sexta-feira, 4 de novembro de 2011
ao relento, em noite de chuva
"- És uma pessoa muito agarrada ao passado.
- Pois sou... (e tanto mais agarrada ao que não devia)."
sábado, 29 de outubro de 2011
impotência
Gosto de ver séries sobre médicos, cirurgiões, enfermeiros, ambientes esterilizados e frágeis, onde não há margem para erro. Gosto de apreciar, na minha ignorância pueril, a forma como empunham bisturís e recortam firmemente a dura-máter e o espaço subaracnoideu, sem hesitar, nas rigorosas neuro-cirgurgias. Ou então, acompanhar a precisão com que transplantam órgãos, separando cada veia, cada vaso, que depois voltam a ligar, miraculosamente.
Faz-me suspender a respiração. Pensar que a qualquer momento vão atingir uma área proibida, uma zona perigosa, como se pudessem despertar um nervo que não mata, mas acorda a dor, o desespero, para um grito mudo que ninguém - acordado - ouve.
Eu sou constantemente tocada em áreas proibidas, em zonas perigosíssimas, e assim, sem mais, despertam uma e outra vez, nervos adormecidos.
Eu grito, mas do fundo desta anestesia sombria, parece que ninguém ouve.
Poucas coisas são tão frustrantes como não ter palavras para descrever o que se sente, quando julgamos que é de palavras que somos feitos.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
mudanças
Quando ganhar um pouquinho de coragem, passo por aqui para chorar um pouco a estagnação que se deu na minha vida.. Ou para partilhar se a mais recente mudança pode ou não vir a ser uma coisa positiva. Ou então venho só trazer para aqui o Outono, directamente do nosso jardim. Ai, o nosso jardim.. Boa noite.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Anne Hathaway
Uma espécie de ódio de estimação, vá.
Não sei porquê, nem lhe gabo a beleza por isso inveja está fora de questão.
É daquelas coisas que não se explicam.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
walking closets
Nas alturas em que o desespero se apodera de mim e penso no caos em que a minha vida quotidiana se encontra, conforto-me com estas imagens e sonho com o dia em que a minha única preocupação seja escolher qual deles é o meu.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
o ser e o parecer
Acredito não ser eu a pessoa mais indicada para debater este assunto em pleno conhecimento de causa e entendo que, por vezes, determinados pormenores de que tomamos conhecimento impedem-nos de ver a big picture de uma situação. Também importa salientar que não sou seguidora do PEV, nem de instituições de qualquer natureza que promovam, de forma quase fundamentalista, políticas ambientais ou de sustentabilidade sem olhar a determinados cenários impossíveis de descartar da realidade progressista do presente e futuro. Não sou pessoa de militâncias, basicamente. E admito que podia eu própria fazer muito mais pelo ambiente, em tantos aspectos que, se pensar muito nisso, fico a gostar muito menos de mim. Mas reconheço que há pequenos gestos de valor, coisas por vezes meramente simbólicas mas que nos fazem repensar as nossas acções, contribuindo para nos consciencializarmos de que todos podemos contribuir não tanto com o fazer, já que isso implica combater a preguiça, mas pelo menos com o evitar fazer certas coisas.
Por exemplo, as pessoas que arremessam indiscriminadamente lixo para o chão, com a naturalidade de quem bebe um copo de água por ter sede, são irremediavelmente banidas de toda e qualquer réstia de consideração da minha parte.
Dito isto, parece-me proporcionalmente mais grave que uma empresa de renome, sobejamente conhecida, não tenha em consideração princípios básicos no que respeita à preservação do meio ambiente. Curioso é que, visitando o site desta empresa, tomemos conhecimento de que a mesma recebe reconhecimento público (lá está, os tais certificados de melhor de qualquer coisa, que para mim têm tanto valor como um diploma de melhor avô comprado na papelaria) no que respeita precisamente ao seu contributo para o ambiente e a sustentabilidade. Reza o site, "A Interbrand nomeou a Xerox uma das 50 Melhores Marcas “Verdes” do mundo no seu ranking inaugural. A Interbrand, uma consultora líder, combinou a percepção pública da sustentabilidade ambiental com uma demonstração de desempenho baseada em informações e dados publicamente disponíveis."
Ora isto comprova outra das minhas teorias sobre as empresas de consultoria de que não vou falar agora mas que de alguma forma envolve loiça sanitária e papel higiénico.
Que fique bem claro que não gosto de difamar ninguém, muito menos grandes empresas que de alguma forma contribuem para o desenvolvimento económico à escala mundial e serão certamente boas nas suas principais actividades, nem vou fazer aqui uma jura de sangue em como não consumirei nunca na vida nada da referida marca, mas parece-me que uma empresa que envia uma média de vinte cartas de cobrança pelos seus serviços no prazo de seis meses, sempre com o mesmo conteúdo e com o mesmo prazo de resolução (sete dias) pré-contencioso está a pedir duas coisas: que ninguém acredite que têm um departamento jurídico capaz de dar seguimento a uma cobrança litigiosa e que o seu passatempo preferido é abater árvores a partir das quais se podem dar ao luxo de enviar uma carta por semana a quem (claramente) não tem intenções de saldar uma dívida contraída.
Atenção que isto nada tem a ver comigo. Sou boa pagadora do meu economato e restantes consumíveis.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
calor
Quando marquei férias para a primeira semana de Outubro, planeava descansar um bocadinho, tentar fazer umas leituras e ver um ou dois filmes, mas ter a chatice de voltar a ir buscar os bikinis ao fundo da gaveta era coisa com que não estava a contar.
Ou fiz a coisa muito bem feita ou está para me acontecer alguma.
Ou fiz a coisa muito bem feita ou está para me acontecer alguma.
Sim, eu não acredito em borlas...
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
memórias
A princípio era amizade, uma espécie de camaradagem descontraída, havia aquela confiança que a relação de 'colega' legitima. Um colega de trabalho não precisa de ser alguém que conheceu os nossos pais, que sabe onde vivemos ou andou connosco na catequese. Há uma espécie de familiaridade que se cria, apenas por partilhar o mesmo espaço e respirar o mesmo ambiente durante horas e dias a fio, no trabalho, a nossa segunda casa. Num local onde há muitos colegas, há grupos distintos que instintivamente catalogamos e há indivíduos avulsos de quem nos tornamos camaradas, com quem construímos relações que nos apercebemos que vão ser duradouras ou, à sua maneira, inesquecíveis.
Não esqueço a importância do passado e o que ele me transformou. Não acredito em destino mas em desígnios. Há pessoas que desaparecem mas estão sempre lá, no limbo, até ao momento em que as chamamos para nós ou nos chamam para elas, num desespero emergente.
Tu foste essa amizade desesperada, esse ombro que me suportou, esse colo que me confortou, quando estava cansada e doente e tinha o coração em bocadinhos. Começaste por ser os ouvidos que acolheram as palavras de circunstância que sabias esconderem outras, de desilusão. Foste o olhar que leu no meu os pedidos de socorro, mudos, escondidos. E, lá pelo meio, comecei a sentir arrepios inesperados quando a música aos berros me empurrou um pouco mais para perto dos teus ouvidos e me fez encostar o rosto ao sopro das tuas palavras. Toda a gente sabe que me perco com palavras sopradas. E de repente os teus olhos eram só verdes e cheios de intenção e a lua era já nossa.
Fomos amantes. Cumprimos os requisitos para esse estatuto que é sempre transitório, que não oferece promessas, que vive para o momento, para a volúpia. Mas fomos sempre amigos, amigos pouco convencionais, cúmplices, presos ao estigma de não sobrepor a amizade ao preconceito da sua inevitabilidade. Sabemo-nos ainda cúmplices, mesmo distantes, e faz-me falta essa amizade, sem o perigo das palavras sopradas, que é sempre uma ameaça real, que não se deve subestimar.
Lembro-me da lua, vista da tua janela.
(depois de dar título ao post, lembrei-me do Cats. E de como nada é por acaso)
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
por dentro
Tenho passado este dia a pensar que embora aparentemente vá mostrando alterações no meu comportamento e na minha atitude, invariavelmente as coisas continuam as mesmas. É curioso que coexistam na minha vida, presentemente, uma ausência penosa de harmonia familiar e uma espécie de lar, como se fossem coisas que possam naturalmente ser simultâneas sem eu nunca as conceber como tal. Esta auto-exclusão que me imponho é um estado permanente, não consigo enfrentar a situação de outra forma.
Estou mesmo, mesmo cansada.
A favarica não ajuda nada e hoje atraíu-me para aqui, manhosa, com o único intuito de me fazer perder um bom bocado de tempo precioso a conseguir um layout que não procurei e não me satisfaz, como se eu tivesse de fazer mudanças ou deixar qualquer coisa para trás. Como se isso fosse imprescindível.
Pode parecer pouco, mas para quem tende a tropeçar em situações que não procura e se amarra a elas de forma angustiante, estas merdas são capazes de fazer mossa.
E lá estou eu, a sentir-me arrastada, mais uma vez. Porra.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
alice & olívia
Não percebo nada de moda e descobri isto sem querer. Pronto, se pudesse comprava (ainda) mais sapatos mas não tenho culpa, fazem-nos tão giros, todos tão diferentes e de várias cores, e depois já se sabe que precisamos de modelos para várias ocasiões, tipos de clima, consoante os pisos, as estações do ano e dentro das categorias existem sub-categorias a ter em conta: os sapatos com ou sem salto, que podem ser fechados, abertos, clássicos. Depois as sandálias, com tiras, com molas, com fecho, estilo havaiana ou mais clássicas. Há os ténis, que temos de ter, claro, normais ou bota, para praticar desporto e os casual para complementar uma toilete mais descontraída, os de trekking ou caminhada, que são tão giros e normalmente caros. E depois, meus caros, depois há as botas e aí é a loucura. Pretas, castanhas, beges, cinzentas, de camurça, de cabedal, de pêlo, de cano alto ou botim, de saltos rasos ou altos ou cunha, e umas de corte simples outras com pormenores irresistíveis. Acho que perceberam.
Mas entendida em modas, não sou. Não as antecipo, nem adivinho e só sigo as tendências na medida em que vou comprando algumas coisas que gosto e que se inserem no que vai sendo moda. Só isso.
Então, a foto acima e o respectivo site só me chamaram a atenção por causa do nome: alice e olívia, os meus nomes preferidos e que me dão vontade de trazer ao mundo mais duas meninas.
(mas gosto muito dos ares da página)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
o brasil, as telenovelas e a Ivete
Não vejo telenovelas há mais de meia dúzia de anos. Nenhuma mesmo.
Não gosto das produções nacionais, com aqueles cenários que parecem a rua sésamo, com uma luz muito falsa que incide no alto da cabeça seja dia ou noite, e basta ver os teasers de uma nova estreia para saber exactamente do que se trata e como se vai desenrolar - ou enrolar. Mas salvaguardo a minha estima por alguns bons actores e admito, sem pudores, que até assisto a alguma televisão de encher chouriço, simplesmente não o faço com telenovelas.
Houve um tempo que sim, quando elas provinham invariavelmente da rede globo.
Verti algumas lágrimas a acompanhar a trama de um casalinho especial, enquanto a Ivete Sangalo soltava melodiosamente "meu coração, sem direcção, voando só por voar..."
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
insónias
O dia começa sempre a ameaçar contrariar as optimistas previsões meteorológicas, caprichos da serra aqui tão perto que teima em querer impôr a sua neblina fria, mas há excepções, como hoje, em que o sol impiedoso não se compadeceu com as manhas do microclima local. Está calor, muito calor.
A tarde decorre nesta toada cálida, e ainda recém chegada, aproveito para ressacar de um regresso indesejado, mas em força, porque as circunstâncias assim o exigem. Aquela expressão que diz que só faz falta quem está não contempla os casos em que aquele que se ausenta é tido como certo e, portanto, quem fica, na realidade vai adiando o que deve ser feito até que aquele que faz falta esteja de volta e dê todo um novo sentido ao ditado.
Esta noite foi miserável, muito por culpa de um café forte que me lembrei de aceitar depois de jantar - eu, que excepcionalmente bebo um descafeinado - e que três horas depois de me recolher, ainda me fazia dar voltas na cama e considerar seriamente a hipótese de ir dar uma corrida ao relento. O calor acumulado no quarto não ajudava. Acho que bati o recorde de adormecimentos e despertares repentinos numa só noite. Nunca tinha sentido o coração tão acelerado e a determinada altura comecei a testar sinais de avc ou ataque cardíaco, aqueles que preocupadamente nos explicam incontáveis e-mails, que se traduzem em dormência e tremores e exercícios de lógica e oralidade para testar a nossa lucidez e habilidades motoras e locutoras.
Agora, ouve-se o zumbido embriagante do ar condicionado portátil, que não evita que sinta cada poro transpirar como se estivesse debaixo de um capote alentejano, com a agravante de me deixar (ainda) um pouco mais sonolenta e perigosamente distraída.
Ando com uma vontade inexplicável de ir ao teatro mas para os próximos tempos só se me afiguram casamentos, o que é um pouco chato e sai mais caro. Além disso, como são eventos a ter lugar aqui pela zona, é possível que tenha de arranjar um daqueles capotes acima referidos para completar as toilletes fresquinhas que tenho reservadas.
Separei esta narrativa por parágrafos por uma questão de lógica e fácil entendimento. Assim, a qualidade pode não ser nenhuma mas pelo menos fica-se com a percepção de que eu sei que estou só a escrever coisas soltas e não tenho as ideias assim tão baralhadas. No fundo, isto serviu apenas para desviar por momentos a minha total dedicação a uma folha de excel.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
sweet 16
Não apostava que irão ser as melhores férias. Não me parece que esteja completamente livre dos já habituais precalços que alteram sempre um qualquer plano ou, no mínimo, goram algumas expectativas. Além disso, prevejo que, em duas semanas, não vou ter aquele dia que estava prometido passar com uma amiga - vai ficar, mais uma vez, adiado. Começam também a surgir aquelas tarefas que eu detesto mas que estão implícitas a uma ida de férias, as pequenas coisas que todas somadas roubam sempre dois ou três dias a um periodo de descanso já de si muito curto. Depois há esta angústia que me divide entre a vontade de aproveitar ao máximo cada dia, desde o nascer do sol até bem à noitinha, e a necessidade extrema de descansar cada centímetro do lombo e cada neurónio sobrevivente nesta cabeça fervilhante. Sem esquecer que qualquer das duas fica gravemente condicionada com a omnipresença de uma bebé vigorosa que descobriu recentemente que caminhar é a oitava (ou nona?) maravilha do mundo mas que ainda não sabe aquele que seria para ela o terceiro segredo de Fátima: como evitar o mobiliário que se lhe atravessa no caminho.
Junte-se a tudo isto um clima que para mim é já, assumidamente, um mistério. Estou em crer que, chegando ali ao IC19, este frio desaparece mas já não sei.
Mesmo assim, e apesar das aparências e da minha veia fortemente desinspiradora, daqui por alguns minutos vou suspirar de alívio e olhar pelo espelho retrovisor com toda a alegria que as minhas forças me permitirem reunir, para me despedir deste local por dezasseis dias.
O dia de hoje foi uma merda. E a minha irmã vai para Barcelona amanhã. Estúpida.
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