E ao décimo segundo dia deste mês de agosto, recomeça, em Barcelos, o meu calvário. Raiosmapartam!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Isto é muito simples e resume-se em poucas linhas.
Este tipo é um cançonetista com alguma fama, muito acarinhado em Portugal, cujo sucesso se deve, em partes mais ou menos iguais, à sua voz quentinha (de bagaço, como dizem as más línguas), ao seu jeito entre o simples e o rebelde, às canções românticas e ao facto de contribuir com meia dúzia de singles para alguns êxitos de bilheteira, principalmente entre o mulherio.
Para mim ele andaria ali mais ou menos a passo com o Jon Bon Jovi, um pouco mais low profile, não fosse o facto de ter surgido na minha vida com grande impacto numa época crucial: pelos meus treze anos, aquando do lançamento do Waking up the Neighbours em simultâneo com o aparecimento do Nuno, o meu amor mais do que platónico, que era a cara 'cuspida e escarrada' do gajo - não era mas eu achava que sim, talvez porque um tinha algumas borbulhas no mesmo lugar onde o outro tinha bexigas, como diziam os meus amigos mais simpáticos, e eram ambos loiros mas não (jamais!) de olhos azuis.
A partir desta altura, o meu fado estava traçado: haveria de assistir sempre, incondicionalmente, a todos os concertos do artista desde aquele 13 de Dezembro em Alvalade até aos dias de hoje, mesmo que isso implique ter de levar sempre com o João Pedro Pais como entrada e mesmo que os concertos sejam quase todos eles iguais.
Houve aqui um ligeiro desvio desta agradável rotina numa época em que o canadiano teve aquilo que eu vejo como uma crise de meia idade e lançou um álbum chamado 18 till I die (o nome, aliás, corrobora a minha teoria). Por esta altura, o senhor apresentava-se com um look entre o vanguardista e o pastoso que, confesso, não me agradou nem um bocado e ostentava normalmente com uma franja lambida e duvidosa. Não obstante, continuava a produzir satisfatoriamente e a romaria aos espectáculos, ainda que tremida na sua última incursão, foi-se realizando - o último concerto, com direito a gravação para dvd, e com um key grip especial na ficha técnica, tinha de contar com a minha presença porque, obviamente, fazia toda a diferença.
Dito isto, exponho aqui duas versões completamente distintas do que a personagem é capaz, sendo que podem muito bem ser consideradas aquilo que se deve e o que NÃO se deve fazer para arruinar uma canção, quiçá uma carreira.
Eu perdoo-te sempre, Bryan. Sabes disso. Mas o Paco de Lucía não merecia, e a legião de fãs que personificou na tua pessoa milhentas paixões platónicas também não. Por isso, vem. E podes convidar o João Pedro Pais (outra vez!), mas vem com um cabelo de homenzinho e uma calça de ganga. Plain and simple. Não te ponhas com avarias.
Dia 15 de Dezembro lá estarei, porque diz que tu és como o vinho do Porto e eu sou muito patriota.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
shape of my heart
Faz-me lembrar várias coisas.
Um miúdo metido a mágico amador, de cabelo loiro, vizinho da N., que tinha a mania de exibir truques de magia sempre que me encontrava lá pelo prédio e que por isso certo dia me ia cortando um dedo com uma das suas demonstrações que envolveu, precisamente, o meu indicador e uma guilhotina em miniatura com uma lâmina ligeiramente enferrujada.
Lembra-me que não gosto de ilusionistas. Fazem-me sentir insegurança pelo facto do seu talento ser avaliado proporcionalmente à sua capacidade de ludibriar os outros com desfaçatez.
Faz-me recordar um certo concerto do Sting, no Jamor, ao lado de um namorado que era o 'tal', com todas as certezas que se me afiguravam no presente.
Consequentemente, faz-me pensar em sexo tântrico (por causa do Sting, não do namorado).
Lembro-me do único truque que já soube fazer com um baralho e que achava o máximo até perceber que não enganava ninguém.
Penso na dolorosa evidência de que nunca tive o mínimo jeito para baralhar cartas embora me fascine a mestria com que o fazem quase todos os meus amigos, e também o facto de ser um zero a jogar uma sueca que seja.
E faz-me questionar se algum de nós saberá, para lá de qualquer sombra de dúvida, que forma tem realmente o nosso coração.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Is he dark enough?
"Well I held you like a lover
Happy hands and your elbow in the appropriate place
And we ignored our others, happy plans
For that delicate look upon your face
Our bodies moved and hardened
Hurting parts of your garden
With no room for a pardon
In a place where no one knows what we have done
Do you come
Together ever with him?
And is he dark enough?
Enough to see your light?
And do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?
Well you held me like a lover
Sweaty hands
And my foot in the appropriate place
And we use cushions to cover
Happy glands
In the mild issue of our disgrace
Our minds pressed and guarded
While our flesh disregarded
The lack of space for the light-hearted
In the boom that beats our drum
Well I know I make you cry
And I know sometimes you wanna die
But do you really feel alive without me?
If so, be free
If not, leave him for me
Before one of us has accidental babies
For we are in love
Do you come
Together ever with him?
Is he dark enough?
Enough to see your light?
Do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?
What about me?"
All said and written, and all I hear is this..
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
vento
Depois da minha primeira crise, que quase me matava (a mim e aos presentes, de susto), levei uma injecção de valium no rabo e fui de imediato, mocada e tudo, assistir ao casamento do primo que se realizou umas horas depois.
Já me aguentei a umas coisas bem chatas e continuo a não saber como lidar com sentimentos confusos.
p.s. este vento que vem da costa é impiedoso.
clio
Os carros que tenho conduzido são quase todos a gasóleo, excepção feita ao que usei nos tempos da faculdade - carta acabada de tirar, o Opel Corsa da minha mãe, daqueles antigos, carroçaria de chapa de verdade. Não tinha direcção assistida e dava-me um gozo tremendo conduzi-lo. Conhecia-lhe as manhas todas e estava tão habituada à rigidez do travão que alguns anos depois, quando passei para um novinho, cada vez que queria abrandar ligeiramente chegava quase com o nariz ao tablier.
Agora estou habituada a andar com duas chaves, de maneira que ir alternando não é novidade.
Por força das circunstâncias, ontem tive de andar com outro carro, um comercial, um pouco mais velho, barulhento, menos confortável, com uma caixa mais rígida e exigente. E o gozo que me deu.
Às vezes o desconforto provocado por aquilo que nos é estranho é tão mais fascinante do que a comodidade das coisas que temos como garantidas.
porque às vezes o silêncio é ensurdecedor
ou simplesmente porque isto é dolorosamente encantador hoje..
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
on a day like today
Olho para o teclado e vejo as unhas pintadas de rosa choc. Penso que hoje, mais do que noutro dia em que reflicta sobre o assunto, estas mãos não podem ser as minhas. Hoje, vejo em escala de cinzentos, só o rosa do verniz é que se intromete nesta imagem, como uma montagem de photoshop de mau gosto. Trago do dia de ontem recordações dolorosas e acumulam-se até esta hora momentos pouco agradáveis, horas menos felizes, decisões irreflectidas, acções muito pouco acertadas.
...
Tenho tanto e sou tão ingrata. Tenho nas mãos, nestas mãos com unhas rosa, quem me queira tanto, tanto! Tenho quem me abrace num abraço curto mas forte, ambicioso, um abraço que cresce todos os dias mais um bocadinho. Tenho braços grandes, que também me envolvem com prazer e luxúria. Tenho abraços fraternais, amigos, abraços sem braços, de gestos sem toque, de palavras verdadeiras, de olhares que dispensam palavras. Tenho quem sonhe comigo e quem sonhe comigo.
...
Às vezes fico confusa porque há coisas que não se podem ter.
Outras vezes fico feliz porque é por poder ter-se tudo que se consegue ver o rosa no meio de uma escala de cinzentos.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
areia nos olhos
Até consigo perceber que o Jorge Jesus não se compadeça com o argumento do amor à camisola num momento precioso em que é necessário poder contar com a mais valia de um pilar na defesa, que ajude a garantir a passagem numa fase eliminatória de uma competição europeia. Consigo, neste momento, 'engolir' o Luisão com dificuldade - mais ou menos a mesma que teria em engoli-lo literalmente, se equipararmos o tamanho dele com o da inconveniência das suas declarações.
O que não me entra na cabeça é como é que, invariavelmente, se começa mais uma época com contratações duvidosas, fugas de informação que já se tornam patéticas, redutos desfalcados, lesões comprometedoras e uma falta de vontade e energia que se topam a milhas.
O Benfica não precisa de ninguém de fora para dar cabo dos seus objectivos e, em última análise, da sua mística. A estrutura interna do clube, dentro dos limites da sua (in)competência, encarrega-se disso.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
Houve uma altura em que me julgava capaz de escrever tudo e de todas as formas. Evidentemente que sempre tive o meu estilo, que se caracteriza, na medida das minhas limitações, pelo perfeccionismo ortográfico, e que esse estilo sempre incluiu as respectivas fraquezas, como não saber responder na ponta da língua como se conjuga determinado verbo num tempo verbal com nome pomposo. De facto, coisa que nunca tive foi mesmo o domínio sobre os sintagmas. Sempre preferi saber conjugar as coisas, mesmo que não soubesse o seu nome, embora isto se tornasse complicado quando, num exame, me pedissem para identificar ou construir algo a partir do nome que lhe davam. As minhas boas notas sempre se deveram muito mais ao pedacinho dedicado à composição livre, o que sempre me permitiu respirar de alívio e constituiu a ponte para os meus modestos sucessos. Dentro deste que sempre identifiquei como sendo o meu estilo, julguei sempre existir uma margem de manobra grande, adaptável, conciliável com outros estilos, outras exigências linguísticas, outras necessidades e solicitações. Isso fez-me crer nalgumas escolhas como sendo óbvias e acertadas, que, sei hoje, não o são garantidamente.
Escrevi sentimentos durante muito tempo, embora saiba desde cedo que só o devemos fazer entre iguais. Quem não escreve sentimentos também não os pode compreender escritos e normalmente não tem maturidade sensível para os merecer. E escrever sentimentos não é escrever cartas de amor. Essa é outra coisa que inspira enganos. Gosto de pensar que escrevo sempre sobre sentimentos porque não existo exclusivamente racional mas antes empírica, e não sei passar a minha vivência por um filtro. Certo dia, numa breve entrevista para um possível emprego numa redacção, foi-me apresentado um teste para analisar a minha capacidade de síntese e, espero eu, avaliar a qualidade do que era escrito. Um pouco nervosa, por ter pela primeira vez à minha frente a terrível folha em branco, demorei a arrancar para conseguir passados minutos qualquer coisa meio oca. Acredito hoje que, não pela falta qualidade mas antes porque foi uma entrevista concedida por favor e quando não estavam a contratar ninguém, a ausência de feed-back não tenha sido uma rejeição e até me apraz pensar que foi bom não ter conseguido alcançar qualquer tipo de objectivo proposto através de um teste de escrita depurada.
Tenho presente a teoria da pirâmide invertida bem como os critérios exigidos para que um acontecimento seja notícia, a importância da ética e da deontologia, as noções de direito aplicadas à informação, mas de mim só brota a escrita dos sentimentos e sei por isso que o jornalismo me defrauda. E de que interessa isso se, na prática, nada do que se pratica no jornalismo actual tem presentes estes conceitos teóricos?
Vou continuar a escrever neste estilo afinal de contas pouco moldável, ainda que isso não me leve a lado algum.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
das coisas que eu sei da vida
Um homem que conheço dizia-me há tempos que nós, mulheres, somos umas cabras da pior espécie. Tenho para mim que é capaz de ser dos homens que conheço que pior encara a vida sem mulheres, uma ou várias, e mesmo estando por dentro do contexto, sei que este homem vive numa guerra permanente e mais ou menos saudável entre estas duas certezas: a da natureza cruel e manipuladora que faz parte da condição feminina e a da sua resignação face ao deslumbramento que essa mesma condição lhe impõe. Provoca-me nervoso miudinho esta coisa da distinção entre homens e mulheres porque atribuir a causa das coisas a um género, indistintamente, como sendo uma inevitabilidade, é um pouco comparável a dizer que já temos um destino traçado, outra das coisas que me causam espécie pois serve mais de pretexto para desculpar a nossa inércia, do que para justificar as nossas escolhas. E se bem que reconheço tendências comportamentais que se vão valendo de maus hábitos ou tradições bacocas para perpetuar os comportamentos mais masculinos ou mais femininos, não lhes atribuo carácter vinculativo. As mulheres são tão misteriosas como os homens, que é o mesmo que dizer que há alguns que vale a pena descobrir e outros nada têm a oferecer. Ambos se desiludem mutuamente, por motivos semelhantes. Ambos sabem amar infinitamente bem ou são um igual fracasso. Ambos sabem jogar baixo ou manter o nível. Ambos se atacam mesquinhamente quando se lhes esgotam os argumentos. No amor e no sexo vão de doutores a palhaços num instante. Claro que também me apetece dizer que são todos iguais e, sim, a sua líbido funciona de outra forma - isto é ciência, não é superstição - mas também não aguento um ambiente infestado de mulherio por muito tempo. Há alturas em que a todos nos convém dizer que não acreditamos em bruxas mas que as há, há. Mas lá bem no fundo, essa coisa de se dizer a alguém que faz parte de um grupo que é um complot maquiavélico à parte, que não se entende e que se desdenha, não é mais do que uma tentativa vã de incitar a provocação, quando o que se quer na verdade é um convite para poder entrar nessa elite de que não se é pertença.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
intervenção técnica... às minhas dioptrias
O gajo (da optimus) era bem giro, salvo seja!
(posso dizer que aprendi hoje uma boa lição: não desdenhar ou fazer troça do uso de expressões populares que nos podem vir a ser muito úteis em ocasiões como esta. Vai buscar!)
coisas com piada
Receber uma chamada no escritório: sou técnico da optimus e estou a deslocar-me para as vossas instalações para uma intervenção... pode explicar-me onde ficam...? Ora, Terrugem.. Parque Industrial de Ar.., salvo seja. Onde fica isto?
Está tudo certinho, rapaz. E o nome é esse. Sem o salvo seja.
message in a botle
Relativizadas as circunstâncias e apurado o resultado da diferença entre prós e contras, sou uma pessoa feliz. Pronto, não ando para aí sorridente, sempre de tacha arreganhada, que esse não é o meu feitio, mas ando satisfeita com a vida. Estou resignada com as inevitabilidades e a tentar pôr em prática aquele que é o conselho mais consensual da parte de quem percebe da arte da felicidade: viver um dia de cada vez e tentar absorver as coisas boas até ao tutano.
Então pergunto, se tenho planos, projectos, se até estou a tentar engrenar um processo de mudança positiva, a juntar pedacinhos de coragem que me farão sair deste agrilhoamento profissional any time soon - I hope! -, e se estou a curtir tanto as minhas pessoas e as minhas emoções, porque raio têm certas pessoas de cortar esta boa onda, insistindo que este é o timing perfeito para ter mais bebés?
Cut it out, porra!
quinta-feira, 7 de julho de 2011
rating
Não andava nada preocupada com a minha desinspiração, até porque de bom grado aceito perder toda e qualquer vontade de escrever se isso significar uma reconciliação interior que raramente alcanço, porque é sabido que isto da inclinação para a arte da pena resulta, normalmente, de uma de duas coisas: uma predisposição natural para um permanente questionar de tudo (principalmente o que não podemos ter ou mudar) ou uma capacidade intelectual fora de série. No caso de alguns, é o acumular de ambas as circunstâncias mas eu não quero sair da minha liga.
Por isso, numa altura em que até o sexo tem sido irrepreensível em quantidade e qualidade, coisa nem sempre fácil entre gente casada, fico fodida quando aparecem meia dúzia de gajos, provavelmente gente muito ressabiada ainda por cima, a deitar abaixo o meu país, a minha cidade e o meu banco. Porque uma coisa é os factos dizerem que estamos efectivamente na merda, outra coisa é um grupo de cafeínólicos que têm crises de meia idade aos vinte e sete anos, teorizarem sobre a merda que é um país que provavelmente não sabem apontar no mapa.
Tinha de dizer qualquer coisa sobre isto e como o meu poder de síntese não é grande coisa, fique registado que está sublinhada a parte fulcral da mensagem.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Yoav - Beautiful Lie
Babe.
My babe.
You got a secret - it's starting to show.
My babe.
Sweet babe.
How long can you keep it?
How far would you go?
You tell a beautiful lie.
You tell a beautiful lie.
And it's going to, it's going to drive you crazy.
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