segunda-feira, 9 de novembro de 2009

dá-me ideia que

a solidariedade do jesualdo com o paulo bento começa a ser um pouco despropositada e até nefasta.
Mas não vou repudiar estes farrapinhos de felicidade.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

i heard the news today

Uma destas noites estava condenada a não adormecer nem por nada. Ou era a almofada mal colocada, ou a posição incómoda, ou o calor tardio, ou, sobretudo, os pensamentos persistentes sobre insanos trabalhos de parto, visualizados à custa de uma imaginação um pouco ansiosa e pouco experiente nestas andanças, que por isso mesmo viaja no meio de uma angústia perdida entre o terrífico e o potencialmente real. Agravante de peso, a sensação de apneia e sufoco provocada pela ilusão de um tecido cutâneo cuja elasticidade aparenta ser insuficiente para tamanho desafio como o é a gravidez. Enfim, algumas horas escuras e paralizantes.
Só tenho experimentado esta mesma sensação condensada em curtos periodos de tempo numa outra ocasião: quando vejo, na televisão, a expressão do Paulo Bento.
É por isso que hoje fiquei com a ideia de que o Paulo Bento deu, finalmente, à luz. E agora, depois de uma gravidez longa e desumana e de um parto difícil, prepara-se enfim para iniciar um grande projecto de vida, o de não estar à frente do Sporting.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

...

Coisa estranha esta, de condicionarmos a nossa própria revelação a um insolente pudor ou a uma espécie de orgulhoso anonimato, como se o desvendar da nossa essência correspondesse a uma amostra provocatória e escusada, que encerra em si o automático desinteresse da audiência.
E, em todo o caso, só consigo ver na partilha indescriminada, sinais de uma exposição gratuita, que evito a todo custo e que me incomoda que tentem buscar em mim. Gosto de enganar o mundo inteiro. Só assim consigo tirar verdadeiro prazer dos olhares de entendimento que recebo daqueles que conseguem, naturalmente, ver-me a nudez da alma.
Um prazer quase tão imenso como o que experimento quando me vêem precisamente como quero que me vejam.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

tributos

Pela música.
01.11.2009



"António Sérgio nunca esteve bem em qualquer estação de rádio. Mesmo quando a rádio era rádio. Porque António Sérgio é uma estação de rádio andante e uma estação não cabe noutra estação.

Para mais, é uma estação hostil às outras, contra as quais exerce uma guerrilha permanente. Mais do que meramente ingovernável - ou até uma oposição paciente - António Sérgio e a indissociável Ana Cristina Ferrão são um governo em exílio permanente. E com uma imperdoável agravante: é assim que gostam. E é nisso que insistem teimosamente. É lindo.

Os espanhóis da Prisa fizeram bem em despedi-lo. Estando livres de gratidão, memória ou preocupações da representação da boa música em Portugal, tiveram a coragem que faltou aos antecessores portugueses, ainda demasiado constrangidos pelo reconhecimento e pelo medo da superioridade musical de António Sérgio.

É importante frisar que não é de agora a tanga do mercado nem o fado do fim da rádio. António Sérgio só durou até 2007 porque se recusou a ir embora. Desde os anos 70 que agentes sorrateiros se agacham atrás dele, tentando puxar-lhe a cadeira, a ver se cai. Mas o homem sempre esteve ocupado de mais para reparar. Fincou os pés, sacou dos discos e fez o que sempre fez: o que lhe estava na real gana. De resto o desprezo pode ser a mais bela das distracções.

Ajudou também o facto de António Sérgio ser o melhor divulgador de música popular do nosso tempo - John Peel era magnífico mas tinha lapsos de gosto. Muito se perdoa a quem escolhe música boa tão bem, durante tanto tempo, com tanta arte e tanta inteligência.

A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.

Claro que é preciso gostar de boa música - e de querer descobrir boa música nova - para perceber a grandeza e a utilidade brutal de António Sérgio. A nostalgia é um argumento inimigo. Hoje há muito mais música boa e muito mais música nova do que nos anos 80 ou 60. Mas continua a ser 0,1% de toda a música que se faz.

Essa proporção continua a mesma. O que mudou é a atitude geral da população. Dantes, a ignorância inibia e produzia falsos respeitos por quem se suspeitava "ter conhecimentos". Havia seguidismos acéfalos e dependências paralisantes, tudo exacerbado pelas dificuldades e desigualdades de acesso à música. Havia mestres: era inevitável. ("Mestres" no mau sentido, de professorzinhos de província.) Na rádio as directrizes dos mestres eram obviamente inseparáveis do acesso à música para que nos dirigiam.

Não era bom - até porque os mestres eram mais do que muitos e geralmente pomposos e autoritários, para não falar nos vendidos. Mas é inegável que, entre os pouquíssimos capazes de descobrir e defender música boa, o maior era e é António Sérgio. Por definição é um anti-mestre, desinteressado do tráfego de influências e da concordância dos seguidores.

Digo mal desse tempo - que era também o meu - para poder absolvê-lo do maior defeito dos tempos de hoje, apesar de serem musicalmente mais vastos e empolgantes: o relativismo ignorante. É ele que acaba por explicar a atmosfera que leva à lata de despedir António Sérgio.

Segundo o relativismo ignorante, ninguém pode dizer se uma música é boa ou não. É tudo uma questão de gosto. Depende das circunstâncias. Depende da idade. Às vezes sabe bem uma coisa que, noutra altura, sabe mal. Cada um é como é e aquilo que agrada a um ... perdoem-me se me fico por aqui no blá blá blá.

Tem ou não tem graça como esta atitude coincide exactamente com a conveniência comercialista do cliente ter sempre razão; que os números não mentem; que os ouvintes é que sabem; que os anunciantes é que pagam e quem somos nós para dizer que não está bem assim?

O pior é que esta humildade é uma subserviência e este deixar decidir, este respeito pelos gostos dos outros, é uma gulosa cobardia. Que vai acabar mal - porque quanto mais a rádio se recusa a ser minoritária mais as minorias vão fugir dela. O problema da massificação é que as massas não existem para depois virem agradecer o que se fez por elas.

A apologia do tudo-vale confunde-se sempre com a santificação da ignorância e daí até dizer que António Sérgio sabe escolher música tão bem como eu vai um passinho. A verdade é que sabe muito mais. Escolhe muito melhor. Arrisca mais e engana-se menos. É simples: António Sérgio sabe mais de música popular - no sentido de saber escolhê-la, que é o único que interessa - do que qualquer outra pessoa.

É por haver tanta música hoje - e tanto acesso - que a sabedoria selectiva de António Sérgio é mais valiosa e necessária do que nos tempos ditos áureos em que, verdade se diga, não era assim tão difícil separar o trigo do joio. A música de António Sérgio é como a boa música: não se deixa interromper. É ele que não deixa. O homem sabe o que vale e o que tem de fazer. É escusado atravessarem-se no caminho dele. O que menos interessa é a estação de rádio.

A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito.

Se calhar foi isso que custou à Rádio Comercial engolir. Não soube suportar o desprezo, talvez por saber que o merecia. Às vezes, quando existe uma pontinha de vergonha, é desagradável ter, mesmo ali ao lado, um exemplo tão claro de dignidade. De estatura. Desmotiva muito. Faz lembrar coisas que conviria esquecer, que atrapalham a marcha para a capitulação final.

Vai ter sorte a estação de rádio onde voltará a tocar a música de António Sérgio. Mas que fique desde já avisada que escusa de tentar desviar a caminhada do bicho. Em vão agitará no corredor papéis com números de audiências ou os amoques de focus groups. É escusado implorar-lhe que oiça "sem preconceitos" os CD de merda que vos interessa impingir. Não vale a pena atirar-lhe com a história dos tempos terem mudado.

Os tempos sim; a rádio outrossim; mas a urgência de descobrir e defender a música boa é a mesma de sempre. Ou maior ainda, dada a massificação da própria desistência de escolher e divulgar a música que vale a pena.

E não há ninguém que saiba fazer isso melhor do que António Sérgio. Que não faz outra coisa desde que faz rádio. Que não fará outra, mesmo que tentem impedi-lo. Para nosso bem - e, sobretudo, para bem de quem ainda não se sabe quem.

Ou então não - nem isso é preciso. A música de António Sérgio é a melhor e está tudo dito. Haja pressa em poder ouvi-la e saber dela outra vez."

Miguel Esteves Cardoso, Público 17 Setembro 2007

terça-feira, 27 de outubro de 2009

I'm a better athlete than you

I don't spit on the floor
(ainda a propósito...)

veto ao passô-bem e às palmadinhas no rabo também está em cima da mesa

Acredito, piamente, na viabilidade desta medida.
E qualquer palpite de que possa estar a ironizar sobre o assunto deriva da má interpretação a que, assumidamente, me sujeito.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

o caminho da luz

Não sou nada de euforias, mas se este Jesus do futebol está de alguma forma relacionado com o Deus da Bíblia de que fala o Saramago, então também serei obrigada a condenar a polémica do lançamento de Caim. E se o manual técnico do filho estiver relacionado com as escrituras do pai, então eu não lhe chamaria, de todo, manual de maus costumes - quando muito de maus hábitos se esta tendência iluminada ainda vier a dar para o torto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

analogias e coincidências

Faço analogias a toda a hora. Gosto ou é-me inevitável, não sei. Acho sempre que um alguém me faz lembrar outro alguém ou que determinada situação reporta para não sei o quê. Isso às vezes irrita as pessoas, mesmo quando para mim é tão óbvio que me parece digno de registo. Adelante. Ocorre-me isto depois de ontem à noite ter assistido ao esmiuçamento partilhado entre o Ricardo Araújo Pereira e o Marcelo Rebelo de Sousa, em que, a determinada altura, e não obstante estar a divertir-me imenso com a cavaqueira que por ali ia e com o excelente entretenimento proporcionado - em grande contraste com o conseguido há dias por Francisco Moita Flores ao ter transformado aqueles breves dez minutos numa entediante eternidade -, não obstante isso, dizia, não pude evitar chegar a um ponto em que o professor Marcelo me pareceu personificar, na perfeição, a mais histérica e insana das Júlias Pinheiro e acumular, em simultâneo, uns trejeitos de Luís Goucha. Foi o ex-libris do programa, digo eu.
E logo a seguir, entram em cena, antes que tivesse tempo para fugir, o Eduardo Madeira e a Bárbara Guimarães. Nem de propósito: quando quero evitar comparações absurdas, a eterna primeira dama da cultura vem por ali a fora a abanar-se que nem uma galinha, fazendo aquilo que ela parece julgar terem sido movimentos sexy, que demonstram a supremacia feminina.
Depressa me refugiei no quarto para acompanhar os preparativos da viagem de Salomão para Viena de Áustria e eis senão quando, a caixa mágica me acompanha até ao leito, precisamente para ouvir falar de Saramago e das suas polémicas. Pensei cá para mim que anda muita gente a ter necessidade de escrever e falar, sem saber muito bem sobre o quê, e no desespero desta evidência, adoptam a lógica Marcelista (lá vamos nós outra vez) e optam por pensar que é preferível ter uma opinião qualquer sobre nada do que passar por burro ou imbecil. Mau! pensei eu, isto já não são analogias, são coincidências. E fui dormir, porque não consigo ler mais que dez páginas com tão deplorável pontuação.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

vigília

Às vezes sonho com pessoas importantes que a vida me obrigou a deixar para trás. Os dias correm, mais ou menos felizes, com realidades práticas, objectivos cumpridos ou não, frustrações e conquistas, vividos como se pode e se sabe, nas suas vinte e quatro horas, e de súbito, uma noite, um sonho que não sabemos se foi longo ou curto, traz-nos à lembrança recordações violentas. A violência destes sonhos não está no seu género, mas na sua intensidade. Não são pesadelos épicos, com monstros cruéis, daqueles que nos arrancam do sono com um arrepio gelado. Ao contrário, são sonhos profundos, às vezes parados, sem história nem cronologia, feitos de momentos cheios de um calor que a vida real não tem.
Há poucos dias tive um sonho destes, que me trouxe por alguns instantes, alguém que desapareceu há anos, depois de já se haver perdido na minha vida. Nunca pedi para que esta pessoa regressasse, invadindo o meu sono, mas é algo que acontece com insistência. Sei sempre, mesmo antes de acordar, enquanto vivo o enredo que a fantasia me constrói, que aquilo não é real, e sei-o porque a realidade nunca me permitiu os abraços demorados, cheios de calor, fartos de qualquer coisa que só se compreende ali, por nós. A realidade nunca me deixou pousar os olhos ousada e demoradamente nesta pessoa, sem constrangimentos e embaraços. A alma nunca se me esvaiu pelo toque, nem se denunciou pelo olhar, a não ser numa ou outra circunstância que, me pergunto hoje, se não terá sido também ela fruto da imaginação.
Sei sempre, mesmo antes de acordar, que aquilo não é real mas prolongo e vivo aquela sensação que nunca experimentei e, no entanto, sei que existe. Leio no outro olhar a mesma coisa que no meu está escrito, uma espécie de aceitação irremediável, que se rebela apenas por uns minutos, num sonho, como que a desafiar o que a vida não deixou. Depois, o abraço apertado que nunca se deu e o olhar profundo que nunca existiu vão-se lentamente consciencializando e acabam por se fundir com aquilo que é real e onde não podem coexistir. A vida volta a impor-se, na sua realidade que não admite subterfúgios e o que resta é a sensação, aquela sensação que fica e que não se consegue pôr em palavras nenhumas do mundo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

heróis do mar

Cheguei à conclusão de que nada enche o ego aos portugueses como uma pequena provocação, mesmo com falta de gosto. De repente, todos inchámos o peito e reclamámos história e conquistas, mesmo os portugueses que pouco sabem de Camões ou quantos anos durou a ditadura salazarista.
Até a selecção nacional, com brasileiros à mistura, ganhou forças e renasceu das cinzas para mostrar de que é feita a nossa força. E já ninguém parece ter dúvidas que, depois de tão heróicas provas dadas, seremos concerteza campeões do mundo.
Já pensei em emigrar, para tentar saber o que é patriotismo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

para pensar

Manuela Moura Guedes, ao Correio da Manhã, a propósito da deliberação da ERC sobre a suspensão do Jornal Nacional de 6ª:
"Um acto ilegal é um acto nulo" ...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

maitê proença e o incontinental

Ora aqui estão reflectidos os meus pensamentos em relação à polémica. E muito precisos, em quase todos os aspectos. A verdade é que não creio que o vídeo seja, por si só, digno de se postar em que blogue for, mesmo que com intenções de divulgação e instauração da revolta. O que me parece é que uma das grandes mágoas provocadas em mentes mais sensíveis e bem recordadas dos serões da programação nacional das grandes décadas de oitenta e noventa, é precisamente a forte desilusão de nos darmos conta que os calores provocados pelas Maitês da saudosa Globo (no meu caso não eram calores mas uma forte inspiração de modelo feminino), podem não passar de uma fraquinha ilusão de infância.
De salientar um dos aspectos mais importantes que este texto refere e que me ocorreu precisamente quando assisti ao vídeo: toda esta cantiga de escárnio e maldizer da actriz prova que a sua pesquisa em torno das nossas fragilidades enquanto país de gente diminuta foi muito fraquinha. De facto, mais do que ofendida, senti-me extremamente desapontada. Não conseguiu apenas ganhar a inimizade dos portugueses que na sua razoável estrutura web tiveram acesso à sua deprimente iniciativa, como o fez sem qualquer brilhantismo e fundamento cómico. Francamente não consegui perceber o porquê da histeria final naquele estúdio, mas gostava de, pelo menos, poder ter tido algum motivo para rir de tanta chacota, que também é coisa que aprecio, quando bem feita.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

descrédito

Quem viu a entrevista ao Marques Mendes, tão deliciosamente esmiuçada pelo Ricardo Araújo Pereira, sabe do que estou a falar: como é possível confiar neste homem, que diz com um ar absolutamente sereno e até descontraído, que nunca se sentiu embaraçado pela sua estatura?
Que outras falsidades tão ou mais atrozes serão os políticos capazes de enunciar com tamanha pacatez?
Não se deixem enganar, digo eu.

domingo

Ontem não votei e não me pesa nada a consciência. A minha freguesia de eleitorado está desactualizada em relação à freguesia de residência e portanto também não boicotei grande coisa: já sou uma espécie de alienígena há algum tempo e também não estava a par dos programas de campanha de nenhum partido ou independente para qualquer dos meus duplos municípios. Como estou farta de votar em branco, resolvi deixar a hipocrisia de lado e optar pelo meu direito de simplesmente não votar. Aqueles que foram antes para a praia também devem ter direito ao perdão político porque temperaturas de 30º num Domingo de Outono fazem esquecer quase todas as prioridades, principalmente quando há quinze dias atrás, o mesmo alegado 'dever cívico' nos obrigou a dedicar mais um dia escaldante à romaria pelas escolas do país.
Assim como assim, o meu voto não iria fazer a diferença. Está mais que visto que, com ou sem abstenção há uma coisa que os líderes do PS e PSD jamais farão: assumir-se derrotados. E como o resto é milho para pardais...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

reiki

Experimentei quatro sessões de reiki, uma única vez na minha vida. Quatro sessões devidamente intercaladas por uma semana de intervalo, como convém, para não se tornarem dispersas e perderem 'eficácia'. Aproveitei uma espécie de promoção de reiki, digamos. Pague 3, leve 4. Mas o reiki nunca se 'abriu' para mim, nunca revelou a sua essência. E se sou uma rapariga esperta e, teoricamente, até consigo perceber os seus princípios mais elementares e os seus objectivos, não devo ter abertura espiritual para aceitar a sua influência equilibrante e harmoniosa.
Agora é aquela parte em que me diz, quem entende, que não dei tempo ao reiki para entrar na minha vida. Pois, eu sei. Mas eu sou uma céptica por natureza, o que é difícil de vergar, e quando me submeto a este tipo de experiências o que costuma acontecer é tornar-me tão artificialmente vulnerável que dou por mim a quebrar que nem um galho, nas mãos de um estranho qualquer.
Não digo que as massagens não tenham sido sublimes, porque sou sensível ao toque e qualquer mãozinha dedicada é capaz de me deixar o fio de baba pendurado e em estado meio vegetativo, quanto mais umas mãos cheias de energia, aquecidas a óleos e habituadas aos gémeos de uma equipa inteirinha de futebol onze com suplentes e tudo, mas espiritualmente, o reiki foi uma experiência sobrenatural e estranha, que envolveu coisas indesejáveis como dar por mim a falar incansavelmente sobre coisas que não queria, depois de alguns periodos de espera solitária numa sala vazia de calor humano.
Desconfio que não gostei mesmo nada de perceber que se calhar me faz falta um bocadinho de terapia desde os tempos da adolescência, por mais descrédito que atribuia à psicanálise.

Acho que ainda tenho lá por casa a única prescrição que resultou destas sessões: um papelinho muito bem dobradinho onde está escrito em letra irregular e redondinha: A Profecia Celestina. Ao que parece era o remédio que eu precisava, mas nunca cheguei a aviar a receita. E sinceramente, não me apetece nada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

círculos

Há um círculo bloguista potencialmente comparável à rotatividade de mostra de gente da VIP ou da Caras, sei lá, mas num outro sentido, muito mais irritante. Um círculo tipo elite pseudo intelectual.
O que mais me chateia é que eu tenho links de acesso rápido à nata desta elite aqui a partir do meu lugarejo.
Palavra que às vezes sinto que estou a folhear as revistas, sempre frescas, que a minha sogra tem lá por casa.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ainda sem perceber a da 'cabeça grande como um gato de setúbal', já vou entender quando se fizerem analogias à generosidade indonésia

Isto há um tempo atrás, não era assustador. Apenas fenomenal.
Agora é o tipo de coisa que não me deixa indiferente.
Mesmo que muito improvável.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

4 x

Há quatro alturas do ano em que sou uma pessoa optimista: quando mudam as estações.
A obra mais perfeita da Natureza é a mutação constante das suas estações. Elas mudam mesmo, mesmo, quando eu preciso de uma variação das coisas. Ainda que seja uma formalidade e o clima não transpareça nada de nada, é bom dizer que entramos no Outono.

cinema

Uma coisa que não estou a gostar na gravidez é o tormento em que se transformaram as salas de cinema. É uma maçada e fez com que não pudesse apreciar devidamente o tão esperado Idade do Gelo III e os aclamados Up e Inglourious Basterds*. Ou é isso ou sou eu que estou em dissonância com a massa crítica que tenho lido.
Quero acreditar que é a primeira, por isso vou tentar ver em casa as mamas e as lágrimas da Penélope Cruz, pelo sim pelo não.

* mas não fiquei imune ao provocante Christoph Waltz a emborcar asquerosamente o seu strudel, devo dizer. (Embora tenha servido apenas para ficar a pensar em duchesses com fios de ovos e ananás durante algum tempo. Que raio!)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

reentré

Ultimamente, na blogosfera, tenho lido muito mais do que escrito. Foram as férias, que apesar de curtas têm esta maravilhosa capacidade de me manter afastada da saturação do teclado. Depois o regresso, que tem sido um misto de preguiça, sentido do dever profissional e, principalmente, falta de um tema de jeito, que valha a pena talhar. Tenho andado envolta numa série de pensamentos que não se querem impor, não têm vontade. É um pouco aquele sentimento do 'havia tanto para dizer sobre isto mas... não tenho tempo (ou paciência)'. Depois o que se lê também não ajuda, não inspira, não revolta, não entristece, não dá ganas. São águas paradas, brandas, uma neblina incolor, invariavelmente à volta da política, do futebol, das desgraças pontuais (como a gripe, porque sobre desgraças a sério ninguém se pronuncia), da corrupção e da moral.
O melhor que tenho lido é o que não se relaciona com nada. Esta coisa dos blogues tem essa grande potencialidade. Às vezes é bom descansar as vistas por histórias quebradas, incompletas, que não têm tema, nem rigor, nem estrutura. Coisas que não são actuais, que não estão na moda nem na praça pública. São fragmentos que podem ter tanto de realidade como de ficção, tanto de revelação como de anonimato, sem origem, nem lógica, nem razão de ser. Estou sinceramente saturada de propagandas, críticas mordazes, lições de moral, sentenças oficiosas, pretensões. Chateiam-me tanto a leitura de um programa partidário oficial, como um post extraordinariamente bem escrito sobre como os dias de hoje corrompem o que havia de belo na escola e nas brincadeiras do nosso tempo. Cansa-me. Cansam-me as pessoas que põem tudo no mesmo saco e ditam do palanco as suas teorias sobre o que está mal nos dias de hoje. Cansa-me a mania da virtude e de como há quem se julgue seu dono. Admiro quem não tem olhares de julgamento para os demais e consegue soltar coisas quebradas, incompletas, sem tema, nem rigor, nem estrutura, pelo prazer que me dá o descompromisso dessa leitura. Invejo quem o faça e agradeço-lhe, de coração, por satisfazer as minhas necessidades actuais.
Mais tarde que cedo (espero), sei que também eu cairei na desgraça de ceder às tentações da temática comezinha, quer no que procuro ler, quer no que vou também sentenciando. Até lá, vou procurando estórias que me forrem as paredes do estômago, como um actimel, para suavizar o efeito das maleitas socias no organismo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

point break (ou ruptura explosiva)



Sim, eu sei que há o Dirty Dancing e o Ghost e o drama fantástico da série Norte e Sul, mas revi muitas vezes este filme.
Não consigo aceitar que a morte nos ceife assim as pessoas, como se fosse uma onda gigante.

"he's not coming back"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

toni collette



Gosto (tanto) dela!
Lembra-me a minha mãe quando era mais nova, de sorriso largo e unhas impecáveis.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

o homem, o cinema, a televisão






Runaway só amanhã, mas trago já na cabeça a banda sonora.
Voltamos depois de um curto intervalo para publicidade.
E mergulhos.

crónica de uma sexta-feira negra

Há um rol interminável de coisas chatas e demoradas para fazer. Há as malas. Nada mais chato para quem não tem habilidade para tal: qualquer um com acesso ao meu guarda-roupa e conhecimento dos dias e condições de destino faz melhor do que eu a minha própria bagagem. Depois pormenores estéticos, práticos mas indispensáveis. Não tenho pachorra, a sério. Não tenho a minúcia exigida para encarar certas tarefas necessárias como coisas normais: são sempre fardos. Isto a juntar ao sono terrível que denuncia uma falta de estimulantes naturais e artificiais, para além de noites instáveis sobre a batuta de sonos leves pela madrugada e pesados pela manhã, e à toada de sonhos que envolvem crocodilos de vários tamanhos, praias desconhecidas, sexo incestuoso, crianças e mini-meias de nylon de côr muscade. Também há o facto de ouvir na rádio, todas as manhãs desta última semana, em particular hoje, que nos espera um dia de calor e sol por todo este nosso Portugal, quando o carro me indica uma temperatura exterior de 19º e se faz sentir um vento impiedoso, debaixo de um céu assustadoramente cinzento. Onde estou eu?
Por isso não, hoje não me ouvem festejar efusivamente o tão desejado início de férias.
Quando ouvirem o meu rugido de raiva, o grito inconfundível do ipiranga, saberão que estou, finalmente, onde quero. E ainda não será hoje.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

descansar as vistas

Depois de um periodo de chafurdice pela mediocridade dos blogues infestados de futebol e de política, que sujam a mente como o dinheiro suja as mãos, e até me fazem sonhar com o anúncio oficial da demissão da MFL, dei aqui um mergulho zen, que me fez sentir tão bem como aquela massagem e o jantarzinho vegetariano na Praça da Alegria.

Espero não ter deixado por lá vestígios deste surro social, porque no país das maravilhas tudo se quer o mais diferente possível da realidade.
Obrigada, M.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

casa conveniente

As memórias atraiçoam-me.
Devem ter passado seis anos e alguns meses desde que a professora da cadeira de Contemporaneidade e Produção Cultural nos levou (os que quiseram ir) a ver a adaptação teatral da obra de Raymond Carver, "De que falamos quando falamos de amor".
Lembro-me mal, como se logo depois dessa noite atípica naquela casa-fantasma no Cais do Sodré, com cadeiras espalhadas pelo chão sujo, me tivesse sucedido alguma coisa que me tenha apagado quase na totalidade o registo mental de que ela (a noite) tivesse sequer existido.
Lembro-me de coisas soltas: de entrar no espaço, de ver as sombras, da apresentação sumária da professora à obra de Carver, da admiração contida, porém latente, nas suas palavras. Nunca me esqueci do título. É o que me faz acreditar que a noite existiu, muito além de comprovar a existência da obra.
Os meus limites culturais não me permitiam conhecer o espaço, o livro ou o autor até aquela data. E depois disso, não mais voltei: nem ao espaço, nem ao livro, nem ao autor. Não sei se foi bom ou mau. Lembro-me aos farrapos.
Gostava de poder dizer que as minhas experiências académicas estão parcialmente nubladas por uma recorrente onda de loucas ressacas e noites queimadas por caminhos pecaminosos, mas não.
A noite na casa conveniente, tal como as aulas da Dr.ª Isabel Meirelles, a matéria de Sistema dos Media ou a de Direito, a Tuna e o 2º a Circular são um emaranhado de lembranças esmiuçadas e fundidas noutros contextos tão diversos, que só posso concluir que nada daquilo que sou (ou não sou) se deve aos meus anos de formação superior.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

festa privada

É uma menina e tem os três (vasos...)!
Só por isso, tenham um bom fim-de-semana.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

casanova

Eu, que não me parece que tenha alguma coisa decente para dizer hoje, quanto mais para imortalizar por via da escrita; eu, com esta minha lanzeiricite, espécie de preguiça crónica mas aparentemente sem qualquer fundamento que justifique uma baixa médica para fins de cura de sono; eu, que neste momento (e outros anteriores e subsequentes) não mereço um cêntimo do que aufiro, tal é a inércia física e mental que me anula; eu atrevo-me, ainda assim, a censurar com desprezível aceno de cabeça e estalinhos de língua, aquele que não dedicar um bocadinho do seu tempo a deleitar-se aqui com o Casanova.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sordidamente irresistível

Se neste país ainda se praticasse a censura, como alguns dizem que acontece, não seríamos diariamente bombardeados com tanta parvoíce.
É de extremos, eu sei. E tento fazer disto metáfora porque não sou apologista de ditaduras, mas às vezes tenho saudades das boas gentes que pacificamente gastavam as páginas do correio da manhã, por essas pastelarias, tascas e bancos de jardim afora. Essa raça quase extinta no meu imaginário e cada vez mais solidamente substituida pelos fiéis comentadores das notícias on-line, pessoas de ódios descontrolados e línguas venenosas.
É tão massiva a raiva e tão grande a imbecilidade desta maioria de novos críticos sociais, que me orgulho de, não resistindo aqui e ali a dar uma espreitadela a picardias idiotas, ter conseguido sempre controlar a minha vontade de lhes invadir o galho e mandá-los ir silenciar os seus teclados nervosos para o raio que os parta.
E já agora, que por lá aprendessem a distinguir os dois "ss" do "-se". Assim mesmo, desta maneira tão básica e elementar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Me being the turtle... of course.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

fiquem com esta

... porque por entre todas as miudezas que debiquei para aqui hoje, teria de haver alguma coisa que valesse realmente a pena.
Invariavelmente, não fui eu que a escrevi.

que não me doa a cabeça

As minhas férias estão à distância do prazo de validade de um iogurte. Daqueles com mais conservantes.
Porra, pá.

r.a.p.

Digam o que disserem, eu mantenho a minha opinião: este rapaz é inteligente, tem bons ares e é um extraordinário humorista.
Mas acima de tudo, é um tipo muito esperto.

clubeFashion contra-ataca

Lembram-se daquelas sabrinas que me têm custado dias de espera? Afinal, não vêm. Depois de alguns apelos aqui da cliente pouco assídua, parece que o stock que há mês e meio estava perfeitamente garantido, já não está. Não me espanta. Mês e meio depois da divulgação da campanha é normal que o produto já tenha escoado.
É um negócio interessante, se pensarmos bem.

Ora se eu me tivesse lembrado disto há mais tempo, teria dado largas à imaginação e angariava pessoal que até gosta de umas camisinhas Sacoor a preço de feira do relógio, mas por catálogo, que é mais discreto, e pedia pagamento à encomenda. Contas feitas, teria sempre uma margem de manobra segura de quinze dias (que é o tempo estimado para entrega), mas para ser em grande, dava-lhe mais quinze dias para arrecadar uns trocos extra com umas malinhas Samsonite (que nesta altura vêm a calhar) e uns bikinis de griffe brasileira (que inflaccionam a cada milha atlântica de caminho para a Europa), o que me dava, à vontadinha, um mês para viajar como se quer. A única dor de cabeça seria escolher o destino.
De regresso, a coisa compunha-se com uns e-mails impessoais mas bem redigidos, a lamentar as rupturas de stock que impediram a concretização da troca, e a garantir a devolução da nota batida ou (melhor ainda) a atribuição de um crédito sem validade, para gastar em futuras encomendas (que o mais incauto e indeciso pode ir deixando pendente até aparecer uma promoção jeitosa da Tag Heuer, e sempre se tem aquele de parte para as férias de Natal).
Na pior das hipóteses, teria mesmo de devolver o dinheiro, mas seria em suaves prestações (porque os cães ladram mas a caravana passa) e as férias teriam certamente valido a pena. Além disso, não pagava juros pelo tempo que entretanto decorrera.
Talvez ainda vá a tempo. Até porque este ano, as férias não são assim tão promissoras: ir para fora cá dentro seria perfeitamente possível às custas de uma mão cheia de sabrinas apalavradas.

Filhos de uma cadela.
Não hei-de eu estar com a neura...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

o silêncio é de ouro...

Não queria montar perseguição cerrada ao senhor, principalmente por respeito a uma boa cabeleira grisalha -e também porque este blogue só tem sido implicativo com o MST-, mas a verdade é que o homem dá uma no cravo e outra na ferradura.

...


terça-feira, 11 de agosto de 2009

liderança

O Sporting já foi elite, ameaça, rival, campeão, promessa. Mas nunca, como hoje, inspirou tanta compaixão.

ser feliz

Há um refúgio paradisíaco, numa milha perdida da nossa costa, onde a areia é mais clara e fina, e o mar é um aquário de corais, lentamente agitado por brisas mornas. O sol é mais brando mas nunca se esconde, e há folhagens verdes a meia dúzia de passos, que abrigam sonos de estio. Esse refúgio é concessionado por uma governanta de avental branco, que serve bolos quentes, caracóis e frescos numa esplanada que não ostenta cinzeiros com pontas de cigarro. Nas redondezas, quando o sol desaparece, surge recortada no céu rosado uma aldeia a lembrar o interior mais recôndito, com os seus abrigos frescos de onde, depois do calor, começam a brotar gentes hospitaleiras. Há uma foz calma que desagua no mar e onde se apanha, ao final da tarde, conquilha abundante. À noite, mistos de grelhados e aromas frutados confundem-se. São verdes e vermelhos avinagrados e doces de mel. Há cafés onde se trocam dedos de conversa e se misturam pessoas de casa e de fora, e há nesses cafés os chupa-chupas espalmados, forrados de plástico transparente, que já não se vendem em lado nenhum. As casas de comércio, quase todas, imortalizam religiosamente ícones do passado: caiam-se as paredes mas o logo do gás mobil permanece imaculado. As jornadas começam cedo, com o sol tímido a prometer dias bonitos, e há cheiro de cevada, pão fresco e hortaliças viçosas. Há mercado com pescados ainda vivos.
Repete-se um ciclo quotidiano e tranquilo.
Que saudades.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

wall-e & eva

Nada engana melhor do que aquilo que, à partida, se apresenta óbvio.

palavras ainda mais sábias

Obrigada pelo e-mail, L.
É sempre bom saber que não somos os únicos a esboçar um sorriso irónico face à dura realidade.
(É o post ideal para uma segunda-feira de manhã; a próxima, que dá início a uma semana de calor... e de trabalho!)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

palavras sábias

O coração não tem sexo.
Tão apaziguador. Precisava de ouvir isto, para desviar ainda mais a minha atenção dos pormenores - mesmo que vindo de um doutor um bocado jarreta, demasiado perto da reforma e algo descontente com o seu insuficiente periodo de férias.
Cada vez mais concentrada na importância do perfeito tic-tac visceral desta criaturinha!

Faltava isto e o chapéu de palha.
Já está!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

clubeFashion

Por estas e por outras é que não gosto de elites, nem de fellowships e não costumo ser membro de coisíssima nenhuma.
Não é que estou há um mês à espera de umas sabrinas, disponíveis com super desconto (ou não fosse eu sócia distinta do clube) e, obviamente, pagas desde então? E, não bastasse a espera pelo artigo, nem uma nem duas do outro lado.
Uma semana depois do primeiro e-mail a questionar os senhores (hello, não se terão esquecido de nada?), eis que chega a elucidativa resposta de que realmente a coisa está pendente, aparentemente por falta de pagamento mas que, em princípio (!), se irá resolver agora que o meu e-mail (de há uma semana atrás) foi encaminhado para alguém que imagino seja imensamente competente. Caso contrário entrarão em contacto (para me pedir mais dinheiro?).

Eu sei, há no mundo problemas bem mais graves.
Mas eu lido muito mal com incompetência e mau serviço público.

E era porreiro receber as sabrinas antes de vê-las na loja com o mesmo desconto e, preferencialmente, antes do Inverno.

coisas

Continuo sem perceber a fixação generalizada em imiscuir no cinema a temática dos dinossauros. Felizmente foram incapazes de estragar a toada brilhante da Idade do Gelo, mas passava-se bem só com a bicharada miúda.
Chateia-me isso. Isso e a Laurinda Alves com as suas crónicas insípidas.
Não fosse isto, e não teria mesmo nada para escrever.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

fava rica

Que hermoso!

feliz caos

Enquanto não vou de férias, vou-me conformando com esta imagem.
O termo pode mesmo ter uma conotação negativa. Tudo na vida é uma questão de perspectiva...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

VH



Eu gosto de homens com pêlos no peito. Estou desenraizada.

'festas da gripe'


Por enquanto Portugal ainda está na cauda da Europa no que respeita a estas rambóias. Eu digo que a culpa é dos festivais de Verão.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

circular #2

Sou uma pessoa de brandos costumes, sem o fogo nas ventas que às vezes tanta falta me fazia para dizer umas e outras, sem o pinguinho de mau feitio essencial para uma vida sã e livre de úlceras, o que não significa que não me aflija com as alarvidades que se fazem e dizem.
E pelo amor de Deus, estou num estado delicado, portanto poupem-me as graçolas inoportunas, os disparates na estrada, as respostas mal educadas, os telefonemas a meio do merecido serão no sofá, os cestos de roupa para passar, o ter de passear o cão sonâmbula, a chuva e o frio em fim de Julho (!) e, muita atenção ao last but not least, porque este é mesmo o mais importante, poupem-me todos e quaisquer misticismos, mezinhas, ditos, crenças ou agoiros relacionados com potenciais problemas para a minha barriga, a minha semente ou o fruto que dela brotar, principalmente se baseados em coisas que não fazem qualquer sentido.
A sério. Não há pachorra.

predicting the future

I wish we had even a clue as to what we're doing

Esse medo aproxima-se...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

propaganda

Não me parece justo que o BE espalhe por aí um um outdoor de carácter tão cruel.

Estou-me nas tintas para a defesa demagógica das minorias étnicas, para os imigrantes ilegais, para os desempregados sem direito a subsídio e para os direitos dos homossexuais (principalmente quando já não são minorias e, em muitos casos, não mexem uma palha para mudar a sua sorte).

Mas não deviam tentar manipular-me com uma fotografia de um senhor que é a cara chapadinha do meu rico pai, muito menos para apelar à minha profunda sensibilidade por aqueles que, como ele, se esfalfaram toda a vida a trabalhar (bem mais que quarenta anos) para não poderem gozar de uma velhice tranquila.

É perturbador, mas inútil. Continuam sem o meu voto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

continuação (sem ilustrações)

O post anterior é fraquinho, vá. Não é a isto que gosto de dedicar o meu tempo até porque normalmente é o tipo de informação que não procuro e que me cai no colo, assim tipo, a ouvir rádio de manhã, a caminho do trabalho (como a notícia de que a LaToya sabe que o irmão foi assassinado e por quem, que é a primeira coisa que oiço quando finalmente ao fim do dia me sento no sofá e prescindo do Family Guy para atentar um pouco na natureza informativa dos noticiários... foda-se!), mas há coisas que têm de ser referenciadas. Por exemplo, este caso. É óbvio que a minha posta está carregada de ironia, com as duas fotografias parolas e aquela frase subtil, mas isto tinha de ser referenciado para, daqui por um (muito pouco) tempo, eu poder dizer: eu avisei, eles é que não perceberam a dica. O triste são estas mães, mas o que fazer? Até a minha, coitadinha, se me visse a fazer certos brilharetes patéticos batia palmas de orgulho. Ou então não. Ela cortou-me logo as pernas aos dois anos quando comecei a exigir rebuçados em troca do refrão das Doce. Precoce? A Flor? Eu ainda nem tinha maminhas, quanto mais saber o que era silicone!
Maneiras que é isto.

Ah, e convite duplo para a ante-estreia do Harry Potter, hoje à noite, no Fórum Lisboa? Aquele filme que eu quero ir ver para depois poder dizer que o livro é muito mais giro, e para o qual ganhei entradas por responder que Tom Riddle era o verdadeiro nome do Lord Voldemort, mas que não vou ver porque ando com umas contracções estranhas - acho que se chamam Braxton Hicks e diz que não tem mal - e também por problemas logísticos de acesso ao Chiado a partir daqui do subúrbio depressivo em que estou enfiada o dia todo, que me impossibilitam de ir levantar os ditos (convites)? Heim? Alguém quer?
Então boas noites. Vou indo.

the three stooges












Tem tudo para dar certo...

terça-feira, 14 de julho de 2009

esta semana

A estreia do Harry Potter, ainda com a Idade do Gelo na calha. Que alegria imensa!

na sequência da circular...

Mesmo assim estou feliz, caramba. E tenho uma barriga gira - em sentido oposto à que sempre ambicionei....

circular #1

É oficial. Detesto o meu trabalho e tudo o que ele representa. Incluem-se (para além das tarefas óbvias que nele estão implícitas):
- o percurso de ida e volta, com as suas obras, cortes de estradas e desvios ad eternum, com os seus camiões-cisterna e outros pesados de carga a projectar calhaus de lama seca que acumulam nos pneus, com os sucessivos stands de automóveis, armazéns de mobiliário e comércio de pedra à beira da estrada;
- os colegas, tão próximos fisicamente, mas a quem não apetece contar aquela aventura espectacular de fim-de-semana ou a mais recente frustração, por mais que os meses de convívio se acumulem;
- a paisagem natural, demasiado serena e vazia, que se tem de todas as janelas de um escritório que tem, visto de fora, o aspecto de um centro de Inspecções Periódicas Obrigatórias.
Detesto o lugar garantido que tenho sempre para o carro, o insatisfatório ordenado certo ao final do mês (que sou eu a processar, o que lhe retira o gozo de ser algo que nos dão) e o lance de escada que subo todas as manhãs sempre com o mesmo pensamento.
Detesto pensar que não devo aspirar a mais neste momento por cautela, pela tranquilidade que a certeza das coisas nos dá.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

desabafo inconsequente

Costumo acompanhar com regularidade uns poucos blogues aos quais deito a mão. Alguns deles importei-os para a coluna da direita, que não tem muito mais serventia do que acumular estas referências; outros são blogues que descubro, por via de terceiros ou acidentalmente, como resultado de alguma busca cibernáutica. Já tenho descoberto coisas interessantes e outras pavorosas. Às vezes revolta-me a quantidade de disparates que leio (e os erros crassos!) mas acabo por controlar-me porque, como dizia o outro, o ar é de todos. Aguenta-te.
Mas há uma coisa que me chateia mesmo nestes laços que se criam entre pessoas que, anonimamente se fruem e descobrem inclusive identificar-se bastante com sei lá quem. Porque o que acontece com frequência é, a qualquer momento, levarmos com uma posta daquelas bem dadas, que não tem a ver com nada e nos faz pensar que, se calhar, a tal pessoa, anónima e ainda bem, é um caso de bipolaridade que nos ceifa de improviso com convicções disparatadas. É como assinar uma revista de moda e, sem aviso, a determinada altura, recebermos um catálogo de desportos motorizados. A diferença aqui é que a 'assinatura' é à borla.
Assim, não me alongando muito mais, pela primeira vez apaguei um blogue da coluna da direita por me sentir defraudada. É que pior do que gente que só escreve tretas, é aquela pessoa muito assertiva e bem formada, que tem surtos de patetice e vulgaridade.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

bufona

Há sempre qualquer coisa que mudaríamos em nós, normalmente até mais do que uma, mas que sabemos jamais conseguir. Faz parte de nós, não é uma teima passageira ou uma aresta que se lime. O pior é quando nos damos conta que alguém nos irrita imenso por aquela sua característica tão particular, para concluirmos depois que é algo de que também padecemos. Pensamos então, será possível que eu inspire tamanha irritação nos outros quanto este gajo me inspira a mim com este tique desprezível? E provavelmente a resposta é afirmativa. Credo!
Eu, por exemplo, sou uma bufona. Gosto de bufar. Quer dizer, não gosto, mas preciso. Quando me irritam, quando estou em stress, só porque sim. Às vezes até solto aquele suspiro prolongado, tão característico das pessoas mais velhas, quando se sentam pesadamente no cadeirão da sala, para uma matiné de tédio.
Sempre soube que era bufona, acho que sempre fui. Mas é chato dar-me conta de repente que esta minha característica pode custar-me o ódio miudinho dos outros, que têm de levar com o meu bufanço. Só a palavra em si é medonha, mas caracteriza muito bem o acto. É chato ouvir alguém bufar, como se estivesse sempre sem paciência, sempre a carregar um fardo demasiado pesado.
Era o que mudava, se pudesse, nas coisas-impossíveis-de-mudar. Mas como não tenho muitas esperanças, rogo a todos os que me rodeiam que me perdoem quando bufo (credo!).
Para aqueles que nunca me ouviram bufar: são uns sortudos! E certamente, não me conhecem lá muito bem.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

JM homenageia MJ



Como tenho mais que fazer, não estive refastelada a assistir à cerimónia, mas cheguei a tempo de ver isto. É bonito.

terça-feira, 7 de julho de 2009

os fenómenos

É o assunto do dia, da hora, do momento. É um fenómeno, potencialmente criticável, porventura agigantado por uma cobertura mediática desproporcional e pela euforia das massas, mas não deixa de ser um fenómeno. E eu gosto de pensar sobre os fenómenos.
Por exemplo, se é certo que já não posso ouvir os anúncios do BES, orgulhosa instituição bancária que detém muito provavelmente a publicidade mais compensatória da classe, e se já reviro os olhos à bajulação permanente e desmedida em torno do agora CR9, também é um facto que tenho de reconhecer no prodígio um grande mérito e uma astúcia empresarial e profissional que temia que ele não dominasse (a verdade é que não o tenho em grande consideração como miúdo-homem: estou certa que se não fossem os milhões e o meio social metro-trendy que o envolveu em Inglaterra, bem como - obviamente - o talento inato para a bola que o levou até lá, seria um espécimen de saloio com acne, possivelmente analfabeto).
Assim, gosto de olhar para o Ronaldo como um "fenómeno", um objecto de estudo social, e não certamente como sex-symbol (que não é) nem tão pouco como o jogador de futebol exemplar, pois mesmo aí considero que lhe está em falta um patamar, porventura de maturidade, que lhe daria o tal estatuto pleno. Também não será o meu embaixador de eleição mas suponho que se justifique o orgulho massivo nacional, particularmente insular.
No resto, e quando comparo as suas excêntricas e por vezes abusivas fintas aos fabulosos movimentos de outro fenómeno já extinto, reconheço-lhe a inimitabilidade e o fascínio. Basta recordar o moonwalk para admitir, sem reservas, que não sendo o sex-symbol, o homem, ou o profissional de eleição, há em alguns fenómenos a personalidade d' O Artista.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

tranquilidade

A única coisa que continua agora a crescer independente da minha vontade (mas que aprecio com sorrisos lamechas) é mesmo a barriguinha.
As apreensões continuam porque fazem parte, mas receber boas notícias é sempre apaziguador.
Que será, será... whatever will be, will be...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

monólogos

Esta apreensão nunca passa. Não há optimismo que a disfarce, nem descontração que a neutralize. É maior que aquilo que se consegue controlar através do auto-domínio e cresce independente da nossa vontade. Não há oração que lhe valha, apenas, quando muito, alguma fé que reconforte. Não há uma acção pensada, nem um esforço que, se levado a cabo, possa evitar o que se receia e não se sabe. Impotentemente não se sabe.
Há esperança. Esperança, por si só, sem mais nada, sem garantias nem certezas, não é quase nada, sabe a pouco.
Mas é o que há: a Esperança, o que nos pode iludir enquanto esperamos... enquanto esperamos que a ilusão que reside nessa esperança se transforme em realidade.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Michael Jackson Tributes

Não diria melhor.

Artéria Umbilical Única

Porque tenho de ser sempre especial, preocupada e esclarecida (mesmo quando preferia que assim não fosse).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

nota:

A Galp sobe os preços dos combustíveis (com a concorrência logo atrás por escassas fracções de cêntimo) com uma frequência e naturalidade quase fisiológicas, como respirar ou piscar os olhos. Nós vivemos esta oscilação enviesada e tendenciosa com a complacência habitual.
A mim, parece-me que a crise económica tem as costas largas.

La Roux - In For The Kill



O vídeo oficial não estava disponível, o que, cá entre nós, também não deixa pena.

letrinhas? só para a canja...

Olho aqui para o escaparate do lado direito e só me apetece acrescentar "à cabeceira? À cabeceira tenho muito mais que isto!"
É que a pilha já é tão grande, com um recente canhenho do Jamie Oliver a dar-lhe mais 5 centímetros, que desconfio ser esse exagero cumulativo o motivo do meu fastio pelas letras. É que não me apetece nada.
Ontem levei o Caetano debaixo do braço para uma incursão de reconhecimento no metro até ao Saldanha, mas a meio da linha azul já ia muito mais interessada em redescobrir o fascínio da viagem subterrânea do que nas considerações sobre o admirável Chico Buarque.
Estou a caminhar a passos largos para a estupidez.

terça-feira, 23 de junho de 2009

terça à tarde reza assim II

E não é que a Rosa-Papoila-Bruxa-Louca poupou quilos de latim a dizer aproximadamente o mesmo que eu? E logo no Domingo à tarde! Bem falta me faziam essas sábias palavras à hora em que as postaste, bruxa malvada e sapiente.

Em relação aos Loureiros e às suas cantigas, reitero todos os meus sentimentos anteriormente manifestados.

terça à tarde reza assim...

Como dizê-lo? Não é que me aborreça, mas afecta-me; também não me tira o sono, mas retarda-o ligeiramente, enquanto me deixa a remoer brandamente. Faz-me debater sobre a sua pertinência, e tenho a certeza que aqui as opiniões se dividem. Pois claro que há quem pense que sim, senhor, é lícito, é legítimo! e há quem encolha os ombros a estes disparates.
(suspiro)
Sei que metade de mim tem a argúcia para apanhar do ar as feromonas e outras hormonas que se libertam dos seres quando determinadas situações ocorrem. E sei que a outra metade tem tendência para inflamar coisas de nada. Da primeira, sinto um grande orgulho. A segunda é basicamente inútil: um volumoso saco de bolas de esferovite a ocupar-me um lote de cérebro que poderia ser muito melhor rentabilizado para outros fins. E se a primeira às vezes me custa dissabores, a segunda é um gigantesco ponto de interrogação.
(longo suspiro)

E agora que tento traduzir o que quer que seja em palavras, na vã tentativa de aliviar o meu perturbado adormecer, só consigo pensar numa coisa, obcecadamente: que gosto ainda menos do João Loureiro do que do seu pai e que a grande vergonha nacional deveria ser o facto de alguma vez os Ban terem sido considerados uma banda musical portuguesa, por tantos motivos que não saberia por onde começar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

toda a diferença




É frágil, muito frágil, aquilo de que somos feitos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

bola de espelhos

É para muitos impensável que carcacinhas velhas como a "Should have known better", do Jim Diamond ou a "We've got tonight", do Bob Seger (ainda) me comovam. Mas é verdade. Ainda insisto em cantarolá-las com deleite quando as oiço nas resistentes frequências fm que (ainda) se dedicam a estas velharias. E tento, com alguma dificuldade, não passar indiferente a grande parte dos novos êxitos, mas não consegui (ainda) o desmame com o (ultra)passado.
Este ainda constante deixa-me sempre a sensação de que me falta um bocadinho assim para atingir o próximo patamar da evolução da espécie (o que na casa dos trinta se revela já mais complicado).

(Olha, está a passar agora Century! Why, lover why? Why do flowers die?)

Não tenho remédio.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

the big picture

A alternativa do Benfica aos bichinhos, às larvas que o minam, às térmitas que lhe tentam corroer o betão inexpressivo que a tantos fere a vista, é um mergulho no pântano lamacento dos crocodilos que se avizinham. A coisa não está nada fácil. Depois há o Cissokho, que parece já não valer tanto dinheiro porque o seguro de saúde do Porto negligenciou-lhe o tratamento do esmalte (ou foi o próprio que não comeu relva suficiente), e agora os italianos torcem o nariz. Há também o caso do Peseiro, que se anda a esticar nos resultados à frente de outra selecção, o que deixa o Queirós ainda mais mal visto e de reputação ameaçada.
Há outros casos, como o da Ana Rita, a mãe do Martim, que não sabe bem se continua ou não a greve de fome à porta do Tribunal de Cascais (vai saber com a advogada, mas esteve vai não vai para perguntar à Rita Marrafa de Carvalho o que havia de fazer); há a situação do vice-ministro do Negócios Estrangeiros iraniano, que insiste na nobre convicção de um país fortemente democrático e desafia a que se apontem nomes dos detidos pelo regime (quem não sabe é como quem não vê), e outras coisas menores do mundo da política e da economia do país (nada que nos diga grande coisa).
É com isto que me deparo se atento um pouco mais nas notícias à hora do almoço.
Às vezes fico grata por não ter tempo para estas coisas.
E o calor que fez na semana antes de ir de férias? E o calor que faz agora?
Onde estavam nas duas últimas semanas?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Comi sardinha um pouco por todo o lado, de Portimão à Ericeira, passando até pelo Alentejo profundo e pouco dado a tal hábito. Acabei, afinal, por não ir à Bica. Estou fatigadíssima, que é uma forma de estar cansada ainda mais superlativa que a tradicional fadiga. Fica encontro marcado com o S. Pedro, que, embora local, não é o padroeiro do meu feriado (este ano com pena minha). Adivinha-se um pouco mais de canseira e, claro, mais umas quantas sardinhas, que têm ómega, que é bem melhor do que tudo o que a entremeada possa oferecer (agora ando nesta obsessão rigorosa em torno de quantidades extra de certos ácidos, ferro e magnésio).
Estou de volta. Cansada até dizer chega.

terça-feira, 2 de junho de 2009

kit-kat (que é também o meu preferido)

Deixem-se ficar. Nós vamo-nos retirar para trocar uns dedos de conversa (e de mimos).
Até já.

o amor puro

A triste verdade é que gostaria de me sentir mais augada por sardinhas assadas e caracóis do que na realidade me sinto. Apetece-me que me apeteça. E o apetecer até está lá, obscurecido pela náusea de um certo estado de graça. Falta-me a parte melhor do petisco de Verão: a boca a salivar de gula.
Antes assim continue. Diz que é bom sinal.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

eles estão aí...

cit. "A sardinha está na brasa
Prontinha para assar,
Eu do frango quero a asa,
Para comer, não para voar"

E eu com eles.
Na Bica.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ela por ela

Sou tão avessa a estes disparates cada vez mais frequentes por parte de alguns homens da igreja católica, como o Miguel Veloso à utilização da primeira pessoa do singular.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

rita lee 'flagra'

teresa/manuel

Sei que, por meio dos muitos que passam por aqui despropositadamente, enganados pela indescriminada recomendação dos motores de busca (grande parte oriunda do Brasil e que procura o significado do termo permissividade*, curiosamente), há quem me visite com a regularidade habitual dos amigalhaços ou por um tipo de prazer lúdico qualquer. A esta minoria, peço desculpa pela minha abstinência recente dos nossos encontros tão assíduos durante meses a fio. É que ultimamente tenho andado sonolenta por demais e, com muita pena minha, sem grande vontade de depositar inutilidades e partilhas esporádicas.
Devo acrescentar também que este estado de espírito se deve em grande parte à influência fulcral que um dos dois referidos no título, com fifty-fifty de probabilidades de ser um ou outro mas nunca os dois, dizia, a essa influência preciosa que se tem reflectido em tudo o que faço e em tudo o que sou nas últimas semanas.

* ainda estou para descobrir o porquê desta insistência na permissividade. Não me ocorre nada.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

mau começo

Às vezes tomamos decisões que nos custam a paciência. Normalmente é em nome da lei do menor esforço, ou porque, até com algum fundamento, não faz sentido nenhum ter de ir estacionar o carro no parque de estacionamento subterrâneo que fica a 500 metros e que é pago, quando só precisamos de encostar ali à beira, onde nem sequer estorvamos, para deixar uns papéis no balcão da repartição. Nem senhas, nem filas, nem espera nenhuma. Só chegar e entregar e estar de volta em dois minutos. Por exemplo.
Mas, à custa do abuso de outros e da necessidade de encher os cofres da administração interna, arriscar a paragem proibida em deterimento da sensata decisão de perder euro e meio e cinco minutos a pé, hoje fui presenteada com uma jante amarela que me custou sessenta euros.
Ficou-me a pergunta a bailar enquanto aguardava o atabalhoado preenchimento da respectiva papelada e afins dos agentes da autoridade (porque a coisa estava ainda a dar-se quando regressei à viatura), como raio é que conseguiram ser tão rápidos!? Pelo meio das lamentações dos senhores agentes 'tá ver isto agora já está registado com este número e não podemos fazer nada, tem mesmo de pagar o desbloqueio e a coima', pensava para mim 'pois, pois...'

de volta...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

picasso

Picasso, La Vida, 1903
Antes de optar por um percurso académico supostamente dedicado à objectividade e ao rigor das palavras, vagueei por um caminho muito mais cheio de possibilidades. O que as artes plásticas têm de especial é o seu carácter de objecto de fruição, que dispensa academismos. As técnicas e as correntes que nos obrigam a aprender na escola são só uma pequena parte da imensidão de interpretações que a arte tem para nos oferecer. Os pensamentos e as palavras não têm de ser obedientes e rigorosos. A arte dá-nos isto: a inesperada possibilidade de descobrir algures aquele sentimento residual que, até aí, não sabíamos explicar pela lógica das palavras...

terça-feira, 12 de maio de 2009

este dia...

... assinala um marco de conquista: do direito a muitas coisas e do dever de tantas outras (ao compasso do relógio biológico e do peso da consciência).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

noutros tempos...

... as nossas curvas naturais não teriam sido motivo de angústia.

boas dicas

Pode ser coincidência e acho que isto vai virar uma moda generalizada e estúpida, como todas as modas, mas só dei ainda uma espreitadela ao i-online de hoje e já me conquistou, por alguns conteúdos e por uma diferente abordagem dos temas que apresenta.
Encontrei esta curiosité que me chamou logo a atenção. Muitos sabem o porquê do meu fascínio por estas descobertas do paraíso gastronómico e, ainda que o gourmet não seja necessariamente a minha fonte de inspiração culinária, é sempre lindo descobrir as inesgotáveis potencialidades da natureza e da imaginação humana.

negócio

Porque isto é, de facto, o que nos faz falta. Quer seja pela incapacidade de reconhecer nos homossexuais pessoas com os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão (que se cultiva desta forma com muito requinte), quer pela anedótica solução que parece apresentar para destruir os dogmas negativos da descriminação sexual, quer pela elitista proposta de facilitar a vida aos homossexuais abastados, as verdadeiras vítimas da descriminação e exclusão social.
Mas eu estou a ver a situação ao contrário. Espera-se sempre por notícias deste género que consistam em projectos ambiciosos, de cariz cívico e social irrepreensível, quando o que aqui se trata é de criar um negócio rentável que satisfaça os caprichos de uma minoria extravagante que, ao contrário da maioria gay enclausurada ou corajosamente assumida, quer apenas permanecer excluída da sociedade, no seu canto luxuoso e aristocrata.
Esta iniciativa não terá tanto a ver com homossexualidade mas antes com mais um protótipo de fosso social tão comum e muito conveniente para quem deseja morrer da mesma forma que sempre viveu: não ultrapassando as fronteiras de um mundo muito pequeno, concentrado no seu próprio umbigo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

relações

Passam os anos e as relações acumulam-se. Vamo-nos dando conta de que estamos mais velhos, mais experientes, melhor preparados e quase sempre mais enriquecidos, através dos laços desenvolvidos. Os amigos da rua, alguns dos quais mudam de casa muito cedo deixando apenas recordações muito ténues que se confundem com a imaginação, os colegas que aprendem connosco a escrever as primeiras palavras, os que se formam ao nosso lado e, claro, os colegas de trabalho. Há pessoas que guardamos a sete chaves, que podem até não ser aquelas que mais conviveram connosco, mas cuja relação foi marcante, por um motivo ou outro, e às vezes até são recordações inadvertidas, resultantes de experiências más, que não conseguimos apagar.
As pessoas ensinam-se mutuamente a agir e reagir. Tornamo-nos mais autênticos, construimos a nossa identidade com base naquilo com que nos identificamos. As 'gentes' são o reflexo mais próximo que temos das nossas próprias acções e, com sorte, é através uns dos outros que acabamos por rejeitar o que nos desagrada e aproveitar o que reconhecemos como sendo bom, que é como quem diz a não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam, por exemplo.
Isto obriga a que nos respeitemos, não a que tenhamos de gostar de toda a gente. Gente que gosta de toda a gente não existe e é patético tentarmos todos ser Medardos Bons* exactamente por não sermos metades, mas inteiros.
É por isso que, sem ressentimentos nem rancores, encolho os ombros à colega que, com voz afectada e melosa, de sorriso fácil e ternurento, se dirige a mim para me pedir os contactos telefónicos para um dia mais tarde, talvez... Sim talvez, respondo com um sorriso amarelo que não consigo disfarçar. Volta-me as costas e regressa ao lugar dela onde ficará por mais uns dias para depois se despedir sem que, estou segura, voltemos a cruzar-nos. Para que raio me interessa o contacto dela se sei que nada em si me aqueceu cá dentro? Aprendi, só. Foi uma relação de aprendizagem humana e não um laço afectivo consistente.
Por isso, muita sorte e tudo de bom no teu caminho que seguirá, certamente, coordenadas diferentes das minhas.
* já acabei de ler o Visconde

notícias da bola

Diz que ontem foi dia de competições europeias, coisa que (infelizmente) a mim me passa um pouco ao lado por motivos que muitos saberão serem óbvios. Na véspera também houve jogo, e já me fartei de ver aquele golo do Ronaldo - do tipo dos que parece não conseguir fazer pela selecção -, que foi um dos três que apurou os red devils para a final (ide, ide, que nós, pobres diabos - também vermelhos - portugueses ficamos a ver daqui).
Diz também que parece que ontem ao árbitro norueguês só faltavam cair-lhe notas do bolso (não fora o € e seriam pesetas, certamente) e que o Chelsea, com o embaixador português(?) Bosingwa ultrajado por tamanha roubalheira, não chegaria lá contra doze. Não sei, não vi e ao que parece também houve algum demérito dos ingleses.
O importante, todavia, é o nobre conteúdo do que se ouve e se lê, que, numa fase eliminatória importantíssima, consegue ser um pouco mais controlado e gerido pelo bom senso do que nas quezílias caseiras da nossa Ligazinha de vencedor(es) e perdedores anunciados. Ao Paulo Bento, nos sapatos do treinador Guus Hiddink, desenterrava-se-lhe o penteado do couro cabeludo, mas o treinador do Chelsea tem uma experiência e um savoir faire que fazem a diferença nestas situações.
O que vou tentar (porque só li as notícias) é ver a reportagem para poder pronunciar-me sobre os factos, mas sobretudo para ouvir o Bosingwa falar sobre isto. Ou falar apenas! Ouvir falar o Bosingwa é sempre um desafio e uma surpresa, quase como o ovo kinder: nunca se sabe o que sairá dali mas será certamente um quebra-cabeças que precisa de instruções!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

crónicas

Mais ou menos por acaso, passei também por aqui e, não fora o som de fundo das notícias da rfm, teria ouvido orquestras imensas, ribombando emocionantes e patrióticos hinos. É que nunca li nada da Inês Pedrosa que reflectisse tanta e tão profunda admiração como esta sua crónica sobre a cultura americana.
Também nunca tinha reparado antes em quaisquer anotações (aqui tão pouco subtis) sobre as "características" dos judeus e as condicionantes de ser-se branca e mulher, e todo o estatuto pseudo pop-art à volta de Obama - incluindo a sua exploração comercial tão semelhante à da nossa senhora de fátima - transformando tudo num emaranhado e forte motivo de apreciação pelo povo americano. É surpreendente e quase contagiante esta efusiva ode a um povo que anda pelos calcanhares da nossa História, mas que tem em Nova Iorque, pelas ruas de Manhattan, tudo o que se pode pedir de uma cidade.
Ah, esta bonita cultura americana, que enriquece connosco e que, em tempos de crise, sobrevive sempre, também graças a nós. Pensando bem, Inês Pedrosa tem razão. Este povo é, de facto, digno de bajulação, muito embora não seja difícil adivinhar que muito do seu optimismo provem da sua certeza de superioridade, certeza essa todos os dias reforçada pelo resto do mundo.
Gostava de ter pessoas inteligentes (talvez a própria Inês Pedrosa) a contribuir, de facto, para vivermos num país que merecesse, como alguns que se apresentam, uma realidade melhor.

talvez uma parte do grupo dispensado pelo Yahoo recentemente

google contrata 200 cabras
...

quando ganhar é perder

É por coisas destas, nas quais ocasionalmente tropeço, que penso com preocupação no tortuoso caminho que o nosso mundo percorre.
E eu que pensava não existir pior departamento de Recursos Humanos do que aquele que eu dirijo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

cinema

um destes serões quentes, rumo a uma sala lisboeta, para me deixar levar pelas recordações deste conto...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

vasco granja (1925-2009)

Numa altura em que a sua presença era já tão longíqua que deixava melancólicas saudades, fica o adeus definitivo à voz amiga do grande teórico da animação, com quem, bem pequenina, aprendi algumas coisas.

o h1n1 (que não é um índice económico)

Comecei por pensar que ter ido ao México logo nos primeiros dias do ano tinha sido uma sorte, mas pelo andar da carruagem não tardo a fazer parte da lista de personae non gratae aos ajuntamentos. E que jeito que dava agora uma quarentena para pôr em ordem alguns assuntos caseiros e refugiar-me no meu esterilizado portátil, intercalando com a tv e a pilha de livros, banalidades de naturezas diversas.

fados e guitarradas

Se é verdade que a primeira vez que ouvi a Mariza cantar foi num serão informal no já extinto Rock City, isso não invalida que me soe estranha a sua actuação no concerto de Lenny Kravitz em Portugal.
O facto da tournée do cantor em França contar com a participação de Chris Cornell, torna ainda mais enigmática a opção portuguesa.
Mas se calhar sou eu que não tenho abertura para estas coisas.

doze

Já recebi o Caetano nos braços, uns dias antes da data de fim de licitação... Obrigada, amiga de mon coeur!
A ti, e aos bonitos momentos proporcionados no salão nobre pela gorda Yelga, hei-de prestar em breve as minhas singelas homenagens.

(para ver ou rever AQUI, sem prejuízo de outras presenças, como a 2ª circular que, diz quem sabe, estará em grande este ano. E eu, com alguma parcialidade, nem questiono!)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

bom como o milho

Faz-me espécie aquelas pessoas tacanhas e cheias de veneno que têm no abrigo do anonimato cobarde da blogosfera um escudo para exprimir livremente o seu rancor existencial, ou porque Deus os presenteou com uma verruga colada à narina, ou porque não sabem fazer nada de útil com o pouco talento que lhes assiste.
Não tenho desses problemas. Sou arraia miúda neste meio e ninguém tem interesse em vir desancar-me com comentários desagradáveis à parcimónia dos meus escritos. Contudo, também não valia a pena porque claro está que se isso acontecesse, eu filtrava os ditos cujos e reservava-lhes o direito a publicação que nessas coisas não vou em democracias: só cá debica quem eu deixo.
Depois há blogues que são verdadeiras seitas e muito facilmente conseguiriam movimentar um número recorde de massas a concretizar qualquer coisa de útil. Ou apenas qualquer coisa. Podem não ser mais do que números enormes, grotescos, de opiniões viscosas de clones que aplaudem um traque do líder com o mesmo entusiasmo que lhe gabam a escolha do perfume.
Conheci há tempos este espaço admirável, que combina calhandrice cor-de-rosa com exemplos práticos de como se ser bajulador até à quinta casa. Não sei o que é mais digno de interesse: se o pastor, se as ovelhas.
Que foi?

clarice lispector

Este mês de Abril até agonia. Só a vegetação sazonal, que insiste em contrariar este ambiente invernoso, com tulipas e camomila, ou as andorinhas e outros passarocos da estação, que encontro a cantar onde menos espero, me convencem de que é de facto chegada a primavera.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

rua sem saída

Sou muito melhor do que esta rua sem saída. Vejo-me uma avenida larga, com espaço para respirar, onde circula gente bonita e também há, a espaços, aquele sossego quebrado por chilreios. Mas sinto-me um beco sujo de lixos que outros vão deixando. Vejo-me com árvores e calçada, passeios largos com arbustros recortados de relvados urbanos, construções antigas, robustas e recuperadas do seu passado arquitectónico, livrarias, muitas. Sou uma fraude da avenida da liberdade. Uma espécie de rua da rosa, ao acordar de uma madrugada povoada.
Estou farta de gente estúpida e do cheiro vomitado que dela se desprende.

terça-feira, 28 de abril de 2009

o elefante polémico

Estou extenuada. Só me apetece marchar daqui para casa com fé de a encontrar silenciosa e saber o cão aliviado de chichis e cócós e, já agora, perdoa-me querido, contigo já ausente para a tua 'peladinha'. Trabalhei por dez ou vinte e ajudar, ajudar nem a Primavera, nem o primaver@. Adiante. Ainda por aqui passei muito a custo para deixar uma nota importante, numa altura em que poucos bloguistas se compadecem do sr. Fernando Fernandes que, para além do infortúnio com um nome que os pais hão-de ter achado engraçadinho, vê-se a braços com uma crucificação intelectual cerradíssima. Deixai-o estar, peço-vos eu. Afinal, também para estas liberdades serviu o 25 de Abril, há tão pouco tempo comemorado por entre cravos e brados. Deixai que a auto-censura colha os seus próprios frutos, se assim tiver de ser. De toda a maneira, não creio que o episódio sirva de publicidade negativa para quem é fiel ao elefante.
Para mais, o grave na organização do Auchan está longe do seu bom julgamento literário (estamos a falar de escaparates de Susanna Tamaro e Nicholas Sparks). O que é feio, mas feio, é a forma como misturam a secção de pronto-a-vestir pelo meio dos legumes e dos detergentes. O Jumbo nunca foi um espaço agradável.