quarta-feira, 2 de março de 2011
Rambo III - bandas sonoras #5
É anos 80 por todo o lado. Os músculos, o cabelo, a temática e a adaptação musical de um original um pouco mais antigo.
terça-feira, 1 de março de 2011
insuportável
Insuportável não é apenas chato ou difícil. Insuportável é aquilo que nos faz gritar cá dentro e que nos obriga a afastar para não explodir. Insuportável não é aquela isca a que torço o nariz porque é fígado mas engulo contrariada. Insuportável é um punhado de sementes de malagueta esmagadas e coadas para um copo de onde temos de beber um trago. O insuportável impõe um limite físico que não devemos propôr-nos ultrapassar. Hoje, ao almoço, estive prestes a quebrar esse limite.
Juro que não me importo de ser tida anti-social, muda, individualista, esquisita, quase excêntrica. Na verdade sou simples, de uma simplicidade que poucos entendem na minha atitude por vezes fria.
O que me incomoda mesmo é ver a minha inteligência diminuída. Esta perspicácia que de pouco me serve mas é minha, tão recalcadinha por conversas parvas, menores, desinteressantes ao expoente máximo da estupidez, tão boicotada que chega a ser... insuportável.
Não sei se o pior são as histórias chatas de vida sem chama ou as fantasias inventadas de quem não tem vida. São terríveis as pessoas que se julgam bons contadores de estórias e são apenas parvos.
De quanto não vale uma boa conversa! Quando o não é, prefiro-me só. Mil vezes.
Lembro-me sempre dele.
Gosto de pensar que se fosse um homem, no início do século XX, seria ele.
"Não me macem, por amor de Deus.
(...)
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Ah, que maçada quererem que eu seja a companhia! " *
Vou apanhar ar. Juro que este almoço me caíu mal.
72 horas
Numa altura em que toda a gente corre para os cinemas para ver os galardoados (ou apenas nomeados) do momento, eu continuo a zeros. Não porque me falte vontade, mas por uma série de motivos que se prendem normalmente com prioridades, e no passado sábado pela excepção de encontar todas as sessões esgotadas num determinado cinema bastante concorrido, ainda não vi nenhum dos filmes que ando com vontade de ver, muito particularmente O Discurso do Rei. Às horas que tem sido o meu recolher, nem a pirataria me vale já que tenho o Cisne Negro lá em casa e ainda não me fiz a ele - no passado Domingo estava a dormir às 22h30. A sério, há mais alguém como eu (como nós)?
Então, num fim-de-semana que foi de aproveitamento do sol, os serões foram calmos e o pós-desilusão da bilheteira cheia transportou-nos para o sofá, com pipocas da Lusomundo, mas com o disco externo como projeccionista. Como a minha tendência (já de si negra) para transportar coisas obscuras para a cama me fez ter o bom senso de não optar pela história dramática da Natalie Portman, a escolha recaiu sobre o 72 Horas, thriller intenso, Russel Crowe a caminhar para estragadote, mas sempre com aquele papel de quem tem mais qualquer coisa no QI ou na capacidade de desenranscanço, que lhe vale a admiração do resto de nós, mortais (uma espécie de Harrison Ford next-generation). Foi jeitoso, vá. Assim a atirar para o ora triste, ora deprimente, ora dramático, ora de segurar o fôlego.
Será um filme de happy ending para a generalidade, para os que não ficam a pensar no que vem depois, para os que não questionam as consequências emocionais, as marcas, os efeitos de estar preso na liberdade aparente. Para mim há todo um rol de consequências trágicas e negativas que aquele final augura.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
billboard chart #2
Após uma tarde de novas experiências, relacionadas com uma área que sempre quis experimentar (tossidelas irónicas), sinto-me uma verdadeira TOC. E sim, chego à conclusão que a vida pode sempre ser um bocadinho pior do que já é. O positivo é que quando passamos por estas coisas, tudo aquilo de que nos queixamos habitualmente passa a soar muito melhor.
Enriquecida a minha capacidade de escrutinar facturação, ainda tenho um tempo para aqui despejar meia dúzia de anos.
1987 - With or Without You - U2
1988 - Bad Medicine - Bon Jovi
1989 - Patience - Gn'R ex-aequo Smooth Criminal - Michael Jackson (e assim se abre o precedente para a não-exclusividade, com pena minha)
1990 - Enjoy The Silence - Depeche Mode
1991 - Wicked Game - Chris Isaak (primeira vez na vida que tive pena de não ser homem, nem gay e que tive consciência que era apenas invejosa)
1992 - November Rain - Gn'R ex-aequo Bohemian Rapsody - Queen ex-aequo(!) One - U2 (lamento, sou fraca e não aguento a pressão)
como o dia começa
O tempo que vai desde o sorriso de bom dia até à despedida é muito curto. Em dias como hoje, sobretudo, a minha vontade era levá-la para um sítio bonito e brincar o dia todo, sob a bênção deste sol radioso.
Mas tenho de resignar-me a deixá-la e a vir encerrar-me entre quatro paredes.
Serve-me de consolo saber que a deixo no meio deste maravilhoso pulmão urbano.
A luz está fraca e as fotos foram tiradas à pressa, em movimento, a conduzir. Um dia invisto mais tempo a captar a beleza deste local. É bom que existam estes espaços. É bom que ela tenha o privilégio de usufruir desta redoma de qualidade ambiental.
Estou desejosa que o sol se torne mais caloroso para que ela possa disfrutar do que a espera na Quinta.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
peneirar o billboard chart #1
Traduz-se na actividade que consiste (à falta de trabalho e/ou vontade de realizar tarefas administrativas aborrecidas) em percorrer o histórico dos tops 100 de sempre, pela orientação do conceituado billboard, e tentar extrair-lhe a nata da nata, desde o grandioso e longínquo ano que me viu nascer até ao presente.
Duas ressalvas: a minha selecção é baseada no top do billboard para cada ano, portanto limitei-me a escolher desse top, com riscos assumidos de deixar escapar alguma das pérolas que possam ter marcado a minha vida e não constem do dito, e, claro, sendo uma selecção minha não visará talvez o consensualmente melhor, mas antes o individualmente mais marcante.
And the winner is:
1979 - I Will Survive - Gloria Gaynor (não deixa de ser uma grande música apenas porque a passámos (passamos) até à exaustão e nas mais diversas versões, em quase tudo o que é disconite. Atentem à sua época.)
1980 - Another Brick In The Wall - Pink Floyd (preciso mesmo de justificar esta escolha?)
1981 - The Winner Takes It All - ABBA (que mulherada poderosa! Desconfio que me embeiçava por elas e pelos seus glosses, se não tivesse um ano de vida na época e uma vagina.)
1982 - Don't Stop Believin' - Journey (começa a desgraça das bandas que potenciam os grandes karaokes do século XXI. Adoro.)
1983 - Human Nature - Michael Jackson.
1984 - Thriller - (guess?) Michael Jackson (repetir o M.J. quando há tão bons a ficar para trás? Pois, as escolhas tenderam a ser difíceis mas esta repetição era inevitável.)
1985 - Summer of '69 - Bryan Adams (se eu não escolhesse esta, teria de negar toda a minha adolescente existência.)
1986 - Nikita - Elton John (quem era a miúda de escola que não queria ter a pele da Nikita, e os olhos da Nikita e o chapéu da Nikita? E dar um tiro ao senhor que tratava mal a Nikita...?)
Como se vê, há muito aqui que não tem a ver com a qualidade da escolha. Há aqui muito de mim, pequenita, pequenita.
Qualquer dia vem o resto. Agora tenho mais que fazer.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
patrício
Queria escrever qualquer coisa sobre o Sporting-Benfica de ontem, mas pensava para mim que não valeria o esforço. O benfica saíu vitorioso, ok, urras e vivas com fartura, mas não foi lá uma grande partida. Cartões, expulsão, futebolinho muito fraquinho do Sporting porque é evidente: eles não sabem fazer melhor e quem não quer ver é cego, uma gestão de esforço da parte do Benfica (devido a meio tempo com o onze transformado em dez e porque dois jogos por semana nas perninhas é coisa que o futebolista português tem dificuldade em digerir) e assim decorreu, morno, com mérito mas também com alguma borrifadela de divino nos ressaltos que deram origem aos golos. Enfim, dá ideia de que o que apetece dizer é que podia ter sido melhor e para mais, num jogo em que já existiam doze pontos de diferença entre as equipas e uma delas está animicamente mais fraca que um desempregado de longa data, adivinha-se que, seja qual for o desfecho, a montanha vai sempre parir um rato.
Mas quando eu pensava que nada de nada que se relacione com o Sporting-Benfica de ontem teria grande interesse, descubro esta espécie de milagre gráfico.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
mais do costume
Hoje sonhei muito. Sonhei com uma pessoa que não conheço. Um estranho.
E ali estava, familiar e naturalmente, a invadir território que não lhe pertence, com ousadia, sem receios, como se outra coisa não fosse de esperar.
O estranho ria-se para mim de forma franca, enquanto abanava a cabeça como quem me toma por frágil, como se eu fosse uma criança de colo que ele quer e sabe que pode proteger. Sinto-me vulnerável como se aquele sorriso mostrasse que eu sou transparente. O estranho consegue ver-me como se eu fosse revestida por uma carcaça de cristal, que deixa perceber o bater mais forte do coração, o sangue a correr mais depressa e todas as alterações que se processam no meu interior. Tento calar o pensamento mas as palavras aparecem escritas no ar e nada do que penso ou sinto permanece mistério. E há qualquer coisa de condescendência na sua postura, como quem mostra que pode optar por uma de duas coisas, das quais depende toda a minha vida. Deixa-me quebrada, impotente.
Enquanto acordo devagar, percebendo que estou a passar desse estado de respiração suspensa para o despertar da consciência, tenho tempo para perceber que ele tem uma terceira opção, a de não escolher. E ainda vislumbro, antes de abrir os olhos, aquele sorriso complacente, que me dá a certeza de ter paredes transparentes e de estar a ser constantemente observada.
Uma noite mais ou menos igual às outras, portanto.
...
Já passaram dez dias. Morreu a mãe de uma amiga, do nada, num segundo, sem um ai.
Obriguei-me mais uma vez a aceitar que, quando estas coisas acontecem, temos de conciliar o luto com as inevitáveis burocracias e formalidades. Aflige-me que haja tanto em que pensar quando o corpo só consegue sentir desalmadamente. Ponderei mais uma vez sobre a morte. A morte acontece sempre, mais cedo ou mais tarde. Ou deixamos alguém a sofrer por nós ou teremos de aceitar sofrer por alguém que parte. Cheguei mais uma vez à conclusão de que mais vale não pensar muito.
De uma forma obstinada, sempre me agradou a 'lógica' da longevidade ser o pretexto ideal para a morte. Lembro-me de, em pequena, temer que me faltasse a minha mãe, por alturas em que comecei a perceber que as pessoas mais velhas iam desaparecendo para sempre. Era um medo horrível. Mas fui crescendo com a ideia de que, por muito que a minha vontade seja a de perpetuar até aos limites do possível a vida dos meus pais, será sempre melhor que não sejam eles a ter de suportar a dor de me perder a mim.
E agora que fui mãe renova-se com muito mais significado esta filosofia. Nenhuma mãe do mundo devia passar pela dor que (imagino) seja a de perder um filho.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
lágrimas de leão
scp vs naval 4/02/2011
Para mim, o futebol não tem a ver com lógica e raciocínio. Nem tem a ver com matemáticas. E se é certo que nos vemos obrigados a exigir vitórias para somar pontos e atingir um auge, temos de admitir que isso só acontece em função do momento emocional que esse auge implica. Normalmente o auge dá-se nas conquistas, e em última análise, é disso que a competição depende. Mas, uma vez por outra, o futebol ganha outras dimensões, que nada têm a ver com resultados, e são repletos de emoção.
Para mim, o futebol não tem a ver com lógica e raciocínio. Nem tem a ver com matemáticas. E se é certo que nos vemos obrigados a exigir vitórias para somar pontos e atingir um auge, temos de admitir que isso só acontece em função do momento emocional que esse auge implica. Normalmente o auge dá-se nas conquistas, e em última análise, é disso que a competição depende. Mas, uma vez por outra, o futebol ganha outras dimensões, que nada têm a ver com resultados, e são repletos de emoção.
Infelizmente, o sporting não encheu a casa na sexta-feira passada, para que uma lotação esgotada pudesse ter assistido ao que dificilmente alguma outra equipa alcançará este ano.
O meu coração eternamente rival emocionou-se com tamanho arrebatamento.
Depois de mais noventa minutos de inglória descoordenação e por ocasião de um acontecimento que à luz da racionalidade é mais uma bronca considerável para o clube, a única explicação para tantos adeptos voltarem para casa com os corações quentinhos é mesmo a prova irrefutável de que não é dos golos e das fintas que vive o futebol, mas antes do amor irracional, louco e descontrolado que ele desperta nas pessoas.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
esperar, esperar, esperar para ver
Quem havia de dizer que o cabrão do César Peixoto ia jogar à farta contra o Porto?
É oficial, não tomo mais nada como certo nesta vida.
(qualquer dia até o Luís Filipe se lembra de uma coisa destas!)
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
'closer' bandas sonoras #3
Esta é a de sempre.
Mais concretamente, dos últimos dias.
Muito particularmente, de hoje...
p.s. tive um namorado que me lembra bastante o Jude Law e até nem acho que foi o mais giro de todos, o que faz de mim uma mulherzinha com alguma sorte (ou com problemas de visão, o que é muito mais provável visto sofrer de astigmatismo e usar óculos para ler, ver televisão e me debruçar aqui ao blogue).
sr. antónio
Hoje sonhei com a mercearia onde ia com a minha mãe. Fui atendida pela Piedade e comprei dvd's que estavam em promoção (lá não se vendem dvd's) e ofereciam o terceiro na compra de dois. Depois fui devolvê-los. Ainda não era aquela prenda. Era para ser um jogo para a Playstation (o que me deu para comprar dvd's?). Está a esgotar-se o tempo. Corro para o carro e vou ver o saldo bancário, com preocupação (a primeira coisa efectivamente lógica na presente conjuntura). Tenho 32 euros. O que se faz com isso? Tenho uma prenda para comprar e, como de costume, tem de ser perfeita, adequada mas, como de costume, só consigo pensar em quantidade para compensar a qualidade.
Costumo sonhar muito. Normalmente com obrigações, chatices, contrariedades, coisas que me perturbam, que não me dão prazer. Preocupa-me que esta prenda represente tudo isso.
Costumo sonhar muito. Normalmente com obrigações, chatices, contrariedades, coisas que me perturbam, que não me dão prazer. Preocupa-me que esta prenda represente tudo isso.
dias
Era preciso que tivessem paciência para mim.
Era preciso que me deixassem sentir necessidades.
Era preciso que me levassem a beber um café, a caminhar à noite, com pés frios e muita roupa.
Era preciso que terminássemos num lugar quente, com caras estranhas e música alta, com suor de corpos e casas de banho à pinha.
Era preciso eu esquecer-me de que sou precisa.
Era preciso alguém querer sentir-se assim comigo.
Era preciso não me sentir tão deseperadamente à parte.
Era preciso tudo isto para me convencer que não estou completamente sozinha.
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