quarta-feira, 28 de setembro de 2011
por dentro
Tenho passado este dia a pensar que embora aparentemente vá mostrando alterações no meu comportamento e na minha atitude, invariavelmente as coisas continuam as mesmas. É curioso que coexistam na minha vida, presentemente, uma ausência penosa de harmonia familiar e uma espécie de lar, como se fossem coisas que possam naturalmente ser simultâneas sem eu nunca as conceber como tal. Esta auto-exclusão que me imponho é um estado permanente, não consigo enfrentar a situação de outra forma.
Estou mesmo, mesmo cansada.
A favarica não ajuda nada e hoje atraíu-me para aqui, manhosa, com o único intuito de me fazer perder um bom bocado de tempo precioso a conseguir um layout que não procurei e não me satisfaz, como se eu tivesse de fazer mudanças ou deixar qualquer coisa para trás. Como se isso fosse imprescindível.
Pode parecer pouco, mas para quem tende a tropeçar em situações que não procura e se amarra a elas de forma angustiante, estas merdas são capazes de fazer mossa.
E lá estou eu, a sentir-me arrastada, mais uma vez. Porra.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
alice & olívia
Não percebo nada de moda e descobri isto sem querer. Pronto, se pudesse comprava (ainda) mais sapatos mas não tenho culpa, fazem-nos tão giros, todos tão diferentes e de várias cores, e depois já se sabe que precisamos de modelos para várias ocasiões, tipos de clima, consoante os pisos, as estações do ano e dentro das categorias existem sub-categorias a ter em conta: os sapatos com ou sem salto, que podem ser fechados, abertos, clássicos. Depois as sandálias, com tiras, com molas, com fecho, estilo havaiana ou mais clássicas. Há os ténis, que temos de ter, claro, normais ou bota, para praticar desporto e os casual para complementar uma toilete mais descontraída, os de trekking ou caminhada, que são tão giros e normalmente caros. E depois, meus caros, depois há as botas e aí é a loucura. Pretas, castanhas, beges, cinzentas, de camurça, de cabedal, de pêlo, de cano alto ou botim, de saltos rasos ou altos ou cunha, e umas de corte simples outras com pormenores irresistíveis. Acho que perceberam.
Mas entendida em modas, não sou. Não as antecipo, nem adivinho e só sigo as tendências na medida em que vou comprando algumas coisas que gosto e que se inserem no que vai sendo moda. Só isso.
Então, a foto acima e o respectivo site só me chamaram a atenção por causa do nome: alice e olívia, os meus nomes preferidos e que me dão vontade de trazer ao mundo mais duas meninas.
(mas gosto muito dos ares da página)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
o brasil, as telenovelas e a Ivete
Não vejo telenovelas há mais de meia dúzia de anos. Nenhuma mesmo.
Não gosto das produções nacionais, com aqueles cenários que parecem a rua sésamo, com uma luz muito falsa que incide no alto da cabeça seja dia ou noite, e basta ver os teasers de uma nova estreia para saber exactamente do que se trata e como se vai desenrolar - ou enrolar. Mas salvaguardo a minha estima por alguns bons actores e admito, sem pudores, que até assisto a alguma televisão de encher chouriço, simplesmente não o faço com telenovelas.
Houve um tempo que sim, quando elas provinham invariavelmente da rede globo.
Verti algumas lágrimas a acompanhar a trama de um casalinho especial, enquanto a Ivete Sangalo soltava melodiosamente "meu coração, sem direcção, voando só por voar..."
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
insónias
O dia começa sempre a ameaçar contrariar as optimistas previsões meteorológicas, caprichos da serra aqui tão perto que teima em querer impôr a sua neblina fria, mas há excepções, como hoje, em que o sol impiedoso não se compadeceu com as manhas do microclima local. Está calor, muito calor.
A tarde decorre nesta toada cálida, e ainda recém chegada, aproveito para ressacar de um regresso indesejado, mas em força, porque as circunstâncias assim o exigem. Aquela expressão que diz que só faz falta quem está não contempla os casos em que aquele que se ausenta é tido como certo e, portanto, quem fica, na realidade vai adiando o que deve ser feito até que aquele que faz falta esteja de volta e dê todo um novo sentido ao ditado.
Esta noite foi miserável, muito por culpa de um café forte que me lembrei de aceitar depois de jantar - eu, que excepcionalmente bebo um descafeinado - e que três horas depois de me recolher, ainda me fazia dar voltas na cama e considerar seriamente a hipótese de ir dar uma corrida ao relento. O calor acumulado no quarto não ajudava. Acho que bati o recorde de adormecimentos e despertares repentinos numa só noite. Nunca tinha sentido o coração tão acelerado e a determinada altura comecei a testar sinais de avc ou ataque cardíaco, aqueles que preocupadamente nos explicam incontáveis e-mails, que se traduzem em dormência e tremores e exercícios de lógica e oralidade para testar a nossa lucidez e habilidades motoras e locutoras.
Agora, ouve-se o zumbido embriagante do ar condicionado portátil, que não evita que sinta cada poro transpirar como se estivesse debaixo de um capote alentejano, com a agravante de me deixar (ainda) um pouco mais sonolenta e perigosamente distraída.
Ando com uma vontade inexplicável de ir ao teatro mas para os próximos tempos só se me afiguram casamentos, o que é um pouco chato e sai mais caro. Além disso, como são eventos a ter lugar aqui pela zona, é possível que tenha de arranjar um daqueles capotes acima referidos para completar as toilletes fresquinhas que tenho reservadas.
Separei esta narrativa por parágrafos por uma questão de lógica e fácil entendimento. Assim, a qualidade pode não ser nenhuma mas pelo menos fica-se com a percepção de que eu sei que estou só a escrever coisas soltas e não tenho as ideias assim tão baralhadas. No fundo, isto serviu apenas para desviar por momentos a minha total dedicação a uma folha de excel.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
sweet 16
Não apostava que irão ser as melhores férias. Não me parece que esteja completamente livre dos já habituais precalços que alteram sempre um qualquer plano ou, no mínimo, goram algumas expectativas. Além disso, prevejo que, em duas semanas, não vou ter aquele dia que estava prometido passar com uma amiga - vai ficar, mais uma vez, adiado. Começam também a surgir aquelas tarefas que eu detesto mas que estão implícitas a uma ida de férias, as pequenas coisas que todas somadas roubam sempre dois ou três dias a um periodo de descanso já de si muito curto. Depois há esta angústia que me divide entre a vontade de aproveitar ao máximo cada dia, desde o nascer do sol até bem à noitinha, e a necessidade extrema de descansar cada centímetro do lombo e cada neurónio sobrevivente nesta cabeça fervilhante. Sem esquecer que qualquer das duas fica gravemente condicionada com a omnipresença de uma bebé vigorosa que descobriu recentemente que caminhar é a oitava (ou nona?) maravilha do mundo mas que ainda não sabe aquele que seria para ela o terceiro segredo de Fátima: como evitar o mobiliário que se lhe atravessa no caminho.
Junte-se a tudo isto um clima que para mim é já, assumidamente, um mistério. Estou em crer que, chegando ali ao IC19, este frio desaparece mas já não sei.
Mesmo assim, e apesar das aparências e da minha veia fortemente desinspiradora, daqui por alguns minutos vou suspirar de alívio e olhar pelo espelho retrovisor com toda a alegria que as minhas forças me permitirem reunir, para me despedir deste local por dezasseis dias.
O dia de hoje foi uma merda. E a minha irmã vai para Barcelona amanhã. Estúpida.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
cosimo e viola
"He vivido trepado a los árboles,
desde arriba cacé jabalies.
Tuve incluso un amigo bandido,
leí muchos libros, canté y escribí".
"Has vivido colgado en las ramas
y los árboles sólo por mí,
¿me amarás por encima de todo?"
Cosimo la mira y le dice que sí.
Y pinta un corazón
como un tesoro,
como un secreto
que se esconde
entre las hojas.
Y dentro una canción:
"Cosimo quiere a Viola
mucho, mucho, tanto, tanto,
mucho más que tanto"
a Viola.
"¿Has traído hasta aquí a otras mujeres?"
y él le dice que no, bueno sí.
"Pero nada te iguala en el mundo..."
y Viola responde "¿Tú que sabes de mi?".
Y descubren los mapas que esconde
cada cual en su forma de ser
y desnudos durmiendo en un roble
bebieron los rayos del amanecer.
Y siempre el corazón
como un tesoro,
como un secreto
que se esconde
entre las hojas.
Y dentro una canción:
"Cosimo quiere a Viola
mucho, mucho, tanto, tanto,
mucho más que tanto"
a Viola.
"Lo que quieras seré lo que quieras"
eso fue lo que él quiso decir
pero dijo "soy sólo el que soy y seré
para siempre un reflejo de mí".
y ella quiso decir "yo te quiero
como seas te habré de querer"
pero dijo "se tú para siempre, tú solo"
y adiós a las ramas se fue.
Y ahí queda el corazón
como un tesoro,
como un secreto
que se esconde
entre las hojas.
Y dentro una canción:
"Cosimo quiere a Viola
mucho, mucho, tanto, tanto,
mucho más que tanto"
a Viola.
Pedro Guerra
Há amores que não são para ser vividos, são para ser esquecidos.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
strauss-khan
Este pequeno conto de nuances levemente pornográficas pode não ter passado de um fait divers muito bem elaborado pela requintada máfia política francesa.
Por via das dúvidas é melhor ter a ficha limpa, não vá qualquer pequeno pormenor viabilizar uma ou outra violação impune.
sonhos
Hoje sonhei que fazia a pé - porque não me apetecia levar carro - o trajecto entre Pêro Pinheiro e o Sintra Retail Park, com uma t-shirt muito gasta e umas calças largas de pijama e, pelo caminho, passava por uma escola secundária onde estava reunida uma multidão de alunos, porque o Kurt Cobain estava a dar autógrafos... Pensei que no regresso passaria por lá, para ver se já estaria menos gente, de forma a que eu pudesse falar com ele. Quando voltei, o pátio estava quase vazio porque os miúdos tinham ido já para as salas, e o Kurt Cobain estava sozinho. Fui ter com ele e pedi-lhe também um autógrafo e ele escreveu-me os dois braços de cima a baixo, com um lápis prateado, igualzinho a um que tenho para os olhos. Depois, olhou para mim com uns olhos muito azuis e vivos e fez um enorme sorriso.
Não me lembro de mais nada.
Acordei com um enorme sentimento de frustração por não ter conseguido fazer-lhe todas as perguntas que queria ter feito.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
culé
Acho que o José Mourinho está no seu pior. O facto de ter atingido, do meu ponto de vista, o pico dos seus objectivos profissionais ao ingressar neste clube, faz com a pobreza de espírito se sobreponha à espécie de brio arrogante que o seu estatuto lhe permitia ostentar até há pouco tempo atrás. Agora começa a ser patético e embaraçoso. Eu, que nunca reconheci na prepotência uma virtude, esperava que a idade e a experiência lhe fossem toldando o orgulho mas receio que, ao invés, lhe roubem a pouca humildade.
Mas isto digo eu, que sempre fui um bocadinho culé...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
down memory lane
Isto lembra-me o meu primeiro namorado. E a tarde em que desenhei o nome da banda numa parede inteira do quarto, de forma irrepreensível, até a minha mãe me perguntar, por cima do ombro, se ia apagar aquilo dali.. Ainda estava em esboço, portanto apaguei. E ainda bem que o fiz. As mães têm esta capacidade como que inata de ser, em simultâneo, altamente castradoras da nossa criatividade emocional e orientadoras implacáveis do rumo que julgamos tomar sozinhos.
De alguma maneira, o primeiro namorado já lá vai e continuo a dar por mim a desenhar emoções por onde calha.
De alguma maneira, o primeiro namorado já lá vai e continuo a dar por mim a desenhar emoções por onde calha.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
calendário
E ao décimo segundo dia deste mês de agosto, recomeça, em Barcelos, o meu calvário. Raiosmapartam!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Isto é muito simples e resume-se em poucas linhas.
Este tipo é um cançonetista com alguma fama, muito acarinhado em Portugal, cujo sucesso se deve, em partes mais ou menos iguais, à sua voz quentinha (de bagaço, como dizem as más línguas), ao seu jeito entre o simples e o rebelde, às canções românticas e ao facto de contribuir com meia dúzia de singles para alguns êxitos de bilheteira, principalmente entre o mulherio.
Para mim ele andaria ali mais ou menos a passo com o Jon Bon Jovi, um pouco mais low profile, não fosse o facto de ter surgido na minha vida com grande impacto numa época crucial: pelos meus treze anos, aquando do lançamento do Waking up the Neighbours em simultâneo com o aparecimento do Nuno, o meu amor mais do que platónico, que era a cara 'cuspida e escarrada' do gajo - não era mas eu achava que sim, talvez porque um tinha algumas borbulhas no mesmo lugar onde o outro tinha bexigas, como diziam os meus amigos mais simpáticos, e eram ambos loiros mas não (jamais!) de olhos azuis.
A partir desta altura, o meu fado estava traçado: haveria de assistir sempre, incondicionalmente, a todos os concertos do artista desde aquele 13 de Dezembro em Alvalade até aos dias de hoje, mesmo que isso implique ter de levar sempre com o João Pedro Pais como entrada e mesmo que os concertos sejam quase todos eles iguais.
Houve aqui um ligeiro desvio desta agradável rotina numa época em que o canadiano teve aquilo que eu vejo como uma crise de meia idade e lançou um álbum chamado 18 till I die (o nome, aliás, corrobora a minha teoria). Por esta altura, o senhor apresentava-se com um look entre o vanguardista e o pastoso que, confesso, não me agradou nem um bocado e ostentava normalmente com uma franja lambida e duvidosa. Não obstante, continuava a produzir satisfatoriamente e a romaria aos espectáculos, ainda que tremida na sua última incursão, foi-se realizando - o último concerto, com direito a gravação para dvd, e com um key grip especial na ficha técnica, tinha de contar com a minha presença porque, obviamente, fazia toda a diferença.
Dito isto, exponho aqui duas versões completamente distintas do que a personagem é capaz, sendo que podem muito bem ser consideradas aquilo que se deve e o que NÃO se deve fazer para arruinar uma canção, quiçá uma carreira.
Eu perdoo-te sempre, Bryan. Sabes disso. Mas o Paco de Lucía não merecia, e a legião de fãs que personificou na tua pessoa milhentas paixões platónicas também não. Por isso, vem. E podes convidar o João Pedro Pais (outra vez!), mas vem com um cabelo de homenzinho e uma calça de ganga. Plain and simple. Não te ponhas com avarias.
Dia 15 de Dezembro lá estarei, porque diz que tu és como o vinho do Porto e eu sou muito patriota.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
shape of my heart
Faz-me lembrar várias coisas.
Um miúdo metido a mágico amador, de cabelo loiro, vizinho da N., que tinha a mania de exibir truques de magia sempre que me encontrava lá pelo prédio e que por isso certo dia me ia cortando um dedo com uma das suas demonstrações que envolveu, precisamente, o meu indicador e uma guilhotina em miniatura com uma lâmina ligeiramente enferrujada.
Lembra-me que não gosto de ilusionistas. Fazem-me sentir insegurança pelo facto do seu talento ser avaliado proporcionalmente à sua capacidade de ludibriar os outros com desfaçatez.
Faz-me recordar um certo concerto do Sting, no Jamor, ao lado de um namorado que era o 'tal', com todas as certezas que se me afiguravam no presente.
Consequentemente, faz-me pensar em sexo tântrico (por causa do Sting, não do namorado).
Lembro-me do único truque que já soube fazer com um baralho e que achava o máximo até perceber que não enganava ninguém.
Penso na dolorosa evidência de que nunca tive o mínimo jeito para baralhar cartas embora me fascine a mestria com que o fazem quase todos os meus amigos, e também o facto de ser um zero a jogar uma sueca que seja.
E faz-me questionar se algum de nós saberá, para lá de qualquer sombra de dúvida, que forma tem realmente o nosso coração.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Is he dark enough?
"Well I held you like a lover
Happy hands and your elbow in the appropriate place
And we ignored our others, happy plans
For that delicate look upon your face
Our bodies moved and hardened
Hurting parts of your garden
With no room for a pardon
In a place where no one knows what we have done
Do you come
Together ever with him?
And is he dark enough?
Enough to see your light?
And do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?
Well you held me like a lover
Sweaty hands
And my foot in the appropriate place
And we use cushions to cover
Happy glands
In the mild issue of our disgrace
Our minds pressed and guarded
While our flesh disregarded
The lack of space for the light-hearted
In the boom that beats our drum
Well I know I make you cry
And I know sometimes you wanna die
But do you really feel alive without me?
If so, be free
If not, leave him for me
Before one of us has accidental babies
For we are in love
Do you come
Together ever with him?
Is he dark enough?
Enough to see your light?
Do you brush your teeth before you kiss?
Do you miss my smell?
And is he bold enough to take you on?
Do you feel like you belong?
And does he drive you wild?
Or just mildly free?
What about me?
What about me?"
All said and written, and all I hear is this..
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
vento
Depois da minha primeira crise, que quase me matava (a mim e aos presentes, de susto), levei uma injecção de valium no rabo e fui de imediato, mocada e tudo, assistir ao casamento do primo que se realizou umas horas depois.
Já me aguentei a umas coisas bem chatas e continuo a não saber como lidar com sentimentos confusos.
p.s. este vento que vem da costa é impiedoso.
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