quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

o SOL anda a deixar-me melodiosa


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

E acho sempre que me ficam a faltar milhares.
O facebook tem estas coisas boas. Acho que vou fazer up-dates todos os dias.

como o dia começa

O tempo que vai desde o sorriso de bom dia até à despedida é muito curto. Em dias como hoje, sobretudo, a minha vontade era levá-la para um sítio bonito e brincar o dia todo, sob a bênção deste sol radioso.
Mas tenho de resignar-me a deixá-la e a vir encerrar-me entre quatro paredes.
Serve-me de consolo saber que a deixo no meio deste maravilhoso pulmão urbano.


 A luz está fraca e as fotos foram tiradas à pressa, em movimento, a conduzir. Um dia invisto mais tempo a captar a beleza deste local. É bom que existam estes espaços. É bom que ela tenha o privilégio de usufruir desta redoma de qualidade ambiental.
Estou desejosa que o sol se torne mais caloroso para que ela possa disfrutar do que a espera na Quinta.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

peneirar o billboard chart #1

Traduz-se na actividade que consiste (à falta de trabalho e/ou vontade de realizar tarefas administrativas aborrecidas) em percorrer o histórico dos tops 100 de sempre, pela orientação do conceituado billboard, e tentar extrair-lhe a nata da nata, desde o grandioso e longínquo ano que me viu nascer até ao presente.
Duas ressalvas: a minha selecção é baseada no top do billboard para cada ano, portanto limitei-me a escolher desse top, com riscos assumidos de deixar escapar alguma das pérolas que possam ter marcado a minha vida e não constem do dito, e, claro, sendo uma selecção minha não visará talvez o consensualmente melhor, mas antes o individualmente mais marcante.
And the winner is:
1979 - I Will Survive - Gloria Gaynor (não deixa de ser uma grande música apenas porque a passámos (passamos) até à exaustão e nas mais diversas versões, em quase tudo o que é disconite. Atentem à sua época.)
1980 - Another Brick In The Wall  - Pink Floyd (preciso mesmo de justificar esta escolha?)
1981 - The Winner Takes It All - ABBA (que mulherada poderosa! Desconfio que me embeiçava por elas e pelos seus glosses, se não tivesse um ano de vida na época e uma vagina.)
1982 - Don't Stop Believin' - Journey (começa a desgraça das bandas que potenciam os grandes karaokes do século XXI. Adoro.)
1983 - Human Nature - Michael Jackson.
1984 - Thriller - (guess?) Michael Jackson (repetir o M.J. quando há tão bons a ficar para trás? Pois, as escolhas tenderam a ser difíceis mas esta repetição era inevitável.)
1985 - Summer of '69 - Bryan Adams (se eu não escolhesse esta, teria de negar toda a minha adolescente existência.)
1986 - Nikita - Elton John (quem era a miúda de escola que não queria ter a pele da Nikita, e os olhos da Nikita e o chapéu da Nikita? E dar um tiro ao senhor que tratava mal a Nikita...?)
Como se vê, há muito aqui que não tem a ver com a qualidade da escolha. Há aqui muito de mim, pequenita, pequenita.
Qualquer dia vem o resto. Agora tenho mais que fazer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

La Vita è Bella - bandas sonoras #4



Dispensa comentários.

patrício

Queria escrever qualquer coisa sobre o Sporting-Benfica de ontem, mas pensava para mim que não valeria o esforço. O benfica saíu vitorioso, ok, urras e vivas com fartura, mas não foi lá uma grande partida. Cartões, expulsão, futebolinho muito fraquinho do Sporting porque é evidente: eles não sabem fazer melhor e quem não quer ver é cego, uma gestão de esforço da parte do Benfica (devido a meio tempo com o onze transformado em dez e porque dois jogos por semana nas perninhas é coisa que o futebolista português tem dificuldade em digerir) e assim decorreu, morno, com mérito mas também com alguma borrifadela de divino nos ressaltos que deram origem aos golos. Enfim, dá ideia de que o que apetece dizer é que podia ter sido melhor e para mais, num jogo em que já existiam doze pontos de diferença entre as equipas e uma delas está animicamente mais fraca que um desempregado de longa data, adivinha-se que, seja qual for o desfecho, a montanha vai sempre parir um rato.
Mas quando eu pensava que nada de nada que se relacione com o Sporting-Benfica de ontem teria grande interesse, descubro esta espécie de milagre gráfico.

as minorias

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

mais do costume

Hoje sonhei muito. Sonhei com uma pessoa que não conheço. Um estranho.
E ali estava, familiar e naturalmente, a invadir território que não lhe pertence, com ousadia, sem receios, como se outra coisa não fosse de esperar.
O estranho ria-se para mim de forma franca, enquanto abanava a cabeça como quem me toma por frágil, como se eu fosse uma criança de colo que ele quer e sabe que pode proteger. Sinto-me vulnerável como se aquele sorriso mostrasse que eu sou transparente. O estranho consegue ver-me como se eu fosse revestida por uma carcaça de cristal, que deixa perceber o bater mais forte do coração, o sangue a correr mais depressa e todas as alterações que se processam no meu interior. Tento calar o pensamento mas as palavras aparecem escritas no ar e nada do que penso ou sinto permanece mistério. E há qualquer coisa de condescendência na sua postura, como quem mostra que pode optar por uma de duas coisas, das quais depende toda a minha vida. Deixa-me quebrada, impotente.
Enquanto acordo devagar, percebendo que estou a passar desse estado de respiração suspensa para o despertar da consciência, tenho tempo para perceber que ele tem uma terceira opção, a de não escolher. E ainda vislumbro, antes de abrir os olhos, aquele sorriso complacente, que me dá a certeza de ter paredes transparentes e de estar a ser constantemente observada.

Uma noite mais ou menos igual às outras, portanto.

...

Já passaram dez dias. Morreu a mãe de uma amiga, do nada, num segundo, sem um ai.

Obriguei-me mais uma vez a aceitar que, quando estas coisas acontecem, temos de conciliar o luto com as inevitáveis burocracias e formalidades. Aflige-me que haja tanto em que pensar quando o corpo só consegue sentir desalmadamente. Ponderei mais uma vez sobre a morte. A morte acontece sempre, mais cedo ou mais tarde. Ou deixamos alguém a sofrer por nós ou teremos de aceitar sofrer por alguém que parte. Cheguei mais uma vez à conclusão de que mais vale não pensar muito.

De uma forma obstinada, sempre me agradou a 'lógica' da longevidade ser o pretexto ideal para a morte. Lembro-me de, em pequena, temer que me faltasse a minha mãe, por alturas em que comecei a perceber que as pessoas mais velhas iam desaparecendo para sempre. Era um medo horrível. Mas fui crescendo com a ideia de que, por muito que a minha vontade seja a de perpetuar até aos limites do possível a vida dos meus pais, será sempre melhor que não sejam eles a ter de suportar a dor de me perder a mim.

E agora que fui mãe renova-se com muito mais significado esta filosofia. Nenhuma mãe do mundo devia passar pela dor que (imagino) seja a de perder um filho.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

em calha


Já a seguir.
E vem da minha Caleidoscópio.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

lágrimas de leão

scp vs naval 4/02/2011

Para mim, o futebol não tem a ver com lógica e raciocínio. Nem tem a ver com matemáticas. E se é certo que nos vemos obrigados a exigir vitórias para somar pontos e atingir um auge, temos de admitir que isso só acontece em função do momento emocional que esse auge implica. Normalmente o auge dá-se nas conquistas, e em última análise, é disso que a competição depende. Mas, uma vez por outra, o futebol ganha outras dimensões, que nada têm a ver com resultados, e são repletos de emoção.
Infelizmente, o sporting não encheu a casa na sexta-feira passada, para que uma lotação esgotada pudesse ter assistido ao que dificilmente alguma outra equipa alcançará este ano.
O meu coração eternamente rival emocionou-se com tamanho arrebatamento.
Depois de mais noventa minutos de inglória descoordenação e por ocasião de um acontecimento que à luz da racionalidade é mais uma bronca considerável para o clube, a única explicação para tantos adeptos voltarem para casa com os corações quentinhos é mesmo a prova irrefutável de que não é dos golos e das fintas que vive o futebol, mas antes do amor irracional, louco e descontrolado que ele desperta nas pessoas.

sábado houve disto


...aqui:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

esperar, esperar, esperar para ver

Quem havia de dizer que o cabrão do César Peixoto ia jogar à farta contra o Porto?
É oficial, não tomo mais nada como certo nesta vida.

(qualquer dia até o Luís Filipe se lembra de uma coisa destas!)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

'closer' bandas sonoras #3




Esta é a de sempre.
Mais concretamente, dos últimos dias.
Muito particularmente, de hoje...

p.s. tive um namorado que me lembra bastante o Jude Law e até nem acho que foi o mais giro de todos, o que faz de mim uma mulherzinha com alguma sorte (ou com problemas de visão, o que é muito mais provável visto sofrer de astigmatismo e usar óculos para ler, ver televisão e me debruçar aqui ao blogue).

sr. antónio

Hoje sonhei com a mercearia onde ia com a minha mãe. Fui atendida pela Piedade e comprei dvd's que estavam em promoção (lá não se vendem dvd's) e ofereciam o terceiro na compra de dois. Depois fui devolvê-los. Ainda não era aquela prenda. Era para ser um jogo para a Playstation (o que me deu para comprar dvd's?). Está a esgotar-se o tempo. Corro para o carro e vou ver o saldo bancário, com preocupação (a primeira coisa efectivamente lógica na presente conjuntura). Tenho 32 euros. O que se faz com isso? Tenho uma prenda para comprar e, como de costume, tem de ser perfeita, adequada mas, como de costume, só consigo pensar em quantidade para compensar a qualidade.
Costumo sonhar muito. Normalmente com obrigações, chatices, contrariedades, coisas que me perturbam, que não me dão prazer. Preocupa-me que esta prenda represente tudo isso.

dias

Era preciso que tivessem paciência para mim.
Era preciso que me deixassem sentir necessidades.
Era preciso que me levassem a beber um café, a caminhar à noite, com pés frios e muita roupa.
Era preciso que terminássemos num lugar quente, com caras estranhas e música alta, com suor de corpos e casas de banho à pinha.
Era preciso eu esquecer-me de que sou precisa.
Era preciso alguém querer sentir-se assim comigo.
Era preciso não me sentir tão deseperadamente à parte.
Era preciso tudo isto para me convencer que não estou completamente sozinha.

25 aninhos

Já não é Vitinho.
Agora já se chama Vitor. Com sorte, acabou o ensino superior e já é Dr. Vitor.
Faz de conta que ainda não passaram 25 anos, Vitinho...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

a minha (tardia) homenagem

metáfora da vida humana (autor)

"E tu, ó cornaca, que raios vais tu fazer com o elefante a viena, Provavelmente o mesmo que em lisboa, nada de importante, respondeu subhro, irão dar-lhe muitas palmas, irá sair muita gente à rua, e depois esquecem-se dele, assim é a lei da vida, triunfo e olvido, Nem sempre, Aos elefantes e aos homens, sempre, embora dos homens eu não deva falar, não passo de um indiano em terra que não é sua, mas, que eu conheça, só um elefante escapou a esta lei, Que elefante foi esse, perguntou um dos homens das forças, Um elefante que estava moribundo e a quem cortaram a cabeça depois de morto, Então acabou-se tudo aí, Não, a cabeça foi posta no pescoço de um deus que se chama ganeixa e que estava morto, Fala-nos desse tal ganeixa, disse o comandante, Comandante, a religião hinduísta é muito complicada, só um indiano está capacitado para compreendê-la, e nem todos o conseguem, Creio recordar que me disseste que és cristão, E eu recordo-me de ter respondido, mais ou menos, meu comandante, mais ou menos, Que quer isso dizer na realidade, és ou não és cristão, Baptizaram-me na índia quando eu era pequeno, E depois, Depois, nada, respondeu o cornaca com um encolher de ombros, Nunca praticaste, Não fui chamado, senhor, devem ter-se esquecido de mim, Não perdeste nada com isso, disse a voz desconhecida que não foi possível localizar, mas que, embora isto não seja crível, pareceu ter brotado das brasas da fogueira. Fez-se um grande silêncio só interrompido pelos estalidos da lenha a arder. Segundo a tua religião, quem foi que criou o universo, perguntou o comandante, Brama, meu senhor, Então, esse é deus, Sim, mas não o único, Explica-te, É que não basta ter criado o universo, é preciso também quem o conserve, e essa é a tarefa de outro deus, um que se chama vixnu, Há mais deuses além desses, cornaca, Temos milhares, mas o terceiro em importância é siva, o destruidor, Queres dizer que aquilo que vixnu conserva, siva o destrói, Não, meu comandante, com siva, a morte é entendida como princípio gerador da vida, Se bem percebo, os três fazem parte de uma trindade, são uma trindade, como no cristianismo, No cristianismo são quatro, meu comandante, com perdão do atrevimento, Quatro, exclamou o comandante, estupefacto, quem é esse quarto, A virgem, meu senhor, A virgem está fora disto, o que temos é o pai, o filho e o espírito santo, E a virgem, Se não te explicas, corto-te a cabeça, como fizeram ao elefante, Nunca ouvi pedir nada a deus, nem a jesus, nem ao espírito santo, mas a virgem não tem mãos a medir com tantos rogos, preces e solicitações que lhe chegam a casa a todas as horas do dia e da noite, (...)"

Excerto do livro ' A Viagem do Elefante', José Saramago, 2008

"O livro narra uma viagem de um elefante que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático que foi oferecido pelo nosso rei D. João III ao arquiduque da Áustria Maximiliano II (seu primo). Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550, 1551, 1552. E, portanto, o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, e o que o livro conta é isso, é essa viagem.";

Livro que é um conto e não um romance "porque lhe falta o que caracteriza em primeiro lugar um romance: uma história de amor - o elefante não conhece uma elefanta no caminho...";

Há anos, em Salzburgo: "Creio que no próprio dia da minha chegada fomos jantar com outros professores a um restaurante que se chamava `O Elefante`. O simples nome do restaurante não era suficiente para despertar a minha curiosidade, mas a verdade é que lá dentro havia uma escultura relativamente grande representando um elefante e havia, sobretudo, um friso de pequenas esculturas que, entre a Torre de Belém, que era a primeira, e outra de um monumento ou edifício público que representaria Viena, marcava o itinerário do elefante entre Lisboa e Viena. Perguntei-lhe o que era aquilo, ela (Gilda Lopes Encarnação) contou-me e, naquele momento, eu senti que aquilo podia dar uma história...";

"(...) é uma metáfora da vida humana: este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas...";

"Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante - que, depois de tudo aquilo, acaba de uma maneira quase humilhante, aquelas patas que o sustentaram durante milhares de quilómetros são transformadas em objectos, ainda por cima de mau gosto - no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso";

José Saramago, em entrevista à Lusa, 5 de Novembro 2008

sempre acabamos por chegar aonde nos esperam, assim diz a epígrafe do livro.

José Saramago completou a sua viagem.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

um dia

Um dia, vais conhecer a pessoa da tua vida. Vai ser por acaso, por acidente, por um instinto que reconhecerás mais tarde como desígnio, mas que sempre se afigurou casual. Ouvirás dela as palavras certas, como se te lesse os pensamentos e soubesse que era precisamente o que querias ouvir, ao ponto de te questionares se não será perfeito demais e se poderá ser assim tão como tu és. Imaginá-la-ás a ouvir a mesma música, a gostar dos mesmos acordes e a cantar, de cor, os mesmos refrões. Saberás que aquele ritmo também será irresistível para ela e conhecerás, com toda a certeza, os mesmos sítios em que se sente à vontade, os lugares a que pertence. Saberás das suas fraquezas através das entrelinhas e adivinharás a sua sensibilidade nas estórias dentro da sua história, nos seus fracassos, nas suas desilusões, nas suas conquistas. A pessoa da tua vida pode nunca cruzar-se contigo na rua e podes nunca olhá-la na cara. Pode até acontecer que grande parte do que essa pessoa te dá seja virtual. Podes nunca saber porque razão a chamaste à tua vida quando não procuravas nada, e mesmo assim pensares sempre que aquela poderia muito bem ser a tua pessoa. É muito provável que dês contigo um dia algures, num sítio que imagines comum, à espera dela, mesmo sabendo que não vem. Nessa altura vais olhar o horizonte com o pensamento perdido em coisas do imaginário, com a sensação de que, por cima do ombro irá surgir alguém que, certamente, não surge. Ela vai fazer-te pensar e repensar a tua vida e vai fazer-te dizer mais do que estavas disposta a admitir que sequer sentias. E não te assustes, filha, tudo isto poderá acontecer quando já tiveres conhecido a pessoa da tua vida.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

epifania

É curioso que as coisas que mais nos assustam e as nossas pequenas fobias não correspondam, normalmente, a uma ameaça real à nossa vida. A mim, por exemplo, não me interessa nada saltar das alturas, muito embora saiba que se o fizesse seria em consciência, com segurança e munida de meios que me protegessem. Por outro lado, não hesitava em atirar-me a um tanque de tubarões se a alternativa fosse um buraco cheio de centopeias, consciente que esta opção instintiva tem muito mais a ver com paranóia do que com a lógica de querer preservar a minha vida.
São tudo questões curiosas que caem por terra quando estamos melancólica e pateticamente sentados à secretária, a fazer uma porra de um serviço administrativo qualquer, e de repente nos engasgamos com a nossa própria saliva, falhando numa função tão elementar como a que consiste em coordenar a respiração com a deglutição. Fodido não é morrer esborrachada no chão por uma queda de dois mil pés, nem ser engolida por um tubarão. Pior é parar de respirar por dislexia, a olhar par o IC30 e acreditar mesmo que é o fim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

flugelbinder



Qual Tom Cruise dos tempos de catraio, qual romance, qual sonho temporário de vir um dia a aprender a fazer jiga-joga com garrafas, qual quê.
O que me marcou para todo sempre no Cocktail, foi a descoberta do flugelbinder.

(o que, tendo tanto de desinteressante como de curioso, me leva a questionar, porquê!? porque consigo encontrar o vídeo do flugelbinder e nada de nada da Rita Catita?)

daqui por... hora e meia


hoje,
mais difícil do que o rabo para dentro, a força abdominal, os ombros afastados das orelhas e as pernas ligeiramente flectidas..
mais difícil do que a força bem direccionada, o domínio do equilíbrio e a resistência..
mais difícil do que o controlo total da respiração e a insistência nos alongamentos perfeitos...

bem mais difícil que tudo isso vai ser o Sr. Joseph Pilates convencer-me a vestir t-shirt e a descalçar as meias grossas.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pink Floyd - Hey You Lyrics [Recently featured in the film 'Due Date'] bandas sonoras #2



Due date foi o filme de sexta à noite. Sem grandes enredos, como seria de esperar de um filme para proporcionar gargalhadas fáceis.
Não fica na lista dos melhores, nem dos piores.
É unlisted.
Já a banda sonora teve ali um esgar de genialidade.

ainda o domingo

Afinal, não fui votar. Fiquei em casa, com a minha cria, porque fazia um frio escandinavo e não estou para sujeitá-la a uma pneumonia porque houve um dia um 25 de Abril. Actualmente, vejo as eleições como um daqueles e-mails que nos prometem azar se não reenviarmos para a nossa lista completa de contactos e acabo sempre por ir votar com um sentimento de não vá o diabo tecê-las!. Este ano, resolvi agir em conformidade. Acredito tanto nas fervorosas convicções dos candidatos como nas promessas de felicidade e riqueza que circulam na internet, portanto, exerci o meu direito de não reencaminhar ninguém para a cadeira do poder.

p.s. Eu sei que a abstenção é uma forma de facilitar a maioria anunciada, mas parece-me que o prof. Cavaco Silva também saberá que a sua reeleição tem mais a ver com a indiferença dos portugueses do que com a confiança que depositam no Presidente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

domingo

Até há dois dias atrás, não estava consciente que as eleições presidenciais se iam realizar no próximo domingo. Sabia que eram em Janeiro mas, não fosse o caso de afinal não ser assim tão eremita como às vezes faço passar, iria acabar por chegar a meio de Fevereiro até me aperceber que, efectivamente, Janeiro já era. Não tenho assistido a telejornais, a tempos de antena, nem tenho lido nada de jeito sobre actualidade. Em tempos idos sentir-me-ia embaraçada com tamanha alienação, com tão grande ignorância, e considerar-me-ia fortemente responsável pelo rumo que este país tomou. Neste momento, não poderia estar mais nas tintas para essas tretas da consciência. Hei-de ir votar sim, mas vai ser um grande transtorno porque ainda não alterei a minha freguesia eleitoral, e só o faço porque ainda vivo no medo daquele mito que diz que os bancos podem não dar crédito aos cidadãos que não cumpram com os seus deveres cívicos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

rita catita


Era uma delícia. Falava muito e muito depressa, era políticamente incorrecta - o que é caricato num desenho animado - e respondia em directo a telefonemas para o programa. Eu já era crescida para assistir a programas infantis mas ela era mais que um boneco: era impetuosa, rebelde, irritante, stressada, impaciente e tinha um sentido de humor que, estou convencida, estava muito mais direccionado para adultos do que para crianças. Talvez por isso o programa não tenha sido um êxito e poucos se lembrem dela. Talvez por isso não consiga encontrar referências ou links que não terminem numa breve anotação de um ou outro blogger ou então num beco sem saída: a tvi eliminou as provas da sua existência.
Gostava tanto de ouvi-la mais uma vez. E de apresentá-la à Teresinha.

penso eu de que, jorge

Coitado do senhor, que não há quem o interne de vez num SPA paradisíaco, onde possa passear-se apenas com uma toalhinha branca à volta da cintura gorda, exibindo as suas peles flácidas, rodeado de meninas tesudas e recém chegadas à maioridade. 
Não há prece ou rogo que nos prive dos seus disparates.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

tudo do avesso

Sinto-me defraudada com a preocupação "psicopedagógica" a que sujeitam os miúdos agora. Ao que parece, as músicas que me cantavam na infância e que faziam 'eventual' referência a uma palmada ou um castigo, têm passado com grande preocupação pela censura diplomatizada que, como sabem, se ocupa hoje em dia, desde muito cedo, com a prevenção de futuras mazelas psicológicas nos miúdos - potenciais assíduos no acompanhamento profissional da terapia comportamental. A solução parece ser simples. Retiram-se alguns versos nefastos de canções sobejamente conhecidas, como nas Pombinhas da Cat'rina, em que a menina já não tem de se preocupar por ter partido a cantarinha, e portanto a versão que canto à minha filha é diferente da que me foi cantada, salvaguardando-a assim de um percurso infantil problemático e certamente de quedas muito pouco saudáveis a jogar à boa da cirumba e ao piolho.
O mesmo acontece em relação às histórias infantis, de uma forma ainda mais flagrante. Aqui, não alteram uma ou outra palavra, optam logo por mudar radicalmente a história, mantendo apenas as personagens. Por exemplo, a Capuchinho Vermelho desta nova Era é um absurdo: o lobo não é mau, não come crianças, não morre com o bucho cheio de calhaus. É antes uma espécie de animal doméstico, dócil (à semelhança do urso castanho - inspirado no pardo, um dos mais perigosos de sempre - mas que já ganhou há décadas um estatuto de fofinho), e já vi uma versão que culmina com um alegre piquenique entre a avó, a Capuchinho e o Lobinho, provavelmente a comer tofu. E com o Pinóquio é o mesmo, uma treta que nada tem a ver com o original.
É escandaloso ser mãe neste cenário. Fico sem palavras.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

bandas sonoras #1



É uma bela rúbrica. Música e cinema. Duas coisas que, não poucas vezes, andam de mãos dadas no meu pensamento. Inauguremos então a rúbrica, com a banda sonora mais improvável de todas: (eu, que nasci em 1979) retirada de um conto adaptado ao cinema em 1989, Life Lessons - integrado no filme Contos de Nova Iorque. Com um Nick Nolte já bem entradote para poder ser marcante na vida de uma miúda de dez anos de forma mais ou menos romântica, a não ser na minha, e uma Rosanna Arquette que era já tão pouco actriz como é hoje. E uma música de 1967, para agravar mais esta falha tectónica que existe na organização cronológica que é a minha vida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ontem hoje amanhã

Sei que se enumerar as tarefas antes de as pôr em prática, mesmo que mentalmente, vou começar a executá-las já cansada. Às vezes é mais forte do que eu. Ainda estou no trabalho e quando faltam cinco para as seis já estou a pensar que, partindo do princípio que me ponho a andar às seis e meia, hei-de levar pelo menos vinte minutos a chegar ao colégio e depois é dar colo até ao carro, chegar a casa e transportar criança mais sacos (há sempre sacos), debaixo de chuva ou vento ou o que vier e aguentar os braços dormentes até ao sétimo andar, a olhar suplicante para o display do elevador, que passa lentos os números, e apostar, periclitante, em qual dos dois perco a força primeiro (pensando sempre, claro, que não pode ser no braço que leva a miúda). Depois de abrir a porta de casa sem saber bem como, deparo-me sempre com um dilema. O que fazer primeiro? Normalmente, e dependendo do estado consciente ou inconsciente da Teresa, os sacos ficam no hall, à espera de novas ordens, enquanto a deito/despacho (meaning=tirar gorro, despir casaco, puxar sapatos e acomodá-la na caminha/na sala com os brinquedos e o Baby First ligado). Fica a marinar. Às vezes, vou fazer xixi quando me lembro que é imperativo e já estou com vontade há... desde as cinco para as seis, vá. Depois pego nos sacos e arrumo as compras, enquanto vou trauteando/conversando/cantando para a sala, para não sentir que depositei ali um peso morto. Mas eis que se impõe o banho. Com isto tudo já são mais do que sete e convinha comer pouco depois das oito. Vai de encher a banheira, preparar pijama, arrastar a pequena, ligar o aquecimento, despir a pequena, enrolar na toalha, banheira, chap chap, espuminha aqui, té té té, pápápá (mamã é mentira), enrola em toalha e toca de secar, hidratar a pele, colocar fralda, limpar ouvidos, esguichar soro, chupar ranho, pentear caracóis e... voilá. Sentar na cadeirinha e aquecer a sopa e preparar a fruta trauteando/conversando/cantando. Dar colher, mais colher, mais colher, e brrrrr, e esguicha sopa porque já está a barriga satisfeita e é hora de brincar com a comida, e despacha fruta e lava boca (cara) e dentinhos (sete e meio da frente). Vai de volta, e agora já estão os Simpsons na Fox, que entretenimento, e eu volto para lavar pratinho e colher e pensar se há jantar ou se como cereais, ou se não é melhor aproveitar e ir tomar banho enquanto a barriga cheia e os Simpsons a têm sedada. Porque o pai não está, nem sei a que horas chega, que trabalho de gripista não tem horas e às vezes nem vem e acumulam em cima do micro-ondas blocos de notas dos hotéis, e tem de ser mesmo assim, este corre corre, onde nem tudo é mau, desde que não haja febre e urgências e noites mal dormidas, que é bom sinal.
Quando se pára, ah!, quando se pára.. sabe tão bem e ela sorri, como quem diz, estás aqui? A sério? No sofá, na sala, para brincar comigo?
Depois o pai vem (yuppiii, hoje conseguiu!) e despacha-se para ter sorrisos de saudade da menina. Daqui a pouco estamos todos enroscados, nos respectivos quartinhos, e vai o pai e envolve a mãe e diz carinhosamente: queria tanto outro bebé! Vamos fazer outro bebé? Agora!? (esperançado...!)
FODA-SE!

(o pior, é que a mãe também quer)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Love Should - Moby



e assim, sem querer, um amigo lembrou-me do quanto eu gosto disto.

as minhas medidas de austeridade

Estou naquela situação meio indefinida em que a minha condição física é condenável e exige muito trabalhinho de recuperação, não obstante ser demasiado elegante para pensar sequer em recorrer ao Peso Certo nacional. Acho que é aquele estádio em que os gordos nos olham com ar de 'quem me dera ter os teus problemas' e os magros pensam 'não te ponhas a pau, não!' (e agora que revi umas fotografias de épocas áureas, estou mais inclinada para este último pensamento).

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tulum: o paraíso da propriedade horizontal



Ando com saudades de viajar.
É uma vontade desgraçada de ir para longe e ver outras gentes, esta que me consome ultimamente. Não suporto a alegria dos amigos que voltam da neve ou o entusiasmo dos que vão para os trópicos, pelo simples motivo que se me assoma um feio sentimento de profunda inveja.
Assim estou, entre suspiros, a remoer na última viagem, perdida por entre as fotos e a mergulhar no zoom in do google para ver de perto a praia de Tulum e o azul imenso do mar caribenho. A alternativa a isto é viver na realidade de um Janeiro que não viu um dime do ordenado anterior ou do subsídio de Natal, que é como quem diz, trabalhar por terapia ocupacional.

Para completar este quadro negro, entretenho-me com este vídeo promocional que me remete para duas coisas distintas: off shores e greenpeace.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lisboa



Não sei como é possível, a vinte quilómetros, sentir tanto a falta da minha cidade.

o mesmo tipo de amor

Há aquelas mães que, mesmo antes de o serem, já se lhes adivinha a rudeza dos gestos, o empinar da anca para apoiar crianças robustas e o comportamento despreocupado, quase negligente. São mães que tendem a sê-lo segunda e terceira vez, e de cada uma, se tornam mais rudes no amor maternal, mais fortes a domar o rebanho, mais relaxadas na sua maternidade. Não são necessariamente as mães pobres, de bairro, de campo. Há-as também urbanas e citadinas, que não lavam roupa no tanque e trabalham num escritório.
E há aquelas outras mães, que o são em toda a sua candura desde a embrionagem do rebento. As que preparam com afinco ninhos de linho e puro algodão. São as que gostam dos tons pastel e decoram o quartinho com irrepreensível bom gosto, deixando-lhe permanentemente uma aura clara, brilhante, e um agradável odor a bebé. Têm sempre gestos delicados, as fraldas são bordadas, as roupas são hipoalergénicas e os objectos são imaculadamente esterelizados.
Não me revejo numa, nem na outra.
Parece que em alguma coisa na minha vida existe finalmente algum equilíbrio.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

então obrigada

Hoje de manhã ouvi na rádio que hoje era dia do agradecimento. Homenagem ao Obrigado/a.
Segue daqui da Terrugem, onde geograficamente partilho da noção de suburbanismo, um muito obrigada para o alfaiate, pela sua inspirada visão do mundo.

...todavia, me gusta

O amor às vezes é uma chatice.
Quem disser que o amor é lindo e que são só passarinhos verdes, borboletas e papoilas está a fazer uma confusão qualquer. O amor, como quase tudo o que é digno de ser, é trabalhoso, complicado, nem sempre branco, nem sempre preto, cheio de dificuldades e artimanhas, enganador e muitíssimas vezes uma chatice do pior. Ou é porque sim ou porque não, ou porque hoje eu quero e tu não estás ou porque amanhã estou tão bem e vais estragar tudo, ou porque o espaço é muito ou porque é pouco, ou porque somos a menos ou talvez sejamos a mais. É uma canseira. Na realidade, acho que o amor só é esse amor-arco-íris de vez em quando. O resto do tempo vai de férias e faz da cumplicidade o seu substituto.

a semântica

Democracia é uma palavra bonita, fazendo jus à conotação que lhe está inerente. Todas as coisas boas deviam ter um nome bonito, uma designação que lhes fizesse justiça, o que nem sempre acontece e é pena. A palavra democracia é fácil, é suave, é sucinta, e a sua verbalização pode e deve ser frequente, como os champôs que defendem uma utilização diária para obtenção de melhores resultados. Quanto mais nos valermos do argumento da democracia, mais inclinados estamos para o que está certo e nunca é demais acrescentar aqui e relembrar acolá, que a nossa sociedade é democrática. O nosso regime político é democrático e o nosso país, a sociedade actual, não conhece as palavras regime autoritário, palavras feias, duras, rígidas, inflexíveis, de opressão. Somos uma democracia plena - mais uma expressão bonita.
Mas a democracia, qual manta suave e delicada, esconde na sua beleza e na plenitude da sua semântica, processos burocráticos e esquemas políticos tão feios que não se lhes adivinha fim. Como o traço formal e elegante de um fato ministerial contrasta com a farda camuflada e grosseira de um general do terceiro mundo, como as medidas políticas tão bem alinhavadas e floreadamente argumentativas de uma medida de austeridade contrasta com a palavra de ordem de um ditador, também a suavidade da palavra democracia se vê oposta ao seu obscuro significado.
A democracia, desgraçadamente, vê-se assim a perder beleza. Já não se olha para ela como antes. Já ninguém a crê como bela, como certa, como o argumento que se utiliza frequentemente com tanto crédito. Os homens que inventaram o conceito de democracia praticam-no de forma pouco lisonjeira, corrompem-na. A própria utilização da palavra vai caindo em descrédito. Começa a acreditar-se que apregoar a democracia ostensivamente já não garante resultados de qualquer espécie, tal como sempre acreditei que usar champô no cabelo com frequência diária não garante melhores resultados, apenas satisfaz o interesse económico de alguns.
Quando penso no mal que se faz debaixo da suave manta da democracia, a palavra deixa de parecer-me tão bonita, tão fácil, tão sucinta.

Projectos que não falham

Manuela Azevedo, Camané e Jorge Palma.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

inédito

O Funes Mori está aqui está no Porto.
O cândido sentido de oportunidade da comunicação social provoca-me um sentimento balanceado entre a vontade de rir e a de chorar.
E dejá vu.

um ano disto!

dia de excepção.
dia de fotos pessoais.
à Teresa, parabéns e obrigada por seres (minha).

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Michael C. Hall a.k.a DEXTER


2010
Curado do cancro.
Divorciado da escanzelada da 'irmã'.
2011
De regresso, com a mesma fome de sangue.
A mesma franja.
O mesmo olhar.

Não dá para resistir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Turn! Turn! Turn! (to Everything There Is A Season)



Que em 2011 saibamos viver tudo o que vier.
Time, time, time...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

queria desejar um bom ano...

... às pessoas que nos proporcionam silêncios confortáveis;
... àqueles de quem não sabemos há séculos e nos fazem felizes quando dão notícias;
... às pessoas que, no comércio & serviços, nos são prestáveis, gostem ou não do emprego que têm;
... aos bons condutores;
... ao Dexter;
... aos estranhos com quem empatizamos sem saber bem porquê...;
... ao Tim Booth, por não ter parado;
... aos voluntários de boas causas;
... a quem já foi muito importante para nós;
... a quem está longe e gostávamos muito, muito de abraçar e olhar demoradamente depois de tanto tempo;
... a quem falou horas ao telefone connosco apenas por gostar de nos ouvir ou porque precisámos;
... à lagarta Flora, que come maçãs a toda a hora, e faz muita companhia à minha filha;
... aos mais velhos, que algures no nosso percurso, nos ensinaram qualquer coisa;
... ao Benfica, por ter sido este ano, caraças!;
... ao pai, à mãe, à mana;
... a nós;
... a vós.

... 5, 4, 3, 2, 1!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

ou achar que se é sonhador...

Nunca nada do que acontece é tão bom ou tão mau como eu pensei que fosse.
Vivo de expectativas.
Excelentes e terríveis expectativas.
Alguém deve saber como é...

para o ano há mais (porque é bom sinal)

O meu Natal foi tremendo. Tremendo de bacalhau, de perú, de cabrito, de lombo recheado, de acompanhamentos deliciosos, de roupa-velha e outras variantes salgadas; foi tremendo de doces: rabanadas, filhós, sonhos, bolo-rei, tortas e tartes, miniaturas, arroz doce e aletria; tremendo de queijos e presunto com brôa, pão saloio e regueifa. Foi um Natal tremendo de comida e bebida, tremendo até ao desperdício, curiosamente em ano de aguda crise económica (ninguém me tira da ideia que as pessoas tentam aniquilar o fantasma da crise com um consumismo bruto), que me conduziu não poucas vezes a pensamentos de grande frustração e empatia pelos que teriam, àquela hora, um Natal tremendo de frio, fome e solidão.
Tive um Natal tremendo de criançada, gargalhadas, entusiasmo, calor, luzes e boas cores, que foi também um Natal tremendo de correrias, azáfama, barulheira, birras, choros, discussões e egoísmo.
Foi o primeiro Natal da minha filha. Foi o meu primeiro Natal com a minha filha e não perdi a cabeça, nem as estribeiras por isso. Ela, que nem sabe o que foi tudo aquilo, que rodopiou de colo em colo e não descansou o que devia, mostrando-se, como eu, muitas vezes exausta e nos limites da paciência. Ofereci-lhe um livro, que custou pouco mais que dez euros. Apenas isso, que espero seja algo de que ela goste sempre, os livros.
Tive um longo fim-de-semana de Natal. Foi um bom Natal. E como sempre acontece depois de passar algum tempo com a família toda reunida, suspirei de alívio ao regressar a casa.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

bom natal e muita saudinha

Desde que saí ontem do dentista, com a bochecha direita adormecida e inútil, que questiono quanto tempo irei suportar esta coisa horrorosa que deverei assimilar como parte integrante da minha boca durante alguns meses. E não obstante o facto de achar que sim, que vai valer a pena e que vou implantar um dente lindinho a substituir o meu exemplar que estava irremediavelmente comprometido, custa-me a crer que este bocado de plástico colado ao céu da boca através de um suspeito processo de vácuo, vá alguma vez, durante estes meses que me esperam, deixar de ser, obstinadamente, rejeitado pelo meu corpo. 
Entretanto o meu cérebro anda para aqui às voltas com coisas muito mais importantes, nomeadamente as palavras 'filha', 'internada', 'febre', 'raio-x', 'análises', 'ventosas', que estou ainda a tentar conjugar numa frase com sentido que não me faça o coração em fanicos, enquanto espero um ok para deixar o trabalho, onde não estou claramente concentrada em coisíssima alguma, para poder correr para lá, onde, mesmo sem poder fazer nada, quero estar presente.
Não há prótese para substituir o coração de uma mãe.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

a quem ocorra transmitir-me hoje mais alguma vibração negativa...

... please, think again.

p.s. Sinto o cheiro da mudança. Não sei se é bom porque é parecido com o das castanhas cozidas: a erva-doce é agradável ao olfacto mas não me satisfaz o palato.

numa 'espécie' de inglês...



... o que a Mónica me deu hoje e que eu estava mesmo a precisar.
mas, espera aí! "or site on the corner? WTF!?"

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

somos seis milhões


a fotografia foi utilizada numa campanha do grupo de apoio a separados divertidos/divorciados (GASDD) - o que quer que isso seja.

mas achei-a tão apropriada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

seteais


termos um fim de semana juntos já é um luxo muitas vezes inatingível.
Em Seteais, com direito a jantar gourmet e miminhos do chef, foi a puta da loucura.
Um obrigada gigante desta esposa plebeia.

espero que me perdoem a gorjeta tilintante em vez da nota discretamente dobrada e o gamanço dos chinelos de quarto.
É este meu lado pobreta e brega que teimosamente acaba por se fazer notar.

medo, muito medo

Vejo-me ultimamente muito enjoada, sem apetite, quando o normal é estar capaz de me comer a mim própria, e com uma soneira tão desgraçada que tenho receio de deixar a miúda gatinhar até à tomada mais próxima durante os raros momentos em que me consigo alapar com alguma descontracção no sofá da sala. E isto por nada que me pareça fazer algum sentido.
Estou a ver que, para além das futuras incursões pelo dentista - onde vou enterrar uma pequena fortuna já orçamentada - e das consultas de dermatologia e oftalmologia prementes, vou ter de começar pelo mais básico e fazer um chichizinho ali para um copo e rezar, com toda a beatice religiosa possível, para que não tenha havido para aqui um milagre de fecundidade completamente inoportuno.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

saudades do Natal

Gosto das luzes e dos presépios em sítios estratégicos, quase que me enternecem os Pais Natal pendurados de qualquer maneira em janelas suburbanas, moda que não havia nos meus tempos de meninice, e fico deslumbrada com o brilho de algumas avenidas mais finas, com as suas montras caras e reluzentes. Não me incomoda por aí além o consumismo porque, com ou sem crise, sempre existiu quem esbanjasse nesta quadra (e durante todo o ano) enquanto outros passam dificuldades, e reconhecer isto não me permite a hipocrisia de julgar que, apenas este ano, se verificam amargas injustiças. Acho que sempre gostei do ar frio e festivo das ruas da cidade em Dezembro. Passeava sempre com a família, um pouco sem destino, em grandes caminhadas pela cidade nesta época do ano, em fins de tarde de Sábado ou Domingo. Descíamos a Avenida da Liberdade e metíamos pelas Portas de Santo Antão, até à ginjinha que o meu pai me dava a provar, para meu gáudio, e sem que isso constituísse alguma forma de mau exercício de parentalidade, e acabávamos quase sempre por ir comer uma omeleta no pão numa das tascas em frente ao Braz & Braz. Gostava de ir às lojas da Baixa, quase todas com vários pisos, e perder-me pela imensidão de coisas que vendiam. Era impossível contá-las. Íamos também até ao Martim Moniz, sem receios nem preconceitos, subíamos ao Intendente e olhávamos as montras com cartolinas verdes, amarelas e laranja, em forma de estrela, que anunciavam os preços fantásticos dos electrodomésticos. Cruzávamo-nos com mendigos que se abrigavam cedo, debaixo de papelões, e com as primeiras mulheres que se assomavam às esquinas, ao início da noite, e que me faziam trocar risinhos e olhares cúmplices com a minha irmã. Claro que, nesta altura no Natal, era obrigatório comprar castanhas na Praça da Figueira e correr a Rua Augusta até ao fim, para chegar a um Terreiro do Paço ainda sem árvore de Natal recorde.
Naquela altura, parece-me, tudo era simples e pouca coisa nos bastava para nos sentirmos felizes. Lembro-me de pensar em um ou dois presentes que sabia que iria ter quase de certeza, e de admitir até que, se não fossem garantidos, pelo menos contaria com as notas que o meu pai espalhava pela árvore no dia de Natal e que me faziam sentir o peso da responsabilidade de garantir que aquele investimento, que eu sabia ser do seu subsídio, teria um destino à altura da sua hombridade. Além disso, a minha mãe tinha sempre as saias de fazenda e as camisolas de lã entrançadas para nós vestirmos nas refeições de festas em casa dos tios. Costumava fazer um balanço dos meus presentes, e às vezes colocava as coisas todas lado a lado, como que a avaliar o que entrara de novo na minha vida. Mesmo nos melhores anos, contavam-se todos pelos dedos das mãos, e não precisavam ser mais, afinal de contas as prendas eram bónus: qualquer prenda era melhor que nada, e ainda tínhamos direito a passeios pela cidade, com castanhas quentes, ginja, omoletes e um ou outro lanche na pastelaria Suiça, mais a família reunida e normalmente a presença da avó lá em casa, para fazer as filhós, as fatias douradas, os sonhos, a aletria e o arroz doce e passar dias connosco que eram realmente bem aproveitados. Havia tanto para valorizar e dar graças.
Este Natal, a bem da tradição, espera-se mais uma vez a família reunida, um pouco mais alargada, um pouco mais abençoada. E espera-se o do costume: sobrinhos que farão birra desde muito cedo para antecipar a meia-noite logo depois do jantar, sem dar paz a ninguém, sem a alegria boa da expectativa e da valorização de tudo o resto que faz parte de um bom Natal. E espera-se uma imensidão de papéis rasgados e laços brilhantes a cobrir o chão bem antes da hora, pelo meio dos quais se perdem brinquedos e novidades cujo entusiasmo inebriou a sala por alguns minutos. Espero, finalmente, pela imensa tristeza e frustração que me assolam quando lembro o tempo em que contemplava, pela madrugada dentro, as prendas que o Natal me tinha trazido e fazia o balanço do ano. Na pior das hipóteses, faltava alguma coisa que queria mesmo ter mas dentro de alguns meses seria o meu aniversário. Tudo o resto eram ganhos, para valorizar, e sabia que ia acordar na manhã de Natal um pouquinho mais abonada e grata por isso.
Espero que o Natal da minha petinga seja sempre tão generoso como os Natais que sempre tive e dos quais tenho saudades.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

o meu eterno distúrbio

Dá-me a sensação que, de uma forma completamente desbragada e inconveniente, ele escolheu os meus sonhos para manifestar a sua incapacidade de aceitar o que lhe aconteceu faz tanto tempo. Eu tenho pena e padeci por isso. Tive a minha dose de arrependimentos pelo que não foi feito e cheguei a temer pela minha sanidade, pelo irremediável, pela primeira coisa que tive efectivamente ganas de mudar, tão somente por saber ser impossível - estou convencida que, não fora por isso, e tudo teria seguido um rumo calmo e tranquilo, apenas acossado aqui e ali pela indiscrição ocasional de uma rede social sempre demasiado próxima para lhe podermos fugir. Depois passou-me, estou certa que sim. Mas como M. Night Shyamalan tão bem saberá, esta coisa dos mortos que não aceitam a sua condição pode dar a volta à cabeça dos vivos. Alguns vivem a experiência acordados, eu tenho o dom de encarnar vidas e relações antes de ouvir o alarme do relógio e começo a ficar farta de acordar com a sensação do que poderia ter sido. E é isto precisamente que não entendo. Que sossego é este que se procura através da insistente confrontação da minha pessoa com a sua própria cobardia emocional? Pois bem. Se a missão que te fará atingir a paz eterna estiver relacionada com a minha aceitação de que me subestimei a níveis muito abaixo das temperaturas escandinavas em relação ao que podíamos ter sido um dia, you got your point.
Agora faz o favor de morrer. De vez.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

mourinho: o santo-cagão















é um daqueles casos em que antes de o ser, já o era!

olá e adeus

Não escrevo por falta de tema, mas por falta de tempo. Ficam os tópicos:
- Tenho de vos falar da Alzira, mulher jovem e mais ou menos realizada, e da outra, a que não sabe o que é um sonho erótico e "já tem idade para ter o seu sossêgo";
- Estou farta da ameaça de crise. Não a sinto, mas pressinto-a e sei, efectivamente, que ela resulta única e exclusivamente de acção especulatória: a palavra tem um poder imenso!;
- Tenho muitíssima pena do Pablo Aimar. É um desperdício e dói-me a alma quando o vejo suar em campo, completamente só;
- Também tenho pena do Maniche porque não é um homem realizado: Deus deu-lhe algum jeito e muita, muita vontade, mas falta-lhe o resto e ele pertence ao mundo do desporto como eu pertenço a um quadro do Munch;
- Gostava de saber porque é que alguém achou que eu sou "o tipo de pessoa que deve achar o Shutter Island um filme muita bom".

Tenho a fome de um lobo e vou almoçar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

casamento

Tal e qual como nós, que para além da curta e belíssima versão que nos deu o mote, temos um percurso cheio de muito mais.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

OE 2011: não é odisseia no espaço mas podia ser.













Políticos jovens, empreendedores, cheios de genica, com novas ideias e projectos para o futuro longo que ainda têm pela frente.
É óbvio que estas caras lindas gostam deste panorama: não fodem, nem saem de cima.

sono

Peço desculpa por estar cansada e aborrecida de morte. Tanto, que quase não consigo preocupar-me o suficiente, quando devia fazê-lo. Está cá tudo: o sono acumulado por noites interrompidas, o aborrecimento e o cansaço quase fatais desta rotina miserável e também a preocupação inigualável de mãe. Mas não vos preocupais em demasia. Nada é grave, eu é que gosto de abusar dos adjectivos. Tomorrow is only a day away...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Pedes-me um tempo,



"para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair.."


* Não sejam assim! Esta música não é triste, é bela. E eu não sou depressiva, sou nostálgica.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

absurdos

Sou uma pessoa dada a pensamentos dispersos. Qualquer tarefa de rotina serve de pano de fundo para um chorrilho de coisas pensadas. Acho piada quando me dizem para esvaziar a mente e nem levo muito a sério, porque imagino que é retórica, muito embora haja quem me garanta que eu poderia (e deveria) fazer isso mais vezes, dando a entender que não o faço por teimosia. Seja.
Ontem, durante o banho da bebé, por entremeio de palavrinhas cantaroladas, exclamações e sorrisos, ia pensando. Pensando assim: a mãe é uma inventora. Ela inventa um ser, assim, do nada. E esse ser tem características muito bem definidas, muito distintas. Nesta fase, os meus pensamentos poderiam ter enveredado para as questões da genética, mas não, foram continuando por outros rumos. A sua invenção, como todas as invenções, é algo que o seu criador dá ao mundo e que, de certa forma, deixa automaticamente de pertencer-lhe, logo que é concebido, o que tem tanto de injusto como de inevitável. A sua invenção, como todas as invenções, é da sua responsabilidade e o seu motivo de orgulho. A sua invenção, como todas as invenções poderá ou não ser grandiosa, ocupar um lugar de destaque, fazer a diferença, ficar para a História. Sem pretensiosimos, gostava que a minha pequenina invenção fosse um grande instrumento do Mundo. Não precisava ser uma estrela, nem de ter fama ou dinheiro. Gostava apenas que, aquilo em que se transformasse, no futuro, pudesse traduzir-se em gestos nobres e que, como as maiores "invenções" de sempre, fosse capaz de encontrar a felicidade pura em muito pouco e ensinar o mundo a fazer o mesmo.
Depois tive de ir dar-lhe o jantar e comecei a pensar em mil e uma outras coisas tão absurdas como esta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

relembrar

Parece que há quem ainda não tenha percebido.
Enerva-me deveras que me peçam para ter calma quando argumento ponderadamente sobre qualquer coisa.
A minha tranquilidade transforma-se em rastilho para a faísca lançada pela insinuação de que estou alterada.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

inconfidência

Não percebo as pessoas que não sabem apreciar a utilidade de um bidé.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Imagine.. 70º

faltou-me o repasto; o resto é igualinho, igualinho!

" (...) Devorada a travessa inteira de rojões e seguindo o jogo para um pudim Abade de Priscos, sou confrontado com a magnífica triangulação Fabinho-Saviola-Carlos Martins (lá está, nome de craque e de jazzman), que resulta no golão deste último. Considerando o estado de nervos em que me encontrava, a que não era alheia a demora na chegada de mais uma garrafa de um encorpado maduro tinto da região, explodi ali mesmo e gritei golo, seguido de expressão vernacular que rima com reviralho. No micronésimo de segundo em que o fiz, temi pela fúria brácara dos adeptos do Sporting local. Toda a gente sabe que um minhoto irritado é capaz do pior. Qual não é o meu espanto quando quatro quintos do restaurante gritam golo comigo. Recebo um abraço, dois palavrões e três sorrisos e compreendo a velha máxima que nos diz que em Braga o Benfica está tão em casa como na Estrada da Luz.

"Ao engarfar o último trecho do sobredito pudim, reparo nas comemorações do autor do golo vermelho, que me deixaram bastante enjoado, como se acabasse de comer algo que leva vinte ovos e trezentos gramas de manteiga e açúcar: reparemos que Martins marca o golão, corre para a bandeirola de canto e simula qualquer coisa intravenosa – o que pode ser interpretado como algo para os lados do ilícito ou como uma crítica subtil à nomeação de Paulo Bento como seleccionador. Logo de seguida, pede uma bola ao apanha ditas, simula a gravidez e num gesto de extrema violência, esmurra a barriga grávida provocando parto extemporâneo do nascituro. O que quis Martins dizer com isto? Não fosse uma generosa aguardente envelhecida em carvalho, servida em balão aquecido, teria sido torturado por esta celebração plena de pós modernidade durante o resto do repasto.

"Com o apito final do árbitro, depois do Benfica ter estado perto do dois a zero por duas vezes, dei por terminada a minha refeição. Quando me preparava para solicitar a conta ao Garçon, confronto-me com a entrevista relâmpago de Domingos Paciência: no seu fácies era legível a desesperada procura da perfeita desculpa para o sucedido. Não encontrou melhor que um fora de jogo assim-assim e a referência ao facto de o Benfica, depois do golo, ter jogado em queima-tempo. Após uma tirada deste calibre, fui forçado a mandar vir mais um digestivo. Fechei os olhos e, enquanto o bebia de penalty, consegui rever em fast forward os três minutos, dois beijos, seis apertos de mão, catorze palmas e cinquenta passos que o bracarense Vandinho deu para sair do campo instantes antes do fuzilamento Martineiro. “Ainda te lixas com f se dás um jogo como empatado aos setenta e três minutos”, já me dizia um tio meu, treinador adjunto (com curso de grau dois) do Marialvas de Cantanhede nos anos oitenta. Paguei a conta, saí do restaurante, e fui festejar com aqueles imensos benfiquistas que apitavam no Campo da Vinha. Afinal, estava “tipo do género” a jogar em casa."
 

podia muito bem chamar-se: a insuportável supremacia dos ignorantes

Caro Luís Filipe Vieira:
As "pessoas" que apedrejam autocarros são, normalmente, "pessoas" estúpidas, que gostam do conflito, não medem consequências e borrifam-se para as forças de segurança.
Costumam ser também "pessoas" que se sentem particularmente entusiasmadas e impulsionadas pela provocação, pelo aviso e pela ameaça. A adrenalina que se liberta aquando dos seus actos, fervilha com maior intensidade quando há jogo de bastidores com muita antecedência e existe um clima de animosidade latente, que não precisa de ser intensificado, porque está lá sempre, quer se dirija à comunicação social ou não.
Portanto, Sr. Luís Filipe Vieira, se se preocupa com a integridade física dos seus jogadores ou de quem quer que seja, engrandecer as intenções de gente estúpida, seja de que clube for, talvez não seja uma boa ideia.

Custa-me muito que as pessoas sejam imbecis. Custa-me muito mais quando essas pessoas estão à frente do meu Benfica.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

manhã

Hoje acordei com discussão acesa entre José Sócrates e Paulo Portas, sobre a compra de submarinos e o fundo de pensões da PT. Grunhiam, exasperavam-ve, riam despregadamente da grandessíssima lata do outro, a comparar as decisões governamentais de cada um dos seus executivos, e justificavam a legitimidade de uma ou outra coisa, quase sempre comparando as duas, ora porque uma dependia dos dinheiros públicos e a outra nada tinha que ver com isso, ora por incumbência de responsabilidade no partido alheio - pois que foi o seu Governo que propôs os submarinos; - pois que foi o seu que o aprovou!
Senti imediatamente uma profunda náusea. Quis ver-me engolida pelo colchão e pensei, com honestidade, que quando acordamos hoje, todos os dias do nosso presente, não podemos de forma alguma sentirmo-nos felizes com mais um nascer do sol. A nossa vida não é apenas uma dádiva fortuita que nos calha em sorte e que devemos aproveitar, menosprezando a responsabilidade que temos de perpetuar essa vida para além da nossa existência. O que se passa à nossa volta é uma vergonha de contornos escandalosos. Existem grupos de pessoas que lucram à custa da invasão da propriedade e da liberdade dos outros, da perda, da extinção, da exploração. Já não é uma questão de política, é uma questão de atitude global.
O Paulo Portas e o José Sócrates fizeram passar-me em frente aos olhos o filme daquilo em que nos transformamos. Eles, e outros, que discutem 'pacotes' e aprovam 'medidas'.
Durante a manhã, passei os olhos pelas notícias e li uns textos do Daniel Oliveira e as náuseas voltaram. Eu falo. Todos falam. Ninguém, NINGUÉM faz nada.
Assim nos vamos afundando neste País que teve outrora qualquer coisa de Paraíso.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

one of the puppets



Não sei que diga. A senhora, tão preocupada com a sapiência, a disciplina, a concentração, o bom aproveitamento, a prática da leitura e o treino da escrita, conseguiu deixar-me sem palavras.
Talvez seja a postura condescendente, artificialmente maternalista ou aquele olhar arregalado que de vez em quando se assoma como que a dizer, se não te portas bem, és engolido, mas num tom muito suave. Talvez seja o discurso naquele serpentear entre o dever cumprido e as suas glórias, a palavrinha de compreensão sobre a juventude que fica sempre bem, os conselhos práticos sobre descanso, boa mesa e tempos livre, sem esquecer - de olho arregalado - o tempo para estudar!, que tem de ser único, exclusivo e rigoroso.
Isto dá-me assim uma impressão de Estado Novo.
Tenho um aperto no peito. Sei agora que se não sou mais, se não sou melhor, deve-se concerteza aos livros da colecção Uma Aventura que li com tanta avidez. Sei agora, que neles devem existir mensagens subliminares, de lavagem cerebral, derramadas de discursos inflamados que condenaram gerações.
Agora a sério, Sra. Ministra, quem era mesmo o seu público alvo?
Não se aflija, estou certa de que, depois desta mensagem de incentivo, vamos formar mentes brilhantes, que farão o nosso País sorrir de orgulho (e que irão depois estagiar para Londres, onde serão muito bem sucedidos).

coisas que não percebo

- o exercício completamente desequilibrado entre receitas e despesas na gestão das contas públicas;
- pessoas que sorriem sempre;
- a titularidade inquestionável do César Peixoto.

Ya ba da ba dooo!! (50 anos)


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

da literatura sensível

ou quando a minha Anaïs Nin precisa do seu Henry Miller.

em estado de profunda necessidade

Hoje acordei assim, com estas vozes parvas. Se calhar são as mesmas que se enraizaram no meu cérebro enquanto adormecia ontem, as dos vizinhos, que parecem vir de todas as direcções e se elevam até ao expoente da loucura, como diz aquela música, e se juntam ao som de objectos que parecem ser arremessados, portas que batem, persianas que correm, trincos que dão voltas ruidosas. Juro que ouvi alguém que chorava, um choro desesperado, profundo, de lamento, de súplica por um pouco de paz. Pelo meio do cansaço, tive pena e vontade de ir ajudar, mas não sei de onde vinha e agora que penso nisso, questiono-me se seria real... Dizia que acordei assim, com esta vontade parva de mandar calar, de pedir sossêgo, de mendigar por uns minutos de silêncio, logo hoje, que trouxe as vozes comigo. Estas vozes da minha cabeça são quase sempre nefastas, pelo menos para aqueles que defendem as coisas bonitas da vida e as frases feitas. Mas eu borrifo-me para isso, para usar do eufemismo porque normalmente é assim, digo que as coisas são 'aborrecidas' quando na realidade quero dizer que são uma 'merda', porque parece que para mim a escrita é intocável e falar mal até posso mas escrever tem outro peso. Enquanto isto, vai-me apetecendo bater. Bater não, gritar. Ofender profunda e irreversivelmente aqueles que me irritam continuamente em coisas que nunca mudam e que inviabilizam qualquer possibilidade de se criar um laço de amizade profunda. Não me digam que não é possível não se fazer amigos entre aqueles com quem vivemos pelo menos oito horas por dia, cinco dias por semana. Digo-vos eu que sim, que é possível, não só possível mas normal, provável até. Estúpido mesmo é criticar aquela que deveria ser a selecção criteriosa e, contudo, natural dos nossos amigos de percurso. E se o motivo da preocupação é considerar triste ou patética esta inaptidão social, então aí desarmam-me: sempre me achei uma inadaptada portanto se é este o nosso denominador comum, então as contas foram bem feitas.
Estou a precisar de sair um bocadinho à noite e beber uma porcaria que misture groselha com qualquer coisa ácida, posicionar-me com bastante precisão num recanto da pista de dança que não seja muito escondido mas que me circunscreva à minha carapaça de participante-observadora, libertar algumas endorfinas ou outras que tais ao som de alguma música muito vintage, fingir que danço e sentir-me desajeitada ao fazê-lo mas ficar com a sensação que tive a agitação of a lifetime, ufa!.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

o suposto tédio

Gosto de ler os outros, sobre o que escrevem, aquilo que pensam, que defendem, que atacam, que os escandaliza ou preocupa, que os realiza. Ler o que outros escrevem é como observar um cenário que, de repente, pára para nós. Por isso gosto de ler toda a gente: os que me irritam, os que se revelam muito sensíveis, os inteligentes, os politicamente correctos, os espalhafatosos, os reservados, os interessantes, os obscuros, os indecifráveis e os transparentes. Critíco muito para dentro. Da mesma forma que faço quando observo as pessoas. A diferença, é que no terminal do aeroporto não podemos congelar o tal cenário, para fruí-lo convenientemente: o homem que observa por cima dos óculos todas as mulheres que vão passando, o atrapalhado que se veste e se move de forma desajeitada, a brasileira que exibe luxuriosamente as curvas bronzeadas, entre o brega e o chique, os miúdos chatos que guincham alto e que não queremos ouvir, a hospedeira bem disposta, o segurança de ar sisudo, os bons ares de quem vai partir e os ares extenuados de quem chega de longe, a correria, a impaciência, a excitação, a monotonia.
Há pessoas que me cansam mais depressa. Ou pela sua insolência ou pela sua ignorância, ou porque são aborrecidas ou pouco interessantes. Por isso deixo de lê-las, não perco tempo a observá-las. Outras fascinam-me. Ora porque me impressionam na sua grandeza, ora por serem aberrações irresistíveis.
Ando farta da informação empacotada, que veícula igual em todo o lado, que nos é imposta e vem pronta-a-consumir, sem questionar. Não me apetece ler líderes de opinião e supostas figuras da praça pública, da política, do desporto, dos sindicatos, das instituições ambientais cujos porta-voz degradam o ambiente tanto como eu. Apetece-me gente normal, que fale do quotidiano, que escreva sobre nada, sobre pequenos nadas. Apetece-me ir para o terminal do aeroporto, congelar cenários e olhar demoradamente para as pessoas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Hoje...

... sinto-me mais mãe.
Levei a pequena à creche e passei pela experiência de, solidariamente, me encafifar pelo meio de outros pais cujos carros se empurram, se esticam e se espremem para conseguir lugar um pouco mais perto da porta de desembarque dos pingentes.
Curiosamente, o embróglio que me reteve quinze minutos quase sem sair do sítio, foi à passagem por outro colégio que apanho em caminho, onde desfilavam viaturas de cilindradas upa upa. O nosso é bem mais calmo e espaçoso e tem um acesso de verdadeira quinta! Gosto mesmo do espaço.
Enfim, o entusiasmo deste dia é coisa digna de registo, até porque tudo é novidade e adrenalina maternal, com a colaboração da pequena que fez o enorme favor de não ficar a chorar por mim na despedida. Adivinha-se porém que com o frio, a chuva e a rotina instalada, eu deixe de achar tanta piada à louca correria em que se vão transformar os meus inícios de dia.

120º aniversário Agatha Christie... no Google


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

para me distrair das minhas angústias

Autor Mensagem
driakaal
Convidado

Assunto: Estou prestes a cometer uma loucura!!! Qui 01 Jul 2010, 14:13


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Queridos irmãos em Cristo, estou passando por dias muito difíceis e preciso de uma ajuda, de uma orientação, sou casada à 04 anos e meio, tenho um filho de 03 anos e uma filha de 1 ano e 03 meses, meu esposo é obreiro na igreja onde congregamos e nos damos bem, construimos uma casa própri recentemente e Deus tem nos abençoado muito na área financeira, temos sido prosperos...enfim, mas terça feira agora chegou uma correspondencia em minha casa da justiça dizendo que o meu marido tem que fazer um teste de DNA DIA 08/08/2010, para averiguação de paternidade de um menino de 06 ou 07 anos, que não sabia nem que existia...Estou em cacos, como assim outro filho? Ele me disse que quando ainda estava no mundo, antes de me conhecer teve um caso com a mãe desta criança e que não era nada sério, que ela ficou com outros rapazes e depois apareceu gravida mas não padiu que reconhecesse a criança, agora depois de todo esses tempo vem esssa notícia para destruir a minha familia, estou muito decepcionada e magoada, não sei como agir diante desta situação, fiquei sem chão...meus filhos são muito novos e não tenho condições de cria-los sozinha se não iria embora, afinal não tenho culpa dos erros do meu marido! Sei que este é um pensamento egoista mas é o que sinto no momento!
Meu coração esta muito apertado, não foi isso que sonhei para mim, o pior é que não tenho ninnguém para me ajudar (orientar), minha mãe não é nada confiavel, sei que a primeira sugestão que ela dari seria me separar ou falaria pratodo mundo essa vergonha...moro em uma cidade pequena e os buatos correm muito soutos por aqui, não posso espor este problema para ninguem, eu e meu esposo estamos sem nos falar desde então, não tenho palavras para explicar o que estou sentindo, se alguém puder me ajudar eu agradeço com lágrimas nos olhos.....

Dri
e depois vem isto,

Número de Mensagens: 1
Data de inscrição: 26/07/2010

Assunto: Deus tem um caminho no deserto Seg 26 Jul 2010, 15:29

Autor da mensagem
Pati de Jesus


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Oi Dri...

o que aconteceu é um fatalidade sim... mas creio que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (RM 8:28)... e nas adversidades da vida, devemos nos apoiar não nos que os outros pensam... mas na Palavra de Deus... e a Palavra diz que Deus já se esqueceu dos pecados do seu marido no tempo da ignorância... afinal ele hoje pelo que vc comenta é um bom homem... e temente ao Senhor.

Deus lança no mar do esquecimento os nossos pecados... aleluia!!!

E tb quero te aconselhar a orar, para que o Espírito Santo te ajude a ver esta situação com os olhos de Jesus...

tb creio que vcs são suficientemente capazes, de amarem esta criança, caso ela venha a ser filho(a), realmente do seu marido, pq o Eterno habita em vcs... creia nisto e renove a sua mente pela Palavra de Deus (Rm 12:2).

O mundo com certeza pregará, o divórcio... mas a Palavra prega o perdão e a misericórdia... especialmente pq isto faz parte de um passado sem Jesus.

Perdoe seu marido e o apoie... neste momento... não deixe o diabo destruir o futuro da sua família... olhe para Jesus... e siga... sempre penso que Deus, se clamarmos, nos guiará nos desertos da vida...

Dri... que o Espírito Santo te console e mostre o que vc deve fazer.

Leia I Co 13.

Deus te abençoe querida e te guarde de tropeçar.

Bjs... Pati

Ser bom cristão, comprova-se uma vez mais, é saber ser tolerante com os Homens (os homens).

Sempre em nome da paz.

Pérola de sabedoria do fórum dos Semeadores da Palavra.

voltámos

A família toda juntinha, descansadinha e com melhores cores.
Agora vem a parte difícil.
Estou angustiada. A criança, com apenas oito mesitos, deu entrada na creche precisamente hoje. Tão sorridente que estava de manhã, quando eu me arrastei para reiniciar a rotina laboral, e agora, pelo que sei através do papá, parece que as coisas não correram nada bem. Eu, que até estava descontraída e via positivismo em todo o lado, dou agora graças por não ter sido eu a levá-la. E não é cobardia. Continuo a achar que é um mal necessário, que terá os seus frutos, mas ver a pequena chorar desalmadamente no nosso primeiro dia de dura realidade era tudo o que eu não precisava agora. Ainda bem que pôde ser o pai a fazer isto. Aquele choro de socorro, num bebé tão pequeno, que não é birra irritante mas antes pedido de auxílio de quem estranha e não entende... não sei se não a traria de volta para casa e não pediria uma licença de um ano para ficar com ela!
Desculpa, Pequerrucha. A mamã tem o coração apertado, apertado.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

até já...


procura-se:

Se alguém conhece a Tânia Shoei, por favor transmita-lhe que a Koala procura por ela.
Era mesmo giro, giro, giro se isto resultasse!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

afinal, há bons conselhos à borla


um aviso à navegação:

Eu tenho moderação de comentários, ok?
Significa isto que sou muito democrata até àquele limite em que a crítica deixa de ser construtiva para se resumir apenas a reacções de gente muitíssimo ofendida na sua susceptibilidade que, não me conhecendo, se acha no direito de me chamar preconceituosa e depreende coisas a respeito dos concertos a que assisto.

Por isso, cara Ana, continua a escrever cartas mas se queres tempo de antena para te insurgires contra as minhas meras opiniões - que sinceramente não te deveriam atingir assim tanto - sugiro-te que o faças no teu próprio blogue.

Muitas felicidades e... (imagino-te na primeira fila) bom concerto!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o fenómeno Michael Bublé

São aqueles com quem, se formos excessivamente zelosas, consideramos trair moralmente os nossos homens. São os que nos roubam a atenção, ainda que seja no imaginário da construção virtual de um homem que não existe em carne e osso; os que, enfim, seriam o sacrossanto, o nosso ai jesus.
Parto do princípio que toda a gente encontra discrepâncias mais ou menos significativas entre o que tem como ideal de homem e aquele que efectivamente lhe calha em sorte ou, vá lá, para ser mais romântica, aquele por quem o seu coração clama. Bonito.
Assim, o meu homem ideal teria de ter determinadas características - físicas, psicológicas e... físicas - muito bem esgalhadas.
Por exemplo:
- Moreno. Sempre que possível.
- Mais forte que eu (neste capítulo não abdico da condição feminina - se quero construir o meu homem ideal então caramba, terá de conseguir pegar em mim ao colo e enrolar-me em abraços fortes, de cortar o fôlego).
- Com sentido de humor - nada de sisudez (basto eu).
- Inteligente - espero não ter de justificar esta exigência relativamente a algo que é entendido como um protótipo do ideal.
- Romântico q. b. - e q. b. é mesmo q. b.! Há merdas consideradas romantismo que a mim só me soam a pimbalheira.
- Um nadinha ciumento, cioso, vá. Melhor ainda, que seja ciumento quando queremos aquela preciosa bajulação e despegado quando dispensamos cenas desnecessárias.
- Ligeiramente imprevisível - de preferência no bom sentido - e um bocadinho rebelde: comida picante estraga o sabor mas insossa fica sempre um pouco aquém.
- Admito, sou exigente com o olhar, o sorriso, a expressividade. E adoro mãos bonitas mas másculas.
Fazendo a retrospectiva, creio estar muito bem servida com a cara-metade. Balanço muito positivo.

Dito isto, posso acrescentar que serei provavelmente a única mulher portuguesa que não vai assistir ao concerto do Michael Bublé e não tem pena nenhuma.
Embora acredite que o jovem faria, enquanto genro, as delícias de qualquer sogra, a sua voz delicada e os seus trejeitos calmos não me encantam, nem mais nem menos do que a sua música perfeitinha.
Não me parece que alguma vez tenha usado uns jeans com um rasgão num joelho e isso, exclui-o automaticamente da minha lista de rebeldia-mínima-exigida-num-gajo-que-é-gajo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

entrada loira de Jorge Jesus

Voltou o futebol que alimenta as nossas vidas.
Algumas coisas a dizer sobre isto.
Parabéns à Académica, pela 'capacidade de sofrimento' - pode não ser a virtude dos campeões mas revelou-se bastante eficaz.
Homens do jogo:
Roberto: à falta de jeito, junta-se uma enorme falta de sorte. Não há, no momento, atleta mais infeliz (leia-se pateta) aos olhos do nosso Portugal.
Ao Laionel, duas coisinhas: nunca mais na vida fazes outra igual, em contrapartida podias adoptar um nome artístico, tipo António ou Carlitos...

Há também o Porto e o Sporting mas.. e então?

efemérides

A Madonna nasceu há 52 anos.
O Elvis Presley morreu há 33.
As coincidências terminam aqui.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Miguel Torga - 103 anos

"Nunca houve em toda a montanha pastor como o Gabriel.
- Merecias outras ovelhas, homem! disse-lhe um dia o Prior, desanimado da anarquia dos seus paroquianos, quando viu o rebanho do rapaz atravessar a estrema dum centeio sem tirar uma dentada.
- Deus me livre! Já me vejo maluco com estas...
Mentira. O padre tinha razão. Era uma pena ver tanta autoridade, tanta vocação, tanto jeito natural, ao serviço de animais. Nem se pode fazer ideia! O carneiro mais teimoso, mais lorpa, mais churro, chegava às mãos do Gabriel e mudava de condição. Só não ficava a falar.
- Que fazes tu ao gado, criatura? Parece que o enfeitiças!
- Nada. Dou-lhe monte, como a outra gente. Sorria. E lá continuava a educar os malatos com gestos e palavras que ninguém sabia fazer nem dizer. Nunca batia numa rés. O castigo era um simples olhar reprovativo, um assobio impaciente, uma interjeição mal humorada. Mas bastava. Ao fim de algum tempo, cada cabeça como que porfiava em não desagradar ao dono, em viver sintonizada com aquele governo sem cajado. E dava gosto ver a disciplina com que o rebanho deixava o redil e atravessava o povo. (...)
(...) Mas esta comunhão instintiva com a natureza dos bichos não tentava o Gabriel alargá-la à natureza dos homens. Desses arredava-se discretamente, sem querer passar, nas relações com eles, do plano amorfo da neutralidade."

O Pastor Gabriel in Novos Contos da Montanha, Miguel Torga

Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907.
Quando morreu, eu tinha já seis anos.
A 'companhia' dos Bichos e dos Novos Contos da Montanha ao longo da minha vida escolar foi um dos muitos factores que me fez tirar tanto prazer da leitura desde que me lembro.
A maior riqueza deste país é a sua impagável biblioteca.

acto não é ato

Constato com tristeza que o novo acordo ortográfico já minou quase tudo à minha volta. Vou continuar a escrever como gosto, como aprendi na escola.
Sou um pouco avessa à mudança, principalmente quando não lhe reconheço mais valias.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

The Wizard of Oz

71 anos?
Impossível!

p.s. adoro as homenagens do google.