terça-feira, 15 de julho de 2008

karma

Gosto de acreditar que há coincidências. É mais racional e mais simples acreditar que há acontecimentos estranhos que sucedem por acaso, do que tentar descortinar os misteriosos desígnios que se levantam quando parece que as coisas têm uma explicação transcendente. É menos complicado admitir que são 'coincidências' do que assumir que há na sua ironia qualquer coisa de maquiavélico.
O conceito de Karma banalizou-se na nossa sociedade; apresenta-se como a noção do 'cada um tem o que merece' e utilizamo-lo para justificar as consequências das acções de alguém e a contrapartida das mesmas. As doutrinas Filosófica, Religiosa e Científica esforçam-se por sintetizar este conceito. As suas origens sânscritas apontam para uma tradução simples: karma significa acção. Se não fosse por mais nada, só por aqui se via que a religião católica não adopta de forma alguma este termo. Primeiro porque apela aos seus fiéis que dêem a outra face ao inimigo, recusando a crença de que a bofetada seja devolvida ao seu praticante com a mesma intensidade (embora fique sempre a pairar a ameaça de uma potencial recepção no Inferno, na hora do julgamento final); depois porque as orações nos incentivam a confessar os pecados por pensamentos, palavras, actos ou omissões...
Ora o Karma implica acção. O Karma deixa-nos livres para sentirmos, pensarmos e omitirmos o que quisermos. Do Karma pensado não podem resultar castigos, forças inversas, proporcionais aos nossos maus pensamentos. Nem irónicas coincidências.
Não é o Karma que me faz temer pela justiça divina e pela maldicência ou perversidade.
É a minha consciência.

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