Sou exigente com as palavras, com os discursos, as explicações, as desculpas, as descrições, os argumentos. Sou inflexível com o grau de insistência, com a força argumentativa, com a importância da expressão, com a intencionalidade, o motivo, a clareza, o esclarecimento.
Aprendi que não posso ser e sou na mesma.
Se o exigirem de mim, provavelmente não estou à altura, mas é verdade que o exijo dos outros.
Ai de quem me falha, ai de quem me falta.
Quero sempre saber os porquês. Sempre. Mesmo quando não quero. E isto é mais do que uma maçada, é uma dor permanente, uma tortura constante.
Quando faço análises ao sangue, insistem-me para que não olhe. Parece incomodar-lhes a serenidade com que acompanho todos os procedimentos e como faço questão de fixar com atenção o momento em que enchem a seringa.
As pessoas felizes, parece-me, têm esta característica comum que consiste em não procurar por aí além, não ver muito e sobretudo, nunca saber tudo.
Eu exijo sempre ter conhecimento, não me contento com menos. Se me derem razões para suspeitar, creiam que nunca mais acredito. Especialmente se nunca ficar satisfeita com o discurso, as razões, os argumentos, a intencionalidade, a insistência e, em rigor, a suprema perfeição da palavra que me conforte e convença.
E essa palavra não existe.