segunda-feira, 16 de agosto de 2010

efemérides

A Madonna nasceu há 52 anos.
O Elvis Presley morreu há 33.
As coincidências terminam aqui.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Miguel Torga - 103 anos

"Nunca houve em toda a montanha pastor como o Gabriel.
- Merecias outras ovelhas, homem! disse-lhe um dia o Prior, desanimado da anarquia dos seus paroquianos, quando viu o rebanho do rapaz atravessar a estrema dum centeio sem tirar uma dentada.
- Deus me livre! Já me vejo maluco com estas...
Mentira. O padre tinha razão. Era uma pena ver tanta autoridade, tanta vocação, tanto jeito natural, ao serviço de animais. Nem se pode fazer ideia! O carneiro mais teimoso, mais lorpa, mais churro, chegava às mãos do Gabriel e mudava de condição. Só não ficava a falar.
- Que fazes tu ao gado, criatura? Parece que o enfeitiças!
- Nada. Dou-lhe monte, como a outra gente. Sorria. E lá continuava a educar os malatos com gestos e palavras que ninguém sabia fazer nem dizer. Nunca batia numa rés. O castigo era um simples olhar reprovativo, um assobio impaciente, uma interjeição mal humorada. Mas bastava. Ao fim de algum tempo, cada cabeça como que porfiava em não desagradar ao dono, em viver sintonizada com aquele governo sem cajado. E dava gosto ver a disciplina com que o rebanho deixava o redil e atravessava o povo. (...)
(...) Mas esta comunhão instintiva com a natureza dos bichos não tentava o Gabriel alargá-la à natureza dos homens. Desses arredava-se discretamente, sem querer passar, nas relações com eles, do plano amorfo da neutralidade."

O Pastor Gabriel in Novos Contos da Montanha, Miguel Torga

Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907.
Quando morreu, eu tinha já seis anos.
A 'companhia' dos Bichos e dos Novos Contos da Montanha ao longo da minha vida escolar foi um dos muitos factores que me fez tirar tanto prazer da leitura desde que me lembro.
A maior riqueza deste país é a sua impagável biblioteca.

acto não é ato

Constato com tristeza que o novo acordo ortográfico já minou quase tudo à minha volta. Vou continuar a escrever como gosto, como aprendi na escola.
Sou um pouco avessa à mudança, principalmente quando não lhe reconheço mais valias.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

The Wizard of Oz

71 anos?
Impossível!

p.s. adoro as homenagens do google.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sobre a Teresa

Não falo aqui muito na minha petinga porque não me apetece, não quero, não tenho necessidade de a explorar como acontece em relação a outras pessoas e coisas e assuntos. Não é um espaço que me apeteça dedicar a ela, quase em exclusivo, como há quem faça.
Nada contra. Acho até uma certa piada quando tropeço em blogs onde se relatam, exaustiva e diariamente, as rotinas dos bebés. Não sou muito diferente delas, mães. Sinto os mesmos deslumbramentos, as mesmas canseiras, os mesmos medos, os mesmos inconstantes sentimentos de auto-avaliação sobre a minha capacidade de estabelecer hábitos e impor limites, penso antecipadamente se saberei incutir-lhe os valores mais nobres e educar uma criança saudável e equilibrada. Acho-lhe piada aos palreios, às mãozinhas gordas, aos pezinhos que não param, ao milagre do nascer dos dentes afiadinhos e também me exasperam as noites mal dormidas, a irregularidade das refeições bem sucedidas e a inesgotável fonte de despesas das fraldas, dos leites, das papas e dos cremes mal cheirosos da La Roche Posay para peles atópicas.
Vou falar hoje, para dizer que está grande, está linda e saudável, muito embora me acorde durante a noite e nem sempre coma como eu gostaria, e às vezes espirre, e tenha cocós que pecam ou por defeito ou por excesso, ou por qualquer uma dessas coisitas que nos arrelia ou aflige e, na realidade, nada têm de mal.
Venho aqui escrever hoje, para agradecer ao santo padroeiro dos bloggers com filhotes, pela bênção que me foi concedida, ainda que quase nunca faça referência às minhas peripécias de grávida ou de puérpera ou de mãe-oficial. Por um bocadinho, ponho de lado as folhas de horas, as subempreitadas, os autos e as facturas, os telefonemas, os faxes e os e-mails, bem como a resmunguice que tantas vezes lhes é inerente, e vou esquecer-me até que não sei do paradeiro do meu vencimento deste mês e estou a pensar em reservar um tempo de antena antes do Telejornal, como a Polícia Judiciária fazia antigamente para encontrar pessoas com fotos medonhas, com a finalidade de descobrir alguma coisa a este respeito, deixo, como dizia, tudo isso de parte, só para fazer aqui uma breve homenagem à minha bebé porque acredito que, para além do que é óbvio, consegue ainda fazer de mim, todos os dias, uma pessoa melhor.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

nós, mortais

Podia fazer-se um grafismo qualquer com as caras do cancro. Não as suas facetas, mas as suas caras, efectivamente. As caras que o personificam.
Acabei por considerar que seria uma tarefa interminável, tantos são os casos, só entre aqueles que publicamente reconhecemos. É assustadora a perspectiva global que isso nos dá: ninguém está imune e fica a sensação que não há hábitos saudáveis ou coisa que o valha que nos livre desta coisa maldita.
Fica o último rosto, de entre mais um que reconhecemos, e numa frenética e imparável sucessão.
Que, em homenagem a esta e a todas as outras faces, reconhecidas e anónimas, se descubra uma cura para isto. Para ontem.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

que é como quem diz, ali um palacete no Príncipe Real


http://www.canalplus.fr/c-series/pid3578-c-page-teasing-maison-close.html?vid=364337

Durante um periodo que incluiu uma boa parte do meu serviço de incubação, o parto e o primeiro mês completo de maternidade, era por aqui que o meu marido andava enfiado...

terça-feira, 20 de julho de 2010

coisas da cabeça

O ritmo a que se sucede a mudança torna a experiência muito rápida, efémera, pouco útil. De quase nada nos vale e pouco nos ensina. Dela, não resulta maturidade.
Acredito mais na sabedoria ancestral, quando os tempos corriam devagar e tudo se aprendia e tudo se saboreava.
Ora pará-lo, ora fazê-lo correr, mas nunca por nunca consigo gostar do tempo que o tempo leva.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

analisador meu...

I write like
Chuck Palahniuk

I Write Like by Mémoires, Mac journal software. Analyze your writing!

Parece que o tipo é o autor de Fight Club e outras coisas tão mais controversas que não as querem adaptar ao cinema. É o mesmo que dizer que a minha especialidade é transgressional fiction, satire, horror.

Não há dúvida de que escolhi um post interessante para avaliar.

(Continuei a corrente a partir da www.ladyohmydog.blogspot.com)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

soberbo

www.pastoralportuguesa.blogspot.com

Só páro de tempos a tempos, para recuperar o fôlego, que é também quando aproveito para saborear e reflectir sobre a conjugação daquele último pedacinho de semântica. Acresce o facto de normalmente fazer coincidir, num pleno de forma e conteúdo, as minhas com as suas opiniões, desta feita, no que respeita à Espanha e ao êxtase adormecido que a sua incontestável vitória no campeonato do mundo representou. Se inicialmente julguei que o meu descontentamento se devia ao facto de não os eleger como favoritos e de terem o estatuto de arqui-inimigos, sei agora que afinal teve tudo a ver com o entorpecimento em que o seu futebol me envolveu, se se pode dizer sequer que cheguei a envolver-me pelo que quer que seja.

Encerra em si também a excepção que gosto que confirme a regra, no que respeita às convicções quase sempre ligeiramente parciais sobre o Benfica, que eu, raramente de forma objectiva, me esforço por contrariar. Nisto, e desgraçadamente só nisto, talvez lhe roce um calcanhar.

Entretanto, sabe quem me conhece, o quanto me delicio com a sua leitura.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Homenagem


Por vezes, estamos demasiado encerrados na nossa redoma... por isso, muito lamento.

primeiro dos últimos

Este fim-de-semana, num programa televisivo de qualidade duvidosa, e enquanto esperava por um cheirinho do Optimus Alive, deparei-me com a constatação de uma coisa que tenho para mim como verdade absoluta desde sempre.
Dizia alguém que, em vésperas do seu casamento, lamentava acima de tudo, algo que provavelmente nunca mais experimentaria: um primeiro beijo. Partindo do princípio que daria início a uma vida recheada de beijos monógamos, de todo o tipo, mas nunca mais com a excitação inerente à descoberta implícita num primeiro beijo, posso dizer que partilho com ela precisamente essa inevitável frustração.
Não é uma revelação do Além e provavelmente é algo que partilhamos com o resto do mundo, mas é sempre bom ouvir-se, alto e bom som, da boca de outra pessoa, para exorcisar os fantasmas que tal observação pode invocar.
A rotina não é necessariamente má, mas pode ser altamente castradora.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

misreading


Era uma vez um Rei
Com uma grande barriguinha
Comia, comia
E mais fome tinha.

Bom dia, Sr, Rei!
Como passa Vossa Alteza?!...
Se continua a comer tanto
Vai rebentar com certeza.
Isto dizia o bobo,
No meio de uma palhaçada
Mas o rei continuava
Como se não fosse nada.

Bom dia, Sr, Rei!
Viva a Vossa Majestade!
Depois de tanto comer
Como é que ainda tem vontade?
Isto dizia a Rainha
Meia triste, meia zangada,
Mas o rei continuava
Como se não fosse nada.

Bom dia, Sr, Rei!
Vossa Alteza é o maior,
Um rei deve ser grande
Se for gordo ainda é melhor.
Isto dizia o cozinheiro
Olhando o rei de alto a baixo,
O rei que coma, que coma
Quero lá perder o tacho.

Bom dia, Sr, Rei!
Faz Vossa Alteza muito bem
Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.
Isto dizia o conselheiro
Esfregando as mãos de contente
O rei que coma, que coma
Enquanto eu sou o Regente.

E para final desta história
Já com tanto que contar,
Vamos dizer-lhe amiguinhos,
Como o rei se passou a chamar
Sua Alteza de tanto comer,
Já só andava à cambalhota,
O povo chamou-lhe então
O não sei quê, é o "Rei bolota".


Que dizer? Esta música, que eu não conhecia, tem sido a minha grande aliada desde que fui mãe pois ao que parece a minha filha sente um grande interesse pela história, mais do que propriamente pela melodia, e olha para mim com muita atenção, como quem se interessa deveras pelo enredo da coisa. Por diversas vezes a distraiu da birra e outras tantas a ajudou a comer mais duas ou três colheradas.

Tudo isto deve ser muito vulgar dentro deste contexto, mas a parte mesmo engraçada, é a forma como nos dedicamos à interpretação de algo que deveria ser totalmente objectivo mas acaba por não ser, e até não interessa nada!

Senão vejamos. Aquela parte onde se canta Com uma grande barriguinha, eu, algo disléxica e meio surda, entendia e cantava Comandante barriguinha (vá-se a entender a lógica), assim como substituia o Bobo pelo Povo (o que também não faz muito sentido, embora os súbditos possam cair na tentação de zombar do seu Rei, principalmente se for um gordalhufo comilão). Curiosamente, a parte que me inspirava dúvidas e que não parece mesmo fazer bater a bota com a perdigota, é a O não sei quê, é o Rei bolota. O não sei quê? Que falta de chá! Mas parece que esta eu entendi bem.

Por estas e por outras é que as canções para crianças são o que de mais parecido há com aquele jogo do telefone ou da mensagem, em que a palavra dita no início acabava noutra coisa completamente diferente depois da corrente de sussurros. Cada cabeça sua sentença. Daí aquela do 'assentada' à chaminé que se popularizou na cantiga do Atirei o Pau ao Gato e perpetua o recorrente erro do prefixo antes do verbo.

Enfim, todos contribuimos para esta causa. Eu já inventei a minha versão. E a Teresa gosta.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

informações úteis


Quando o que interessa mesmo saber é o que teve ela de fazer para entrar no Chicago!

terça-feira, 29 de junho de 2010

patronos e patrões

hoje é dia de S. Pedro.
e eu estou em Sintra... a trabalhar.

parabéns, Antoine


segunda-feira, 28 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

um pouco sobre a maternidade

Já me perguntaram como foi, como é. Se é suportável aquele momento em que a conduzi efectivamente à vida. Se é maior a ansiedade ou a dor. Se o amor supera, como dizem, a dificuldade dos longos minutos de aflição. Se a revelação supera a expectativa. Se nos sentimos mudar. Se nos sentimos parciais e pouco objectivos na sua apreciação. Se mudamos. Se nos sentimos pessoas mais esclarecidas, se vemos mais além. Há até quem, ingenuamente, questione se vale a pena, sem saber que é mais do que isso, sem saber que é maior e mais forte que nós desde muito cedo.
Mas ser mãe é, sobretudo, difícil. É saber sacrificar, abdicar, aprender, chorar, intuir, saber até o que não se soube nunca até então. É ser sempre mais paciente, mais esforçada, mais forte, mais resistente, mais generosa.
Só o amor de uma mãe consegue superar a dificuldade que implica abdicar natural e instintivamente da nossa natureza egoísta. E isso nem um pai conseguirá alguma vez entender.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

gostava de poder dissertar sobre uma série de assuntos.
gostava de poder homenagear José Saramago e chorar aqui a sua morte, que considero de facto mais uma enorme perda no nosso panorama cultural e para o nosso horizonte crítico (muito embora ele já tenha morrido nessa batalha há muito, votando certas mesquinhices ao abandono, neste nosso país). A bem da verdade, nem sei bem que tipo de sentimento nutria pelo senhor e gostava apenas de ter acabado a Viagem do Elefante antes da sua morte (já que de outras suas obras de maior vulto desisti, receio que, irremediavelmente - também não acredito que ele apreciasse por aí além a minha obra literária...).
gostava (oh, se gostava) de dar uns palpites sobre o mundial de futebol e a verdadeira novela de fraca qualidade que se vai desenrolando em prol do mesmo, desde as vuvuzelas (sobre as quais acho que já tudo se disse), passando pelos protagonistas, que não se sabe bem quem são, sem esquecer o mais importante de tudo: o mundo paralelo criado pela comunicação social em volta deste acontecimento. É, de facto, impressionante a panóplia que se consegue explorar. A última foi a bruxa zulu que vi ontem na sic e que nos adivinhava uma vitória sobre a Coreia e a eliminação nas meias-finais... fulana sombria, mas muito optimista.
Todavia, e sem mais delongas porque o trabalho que a gente acumula em seis meses é qualquer coisa de valor, quis vir apenas deixar um marcador importante. Dois, vá.
Primeiro, divido-me tragicamente entre as sardinhadas do S. Pedro e o Dios Salve a la Reina, no próximo sábado.
Segundo, como é possível que alguém goste de uma música pertubadora de seu nome Como uma Onda, pela voz particularmente irritante do jovem dos Pólo Norte?
possivelmente algum fã do tal instrumento cónico que por cá se popularizou laranja...
isto uma pessoa tem de aturar muita merda.