sexta-feira, 18 de julho de 2008

defuntos

A minha mãe foi ao cemitério de Santa Íria levantar os ossos do meu avô. Acho esta expressão horrível, mas é assim que se diz na gíria funerária. Pagou uma batelada por este processo e vai juntá-los aos da minha avó, no cemitério da Amadora. Vão reencontrar-se, os meus avós, volvidos trinta anos.
Gosto de pensar que é um acto bonito. Consola-me.
Tenho receio de morrer e não ser cremada. Espero que me sobrevivam entes-queridos com vontade de satisfazer o meu derradeiro desejo.
Depois podem fazer de 'mim' o que quiserem. Em cinza já não serei nada e nenhuma perspectiva me angustia.
(Tudo isto daqui a muitos anos e depois de uma vida preenchida)

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