sexta-feira, 28 de agosto de 2009

o homem, o cinema, a televisão






Runaway só amanhã, mas trago já na cabeça a banda sonora.
Voltamos depois de um curto intervalo para publicidade.
E mergulhos.

crónica de uma sexta-feira negra

Há um rol interminável de coisas chatas e demoradas para fazer. Há as malas. Nada mais chato para quem não tem habilidade para tal: qualquer um com acesso ao meu guarda-roupa e conhecimento dos dias e condições de destino faz melhor do que eu a minha própria bagagem. Depois pormenores estéticos, práticos mas indispensáveis. Não tenho pachorra, a sério. Não tenho a minúcia exigida para encarar certas tarefas necessárias como coisas normais: são sempre fardos. Isto a juntar ao sono terrível que denuncia uma falta de estimulantes naturais e artificiais, para além de noites instáveis sobre a batuta de sonos leves pela madrugada e pesados pela manhã, e à toada de sonhos que envolvem crocodilos de vários tamanhos, praias desconhecidas, sexo incestuoso, crianças e mini-meias de nylon de côr muscade. Também há o facto de ouvir na rádio, todas as manhãs desta última semana, em particular hoje, que nos espera um dia de calor e sol por todo este nosso Portugal, quando o carro me indica uma temperatura exterior de 19º e se faz sentir um vento impiedoso, debaixo de um céu assustadoramente cinzento. Onde estou eu?
Por isso não, hoje não me ouvem festejar efusivamente o tão desejado início de férias.
Quando ouvirem o meu rugido de raiva, o grito inconfundível do ipiranga, saberão que estou, finalmente, onde quero. E ainda não será hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

descansar as vistas

Depois de um periodo de chafurdice pela mediocridade dos blogues infestados de futebol e de política, que sujam a mente como o dinheiro suja as mãos, e até me fazem sonhar com o anúncio oficial da demissão da MFL, dei aqui um mergulho zen, que me fez sentir tão bem como aquela massagem e o jantarzinho vegetariano na Praça da Alegria.

Espero não ter deixado por lá vestígios deste surro social, porque no país das maravilhas tudo se quer o mais diferente possível da realidade.
Obrigada, M.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

casa conveniente

As memórias atraiçoam-me.
Devem ter passado seis anos e alguns meses desde que a professora da cadeira de Contemporaneidade e Produção Cultural nos levou (os que quiseram ir) a ver a adaptação teatral da obra de Raymond Carver, "De que falamos quando falamos de amor".
Lembro-me mal, como se logo depois dessa noite atípica naquela casa-fantasma no Cais do Sodré, com cadeiras espalhadas pelo chão sujo, me tivesse sucedido alguma coisa que me tenha apagado quase na totalidade o registo mental de que ela (a noite) tivesse sequer existido.
Lembro-me de coisas soltas: de entrar no espaço, de ver as sombras, da apresentação sumária da professora à obra de Carver, da admiração contida, porém latente, nas suas palavras. Nunca me esqueci do título. É o que me faz acreditar que a noite existiu, muito além de comprovar a existência da obra.
Os meus limites culturais não me permitiam conhecer o espaço, o livro ou o autor até aquela data. E depois disso, não mais voltei: nem ao espaço, nem ao livro, nem ao autor. Não sei se foi bom ou mau. Lembro-me aos farrapos.
Gostava de poder dizer que as minhas experiências académicas estão parcialmente nubladas por uma recorrente onda de loucas ressacas e noites queimadas por caminhos pecaminosos, mas não.
A noite na casa conveniente, tal como as aulas da Dr.ª Isabel Meirelles, a matéria de Sistema dos Media ou a de Direito, a Tuna e o 2º a Circular são um emaranhado de lembranças esmiuçadas e fundidas noutros contextos tão diversos, que só posso concluir que nada daquilo que sou (ou não sou) se deve aos meus anos de formação superior.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

festa privada

É uma menina e tem os três (vasos...)!
Só por isso, tenham um bom fim-de-semana.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

casanova

Eu, que não me parece que tenha alguma coisa decente para dizer hoje, quanto mais para imortalizar por via da escrita; eu, com esta minha lanzeiricite, espécie de preguiça crónica mas aparentemente sem qualquer fundamento que justifique uma baixa médica para fins de cura de sono; eu, que neste momento (e outros anteriores e subsequentes) não mereço um cêntimo do que aufiro, tal é a inércia física e mental que me anula; eu atrevo-me, ainda assim, a censurar com desprezível aceno de cabeça e estalinhos de língua, aquele que não dedicar um bocadinho do seu tempo a deleitar-se aqui com o Casanova.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sordidamente irresistível

Se neste país ainda se praticasse a censura, como alguns dizem que acontece, não seríamos diariamente bombardeados com tanta parvoíce.
É de extremos, eu sei. E tento fazer disto metáfora porque não sou apologista de ditaduras, mas às vezes tenho saudades das boas gentes que pacificamente gastavam as páginas do correio da manhã, por essas pastelarias, tascas e bancos de jardim afora. Essa raça quase extinta no meu imaginário e cada vez mais solidamente substituida pelos fiéis comentadores das notícias on-line, pessoas de ódios descontrolados e línguas venenosas.
É tão massiva a raiva e tão grande a imbecilidade desta maioria de novos críticos sociais, que me orgulho de, não resistindo aqui e ali a dar uma espreitadela a picardias idiotas, ter conseguido sempre controlar a minha vontade de lhes invadir o galho e mandá-los ir silenciar os seus teclados nervosos para o raio que os parta.
E já agora, que por lá aprendessem a distinguir os dois "ss" do "-se". Assim mesmo, desta maneira tão básica e elementar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me being the turtle... of course.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

fiquem com esta

... porque por entre todas as miudezas que debiquei para aqui hoje, teria de haver alguma coisa que valesse realmente a pena.
Invariavelmente, não fui eu que a escrevi.

que não me doa a cabeça

As minhas férias estão à distância do prazo de validade de um iogurte. Daqueles com mais conservantes.
Porra, pá.

r.a.p.

Digam o que disserem, eu mantenho a minha opinião: este rapaz é inteligente, tem bons ares e é um extraordinário humorista.
Mas acima de tudo, é um tipo muito esperto.

clubeFashion contra-ataca

Lembram-se daquelas sabrinas que me têm custado dias de espera? Afinal, não vêm. Depois de alguns apelos aqui da cliente pouco assídua, parece que o stock que há mês e meio estava perfeitamente garantido, já não está. Não me espanta. Mês e meio depois da divulgação da campanha é normal que o produto já tenha escoado.
É um negócio interessante, se pensarmos bem.

Ora se eu me tivesse lembrado disto há mais tempo, teria dado largas à imaginação e angariava pessoal que até gosta de umas camisinhas Sacoor a preço de feira do relógio, mas por catálogo, que é mais discreto, e pedia pagamento à encomenda. Contas feitas, teria sempre uma margem de manobra segura de quinze dias (que é o tempo estimado para entrega), mas para ser em grande, dava-lhe mais quinze dias para arrecadar uns trocos extra com umas malinhas Samsonite (que nesta altura vêm a calhar) e uns bikinis de griffe brasileira (que inflaccionam a cada milha atlântica de caminho para a Europa), o que me dava, à vontadinha, um mês para viajar como se quer. A única dor de cabeça seria escolher o destino.
De regresso, a coisa compunha-se com uns e-mails impessoais mas bem redigidos, a lamentar as rupturas de stock que impediram a concretização da troca, e a garantir a devolução da nota batida ou (melhor ainda) a atribuição de um crédito sem validade, para gastar em futuras encomendas (que o mais incauto e indeciso pode ir deixando pendente até aparecer uma promoção jeitosa da Tag Heuer, e sempre se tem aquele de parte para as férias de Natal).
Na pior das hipóteses, teria mesmo de devolver o dinheiro, mas seria em suaves prestações (porque os cães ladram mas a caravana passa) e as férias teriam certamente valido a pena. Além disso, não pagava juros pelo tempo que entretanto decorrera.
Talvez ainda vá a tempo. Até porque este ano, as férias não são assim tão promissoras: ir para fora cá dentro seria perfeitamente possível às custas de uma mão cheia de sabrinas apalavradas.

Filhos de uma cadela.
Não hei-de eu estar com a neura...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

o silêncio é de ouro...

Não queria montar perseguição cerrada ao senhor, principalmente por respeito a uma boa cabeleira grisalha -e também porque este blogue só tem sido implicativo com o MST-, mas a verdade é que o homem dá uma no cravo e outra na ferradura.

...


terça-feira, 11 de agosto de 2009

liderança

O Sporting já foi elite, ameaça, rival, campeão, promessa. Mas nunca, como hoje, inspirou tanta compaixão.

ser feliz

Há um refúgio paradisíaco, numa milha perdida da nossa costa, onde a areia é mais clara e fina, e o mar é um aquário de corais, lentamente agitado por brisas mornas. O sol é mais brando mas nunca se esconde, e há folhagens verdes a meia dúzia de passos, que abrigam sonos de estio. Esse refúgio é concessionado por uma governanta de avental branco, que serve bolos quentes, caracóis e frescos numa esplanada que não ostenta cinzeiros com pontas de cigarro. Nas redondezas, quando o sol desaparece, surge recortada no céu rosado uma aldeia a lembrar o interior mais recôndito, com os seus abrigos frescos de onde, depois do calor, começam a brotar gentes hospitaleiras. Há uma foz calma que desagua no mar e onde se apanha, ao final da tarde, conquilha abundante. À noite, mistos de grelhados e aromas frutados confundem-se. São verdes e vermelhos avinagrados e doces de mel. Há cafés onde se trocam dedos de conversa e se misturam pessoas de casa e de fora, e há nesses cafés os chupa-chupas espalmados, forrados de plástico transparente, que já não se vendem em lado nenhum. As casas de comércio, quase todas, imortalizam religiosamente ícones do passado: caiam-se as paredes mas o logo do gás mobil permanece imaculado. As jornadas começam cedo, com o sol tímido a prometer dias bonitos, e há cheiro de cevada, pão fresco e hortaliças viçosas. Há mercado com pescados ainda vivos.
Repete-se um ciclo quotidiano e tranquilo.
Que saudades.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

wall-e & eva

Nada engana melhor do que aquilo que, à partida, se apresenta óbvio.

palavras ainda mais sábias

Obrigada pelo e-mail, L.
É sempre bom saber que não somos os únicos a esboçar um sorriso irónico face à dura realidade.
(É o post ideal para uma segunda-feira de manhã; a próxima, que dá início a uma semana de calor... e de trabalho!)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

palavras sábias

O coração não tem sexo.
Tão apaziguador. Precisava de ouvir isto, para desviar ainda mais a minha atenção dos pormenores - mesmo que vindo de um doutor um bocado jarreta, demasiado perto da reforma e algo descontente com o seu insuficiente periodo de férias.
Cada vez mais concentrada na importância do perfeito tic-tac visceral desta criaturinha!

Faltava isto e o chapéu de palha.
Já está!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

clubeFashion

Por estas e por outras é que não gosto de elites, nem de fellowships e não costumo ser membro de coisíssima nenhuma.
Não é que estou há um mês à espera de umas sabrinas, disponíveis com super desconto (ou não fosse eu sócia distinta do clube) e, obviamente, pagas desde então? E, não bastasse a espera pelo artigo, nem uma nem duas do outro lado.
Uma semana depois do primeiro e-mail a questionar os senhores (hello, não se terão esquecido de nada?), eis que chega a elucidativa resposta de que realmente a coisa está pendente, aparentemente por falta de pagamento mas que, em princípio (!), se irá resolver agora que o meu e-mail (de há uma semana atrás) foi encaminhado para alguém que imagino seja imensamente competente. Caso contrário entrarão em contacto (para me pedir mais dinheiro?).

Eu sei, há no mundo problemas bem mais graves.
Mas eu lido muito mal com incompetência e mau serviço público.

E era porreiro receber as sabrinas antes de vê-las na loja com o mesmo desconto e, preferencialmente, antes do Inverno.