
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
liderança
O Sporting já foi elite, ameaça, rival, campeão, promessa. Mas nunca, como hoje, inspirou tanta compaixão.
ser feliz
Há um refúgio paradisíaco, numa milha perdida da nossa costa, onde a areia é mais clara e fina, e o mar é um aquário de corais, lentamente agitado por brisas mornas. O sol é mais brando mas nunca se esconde, e há folhagens verdes a meia dúzia de passos, que abrigam sonos de estio. Esse refúgio é concessionado por uma governanta de avental branco, que serve bolos quentes, caracóis e frescos numa esplanada que não ostenta cinzeiros com pontas de cigarro. Nas redondezas, quando o sol desaparece, surge recortada no céu rosado uma aldeia a lembrar o interior mais recôndito, com os seus abrigos frescos de onde, depois do calor, começam a brotar gentes hospitaleiras. Há uma foz calma que desagua no mar e onde se apanha, ao final da tarde, conquilha abundante. À noite, mistos de grelhados e aromas frutados confundem-se. São verdes e vermelhos avinagrados e doces de mel. Há cafés onde se trocam dedos de conversa e se misturam pessoas de casa e de fora, e há nesses cafés os chupa-chupas espalmados, forrados de plástico transparente, que já não se vendem em lado nenhum. As casas de comércio, quase todas, imortalizam religiosamente ícones do passado: caiam-se as paredes mas o logo do gás mobil permanece imaculado. As jornadas começam cedo, com o sol tímido a prometer dias bonitos, e há cheiro de cevada, pão fresco e hortaliças viçosas. Há mercado com pescados ainda vivos.
Repete-se um ciclo quotidiano e tranquilo.
Que saudades.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
palavras ainda mais sábias
É sempre bom saber que não somos os únicos a esboçar um sorriso irónico face à dura realidade.
(É o post ideal para uma segunda-feira de manhã; a próxima, que dá início a uma semana de calor... e de trabalho!)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
palavras sábias
O coração não tem sexo.
Tão apaziguador. Precisava de ouvir isto, para desviar ainda mais a minha atenção dos pormenores - mesmo que vindo de um doutor um bocado jarreta, demasiado perto da reforma e algo descontente com o seu insuficiente periodo de férias.
Cada vez mais concentrada na importância do perfeito tic-tac visceral desta criaturinha!
Faltava isto e o chapéu de palha.
Já está!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
clubeFashion
Por estas e por outras é que não gosto de elites, nem de fellowships e não costumo ser membro de coisíssima nenhuma.
Não é que estou há um mês à espera de umas sabrinas, disponíveis com super desconto (ou não fosse eu sócia distinta do clube) e, obviamente, pagas desde então? E, não bastasse a espera pelo artigo, nem uma nem duas do outro lado.
Uma semana depois do primeiro e-mail a questionar os senhores (hello, não se terão esquecido de nada?), eis que chega a elucidativa resposta de que realmente a coisa está pendente, aparentemente por falta de pagamento mas que, em princípio (!), se irá resolver agora que o meu e-mail (de há uma semana atrás) foi encaminhado para alguém que imagino seja imensamente competente. Caso contrário entrarão em contacto (para me pedir mais dinheiro?).
Eu sei, há no mundo problemas bem mais graves.
Mas eu lido muito mal com incompetência e mau serviço público.
E era porreiro receber as sabrinas antes de vê-las na loja com o mesmo desconto e, preferencialmente, antes do Inverno.
coisas
Continuo sem perceber a fixação generalizada em imiscuir no cinema a temática dos dinossauros. Felizmente foram incapazes de estragar a toada brilhante da Idade do Gelo, mas passava-se bem só com a bicharada miúda.
Chateia-me isso. Isso e a Laurinda Alves com as suas crónicas insípidas.
Não fosse isto, e não teria mesmo nada para escrever.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
feliz caos
O termo pode mesmo ter uma conotação negativa. Tudo na vida é uma questão de perspectiva...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
'festas da gripe'
Por enquanto Portugal ainda está na cauda da Europa no que respeita a estas rambóias. Eu digo que a culpa é dos festivais de Verão.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
circular #2
Sou uma pessoa de brandos costumes, sem o fogo nas ventas que às vezes tanta falta me fazia para dizer umas e outras, sem o pinguinho de mau feitio essencial para uma vida sã e livre de úlceras, o que não significa que não me aflija com as alarvidades que se fazem e dizem.
E pelo amor de Deus, estou num estado delicado, portanto poupem-me as graçolas inoportunas, os disparates na estrada, as respostas mal educadas, os telefonemas a meio do merecido serão no sofá, os cestos de roupa para passar, o ter de passear o cão sonâmbula, a chuva e o frio em fim de Julho (!) e, muita atenção ao last but not least, porque este é mesmo o mais importante, poupem-me todos e quaisquer misticismos, mezinhas, ditos, crenças ou agoiros relacionados com potenciais problemas para a minha barriga, a minha semente ou o fruto que dela brotar, principalmente se baseados em coisas que não fazem qualquer sentido.
A sério. Não há pachorra.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
propaganda
Estou-me nas tintas para a defesa demagógica das minorias étnicas, para os imigrantes ilegais, para os desempregados sem direito a subsídio e para os direitos dos homossexuais (principalmente quando já não são minorias e, em muitos casos, não mexem uma palha para mudar a sua sorte).
Mas não deviam tentar manipular-me com uma fotografia de um senhor que é a cara chapadinha do meu rico pai, muito menos para apelar à minha profunda sensibilidade por aqueles que, como ele, se esfalfaram toda a vida a trabalhar (bem mais que quarenta anos) para não poderem gozar de uma velhice tranquila.
É perturbador, mas inútil. Continuam sem o meu voto.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
continuação (sem ilustrações)
O post anterior é fraquinho, vá. Não é a isto que gosto de dedicar o meu tempo até porque normalmente é o tipo de informação que não procuro e que me cai no colo, assim tipo, a ouvir rádio de manhã, a caminho do trabalho (como a notícia de que a LaToya sabe que o irmão foi assassinado e por quem, que é a primeira coisa que oiço quando finalmente ao fim do dia me sento no sofá e prescindo do Family Guy para atentar um pouco na natureza informativa dos noticiários... foda-se!), mas há coisas que têm de ser referenciadas. Por exemplo, este caso. É óbvio que a minha posta está carregada de ironia, com as duas fotografias parolas e aquela frase subtil, mas isto tinha de ser referenciado para, daqui por um (muito pouco) tempo, eu poder dizer: eu avisei, eles é que não perceberam a dica. O triste são estas mães, mas o que fazer? Até a minha, coitadinha, se me visse a fazer certos brilharetes patéticos batia palmas de orgulho. Ou então não. Ela cortou-me logo as pernas aos dois anos quando comecei a exigir rebuçados em troca do refrão das Doce. Precoce? A Flor? Eu ainda nem tinha maminhas, quanto mais saber o que era silicone!
Maneiras que é isto.
Ah, e convite duplo para a ante-estreia do Harry Potter, hoje à noite, no Fórum Lisboa? Aquele filme que eu quero ir ver para depois poder dizer que o livro é muito mais giro, e para o qual ganhei entradas por responder que Tom Riddle era o verdadeiro nome do Lord Voldemort, mas que não vou ver porque ando com umas contracções estranhas - acho que se chamam Braxton Hicks e diz que não tem mal - e também por problemas logísticos de acesso ao Chiado a partir daqui do subúrbio depressivo em que estou enfiada o dia todo, que me impossibilitam de ir levantar os ditos (convites)? Heim? Alguém quer?
Então boas noites. Vou indo.
terça-feira, 14 de julho de 2009
na sequência da circular...
Mesmo assim estou feliz, caramba. E tenho uma barriga gira - em sentido oposto à que sempre ambicionei....
circular #1
É oficial. Detesto o meu trabalho e tudo o que ele representa. Incluem-se (para além das tarefas óbvias que nele estão implícitas):
- o percurso de ida e volta, com as suas obras, cortes de estradas e desvios ad eternum, com os seus camiões-cisterna e outros pesados de carga a projectar calhaus de lama seca que acumulam nos pneus, com os sucessivos stands de automóveis, armazéns de mobiliário e comércio de pedra à beira da estrada;
- os colegas, tão próximos fisicamente, mas a quem não apetece contar aquela aventura espectacular de fim-de-semana ou a mais recente frustração, por mais que os meses de convívio se acumulem;
- a paisagem natural, demasiado serena e vazia, que se tem de todas as janelas de um escritório que tem, visto de fora, o aspecto de um centro de Inspecções Periódicas Obrigatórias.
Detesto o lugar garantido que tenho sempre para o carro, o insatisfatório ordenado certo ao final do mês (que sou eu a processar, o que lhe retira o gozo de ser algo que nos dão) e o lance de escada que subo todas as manhãs sempre com o mesmo pensamento.
Detesto pensar que não devo aspirar a mais neste momento por cautela, pela tranquilidade que a certeza das coisas nos dá.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
desabafo inconsequente
Costumo acompanhar com regularidade uns poucos blogues aos quais deito a mão. Alguns deles importei-os para a coluna da direita, que não tem muito mais serventia do que acumular estas referências; outros são blogues que descubro, por via de terceiros ou acidentalmente, como resultado de alguma busca cibernáutica. Já tenho descoberto coisas interessantes e outras pavorosas. Às vezes revolta-me a quantidade de disparates que leio (e os erros crassos!) mas acabo por controlar-me porque, como dizia o outro, o ar é de todos. Aguenta-te.
Mas há uma coisa que me chateia mesmo nestes laços que se criam entre pessoas que, anonimamente se fruem e descobrem inclusive identificar-se bastante com sei lá quem. Porque o que acontece com frequência é, a qualquer momento, levarmos com uma posta daquelas bem dadas, que não tem a ver com nada e nos faz pensar que, se calhar, a tal pessoa, anónima e ainda bem, é um caso de bipolaridade que nos ceifa de improviso com convicções disparatadas. É como assinar uma revista de moda e, sem aviso, a determinada altura, recebermos um catálogo de desportos motorizados. A diferença aqui é que a 'assinatura' é à borla.
Assim, não me alongando muito mais, pela primeira vez apaguei um blogue da coluna da direita por me sentir defraudada. É que pior do que gente que só escreve tretas, é aquela pessoa muito assertiva e bem formada, que tem surtos de patetice e vulgaridade.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
bufona
Há sempre qualquer coisa que mudaríamos em nós, normalmente até mais do que uma, mas que sabemos jamais conseguir. Faz parte de nós, não é uma teima passageira ou uma aresta que se lime. O pior é quando nos damos conta que alguém nos irrita imenso por aquela sua característica tão particular, para concluirmos depois que é algo de que também padecemos. Pensamos então, será possível que eu inspire tamanha irritação nos outros quanto este gajo me inspira a mim com este tique desprezível? E provavelmente a resposta é afirmativa. Credo!
Eu, por exemplo, sou uma bufona. Gosto de bufar. Quer dizer, não gosto, mas preciso. Quando me irritam, quando estou em stress, só porque sim. Às vezes até solto aquele suspiro prolongado, tão característico das pessoas mais velhas, quando se sentam pesadamente no cadeirão da sala, para uma matiné de tédio.
Sempre soube que era bufona, acho que sempre fui. Mas é chato dar-me conta de repente que esta minha característica pode custar-me o ódio miudinho dos outros, que têm de levar com o meu bufanço. Só a palavra em si é medonha, mas caracteriza muito bem o acto. É chato ouvir alguém bufar, como se estivesse sempre sem paciência, sempre a carregar um fardo demasiado pesado.
Era o que mudava, se pudesse, nas coisas-impossíveis-de-mudar. Mas como não tenho muitas esperanças, rogo a todos os que me rodeiam que me perdoem quando bufo (credo!).
Para aqueles que nunca me ouviram bufar: são uns sortudos! E certamente, não me conhecem lá muito bem.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
JM homenageia MJ
Como tenho mais que fazer, não estive refastelada a assistir à cerimónia, mas cheguei a tempo de ver isto. É bonito.
terça-feira, 7 de julho de 2009
os fenómenos
É o assunto do dia, da hora, do momento. É um fenómeno, potencialmente criticável, porventura agigantado por uma cobertura mediática desproporcional e pela euforia das massas, mas não deixa de ser um fenómeno. E eu gosto de pensar sobre os fenómenos.
Por exemplo, se é certo que já não posso ouvir os anúncios do BES, orgulhosa instituição bancária que detém muito provavelmente a publicidade mais compensatória da classe, e se já reviro os olhos à bajulação permanente e desmedida em torno do agora CR9, também é um facto que tenho de reconhecer no prodígio um grande mérito e uma astúcia empresarial e profissional que temia que ele não dominasse (a verdade é que não o tenho em grande consideração como miúdo-homem: estou certa que se não fossem os milhões e o meio social metro-trendy que o envolveu em Inglaterra, bem como - obviamente - o talento inato para a bola que o levou até lá, seria um espécimen de saloio com acne, possivelmente analfabeto).
Assim, gosto de olhar para o Ronaldo como um "fenómeno", um objecto de estudo social, e não certamente como sex-symbol (que não é) nem tão pouco como o jogador de futebol exemplar, pois mesmo aí considero que lhe está em falta um patamar, porventura de maturidade, que lhe daria o tal estatuto pleno. Também não será o meu embaixador de eleição mas suponho que se justifique o orgulho massivo nacional, particularmente insular.
No resto, e quando comparo as suas excêntricas e por vezes abusivas fintas aos fabulosos movimentos de outro fenómeno já extinto, reconheço-lhe a inimitabilidade e o fascínio. Basta recordar o moonwalk para admitir, sem reservas, que não sendo o sex-symbol, o homem, ou o profissional de eleição, há em alguns fenómenos a personalidade d' O Artista.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
tranquilidade
A única coisa que continua agora a crescer independente da minha vontade (mas que aprecio com sorrisos lamechas) é mesmo a barriguinha.
As apreensões continuam porque fazem parte, mas receber boas notícias é sempre apaziguador.
Que será, será... whatever will be, will be...
quinta-feira, 2 de julho de 2009
monólogos
Esta apreensão nunca passa. Não há optimismo que a disfarce, nem descontração que a neutralize. É maior que aquilo que se consegue controlar através do auto-domínio e cresce independente da nossa vontade. Não há oração que lhe valha, apenas, quando muito, alguma fé que reconforte. Não há uma acção pensada, nem um esforço que, se levado a cabo, possa evitar o que se receia e não se sabe. Impotentemente não se sabe.
Há esperança. Esperança, por si só, sem mais nada, sem garantias nem certezas, não é quase nada, sabe a pouco.
Mas é o que há: a Esperança, o que nos pode iludir enquanto esperamos... enquanto esperamos que a ilusão que reside nessa esperança se transforme em realidade.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Artéria Umbilical Única
Porque tenho de ser sempre especial, preocupada e esclarecida (mesmo quando preferia que assim não fosse).
quinta-feira, 25 de junho de 2009
nota:
A Galp sobe os preços dos combustíveis (com a concorrência logo atrás por escassas fracções de cêntimo) com uma frequência e naturalidade quase fisiológicas, como respirar ou piscar os olhos. Nós vivemos esta oscilação enviesada e tendenciosa com a complacência habitual.
A mim, parece-me que a crise económica tem as costas largas.
La Roux - In For The Kill
O vídeo oficial não estava disponível, o que, cá entre nós, também não deixa pena.
letrinhas? só para a canja...
Olho aqui para o escaparate do lado direito e só me apetece acrescentar "à cabeceira? À cabeceira tenho muito mais que isto!"
É que a pilha já é tão grande, com um recente canhenho do Jamie Oliver a dar-lhe mais 5 centímetros, que desconfio ser esse exagero cumulativo o motivo do meu fastio pelas letras. É que não me apetece nada.
Ontem levei o Caetano debaixo do braço para uma incursão de reconhecimento no metro até ao Saldanha, mas a meio da linha azul já ia muito mais interessada em redescobrir o fascínio da viagem subterrânea do que nas considerações sobre o admirável Chico Buarque.
Estou a caminhar a passos largos para a estupidez.
terça-feira, 23 de junho de 2009
terça à tarde reza assim II
E não é que a Rosa-Papoila-Bruxa-Louca poupou quilos de latim a dizer aproximadamente o mesmo que eu? E logo no Domingo à tarde! Bem falta me faziam essas sábias palavras à hora em que as postaste, bruxa malvada e sapiente.
Em relação aos Loureiros e às suas cantigas, reitero todos os meus sentimentos anteriormente manifestados.
terça à tarde reza assim...
Como dizê-lo? Não é que me aborreça, mas afecta-me; também não me tira o sono, mas retarda-o ligeiramente, enquanto me deixa a remoer brandamente. Faz-me debater sobre a sua pertinência, e tenho a certeza que aqui as opiniões se dividem. Pois claro que há quem pense que sim, senhor, é lícito, é legítimo! e há quem encolha os ombros a estes disparates.
(suspiro)
Sei que metade de mim tem a argúcia para apanhar do ar as feromonas e outras hormonas que se libertam dos seres quando determinadas situações ocorrem. E sei que a outra metade tem tendência para inflamar coisas de nada. Da primeira, sinto um grande orgulho. A segunda é basicamente inútil: um volumoso saco de bolas de esferovite a ocupar-me um lote de cérebro que poderia ser muito melhor rentabilizado para outros fins. E se a primeira às vezes me custa dissabores, a segunda é um gigantesco ponto de interrogação.
(longo suspiro)
E agora que tento traduzir o que quer que seja em palavras, na vã tentativa de aliviar o meu perturbado adormecer, só consigo pensar numa coisa, obcecadamente: que gosto ainda menos do João Loureiro do que do seu pai e que a grande vergonha nacional deveria ser o facto de alguma vez os Ban terem sido considerados uma banda musical portuguesa, por tantos motivos que não saberia por onde começar.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
bola de espelhos
É para muitos impensável que carcacinhas velhas como a "Should have known better", do Jim Diamond ou a "We've got tonight", do Bob Seger (ainda) me comovam. Mas é verdade. Ainda insisto em cantarolá-las com deleite quando as oiço nas resistentes frequências fm que (ainda) se dedicam a estas velharias. E tento, com alguma dificuldade, não passar indiferente a grande parte dos novos êxitos, mas não consegui (ainda) o desmame com o (ultra)passado.
Este ainda constante deixa-me sempre a sensação de que me falta um bocadinho assim para atingir o próximo patamar da evolução da espécie (o que na casa dos trinta se revela já mais complicado).
(Olha, está a passar agora Century! Why, lover why? Why do flowers die?)
Não tenho remédio.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
the big picture
A alternativa do Benfica aos bichinhos, às larvas que o minam, às térmitas que lhe tentam corroer o betão inexpressivo que a tantos fere a vista, é um mergulho no pântano lamacento dos crocodilos que se avizinham. A coisa não está nada fácil. Depois há o Cissokho, que parece já não valer tanto dinheiro porque o seguro de saúde do Porto negligenciou-lhe o tratamento do esmalte (ou foi o próprio que não comeu relva suficiente), e agora os italianos torcem o nariz. Há também o caso do Peseiro, que se anda a esticar nos resultados à frente de outra selecção, o que deixa o Queirós ainda mais mal visto e de reputação ameaçada.
Há outros casos, como o da Ana Rita, a mãe do Martim, que não sabe bem se continua ou não a greve de fome à porta do Tribunal de Cascais (vai saber com a advogada, mas esteve vai não vai para perguntar à Rita Marrafa de Carvalho o que havia de fazer); há a situação do vice-ministro do Negócios Estrangeiros iraniano, que insiste na nobre convicção de um país fortemente democrático e desafia a que se apontem nomes dos detidos pelo regime (quem não sabe é como quem não vê), e outras coisas menores do mundo da política e da economia do país (nada que nos diga grande coisa).
É com isto que me deparo se atento um pouco mais nas notícias à hora do almoço.
Às vezes fico grata por não ter tempo para estas coisas.
E o calor que fez na semana antes de ir de férias? E o calor que faz agora?
Onde estavam nas duas últimas semanas?
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Comi sardinha um pouco por todo o lado, de Portimão à Ericeira, passando até pelo Alentejo profundo e pouco dado a tal hábito. Acabei, afinal, por não ir à Bica. Estou fatigadíssima, que é uma forma de estar cansada ainda mais superlativa que a tradicional fadiga. Fica encontro marcado com o S. Pedro, que, embora local, não é o padroeiro do meu feriado (este ano com pena minha). Adivinha-se um pouco mais de canseira e, claro, mais umas quantas sardinhas, que têm ómega, que é bem melhor do que tudo o que a entremeada possa oferecer (agora ando nesta obsessão rigorosa em torno de quantidades extra de certos ácidos, ferro e magnésio).
Estou de volta. Cansada até dizer chega.
terça-feira, 2 de junho de 2009
kit-kat (que é também o meu preferido)
Deixem-se ficar. Nós vamo-nos retirar para trocar uns dedos de conversa (e de mimos).
Até já.
o amor puro
A triste verdade é que gostaria de me sentir mais augada por sardinhas assadas e caracóis do que na realidade me sinto. Apetece-me que me apeteça. E o apetecer até está lá, obscurecido pela náusea de um certo estado de graça. Falta-me a parte melhor do petisco de Verão: a boca a salivar de gula.
Antes assim continue. Diz que é bom sinal.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
eles estão aí...
cit. "A sardinha está na brasa
Prontinha para assar,
Eu do frango quero a asa,
Para comer, não para voar"
E eu com eles.
Na Bica.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
ela por ela
Sou tão avessa a estes disparates cada vez mais frequentes por parte de alguns homens da igreja católica, como o Miguel Veloso à utilização da primeira pessoa do singular.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
teresa/manuel
Sei que, por meio dos muitos que passam por aqui despropositadamente, enganados pela indescriminada recomendação dos motores de busca (grande parte oriunda do Brasil e que procura o significado do termo permissividade*, curiosamente), há quem me visite com a regularidade habitual dos amigalhaços ou por um tipo de prazer lúdico qualquer. A esta minoria, peço desculpa pela minha abstinência recente dos nossos encontros tão assíduos durante meses a fio. É que ultimamente tenho andado sonolenta por demais e, com muita pena minha, sem grande vontade de depositar inutilidades e partilhas esporádicas.
Devo acrescentar também que este estado de espírito se deve em grande parte à influência fulcral que um dos dois referidos no título, com fifty-fifty de probabilidades de ser um ou outro mas nunca os dois, dizia, a essa influência preciosa que se tem reflectido em tudo o que faço e em tudo o que sou nas últimas semanas.
* ainda estou para descobrir o porquê desta insistência na permissividade. Não me ocorre nada.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
mau começo
Às vezes tomamos decisões que nos custam a paciência. Normalmente é em nome da lei do menor esforço, ou porque, até com algum fundamento, não faz sentido nenhum ter de ir estacionar o carro no parque de estacionamento subterrâneo que fica a 500 metros e que é pago, quando só precisamos de encostar ali à beira, onde nem sequer estorvamos, para deixar uns papéis no balcão da repartição. Nem senhas, nem filas, nem espera nenhuma. Só chegar e entregar e estar de volta em dois minutos. Por exemplo.
Mas, à custa do abuso de outros e da necessidade de encher os cofres da administração interna, arriscar a paragem proibida em deterimento da sensata decisão de perder euro e meio e cinco minutos a pé, hoje fui presenteada com uma jante amarela que me custou sessenta euros.
Ficou-me a pergunta a bailar enquanto aguardava o atabalhoado preenchimento da respectiva papelada e afins dos agentes da autoridade (porque a coisa estava ainda a dar-se quando regressei à viatura), como raio é que conseguiram ser tão rápidos!? Pelo meio das lamentações dos senhores agentes 'tá ver isto agora já está registado com este número e não podemos fazer nada, tem mesmo de pagar o desbloqueio e a coima', pensava para mim 'pois, pois...'
quarta-feira, 13 de maio de 2009
picasso
Picasso, La Vida, 1903Antes de optar por um percurso académico supostamente dedicado à objectividade e ao rigor das palavras, vagueei por um caminho muito mais cheio de possibilidades. O que as artes plásticas têm de especial é o seu carácter de objecto de fruição, que dispensa academismos. As técnicas e as correntes que nos obrigam a aprender na escola são só uma pequena parte da imensidão de interpretações que a arte tem para nos oferecer. Os pensamentos e as palavras não têm de ser obedientes e rigorosos. A arte dá-nos isto: a inesperada possibilidade de descobrir algures aquele sentimento residual que, até aí, não sabíamos explicar pela lógica das palavras...
terça-feira, 12 de maio de 2009
este dia...
... assinala um marco de conquista: do direito a muitas coisas e do dever de tantas outras (ao compasso do relógio biológico e do peso da consciência).
sexta-feira, 8 de maio de 2009
boas dicas
Pode ser coincidência e acho que isto vai virar uma moda generalizada e estúpida, como todas as modas, mas só dei ainda uma espreitadela ao i-online de hoje e já me conquistou, por alguns conteúdos e por uma diferente abordagem dos temas que apresenta.
Encontrei esta curiosité que me chamou logo a atenção. Muitos sabem o porquê do meu fascínio por estas descobertas do paraíso gastronómico e, ainda que o gourmet não seja necessariamente a minha fonte de inspiração culinária, é sempre lindo descobrir as inesgotáveis potencialidades da natureza e da imaginação humana.
negócio
Porque isto é, de facto, o que nos faz falta. Quer seja pela incapacidade de reconhecer nos homossexuais pessoas com os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão (que se cultiva desta forma com muito requinte), quer pela anedótica solução que parece apresentar para destruir os dogmas negativos da descriminação sexual, quer pela elitista proposta de facilitar a vida aos homossexuais abastados, as verdadeiras vítimas da descriminação e exclusão social.
Mas eu estou a ver a situação ao contrário. Espera-se sempre por notícias deste género que consistam em projectos ambiciosos, de cariz cívico e social irrepreensível, quando o que aqui se trata é de criar um negócio rentável que satisfaça os caprichos de uma minoria extravagante que, ao contrário da maioria gay enclausurada ou corajosamente assumida, quer apenas permanecer excluída da sociedade, no seu canto luxuoso e aristocrata.
Esta iniciativa não terá tanto a ver com homossexualidade mas antes com mais um protótipo de fosso social tão comum e muito conveniente para quem deseja morrer da mesma forma que sempre viveu: não ultrapassando as fronteiras de um mundo muito pequeno, concentrado no seu próprio umbigo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
relações
Passam os anos e as relações acumulam-se. Vamo-nos dando conta de que estamos mais velhos, mais experientes, melhor preparados e quase sempre mais enriquecidos, através dos laços desenvolvidos. Os amigos da rua, alguns dos quais mudam de casa muito cedo deixando apenas recordações muito ténues que se confundem com a imaginação, os colegas que aprendem connosco a escrever as primeiras palavras, os que se formam ao nosso lado e, claro, os colegas de trabalho. Há pessoas que guardamos a sete chaves, que podem até não ser aquelas que mais conviveram connosco, mas cuja relação foi marcante, por um motivo ou outro, e às vezes até são recordações inadvertidas, resultantes de experiências más, que não conseguimos apagar.
As pessoas ensinam-se mutuamente a agir e reagir. Tornamo-nos mais autênticos, construimos a nossa identidade com base naquilo com que nos identificamos. As 'gentes' são o reflexo mais próximo que temos das nossas próprias acções e, com sorte, é através uns dos outros que acabamos por rejeitar o que nos desagrada e aproveitar o que reconhecemos como sendo bom, que é como quem diz a não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam, por exemplo.
Isto obriga a que nos respeitemos, não a que tenhamos de gostar de toda a gente. Gente que gosta de toda a gente não existe e é patético tentarmos todos ser Medardos Bons* exactamente por não sermos metades, mas inteiros.
É por isso que, sem ressentimentos nem rancores, encolho os ombros à colega que, com voz afectada e melosa, de sorriso fácil e ternurento, se dirige a mim para me pedir os contactos telefónicos para um dia mais tarde, talvez... Sim talvez, respondo com um sorriso amarelo que não consigo disfarçar. Volta-me as costas e regressa ao lugar dela onde ficará por mais uns dias para depois se despedir sem que, estou segura, voltemos a cruzar-nos. Para que raio me interessa o contacto dela se sei que nada em si me aqueceu cá dentro? Aprendi, só. Foi uma relação de aprendizagem humana e não um laço afectivo consistente.
Por isso, muita sorte e tudo de bom no teu caminho que seguirá, certamente, coordenadas diferentes das minhas.
* já acabei de ler o Visconde
notícias da bola
Diz que ontem foi dia de competições europeias, coisa que (infelizmente) a mim me passa um pouco ao lado por motivos que muitos saberão serem óbvios. Na véspera também houve jogo, e já me fartei de ver aquele golo do Ronaldo - do tipo dos que parece não conseguir fazer pela selecção -, que foi um dos três que apurou os red devils para a final (ide, ide, que nós, pobres diabos - também vermelhos - portugueses ficamos a ver daqui).
Diz também que parece que ontem ao árbitro norueguês só faltavam cair-lhe notas do bolso (não fora o € e seriam pesetas, certamente) e que o Chelsea, com o embaixador português(?) Bosingwa ultrajado por tamanha roubalheira, não chegaria lá contra doze. Não sei, não vi e ao que parece também houve algum demérito dos ingleses.
O importante, todavia, é o nobre conteúdo do que se ouve e se lê, que, numa fase eliminatória importantíssima, consegue ser um pouco mais controlado e gerido pelo bom senso do que nas quezílias caseiras da nossa Ligazinha de vencedor(es) e perdedores anunciados. Ao Paulo Bento, nos sapatos do treinador Guus Hiddink, desenterrava-se-lhe o penteado do couro cabeludo, mas o treinador do Chelsea tem uma experiência e um savoir faire que fazem a diferença nestas situações.
O que vou tentar (porque só li as notícias) é ver a reportagem para poder pronunciar-me sobre os factos, mas sobretudo para ouvir o Bosingwa falar sobre isto. Ou falar apenas! Ouvir falar o Bosingwa é sempre um desafio e uma surpresa, quase como o ovo kinder: nunca se sabe o que sairá dali mas será certamente um quebra-cabeças que precisa de instruções!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
crónicas
Mais ou menos por acaso, passei também por aqui e, não fora o som de fundo das notícias da rfm, teria ouvido orquestras imensas, ribombando emocionantes e patrióticos hinos. É que nunca li nada da Inês Pedrosa que reflectisse tanta e tão profunda admiração como esta sua crónica sobre a cultura americana.
Também nunca tinha reparado antes em quaisquer anotações (aqui tão pouco subtis) sobre as "características" dos judeus e as condicionantes de ser-se branca e mulher, e todo o estatuto pseudo pop-art à volta de Obama - incluindo a sua exploração comercial tão semelhante à da nossa senhora de fátima - transformando tudo num emaranhado e forte motivo de apreciação pelo povo americano. É surpreendente e quase contagiante esta efusiva ode a um povo que anda pelos calcanhares da nossa História, mas que tem em Nova Iorque, pelas ruas de Manhattan, tudo o que se pode pedir de uma cidade.
Ah, esta bonita cultura americana, que enriquece connosco e que, em tempos de crise, sobrevive sempre, também graças a nós. Pensando bem, Inês Pedrosa tem razão. Este povo é, de facto, digno de bajulação, muito embora não seja difícil adivinhar que muito do seu optimismo provem da sua certeza de superioridade, certeza essa todos os dias reforçada pelo resto do mundo.
Gostava de ter pessoas inteligentes (talvez a própria Inês Pedrosa) a contribuir, de facto, para vivermos num país que merecesse, como alguns que se apresentam, uma realidade melhor.
quando ganhar é perder
É por coisas destas, nas quais ocasionalmente tropeço, que penso com preocupação no tortuoso caminho que o nosso mundo percorre.
E eu que pensava não existir pior departamento de Recursos Humanos do que aquele que eu dirijo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
cinema
um destes serões quentes, rumo a uma sala lisboeta, para me deixar levar pelas recordações deste conto...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
vasco granja (1925-2009)
Numa altura em que a sua presença era já tão longíqua que deixava melancólicas saudades, fica o adeus definitivo à voz amiga do grande teórico da animação, com quem, bem pequenina, aprendi algumas coisas.o h1n1 (que não é um índice económico)
Comecei por pensar que ter ido ao México logo nos primeiros dias do ano tinha sido uma sorte, mas pelo andar da carruagem não tardo a fazer parte da lista de personae non gratae aos ajuntamentos. E que jeito que dava agora uma quarentena para pôr em ordem alguns assuntos caseiros e refugiar-me no meu esterilizado portátil, intercalando com a tv e a pilha de livros, banalidades de naturezas diversas.
fados e guitarradas
Se é verdade que a primeira vez que ouvi a Mariza cantar foi num serão informal no já extinto Rock City, isso não invalida que me soe estranha a sua actuação no concerto de Lenny Kravitz em Portugal.
O facto da tournée do cantor em França contar com a participação de Chris Cornell, torna ainda mais enigmática a opção portuguesa.
Mas se calhar sou eu que não tenho abertura para estas coisas.
doze
Já recebi o Caetano nos braços, uns dias antes da data de fim de licitação... Obrigada, amiga de mon coeur! A ti, e aos bonitos momentos proporcionados no salão nobre pela gorda Yelga, hei-de prestar em breve as minhas singelas homenagens.
(para ver ou rever AQUI, sem prejuízo de outras presenças, como a 2ª circular que, diz quem sabe, estará em grande este ano. E eu, com alguma parcialidade, nem questiono!)
quinta-feira, 30 de abril de 2009
bom como o milho
Faz-me espécie aquelas pessoas tacanhas e cheias de veneno que têm no abrigo do anonimato cobarde da blogosfera um escudo para exprimir livremente o seu rancor existencial, ou porque Deus os presenteou com uma verruga colada à narina, ou porque não sabem fazer nada de útil com o pouco talento que lhes assiste.
Não tenho desses problemas. Sou arraia miúda neste meio e ninguém tem interesse em vir desancar-me com comentários desagradáveis à parcimónia dos meus escritos. Contudo, também não valia a pena porque claro está que se isso acontecesse, eu filtrava os ditos cujos e reservava-lhes o direito a publicação que nessas coisas não vou em democracias: só cá debica quem eu deixo.
Depois há blogues que são verdadeiras seitas e muito facilmente conseguiriam movimentar um número recorde de massas a concretizar qualquer coisa de útil. Ou apenas qualquer coisa. Podem não ser mais do que números enormes, grotescos, de opiniões viscosas de clones que aplaudem um traque do líder com o mesmo entusiasmo que lhe gabam a escolha do perfume.
Conheci há tempos este espaço admirável, que combina calhandrice cor-de-rosa com exemplos práticos de como se ser bajulador até à quinta casa. Não sei o que é mais digno de interesse: se o pastor, se as ovelhas.
Que foi?clarice lispector
Este mês de Abril até agonia. Só a vegetação sazonal, que insiste em contrariar este ambiente invernoso, com tulipas e camomila, ou as andorinhas e outros passarocos da estação, que encontro a cantar onde menos espero, me convencem de que é de facto chegada a primavera.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
rua sem saída
Sou muito melhor do que esta rua sem saída. Vejo-me uma avenida larga, com espaço para respirar, onde circula gente bonita e também há, a espaços, aquele sossego quebrado por chilreios. Mas sinto-me um beco sujo de lixos que outros vão deixando. Vejo-me com árvores e calçada, passeios largos com arbustros recortados de relvados urbanos, construções antigas, robustas e recuperadas do seu passado arquitectónico, livrarias, muitas. Sou uma fraude da avenida da liberdade. Uma espécie de rua da rosa, ao acordar de uma madrugada povoada.
Estou farta de gente estúpida e do cheiro vomitado que dela se desprende.
terça-feira, 28 de abril de 2009
o elefante polémico
Estou extenuada. Só me apetece marchar daqui para casa com fé de a encontrar silenciosa e saber o cão aliviado de chichis e cócós e, já agora, perdoa-me querido, contigo já ausente para a tua 'peladinha'. Trabalhei por dez ou vinte e ajudar, ajudar nem a Primavera, nem o primaver@. Adiante. Ainda por aqui passei muito a custo para deixar uma nota importante, numa altura em que poucos bloguistas se compadecem do sr. Fernando Fernandes que, para além do infortúnio com um nome que os pais hão-de ter achado engraçadinho, vê-se a braços com uma crucificação intelectual cerradíssima. Deixai-o estar, peço-vos eu. Afinal, também para estas liberdades serviu o 25 de Abril, há tão pouco tempo comemorado por entre cravos e brados. Deixai que a auto-censura colha os seus próprios frutos, se assim tiver de ser. De toda a maneira, não creio que o episódio sirva de publicidade negativa para quem é fiel ao elefante.
Para mais, o grave na organização do Auchan está longe do seu bom julgamento literário (estamos a falar de escaparates de Susanna Tamaro e Nicholas Sparks). O que é feio, mas feio, é a forma como misturam a secção de pronto-a-vestir pelo meio dos legumes e dos detergentes. O Jumbo nunca foi um espaço agradável.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Anos depois
Fernanda Torres "A Casa dos Budas Ditosos", de Ubaldo Ribeiro
Com a polémica reinstalada, mais ainda do que a vontade de ler o livro (que não li), apetecia-me ouvir o monólogo.
(quem tiver vontade de litigar esta obra para o meu aniversário também será muito agraciado. Ou isto ou aqueles adidas encarnados bem giros que eu conheci em santo tirso. mas isto é melhor. e mais barato.)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
a professora do charlie brown
No outro dia ele disse-me que eu às vezes soava-lhe exactamente como a professora do charlie brown.
Foi deveras ofensivo!
Mas também foi provavelmente a coisa mais engraçada, agora que penso nisso.
E não constituiu novidade.
Ambos sabemos quem é o adulto e quem é a criança nesta relação.
desassossego
- Mas porque pensas sempre que falar sobre determinados assuntos terá de ser uma forma de acordar fantasmas?
- (...)
- Sim, tudo bem, nem todos os assuntos são agradáveis e alguns podem ser mesmo indesejáveis.... mas mesmo que sejam fantasmas, será que nunca te apeteceu exorcisar certas coisas e quebrar-lhes o tabu através do diálogo?
- (...)
- Mas então... não te faz sentir melhor partilhar com alguém certas perturbações, mesmo que sejam inevitabilidades, nem que seja só para reconfortar a alma?
- (...)
- Pois eu preciso de ter amigos com quem possa soltar lamentos espontâneos, seja em tormenta ou de forma amena, e sentir que eles se interessam também por isso. Preciso que demonstrem interesse por mim e não apenas pelo meu bom humor.
- (the end)
- (... mas porquê?)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
em dia de celebrar a leitura...
«Nunca me hão-de obrigar a entrar num automóvel! Terei sempre medo de ter um desastre! Mesmo quando não se morre, fica-se traumatizado para a vida inteira!», dizia o escultor, agarrando maquinalmente no indicador que quase serrara a esculpir madeira. Só por milagre é que os médicos tinham conseguido salvar-lhe o dedo.«Mas de maneira nenhuma!, proclamou uma Marie-Claude em excelente forma. Quando eu tive o meu desastre foi magnífico! Como não conseguia pregar olho, lia ininterruptamente, de dia e de noite!»
A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera
Pelo contexto emocional que atravessava ou pela sua extraordinária capacidade de nos despir perante os nossos próprios temores e fraquezas, talvez nunca outro livro consiga exercer em mim o mesmo efeito.
caetano veloso (o mundo não é chato)
dia da terra
Quem entrava ontem na CGD on-line, que bonito que era!
Foi assim que fiquei a saber que era dia da terra.
Hoje, já lá não está...
quarta-feira, 22 de abril de 2009
hoje
Tenho para mim que hoje trabalhei demais. Acho que o trabalho (por conta de outrém, sobretudo) deve ser regrado, moderado, sob pena de darmos por nós exaustos, explorados e, pior de tudo, tomados como certos. Devemos dar um gostinho da nossa eficiência, manter as coisas controladas, mas sem excessos, para ninguém se acostumar e ousar concluir que se calhar até nem temos muito que fazer porque tudo o que nos pedem é concretizado, inconscientes de que respondemos a várias solicitações, de várias proveniências, e que talvez estejamos a fazer-nos em oito para conseguir apresentar aqueles resultados.
É isso mesmo.
Trabalhei demais.
Trabalhei por três dias.
Já merecia o fim de semana.
Não..?
Está bem, então.
(há depois quem não se reveja aqui. Esses, gostam do que fazem e padecem de cansaços felizes)
terça-feira, 21 de abril de 2009
outros lamentos
Quando caímos, não caímos de pé. Isso foi uma patranha optimista inventada por alguém que ganha a vida a escrever livros de títulos firmes e sorridentes. A verdade é que caímos sempre de joelhos, prostrados, vergados. Muitas vezes caímos de bruços, com espalhafato, e há até quem nunca se levante. As minhas quedas (à excepção das justificadas por falta de valproato) têm sido quase sempre resultado de entregas excessivas e confianças cegas, não necessariamente aos outros mas à ideia que construo deles.
A desilusão.
Porque não? É um tema como outro e que nos une em comunhão, quer pela experiência partilhada, quer pela sobrevivência a que nos forçamos.
Isto soa a psicanálise. Vou meter por outro caminho.
Gostava de perceber a correlação existente entre a surpresa das pequenas grandes desilusões e as dores de estômago. Certamente existirá essa causalidade e meia dúzia de palavras difíceis, dispersas entre substâncias libertadas pelo cérebro e efeitos provocados no organismo, devem explicá-la muito bem.
A desilusão e a injustiça.
Há alturas em que temos dúvidas se merecemos que aquela atitude provoque em nós aquela sensação. Deve existir então um mal-entendido entre as partes, um curto-circuito, qualquer coisa fortuita ou acidental, que não envolve responsabilidades ou culpas e faz parte do percurso.
Mas somos, ocasionalmente, confrontados com a injustiça com que nos julgam e com a desilusão que isso provoca. Nesta altura, em que sabemos nomear a atitude e a sensação, sabemos que não tropeçámos no caminho, mas que alguém nos rasteirou.
Às vezes canso-me de cair e de me levantar.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
cultura comercial
Esta promoção da Fnac diz, da forma mais explícita possível, 'quem lê um, lê todos' (para o caso das imagens por si só não serem já demasiado óbvias).
A pergunta é: que tipo de pessoa considera esta campanha uma grande oportunidade para adquirir variada literatura de qualidade?
Estava a pensar dar lá um saltinho esta semana e até algo esperançosa de um ou outro achado, mas agora já não sei. Acabo é a gastar dinheiro em cds, por culpa deles que me defraudam as expectativas e enchem os bolsos à custa da minha fraqueza de espírito.
dá-se então que:
para compensar a patética e inconvenientemente chuvosa tarde de sábado (da qual se escapou a fantástica performance gímnica da minha piolhinha magriça devidamente documentada em VHS e a actuação fabulosa de outros meninos, mormente os de Algés - muito bons! - e do Real Clube, que despertaram em mim o dormente fascínio dos velhos tempos pela ginástica rítmica, e arcos, e fitas, e massas, e cambalhotas, e esparregatas), o domingo foi dia solarengo que, à excepção de uma pequena fuga para aquisição do Shiseido - porque afinal a Lâncome não tem assim um rouge tão absolut como o que pretendia - foi dedicado à prática de home-cinema. Pois que é.
E os escolhidos foram os fabulosos documentários que se seguem:
and...
worten dix it
É mais um aparelho, assim uma espécie-de-box, para empilhar sobre dvd, playstation, box tvcabo e amplificador. Mais uns cabos e umas fichas scart (raios partam se percebo alguma coisa de electrónica) e dá-se o milagre de chamar a mim a Lusomundo: dezenas de ficheiros, entre os quais, as legendas!! dos filmes que tenho em calha há já alguns meses (porque me fazem falta as legendas e não me habituo nem por nada que seja de outra forma, não obstante a minha boa percepção do idioma da grande maioria das películas). Assim, o único inconveniente é saber que relego, quase de certeza, para segundo plano a pilha de livros por ler - não porque uma coisa substitua a outra mas porque o tempo se mostra escasso para realizar certos anseios e cumprir ainda com os deveres matrimoniais. Pois.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
boas leituras
É por coisas destas que, ocasionalmente, dou graças por estar aqui, à beira da pedreira.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
arte
A primeira pincelada é incerta, tímida, sem saber ao certo onde quer chegar. Transmite uma espécie de vibração sensorial que se espalha pelas artérias e se sente em todo o corpo. A côr é inebriante, a substância espessa e luminosa marca a tela em relevo, num desperdício pecaminoso de tinta farta. Não importa de onde vem, para onde vai, se condiz ou faz sentido. Importa dar-lhe expressão e movimento. Tem muito mais a ver com sentimento que com lógica, muito mais com exteriorizar gestos que com chegar ao detalhe. A precisão é antípoda ao prazer e à terapêutica da arte plástica.
Sempre gostei de pintar. Desisti apenas porque receei que me sugasse toda a energia que me mantinha sã. E agora, escrevo. E quando não escrevo, penso.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
casino
Ali as pessoas são todas diferentes: altas e baixas, gordas e magras, feias e bonitas, pretas, brancas, asiáticas, ciganas, homens ou mulheres, novas e velhas, pobres e abastadas, elegantes ou nem tanto. Fumam, bebem, falam pouco, murmuram ou apenas gesticulam, olham fixamente para um sítio, para um objectivo, não se observam entre si, movimentam-se como se não houvesse mais ninguém em volta, concentradas, tensas. Usam objectos de 'rotina' como se fosse o missal na eucaristia: sejam a pochette dourada, uma carteira em pele ou uma bolsa de cintura, onde carregam fichas, notas, moedas. Fumam mais. Os empregados movimentam-se com cerimónia e as croupiers suspiram, com pompa e algum enfado, entre uma e outra aposta. O chão é suave. Sinto-me diferente, deslocada, mas continuo, obcecada e confortavelmente, a observar os fantasmas que por ali se movem. São só fantasmas, não me vêem, nem me fazem mal. O barulho e as luzes como fundo. O brilho que se reflecte na curva da roleta e se renova, noite após noite, concluo, é roubado daqueles olhares vazios, sem expressão, que se debruçam diariamente sobre o abismo.
Afinal, ali as pessoas são todas iguais.
Audrey
percebo que...
... sou uma pessoa ingénua, ainda em fase de maturação.
Dou-me conta disso quando ainda me surpreendem as anedotas inadvertidas da tvi (principalmente as da recente 24) e as 'inovações' instituidas, da noite para o dia, com que me deparo quando chego ao trabalho.
terça-feira, 14 de abril de 2009
de onde me encontro
Irritam-me pessoas sem modos, sem charme natural, sem aqueles pequeninos pudores dignificantes. Pessoas abruptas, agressivas, sem jeito, sem tacto. Pessoas sem sensibilidade, sem talento, sem encanto. Irritam-me as pessoas pouco escrupulosas, cheias de razão, de ênfase, de peito feito. Não é a rudeza campónia que me incomoda, é a grosseria cosmopolita.
Pena é que o dinheiro não compre, efectivamente, as maiores virtudes.
barraca
Sem querer chover no molhado das críticas fáceis ou nas conclusões elementares que se podem retirar sobre a intemporal adequação do conteúdo da peça à realidade social, também a mim me apraz enaltecer a excelente capacidade de adaptação teatral desta obra de Gógol, muito embora raramente me tenha abstraído da impressionante semelhança eloquente entre João D'Ávila e a D. Isabel aqui da limpeza, quer nas similaridades físicas, quer no discurso enfatizado e sufocante. Mas o interessante que advém destes eventos lúdico-culturais, e que já nada tem a ver com as qualidades do mesmo, são as suas promoções sociais e as críticas póstumas(?) de quem tem como 'missão' analisar e interpretar, recorrendo aqui e ali a nomes ou situações reais, para satirizar e se mostrar expert naquilo que diz. E escreve.
Não fossem os erros ortográficos e o facto de se valer de sinopses e googlagens sobre as virtudes do autor e até estávamos, no exemplo referido, perante um texto... 'maneirinho', vá.
gertrudes
Com um título destes, dir-se-ia que poderia postar aqui alguma coisa relacionada com a minha tia que vive em Moscavide, mas não. Descobri hoje que há uma gertrudes muito mais influente na capital. Eu e milhares de lisboetas.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sangue azul
Sangrei azul de corpo e de mente. Um certo brainstorming, exigente, de certeza, e muito bem conseguido, levantou-me da cadeira. Elevei-me ao mais alto skyscraper espiritual. And it felt good! Carreguei os lábios de vermelho escuro, parecendo adivinhar a feliz combinação com a opacidade azul da maquilhagem. Parece-me que alguma da magia teve a ver com uns certos e determinados acordes que muito me dizem, a proximidade física também denuncia responsabilidade, mas mais que tudo, houve ali uma mensagem muito pessoal. A carapuça serviu-me. De regresso, vinha com um apetite voraz, daqueles pós-orgásmicos, reveladores de cansaços bons. E apetecia-me comprar um batôn Lancôme. Lembrei-me até da Isabella Rossellini! Parece que o vermelho carregado é bom agoiro.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
febre de quinta-feira à noite

"The General-Inspector is a national institution. To place a purely literary valuation upon it and call it the greatest of Russian comedies would not convey the significance of its position either in Russian literature or in Russian life itself. There is no other single work in the modern literature of any language that carries with it the wealth of associations which the Inspector-General does to the educated Russian. The Germans have their Faust; but Faust is a tragedy with a cosmic philosophic theme. In England it takes nearly all that is implied in the comprehensive name of Shakespeare to give the same sense of bigness that a Russian gets from the mention of the Revizor"
Estai atentos. Qualquer similaridade com o real será aqui devidamente reportada.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
vindo de quem vem não admira
Não me perturba a falta de tacto diplomático de Berlusconi, muito menos me espanta. Acho até que o seu sentido prático pode ser muito útil aos italianos nesta altura difícil (a nós, Deus nos proteja, calhava-nos um ministro que, de momento, nem mãos tem para tanto magalhães). Não obstante, acho que lhe dava jeito um conselheiro que ajudasse a tornar mais oportuna a sua intervenção, se aliada aos recursos cintilantes de um discurso obamístico, por exemplo.
divina inspiração política
Disserta-lhe, verborreico Tavares, disserta-lhe, com arroubo e inebriante clamor!
Conta-se que Bocage, ao chegar a casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do quintal.
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono!
Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo...
Mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada…
E o ladrão, confuso, diz:
- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?
Chegando lá, constatou que um ladrão tentava levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono!
Não te interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo...
Mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com a minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada…
E o ladrão, confuso, diz:
- Doutor, afinal levo ou deixo os patos?
(obrigada, Tânia Fadário, pela consideração à minha caixa do correio)
terça-feira, 7 de abril de 2009
e porque não há duas sem três
enquanto botava abaixo a açordinha, assistia fascinada ao programa Cuidado com a Língua!
Não tenho palavras para comentar tão preciosos quinze minutinhos. E também confesso algum receio de que me apareça aqui a Maria Flôr Pedroso, sentada no parapeito da janela, a dizer, com aquele ar entre o severo e o condescendente: "O que escreveste não está correcto".
Graças a Deus que hoje tenho dose dupla de Donas de Casa Desesperadas no cabo. Palavra de honra que há dias em que só preciso de um bocadinho de lixo comercial.
as notas soltas
Ontem à noite, enquanto cirandava nos meus rituais de início de serão, ia ouvindo as notícias na rtp1. Ainda me prostrei em frente à televisão, uma meia no pé e outro pé descalço, entre o despir e o tomar banho, em frente ao Fernando Mendes para ver se a mulher de ar acriançado e cabelo muito comprido acertava no preço da montra final, em euros, mas não, e não arranquei logo para a banheira porque as chamadas dos noticiários, tal como as gordas dos jornais, existem é para nos prender, e por ali fiquei mais um pouco, a baloiçar no sofá-baloiço, atenta aos desenvolvimentos sobre o sismo em Itália, por ser sismo e por ser em Itália, consciente de que o número avultado de mortos das guerras e das fomes não constitui chamada nem manchete, porque "estórias" dessas já não nos detêm de caminhar directamente para o duche. Depois o José Alberto Carvalho trouxe em directo de L'Aquila um estudante de erasmus e tentou, inutilmente, arrancar-lhe alguma coisa de novo e emocionante, e foi aí que me fiz à casa de banho. Preparei depois a minha açorda instantânea e, entretida na cozinha, por entre o cheiro dos coentros e as investidas do cão que queria festa, iam-me chegando da sala risadinhas cúmplices e infantis, e comentários sobre a primeira dama americana e as peripécias da sua vinda à Europa. Pensei para mim, "esta Judite de Sousa gosta mesmo deles carecas e roliços!"
segunda-feira, 6 de abril de 2009
chocostat
Não dou muita credibilidade às estatísticas. São uma espécie de astrologia disfarçada de matemática, manipuladoras e manipuláveis e a sua razão de ser tem muito mais a ver com influenciar do que com informar. Depois há a questão da forma como as estatísticas são apresentadas, que condiciona ainda mais a sua interpretação, de acordo com o efeito pretendido desse anúncio. Além disso, as estatísticas vêem as pessoas como números, o que demonstra uma grande falta de sensibilidade e permite a obtenção de alguns resultados idiotas que nos dizem, por exemplo, que em 100 portugueses 7,8 estão confiantes na economia mundial - muito embora isto também já implique uma mistura entre percentagens e números inteiros que não me cheira que devam andar de mãos dadas. Sou muito pouco dada a esta área.
Tudo isto porque ouvi hoje dizer que cada português consome, em média, quilo e meio de chocolate por ano. Isto andaria na ordem das quinze mil toneladas anuais? Qualquer coisa assim.
Não consegui evitar pensar que há por aí muita gente a servir de bode expiatório à gulodice alheia. Mas creio que me senti tomada pelo sentimento de culpa que m&m's e amêndoas de chocolate às sacadas me provocaram. É que, assim de repente, quilo e meio parece-me um número irrisório e a estatística nacional, assim apresentada, despenaliza o meu recorde pessoal de gula.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
patti smith
"O futuro? Sim, absolutamente. Tenho imenso trabalho pela frente: um álbum, exposições, gostava de escrever uma ópera, um milhão de ideias. O futuro para mim é trabalho novo. E viajar. A vida é fantástica. É difícil e temos de negociar todo o tipo de coisas: assuntos de saúde, a perda de pessoas que amamos, aflições financeiras, fome física, solidão. Mas estar vivo é maravilhoso. É infinitamente interessante."
Ípsilon, 03 de Abril de 2009
Inspirador, magnífico, and yet, não me passa este torpor espiritual.
Luisão lesionado no 'escrete'
A malta d'A Bola vale-se de critérios bastante infelizes na escolha dos seus títulos.
Ou sou eu que associo diferentes conceitos sem qualquer tipo de pudor.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
pára-brisas
Acho giro que tenham feito os anúncios radiofónicos da Carglass com técnicos a sério.
Acho muito honesto e pouco habitual. O costume é ouvir-se mulheres de voz hipnótica a contar-nos experiências reais sobre diuréticos milagrosos tão naturais e tão benéficos que nos apetece, de facto, engoli-los à litrada, como se fossem vitaminas. Mas a Carglass opta pela autenticidade.
A única coisa que soa falsa é a entoação. Mas também é isso que comprova que eles são, de facto, técnicos da Carglass!
a idade
Há uns anos atrás, que me parecem muitos, muitos, achava que não havia nada pior que cortar os dedos com papel o dia todo e pincelar cola líquida em envelopes, bem como contactar telefonicamente ilustres desconhecidos para congratulá-los pela aquisição do seu Honda Concerto, que na maioria das vezes não possuiam, como, não possui? - Já lhe disse, nunca tive nenhum Honda Concerto na vida! - Mas não é o Sr. Tal e coiso!? - Sou sim senhor, mas não tenho nem nunca tive nenhum Honda Concerto - Ah... pois, então desculpe lá. Deve ser engano da base de dados... Mas não participou num concurso, de certeza..? - Oh, menina, já lhe disse..., mas volvido este tempo há dias que não suporto os afazeres administrativos que se me afiguram todos os dias, que não são mais do que um sem fim de burocraciazinhas que me fazem pensar que a minha utilidade é tão menor ou inferior à da miúda que almoçava no jardim do príncipe real e aí fumava uns cigarros e enxotava os pombos, antes de voltar para os envelopes, a cola, a base de dados e o telefone. Depois ponho-me a pensar que, não obstante a falta de paciência que já me caracteriza permanentemente, devo estar grata por me ver rodeada de Natureza, pessoas que gostam de andar no meio da estrada e parecem olhar para os carros como se lhes dissessem aqui mandamos nós! A aldeia já era nossa antes de vos inventarem! e por um micro clima inexplicável. É que as saudades que tenho de Lisboa são tendenciosas e não incluem uma série de contratempos que me fariam subir os níveis de stress e acentuada depressão já de si perigosamente elevados. Dá-me ideia que a única coisa que me assiste reclamar com toda a legitimade é a minha memória de adolescente. Estou convencida de que entrei numa precoce e vertiginosa ascendência ao pico do monte Alzheimer.
carnaval
Alguém que se fantasia de puta reles e espalhafatosa e encontra na sua indumentária do dia-a-dia e no seu estojo de cosmética tudo o que precisa, deve repensar toda uma série de coisas. Não vos parece?
terça-feira, 31 de março de 2009
al pasar la barca
Al pasar la barca me dijo el barquero
las niñas bonitas no pagan dinero.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Al volver la barca me volvió a decir
las niñas bonitas no pagan aquí.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Já não há barqueiros imberbes, de músculo rural e sorriso trocista.
las niñas bonitas no pagan dinero.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Al volver la barca me volvió a decir
las niñas bonitas no pagan aquí.
Yo no soy bonita, ni lo quiero ser,
yo pago dinero como otra mujer.
Já não há barqueiros imberbes, de músculo rural e sorriso trocista.
segunda-feira, 30 de março de 2009
ontem
De manhã, dormi.
De tarde, li a morte do tio Fiodór, da senhora e da árvore.
À noite, vi um filme muito parvo chamado Sexo até à Morte.
Antes de dormir fui passear o cão. Quando, por fim, saí à rua tive a sensação que estava a pisar outro planeta.
Subscrever:
Mensagens (Atom)












um, é o vulgar Harry Osborn, vilão do Spiderman.