sexta-feira, 11 de março de 2011

tendências

Tenho para mim que a homossexualidade está na moda. O lesbianismo então parece estar a tornar-se exigência social. Na blogosfera é aos magotes. Experiências, insinuações, inconfidências, revelações explícitas. Eu até compreendo, a sério. Aliás, sempre disse que é bastante apelativa a ideia de duas mulheres juntas (quem diz duas diz uma orgia). O conceito do feminino é bonito, sensual, delicado, excitante.
Tudo muito bem e a emancipação é uma coisa fantástica.
Dito isto, eu é mais músculos, maçãs de Adão e barba rija - e deixem ficar as pilosidades porque, a não ser que se revejam no Toni Ramos, prefiro que a minha perna seja a mais suave entre os lençóis.


Sim, eu sou mesmo old-fashioned.

quinta-feira, 10 de março de 2011

snugglin'

Sou muito esquisita com o meu snugglin'. Não consigo dormir uma noite inteira agarrada a alguém. A anatomia é uma coisa que impõe posturas limitadas e pouco descontraídas.
Só gosto da minha almofada própria para o snuggle. É desmaiada e murcha, tem um escasso enchimento sintético e perde-se na imensidão da fronha, mas preenche os vazios entre o meu corpo e o colchão.
Preciso dela para adormecer.

alongamentos



Por falar em hábitos, há aqueles que são bons e para manter.
Esta música, por exemplo, é a dos cinco minutinhos de alongamentos da aula de body vive.
Ouvi-la transporta-me sempre para aqueles instantes finais, depois do corpo suado, dos glúteos e abdominal tensos, dos gémeos doridos e dos bíceps e tríceps massacrados pela força do elástico; aqueles instantes de cansaço bom em que o corpo se liberta da força, se espreguiça e relaxa.
São acordes bons para alongar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Discurso Do Rei

Assisti ao filme este fim-de-semana, deitada no sofá, os olhos a querer fechar, porque o tempo pedia sesta e também porque o ritmo da película não faz propriamente disparar a adrenalina, mas alerta até ao fim, mesmo nas partes em que os diálogos dessíncronos se sobrepunham às legendas adaptadas e o cérebro ameaçava fazer curto-circuito (tenho uma dependência grave da língua de origem e de legenda em português à percentagem de setenta e trinta por cento, respectivamente - a minha grande relutância em emigrar deve-se a essa mania tão resto-mundana de dobrar tudo o que não é língua materna).
Dizia então que finalmente vi o filme. E foi um finalmente!, o que é bom. Tenho-me sentido defraudada por muitos dos filmes que vão ficando pendentes mas nunca esquecidos e que um dia se me apresentam em toda a sua esplendorosa desilusão (como foi o caso recente d'A Dúvida), mas desta vez a coisa correspondeu ao esperado. Podia falar na atenção aos pormenores, na força dos personagens, no bom resultado da forma escolhida para se adaptar este enquadramento histórico específico, mas disso fala quem percebe, quando o que o distingue tem sobretudo a ver com o que ele me diz a mim e não à academia.
Eu existi dentro daquele Rei e das suas limitações. Eu vivi a privação da impotência, a frustração da batalha infrutífera com o seu eu, a agressividade que resulta de não se saber lidar com a diferença sendo diferente. A minha luta, a minha impotência, a minha frustração e a minha agressividade souberam reconhecer-se e resignaram-se, por duas horas, perante o consolo da gaguez de George VI. E senti-me confortada com o ultrapassar de um obstáculo, com o suspiro de alívio que a queda de um muro pode trazer, com a satisfação da quebra das barreiras invisíveis, uma de cada vez.
Da amálgama que constitui a mistura de todas as nossas qualificações e limitações, sobressai a prevalência que todos partilhamos pelo medo do fracasso.

descanso e folia

Tenho uma relação estranha com o Carnaval.

sexta-feira, 4 de março de 2011

... fazem coisas iluminadas

pessoas iluminadas...



crise no sporting: a explicação

A notícia, avançada no sapo.pt, é: Está descoberto o treinador mistério

"Dias Ferreira apenas disse que o escolhido «é estrangeiro, nunca treinou em Portugal, mas tem conhecimentos do futebol português e fala duas ou três línguas». Ele é…o holandês Frank Rijkaard.
Segundo avança o jornal A Bola, o treinador estrangeiro de Dias Ferreira é Frank Rijkaard, ex-internacional holandês e ex-treinador daquela que é considerada a melhor equipa do Mundo, o Barcelona.
O holandês, que está actualmente sem clube, volta a estar na rota do leão, depois de em 1987/88, na direcção de Jorge Gonçalves, quase ter envergado a camisola do emblema lisboeta. Rijkaard chegou a treinar em Alvalade, mas seria no Saragoça que jogaria.
Em 2006, levou o Barcelona à conquista da Liga dos Campeões – fazia parte da equipa o luso-brasileiro Deco – e também pelos catalães foi bicampeão espanhol (2004/05 e 2005/06). Por isto, Frank Rijakaard é um dos nomes sonantes do panorama mundial.
Aos 49 anos, o holandês pode vir a treinar os leões, caso Dias Ferreira vença no dia 26 de Março as mais concorridas eleições de sempre no Sporting."

Os comentários que se lêem em seguida são estas pérolas:

"OS BENFAS VALORIZAM MUITO A DROGA E TRÁFICO ADORAM OS SEUS MALEFICIOS, ADULAM A CHULICE, ADORAM MATAR; ROUBAR... ETC..";

SPORTINGUISTA
"UM PAIS COM 6 MILHOES DE JAVARDOS SÓ PODIA SER UM PAIS ATRASADO, CLARO. CHATEIA-ME TANTO JAVARDO É MESMO UMA CHATICE..."

Estamos conversados no que respeita a prioridades e soluções.

quinta-feira, 3 de março de 2011

heterogéneo

O amor terno, seguro e confortável. Aquele amor que é hábito, é rotina e é bom. Traz aromas familiares, fins de dia ou acordares, tarefas, prazeres e obrigações implícitas. O amor organizado, combinado, partilhado, sereno. Amor bom, doce, certo, eterno, que se quer, que se prolonga e sobrevive e se adapta e cresce e se molda e aprende. Amor que decorre, pleno. Que vive sem pressas, romântico, que se redescobre aqui e ali em surpresas agradáveis, em viagens ao passado e regressos ao presente. Amor que se mantém, resiste, fica, é.

A paixão. Egoísta, violenta e repentina. A paixão que vive do desejo que o corpo não consegue negar e que não se detém no amor. Paixão que reaparece, que espreita, que é fraqueza, é defeito, é sozinha. A paixão que só serve para nos servirmos a nós, para calar o coração que acelera por nada, por tudo. A paixão vive do que adivinha, da imaginação, da ousadia, da vontade, do capricho. Paixão que não admite menos que o máximo do que se quer, do que se pode, do que se sonha. Perigosa, impiedosa, quase cruel. Que aprisiona. Que amordaça. Que não admite a razonabilidade, a ética, a reflexão.

O amor alimenta-se. A paixão devora.
São insolúveis entre si.
Mas coexistem.

...

Preciso de algo que me apazigue. Quero reconciliar-me comigo.
Descubro refúgio no pecado das palavras erradas e por enquanto isso basta-me.
Por enquanto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rambo III - bandas sonoras #5



É anos 80 por todo o lado. Os músculos, o cabelo, a temática e a adaptação musical de um original um pouco mais antigo.

balanço

Releio-me e penso uma coisa: tenho mesmo de mudar de trabalho.

terça-feira, 1 de março de 2011

insuportável

Insuportável não é apenas chato ou difícil. Insuportável é aquilo que nos faz gritar cá dentro e que nos obriga a afastar para não explodir. Insuportável não é aquela isca a que torço o nariz porque é fígado mas engulo contrariada. Insuportável é um punhado de sementes de malagueta esmagadas e coadas para um copo de onde temos de beber um trago. O insuportável impõe um limite físico que não devemos propôr-nos ultrapassar. Hoje, ao almoço, estive prestes a quebrar esse limite.
Juro que não me importo de ser tida anti-social, muda, individualista, esquisita, quase excêntrica. Na verdade sou simples, de uma simplicidade que poucos entendem na minha atitude por vezes fria.
O que me incomoda mesmo é ver a minha inteligência diminuída. Esta perspicácia que de pouco me serve mas é minha, tão recalcadinha por conversas parvas, menores, desinteressantes ao expoente máximo da estupidez, tão boicotada que chega a ser... insuportável.
Não sei se o pior são as histórias chatas de vida sem chama ou as fantasias inventadas de quem não tem vida. São terríveis as pessoas que se julgam bons contadores de estórias e são apenas parvos.
De quanto não vale uma boa conversa! Quando o não é, prefiro-me só. Mil vezes.
Lembro-me sempre dele.
Gosto de pensar que se fosse um homem, no início do século XX, seria ele.

"Não me macem, por amor de Deus.
(...)
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja a companhia! " *

Vou apanhar ar. Juro que este almoço me caíu mal.

72 horas

Numa altura em que toda a gente corre para os cinemas para ver os galardoados (ou apenas nomeados) do momento, eu continuo a zeros. Não porque me falte vontade, mas por uma série de motivos que se prendem normalmente com prioridades, e no passado sábado pela excepção de encontar todas as sessões esgotadas num determinado cinema bastante concorrido, ainda não vi nenhum dos filmes que ando com vontade de ver, muito particularmente O Discurso do Rei. Às horas que tem sido o meu recolher, nem a pirataria me vale já que tenho o Cisne Negro lá em casa e ainda não me fiz a ele - no passado Domingo estava a dormir às 22h30. A sério, há mais alguém como eu (como nós)?
Então, num fim-de-semana que foi de aproveitamento do sol, os serões foram calmos e o pós-desilusão da bilheteira cheia transportou-nos para o sofá, com pipocas da Lusomundo, mas com o disco externo como projeccionista. Como a minha tendência (já de si negra) para transportar coisas obscuras para a cama me fez ter o bom senso de não optar pela história dramática da Natalie Portman, a escolha recaiu sobre o 72 Horas, thriller intenso, Russel Crowe a caminhar para estragadote, mas sempre com aquele papel de quem tem mais qualquer coisa no QI ou na capacidade de desenranscanço, que lhe vale a admiração do resto de nós, mortais (uma espécie de Harrison Ford next-generation). Foi jeitoso, vá. Assim a atirar para o ora triste, ora deprimente, ora dramático, ora de segurar o fôlego.
Será um filme de happy ending para a generalidade, para os que não ficam a pensar no que vem depois, para os que não questionam as consequências emocionais, as marcas, os efeitos de estar preso na  liberdade aparente. Para mim há todo um rol de consequências trágicas e negativas que aquele final augura.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

billboard chart #2

Após uma tarde de novas experiências, relacionadas com uma área que sempre quis experimentar (tossidelas irónicas), sinto-me uma verdadeira TOC. E sim, chego à conclusão que a vida pode sempre ser um bocadinho pior do que já é. O positivo é que quando passamos por estas coisas, tudo aquilo de que nos queixamos habitualmente passa a soar muito melhor.
Enriquecida a minha capacidade de escrutinar facturação, ainda tenho um tempo para aqui despejar meia dúzia de anos.
1987 - With or Without You - U2
1988 - Bad Medicine - Bon Jovi
1989 - Patience - Gn'R ex-aequo Smooth Criminal - Michael Jackson (e assim se abre o precedente para a não-exclusividade, com pena minha)
1990 - Enjoy The Silence - Depeche Mode
1991 - Wicked Game - Chris Isaak (primeira vez na vida que tive pena de não ser homem, nem gay e que tive consciência que era apenas invejosa)
1992 - November Rain - Gn'R ex-aequo Bohemian Rapsody - Queen ex-aequo(!) One - U2 (lamento, sou fraca e não aguento a pressão)

o SOL anda a deixar-me melodiosa


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

E acho sempre que me ficam a faltar milhares.
O facebook tem estas coisas boas. Acho que vou fazer up-dates todos os dias.

como o dia começa

O tempo que vai desde o sorriso de bom dia até à despedida é muito curto. Em dias como hoje, sobretudo, a minha vontade era levá-la para um sítio bonito e brincar o dia todo, sob a bênção deste sol radioso.
Mas tenho de resignar-me a deixá-la e a vir encerrar-me entre quatro paredes.
Serve-me de consolo saber que a deixo no meio deste maravilhoso pulmão urbano.


 A luz está fraca e as fotos foram tiradas à pressa, em movimento, a conduzir. Um dia invisto mais tempo a captar a beleza deste local. É bom que existam estes espaços. É bom que ela tenha o privilégio de usufruir desta redoma de qualidade ambiental.
Estou desejosa que o sol se torne mais caloroso para que ela possa disfrutar do que a espera na Quinta.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

peneirar o billboard chart #1

Traduz-se na actividade que consiste (à falta de trabalho e/ou vontade de realizar tarefas administrativas aborrecidas) em percorrer o histórico dos tops 100 de sempre, pela orientação do conceituado billboard, e tentar extrair-lhe a nata da nata, desde o grandioso e longínquo ano que me viu nascer até ao presente.
Duas ressalvas: a minha selecção é baseada no top do billboard para cada ano, portanto limitei-me a escolher desse top, com riscos assumidos de deixar escapar alguma das pérolas que possam ter marcado a minha vida e não constem do dito, e, claro, sendo uma selecção minha não visará talvez o consensualmente melhor, mas antes o individualmente mais marcante.
And the winner is:
1979 - I Will Survive - Gloria Gaynor (não deixa de ser uma grande música apenas porque a passámos (passamos) até à exaustão e nas mais diversas versões, em quase tudo o que é disconite. Atentem à sua época.)
1980 - Another Brick In The Wall  - Pink Floyd (preciso mesmo de justificar esta escolha?)
1981 - The Winner Takes It All - ABBA (que mulherada poderosa! Desconfio que me embeiçava por elas e pelos seus glosses, se não tivesse um ano de vida na época e uma vagina.)
1982 - Don't Stop Believin' - Journey (começa a desgraça das bandas que potenciam os grandes karaokes do século XXI. Adoro.)
1983 - Human Nature - Michael Jackson.
1984 - Thriller - (guess?) Michael Jackson (repetir o M.J. quando há tão bons a ficar para trás? Pois, as escolhas tenderam a ser difíceis mas esta repetição era inevitável.)
1985 - Summer of '69 - Bryan Adams (se eu não escolhesse esta, teria de negar toda a minha adolescente existência.)
1986 - Nikita - Elton John (quem era a miúda de escola que não queria ter a pele da Nikita, e os olhos da Nikita e o chapéu da Nikita? E dar um tiro ao senhor que tratava mal a Nikita...?)
Como se vê, há muito aqui que não tem a ver com a qualidade da escolha. Há aqui muito de mim, pequenita, pequenita.
Qualquer dia vem o resto. Agora tenho mais que fazer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

La Vita è Bella - bandas sonoras #4



Dispensa comentários.

patrício

Queria escrever qualquer coisa sobre o Sporting-Benfica de ontem, mas pensava para mim que não valeria o esforço. O benfica saíu vitorioso, ok, urras e vivas com fartura, mas não foi lá uma grande partida. Cartões, expulsão, futebolinho muito fraquinho do Sporting porque é evidente: eles não sabem fazer melhor e quem não quer ver é cego, uma gestão de esforço da parte do Benfica (devido a meio tempo com o onze transformado em dez e porque dois jogos por semana nas perninhas é coisa que o futebolista português tem dificuldade em digerir) e assim decorreu, morno, com mérito mas também com alguma borrifadela de divino nos ressaltos que deram origem aos golos. Enfim, dá ideia de que o que apetece dizer é que podia ter sido melhor e para mais, num jogo em que já existiam doze pontos de diferença entre as equipas e uma delas está animicamente mais fraca que um desempregado de longa data, adivinha-se que, seja qual for o desfecho, a montanha vai sempre parir um rato.
Mas quando eu pensava que nada de nada que se relacione com o Sporting-Benfica de ontem teria grande interesse, descubro esta espécie de milagre gráfico.