quinta-feira, 31 de março de 2011

ter objectivos

projectos
plantas
alçados
cortes

esperança
ansiedade

quarta-feira, 30 de março de 2011

isto lembra-me que ainda tenho de ir buscar o meu Carapuço d'Ouro, por serviços prestados ao país

Calculo que tenha aproveitado a viagem para partilhar cá com os mãos largas do reconhecimento o segredo de uma economia de sucesso.

os dias úteis

Já passei por muitas fases neste meu último emprego.
Senti coisas boas e más, ao sabor dos sucessos e insucessos da empresa. Já fui responsável por organizar eventos considerados 'profissionalmente vantajosos', almoços natalícios, lúdicos, que servem o propósito exclusivo de demonstrar que se tem a colocação financeira necessária para garantir segurança a clientes, fornecedores e empregados, alguns mais do que isso, amigos.
Ao longo do tempo, experimentei diferentes emoções. De concretização, de realização, de frustração, de derrota. Actualmente, experimento o pior, vergonha. É difícil trabalhar com pessoas mal formadas, com personalidades que chocam connosco, com um grupo de gente disforme, pela negativa. Mas isso é, também, experiência. Experiência social, que desafia a nossa capacidade de ultrapassar obstáculos, de agir e reagir: experiência de vida, estaleca para tudo o que ainda temos pela frente. O pior, neste momento, é a vergonha de me considerar não um trabalhador por conta de outrém, mas o pau mandado da hipocrisia, falta de carácter e cobardia de alguém; um porta-voz de tudo o que abomino. Permanecer aqui corrompe-me, trai os meus princípios e verga-me a honestidade que me caracteriza.
Nutro um profundo desprezo por pessoas cobardes, sem ética, sem respeito pelos outros. Pessoas que não atendem o telefone porque não lhes convém. Pessoas que não assumem as suas falhas. Pessoas que não têm a coragem de reconhecer as suas dificuldades e que prevalecem arrogantes mesmo quando a situação lhes exige humildade.
Há dias que sinto uma vergonha imensa.
Receio não conseguir ultrapassar esta fase, que é, de longe, a mais difícil com que me obrigo a (con)viver(apesar da conjuctura pouco favorável ao luxo da demissão).

Porra, sou mais que isto.

terça-feira, 29 de março de 2011

39

foto daqui
Parabéns, maestro.

let's put it this way

(...)
And I can say I’ve never bought you flowers
Because I can’t work out what they mean"
"I never thought that I’d love someone
That was someone else’s dream"
(...)
"But it might be a second too late
And the words that I could never say
Are gonna come out anyway"*

Numa realidade diferente, eu era homenzinho para me ver numa alhada destas e dizer qualquer coisa como isto.

lar

Encontrar casa.

Nem sempre se sabe o que se quer. Isso comigo, infelizmente, é usual e pouco surpreendente.
Actualmente sinto-me regredir, eu, que já me acho miúda, demasiado miúda para a senhora que devia ser com trinta e dois. Sou fruto de um percurso normal, muito normal, sem erasmus, sem inter-rails, sem escoteiros, sem drogas, sem (grandes) loucuras, sempre pautado por um equilíbrio comportamental só aqui e ali arranhado pelos desvarios emocionais da adolescência que acho que não teve (tem) fim em mim. Espanta-me a certeza que me levou a casar. A ausência de dúvidas ou de arrependimento, mas apenas pelo meu receio de mudar de quereres, este capricho sentimental intrínseco, quase uma maldição. Mas, aparentemente, é apenas a continuação de um processo normal, num percurso normal.

Ter um filho. Foi natural e muito menos assustador do que temia. Foi inevitável porque me fazia falta e nisto de ter filhos começa por ser o nosso egocentrismo (e não a nossa generosidade) a falar mais alto. O relógio biológico torna-se exigente e, também ele, caprichoso. É, talvez, o acto mais self-centered e que, no final, mais significa partilha. Agora, mais do que o casamento e que tudo o que foram as nossas escolhas, aquela criança faz sentido e existe em nós e com um individualismo surpreendente, que evolui todos os dias e nos ultrapassa, e já não é nosso - nunca foi e será sempre - mas de todos e de si mesmo.

Mas encontrar casa...
É racionalizar uma lista infindável de coisas que se tornam massacrantes. Não é, antes de mais, um processo natural, biológico ou emocional. É cansativo, minucioso, dispendioso, burocrático e uma constante interrogação. Talvez seja um pouco menos isto tudo e muito mais agradável se se tiver o dinheiro que compra os prós e elimina os contras mas o desafio é construir um lar a partir desta condicionante principal.
Gostava de ser aquela pessoa que vive numa casa alugada, na cidade, onde o que importa é ter um bom acesso a tudo e uma cama para dormir ao fim do dia. Não sou. Sou aquela pessoa que se sente feliz quando regressa a casa e lhe reconhece o cheiro, os recantos.
Ainda não sei que casa vou comprar. A minha foi ocupada por uma professora do liceu e um australiano que desenha iates. Estão a sentir-lhe o cheiro de que tenho saudades. Onde vivo agora, não me cheira a lar. Não sei quanto tempo vou demorar a encontrá-lo. Sei que irá levar o tempo para encontrar o espaço mais o tempo para lhe reconhecer o cheiro, o que, mesmo na melhor das hipóteses, é sempre demasiado.

Encontrar casa.
Construir um lar.
Reconhecer-lhe o cheiro.
Receio que ainda vá tardar...

sexta-feira, 25 de março de 2011

the joke is on... him



Gostava mesmo de ser uma daquelas pessoas capazes de rematar este vídeo com um texto brilhante. Mas receio que qualquer tentativa saísse gorada.
Custa-me muito a crer que isto aconteceu e até estou tentada a acreditar que tudo não passa de uma montagem maquiavélica para destruir a reputação de uma pessoa honrada e sem vícios.

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

adelina

A minha avó paterna vivia no alto da Trafaria, numa zona mal afamada pelo índice de ligeira criminalidade e nível de pobreza das gentes locais. Recordo-me particularmente da sua casa à beira da estrada principal, escondida atrás de um portão de madeira e das árvores e arbustros que despontavam no seu quintal. Quando chegávamos, os seus pequinois de mau feitio corriam até à rua para nos dar as suas ameaçadoras boas vindas e ela surgia à porta, calma e tranquila, com o habitual sorriso que mostrava a dentadura branca e muito certinha que usou desde que me lembro, a iluminar um rosto marcado por rugas vincadas.
Lembro-me sempre da Trafaria no Verão, periodo em que lá passávamos mais tempo, e de acordar com os raios de sol a rasgar as folhagens do imenso matagal que era o jardim da minha avó. A casa tinha um espaço em toda a volta, que nos permitia correr do jardim da frente até ao quintal das traseiras, onde havia uma pequena horta e uma capoeira. Pelas traseiras tínhamos acesso à casa, através de um anexo muito rudimentar. Os espaços eram pequenos e a casa era pobre. Lembro-me bem da casa de banho, um espaço frio, de azulejos brancos, com uma pequena janela que tinha sempre teias de aranha. O espelho era pequeno, velho e rachado. Haviam poucos objectos pessoais, apenas o essencial para lavar as mãos, um pente e uns ganchos para apanhar o cabelo de manhã no pequeno arranjo que usava sempre, e uma bacia antiga, apoiada no suporte metálico com o respectivo gomil. Sempre que penso na minha avó, lembro-me de trapos. Trapos e mais trapos. De trapos, fazia tudo. Os chinelos de quarto eram feitos de restos de fazendas quentes e grossas, pacientemente cosidas à mão, e ficavam completamente díspares, sem um formato bem definido mas o mais aperfeiçoados possível e de forma a aproveitar cada desperdício da sua costura.
A cama onde eu e a minha irmã dormíamos quando lá passávamos parte das férias de Verão, tinha um colchão completamente artesanal, feito pela minha avó, com enchimento de feno e trapos, que o tornavam numa massa disforme, pontiaguda aqui e ali, que picava e nos fazia coçar toda a noite, a ameaçar alguma alergia que o pó e os ácaros nos pudessem causar.
Tinha um medo terrível de me levantar durante a noite e rezava para não ter vontade de ir à casa de banho. Não apostaria que, na escuridão e no silêncio da madrugada, não houvessem pequenos rastejantes pelo caminho e a teia de aranha na casa de banho estaria certamente ocupada pela sua inquilina.
De manhã, cheirava sempre a café e pão torrado no fogão. Havia sempre leite fervido, doce, marmelada e manteiga. E muito açucar. A minha avó gostava de tudo muito doce e, como costumava fazer com os outros netos, tentava dar-nos muitas vezes a lanchar pão com manteiga abundantemente polvilhado de açucar, coisa que detestávamos.
Enquanto lá estávamos, o tempo corria mais devagar, ao ritmo da própria casa. Era como se ela própria se traduzisse em poucas pressas. Penso que em casa das pessoas idosas que vivem sós é comum que se sinta este ambiente, de não urgência para nada. A sala da minha avó parecia parada no tempo. Quase não se entrava lá. Existia uma televisão mas não me lembro nunca de a ligar quando lá passávamos férias. Era possível estar dias a fio sem nos interessarmos por tal coisa. A humilde mobília de jantar, as almofadas forradas a lã, os naperons e as molduras antigas pareciam estar ali com o propósito de ser apenas contempladas. Não convidavam ao convívio. Era à mesa da cozinha que se comia, se conversava, se preparavam as refeições e se costurava.
Nos dias de calor, acordávamos transpiradas do quente colchão de palha e metíamos pés ao caminho, até à praia. Descíamos a avenida, à beira da mata, passávamos a escola que tinha reputação de albergar os piores alunos de todos, o quartel, os bombeiros e seguíamos em direcção à Costa da Caparica. A avó ficava em casa, que já não estava para tais canseiras, e nós íamos pela fresca, cheias de gana. O regresso era muito mais penoso, depois do calor, quando o Verão ainda era Verão e ao fim da tarde o alcatrão ainda escaldava e não se sentia uma brisa. Sempre a subir, de volta à Quinta da Corvina, era com alívio que ouvíamos o ladrar dos cães e que nos sentávamos outra vez à mesa da cozinha, depois de um banho fresco de mangueira no terraço.
Tenho saudades da minha avó, da sua casa na Trafaria, dos meus tempos de criança, da sensação de felicidade ao fim de um dia cheio e feliz. Lembro-me dos dias em que o tempo dava para tudo sem termos de o esticar e de abdicar do que quer que fosse. Tenho pena de não ter avós e espanta-me que haja quem os tenha até tarde e não saiba apreciar o valor desse património inestimável.

quinta-feira, 17 de março de 2011

gipsy

A minha vida deu uma reviravolta daquelas que, não fora o magnetismo terrestre, e eu teria trambolhado para a mesosfera e por lá andaria a flutuar. De repente, do meu número fixo já não serei eu a atender,  terei de dar uma cópia da chave do correio a estranhos, não terei mais serões a balançar-me no cadeirão onde tantas vezes embalei a minha filha e, pior, serão outros a dormir na minha cama. Sair da nossa casa para lá deixar alguém no nosso lugar, a fazer as suas coisas com as nossas coisas, é do mais estranho que há. Quando temos de o fazer de repente e damos por nós num sítio que não é céu nem inferno, mas uma espécie de purgatório, uma sala de espera onde aguardamos que se abra a porta para o lugar que realmente nos irá pertencer, a coisa piora. Não sou nómada, não me entendo com desenraizamentos, sinto-me perdida, desapoiada, mesmo quando tenho alguém a amparar-me. Vou andar uns tempos nesta vida de não-pertença, nesta coisa de emigrante de lar. Esforço-me por pensar que é por uma boa causa mas, de momento, nada me consola. Isto com tempo vai lá.

No Domingo vou participar na mini-maratona de Lisboa. Espero conseguir afastar estes pensamentos, pelo menos enquanto ainda estiver no tabuleiro da ponte, a uma altura considerável.

sábado, 12 de março de 2011

o meu balanço do evento à rasca

Tive oportunidade de assistir pela televisão a uma considerável parte da manifestação de hoje e fiquei mais convencida do que já estava da boçal ingenuidade deste movimento - não obstante as boas intenções que lhe estão na origem. Ouvi ali uma jovem, revoltada por perder a bolsa de estudo, facto que a obrigou a pedir um empréstimo para poder terminar os estudos - porque, efectivamente, trabalhar umas horas num call-center ou em tantos outros sítios para os quais existem ofertas de emprego constantes e são perfeitamente conciliáveis com a faculdade, a não ser claro que se desconte o tempo passado no bairro alto, no clube ferroviário ou no BBC, não é uma alternativa - confirmando a minha teoria de que os bancos e diversas outras instituições continuam a oferecer créditos indiscriminadamente, e que as pessoas, claro, continuam a ver nessa a opção mais vantajosa a curto ou médio prazo, ao invés de sujeitar-se a trabalhar (salvo seja!) numa área desprestigiante ou que não corresponde à sua formação académica. Outros - muitos deles jovens - quando abordados pelos jornalistas, respondiam, com risinhos de embaraço, que até nem estão em situação precária, apenas estão ali por solidariedade com o tio, a prima ou o namorado - se entendessem realmente a noção de precariedade em que está este país, compreendiam que todos nós estamos nessa situação, actuais empregados ou desempregados, actuais reformados com pensões de miséria ou futuros idosos sem garantia de que haja alguma sequer. Ou os pais, sexagenários, coitados, ali presentes para rogar pelos filhos que, com trinta e muitos ainda não saíram de casa, desempregados. Curiosamente, a única pessoa abordada pela jornalista da sic no Rossio, que estava sentada na praça mas respondeu não estar a participar e nem sequer concordar com a manifestação, foi delicadamente desprezada pela profissional, que ainda rematou a entrevista apelidando a senhora de menos jovem e pessimista.
E assim se conclui que, no meu caso, não estar a trabalhar na minha área talvez tenha alguma razão de ser, já que o que aprendi em quatro anos de licenciatura acerca de ética e validade noticiosa, não se aplica de todo na comunicação social. Sujeito-me portanto a trabalhar em algo que não aprecio, mas ajuda a sustentar a minha família, já que não posso contar com o governo, que aparentemente me considera demasiado afortunada para atribuir sequer um abono à minha filha. O mesmo governo que há não muito tempo era aplaudido pelas intenções de atribuir uma esmola por bebé nascido.
Já alguém me disse que esta manifestação talvez fosse até uma manobra governamental para as pessoas jubilarem com o seu fabuloso poder de intervenção e distrair as atenções do que é realmente importante. Cheira-me que é possível, depois de saber que ontem se anunciaram novas medidas de contenção e austeridade. Mas isso não importa porque há quem hoje durma melhor por sentir que, de alguma forma, fez algo que irá contar para o que quer que seja.

sexta-feira, 11 de março de 2011

pai

Os meus sogros vão matar um porco este fim-de-semana. Adivinha-se algazarra e petisco. Para quem cresceu neste tipo de ambiente, são alturas de festa. Não é o meu caso. Sempre fui geograficamente suburbana, mas de hábitos bastante citadinos. A minha mãe já me disse alarmada, nem penses que o teu pai vai! Agradece o convite mas para isto não contem com ele! Eu também já avisei que não estaria presente, pelo menos para o espectáculo, mas não me importo de ir no dia seguinte, provar um bocadinho do bicho. O meu raciocínio é este: eu como carne, inclusive de porco, e quando o faço não penso nas (horríveis) condições em que eles vivem e nas hormonas que lhes espetam, portanto tenho de concluir que o Mantorras - alcunha simpática para o porquinho preto - até tem sido bastante feliz e a sua carne deve ser do mais saudável que há - eu própria lhe dei algumas folhas de couve. À luz deste raciocínio, consigo combater a imagem de que estou a consumir aquele ser vivo que no outro dia andava a chafurdar na sua pocilga.
Mas o meu pai é de outra natureza. Independentemente dos nossos defeitos e virtudes, ou até mesmo da nossa educação, existem pessoas com dons. Estou convencida que o meu pai tem um dom que não corre em mais ninguém da família. Sempre o achei diferente dos meus tios e de outras pessoas da sua idade. Sempre foi um trabalhador incansável e jamais terá sido recompensado por alguém como devia. Fez muitos sacrifícios ao longo de uma vida inteira e às vezes engulo em seco quando deixa entreaberta a porta para o seu passado. Tenho ideia de que nunca saberei metade do que sofreu em criança e mais tarde em jovem. Apesar da sua idade, esquivou-se à guerra colonial e apenas cumpriu os normais dois ou três anos de tropa, maior parte dos quais em Mafra, tempos que às vezes recorda com nostalgia, talvez porque a sua tarefa se confinava a pouco mais do que descascar batatas na cozinha e a poder dar-se ao luxo de lavar melhor as suas hortaliças, ao contrário dos que eram servidos. Acredito que a brandura da sua vida militar tenha contribuído para que a sua natureza calma prevalecesse. De resto, sempre me lembro de ver nele um homem com sonhos, que todavia sempre calou o seu lado emocional, em detrimento do que lhe era exigido e como consequência da quase inexistente relação com um pai duro e um padrasto negligente, ambos cedo lhe roubados. A sua postura de filho único no meio de raparigas também lhe amoleceu os modos.
Há dois anos perdeu o cão que lhe foi imposto pela minha irmã e que lhe fazia companhia nos últimos dez anos. Não era um animal que ele quisesse de início: a perspectiva da perda sempre o fez pensar duas vezes na hora de criar laços – neste aspecto, a minha mãe nem sempre teve vida fácil durante os últimos trinta e cinco anos, não há-de ser sempre agradável viver com alguém que, sendo bom e generoso, não gosta de se entregar. Há dois anos que usa, enrolada ao pulso, a coleira que o cão usava, grossa, de ferro, a lembrar uma bijutaria grotesca. As pessoas espantam-se. Eu não.
Também não me espanto que o meu pai, homem de outra natureza, não queira comer o Mantorras, e muito menos matá-lo. Não me espanta que, ao contrário de mim, ele não consiga ignorar o facto de que já viu o bicharoco vivo e já lhe fez festas no focinho e, só por isso, criou laços.
O dom do meu pai é a pureza. Uma pureza que admite falhas e defeitos, que não é a pureza dos santos, mas uma pureza que o distingue dos restantes de nós. Uma pureza que eu amo.

do mal o menos

Os japoneses têem um auto-controlo e uma capacidade de organização incrível.

Aposto que ficam muito reconhecidos com o "sentimento de profunda preocupação e solidariedade" que a Comissão Europeia já manifestou, pela pessoa de Durão Barroso, mas não haverá outro povo no mundo com a mesma extraordinária capacidade de se levantar do chão por si próprio como eles.
Ainda nós deitamos as mãos à cabeça, já eles têem as mangas arregaçadas.

Oxalá que sim.

tendências

Tenho para mim que a homossexualidade está na moda. O lesbianismo então parece estar a tornar-se exigência social. Na blogosfera é aos magotes. Experiências, insinuações, inconfidências, revelações explícitas. Eu até compreendo, a sério. Aliás, sempre disse que é bastante apelativa a ideia de duas mulheres juntas (quem diz duas diz uma orgia). O conceito do feminino é bonito, sensual, delicado, excitante.
Tudo muito bem e a emancipação é uma coisa fantástica.
Dito isto, eu é mais músculos, maçãs de Adão e barba rija - e deixem ficar as pilosidades porque, a não ser que se revejam no Toni Ramos, prefiro que a minha perna seja a mais suave entre os lençóis.


Sim, eu sou mesmo old-fashioned.

quinta-feira, 10 de março de 2011

snugglin'

Sou muito esquisita com o meu snugglin'. Não consigo dormir uma noite inteira agarrada a alguém. A anatomia é uma coisa que impõe posturas limitadas e pouco descontraídas.
Só gosto da minha almofada própria para o snuggle. É desmaiada e murcha, tem um escasso enchimento sintético e perde-se na imensidão da fronha, mas preenche os vazios entre o meu corpo e o colchão.
Preciso dela para adormecer.

alongamentos



Por falar em hábitos, há aqueles que são bons e para manter.
Esta música, por exemplo, é a dos cinco minutinhos de alongamentos da aula de body vive.
Ouvi-la transporta-me sempre para aqueles instantes finais, depois do corpo suado, dos glúteos e abdominal tensos, dos gémeos doridos e dos bíceps e tríceps massacrados pela força do elástico; aqueles instantes de cansaço bom em que o corpo se liberta da força, se espreguiça e relaxa.
São acordes bons para alongar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Discurso Do Rei

Assisti ao filme este fim-de-semana, deitada no sofá, os olhos a querer fechar, porque o tempo pedia sesta e também porque o ritmo da película não faz propriamente disparar a adrenalina, mas alerta até ao fim, mesmo nas partes em que os diálogos dessíncronos se sobrepunham às legendas adaptadas e o cérebro ameaçava fazer curto-circuito (tenho uma dependência grave da língua de origem e de legenda em português à percentagem de setenta e trinta por cento, respectivamente - a minha grande relutância em emigrar deve-se a essa mania tão resto-mundana de dobrar tudo o que não é língua materna).
Dizia então que finalmente vi o filme. E foi um finalmente!, o que é bom. Tenho-me sentido defraudada por muitos dos filmes que vão ficando pendentes mas nunca esquecidos e que um dia se me apresentam em toda a sua esplendorosa desilusão (como foi o caso recente d'A Dúvida), mas desta vez a coisa correspondeu ao esperado. Podia falar na atenção aos pormenores, na força dos personagens, no bom resultado da forma escolhida para se adaptar este enquadramento histórico específico, mas disso fala quem percebe, quando o que o distingue tem sobretudo a ver com o que ele me diz a mim e não à academia.
Eu existi dentro daquele Rei e das suas limitações. Eu vivi a privação da impotência, a frustração da batalha infrutífera com o seu eu, a agressividade que resulta de não se saber lidar com a diferença sendo diferente. A minha luta, a minha impotência, a minha frustração e a minha agressividade souberam reconhecer-se e resignaram-se, por duas horas, perante o consolo da gaguez de George VI. E senti-me confortada com o ultrapassar de um obstáculo, com o suspiro de alívio que a queda de um muro pode trazer, com a satisfação da quebra das barreiras invisíveis, uma de cada vez.
Da amálgama que constitui a mistura de todas as nossas qualificações e limitações, sobressai a prevalência que todos partilhamos pelo medo do fracasso.

descanso e folia

Tenho uma relação estranha com o Carnaval.

sexta-feira, 4 de março de 2011