quarta-feira, 4 de novembro de 2009

...

Coisa estranha esta, de condicionarmos a nossa própria revelação a um insolente pudor ou a uma espécie de orgulhoso anonimato, como se o desvendar da nossa essência correspondesse a uma amostra provocatória e escusada, que encerra em si o automático desinteresse da audiência.
E, em todo o caso, só consigo ver na partilha indescriminada, sinais de uma exposição gratuita, que evito a todo custo e que me incomoda que tentem buscar em mim. Gosto de enganar o mundo inteiro. Só assim consigo tirar verdadeiro prazer dos olhares de entendimento que recebo daqueles que conseguem, naturalmente, ver-me a nudez da alma.
Um prazer quase tão imenso como o que experimento quando me vêem precisamente como quero que me vejam.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

tributos

Pela música.
01.11.2009



"António Sérgio nunca esteve bem em qualquer estação de rádio. Mesmo quando a rádio era rádio. Porque António Sérgio é uma estação de rádio andante e uma estação não cabe noutra estação.

Para mais, é uma estação hostil às outras, contra as quais exerce uma guerrilha permanente. Mais do que meramente ingovernável - ou até uma oposição paciente - António Sérgio e a indissociável Ana Cristina Ferrão são um governo em exílio permanente. E com uma imperdoável agravante: é assim que gostam. E é nisso que insistem teimosamente. É lindo.

Os espanhóis da Prisa fizeram bem em despedi-lo. Estando livres de gratidão, memória ou preocupações da representação da boa música em Portugal, tiveram a coragem que faltou aos antecessores portugueses, ainda demasiado constrangidos pelo reconhecimento e pelo medo da superioridade musical de António Sérgio.

É importante frisar que não é de agora a tanga do mercado nem o fado do fim da rádio. António Sérgio só durou até 2007 porque se recusou a ir embora. Desde os anos 70 que agentes sorrateiros se agacham atrás dele, tentando puxar-lhe a cadeira, a ver se cai. Mas o homem sempre esteve ocupado de mais para reparar. Fincou os pés, sacou dos discos e fez o que sempre fez: o que lhe estava na real gana. De resto o desprezo pode ser a mais bela das distracções.

Ajudou também o facto de António Sérgio ser o melhor divulgador de música popular do nosso tempo - John Peel era magnífico mas tinha lapsos de gosto. Muito se perdoa a quem escolhe música boa tão bem, durante tanto tempo, com tanta arte e tanta inteligência.

A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.

Claro que é preciso gostar de boa música - e de querer descobrir boa música nova - para perceber a grandeza e a utilidade brutal de António Sérgio. A nostalgia é um argumento inimigo. Hoje há muito mais música boa e muito mais música nova do que nos anos 80 ou 60. Mas continua a ser 0,1% de toda a música que se faz.

Essa proporção continua a mesma. O que mudou é a atitude geral da população. Dantes, a ignorância inibia e produzia falsos respeitos por quem se suspeitava "ter conhecimentos". Havia seguidismos acéfalos e dependências paralisantes, tudo exacerbado pelas dificuldades e desigualdades de acesso à música. Havia mestres: era inevitável. ("Mestres" no mau sentido, de professorzinhos de província.) Na rádio as directrizes dos mestres eram obviamente inseparáveis do acesso à música para que nos dirigiam.

Não era bom - até porque os mestres eram mais do que muitos e geralmente pomposos e autoritários, para não falar nos vendidos. Mas é inegável que, entre os pouquíssimos capazes de descobrir e defender música boa, o maior era e é António Sérgio. Por definição é um anti-mestre, desinteressado do tráfego de influências e da concordância dos seguidores.

Digo mal desse tempo - que era também o meu - para poder absolvê-lo do maior defeito dos tempos de hoje, apesar de serem musicalmente mais vastos e empolgantes: o relativismo ignorante. É ele que acaba por explicar a atmosfera que leva à lata de despedir António Sérgio.

Segundo o relativismo ignorante, ninguém pode dizer se uma música é boa ou não. É tudo uma questão de gosto. Depende das circunstâncias. Depende da idade. Às vezes sabe bem uma coisa que, noutra altura, sabe mal. Cada um é como é e aquilo que agrada a um ... perdoem-me se me fico por aqui no blá blá blá.

Tem ou não tem graça como esta atitude coincide exactamente com a conveniência comercialista do cliente ter sempre razão; que os números não mentem; que os ouvintes é que sabem; que os anunciantes é que pagam e quem somos nós para dizer que não está bem assim?

O pior é que esta humildade é uma subserviência e este deixar decidir, este respeito pelos gostos dos outros, é uma gulosa cobardia. Que vai acabar mal - porque quanto mais a rádio se recusa a ser minoritária mais as minorias vão fugir dela. O problema da massificação é que as massas não existem para depois virem agradecer o que se fez por elas.

A apologia do tudo-vale confunde-se sempre com a santificação da ignorância e daí até dizer que António Sérgio sabe escolher música tão bem como eu vai um passinho. A verdade é que sabe muito mais. Escolhe muito melhor. Arrisca mais e engana-se menos. É simples: António Sérgio sabe mais de música popular - no sentido de saber escolhê-la, que é o único que interessa - do que qualquer outra pessoa.

É por haver tanta música hoje - e tanto acesso - que a sabedoria selectiva de António Sérgio é mais valiosa e necessária do que nos tempos ditos áureos em que, verdade se diga, não era assim tão difícil separar o trigo do joio. A música de António Sérgio é como a boa música: não se deixa interromper. É ele que não deixa. O homem sabe o que vale e o que tem de fazer. É escusado atravessarem-se no caminho dele. O que menos interessa é a estação de rádio.

A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.

Se calhar foi isso que custou à Rádio Comercial engolir. Não soube suportar o desprezo, talvez por saber que o merecia. Às vezes, quando existe uma pontinha de vergonha, é desagradável ter, mesmo ali ao lado, um exemplo tão claro de dignidade. De estatura. Desmotiva muito. Faz lembrar coisas que conviria esquecer, que atrapalham a marcha para a capitulação final.

Vai ter sorte a estação de rádio onde voltará a tocar a música de António Sérgio. Mas que fique desde já avisada que escusa de tentar desviar a caminhada do bicho. Em vão agitará no corredor papéis com números de audiências ou os amoques de focus groups. É escusado implorar-lhe que oiça "sem preconceitos" os CD de merda que vos interessa impingir. Não vale a pena atirar-lhe com a história dos tempos terem mudado.

Os tempos sim; a rádio outrossim; mas a urgência de descobrir e defender a música boa é a mesma de sempre. Ou maior ainda, dada a massificação da própria desistência de escolher e divulgar a música que vale a pena.

E não há ninguém que saiba fazer isso melhor do que António Sérgio. Que não faz outra coisa desde que faz rádio. Que não fará outra, mesmo que tentem impedi-lo. Para nosso bem - e, sobretudo, para bem de quem ainda não se sabe quem.

Ou então não - nem isso é preciso. A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito. Haja pressa em poder ouvi-la e saber dela outra vez."

Miguel Esteves Cardoso, Público 17 Setembro 2007

terça-feira, 27 de outubro de 2009

I'm a better athlete than you

I don't spit on the floor
(ainda a propósito...)

veto ao passô-bem e às palmadinhas no rabo também está em cima da mesa

Acredito, piamente, na viabilidade desta medida.
E qualquer palpite de que possa estar a ironizar sobre o assunto deriva da má interpretação a que, assumidamente, me sujeito.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

o caminho da luz

Não sou nada de euforias, mas se este Jesus do futebol está de alguma forma relacionado com o Deus da Bíblia de que fala o Saramago, então também serei obrigada a condenar a polémica do lançamento de Caim. E se o manual técnico do filho estiver relacionado com as escrituras do pai, então eu não lhe chamaria, de todo, manual de maus costumes - quando muito de maus hábitos se esta tendência iluminada ainda vier a dar para o torto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

analogias e coincidências

Faço analogias a toda a hora. Gosto ou é-me inevitável, não sei. Acho sempre que um alguém me faz lembrar outro alguém ou que determinada situação reporta para não sei o quê. Isso às vezes irrita as pessoas, mesmo quando para mim é tão óbvio que me parece digno de registo. Adelante. Ocorre-me isto depois de ontem à noite ter assistido ao esmiuçamento partilhado entre o Ricardo Araújo Pereira e o Marcelo Rebelo de Sousa, em que, a determinada altura, e não obstante estar a divertir-me imenso com a cavaqueira que por ali ia e com o excelente entretenimento proporcionado - em grande contraste com o conseguido há dias por Francisco Moita Flores ao ter transformado aqueles breves dez minutos numa entediante eternidade -, não obstante isso, dizia, não pude evitar chegar a um ponto em que o professor Marcelo me pareceu personificar, na perfeição, a mais histérica e insana das Júlias Pinheiro e acumular, em simultâneo, uns trejeitos de Luís Goucha. Foi o ex-libris do programa, digo eu.
E logo a seguir, entram em cena, antes que tivesse tempo para fugir, o Eduardo Madeira e a Bárbara Guimarães. Nem de propósito: quando quero evitar comparações absurdas, a eterna primeira dama da cultura vem por ali a fora a abanar-se que nem uma galinha, fazendo aquilo que ela parece julgar terem sido movimentos sexy, que demonstram a supremacia feminina.
Depressa me refugiei no quarto para acompanhar os preparativos da viagem de Salomão para Viena de Áustria e eis senão quando, a caixa mágica me acompanha até ao leito, precisamente para ouvir falar de Saramago e das suas polémicas. Pensei cá para mim que anda muita gente a ter necessidade de escrever e falar, sem saber muito bem sobre o quê, e no desespero desta evidência, adoptam a lógica Marcelista (lá vamos nós outra vez) e optam por pensar que é preferível ter uma opinião qualquer sobre nada do que passar por burro ou imbecil. Mau! pensei eu, isto já não são analogias, são coincidências. E fui dormir, porque não consigo ler mais que dez páginas com tão deplorável pontuação.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

vigília

Às vezes sonho com pessoas importantes que a vida me obrigou a deixar para trás. Os dias correm, mais ou menos felizes, com realidades práticas, objectivos cumpridos ou não, frustrações e conquistas, vividos como se pode e se sabe, nas suas vinte e quatro horas, e de súbito, uma noite, um sonho que não sabemos se foi longo ou curto, traz-nos à lembrança recordações violentas. A violência destes sonhos não está no seu género, mas na sua intensidade. Não são pesadelos épicos, com monstros cruéis, daqueles que nos arrancam do sono com um arrepio gelado. Ao contrário, são sonhos profundos, às vezes parados, sem história nem cronologia, feitos de momentos cheios de um calor que a vida real não tem.
Há poucos dias tive um sonho destes, que me trouxe por alguns instantes, alguém que desapareceu há anos, depois de já se haver perdido na minha vida. Nunca pedi para que esta pessoa regressasse, invadindo o meu sono, mas é algo que acontece com insistência. Sei sempre, mesmo antes de acordar, enquanto vivo o enredo que a fantasia me constrói, que aquilo não é real, e sei-o porque a realidade nunca me permitiu os abraços demorados, cheios de calor, fartos de qualquer coisa que só se compreende ali, por nós. A realidade nunca me deixou pousar os olhos ousada e demoradamente nesta pessoa, sem constrangimentos e embaraços. A alma nunca se me esvaiu pelo toque, nem se denunciou pelo olhar, a não ser numa ou outra circunstância que, me pergunto hoje, se não terá sido também ela fruto da imaginação.
Sei sempre, mesmo antes de acordar, que aquilo não é real mas prolongo e vivo aquela sensação que nunca experimentei e, no entanto, sei que existe. Leio no outro olhar a mesma coisa que no meu está escrito, uma espécie de aceitação irremediável, que se rebela apenas por uns minutos, num sonho, como que a desafiar o que a vida não deixou. Depois, o abraço apertado que nunca se deu e o olhar profundo que nunca existiu vão-se lentamente consciencializando e acabam por se fundir com aquilo que é real e onde não podem coexistir. A vida volta a impor-se, na sua realidade que não admite subterfúgios e o que resta é a sensação, aquela sensação que fica e que não se consegue pôr em palavras nenhumas do mundo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

heróis do mar

Cheguei à conclusão de que nada enche o ego aos portugueses como uma pequena provocação, mesmo com falta de gosto. De repente, todos inchámos o peito e reclamámos história e conquistas, mesmo os portugueses que pouco sabem de Camões ou quantos anos durou a ditadura salazarista.
Até a selecção nacional, com brasileiros à mistura, ganhou forças e renasceu das cinzas para mostrar de que é feita a nossa força. E já ninguém parece ter dúvidas que, depois de tão heróicas provas dadas, seremos concerteza campeões do mundo.
Já pensei em emigrar, para tentar saber o que é patriotismo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

para pensar

Manuela Moura Guedes, ao Correio da Manhã, a propósito da deliberação da ERC sobre a suspensão do Jornal Nacional de 6ª:
"Um acto ilegal é um acto nulo" ...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

maitê proença e o incontinental

Ora aqui estão reflectidos os meus pensamentos em relação à polémica. E muito precisos, em quase todos os aspectos. A verdade é que não creio que o vídeo seja, por si só, digno de se postar em que blogue for, mesmo que com intenções de divulgação e instauração da revolta. O que me parece é que uma das grandes mágoas provocadas em mentes mais sensíveis e bem recordadas dos serões da programação nacional das grandes décadas de oitenta e noventa, é precisamente a forte desilusão de nos darmos conta que os calores provocados pelas Maitês da saudosa Globo (no meu caso não eram calores mas uma forte inspiração de modelo feminino), podem não passar de uma fraquinha ilusão de infância.
De salientar um dos aspectos mais importantes que este texto refere e que me ocorreu precisamente quando assisti ao vídeo: toda esta cantiga de escárnio e maldizer da actriz prova que a sua pesquisa em torno das nossas fragilidades enquanto país de gente diminuta foi muito fraquinha. De facto, mais do que ofendida, senti-me extremamente desapontada. Não conseguiu apenas ganhar a inimizade dos portugueses que na sua razoável estrutura web tiveram acesso à sua deprimente iniciativa, como o fez sem qualquer brilhantismo e fundamento cómico. Francamente não consegui perceber o porquê da histeria final naquele estúdio, mas gostava de, pelo menos, poder ter tido algum motivo para rir de tanta chacota, que também é coisa que aprecio, quando bem feita.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

descrédito

Quem viu a entrevista ao Marques Mendes, tão deliciosamente esmiuçada pelo Ricardo Araújo Pereira, sabe do que estou a falar: como é possível confiar neste homem, que diz com um ar absolutamente sereno e até descontraído, que nunca se sentiu embaraçado pela sua estatura?
Que outras falsidades tão ou mais atrozes serão os políticos capazes de enunciar com tamanha pacatez?
Não se deixem enganar, digo eu.

domingo

Ontem não votei e não me pesa nada a consciência. A minha freguesia de eleitorado está desactualizada em relação à freguesia de residência e portanto também não boicotei grande coisa: já sou uma espécie de alienígena há algum tempo e também não estava a par dos programas de campanha de nenhum partido ou independente para qualquer dos meus duplos municípios. Como estou farta de votar em branco, resolvi deixar a hipocrisia de lado e optar pelo meu direito de simplesmente não votar. Aqueles que foram antes para a praia também devem ter direito ao perdão político porque temperaturas de 30º num Domingo de Outono fazem esquecer quase todas as prioridades, principalmente quando há quinze dias atrás, o mesmo alegado 'dever cívico' nos obrigou a dedicar mais um dia escaldante à romaria pelas escolas do país.
Assim como assim, o meu voto não iria fazer a diferença. Está mais que visto que, com ou sem abstenção há uma coisa que os líderes do PS e PSD jamais farão: assumir-se derrotados. E como o resto é milho para pardais...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

reiki

Experimentei quatro sessões de reiki, uma única vez na minha vida. Quatro sessões devidamente intercaladas por uma semana de intervalo, como convém, para não se tornarem dispersas e perderem 'eficácia'. Aproveitei uma espécie de promoção de reiki, digamos. Pague 3, leve 4. Mas o reiki nunca se 'abriu' para mim, nunca revelou a sua essência. E se sou uma rapariga esperta e, teoricamente, até consigo perceber os seus princípios mais elementares e os seus objectivos, não devo ter abertura espiritual para aceitar a sua influência equilibrante e harmoniosa.
Agora é aquela parte em que me diz, quem entende, que não dei tempo ao reiki para entrar na minha vida. Pois, eu sei. Mas eu sou uma céptica por natureza, o que é difícil de vergar, e quando me submeto a este tipo de experiências o que costuma acontecer é tornar-me tão artificialmente vulnerável que dou por mim a quebrar que nem um galho, nas mãos de um estranho qualquer.
Não digo que as massagens não tenham sido sublimes, porque sou sensível ao toque e qualquer mãozinha dedicada é capaz de me deixar o fio de baba pendurado e em estado meio vegetativo, quanto mais umas mãos cheias de energia, aquecidas a óleos e habituadas aos gémeos de uma equipa inteirinha de futebol onze com suplentes e tudo, mas espiritualmente, o reiki foi uma experiência sobrenatural e estranha, que envolveu coisas indesejáveis como dar por mim a falar incansavelmente sobre coisas que não queria, depois de alguns periodos de espera solitária numa sala vazia de calor humano.
Desconfio que não gostei mesmo nada de perceber que se calhar me faz falta um bocadinho de terapia desde os tempos da adolescência, por mais descrédito que atribuia à psicanálise.

Acho que ainda tenho lá por casa a única prescrição que resultou destas sessões: um papelinho muito bem dobradinho onde está escrito em letra irregular e redondinha: A Profecia Celestina. Ao que parece era o remédio que eu precisava, mas nunca cheguei a aviar a receita. E sinceramente, não me apetece nada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

círculos

Há um círculo bloguista potencialmente comparável à rotatividade de mostra de gente da VIP ou da Caras, sei lá, mas num outro sentido, muito mais irritante. Um círculo tipo elite pseudo intelectual.
O que mais me chateia é que eu tenho links de acesso rápido à nata desta elite aqui a partir do meu lugarejo.
Palavra que às vezes sinto que estou a folhear as revistas, sempre frescas, que a minha sogra tem lá por casa.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ainda sem perceber a da 'cabeça grande como um gato de setúbal', já vou entender quando se fizerem analogias à generosidade indonésia

Isto há um tempo atrás, não era assustador. Apenas fenomenal.
Agora é o tipo de coisa que não me deixa indiferente.
Mesmo que muito improvável.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

4 x

Há quatro alturas do ano em que sou uma pessoa optimista: quando mudam as estações.
A obra mais perfeita da Natureza é a mutação constante das suas estações. Elas mudam mesmo, mesmo, quando eu preciso de uma variação das coisas. Ainda que seja uma formalidade e o clima não transpareça nada de nada, é bom dizer que entramos no Outono.

cinema

Uma coisa que não estou a gostar na gravidez é o tormento em que se transformaram as salas de cinema. É uma maçada e fez com que não pudesse apreciar devidamente o tão esperado Idade do Gelo III e os aclamados Up e Inglourious Basterds*. Ou é isso ou sou eu que estou em dissonância com a massa crítica que tenho lido.
Quero acreditar que é a primeira, por isso vou tentar ver em casa as mamas e as lágrimas da Penélope Cruz, pelo sim pelo não.

* mas não fiquei imune ao provocante Christoph Waltz a emborcar asquerosamente o seu strudel, devo dizer. (Embora tenha servido apenas para ficar a pensar em duchesses com fios de ovos e ananás durante algum tempo. Que raio!)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

reentré

Ultimamente, na blogosfera, tenho lido muito mais do que escrito. Foram as férias, que apesar de curtas têm esta maravilhosa capacidade de me manter afastada da saturação do teclado. Depois o regresso, que tem sido um misto de preguiça, sentido do dever profissional e, principalmente, falta de um tema de jeito, que valha a pena talhar. Tenho andado envolta numa série de pensamentos que não se querem impor, não têm vontade. É um pouco aquele sentimento do 'havia tanto para dizer sobre isto mas... não tenho tempo (ou paciência)'. Depois o que se lê também não ajuda, não inspira, não revolta, não entristece, não dá ganas. São águas paradas, brandas, uma neblina incolor, invariavelmente à volta da política, do futebol, das desgraças pontuais (como a gripe, porque sobre desgraças a sério ninguém se pronuncia), da corrupção e da moral.
O melhor que tenho lido é o que não se relaciona com nada. Esta coisa dos blogues tem essa grande potencialidade. Às vezes é bom descansar as vistas por histórias quebradas, incompletas, que não têm tema, nem rigor, nem estrutura. Coisas que não são actuais, que não estão na moda nem na praça pública. São fragmentos que podem ter tanto de realidade como de ficção, tanto de revelação como de anonimato, sem origem, nem lógica, nem razão de ser. Estou sinceramente saturada de propagandas, críticas mordazes, lições de moral, sentenças oficiosas, pretensões. Chateiam-me tanto a leitura de um programa partidário oficial, como um post extraordinariamente bem escrito sobre como os dias de hoje corrompem o que havia de belo na escola e nas brincadeiras do nosso tempo. Cansa-me. Cansam-me as pessoas que põem tudo no mesmo saco e ditam do palanco as suas teorias sobre o que está mal nos dias de hoje. Cansa-me a mania da virtude e de como há quem se julgue seu dono. Admiro quem não tem olhares de julgamento para os demais e consegue soltar coisas quebradas, incompletas, sem tema, nem rigor, nem estrutura, pelo prazer que me dá o descompromisso dessa leitura. Invejo quem o faça e agradeço-lhe, de coração, por satisfazer as minhas necessidades actuais.
Mais tarde que cedo (espero), sei que também eu cairei na desgraça de ceder às tentações da temática comezinha, quer no que procuro ler, quer no que vou também sentenciando. Até lá, vou procurando estórias que me forrem as paredes do estômago, como um actimel, para suavizar o efeito das maleitas socias no organismo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

point break (ou ruptura explosiva)



Sim, eu sei que há o Dirty Dancing e o Ghost e o drama fantástico da série Norte e Sul, mas revi muitas vezes este filme.
Não consigo aceitar que a morte nos ceife assim as pessoas, como se fosse uma onda gigante.

"he's not coming back"