueles adidas encarnados bem giros que eu conheci em santo tirso. mas isto é melhor. e mais barato.)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
a professora do charlie brown
No outro dia ele disse-me que eu às vezes soava-lhe exactamente como a professora do charlie brown.
Foi deveras ofensivo!
Mas também foi provavelmente a coisa mais engraçada, agora que penso nisso.
E não constituiu novidade.
Ambos sabemos quem é o adulto e quem é a criança nesta relação.
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