segunda-feira, 13 de julho de 2009

desabafo inconsequente

Costumo acompanhar com regularidade uns poucos blogues aos quais deito a mão. Alguns deles importei-os para a coluna da direita, que não tem muito mais serventia do que acumular estas referências; outros são blogues que descubro, por via de terceiros ou acidentalmente, como resultado de alguma busca cibernáutica. Já tenho descoberto coisas interessantes e outras pavorosas. Às vezes revolta-me a quantidade de disparates que leio (e os erros crassos!) mas acabo por controlar-me porque, como dizia o outro, o ar é de todos. Aguenta-te.
Mas há uma coisa que me chateia mesmo nestes laços que se criam entre pessoas que, anonimamente se fruem e descobrem inclusive identificar-se bastante com sei lá quem. Porque o que acontece com frequência é, a qualquer momento, levarmos com uma posta daquelas bem dadas, que não tem a ver com nada e nos faz pensar que, se calhar, a tal pessoa, anónima e ainda bem, é um caso de bipolaridade que nos ceifa de improviso com convicções disparatadas. É como assinar uma revista de moda e, sem aviso, a determinada altura, recebermos um catálogo de desportos motorizados. A diferença aqui é que a 'assinatura' é à borla.
Assim, não me alongando muito mais, pela primeira vez apaguei um blogue da coluna da direita por me sentir defraudada. É que pior do que gente que só escreve tretas, é aquela pessoa muito assertiva e bem formada, que tem surtos de patetice e vulgaridade.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

bufona

Há sempre qualquer coisa que mudaríamos em nós, normalmente até mais do que uma, mas que sabemos jamais conseguir. Faz parte de nós, não é uma teima passageira ou uma aresta que se lime. O pior é quando nos damos conta que alguém nos irrita imenso por aquela sua característica tão particular, para concluirmos depois que é algo de que também padecemos. Pensamos então, será possível que eu inspire tamanha irritação nos outros quanto este gajo me inspira a mim com este tique desprezível? E provavelmente a resposta é afirmativa. Credo!
Eu, por exemplo, sou uma bufona. Gosto de bufar. Quer dizer, não gosto, mas preciso. Quando me irritam, quando estou em stress, só porque sim. Às vezes até solto aquele suspiro prolongado, tão característico das pessoas mais velhas, quando se sentam pesadamente no cadeirão da sala, para uma matiné de tédio.
Sempre soube que era bufona, acho que sempre fui. Mas é chato dar-me conta de repente que esta minha característica pode custar-me o ódio miudinho dos outros, que têm de levar com o meu bufanço. Só a palavra em si é medonha, mas caracteriza muito bem o acto. É chato ouvir alguém bufar, como se estivesse sempre sem paciência, sempre a carregar um fardo demasiado pesado.
Era o que mudava, se pudesse, nas coisas-impossíveis-de-mudar. Mas como não tenho muitas esperanças, rogo a todos os que me rodeiam que me perdoem quando bufo (credo!).
Para aqueles que nunca me ouviram bufar: são uns sortudos! E certamente, não me conhecem lá muito bem.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

JM homenageia MJ



Como tenho mais que fazer, não estive refastelada a assistir à cerimónia, mas cheguei a tempo de ver isto. É bonito.

terça-feira, 7 de julho de 2009

os fenómenos

É o assunto do dia, da hora, do momento. É um fenómeno, potencialmente criticável, porventura agigantado por uma cobertura mediática desproporcional e pela euforia das massas, mas não deixa de ser um fenómeno. E eu gosto de pensar sobre os fenómenos.
Por exemplo, se é certo que já não posso ouvir os anúncios do BES, orgulhosa instituição bancária que detém muito provavelmente a publicidade mais compensatória da classe, e se já reviro os olhos à bajulação permanente e desmedida em torno do agora CR9, também é um facto que tenho de reconhecer no prodígio um grande mérito e uma astúcia empresarial e profissional que temia que ele não dominasse (a verdade é que não o tenho em grande consideração como miúdo-homem: estou certa que se não fossem os milhões e o meio social metro-trendy que o envolveu em Inglaterra, bem como - obviamente - o talento inato para a bola que o levou até lá, seria um espécimen de saloio com acne, possivelmente analfabeto).
Assim, gosto de olhar para o Ronaldo como um "fenómeno", um objecto de estudo social, e não certamente como sex-symbol (que não é) nem tão pouco como o jogador de futebol exemplar, pois mesmo aí considero que lhe está em falta um patamar, porventura de maturidade, que lhe daria o tal estatuto pleno. Também não será o meu embaixador de eleição mas suponho que se justifique o orgulho massivo nacional, particularmente insular.
No resto, e quando comparo as suas excêntricas e por vezes abusivas fintas aos fabulosos movimentos de outro fenómeno já extinto, reconheço-lhe a inimitabilidade e o fascínio. Basta recordar o moonwalk para admitir, sem reservas, que não sendo o sex-symbol, o homem, ou o profissional de eleição, há em alguns fenómenos a personalidade d' O Artista.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

tranquilidade

A única coisa que continua agora a crescer independente da minha vontade (mas que aprecio com sorrisos lamechas) é mesmo a barriguinha.
As apreensões continuam porque fazem parte, mas receber boas notícias é sempre apaziguador.
Que será, será... whatever will be, will be...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

monólogos

Esta apreensão nunca passa. Não há optimismo que a disfarce, nem descontração que a neutralize. É maior que aquilo que se consegue controlar através do auto-domínio e cresce independente da nossa vontade. Não há oração que lhe valha, apenas, quando muito, alguma fé que reconforte. Não há uma acção pensada, nem um esforço que, se levado a cabo, possa evitar o que se receia e não se sabe. Impotentemente não se sabe.
Há esperança. Esperança, por si só, sem mais nada, sem garantias nem certezas, não é quase nada, sabe a pouco.
Mas é o que há: a Esperança, o que nos pode iludir enquanto esperamos... enquanto esperamos que a ilusão que reside nessa esperança se transforme em realidade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Michael Jackson Tributes

Não diria melhor.

Artéria Umbilical Única

Porque tenho de ser sempre especial, preocupada e esclarecida (mesmo quando preferia que assim não fosse).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

nota:

A Galp sobe os preços dos combustíveis (com a concorrência logo atrás por escassas fracções de cêntimo) com uma frequência e naturalidade quase fisiológicas, como respirar ou piscar os olhos. Nós vivemos esta oscilação enviesada e tendenciosa com a complacência habitual.
A mim, parece-me que a crise económica tem as costas largas.

La Roux - In For The Kill



O vídeo oficial não estava disponível, o que, cá entre nós, também não deixa pena.

letrinhas? só para a canja...

Olho aqui para o escaparate do lado direito e só me apetece acrescentar "à cabeceira? À cabeceira tenho muito mais que isto!"
É que a pilha já é tão grande, com um recente canhenho do Jamie Oliver a dar-lhe mais 5 centímetros, que desconfio ser esse exagero cumulativo o motivo do meu fastio pelas letras. É que não me apetece nada.
Ontem levei o Caetano debaixo do braço para uma incursão de reconhecimento no metro até ao Saldanha, mas a meio da linha azul já ia muito mais interessada em redescobrir o fascínio da viagem subterrânea do que nas considerações sobre o admirável Chico Buarque.
Estou a caminhar a passos largos para a estupidez.

terça-feira, 23 de junho de 2009

terça à tarde reza assim II

E não é que a Rosa-Papoila-Bruxa-Louca poupou quilos de latim a dizer aproximadamente o mesmo que eu? E logo no Domingo à tarde! Bem falta me faziam essas sábias palavras à hora em que as postaste, bruxa malvada e sapiente.

Em relação aos Loureiros e às suas cantigas, reitero todos os meus sentimentos anteriormente manifestados.

terça à tarde reza assim...

Como dizê-lo? Não é que me aborreça, mas afecta-me; também não me tira o sono, mas retarda-o ligeiramente, enquanto me deixa a remoer brandamente. Faz-me debater sobre a sua pertinência, e tenho a certeza que aqui as opiniões se dividem. Pois claro que há quem pense que sim, senhor, é lícito, é legítimo! e há quem encolha os ombros a estes disparates.
(suspiro)
Sei que metade de mim tem a argúcia para apanhar do ar as feromonas e outras hormonas que se libertam dos seres quando determinadas situações ocorrem. E sei que a outra metade tem tendência para inflamar coisas de nada. Da primeira, sinto um grande orgulho. A segunda é basicamente inútil: um volumoso saco de bolas de esferovite a ocupar-me um lote de cérebro que poderia ser muito melhor rentabilizado para outros fins. E se a primeira às vezes me custa dissabores, a segunda é um gigantesco ponto de interrogação.
(longo suspiro)

E agora que tento traduzir o que quer que seja em palavras, na vã tentativa de aliviar o meu perturbado adormecer, só consigo pensar numa coisa, obcecadamente: que gosto ainda menos do João Loureiro do que do seu pai e que a grande vergonha nacional deveria ser o facto de alguma vez os Ban terem sido considerados uma banda musical portuguesa, por tantos motivos que não saberia por onde começar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

toda a diferença




É frágil, muito frágil, aquilo de que somos feitos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

bola de espelhos

É para muitos impensável que carcacinhas velhas como a "Should have known better", do Jim Diamond ou a "We've got tonight", do Bob Seger (ainda) me comovam. Mas é verdade. Ainda insisto em cantarolá-las com deleite quando as oiço nas resistentes frequências fm que (ainda) se dedicam a estas velharias. E tento, com alguma dificuldade, não passar indiferente a grande parte dos novos êxitos, mas não consegui (ainda) o desmame com o (ultra)passado.
Este ainda constante deixa-me sempre a sensação de que me falta um bocadinho assim para atingir o próximo patamar da evolução da espécie (o que na casa dos trinta se revela já mais complicado).

(Olha, está a passar agora Century! Why, lover why? Why do flowers die?)

Não tenho remédio.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

the big picture

A alternativa do Benfica aos bichinhos, às larvas que o minam, às térmitas que lhe tentam corroer o betão inexpressivo que a tantos fere a vista, é um mergulho no pântano lamacento dos crocodilos que se avizinham. A coisa não está nada fácil. Depois há o Cissokho, que parece já não valer tanto dinheiro porque o seguro de saúde do Porto negligenciou-lhe o tratamento do esmalte (ou foi o próprio que não comeu relva suficiente), e agora os italianos torcem o nariz. Há também o caso do Peseiro, que se anda a esticar nos resultados à frente de outra selecção, o que deixa o Queirós ainda mais mal visto e de reputação ameaçada.
Há outros casos, como o da Ana Rita, a mãe do Martim, que não sabe bem se continua ou não a greve de fome à porta do Tribunal de Cascais (vai saber com a advogada, mas esteve vai não vai para perguntar à Rita Marrafa de Carvalho o que havia de fazer); há a situação do vice-ministro do Negócios Estrangeiros iraniano, que insiste na nobre convicção de um país fortemente democrático e desafia a que se apontem nomes dos detidos pelo regime (quem não sabe é como quem não vê), e outras coisas menores do mundo da política e da economia do país (nada que nos diga grande coisa).
É com isto que me deparo se atento um pouco mais nas notícias à hora do almoço.
Às vezes fico grata por não ter tempo para estas coisas.
E o calor que fez na semana antes de ir de férias? E o calor que faz agora?
Onde estavam nas duas últimas semanas?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Comi sardinha um pouco por todo o lado, de Portimão à Ericeira, passando até pelo Alentejo profundo e pouco dado a tal hábito. Acabei, afinal, por não ir à Bica. Estou fatigadíssima, que é uma forma de estar cansada ainda mais superlativa que a tradicional fadiga. Fica encontro marcado com o S. Pedro, que, embora local, não é o padroeiro do meu feriado (este ano com pena minha). Adivinha-se um pouco mais de canseira e, claro, mais umas quantas sardinhas, que têm ómega, que é bem melhor do que tudo o que a entremeada possa oferecer (agora ando nesta obsessão rigorosa em torno de quantidades extra de certos ácidos, ferro e magnésio).
Estou de volta. Cansada até dizer chega.

terça-feira, 2 de junho de 2009

kit-kat (que é também o meu preferido)

Deixem-se ficar. Nós vamo-nos retirar para trocar uns dedos de conversa (e de mimos).
Até já.

o amor puro

A triste verdade é que gostaria de me sentir mais augada por sardinhas assadas e caracóis do que na realidade me sinto. Apetece-me que me apeteça. E o apetecer até está lá, obscurecido pela náusea de um certo estado de graça. Falta-me a parte melhor do petisco de Verão: a boca a salivar de gula.
Antes assim continue. Diz que é bom sinal.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

eles estão aí...

cit. "A sardinha está na brasa
Prontinha para assar,
Eu do frango quero a asa,
Para comer, não para voar"

E eu com eles.
Na Bica.