terça-feira, 7 de agosto de 2012

I quit, I give up...



Não me apetece lutar mais.
Não consigo.

(sábias palavras de uma amiga, que eu subscrevo hoje)
(há alturas em que é preciso parar)
(estou exausta)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

pertinência

"Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez, sem preparação como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida é já a própria vida?"
Milan Kundera, "A insustentável leveza do ser"

domingo, 29 de julho de 2012

Hello, stranger!



"- Love bores you!
- No, it disappoints me.."

domingo, 24 de junho de 2012

dawn

Sometimes my burden is more than I can bear,
It's not dark yet but it's gettin' there...

sábado, 19 de maio de 2012

"O teatro ensina que seremos feitos para oscilar entre o grande e o exíguo, como se tivéssemos dois corpos. Um deles que se encobre e disfarça, se curva sobre si mesmo até se aninhar entre um robe e uma lareira, e um outro, aquele que nem com o rasto dos Planetas se contenta."

Lídia Jorge, O Belo Adormecido

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Blues...



Nights in white satin, never reaching the end,
Letters I've written, never meaning to send.
Beauty I've always missed, with these eyes before.
Just what the truth is, I can't say anymore.

terça-feira, 10 de abril de 2012

para ti, que já foste a minha pessoa

Agora já não corro. Nem sequer tenho caminhado. 
A barriga cresce eufórica, num entusiasmo que a minha emoção não acompanha.
Eu sei que eu sou a responsável mas, de vez em quando, amaldiçoo-te por me roubares a felicidade que deveria estar a sentir.
E eu sei que não é bonito. Mas é isto...

sexta-feira, 23 de março de 2012

indiferente

"Porque o melhor, enfim, 
É não ouvir nem ver... 
Passarem sobre mim 
E nada me doer!"
Camilo Pessanha, Clepsidra

Sabia que o dia ia chegar em que, governada pela indiferença, me tornaria este ser desapaixonado que não reconheço. 
Agora espero que também a indiferença passe, e só receio que depois não haja nada.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Eat Pray Love

"We can just acknowledge that we have a screwed up relationship and stick with it anyway. 
We can accept the fact that we fight a lot, we barley have sex anymore... but we don't want to live without each other. 
We can make a life together... be miserable... but happy not to be apart..."




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

corpos

Não consigo tocar em cadáveres. Penso nisto algumas vezes mas não costumo proferir, ou escrever, porque é mórbido e inconveniente e parece despropositado. Mas evito enfrentar a morte, a Morte, a dos outros, mesmo os que não me são muito chegados. Não gosto de pensar no conceito, nem consigo aceitar a concretização.
É isso, é um problema de aceitação. Recuso-me a aceitar que a vida abandona o corpo.

Um dos cachorrinhos da Lirita estava morto hoje, na sua caminha, um pouco afastado dos seus quatro irmãos, muito mais matulões desde o dia da nascença. Sobreviveu nestas condições de inferioridade fisionómica mais de quinze dias e não pensei que não resistisse, assumi que ultrapassara o pior. Aproximei-me deles e fiquei a observar os seus movimentos cegos e ternurentos e reparei nele, imóvel, a um canto. Tive medo de lhe tocar. Sabia o que ia sentir por isso não queria fazê-lo. Encostei-lhe um dedo e senti a rigidez que temia. Afastei-me repugnada, arrepiada com a frieza da morte, com a insensibilidade com que despreza o corpo.
Afastei-me e, insensível como a própria morte, deixei-o lá, abandonado, no meio do calor dos irmãos.

Odeio sentir-me fraca.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

run


Sensivelmente ao km 2, direcção Guincho-Cascais, ouvia com clarividência "light up, light up", enquanto ao meu lado via erguer-se o farol. 
Agora que penso em como esta música é boa para correr lembro-me, com renovada ironia, do seu título.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

sindicatos

Já não posso ouvir os dirigentes sindicais. Raios os partam. Estamos num país, coitadinho, onde o virtuosismo da liberdade de expressão serve para pouco mais do que ameaçar greves e manifestações por tudo e por nada. Pessoas que se consideram informadas e que representam minorias assalariadas, enchem os noticiários e ocupam tempos de antena em horário nobre para ironizar decisões governamentais que se prendem com formalizar restrições que na verdade já afectam a maioria dos funcionários privados há anos, e que são uma realidade na quase totalidade dos países europeus. Não me refiro só à mais recente decisão de acabar com o feriado de Carnaval e a respectiva tolerância de ponto. Quem, como eu, já trabalhou numa empresa privada sabe que em muitos casos o direito a um acréscimo de três dias ao tempo de férias por motivo de assiduidade é uma miragem. Como também sabe que os prazos para marcação e gozo de férias não são por vezes cumpridos, o que origina malabarismos familiares para conciliar o periodo de encerramento dos colégios dos filhos com as férias que os pais podem efectivamente gozar. Porque também creio não ser novidade que são as empresas privadas as principais responsáveis pelo desenvolvimento do país e se houver necessidade de mais produção, esses direitos tão aclamados dos trabalhadores são relegados para segundo plano, da mesma forma que é no serviço público, qualquer que seja a sua área de intervenção, que assistimos ao maior atravancamento de processos, procedimentos e burocracias.
Os dirigentes sindicais e afins não fazem mais actualmente do que mostrar-se perplexos e indignados com a exigência do Governo de que se trabalhe um pouco mais, abdicando, por exemplo, de um feriado que não diz nada a grande parte do país e serve apenas de pretexto para reduzir um pouco mais a produtividade, prejudicando o erário público e ajudando a acumular mais processos. Uma bola de neve. Estes mesmos dirigentes consideram efectivamente um bom argumento afirmar publicamente que estas decisões políticas e governamentais são 'palhaçadas' e porquê? porque obviamente o funcionário que já normalmente não se sente motivado, irá trabalhar este(s) dias (ainda) com menos vontade e, consequentemente, produzir menos.
Caros senhores, culpar o Governo pela nossa inércia e falta de motivação para trabalhar não só não é argumento válido, como denota falta de inteligência (ou de consideração pelos mais inteligentes - ainda não percebi se estes senhores são estúpidos ou se se alimentam astuciosamente dos menos espertos).
Julgo mesmo que a falta de razoabilidade destas pessoas, desvia as atenções de qualquer decisão mais repreensível do Governo. A triste realidade é que as unidades sindicais são menos credíveis que a classe política. Pela minha parte, estou disponível para trocar lugares com uns bons milhares de pessoas que, coitadas, passam pelo drama de ter emprego no dia de Carnaval. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

pensar demais

Lembrei-me de uma coisa engraçada, por causa da ligeira humidade e vento que regressaram hoje, depois do maravilhoso sol de Inverno que tem estado. Hoje é um daqueles dias que me estraga a franja. Do ponto de vista psicanalítico, isto diz muito sobre mim. Se isto é uma coisa que me chateia tanto, e se me é impossível impedir que existam dias húmidos e ventosos, porque é que, especialmente nesta época do ano, eu sinto uma vontade súbita de ter uma franja?
A resposta é comum a muitas outras coisas que me afectam muito para além da futilidade de um penteado e tem a ver com a minha tendência para complicar e problematizar tudo na minha vida.

to be continued..

Quando a minha situação ligeiramente precária dá lugar ao optimismo proporcionado pela decisão de, finalmente, fazer o meu curso de mandarim, e me convenço que esta poderá muito bem ser a janela que se abre depois de a porta se fechar, eis que surge a remota possibilidade de ter uma coisa muito melhor.
(E o meu tão familiar pessimismo teima em tentar convencer-me que esta coisa muito melhor pode resultar num lobo vestido de ovelha. Já nem as expectativas me fazem feliz.)

ser assim

Sou exigente com as palavras, com os discursos, as explicações, as desculpas, as descrições, os argumentos. Sou inflexível com o grau de insistência, com a força argumentativa, com a importância da expressão, com a intencionalidade, o motivo, a clareza, o esclarecimento.
Aprendi que não posso ser e sou na mesma.
Se o exigirem de mim, provavelmente não estou à altura, mas é verdade que o exijo dos outros.
Ai de quem me falha, ai de quem me falta.
Quero sempre saber os porquês. Sempre. Mesmo quando não quero. E isto é mais do que uma maçada, é uma dor permanente, uma tortura constante.
Quando faço análises ao sangue, insistem-me para que não olhe. Parece incomodar-lhes a serenidade com que acompanho todos os procedimentos e como faço questão de fixar com atenção o momento em que enchem a seringa.
As pessoas felizes, parece-me, têm esta característica comum que consiste em não procurar por aí além, não ver muito e sobretudo, nunca saber tudo.
Eu exijo sempre ter conhecimento, não me contento com menos. Se me derem razões para suspeitar, creiam que nunca mais acredito. Especialmente se nunca ficar satisfeita com o discurso, as razões, os argumentos, a intencionalidade, a insistência e, em rigor, a suprema perfeição da palavra que me conforte e convença.
E essa palavra não existe.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

not a random patch

ervas daninhas

Dói-me a alma de cada vez que entro aqui e vejo este abandono.

Vou colocar aqui qualquer coisa que não me relembre, que não me enfraqueça, que não me faça recair.
Vou colocar aqui um remendo, grande, feio e desconexo, só para evitar o último post, que me congela e paralisa, e assim, um dia destes, quando entrar, desbloqueio. Hoje não é o dia.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

does it shows?

Quando caminho pelas ruas, em toada normal, numa rotina que agora se tornou mais leve e sem compromissos sérios, sem ter de cumprir horários, sem excel e primavera, sem trocar telefonemas indesejados.
Quando a levo ao colégio e faço palhaçadas e canto (meu deus!, como canto. Canto muito, sempre, tantas vezes sem vontade, sem noção..), e rio e penso e sinto, verdadeiramente, o peso bruto deste amor absoluto, o único realmente inquestionável, indestrutível.
Quando te dou a mão, para que faças dela o que queres, para que a estimes e protejas, para que a apertes com força e amor e certeza e segurança. Ou quando aperto a tua, nos raros momentos em que eu julgo ser mais forte.
Quando brinco, gracejo, quase parecendo ser autêntica, formosa, segura, aquela que queria ser. Quase.
Quando estou aqui, só, entregue, rendida, para me reerguer numa reviravolta que, em segundos, me devolve ao mundo com a máscara habitual.
Quando te imploro, e quero e não quero saber a verdade. As verdades. Quantas são afinal? Não era suposto ser só uma...?
Quando digo que perdão não é esquecimento e resignação não é necessariamente aceitar, para depois agir como se fosse.

Será que se nota?
Porque eu sinto-me uma fraude. Óbvia e inequívoca.